Alexandre Schaan de Quadros, Paula Mallmann da Silva, Carlo Sasso Faccin, Sérgio Saldanha Menna Barreto
Porto Alegre, RS
Hipertensão Pulmonar Primária
Hospital de Clínicas de Porto Alegre - UFRGS
Correspondência: Alexandre Schaan Quadros - Hospital de Clínicas de PA - Serv de Cardiologia - Rua Ramiro Barcelos, 2350-S/2060 - 90035-003 - Porto Alegre, RS Recebido para publicação em 5/12/96
Aceito em 19/2/97
A hipertensão pulmonar primária (HPP) é uma doença rara, progressiva e quase invariavelmente fatal, afetando predominantemente mulheres entre a 3ª e a 4ª décadas de vida e com expectativa de sobrevida após o diagnóstico por cateterismo cardíaco de aproximadamente 2,6 anos 1. Os
fa-tores preditivos de mortalidade mais importantes são a pressão média da artéria pulmonar (PMAP), o débito cardí-aco (DC), a pressão do átrio direito (AD), a extensão do comprometimento ventricular direito, a classe funcional e a resposta aos vasodilatadores 2-4.
Apesar de sua raridade, a HPP têm-se constituído em um desafio por afetar, principalmente mulheres jovens e pre-viamente hígidas, e por apresentar um prognóstico, na mai-oria dos casos, bastante sombrio. Entretanto, a evolução no conhecimento de sua fisiopatologia alcançada nos últimos anos permitiu o surgimento de novas e importantes opções terapêuticas para o manejo destes pacientes 5. A
anticoagu-lação, o uso de bloqueadores do canal de cálcio em altas doses orientados por monitorização hemodinâmica invasiva, a prostaciclina endovenosa, a septostomia atrial com balão e o transplante de pulmão único têm sido empre-gados com melhora da qualidade de vida e da sobrevida 6. O
objetivo deste trabalho é revisar os principais avanços no conhecimento sobre HPP, com ênfase nas áreas de fisiopatologia e tratamento.
Fisiopatologia
Na presença de uma predisposição latente, a associa-ção de estímulos intrínsecos ou extrínsecos parece ser fun-damental para o desenvolvimento da HPP 7. Este conceito
baseia-se na existência de uma forma familiar de HPP, pre-sente em 5-10% dos casos, e pela associação do HPP com a ingestão ou exposição a diversas substâncias, como ami-norex (aami-norexígeno semelhante à anfetamina), cocaína, L-triptofano 8, infecção pelo HIV 9 e cirrose hepática. Além
dis-so, a predominância em mulheres depois da puberdade, também levou à especulação de influências hormonais na patogenia da HPP e a associação estatisticamente signifi-cativa com a infecção pelo HIV e o aumento no nível sérico
de anticorpos antinúcleo também têm sugerido um mecanis-mo imune para o surgimento da doença 10. O conceito de
que seria necessária esta predisposição latente para o de-senvolvimento da síndrome é reforçado pelas associações descritas, já que obviamente a maioria dos usuários de coca-ína, portadores de HIV ou cirrose e mulheres em uso de hor-mônios não desenvolve HPP. Apesar disso, na maioria dos portadores de HPP não é possível identificar nenhum insul-to prévio ou associação responsável pela doença.
De qualquer forma, o modelo fisiopatológico atual-mente mais aceito para o surgimento e evolução da HPP en-volve a disfunção do endotélio vascular pulmonar como desempenhando um papel central nesta síndrome, seja em pacientes com estímulos desencadeantes bem identifica-dos ou não 7. Assim, um insulto inicial promoveria dano às
células endoteliais pulmonares. O endotélio lesado exibiria então uma pronunciada tendência à vasoconstrição e trom-bose, com aumento da produção de fatores pró-coagu-lantes e diminuição de substâncias anticoagupró-coagu-lantes 11,
ex-pressão local de citoquinas envolvidas na regulação da pro-liferação muscular lisa e produção de matrix extracelular 12,
aumento da adesividade do endotélio pelo aumento de mo-léculas de adesão e secreção de momo-léculas vasoconstritoras (endotelina), com conseqüente aumento do tônus vascular também pela diminuição de prostaciclina e fator relaxante derivado do endotélio. O resultado seria um aumento da pressão arterial pulmonar (PAP), o que, pelo aumento das forças de estresse sobre a parede vascular, serviria também para provocar maior dano ao endotélio, juntamente com outros fatores associados, como hipóxia, acidose e aumento de radicais livres 13. A conseqüência clínica final seria a
síndrome de HPP, fruto de uma cascata de eventos deriva-dos do dano endotelial e da perda da regulação vascular por um insulto primário em um indivíduo previamente suscetível (tab. I). Diversos estudos clínicos recentes reforçam essa hipóstese. Stewart e col 14 estudaram os níveis séricos de
endotelina-1 em 17 portadores de hipertensão pulmonar e observaram aumento na expressão da endotelina-1 imu-norreativa no plasma arterial, sugerindo uma produção pul-monar aumentada nestes pacientes. Giaid e col 15
confirma-ram esta associação, analisando a distribuição de endo-telina e de seu RNA-mensageiro por método imunocito-químico em amostras de tecido pulmonar de portadores de arteriopatia pulmonar plexogênica. Além disso, Christman e col 16 evidenciaram diminuição dos níveis de metabólitos
demonstraram aumento dos níveis séricos de fibrino-peptídeo A.
A tradução histopatológica desta seqüência de even-tos é bastante heterogênea, provavelmente refletindo os diferentes estímulos primários e as diferenças evoluções de cada paciente 18. No entanto, pode-se definir que a HPP
ca-racteriza-se por três tipos distintos de alterações vascu-lares: a arteriopatia plexogênica, a doença veno-oclusiva e a hemangiomatose capilar pulmonar, sendo que a trombose in
situ, envolvendo pequenas artérias ou veias, pode coexistir
com qualquer um dos três tipos de vasculopatia 19. A
arte-riopatia plexogênica é a forma mais comum na HPP; as lesões vasculares podem ser leves (proliferação da neo-íntima) ou severas (fibrose concêntrica na íntima, lesões plexiformes e arterite necrosante). O estágio inicial da doença é associa-do com hipertrofia da musculatura lisa da média, indicativo de um componente vasoconstritor. Com a progressão da doença, a proliferação vascular é substituída pela obstru-ção, relacionando-se com a piora do quadro de hipertensão pulmonar 19.
Quadro clínico
A hipertensão pulmonar sustentada provoca aumento da pressão sistólica do ventrículo direito (VD) e hipertrofia e dilatação ventricular direita, com progressiva redução do rendimento cardíaco. Em decorrência, há um aumento da pressão sistólica e insuficiência cardíaca direita (ICD), sendo estes os sinais mais característicos da hipertensão arterial pulmonar. Embora o ventrículo esquerdo não seja direta-mente comprometido, a progressiva dilatação do VD pode prejudicar seu desempenho devido a interações com o septo interventricular 20,21. A função pulmonar usualmente
permanece preservada 22.
Os sintomas relacionados com esta afecção são tipica-mente de intolerância progressiva aos esforços, com fadiga, dispnéia, síncope e angina de peito (representando geral-mente isquemia ventricular direita), resultantes de baixo DC, hipoxemia ou ambos. Ao exame físico, observam-se ti-picamente aumento na pressão venosa jugular, redução do pulso carotídeo e presença de impulsões paraesternais es-querdas. A maioria dos pacientes apresenta hiperfonese do componente de B2, que pode estar associada à presença de B3 e B4. Regurgitação pulmonar ou tricúspide, cianose
peri-férica e edema podem ser encontrados em alguns pacientes. Como os sintomas são inespecíficos, uma estimativa acu-rada da doença é difícil e o diagnóstico é tardio 23.
Diagnóstico
O diagnóstico da natureza primária da hipertensão pulmonar é de exclusão. Doença pulmonar obstrutiva crôni-ca, tromboembolia pulmonar de repetição, fibrose pulmo-nar, colagenose e várias cardiopatias são as causas mais fre-qüentes de hipertensão pulmonar secundária e devem ser afastadas com segurança em todos os pacientes. Assim, os exames recomendados para o diagnóstico diferencial de HPP são gasometria arterial, espirometria, cintilografia perfusional e ventilatória, ecocardiograma (ECO), difusão de monóxido de carbono e testes imunológicos para colage-nose, além de exames de rotina, como perfil bioquímico e de coagulação, eletrocardiograma e radiografia de tórax.
A partir da década de 80, o ECO com Doppler tem sido cada vez mais usado para a avaliação de doenças cardíacas. Assim, atualmente a maioria dos diagnósticos de hiperten-são pulmonar é realizado por este exame, que demonstra as alterações morfológicas do VD e o aumento da PAP medido pelo Doppler 24. Na presença de regurgitação tricúspide
(achado quase universal na hipertensão pulmonar), a dife-rença de pressão entre o VD e o AD em sístole pode ser ava-liada pelo pico da velocidade do jato regurgitante 25. A
pres-são sistólica ventricular direita é então calculada (levando-se também em consideração uma estimativa ou o valor co-nhecido da pressão de AD) e corresponde à pressão sistólica da artéria pulmonar na ausência de estenose pul-monar. No entanto, é importante frisar que o ECO não subs-titui o cateterismo cardíaco como o método diagnóstico de-finitivo, que deve ser realizado em todos os pacientes, O cateterismo cardíaco é o padrão ouro para mensuração da PAP, resistência vascular pulmonar (RVP), DC e pressão no AD, além de permitir a exclusão de shunts - pelo método de oximetria seriada, de cardiopatia isquêmica em pacientes mais idosos e angiocardiografia quando indicado. Além dis-so, a avaliação hemodinâmica apresenta grande importân-cia na estimativa do prognóstico, uma vez que o aumento da pressão do AD e a redução do índice cardíaco estão direta-mente relacionados com a mortalidade 2,3.
Tratamento
A HPP é uma doença incurável. Embora existam rela-tos de remissões espontâneas e ocorra grande variação in-dividual 26, a evolução da doença é geralmente progressiva.
Os aspectos gerais do manejo são semelhantes ao dos paci-entes com insuficiência cardíaca congestiva 27. Assim, os
pacientes devem ser orientados a ter horas de sono adequa-das e repouso, e exercício físico intenso é desaconselhado, já que pode determinar baixo débito, hipotensão e síncope. Não está claro se o uso de digital é benéfico ou deletério, mas deve ser considerado para aqueles que receberão anta-gonistas em altas doses devido ao potencial efeito
inotró-Tabela I - Possível patogenia da hipertensão pulmonar primária
Lesão endotelial e disfunção ê
Vasoconstrição, trombose, produção de citoquinas e fatores de crescimento ê
Hipertensão pulmonar e lesão vascular é ê
Hipertensão pulmonar é ê
Redução da área transversa no leito arteriolar pulmonar é ê
Desenvolvimento de lesões plexiformes com redução da área transversa pulmonar
pico negativo dessas drogas. Diuréticos são utilizados para o alívio e controle do edema periférico e ICD, melhorando também a insuficiência tricúspide nos casos com dilatação importante do VD. O uso de oxigênio está indicado quando há hipoxemia crônica, embora o uso intermitente mesmo em pacientes sem hipoxemia basal possa eventualmente pro-porcionar alívio de sintomas agudos, como dispnéia e dor torácica. Seguem as demais modalidades terapêuticas dis-poníveis atualmente.
Vasodilatadores - Bloqueadores de cálcio - Os
vasodilatadores foram uma das primeiras tentativas tera-pêuticas para o manejo de HPP, tendo apresentado resulta-dos extremamente variáveis, conforme a droga usada e o quadro clínico do paciente 28,29. Seu uso foi considerado
controverso durante muitos anos, devido à falta de estudos prospectivos com um número adequado de pacientes 30.
Embora diversas drogas tenham sido testadas em pacien-tes com HPP 31, os bloqueadores de cálcio foram as que
apresentaram melhores resultados 32. Inicialmente,
eviden-ciou-se que a nifedipina proporcionava redução do compro-metimento ventricular direito e melhora hemodinâmica 33.
Recentemente, Rich e col estudaram 64 pacientes com HPP, administrando altas doses de bloqueadores de canal de cál-cio (nifedipina até 240mg/dia e diltiazem até 720mg/dia, du-rante 5 anos) àqueles que demonstravam uma resposta hemodinâmica favorável durante um teste agudo sob monitorização hemodinâmica invasiva 34. A sobrevida
des-ses pacientes foi de 95% ao final do seguimento analisado, enquanto que os pacientes que não receberam a droga, por não apresentar resposta favorável no teste terapêutico, foi somente de 55%. O aumento na sobrevida destes pacientes foi também associado à melhora hemodinâmica e melhor qualidade de vida, com diminuição dos sintomas, tolerância maior ao exercício e evidência de regressão da hipertrofia do VD. Tendo em vista estes resultados, recomenda-se que todos os pacientes com HPP realizem teste terapêutico com vasodilatadores e que o vasodilatador empregado seja titu-lado até sua dose máxima, que só pode ser identificada com monitorização hemodinâmica apropriada 35,36. Os pacientes
com resposta ótima à droga têm excelente prognóstico em 5 anos e, provavelmente, não necessitarão de outro tratamen-to, pelo menos durante este período 37 .
Os aspectos práticos para a administração de nifedipina em altas doses foram descritos por Rich e col 38.
Resumida-mente, é colocado um cateter de Swan Ganz na artéria pulmo-nar através de punção percutânea, preferencialmente sob controle fluoroscópico. O paciente é transferido à unidade de cuidados intensivos (UCI), onde aguarda algumas horas para estabilização da pressão pulmonar. A nifedipina é então ad-ministrada em doses de 20mg de hora em hora, até se obter resultado favorável, ou o paciente apresentar algum efeito adverso ou uma dose total de 200mg ser completada. Se for considerado que ocorreu resposta favorável, metade da dose efetiva é então administrada de 6 em 6h e as variáveis hemodinâmicas novamente medidas 24h após, sendo o cate-ter retirado e o paciente tem alta da UCI em uso da droga.
Quanto aos critérios de resposta favorável ou não, deve-se considerar inicialmente que, devido à grande varia-bilidade da PAP ao longo do tempo, as alterações hemodi-nâmicas são consideradas como sendo decorrentes de uma ação farmacológica somente quando se observar uma varia-ção de 22% na PAP ou uma variavaria-ção entre 20 e 36% na RVP 39.
De acordo com as respostas hemodinâmicas apresentadas durante o teste agudo, os pacientes podem ser divididos em quatro grupos: os responsivos são aqueles que apresentam uma redução >20% na PAP, associada a uma redução >20% na RVP; os parcialmente responsivos são os que apresen-tam uma redução >20% na RVP, sem associação à redução significativa na PAP; os não-responsivos os que não apre-sentam redução significativa na PAP nem na RVP; e os paci-entes que apresentam efeitos adversos com a administra-ção da droga (hipotensão, dispnéia, náuseas), sendo estes usualmente relacionados com uma redução >20% na pres-são arterial sistêmica. A explicação mais lógica para estas diferentes respostas, principalmente aos bloqueadores dos canais de cálcio, é que as mesmas representam diferentes níveis de lesão pulmonar 19. Do ponto de vista prático, esta
classificação é útil para estratificar o risco dos pacientes e definir o tratamento posterior, principalmente se o paciente já é considerado um candidato a transplante. Assim, os responsivos são encontrados em aproximadamente 30% dos casos e como apresentam prognóstico estimado de mais de 90% de sobrevida em cinco anos, são mantidos em tratamento clínico. Os parcialmente responsivos também são tratado, se há melhora dos sintomas com a medicação, mas já são considerados como potenciais candidatos a transplante e/ou uso de prostaciclina EV, conforme evolu-ção. Aqueles que não responderam à droga e/ou demons-traram efeito colateral são considerados para transplante e/ ou uso de prostaciclina EV 37.
Em relação à segurança deste protocolo, sabe-se que os pacientes com HPP podem apresentar hipotensão sistêmica grave, choque e mesmo morte após o uso de vaso-dilatadores 30. Assim, sua administração em ambiente
hos-pitalar com cuidados intensivos é fundamental para preve-nir e tratar precocemente possíveis complicações 38. Na
nossa experiência, realizamos teste terapêutico com altas doses de antagonistas do cálcio em sete pacientes com hi-pertensão pulmonar grave 40. Destes, três apresentavam
associação com lúpus erimatoso sistêmico, três HPP e um paciente com HPP e tromboembolismo, onde havia dúvida diagnóstica sobre qual seria a doença de base. Em nenhum dos casos houve complicações pelo teste farmacológico realizado, sendo que quatro pacientes apresentaram respos-ta hemodinâmica favorável, encontrando-se em acompa-nhamento em nosso serviço.
Outros vasodilatadores - O uso de outras classes de
drogas vasodilatadoras já foi extensivamente estudado. Nenhuma destas drogas (antagonistas beta adrenérgicos, bloqueadores alfa-adrenérgicos, vasodilatadores com ação direta em músculo liso [hidralazina], nitratos e inibi-dores da enzima conversora da angiotensina)
apresenta-ram a mesma eficácia do que os bloqueadores do canal de cálcio 27,31,35,41,42,43,44. Recentemente, tem sido sugerido que
adenosina endovenosa poderia ter benefício adicional quando empregada em pacientes já em uso de antagonistas do cálcio 45,46. Como os estudos realizados foram com
amos-tras pequenas e seguimento curto e análogos para adminis-tração oral ainda não são disponíveis, seu uso está restrito aos testes terapêuticos agudos.
Da mesma forma, o óxido nítrico (ON) também tem sido empregado para vasodilatação pulmonar, em pacientes com várias doenças 47,48. Parece que a vasodilatação pulmonar
produzida com o uso de ON por via inalatória poderia ser equivalente à desencadeada pela administração de prosta-ciclinas 49. No entanto, devido à sua toxicidade quando em
altas doses, a administração de ON inalatório exige uma acurada monitorização de suas concentrações. Embora ve-nha sendo usado para o tratamento de vários tipos de hi-pertensão pulmonar, ainda não foi testado em pacientes com HPP 50. Apesar das evidências iniciais apontarem o ON
inalatório como uma droga eficaz para o tratamento da HPP, devemos esperar por ensaios clínicos que comparem direta-mente a sua eficácia, efetividade e efeitos adversos com outros agentes vasodilatadores.
Anticoagulação - Como discutido previamente, a
disfunção endotelial pulmonar determina tromboses de re-petição nas arteríolas pulmonares, que seria um dos meca-nismos para evolução das alterações anatômicas locais e piora da doença. Fuster e col estudaram 120 pacientes com diagnóstico de HPP, acompanhados, retrospectivamente, por 15 anos 51. Nesta série, observou-se significativo
au-mento da sobrevida com terapia anticoagulante oral com uso de cumarínicos. Rich e col 34 analisaram,
prospecti-vamente, a influência da terapia com warfarin na resposta clínica de pacientes com HPP que não haviam respondido a altas doses de antagonistas dos canais de cálcio. Foi verifi-cado um significativo aumento da sobrevida daqueles paci-entes tratados com anticoagulação (91%, 62% e 47% após 1, 2, e 3 anos), em comparação com pacientes não tratados (53%, 31% e 31%, respectivamente).
Como regra, não deve ser esperada melhora sintomáti-ca imediata dos pacientes com a introdução de agentes anti-coagulantes orais. Entretanto, a anticoagulação deve ser considerada em todos os casos, já que esta associada a re-tardo na progressão da doença e aumento da sobrevida.
Prostaciclina - As prostaciclinas são metabólitos do
ácido araquidônico produzidos pelo endotélio vascular, com múltiplas ações farmacológicas. São potentes vasodi-latadores da circulação pulmonar e sistêmica, inibidores da agregação plaquetária e da proliferação de células muscula-res lisas. A prostaciclina apmuscula-resenta efeito vasodilatador im-portante e meia-vida biológica curta (5min), facilitando a titulação de seus efeitos sobre a RVP. Além disso, não apresen-ta efeitos adversos sobre a função cardíaca, como observado com outros vasodilatadores (acetilcolina, por exemplo) 52. A
dose inicial para o teste terapêutico é de 2ng/kg/min, com
aumentos progressivos de 10 em 10min, conforme a respos-ta e tolerância do paciente 53. Os principais efeitos adversos
são hipotensão, cefaléia, rubor, náuseas, vômitos, dor abdo-minal. A meia-vida curta da droga permite realizar um teste terapêutico em menos tempo do que com os antagonistas do cálcio e com mais segurança, já que ocorrem efeitos ad-versos, que desaparecem mais rapidamente. Por outro lado, o custo da droga é muito mais elevado.
Devido a sua várias ações farmacológicas, a prosta-ciclina seria a droga ideal para o tratamento da HPP, mas sua meia-vida curta e a falta de análogos para administração oral têm limitado seu emprego clínico. Nos últimos anos, Rubin e Higgenbotam têm relatado diversas experiências favoráveis com a administração endovenosa contínua por bomba de infusão portátil 54-56. Recentemente, Barst e col conduziram
um ensaio clínico randomizado, com seguimento de 12 sema-nas, comparando os efeitos da terapia convencional (anti-coagulantes, vasodilatadores orais, diuréticos, glicosídios cardíacos e oxigênio suplementar) isolada, com a mesma associada ao epoprostenol (prostaciclina) em 81 pacientes com HPP severa (classe funcional III e IV da New York
Heart Association) 57. Os pacientes que receberam
epo-prostenol apresentaram redução de 8% na PMAP e 21% na RVP, comparado a aumento de 3% da PMAP e queda de 9% da RVP no grupo controle. Não houve mortes entre os 40 pacientes que receberam epoprostenol, enquanto que oito dos 41 pacientes que receberam unicamente terapia con-vencional morreram durante o seguimento analisado. Final-mente, apesar das dificuldades com o uso domiciliar da bomba de infusão e eventuais relatos de efeitos colaterais, a qualidade de vida do grupo que recebeu o tratamento foi significativamente melhor. Assim, estes resultados sugerem que a administração contínua de epoprostenol através da bomba de infusão portátil promove melhora sintomática e hemodinâmica substancial e sustentada, oferecendo um acréscimo tanto na qualidade quanto na expectativa de vida de pacientes com HPP severa. No entanto, a efetividade da droga é baixa, basicamente em virtude das dificuldades no seu emprego, pois a mesma deve ser administrada através de um sistema de infusão intravenoso central. Tendo em vista que os ensaios clínicos desenvolvidos até o momen-to utilizaram somente pacientes com pior prognóstico (clas-se funcional III e IV da NYHA), a prostaciclina ainda deve ser considerada como tratamento de suporte para aqueles que aguardam transplante pulmonar 58.
Septostomia atrial com balão - A septostomia atrial
com cateter balão é a criação de uma comunicação interatrial através de punção do septo interatrial por via percutânea com subseqüente dilatação do mesmo com ba-lão apropriado. Em pacientes com hipertensão pulmonar grave e avançada, esta comunicação permite um shunt direi-ta-esquerda com conseqüente aumento do DC e melhora dos sintomas. Kerstein e col submeteram 15 pacientes com HPP grave, classe funcional IV da NYHA e síncope a este procedimento, observando significativa melhora clínica e hemodinâmica, sendo o alívio dos sinais e sintomas de ICD
associado a uma melhor qualidade de vida e aumento da sobrevida 59. É importante ressaltar que a amostra estudada
foi pequena e somente de pacientes com graus muito avan-çados da doença (classe III, IV e pacientes inclusive em ventilação mecânica) e todos com síncope ao exercício.
Na impossibilidade da realização de um transplante pulmonar, pode-se considerar a indicação de septostomia atrial com balão para os pacientes com HPP que apresenta-rem ICD severa e episódios recorrentes de síncope apesar de tratamento clínico máximo. A diminuição da freqüência de episódios de síncope e a melhora dos sintomas de ICD devem-se a aumento do transporte de oxigênio, que se so-brepõe à queda da saturação arterial decorrente do shunt interatrial. Cabe salientar que é um procedimento de alto ris-co para pacientes mais graves (em ventilação mecânica, por exemplo) e ainda com muito pouca experiência clínica.
Transplante pulmonar - A realização de transplantes
combinados de coração e pulmão foi introduzida em 1981, após os resultados de estudos experimentais em primatas e da introdução da ciclosporina para o manejo do transplante cardíaco 60. Este procedimento foi inicialmente utilizado no
tratamento de pacientes com doença vascular pulmonar obstrutiva decorrente de HPP e de pacientes com síndrome de Eisenmenger, sendo posteriormente reconhecido como forma efetiva de tratamento para pacientes em estágio final de qualquer forma de doença cardiopulmonar. Entretanto, a
carência de centros especializados e de doadores de órgãos limitaram a difusão deste procedimento, sendo que técnicas de transplante de pulmão único ou bilateral receberam aten-ção crescente nos últimos anos 61-63. Transplantes de
pul-mão têm sido realizados com sucesso em pacientes com HPP ou secundária, levando a uma redução imediata na PAP e na RVP e, conseqüentemente, melhora na função ventricular direita 64,65. No entanto, alguns autores ainda
sugerem que esta técnica não seja a mais apropriada para pacientes com HPP 66,67. Bando e col demonstraram que
pa-cientes submetidos ao transplante de pulmão único apre-sentam maior tendência de complicações, desequilíbrio ventilação-perfusão importante no pulmão transplantado e resposta hemodinâmica e clínica inferiores aos pacientes submetidos a transplante coração-pulmão ou bilateral 68. Por
outro lado, como muitos pacientes com HPP morrem na fila do transplante por falta de doadores, muitos autores têm sugerido que o transplante de pulmão único seria o trata-mento de primeira escolha 23.
No momento, como não dispomos de ensaio clínico randomizado que tenha comparado a efetividade destes três tratamentos - transplante coração-pulmão, pulmão único e bila-teral - esta questão permanece sem resposta. Acreditamos que a decisão quanto ao tipo de transplante para cada paciente deve considerar a experiência do centro que realizará o procedi-mento com a respectiva técnica, a condição clínica do paciente (prognóstico) e a disponibilidade de órgãos no local.
1. Rich S, Dantzker DR, Ayres SM et al - Primary pulmonary hypertension: a national prospective study. Ann Intern Med 1987; 107: 216-23.
2. Sandoval J, Bauerle O, Palomar A et al - Survival in primary pulmonary hypertension: validation of prognostic equation. Circulation 1994; 89; 1733-44.
3. Barst RJ, Rubin LJ, Mcgoon MD et al - Survival in primary pulmonary hypertension with long-term continuous intravenous prostacyclin. Ann Intern Med 1994; 121: 409-15.
4. Rich S, Levy PS - Characteristics of surviving and nonsurviving patients with primary pulmonary hypertension. Am J Med 1984; 76: 573-8.
5. Bonow RO, Galiè N, Gheorghiade M et al - Conclusion of the symposium on cardiovascular effects of prostaglandins. Am J Cardiol 1995; 75: 72A-3A. 6. Uren NG, Oakley CM - The treatment of primary pulmonary hypertension. Br
Heart J 1991; 66: 119-21.
7. Rubin LJ - Pathology and pathophysiology of primary pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1995; 75: 51A-4A.
8. Hughes JD, Rubin LJ - Primary pulmonary hypertension. An analysis of 28 cases and a review of the literature. Medicine 1986; 65: 56-71.
9. Junior WO, Sampaio A, Schmidt EM - Comprometimento cardíaco na síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA). Arq Bras Cardiol 1992; 58: 431-5. 10. Rabinovith M - Autoimune disease and unexplained pulmonary hypertension.
Circulation 1992; 85: 380-1.
11. Larumbe MTC, Escoboza JRB - Factores del sistema hemostático y función endotelial en la hipertensión pulmonar primaria. Rev Invest Clin 1994; 46: 421-5.
12. Lopes AAB, Aiello VD, Maeda NY et al - Remodelagem vascular pulmonar. considerações sobre a possível participação de fatores peptídicos de crescimento e substâncias relacionadas. Arq Bras Cardiol 1993; 60: 107-14.
13. Loscalzo J - Endothelial dysfunction in pulmonary hypertension. N Engl J Med 1992; 327: 117-9.
14. Stewart DJ, Levy R, Cernacek P et al - Increased plasma endothelin-1 in
pulmonary hypertension: Marker or mediator of disease? Ann Intern Med 1991; 114: 464-9.
15. Giaid A, Yanagisawa M, Langleben et al - Expression of endothelin-1 in the Lungs of patients with pulmonary hypertension. N Engl J Med 1993; 328: 1732-9.
16. Christman BW, McPherson CD, Newman JH et al - An imbalance between the excretion of thromboxane and prostacyclin metabolites in pulmonary hypertension. N Engl J Med 1992; 327: 70-5.
17. Eisenberg PR, Lucore C, Kaufman L et al - Fibrinopeptide a levels indicative of pulmonary vascular thrombosis in patients with primary pulmonary hypertension. Circulation 1990; 82: 841-7.
18. Pietra GG, Edwards WD, Kay M et al - Histopathology of primary pulmonary hypertension. Circulation 1989; 80: 1198-206.
19. Palevsky HI, Schloo BL, Pietra GG et al - Primary pulmonary hypertension. vasculature structure, morphometry, and responsiveness to vasodilator Agents. Circulation 1989; 80: 1207-21.
20. Nootens M, Wolfkiel C, Chomka EV et al - Understanding right and left ventricular systolic function and interactions at rest and with exercise in primary pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1995; 75: 374-7.
21. Louie EK, Lin SS, Reynertson SI et al - Pressure and volume loading of the right ventricle have opposite effects on left ventricular ejection fraction. Circulation 1995; 92: 819-24.
22. D’Alonzo GE, Pohil RL, DuRee RL et al - Comparison of progressive exercise performance of normal subjects and patients with primary pulmonary hypertension. Chest 1987; 92: 57-62.
23. Rich S - Primary pulmonary hypertension. In: Isselbacher KJ, Braunwald E, Wilson JD et al - Harrisson’s Principles of Internal Medicine. New York. International Edition McGraw-Hill, Inc. 1995; 1211-4.
24. Filho OC, Andrade JL, Carvalho ACC et al - Avaliação da pressão arterial pulmonar em adultos pela ecodopplercardiografia. Arq Bras Cardiol 1991; 56: 261-8.
25. Feigenbaum H - Echocardiography. In: Braunwald E - Heart Disease - A Textbook of Cardiovascular Medicine. 5th ed. Philadelphia: WB Saunders, 1997,
p 69.
26. Dantzker DR, D’Alonzo GE, Gianotti L et al - Vasodilators and primary pulmonary hypertension. Chest 1989; 95: 1185-9.
27. Palevsky HI, Fishman A - The management of primary pulmonary hypertension. JAMA 1991; 265: 1014-20.
28. Rich S, Brundage BH, Levy PS - The effect of vasodilator therapy on the clinical outcome of patients with primary pulmonary hypertension. Circulation 1985; 71: 1191-6.
29. Palevsky HI, Pietra GG, Fishman A - Pulmonary veno-occlusive and its response to vasodilator agents. Am Rev Respir Dis 1990; 142: 426-9. 30. Pacher M - Is it ethical to administer vasodilator drugs to patients with primary
pulmonary hypertension? Chest 1989; 95: 1173-4.
31. Weir EK, Rubin LJ, Ayres SM et al - The acute administration of vasodilator in primary pulmonary hypertension. Am Rev Respir Dis 1989; 140: 1623-30. 32. Barreto SM, Freitas FM - A nifedipina no tratamento da hipertensão pulmonar.
Arq Bras Cardiol 1986; 46: 359-64.
33. Rich S, Brundage BH - High-dose calcium channel-blocking therapy for primary pulmonary hypertension: evidence for long-term reduction in pulmonary arterial pressure and regression of right ventricular hypertrophy. Circulation 1987; 76: 135-41.
34. Rich S, Kaufmann E, Levy PS - The effect of high doses of calcium blockers on survival in primary pulmonary hypertension. N Engl J Med 1992; 327: 76-81. 35. Galiè N, Ussia G, Passarelli P et al - Role of pharmacologic tests in the treatment
of primary pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1995; 75: 55A-61A. 36. Reeves JT, Groves BM, Turkevich D - The case for treatment of select patients with
primary pulmonary hypertension. Am Rev Respir Dis 1986; 134: 342-6. 37. Rich S - Medical treatment of primary pulmonary hypertension: A bridge to
transplantation? Am J Cardiol 1995; 75: 63A-66A.
38. Rich S, Kaufmann E - High dose titration of calcium channel clocking agents for primary pulmonary hypertension: Guidelines for short-term drug testing. J Am Coll Cardiol 1991; 18: 1323-7.
39. Rich S, D’Alonzo GE, Dantzker DR - Magnitude and implications of spontaneous hemodynamic variability in primary pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1985; 55: 159-63.
40. Quadros AS, Verri JM, Cotier CL et al - Efeito de altas doses de nifedipina na hipertensão arterial pulmonar associada ao lúpus eritematoso sistêmico. Arq Bras Cardiol 1993; 61(suppl II); II-47.
41. Rubin LJ, Peter RH - Oral hydrazine therapy for primary pulmonary hypertension. N Engl Med 1980; 302: 69-73.
42. Herrera EL, Sandoval J, Seoane M et al - The role of hydrazine therapy for pulmonary arterial hypertension of unknown cause. Circulation 1982; 65: 645-50.
43. Kambara H, Fujimoto K, Wakabayashi A et al - Primary pulmonary hypertension: beneficial therapy with diltiazem. Am Heart J 1981; 181: 230-1. 44. Rich S, Ganz R, Levy PS - Comparative actions of hydralazine, nifedipine and amrinone in primary pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1983; 52: 1104-7. 45. Schrader BJ, Inbar S, Kaufmann L et al - Comparison of the effects of adenosine and nifedipine in pulmonary hypertension. J Am Coll Cardiol 1992; 19: 1060-4. 46. Inbar S, Schraber BJ, Kaufmann E, et al. Effects of adenosine in combination with
calcium channel blockers in patients with primary pulmonary hypertension. J Am Coll Cardiol 1993; 21: 413-8.
47. Rossaint R, Falke KJ, López F et al - Inhaled nitric oxide for the adult Respiratory distress syndrome. N Engl J Med 1993; 328: 399-405.
48. Schranz D, Wippermann CF, Ritzerfeld S et al - Nitric oxid and prostacyclin lower suprasystemic pulmonary hypertension after cardiopulmonary bypass. Eur J Pediatr 1993; 152: 793-6.
49. Pepke-Zaba J, Higenbottam TW, Dinh-Xuan AT et al - Inhaled nitric oxide as a cause of selective pulmonary vasodilatation in pulmonary hypertension. Lancet 1991; 338: 1173-4.
50. Tavares APF, Junior AGP, Evora PRB - Fundamentos para o uso terapêutico do óxido nítrico pela via inalatória. Arq Bras Cardiol 1995; 64: 45-52. 51. Fuster V, Steele PM, Edwards WD et al - Primary pulmonary hypertension:
natural history and the importance of thrombosis. Circulation 1984; 70: 580-7. 52. Palevsky HI, Long W, Crow J et al - Prostacyclin and acetylcholine as screening agents for acute pulmonary vasodilator responsiveness in primary pulmonary hypertension. Circulation 1990; 82: 2018-26.
53. Raffy O, Azarian R, Brenot F at al - Clinical significance of the pulmonary vasodilator response during short-term infusion of prostacyclin in primary pulmonary hypertension. Circulation 1996; 93: 484-8.
54. Jones DK, Higenbottam TW, Wallwork J - Treatment of primary pulmonary hypertension with intravenous epoprostenol (prostacyclin). Br Heart J 1987; 57: 270-8.
55. Rubin LJ, Mendonza J, Hood M et al - Treatment of primary pulmonary hypertension with continous intravenous prostacyclin (epoprostenol). Ann Intern Med 1990; 112: 485-91.
56. Higenbottam TW, Spiegelhalter D, Scott JP et al - Prostacyclin (epoprostenol) and heart-lung transplantation as treatments for severe pulmonary hypertension. Br Heart J 1993; 70: 366-70.
57. Barst RJ, Rubin LJ, Long WA et al - A comparison of continous intravenous epoprotenol (prostacyclin) with conventional therapy for primary pulmonary hypertension. N Engl Med 1996; 334: 296-301.
58. Cremona G, Higenbottam T - Role of prostacyclin in treatment of primary pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1995; 75: 67A-71A.
59. Kerstein D, Levy PS, Hsu DT et al - Blade balloon atrial septostomy in patients with severe primary pulmonary hypertension. Circulation 1995; 91: 2028-35. 60. Sarris GE, Smith JA, Shumway NE et al - Long-term results of combined heart-lung transplantation: The Stanford experience. J Heart Lung Transplant 1994; 13: 940-9.
61. Higenbottam T - Single lung transplantation and pulmonary hypertension. Br Heart J 1992; 67: 121.
62. Levine SM, Gibbons WJ, Bryan CL et al - Single lung transplantation for primary pulmonary hypertension. Chest 1990; 98: 1107-15.
63. Cooper JD, Patterson GA, Trulock EP et al - Results of single and bilateral lung transplantation in 131 consecutive recipients. J Thorac Cardiovasc Surg 1994; 107: 460-71.
64. Kramer MR, Valantine HA, Marshall SE et al - Recovery of the right ventricle after single-Lung transplantation in pulmonary hypertension. Am J Cardiol 1994; 73: 494-500.
65. Pasque MK, Trulock EP, Kaiser LR et al - Single-Lung transplantation for pulmonary hypertension. Circulation 1991; 84: 2275-9.
66. Bando K, Keenan RJ, Paradis IL et al - Impact of pulmonary hypertension on outcome after single-lung transplantation. Ann Thorac Surg 1994; 58: 1336-42. 67. Chapelier A, Vouhé P, Macchiarini P et al - Comparative outcome of heart-lung and lung transplantation for pulmonary hypertension. J Thorac Cardiovasc Surg 1993; 106: 299-307.
68. Bando K, Armitage JM, Paradis IL et al - Indications for and results of single, bilateral, and heart-lung transplantation for pulmonary hypertension. J Thorac Cardiovasc Surg 1994; 108: 1056-65.