DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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APRESENTAÇÃO

Com o objetivo de definir políticas de desenvolvimento integrado para o setor sisaleiro, nos âmbitos estaduais, nacional e internacional, e consolidar a posição brasileira para a

32a Reunião do Grupo Intergovernamental de Fibras Duras da FAO -IGHF, que irá

ocorrer no próximo mês de julho, em Salvador-Bahia, reuniram-se em Seminário lideranças governamentais e privadas, por iniciativa do SINDIFIBRAS .

As entidades promotoras e participantes do Seminário Nacional Sisal – Problemas e

Soluções, decidiram pela elaboração de documento de conclusões resumidas que

consolidasse os pontos consensuais alcançados no evento e que viesse a servir de

instrumento de sensibilização e mobilização de recursos junto aos setores privado,

governos, organizações da sociedade civil organizada e organismos internacionais de desenvolvimento, visando o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva de forma a consolidar a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial de sisal.

O evento contou com a presença de 142 participantes provenientes de 32 instituições representando o governo federal (Ministério das Relações Exteriores, CONAB, MDIC), os governos dos Estados da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, organizações do setor agrícola, de exportadores de semi-manufaturados e manufaturados e do terceiro setor como o SEBRAE. Tal fato evidencia o caráter participativo que este documento possui, por reunir posições e proposições dos diversos elos que compõem a cadeia produtiva do sisal, formuladas em diversas reuniões preparatórias e durante o Seminário.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O agronegócio do sisal tem enfrentado problemas tanto do lado da demanda quanto da oferta. Os problemas da demanda são na maior parte de natureza internacional relacionados principalmente com barreiras comerciais; subsídios elevados aos produtos concorrentes sintéticos nos mercados tradicionais do sisal; estratégias profissionais em marketing de sintéticos vis-à-vis derivados do sisal e outras fibras naturais; e falta de promoção comercial para os produtos do sisal.

Os problemas do lado da oferta estão relacionados com a produção e foram originados devido a drástica redução da demanda. Neste sentido, pode-se destacar como principais problemas os seguintes: utilização de tecnologias obsoletas e ineficientes em toda os elos da

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produtos; falta de recursos para pesquisa e desenvolvimento visando a melhoria da competitividade dos produtos tradicionais, agregação de valor e desenvolvimento de mercado para novos produtos, a identificação do uso potencial para resíduos, além da falta de ações concretas visando a avaliação do potencial de mercado para promoção dos produtos. Deve-se destacar também a necessidade de políticas públicas claras e com visão de futuro de forma a permitir a sustentabilidade do setor.

Deve-se destacar sob o ponto de vista socioeconômico e ambiental do agronegócio do sisal no Brasil, os seguintes pontos:

(i) com área plantada de 207 mil hectares, em regiões com baixo Índice de

Desenvolvimento Humano (IDH), principalmente nos Estados da Bahia (94% da produção nacional), Paraíba e Rio Grande do Norte, o sisal é identificado como uma das poucas alternativas de sobrevivência para as populações residentes (estimativa de 1,2 milhões de pessoas) no semi-árido nordestino e que estão relacionadas direta ou indiretamente com a cultura;

(ii) importante fator para a sobrevivência das famílias produtoras, em especial durante os

longos períodos de estiagem, mediante os consórcios com a criação de pequenos animais e com a produção de milho e feijão, nas estações chuvosas;

(iii) por ser uma atividade intensiva em mão-de-obra, a cultura consegue reduzir a

migração em massa para às áreas urbanas, o que traria problemas ainda maiores nos grandes centros;

(iv) é uma cultura manejada organicamente, pois durante todo o seu ciclo de vida não se

utiliza agroquímicos, os nutrientes do solo são reciclados através do uso resíduos orgânicos obtidos do seu beneficiamento, além de ajudar no controle a erosão;

(v) a mão-de-obra infantil, anteriormente bastante utilizada, hoje encontra-se erradicada

da cadeia produtiva em função dos programas governamentais implementados nos últimos anos, que ajudaram também no desenvolvimento do artesanato local, criando assim novas oportunidades de geração de renda, envolvendo mulheres e idosos nas regiões produtoras;

(vi) o Brasil é o maior exportador de sisal do mundo, detendo cerca de 50% do mercado,

tendo exportado em 2002, 101 mil toneladas, das 134 mil toneladas produzidas, gerando uma receita de US$ 57,5 milhões. A perspectiva para 2003 é de crescimento da produção para 145 mil toneladas, e um aumento das exportações para 105 mil toneladas. As previsões para

2010, apontam o consumo mundial de fibras de sisal dobrando de volume1, se forem

confirmados as perspectivas de mercado para os novos usos.

Quanto às oportunidades para novos usos do sisal pode-se destacar principalmente os compósitos na indústria automotiva, móveis, eletrodomésticos, polpa para papel, alimentação animal, geotêxteis e na construção civil.

Para que as oportunidades se materializem em negócios, torna-se necessário a implementação de ações baseadas em duas vertentes principais:

a) avaliação dos mercados para novos produtos com maior valor agregado; definição de estratégias para penetração nos mercados identificados ; e ações em marketing para promoção dos produtos;

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b) no nível nacional, fortalecimento do quadro institucional focando as ações integradas entre os setores público, privado e terceiro setor nos estados produtores; e no nível internacional, a rede de atores institucionais nacional deverá procurar participar e contribuir com a rede internacional de informações envolvendo produtores, consumidores, comerciantes, governos, ONGs e agencias de desenvolvimento internacional para facilitar a troca de informações e experiências sobre novas iniciativas em desenvolvimento para o setor sisaleiro.

AÇÕES ESTRATÉGICAS

A rede de atores institucionais da cadeia produtiva do Sisal presente ao Seminário Nacional de 17 de junho, é da opinião de que esforços e recursos sejam canalizados de forma integrada para as seguintes Ações estratégicas:

a) Aumento da Produtividade, tendo como meta passar da média atual de 650 kg / hectare para 1.300 kg / hectare, os Governos da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, devem se comprometer em revitalizar e modernizar a produção de respectivamente, 60 mil, 10 mil e 5 mil hectares, ou seja, um total de 75 mil hectares. Para tanto, como primeiro passo, a recomendação é de que seja implementado em todos os Estados produtores, respeitadas as especificidades territoriais , o Programa Emergencial de Incentivo à Lavoura do Sisal preparado pela EBDA-Empresa Bahiana de Desenvolvimento Agrícola vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, cujo documento básico está contido no anexo I.

b) Aumento do valor da exportação, através de investimentos em qualidade desde o

processo de seleção da fibra no campo, visando alcançar um acréscimo de 30% no preço

do produto hoje comercializado no exterior . A estratégia recomendada contempla a negociação e implementação no curto prazo do projeto apresentado a APEX, ( anexo II) , preparado pelo SINDIFIBRAS e PROMO. Adicionalmente, recomenda-se a implementação de programa de capacitação para os produtores sobre classificação do sisal, visando agregar valor na venda do produto para as indústrias, exportadores de fibra e CONAB.

c) Utilização de resíduos, em especial mucilagem, em programas consorciados de caprinocultura, conforme experiências e proposições quanto ao “Uso de resíduos na

alimentação animal “ pela EMPARN do Rio Grande do Norte (vide anexo III) e EMBRAPA-Centro Nacional de Algodão e EMEPA/PB localizados no Estado da Paraíba. O programa de pesquisa proposto contempla também o uso da mucilagem como fertilizante.

d) Identificar novos usos , mediante a implementação de programas e projetos de pesquisa e

desenvolvimento focando mercado e inovação tecnológica visando a agregação de valor à fibra do sisal. Dentre os projetos já concebidos e em processo de mobilização de recursos, destacam-se:

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(ii) Projeto de Desenvolvimento de Compósitos de Polipropileno com Sisal proposto pela FAPESB em consórcio com a FINEP, empresa privada e CIMATEC/SENAI (anexo V) ;

(iii) Projeto preparado pelo SEBRAE e submetido à CFC – Common Fund for Commodities (anexo VI), em cooperação com o SINDIFIBRAS, FAPESB, UNESP, USP, UFCG, FIEB, FIERN e FIEP, visando o desenvolvimento de trabalhos em estudos de mercado, marketing e tecnologia para compósitos de fibro-cimento para utilização na construção civil, geotêxteis e compósitos baseados no uso da fibra de sisal com resinas termoplásticas para a produção de móveis e outros produtos que exijam boas características mecânicas. No momento, o CFC já aprovou o componente de fibro-cimento com perspectivas de liberação de recursos no mês de setembro ou outubro de 2003.

As lideranças Governamentais e Privadas da Região Sisaleira do Nordeste , à partir da 32a

Reunião do Grupo Intergovernamental de Fibras Duras a ser realizada em Salvador no

período de 7 a 12 de julho de 2003, irão deflagrar processo de sensibilização e mobilização de recursos administrativos e junto ao sistema financeiro nacional, agentes de desenvolvimento nacionais e internacionais, visando viabilizar as ações estratégicas propostas neste documento de conclusões, aproveitando o momento favorável do produto, com o objetivo de alcançar no médio prazo a sustentabilidade da cadeia produtiva do Sisal no país.

Grupo Redator

Carlos Aquino Danny Woolf Fábio Lúcio Cardoso-Coordenador Aquino Consultores/Sebrae FAPESB Banco do Nordeste

Gabriel Moreira Júlio Santos Luiz Edmundo Requião MRE CONAB EBDA

SINDIFIBRAS

wilsonandrade@terra.com.br bolsabahia@uol.com.br

Tel 71 - 241 7499 Fax 71 - 241 7234 Cel 71 - 9144 8730 Rua Conselheiro Dantas, 8 208 40015-070 Salvador / Bahia

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