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ICHTHYOLOGY Consultoria Ambiental LTDA. - EPP

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Academic year: 2021

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EMPREENDIMENTO:

UHE Ferreira Gomes

FASE DO EMPREENDIMENTO:

Fase de Operação

TÍTULO DO DOCUMENTO:

Relatório Final do Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos na Área de Influência da UHE Ferreira Gomes – Consolidação das Campanhas Realizadas

em Setembro/2017 e Março/2018 CÓDIGO DO CLIENTE: FGE REVISÃO: 00 CÓDIGO DO DOCUMENTO: FGE_REL-FINAL-01_ MONIT_INV-AQUATICOS_ICHTH_MAR-18 REVISÃO: 00 ELABORADO: Rafael Resck VERIFICADO: Diego Nunes APROVADO: Diego Nunes R. TÉCNICO:

Diego Nunes e Rafael Resck

DATA: Maio/2018 PÁGINA: 00 DE: 61

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Relatório Final

Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos na Área de Influência da UHE Ferreira Gomes – Consolidação das Campanhas Realizadas em Setembro/2017

e Março/2018

Elaborado para:

Ferreira Gomes Energia S.A.

Ferreira Gomes – AP

Elaborado por:

Ichthyology Consultoria Ambiental Ltda. - EPP

Belo Horizonte – MG

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS PELO DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA

Nome CRBio CTF

Ibama Assinatura

Diego Mendes F. Nunes 80165/04-D 5244159

Rafael Pereira Resck 57356/04-D 2847860

Belo Horizonte, MG Maio de 2018

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SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO ... 5 2 INTRODUÇÃO... 6 3 OBJETIVOS ... 8 4 METODOLOGIA ... 8 4.1 Localização do Empreendimento... 8

4.2 Caracterização e Descrição do Observado nas Estações de Coleta... 9

4.3 Metodologia de Coleta e Análise das Amostras ... 14

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES... 19

5.1 Comunidade Fitoplanctônica ... 19

5.2 Comunidade Zooplanctônica ... 35

5.3 Comunidade dos Macroinvertebrados Bentônicos ... 46

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 55

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 56

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1. Localização do município de Ferreira Gomes no Estado do Amapá. Fonte: Wikipedia. ... 8 Figura 2. Localização das estações de amostragem do Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos da UHE Ferreira Gomes. Fonte: Azurit, 2015. ... 11 Figura 3. Estação amostral P01. Rio Araguaia, à jusante do reservatório da UHE Coroacy Nunes. Março de 2018... 12 Figura 4. Estação amostral P02. Rio Araguaia, no Igarapé Traíra. Março de 2018. ... 12 Figura 5. Estação amostral P03. Rio Araguaia, Zona Intermediária do reservatório. Março de 2018. ... 12 Figura 6. Estação amostral P04. Reservatório, em frente à barragem da UHE Ferreira Gomes. Março de 2018. ... 13 Figura 7. Estação amostral P05. Rio Araguari, no braço do Igarapé do Prata. Março de 2018. ... 13 Figura 8. Estação amostral P06. Rio Araguari, à jusante da barragem, no canal de fuga. Março de 2018. ... 13 Figura 9. Estação amostral P07. Rio Araguari, à jusante da ponte da BR-156. Março de 2018. ... 14 Figura 10. Estação amostral P08. Rio Araguari, à jusante da barragem, na captação da CAESA. Março de 2018. ... 14 Figura 11. Métodos de amostragem. ... 16 Figura 12. Riqueza de espécies da comunidade fitoplanctônica por estação de

amostragem. ... 30 Figura 13. Densidade de espécies da comunidade fitoplanctônica por estação de

amostragem. ... 32 Figura 14. Distribuição da densidade de espécies (%) por Classe da comunidade

fitoplanctônica. ... 32 Figura 15. Resultados do Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H’) e do Índice de Equitabilidade de Pielou (J’) da comunidade fitoplanctônica. ... 34 Figura 16. Riqueza de espécies da comunidade zooplanctônica por estação de

amostragem. ... 43 Figura 17. Densidade de espécies da comunidade zooplanctônica por estação de

amostragem. ... 45 Figura 18. Resultados do Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H’) e do Índice de Equitabilidade de Pielou (J’) da comunidade zooplanctônica. ... 46 Figura 19. Riqueza de espécies dentre os principais taxas identificados para a

comunidade de macroinvertebrados bentônicos. ... 52 Figura 20. Abundância total por taxa da comunidade de macroinvertebrados bentônicos. ... 53 Figura 21. Resultados do Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H’), Índice de Equitabilidade de Pielou (J’) e do Índice BMWP calculados para a comunidade dos

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ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1. Coordenadas geográficas das estações de amostragem do Programa de

Monitoramento de Invertebrados Aquáticos da UHE Ferreira Gomes. ... 9 Tabela 2. Lista de espécies da comunidade fitoplanctônica presente nas estações de amostragem da UHE Ferreira Gomes em setembro de 2017 e março de 2018. ... 20 Tabela 3. Lista de espécies da comunidade zooplanctônica presente nas estações de amostragem da UHE Ferreira Gomes em setembro de 2017 e março de 2018. ... 37 Tabela 4. Lista de espécies da comunidade dos macroinvertebrados bentônicos presentes nas estações de amostragem do reservatório da UHE Ferreira Gomes, nas campanhas realizadas em setembro de 2017 e março de 2018. ... 49

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1 APRESENTAÇÃO

O presente documento constitui-se de relatório final, apresentando objetivos, metodologia e resultados do monitoramento de comunidades hidrobiológicas presentes na área de influência do reservatório da UHE Ferreira Gomes, consolidando os dados obtidos nas campanhas realizadas em Setembro de 2017 e Março de 2018, no âmbito do Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos - Etapa de Operação.

A Usina Hidrelétrica Ferreira Gomes (UHE Ferreira Gomes), pertencente à Ferreira Gomes Energia S.A., na altura do município de Ferreira Gomes, no centro-oeste do Estado do Amapá. O eixo da barragem situa-se sobre a calha do rio Araguari, a jusante da UHE Coaracy Nunes.

O Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos tem como objetivos gerar subsídios para propor formas de gerenciamento visando conservar e/ou recuperar as características naturais do corpo hídrico, de modo a atender aos itens especificados na Licença de Operação número 0368/2017 do empreendimento, emitida em 11 de abril de 2017.

O presente relatório apresenta os resultados consolidados do monitoramento de comunidades hidrobiológicas, compostas pelas comunidades fitoplanctônicas, zooplanctônicas e dos macroinvertebrados bentônicos, no final do período seco, em Setembro de 2017, e também no final do período chuvoso, em Março de 2018.

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2 INTRODUÇÃO

As comunidades hidrobiológicas reúnem um grupo extenso de invertebrados aquáticos, que possuem em comum o fato de viver ao menos uma etapa de seu ciclo de vida no ambiente aquático. São formados pelas algas (comunidade fitoplanctônica e perifítica), organismos zooplanctônicos e pelos macroinvertebrados bentônicos (zoobentos), sendo que os dois primeiros grupos têm as suas espécies vivendo nos ecossistemas aquáticos durante todo o ciclo vital.

A comunidade fitoplanctônica representa um papel relevante na produção de matéria orgânica e entrada de energia nas redes alimentares de um corpo de água. Além disso, esses organismos respondem de forma precisa e duradoura às alterações no ambiente, por meio de mudanças na composição, estrutura e dinâmica populacional (Margalef, 1983).

Essa comunidade é composta pelas algas microscópicas, unicelulares, filamentosas e coloniais, presentes no plâncton, que se fixam em rochas, folhiços, raízes e outras estruturas presentes no substrato. Os principais grupos com representantes do fitoplâncton de água doce são: Bacillariophyceae (diatomáceas), Chlorophyceae (algas verdes), Cyanophyceae (cianobactérias), Chrysophyceae (algas amarelas ou douradas), Dinophyceae (algas marrons), Euglenophyceae e Zygnemaphyceae (desmídeas).

Já os organismos zooplanctônicos são responsáveis por incorporar e transferir uma parcela significativa da energia produzida pelos organismos primários, exercendo uma importante função de ligação dentro da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos.

Também são importantes por fornecerem informações acerca da qualidade ecológica do ambiente aquático, uma vez que abrigam tanto espécies sensíveis quanto resistentes a alterações na qualidade das águas. Esse grupo, que é formado principalmente pelos protozoários, rotíferos e crustáceos, ainda se configura em uma importante fonte de recursos para níveis elevados da cadeia trófica, incluindo representantes da ictiofauna.

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Por fim, a comunidade de macroinvertebrados bentônicos de água doce é composta por organismos com tamanho superior a 0,5 mm, portanto, visíveis a olho nu (Péres & Roldan, 1988). O grupo é composto por um conjunto de organismos muito amplo e variado, incluindo herbívoros, detritívoros e predadores. Podem habitar fundos de corredeiras, riachos, rios, lagos e reservatórios.

Nas águas continentais, a fauna bentônica é predominantemente de insetos, com maior diversidade em rios e riachos (Tundisi & Matsumura-Tundisi, 2008). Entre as comunidades hidrobiológicas, a fauna bentônica é de especial interesse, em virtude da presença de bioindicadores tanto de águas preservadas quanto impactadas (Hawkes, 1979).

Embora com grande capacidade de resposta e caracterização da qualidade ecológica de ambientes aquáticos, o grupo das comunidades hidrobiológicas pode ser considerado um campo ainda de pouco conhecimento científico, em relação a outros grupos biológicos, como a ictiofauna, dado o grande número de espécies que agrupa, as quais possuem diferentes características biológicas e ecológicas.

Por esse motivo, ainda são comuns descrições de novos gêneros e espécies bem como alterações taxonômicas, ao passo que registros de novas ocorrências são feitos constantemente (Tundisi & Matsumura-Tundisi, 2008).

Entretanto, o conhecimento já adquirido acerca desses organismos torna possível o seu uso como uma ferramenta em processos de manejo e monitoramento de ambientes aquáticos, como o reservatório da UHE Ferreira Gomes. Isso porque a grande heterogeneidade dos táxons que compõem esse grupo e, principalmente, os diferentes graus de sensibilidade a alterações no ambiente que cada um possui, possibilita o seu uso como bioindicador ambiental.

Além disso, pode-se afirmar que estudo das comunidades hidrobiológicas permite inferências sobre a “história” do corpo d’água estudado, possibilitando também avaliar a integridade ecológica total desse ecossistema, integrando os efeitos de eventuais agentes impactantes na região (Goulart & Callisto, 2003).

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3 OBJETIVOS

O principal objetivo do Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos é realizar avaliações periódicas do estado dos recursos hídricos, incluindo suas comunidades hidrobiológicas, na área diretamente afetada pela UHE Ferreira Gomes.

Os objetivos específicos estão listados a seguir.

 Monitorar e assegurar a qualidade da água na Área de Influência Direta da UHE Ferreira Gomes;

 Estabelecer os usos permitidos, de acordo com a classe em que o rio se enquadra, e realizar ações de mitigação, caso haja necessidade, elaborando diagnósticos de modo a definir intervenções necessárias;

 Avaliar o comportamento, em regime estacionário, da hidrodinâmica superficial no trecho do rio Araguari correspondente à área diretamente afetada pelo reservatório;  Monitorar a dinâmica das comunidades hidrobiológicas presentes na AID do

empreendimento.

4 METODOLOGIA

4.1 Localização do Empreendimento

A UHE Ferreira Gomes está situada na região rural do município de Ferreira Gomes, no centro-oeste do Estado do Amapá (Figura 1).

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4.2 Caracterização e Descrição do Observado nas Estações de Coleta

Para execução do Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos da UHE Ferreira Gomes foram determinadas oito (08) estações amostrais, para o monitoramento das comunidades planctônicas (fitoplâncton e zooplâncton). Os macroinvertebrados bentônicos foram coletados em três pontos a montante do barramento (P01, P03, P04) e dois a jusante do empreendimento (P06 e P07). A relação das estações amostrais é apresentada na Tabela 1 e Figura 2.

Tabela 1. Coordenadas geográficas das estações de amostragem do Programa de Monitoramento

de Invertebrados Aquáticos da UHE Ferreira Gomes.

ESTAÇÃO AMOSTRAL DRESCRIÇÃO COORDENADAS UTM (22N) Leste Norte P01 ( Vista de Montante Vista de Jusante Figura 3. Estação amostral P01. Rio Araguaia, à jusante do reservatório da UHE Coroacy Nunes. Março de 2018. )

Rio Araguari, à jusante do reservatório da UHE Coaracy

Nunes

0473573 099243

P02

(Figura 4) Rio Araguari, no Igarapé Traíra 0475415 100318 P03

(Figura 5)

Rio Araguari, na Zona

intermediária do reservatório 0476695 097332

P04 (Figura 6)

Reservatório, em frente à barragem da UHE Ferreira Gomes – Superfície, Meio e

Fundo

0477640 095152

P05 (Figura 7)

Rio Araguari, no braço do igarapé

do Prata 0477789 093134

P06 (Figura 8)

Rio Araguari, à jusante da

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ESTAÇÃO AMOSTRAL DRESCRIÇÃO COORDENADAS UTM (22N) Leste Norte P07 (Figura 9)

Rio Araguari, à jusante da

barragem, na ponte 0479420 095349 P08

(Figura 10)

Rio Araguari, à jusante da barragem, na captação da

CAESA

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Figura 2. Localização das estações de amostragem do Programa de Monitoramento de

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Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 4. Estação amostral P02. Rio Araguaia, no Igarapé Traíra. Março de 2018.

Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 5. Estação amostral P03. Rio Araguaia, Zona Intermediária do reservatório. Março de

2018.

Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 3. Estação amostral P01. Rio Araguaia, à jusante do reservatório da UHE Coroacy

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Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 6. Estação amostral P04. Reservatório, em frente à barragem da UHE Ferreira

Gomes. Março de 2018.

Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 7. Estação amostral P05. Rio Araguari, no braço do Igarapé do Prata. Março de 2018.

Vista de Montante

Figura 8. Estação amostral P06. Rio Araguari, à jusante da barragem, no canal de fuga.

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Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 9. Estação amostral P07. Rio Araguari, à jusante da ponte da BR-156. Março de

2018.

Vista de Montante Vista de Jusante

Figura 10. Estação amostral P08. Rio Araguari, à jusante da barragem, na captação da

CAESA. Março de 2018.

4.3 Metodologia de Coleta e Análise das Amostras

Os trabalhos de campo do Programa de Monitoramento de Invertebrados Aquáticos na Área de Influência da UHE Ferreira Gomes foram realizados contemplando os dois principais períodos sazonas que vigoram na região do reservatório:

 dias 26, 27 e 28 de setembro de 2017, representativo do final do período de estiagem;

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Em cada estação amostral, foram analisados os seguintes grupos integrantes das comunidades hidrobiológicas:

 Comunidade Fitoplanctônica;  Comunidade Zooplanctônica;

 Comunidade dos Macroinvertebrados Bentônicos.

Os procedimentos de coleta seguiram as normas da ABNT NBR 9897 (Planejamento de amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores.), NBR 9898 (Preservação e técnicas de amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores), bem como o Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras (CETESB/ANA, 2011).

As coletas de amostras da comunidade fitoplanctônica e zooplanctônica foram realizadas com o auxílio de uma rede de plâncton com 20 μm e 68 μm de interstício, respectivamente (Figura 11). Em ambos os casos as coletas para análises qualitativas foram realizadas deixando a rede com a abertura contra a correnteza, na região subsuperficial, por aproximadamente 10 minutos (ou até a colmatação da rede), ou pela realização de arrastos verticais e horizontais, no caso das estações localizadas dentro do reservatório. As amostras de fitoplâncton foram fixadas com solução transeau enquanto que as de zooplâncton coradas com o corante vital rosa-de-bengala e posteriormente fixadas com formalina a 4%.

Para a análise quantitativa da comunidade fitoplanctônica, coletou-se um litro de água a 20 cm de profundidade, através de um caneco de inox, transferindo a amostra para um frasco de polietileno e realizando a fixação com 5 ml de lugol acético (Figura 11). Para a comunidade zooplanctônica foram filtrados 200 litros de água na mesma rede de coleta, e fixadas da mesma forma que na análise qualitativa.

As amostras dos pontos P04M e P04F foram coletadas com auxílio da garrafa de Van Dorn e dispensadas em baldes separados, compondo uma amostra para cada uma das duas profundidades. Para esses extratos do reservatório, foram realizadas análises quantitativas das comunidades fitoplanctônicas e zooplanctônicas.

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As identificações do fitoplâncton foram realizadas por microscopia ótica, com lâminas simples. As análises quantitativas foram também feitas em microscopia ótica, utilizando-se câmaras de Sedwick-Rafter, após a concentração das amostras por sedimentação em provetas, na relação de 10 vezes.

Coleta de amostras da comunidade planctônica Coleta de amostras da comunidade planctônica

Coleta de amostras da comunidade planctônica Coleta de amostras da comunidade planctônica

Coleta de amostras da comunidade bentônica Coleta de amostras da comunidade bentônica

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Os macroinvertebrados bentônicos foram coletados por meio de Rede de Bentos (Rede em D) com malha de 300 μm (Figura 11), sendo as amostras fixadas com formol. Procurou-se varrer a totalidade dos nichos disponíveis para essa comunidade em cada estação de coleta, explorando-se a variação micro espacial observada em cada local. Segundo Merrit & Cummins (1984), esse método é o que melhor representa a comunidade zoobentônica.

Para esse grupo, foram avaliadas as comunidades presentes na serapilheira; sedimento de fundo e superfície próximo às margens. A área de amostragem foi padronizada para todos os pontos de coleta, conforme orientação do “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater” (APHA, 2012).

Dentro da caracterização das comunidades hidrobiológicas foram avaliadas a composição das espécies registradas, principais grupos e as densidades com que foram registrados. Também foram avaliadas a riqueza, as densidades, a diversidade, a equitabilidade e a presença de espécies raras, endêmicas, ameaçadas de extinção e daquelas consideradas bioindicadoras de qualidade das águas, além da realização de inferências sobre as condições sobre o corpo hídrico avaliado.

Foram também calculados os seguintes índices para a avaliação das comunidades hidrobiológicas:

 Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H’): Proposto por Shannon (1948), possui uma vantagem em relação aos índices de Margalef, Gleason e Menhinick, pois é apropriado para amostras aleatórias de espécies de uma comunidade de interesse, sendo estimado através da seguinte equação:

        N ni N ni H' .ln Onde: H’ = índice de diversidade;

ni = densidade ou biomassa da espécie i; N = densidade ou biomassa total.

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 Índice de Equitabilidade de Pielou (J’) (Pielou, 1975): Este índice descreve o grau de homogeneidade de distribuição da abundância de indivíduos por espécie, sendo calculado pela seguinte fórmula:

)

ln(

'

S

H

E 

Onde: - E = índice de equitabilidade; - H’= índice de diversidade;

- S = número de espécies da amostra.

 Índice Biological Monitoring Work Party (BMWP)

O índice BMWP constitui uma ferramenta de avaliação da qualidade das águas de acordo com a tolerância das famílias de organismos da comunidade dos macroinvertebrados bentônicos à poluição orgânica, sendo que quanto maior a sensibilidade a impactos, maior a pontuação no índice.

Os escores mais elevados são atribuídos aos organismos menos tolerantes à poluição. Desse modo, o índice considera que, nos ecossistemas aquáticos onde a poluição orgânica é baixa ou ausente, podem ser encontrados macroinvertebrados sensíveis. Já em corpos hídricos com elevadas concentrações de poluentes orgânicos é esperado o encontro apenas de organismos muito resistentes.

Proposto por Alba-Tercedor (1996) e adaptado para ecossistemas brasileiros por vários pesquisadores, com destaque para Trivinho-Strixino & Nascimento (2001), o BMWP é amplamente utilizado na avaliação da qualidade da água em todo o mundo, sendo caracterizado como uma avaliação simples da qualidade ambiental (Hawkes, 1997).

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5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 Comunidade Fitoplanctônica

A comunidade fitoplanctônica representa um papel relevante na produção de matéria orgânica e entrada de energia nas redes alimentares de um corpo de água. Além disso, esses organismos respondem de forma precisa e duradoura às alterações no ambiente, por meio de mudanças na composição, estrutura e dinâmica populacional (Margalef, 1983).

Essa comunidade é composta pelas algas microscópicas, unicelulares, filamentosas e coloniais, presentes no plâncton. Os principais grupos com representantes do fitoplâncton de água doce são: Bacillariophyceae (diatomáceas), Chlorophyceae (algas verdes), Cyanophyceae (cianobactérias), Chrysophyceae (algas amarelas ou douradas), Dinophyceae (algas marrons), Euglenophyceae (algas euglenas) e Zygnemaphyceae (desmídeas).

As contagens da comunidade fitoplanctônica presente nas estações amostrais da UHE Ferreira Gomes nas campanhas realizadas em Setembro de 2017 e Março de 2018 podem ser analisadas na lista de espécies presente na Tabela 2, onde os campos com X indicam organismos encontrados somente na análise qualitativa.

A partir dessa lista, foram confeccionados gráficos indicadores da riqueza e densidade total, expressas em indivíduos/ml e em percentual, em ambos os casos contemplando as diferentes classes de organismos fitoplanctônicos. Também foi calculado o Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H') e o Índice de Equitabilidade de Pielou (J’) para cada estação de coleta.

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Tabela 2. Lista de espécies da comunidade fitoplanctônica presente nas estações de amostragem da UHE Ferreira Gomes em setembro de 2017 e março de 2018. ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 BACILLARIOPHYCEAE Achnanthes sp. 3,2 X Achnanthidium sp. 6,4 X 6,4 3,2 Aulacoseira granulata X X X X X X X X X X X X X X X X Aulacoseira distans 6,4 X X X X X X X Amphipleura sp. X X X Carpatograma sp. X X Cyclotella sp. 6,4 X 12,8 X 6,4 9,6 3,2 X 3,2 16,0 X 12,8 25,6 19,2 Encyonema sp. 3,2 X X X X X X 6,4 Eunotia didyma X X X X X X X X X Eunotia minor 6,4 X X X X 3,2 X X 6,4 X Eunotia lineolata X X 12,8 X X X X 3,2 X X X X Eunotia lunata X X X X X X X Eunotia serra X X X X X X X X Eunotia sp. X X X X X X X Fragilaria capucina X Fragilaria sp. 12,8 X 22,4 3,2 25,6 X 12,8 6,4 6,4 6,4 3,2 16,0 3,2 32,0 X 32,0 X 35,2 3,2 Gomphonema turris X X Gomphonema sp. X X X X X Melosira sp. X Navicula sp. 3,2 X 3,2 3,2 X X 6,4 X 6,4 6,4 9,6 X Nitzschia sigmoidea X X X X Nitzschia sp. 3,2 3,2 3,2 6,4 6,4 3,2 6,4 3,2 12,8 6,4 Nitzschia sp.2 X X Pinnularia gibba X X X X X Pinnularia sp. X X X X X X X X Surirella lineares X X X X Surirella robusta X X X X X X Surirella sp. X X X X X Surirella sp.2 X Stauroneis sp. 3,2 X 6,4 X X Synedra sp. X 3,2

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ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Ulnaria ulna X X X Urosolenia sp. X X SUBTOTAL 32,0 9,6 44,8 25,6 44,8 16,0 16,0 6,4 9,6 6,4 3,2 3,2 44,8 16,0 70,4 3,2 67,2 0,0 70,4 19,2 CHLOROPHYCEAE Acanthosphaera sp. X Actinastrum sp. 9,6 X Ankistrodesmus densus X X X X X X X 3,2 X X Ankistrodesmus falcatus X 3,2 X 3,2 3,2 X X X Botryococcus sp. X X X X Chlorella sp. 64,0 3,2 48,0 6,4 32,0 3,2 51,2 25,6 12,8 6,4 3,2 6,4 32,0 80,0 16,0 3,2 28,8 22,4 6,4 Closteriopsis sp. X X 3,2 X 3,2 Coelastrum astroideum X 3,2 X Coelastrum microporum X X X Coelastrum reticulatum 12,8 3,2 12,8 X 16,0 X 12,8 X 6,4 3,2 3,2 9,6 X 12,8 X X X 16,0 X Coenocystis subcylindrica 16,0 3,2 X X 3,2 6,4 X X X X 6,4 Crucigenia sp. X 3,2 3,2 6,4 3,2 X Desmodesmus sp. X 3,2 X 3,2 3,2 Desmodesmus opoliensis X 3,2 X X 3,2 Desmodesmus spinosus X X 3,2 X Desmodesmus protuberans X X X Dictyosphaerium ehrenbergii 6,4 3,2 X 3,2 X X X X X X X Dictyosphaerium pulchellum X X X X X X X X X X Dictyosphaerium sp. 3,2 Dimorphococcus sp. X Elakatothrix gelatinosa X X X X X X X X Elakatothrix sp. X X X 6,4 X 3,2 16,0 X 3,2 X Eudorina sp. X X X Eutetramorus fotti X X X X 6,4 X X X Eutetramorus sp. 22,4 6,4 X 6,4 X 9,6 X 9,6 X X X X 3,2 X X Eutetramorus sp.2 X X Golenkinia sp. X Isthmochloron sp. X X Kirchineriella obesa X X X X Kirchineriella contorta X X X X 6,4 3,2 X X

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ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Kirchineriella sp. X X X X Monoraphidium arcuatum 3,2 3,2 3,2 3,2 6,4 3,2 X Oedogonium sp. X X X X X X Oocystis sp. X X X Pediastrum duplex X X Quadrigula sp. X X Senedesmus acuminatus X Schroederia sp. 3,2 9,6 3,2 3,2 16,0 9,6 X 6,4 9,6 Tetraedron sp. X X Tetrallantos lagerheimii X X X X X X X Tetrallantos sp. X X X X X X X 3,2 Ulothrix sp. X X X X X X X Chlorococcales NI X SUBTOTAL 121,6 9,6 76,8 9,6 60,8 16,0 89,6 41,6 19,2 9,6 6,4 6,4 92,8 134,4 41,6 12,8 32,0 35,2 35,2 16,0 CRYPTOPHYCEAE Cryptomonas sp. 96,0 3,2 80,0 121,6 83,2 150,4 96,0 86,4 16,0 9,6 3,2 169,6 76,8 92,8 51,2 118,4 32,0 121,6 25,6 SUBTOTAL 96,0 3,2 80,0 121,6 83,2 150,4 96,0 86,4 16,0 9,6 0,0 3,2 169,6 76,8 92,8 51,2 118,4 32,0 121,6 25,6 CHRYSOPHYCEAE Dinobryon sertularia 9,6 X X X X X X X X X X X X X X Mallomonas sp. 6,4 19,2 X 16,0 X 9,6 6,4 3,2 38,4 6,4 X 3,2 X 9,6 Synura sp. X X X X X X Synura sp.2 16,0 X 3,2 6,4 X SUBTOTAL 16,0 0,0 19,2 0,0 16,0 16,0 9,6 6,4 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2 41,6 6,4 6,4 3,2 0,0 9,6 0,0 CYANOPHYCEAE Anabaena sp. X Aphanocapsa sp. 9,6 3,2 6,4 12,8 3,2 6,4 X 9,6 Coelomoron sp. X X X X X Chroococcus sp. X X Cylindrospermopsis raciborskii X X X X X X Geitlerinema splendidum X X X X X Geitlerinema sp. X X X X X 3,2 3,2 X X 3,2 3,2 X 9,6 3,2 Lyngbya sp. X X X X X X X Merismopedia tenuissima 25,6 3,2 35,2 X 32,0 X 28,8 9,6 19,2 6,4 3,2 57,6 9,6 35,2 25,6 3,2 28,8 Microcystis sp. X X X 3,2 6,4 X X

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ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Oscillatoria sp. X X X Phormidium sp. X X X X X X X X X Phormidium sp.2 X Planktolyngbya sp. X X X 6,4 X X Planktothrix sp. X X X X X X X X X Pseudanabaena galeata X Pseudanabaena sp. 3,2 X 3,2 X X Rhabdoglea sp. X X X 3,2 X SUBTOTAL 25,6 3,2 48,0 3,2 38,4 3,2 28,8 19,2 19,2 6,4 3,2 0,0 73,6 16,0 48,0 3,2 32,0 3,2 48,0 3,2 DINOPHYCEAE Gymnodinium sp. X X Peridinium sp. X X 3,2 6,4 X 6,4 6,4 6,4 6,4 X X 3,2 SUBTOTAL 0,0 0,0 3,2 6,4 0,0 6,4 6,4 6,4 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 6,4 0,0 0,0 0,0 3,2 0,0 0,0 EUGLENOPHYCEAE Euglena sp. 3,2 6,4 6,4 3,2 X X Lepocinclis ovum 3,2 6,4 6,4 6,4 3,2 12,8 22,4 3,2 6,4 6,4 9,6 X 3,2 Phacus sp. X X Strombomonas sp. X X X X Trachelomonas armata X X Trachelomonas volvocina X X X X X Trachelomonas sp. 3,2 X 3,2 X X SUBTOTAL 3,2 3,2 9,6 6,4 12,8 6,4 12,8 28,8 3,2 6,4 0,0 0,0 6,4 12,8 0,0 0,0 3,2 0,0 0,0 0,0 ZYGNEMAPHYCEAE Actinotaenium sp. X X X X X X Bambusina brebissonii X X X Bambusina sp. X X X X X X Closterium moniliferum X X X X X Closterium libellula X X X Closterium lineatum X X X Closterium setaceum X X X X X X X X X X Closterium sp. X X 3,2 Cosmarium contractum X 3,2 X 3,2 X X X X X 3,2 X X X Cosmarium lagoense X X X X Cosmarium moniliferum X X X

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ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Cosmarium sp. X X X X X Cosmocladium sp. X X X Cylindrocystis sp. X Desmidium aptogonum X X X X X X X X X X X X Desmidium baileyi X X X X X X X X Desmidium cylindricum X X X X X X Desmidium elegans X X X Desmidium sp. X X X X X Euastrum latibes X Euastrum platycerum X Euastrum evolutum X X Euastrum sp. X X Gonatozygon sp. X X X X X X X X X X Hyalotheca dissiliens X Hyalotheca sp. X X X X X X X X X X Micrasterias alata X X X X X X X Micrasterias gracile X X X X Micrasterias mahabuleshwarensis X Micrasterias truncata X X Micrasterias sp. X Mougeotia sp. X X X X X X X X X X X X X X X X Mougeotia sp.2 X X Onychonema laeve X X X X Onychonema sp. X X X X X X Penium sp. X X X Penium sp.2 X Pleurotaenium sp. X X X Pleurotaenium sp.2 X Sphaerozosma sp. X Spirogyra sp. X X X X X X X X X X X X X Spirogyra sp.2 X Spondylosium panduriformis X X X X X X X X X X Spondylosium planum X X X X Spondylosium rectangulares X X X X X

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ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Spondylosium sp. X X X X X X X X Spondylosium sp.2 X Staurastrum boergesenii X Staurastrum gracile X X X 3,2 X X X X X X Staurastrum grallatorium X X X X X X X X X Staurastrum leptacanthum X X X X X X X X X X X X X Staurastrum leptocladum X X X X X X X X X X X X X X X Staurastrum minnesotense X X X X Staurastrum muticum X X X X X X X Staurastrum nudibrachiatum X X X X X X X X X X Staurastrum penicilliferum X Staurastrum rotula X X X X X X X X X X X X Staurastrum smithii X X X Staurastrum tentaculiferum X X X X Staurastrum tetracerum X X X X X Staurastrum triffidum X X X X Staurastrum vestitum X X Staurastrum sp. 3,2 X X X X X X X X X X X X Staurastrum sp.2 X X X X X X X X X X Staurastrum sp.3 X X X Staurodesmus convergens X X X Staurodesmus crassus X X X Staurodesmus cuspidatus X X X X X X X X 3,2 3,2 X X X X Staurodesmus dejectus X X X X X X X X X X X X Staurodesmus sp. X Teilingia sp. 3,2 3,2 X Zygnema sp. X X X X Xanthidium antilopaeum X X X Xanthidium mamillosum X X X X X Xanthidium sp. X X X X X Xanthidium sp.2 X X X X Xanthidium sp.3 X X SUBTOTAL 6,4 0,0 6,4 0,0 3,2 3,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2 3,2 6,4 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

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ORGANISMO Indivíduos/ml P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 DENSIDADE TOTAL (ind/ml) 300,8 28,8 288,0 172,8 259,2 217,6 259,2 195,2 67,2 38,4 12,8 12,8 393,6 307,2 265,6 76,8 256,0 73,6 284,8 64,0 ÍNDICE DE DIVERSIDADE (H') 2,20 2,04 2,40 1,22 2,27 1,30 2,02 1,99 1,75 1,75 1,38 1,04 2,16 2,33 2,26 1,14 1,74 1,48 2,02 1,79 ÍNDICE DE EQUITABILIDADE (J’) 0,78 0,98 0,79 0,53 0,80 0,52 0,77 0,73 0,90 0,98 1,00 0,95 0,70 0,75 0,78 0,63 0,70 0,76 0,75 0,86 OBS: X equivale a organismo encontrado somente na análise qualitativa.

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No mês de setembro/17, houve registro de comunidades fitoplanctônicas bastante ricas e complexas na área de influência da UHE Ferreira Gomes, com um total, considerando a totalidade das algas presentes na área de estudo, de 140 espécies de algas planctônicas, distribuídas em oito Classes: Zygnemaphyceae (56 espécies), Chlorophyceae (37 espécies); Bacillariophyceae (23 espécies); Cyanophyceae (14 espécies); Euglenophyceae (5 espécies); Chrysophyceae (3 espécies); Dinophyceae (1 espécie) e Cryptophyceae (1 espécie).

Em março/18, na campanha que representou o final do período chuvoso, houve registro de uma comunidade fitoplanctônica ainda mais rica, composta por 156 espécies, distribuídas nas mesmas distribuídas oito Classes: Zygnemaphyceae (61 espécies), Chlorophyceae (34 espécies); Bacillariophyceae (30 espécies); Cyanophyceae (17 espécies); Euglenophyceae (7 espécies); Chrysophyceae (4 espécies); Dinophyceae (2 espécies) e Cryptophyceae (1 espécie).

Quando avaliada a riqueza acumulada nas campanhas realizadas nos dois períodos sazonais, observa-se a presença de um total de 185 espécies fitoplanctônicas na área de influência da UHE Ferreira Gomes, divididas nas seguintes Classes: Zygnemaphyceae (77 espécies), Chlorophyceae (43 espécies); Bacillariophyceae (33 espécies); Cyanophyceae (18 espécies); Euglenophyceae (7 espécies); Chrysophyceae (4 espécies); Dinophyceae (2 espécies) e Cryptophyceae (1 espécie).

Nesse contexto, observa-se um incremento de 45 novas espécies fitoplanctônicas entre a campanha realizada em setembro de 2017 e a campanha realizada em março de 2018 (Tabela 2), o que sugere a possibilidade de ocorrência de uma comunidade ainda mais rica na área de estudo.

Ressalta-se que a totalidade das espécies fitoplanctônicas identificadas são corriqueiras e de ocorrência ampla nas águas continentais brasileiras, não havendo registro de espécies exóticas, endêmicas ou ameaçadas de extinção (Bicudo e Menezes, 2006).

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A avaliação da riqueza de espécies fitoplanctônicas mostra o predomínio numérico de algas da Classe Zygnemaphyceae, em todas as estações amostrais, independente do período sazonal, como mostra a Figura 12. Esse conjunto de algas, também conhecidas como desmídeas, são encontradas com maior facilidade em águas bem oxigenadas com pH neutro e/ou ligeiramente ácido, tanto em ambientes lênticos quanto lóticos (Kimmel et al, 1990). Esse é o caso do rio Araguari, na área de inserção da UHE Ferreira Gomes.

Além das algas desmídeas, as algas das Classes Chlorophyceae e Bacillariophyceae também foram representadas por elevado número de espécies. Juntas, essas três classes fitoplanctônicas responderam por ao menos 70% da riqueza total de espécies em cada estação amostral, considerando as águas superficiais, durante as avaliações dos períodos de seca e chuva.

A Classe Bacillariophyceae, cujos representantes são conhecidos como algas diatomáceas, possui um número elevado de espécies catalogadas para as águas continentais brasileiras, sendo a maioria delas de ocorrência generalizada. As algas diatomáceas são favorecidas a ocorrer em maior número em ecossistemas lóticos, corpos d’água mais turbulentos ou em reservatório fio d’água, com pequeno tempo de residência da água.

Isso porque as bacilariofíceas possuem carapaça de sílica, rígida e pesada, a qual normalmente as leva para a região profunda dos corpos hídricos, onde permanecem. Em ambientes lóticos com correnteza e turbulência nas águas, esses organismos são elevados na coluna d’água e consequentemente encontrados em maior número nas análises da comunidade fitoplanctônica (Kimmel et al, 1990).

Já as algas da Classe Chlorophyceae, ou algas verdes, são uma das mais diversas da comunidade fitoplanctônica, sendo encontradas com maior facilidade em reservatórios, pois as características desses ambientes favorecem o seu desenvolvimento, uma vez que essas algas se adaptam melhor em corpos hídricos com baixo tempo de residência da água e maior disponibilidade de nutrientes. Padrão semelhante ocorre com as algas cianobactérias

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(Cyanophyceae), grupo fitoplanctônico que devido à sua importância será melhor detalhado adiante.

Dentre os demais grupos de organismos identificados na área de estudo, as algas da Classe Euglenophyceae possuem como uma de suas maiores características a capacidade de se sobressair dentro de comunidades fitoplanctônicas presentes em águas com elevada carga bacteriológica e de material orgânico, sendo, por isso, em muitos casos utilizadas como bioindicadoras ambientais (Wetzel, 2001).

Para esse grupo, nota-se que tanto a riqueza de espécies quanto (principalmente) as densidades foram reduzidas em todas as estações amostrais nas duas campanhas realizadas, podendo esse resultado ser considerado uma evidência de boa qualidade das águas e boa qualidade ecológica no reservatório da UHE Ferreira Gomes durante todo um ciclo hidrológico (Figura 12, Figura 13 e a Figura 14).

Analisando a riqueza de espécies por estação amostral, nota-se a presença de comunidades fitoplanctônicas com riqueza elevada ao longo de toda a área de estudo (Figura 12).

Nas estações P04M e P04F, a menor riqueza se deve ao fato de se tratarem de locais alvo somente de análises quantitativas, e, principalmente, por serem pontos localizados em extratos mais profundos da coluna d’água, onde a luminosidade é significativamente menor ou até mesmo ausentes, fenômeno que naturalmente depleciona as comunidades fitoplanctônicas, as quais necessitam de luz solar para suas atividades biológicas (fotossíntese). Esse é um resultado normal e esperado em reservatórios.

Nas demais estações amostrais, a riqueza de espécies das águas superficiais medida em setembro/17 variou entre um mínimo de 54 espécies na estação P05 (Rio Araguari, no braço do igarapé do Prata) e um máximo de 87 espécies na estação P06, localizada no Rio Araguari, à jusante da barragem, no canal de fuga (Figura 12). Esse foi o maior registro obtido em todo o monitoramento.

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Isso porque em março/18, embora em seis das oito estações amostrais tenha havido aumento no número de espécies fitoplanctônicas, a riqueza variou entre um mínimo de 42 espécies registradas na estação P01 (Rio Araguaia, à jusante do reservatório da UHE Coroacy Nunes) e um máximo de 77 espécies identificadas na estação P07, localizada no Rio Araguari, à jusante da ponte da BR-156 (Figura 12).

Em todos os pontos, a riqueza foi elevada e altamente satisfatória, indicando a presença de comunidades, ao longo do reservatório e a jusante da UHE Ferreira Gomes, que suportam um amplo conjunto de organismos fitoplanctônicos, seja no período chuvoso ou de estiagem.

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Quando analisados os resultados das densidades fitoplanctônicas, nota-se uma alteração em relação ao padrão de divisão em Classes verificado para a riqueza de espécies. Isso porque nas análises quantitativas, as maiores densidades foram, na maioria dos casos, de uma única espécie, Cryptomonas sp., pertencente à Classe Cryptophyceae (Figura 13 e Figura 14), seguida por algas clorofíceas. Esse panorama ocorreu em setembro/17 e se repetiu em março/18, indicando ser essa a condição da comunidade fitoplanctônica durante todo o ciclo hidrológico.

A espécie Cryptomonas sp. é uma das algas com maior ocorrência e quantidade de registros no Brasil, sendo extremamente comuns em rios e reservatórios, apresentando densidades extremamente elevadas (> 2.000 ind/ml) nos corpos hídricos com elevado teor de matéria orgânica (Bicudo & Menezes, 2006), o que não foi o caso do reservatório da UHE Ferreira Gomes.

Em relação aos valores absolutos de densidade fitoplanctônica, observa-se que embora com riquezas elevadas, as comunidades fitoplanctônicas foram marcadas por valores reduzidos de densidades, os quais são altamente satisfatórios considerando a presença de um reservatório no local.

A maior densidade foi registrada Rio Araguari, no braço do igarapé do Prata (P05), com 393,6 ind/ml na campanha realizada em setembro/17, enquanto a menor, considerando as águas superficiais, onde se concentra o fitoplâncton, ocorreu na estação P01 em março/18, com apenas 28,8 ind/ml (Figura 13).

Na campanha representativa do período chuvoso houve redução nas densidades fitoplanctônicas (Figura 13), sendo esse um cenário esperado, que decorre do aumento da vazão, turbulência e turbidez das águas como consequência das chuvas (Tundisi & Matsumura-Tundisi, 2008).

Houve pouca variação na estrutura de classes na comparação entre cada estação amostral localizada a montante do barramento (Figura 14). Nas estações a jusante da UHE, nota-se um ligeiro aumento nas densidades das algas diatomáceas, principalmente em

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setembro/17, o que é esperado devido às características biológicas dessas algas, que se adaptam melhor em ambientes lóticos, conforme exposto anteriormente.

Figura 13. Densidade de espécies da comunidade fitoplanctônica por estação de amostragem.

Figura 14. Distribuição da densidade de espécies (%) por Classe da comunidade

fitoplanctônica.

Deve-se ressaltar na análise das densidades fitoplanctônicas que em nenhum caso houve evidência de desequilíbrio dentro das comunidades, sendo os resultados observados comuns para essa comunidade, que é altamente flexível, devido ao grande número de espécies e grupos taxonômicos que possui e à rapidez com que respondem a pequenas

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alterações na limnologia e hidrologia do ambiente aquático (Tundisi & Matsumura-Tundisi, 2008).

Ainda em relação às análises quantitativas do fitoplâncton, destaque para as baixas densidades das algas cianobactérias (Cyanophyceae) em todas as estações de amostragem e nas duas campanhas realizadas (Figura 13), o que é um fator extremamente positivo para a qualidade ecológica do reservatório.

As baixas densidade de algas cianobactérias é importante para a manutenção da qualidade ecológica do reservatório da UHE Ferreira Gomes, uma vez que essas algas possuem adaptações que as tornaram excelentes competidoras nos ambientes aquáticos, tornando comum a sua dominância nesses locais. Exemplo disso é a maior tolerância a altas intensidades luminosas, requerimento de pouca energia para suas funções vitais, presença de vesículas de ar que as elevam às camadas superiores da coluna d’água facilitando o acesso à luz, capacidade de estocagem de fósforo e de fixação de nitrogênio atmosférico, presença de esporos de resistência e produção de toxinas, denominadas cianotoxinas (Sant’Anna et al, 2008).

Essa gama de características faz com que esses organismos persistam no ambiente em eventos extremos e que dominem o mesmo ambiente quando na presença de grandes concentrações de nutrientes, em um fenômeno conhecido como floração de cianobactérias, ou bloom de cianobactérias.

As florações de cianobactérias comprometem a qualidade cênica do ambiente e podem causar gosto e odor desagradáveis na água. O maior problema, no entanto, está no fato das cianotoxinas, produzidas por parte das espécies desse grupo, atingirem um conjunto de organismos muito além daqueles presentes nas comunidades aquáticas (Bittencourt-Oliveira & Molica, 2003).

No entanto, esse não é o caso da UHE Ferreira Gomes, como mostram as contagens da comunidade fitoplanctônica, que indicaram densidades reduzidas desses organismos, como mostra a Figura 13.

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De qualquer forma, embora com densidades reduzidas, avaliando as espécies e gêneros da Classe Cyanophyceae presentes nas contagens da comunidade fitoplanctônica realizadas nota-se que algumas deverão ser alvo de atenção especial no monitoramento, por serem classificados como potencialmente tóxicas em uma revisão de algas cianobactérias tóxicas com ocorrência no Brasil, elaborada por Sant’Anna et. al. (2008). Esse é caso dos gêneros/espécies Cylindrospermopsis raciborskii, Geitlerinema

splendidum, Microcystis sp., Planktolyngbya sp. e Planktolyngbya sp. Por ora nenhuma

ação adicional é necessária, além da execução do monitoramento na forma em que vem sendo realizado.

Em relação aos índices calculados para a comunidade fitoplanctônica, os cálculos do Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H’) indicaram comunidades fitoplanctônicas com diversidades predominantemente intermediárias, não obtendo resultados mais expressivos devido à maior densidade relativa da espécie Cryptomonas sp. (Figura 15), conforme exposto anteriormente.

Os resultados do Índice de Equitabilidade (J’) (Figura 15) mostram que embora com maior densidade relativa, a presença dessa espécie de alga criptofíceas não causou perdas significativas na heterogeneidade das comunidades, que se mantiveram com alta equitabilidade, especialmente em setembro/17, o que é positivo.

Figura 15. Resultados do Índice de Diversidade de Shannon-Wienner (H’) e do Índice de Equitabilidade de Pielou (J’) da comunidade fitoplanctônica.

Por fim, deve-se ressaltar que os resultados das avaliações da comunidade fitoplanctônica realizadas nos meses de setembro de 2017 e março de 2018 indicaram não haver distúrbio no equilíbrio limnológico na área de influência da UHE Ferreira Gomes, o que pôde ser visto

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principalmente na análise da estrutura do fitoplâncton, que tem como uma de suas principais atribuições a grande flutuabilidade na sua complexidade. Nesse sentido, vários indicadores de desequilíbrio ou impactos passíveis de serem identificados não foram detectados.

5.2 Comunidade Zooplanctônica

A comunidade zooplanctônica exerce um importante papel na transferência de energia para os níveis tróficos superiores da pirâmide energética de um ambiente aquático. São organismos heterotróficos, que se alimentam de matéria orgânica dissolvida, dos microrganismos decompositores e também do fitoplâncton (Lucinda et al., 2004).

Nesse sentido, exercem a função de produtores secundários dentro da cadeia alimentar limnológica. Também podem ser indicadores de alterações no ambiente, por responderem, também em termos da estrutura e dinâmica populacional, a aportes de nutrientes orgânicos e inorgânicos (Hawkes, 1979).

Normalmente o zooplâncton de água doce caracteriza-se por densidades baixas a moderadas, sendo constituídos por seres flutuantes ou em suspensão, que se deslocam através dos movimentos da água, embora muitos deles possam ter movimentos próprios. Em reservatórios e ecossistemas lênticos, as densidades zooplanctônicas encontradas já são maiores, podendo ser considerados abundantes ou muito abundantes (Tundisi & Matsumura-Tundisi, 2008).

Os principais grupos do zooplâncton em sistemas de água doce são os protozoários (Protozoa), rotíferos (Rotifera) e crustáceos (Crustacea), esse último composto especialmente pelos cladóceros (Cladocera) e copépodas (Copepoda).

As contagens da comunidade zooplanctônica presente nas estações amostrais da UHE Ferreira Gomes nas campanhas realizadas em Setembro de 2017 e Março de 2018 podem ser analisadas na lista de espécies presente na Tabela 3. A partir dessa lista, foram confeccionados gráficos indicadores da riqueza de espécies, do Índice de Diversidade de

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Shannon-Wienner (H’) e do Índice de Equitabilidade de Pielou (J’), além de um gráfico ilustrativo da densidade (org/l) dos grandes grupos zooplanctônicos encontrados nas estações amostrais da área de influência da UHE Ferreira Gomes.

Na campanha de campo realizada em setembro/17 foram registradas 67 espécies zooplanctônicas, divididas em três Filos: Protozoa (8 espécies), Rotifera (29 espécies) e Crustacea (28 espécies), além de duas espécies classificadas no grupo Outros, que inclui espécies de baixa representatividade para a comunidade zooplanctônica, mas que apresentam ao menos parte de seu ciclo de vida com hábitos planctônicos, sendo por isso registradas nas amostragens.

Em março/18, da mesma forma que registrado para a comunidade fitoplanctônica, houve aumento na riqueza de espécies zooplanctônicas, com o registro de 84 espécies no total, sendo 19 espécies do Filo Protozoa, 35 espécies do Filo Rotifera, 27 espécies do Filo Crustacea, além de três espécies classificadas no grupo Outros.

Se considerado o somatório das espécies registradas nas duas campanhas de campo, nota-se o registro de 99 espécies zooplanctônicas, divididas nos Filos: Protozoa (21 espécies), Rotifera (43 espécies) e Crustacea (32 espécies), e mais três espécies que integram os demais organismos (Tabela 3).

Dessa forma, nota-se um incremento de 32 novas espécies em março/18, as quais não haviam sido registradas na campanha de setembro17, o que sugere a possibilidade de ocorrência de uma comunidade ainda mais rica na área de estudo, tal qual verificado para o fitoplâncton.

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Tabela 3. Lista de espécies da comunidade zooplanctônica presente nas estações de amostragem da UHE Ferreira Gomes em setembro de 2017 e março de 2018. ORGANISMO Organismo/litro P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 FILO PROTOZOA SubFilo Ciliophora Ciliado NI X 0,40 X 0,02 Vorticella sp. 0,04 SubFilo Sarcodina Arcella conica 0,08 0,02 Arcella costata 0,08 0,07 Arcella discoides 0,18 0,06 0,04 Arcella gibbosa 0,04 0,30 0,11 Arcella hemisphaerica 0,04 0,20 0,08 0,04 0,04

Arcella hemisphaerica minima 0,12

Arcella hemisphaerica undulata 0,02

Arcella vulgaris 0,12 0,08 X X X 0,04 Centropyxis aculeata 0,08 0,12 X Centropyxis aerophila 0,10 Centropyxis constricta 0,08 Cucurbitella sp. X 0,07 0,06 Difflugia corona X Difflugia lobostoma X Difflugia sp. 0,08 Euglypha filifera 0,02 Lesquereusia modesta 0,02 0,10 X Lesquereusia spiralis 0,11 Phryganella hemisphaerica 0,02 DENSIDADE TOTAL 0,00 0,32 0,20 0,32 0,10 0,10 0,00 0,16 0,00 0,04 0,00 0,06 0,00 0,14 0,70 0,36 0,12 0,28 0,02 0,16 FILO ROTIFERA Classe Bdelloida Bdelloida 0,38 0,10 0,16 X 0,08 0,80 0,18 0,06 0,06 0,14 Classe Monogononta Ascomorpha ecaudis 0,38 0,10 1,50 0,06 Brachionus falcatus 0,30 Brachionus havanaensis 0,64

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ORGANISMO Organismo/litro P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Brachionus mirus 0,88 0,16 0,30 0,50 0,70 2,30 1,44 0,88 0,12 0,02 0,64 3,10 0,18 X 0,17 0,08 0,14 Brachionus patulus 0,06 0,02 Cephalodella gibba 0,07 Collotheca sp. 0,38 0,20 X 0,20 1,28 0,64 0,10 0,12 0,64 1,05 0,40 0,12 0,18 0,04 Conochilus natans 2,50 0,22 0,30 0,40 10,10 0,30 3,80 2,16 0,64 0,17 0,08 3,04 1,82 6,70 0,30 0,30 0,55 0,04 0,28 Conochilus dossuaruis 3,50 X 1,50 2,00 X 0,18 0,18 Conochilus sp. 1,10 0,08 0,20 0,56 0,14 0,70 X X Dipleuchlanis patulus 0,25 Dipleuchlanis propatula 0,06 Euchlanis meneta 0,02 0,10 0,08 0,02 Filinia terminalis X Hexarthra sp. 0,02 Keratella americana X Keratella cochlearis 0,10 0,08 X Lecane arcula 0,02 0,02 Lecane bulla X 0,10 0,06 Lecane closterocerca X Lecane cornuta X 0,02 Lecane curvicornis X X 0,08 0,02 0,10 X X X 0,04 Lecane decipiens 0,10 0,10 0,10 Lecane hornemanni 0,12 X 0,02 Lecane leontina 0,10 X 0,40 0,16 0,02 0,02 0,06 0,06 0,02 Lecane lunaris 0,06 0,08 Lecane sp. 0,02 Macrochaetus sericus 0,02 Platyias quadricornis 0,02 0,10 X 0,11 Ploesoma sp. 0,02 Polyarthra dolycoptera 0,10 0,04 Polyarthra sp. 0,02 X Polyarthra vulgaris 0,38 X 0,20 0,16 0,40 0,20 0,16 X 0,12 0,02 Ptygura libera 0,30 X 0,64 0,12 0,64 1,89 Scaridium sp. 0,02 Synchaeta sp. 0,08 0,20 X 0,06 Testudinella patina X 0,02

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ORGANISMO Organismo/litro P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Trichocerca elongata X 0,12 0,10 0,40 0,30 0,30 0,20 0,64 0,21 0,08 0,21 0,10 0,12 X 0,06 0,02 Trichocerca inermis X Trichocerca pussilla 0,04 0,06 0,04 Trichocerca sp. 0,06 Trichotria tetractis 0,02 X 0,02 DENSIDADE TOTAL 5,15 0,86 1,60 1,84 12,90 1,70 10,10 6,72 3,32 1,32 0,40 0,32 5,68 5,18 14,30 1,26 2,40 1,13 0,70 0,78 FILO CRUSTACEA Classe Phyllopoda Alona guttata 0,02 X 0,12 Alona intermedia 0,16 Alona sp. 0,04 0,10 X X 0,02 Bosmina freyi 2,75 0,22 1,50 1,68 3,40 1,40 1,60 0,72 0,50 0,20 0,16 0,84 0,70 0,84 0,18 0,28 0,06 0,14 Bosmina hagmanni 0,25 0,04 0,20 0,48 0,70 1,40 X 0,72 0,50 0,12 0,16 X 0,20 0,42 0,06 0,50 0,08 Bosmina tubicen 0,50 0,06 Bosminopsis deitersi 3,00 0,26 11,70 2,00 23,00 1,10 5,20 2,40 0,32 0,72 0,30 0,36 0,32 0,21 10,70 2,46 0,24 1,32 0,08 0,36 Ceriodaphnia cornuta 0,50 0,40 0,16 1,50 0,90 0,96 0,40 0,96 0,42 0,06 X Ceriodaphnia silvestrii X 0,40 0,56 0,10 0,12 0,35 0,50 0,18 0,12 0,12 Ceriodaphnia sp. 0,50 0,24 1,20 0,30 0,06 Chidorus sp. X Daphinia gessneri 0,38 0,02 0,16 0,10 0,20 X 0,08 0,08 0,28 0,30 0,06 0,11 0,02 Daphinia laevis X 0,16 Diaphanosoma birgei 10,50 0,04 12,00 0,32 23,70 1,30 16,60 4,48 2,60 0,72 0,60 0,12 3,52 2,10 9,30 0,18 0,24 0,66 X 0,14 Diaphanosoma brevireme 2,63 X 2,60 25,60 1,20 13,70 1,60 0,88 0,50 0,08 1,82 16,10 0,42 0,02 Diaphanosoma sp. X 4,00 0,88 1,40 0,06 Macrothrix elegans 0,70 Moina minuta 0,75 0,02 0,90 0,56 6,30 2,00 0,50 1,04 0,20 0,02 0,24 0,35 0,80 X 0,50 0,12 Moina reticulata 0,20 Simocephalus sp. 0,16 Classe Copepoda CYCLOPOIDA (nauplius) 9,88 0,48 3,20 2,16 2,70 7,00 3,30 5,92 0,70 0,96 0,10 0,77 2,32 1,05 5,10 0,54 0,84 0,99 0,12 0,28 CYCLOPOIDA (copepodito) 2,75 0,28 1,30 5,92 2,60 9,80 0,50 7,68 0,72 0,10 0,28 0,32 0,77 6,40 1,32 0,42 0,50 X 0,46 Thermocyclops decipiens Thermocyclops minutus 0,25 0,06 0,88 0,20 0,50 0,80 0,12 X 1,30 0,18 0,12 0,04 Thermocyclops sp. 0,80 0,30 0,80 1,28 0,66 0,20 0,12

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ORGANISMO Organismo/litro P01 P02 P03 P04S P04M P04F P05 P06 P07 P08 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Set 17 Mar 18 Tropocyclops prasinus X X 0,16 CALANOIDA (nauplius) 3,25 0,30 2,80 0,72 4,50 0,80 3,20 2,64 0,50 0,48 0,20 0,08 3,04 0,35 4,40 0,66 0,30 0,50 0,04 0,32 CALANOIDA (copepodito) 6,63 0,26 3,00 1,20 6,60 1,80 8,70 1,76 0,72 2,08 0,21 6,90 0,66 0,18 0,11 0,06 0,06 Mesocyclops sp. 0,10 1,10 Notodiaptomus cearensis 0,88 0,22 0,40 0,24 4,60 0,40 1,20 0,20 1,04 0,07 0,40 0,24 Notodiaptomus isabelae 2,40 0,30 2,10 X 0,50 0,24 0,12 0,17 0,04 0,04 Notodiaptomus sp. 0,38 0,50 0,16 0,80 X 0,50 0,08 0,56 X 0,02 DENSIDADE TOTAL 44,78 2,26 41,10 17,84 111,0 30,00 64,20 32,88 6,50 6,62 1,50 2,03 16,24 8,82 64,80 7,98 3,36 5,70 0,52 2,18 OUTROS Chironomidae (larva) 0,08 X 0,12 X Nematoda 0,20 0,21 0,02 Ostracoda X 0,30 DENSIDADE TOTAL 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,20 0,00 0,08 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,21 0,30 0,12 0,00 0,00 0,00 0,02

RIQUEZA TOTAL (Unidade) 23 34 28 31 34 32 28 36 14 22 9 16 23 27 32 31 26 31 30 33

DENSIDADE TOTAL (org/l) 49,93 3,44 42,90 20,00 124,0 32,00 74,30 39,84 9,82 7,98 1,90 2,41 21,92 14,35 80,10 9,72 5,88 7,11 1,24 3,14 ÍNDICE DE DIVERSIDADE (H') 2,44 2,99 2,19 2,56 2,40 2,34 2,50 2,73 2,31 2,73 1,98 2,23 2,63 2,63 2,58 2,71 2,61 2,65 2,94 2,93 ÍNDICE DE EQUITABILIDADE (J') 0,79 0,86 0,69 0,78 0,72 0,75 0,79 0,80 0,88 0,88 0,90 0,80 0,84 0,85 0,77 0,81 0,86 0,85 0,94 0,84 OBS: X equivale a organismo encontrado somente na análise qualitativa.

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Os protozoários (Filo Protozoa) constituem um grupo de organismos zooplanctônicos composto principalmente pelos organismos ciliados e pelas tecamebas, tendo como principal característica a alimentação onívora, incluindo bactérias e material orgânico. São muito comuns em ecossistemas lóticos e lênticos, possuindo espécies bioindicadoras de alterações no ambiente aquático (Gomes e Souza, 2005).

Já os rotíferos (Filo Rotifera) têm grande importância na cadeia alimentar, pois são fundamentais na conversão da produção primária (fitoplâncton) em biomassa para consumidores maiores (peixes jovens e larvas de insetos) e, muitas vezes, constituem fonte única de alimento para alevinos de peixes. Tal fato é consequência da alta velocidade na taxa de reprodução somada às características adaptativas amplamente oportunistas dos organismos pertencentes a esse filo (Oliveira Neto & Moreno, 1999).

Além disso, a função detritívora de muitas de suas espécies tem papel depurador fundamental em ambientes submetidos à poluição orgânica, com a reciclagem de nutrientes nesses ambientes (Sládeèek, 1983).

Os crustáceos, por sua vez, incluem indivíduos muito sensíveis, normalmente encontrados em águas limpas, pois possuem brânquias alojadas em cavidades corporais que se entopem facilmente em presença de material orgânico particulado, causando a morte do organismo. Por isso os crustáceos são mais frequentes em ambientes lênticos, onde há menor probabilidade de suspensão de material particulado (Santos-Wisniewski et al., 2001).

Nas coletas realizadas, pode-se notar a presença de uma comunidade zooplanctônica bastante rica e complexa nas águas do reservatório da UHE Ferreira Gomes, incluindo seus tributários, bem como os trechos do rio Araguari localizados a jusante da barragem.

O monitoramento limnológico da área de influência da UHE Ferreira Gomes também mostrou que a comunidade zooplanctônica presente no local foi dominada na sua grande maioria por gêneros comuns e de ampla distribuição geográfica, como o protozoário Arcella sp. e os rotíferos Conochilus sp., Lecane sp., Polyarthra sp. e Trichocerca sp., além de crustáceos ciclopoidas e calanoidas.

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Em nenhum momento ao longo do monitoramento da comunidade zooplanctônica, considerando as duas campanhas realizadas, houve registro de espécies raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção.

Dentre as espécies identificadas, houve registro de espécies consideradas bioindicadoras de corpos hídricos com boa qualidade ecológica, indicando uma condição ecológica adequada da UHE Ferreira Gomes.

Exemplos desses organismos são as espécies de rotíferos do gênero Brachionus, presentes em todas as estações amostrais, Filinia terminalis, identificada na estação P03 em março/18, e os crustáceos Bosminopsis deitersi, Notodiaptomus sp., Moina minuta e

Thermocyclops minutus, com presença em todas as estações amostrais, em muitos casos

em densidades elevadas, como mostra a Tabela 3 (Silva e Matsumura-Tundisi, 2005; Lucinda et al., 2004; Santos-Wisniewski et al., 2001; Sládeèek, 1983).

Juntamente com o registro dos organismos bioindicadores de boa qualidade ecológica, ocorreu o registro de espécies zooplanctônicas cuja ocorrência é favorecida pela presença de material orgânico e nutrientes nas águas.

Esse é caso, por exemplo, dos protozoários da Classe Ciliophora (Ciliado NI), registados nas estações P02, P06 e P08, do rotífero Bdelloidea, presente em dez das vinte análises realizadas, e dos rotíferos representantes do gênero Conochilus, presentes em todas as estações amostrais tanto em setembro/17 quanto em março/18 (Tabela 3). Cabe informar que em todos os casos, os registros desses organismos se deram em densidades reduzidas, indicando a presença de material orgânico nas águas da UHE Ferreira Gomes, mas em níveis satisfatórios, sem evidências de alterações de origem antrópica.

A riqueza de espécies registrada em cada estação de amostragem pode ser analisada na Figura 16. Em todos os pontos de avaliação das águas superficiais, os valores obtidos indicaram riquezas elevadas, oscilando entre 23 espécies nas estações P01 (Rio Araguari, à jusante do reservatório da UHE Coaracy Nunes) e P05 (Rio Araguari, no braço do igarapé

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