Assédio Sexual, Moral e Dano Moral.
É o termo utilizado para designar toda conduta
que cause constrangimento psicológico ou físico
à pessoa.
Possui duas espécies: o assédio sexual e o
assédio moral.
O assédio sexual caracteriza-se pela conduta de
natureza sexual, repetitiva, sempre repelida pela
vítima e que tenha por fim constranger a pessoa
em sua intimidade e privacidade.
Art. 216-A do Código Penal:
“Constranger alguém com o intuito de obter
vantagem
ou
favorecimento
sexual,
prevalecendo-se o agente de sua condição de
superior
hierárquico
ou
ascendência
inerentes ao exercício de emprego, cargo, ou
função.
Pena: detenção de 1 a 2 anos.”
constrangimento provocado por agente que assim
age favorecido pela ascendência exercida sobre a
vítima;
b) ação dolosa e reiterada que visa vantagem sexual.
Observações:
- Agente: sempre o empregador ou colega que seja
superior hierárquico da vítima;
- Agente e vítima poderão ser do sexo masculino ou
feminino, hetero ou homossexual.
“ACORDAM os membros da 6ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região, por unanimidade, CONHECER DOS RECURSO DA AUTORA; por igual votação, CONHECER DO RECURSO DA RÉ, exceto quanto ao pedido de acolhimento da preliminar de denunciação da lide do Estado de Santa Catarina, por estar desacompanhado da respectiva e necessária fundamentação. No mérito, sem divergência, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA RÉ; por maioria, vencida, parcialmente, a Desembargadora do Trabalho Teresa Regina Cotosky, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO DA AUTORA para condenar a ré ao fornecimento das guias para o recebimento das parcelas do seguro-desemprego no prazo de cinco dias após o trânsito em julgado da presente decisão, devendo a empregadora ser notificada expressamente de sua obrigação, sob pena de pagamento da indenização correspondente. Custas de R$ 300,00 (trezentos reais), pela ré, sobre o valor da condenação alterado para R$ 15.000,00 (quinze mil reais).”
(5ª Vara do Trabalho de Florianópolis, SC, sendo
recorrente ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES ESTADUAIS DE SANTA CATARINA - ABEPOM e recorrido XXXXXXXXX).
Resumidamente é quando os chefes, gerentes,
encarregados, colegas de trabalho (pessoas que
exercem alguma função de liderança ou convivem
nas inter-relações sociais do trabalho) abusam da
autoridade que receberam, interferindo de forma
negativa nas pessoas que lideram ou que se
relacionam.
Para o Ministério da Saúde e do Trabalho, o assédio
moral é representado por toda e qualquer conduta
abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude) que
atente, por sua repetição ou sistematização, contra a
dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma
pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o
clima de trabalho.
O constituinte guindou o meio ambiente (art. 225) à
categoria de bem de uso comum, impondo ao
empregador a obrigação de assegurar um ambiente de
trabalho hígido e equilibrado (art. 200, VIII,CF).
“Ao empregador incumbe a obrigação de manter um
ambiente de trabalho respeitoso, pressuposto mínimo
para
a
execução
do
pacto
laboral.
A
sua
responsabilidade pelos atos de seus prepostos é
objetiva (Súmula 341 do STF), presumindo-se a culpa”
(TRT 3ª R., 5a. T., RO n . 4269/2002, Rogério Valle Ferreira, DJMG:
06-07-2002, p. 14)
“O termo “assédio moral” foi utilizado pela
primeira vez pelos psicólogos e não faz muito
tempo que entrou para o mundo jurídico. O que
se denomina assédio moral, também conhecido
como mobbing (Itália, Alemanha e Escandinávia),
harcèlement moral (França), acoso moral
(Espanha), terror psicológico ou assédio moral
entre nós, além de outras denominações, são, a
rigor, atentados contra a dignidade humana. (...)”
(TRT 3 ª R. – RO 01292.2003.057.03.00.3 – 2ª T.
– Rel ª Alice Monteiro de Barros – DJMG
11.08.2004, p. 13).
Assédio vertical - a violência parte do chefe ou
superior, que tem em mira seu subordinado.
Assédio horizontal - ocorre dentro da mesma
escala hierárquica, entre colegas de trabalho,
motivados pela competição;
(*) pode ocorrer individualmente ou de forma
coletiva, quando todos os demais colegas
retaliam a vítima.
Assédio ascendente - a violência é praticada pelo
empregado ou grupo de empregados contra um
chefe, visando destroná-lo do cargo.
O assédio moral agrega 3 elementos:
A) abuso de poder;
B) manipulação perversa;
C) discriminação;
Cláudio Couce de Menezes:
“aquele que assedia busca desestabilizar a sua
vítima. Por isso mesmo, o processo é continuado e
de regra sutil, pois a agressão aberta desmascara a
estratégia insidiosa de expor a vítima a situações
incômodas e humilhantes”.
a) provocação do isolamento da vítima no ambiente
do trabalho;
b) cumprimento rigoroso do trabalho como
pretexto para maltratar psicologicamente a vítima;
c) referências negativas, indiretas e continuadas, à
intimidade da vítima;
d) desprezo e discriminação negativa à vítima
- pessoa “perversa” que só consegue existir e ter uma boa
auto-estima humilhando e controlando os outros.
- busca massacrar alguém mais fraco, cujo medo gera
conduta de obediência, não só da vítima, mas de outros empregados que se encontram ao seu lado.
(Alice M. de Barros)
Marcia Guedes identifica os tipos de agressores: - instigador; - casual;
- colérico; - megalômano;
- frustrado; - crítico; - aterrorizado; - sádico; - puxa-saco; - tirano;
Geralmente são empregados com um senso
de responsabilidade quase patológico,
ingênuos no sentido de que acreditam nos
outros e naquilo que fazem; pessoas
humildes e bem educadas.
- Marcia Guedes afirma que muitas vezes “a
vítima não é negligente nem desidiosa, mas,
ao contrário, possui qualidades, sendo este o
motivo de ser escolhida pelo agressor”.
Assédio Sexual: o agente visa dominar a vítima pela
chantagem, visando vantagens sexuais;
- Assédio Moral: o assediante visa a eliminação da
vítima do mundo do trabalho através do psicoterror;
- É comum que o AS constitua a razão para
desencadear uma ação de AM;
Assédio Sexual: o agente é sempre um superior
hierárquico da vítima
Assédio Moral: a vítima poderá ser o próprio chefe e
o agente um grupo de subalternos.
No setor público os abusos são mais
comum na Administração, embora ocorram
em todos os setores de serviço. Estudos
demonstram que geralmente o assédio não
está relacionado à produtividade, mas sim
às disputas de poder. O assédio passa a ser
conjugado como uma
dimensão psicológica
fundamental
, a
inveja e a cobiça que levam
os indivíduos a controlar o outro e a querer
tirá-lo do caminho
.
O assédio:
ofende a dignidade do trabalhador (1º,
III,CF);
afeta a honra objetiva e subjetiva (5º, X, CF);
Indenização por dano material e moral
Art. 5º, X, da CF dispõe:
“são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação”
Rescisão Indireta, art. 483, da CLT:
O empregado poderá considerar rescindido o
contrato e pleitear a devida indenização
quando:
– não cumprir o empregador as obrigações
do contrato;
– praticar o empregador ou seus prepostos,
contra ele ou pessoas de sua família, ato
lesivo da honra e da boa-fama.
Assédio sexual, art. 216-A do C. Penal
Pena: 1 a 2 anos de detenção.
A condenação criminal é exclusiva da pessoa do
assediante, não havendo responsabilidade indireta de
que trata o art. 932, III, CC.
Com base na legislação penal (art. 43, CP), o
criminoso estará, no máximo, submetido à pena
alternativa.
A competência para apreciar o crime de assédio
sexual é do Juizado Especial (pg único do art. 2o. da
L. 10.259/01).
não há tipificação penal, contudo o assediante pode
incorrer nas seguintes figuras do Código Penal:
- crimes contra a honra (arts. 138 a 140);
- crimes contra a liberdade individual (arts. 146 a 149); - perigo de vida e da saúde (arts. 130 a 136);
- induzimento ao suicídio (art. 122);
lesão corporal e homicídio (arts. 129 e 122).
- Art. 935 CC: “a responsabilidade civil independe da
criminal, não se podendo, contudo, questionar mais sobre a existência do fato ilícito ou sobre sua autoria, quando estas questões já estiverem decididas no juízo criminal.”
FONTE: Dr.ª MARGARIDA BARRETO
A Constituição de 1988, consagrou o Estado Democrático de Direito:
1. a cidadania e a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º,
II e III).
2. conciliar o capital com o trabalho numa sociedade livre,
justa e solidária (CF, arts. 1º, IV e 3º, I).
3. assegurou o direito de propriedade, impondo-lhe,
todavia, função social (CF, art. 5º, XXII e XXIII).
4. concebeu uma ordem econômica fundada na valorização
No inciso X, do art. 5º:
como direito fundamental:
a inviolabilidade da intimidade, da vida
privada, da honra e da imagem das pessoas,
assegurando o direito à indenização pelo
dano material ou moral decorrente de sua
violação.
Art. 186. “Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.
Art. 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que,
ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”.
Art. 927: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar
dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”
parágrafo único: “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco parra os direitos de outrem”.
Conceito de dano moral:
A) residual: são todos os danos que não têm
repercussão de caráter patrimonial
B) pretium doloris: é aquele que causa uma dor
moral à vítima
Savatier: “é todo sofrimento humano não
resultante de uma perda pecuniária”
a) Compensatória
(necessidade da vítima); b) Pedagógica-preventiva (capacidade da empresa);
“A indenização por dano moral deve ser fixada em valor razoável, de molde a traduzir uma compensação, para a vítima (empregado) e, concomitante, punir patrimonialmente o empregador, a fim de coibir a prática reiterada de atos dessa natureza.”
(TRT – 3ª R – 5ª T – RO nº 9891/99 Taísa Mª. M. de Lima – DJMG 20.05.2000 – p. 16)
ACORDAM os membros da 6ª Câmara do Tribunal Regional
do Trabalho da 12ª Região, por unanimidade, CONHECER DO RECURSO. No mérito, por maioria, vencida, parcialmente, a Desembargadora do Trabalho Ligia Maria Teixeira Gouvêa, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para reduzir a indenização por danos morais a R$ 15.000,00 (quinze mil reais), com correção monetária desde a data desta decisão e juros desde o ajuizamento da ação, nos termos da Súmula n. 439 do TST. Custas de R$ 300,00 (trezentos reais), pela ré, sobre o valor da condenação alterado para R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
(2ª Vara do Trabalho de Blumenau, SC, sendo
recorrente WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL S.A. e recorrido XXXXXXXXXX).
“Uma palavra contundente
é algo que pode matar ou humilhar,
sem que sujem as mãos.”
Pierre Desproges
Jaison de Medeiros