• Nenhum resultado encontrado

UNIVERSIDADE PAULISTA PROGRAMA DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "UNIVERSIDADE PAULISTA PROGRAMA DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO"

Copied!
113
0
0

Texto

(1)

PROGRAMA DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO

INTEGRAÇÃO E OPERAÇÃO CONJUNTA DE ORGANIZAÇÕES DE SETORES DISTINTOS SOB

A PERSPECTIVA DE REDES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP, para obtenção do título de Mestre em Administração.

FABÍOLA OTELAC

SÃO PAULO 2016

(2)

PROGRAMA DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO

INTEGRAÇÃO E OPERAÇÃO CONJUNTA DE ORGANIZAÇÕES DE SETORES DISTINTOS SOB

A PERSPECTIVA DE REDES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP, para obtenção do título de Mestre em Administração.

Orientador: Prof. Dr. Renato Telles

Área de Concentração: Estratégia e seus Formatos Organizacionais.

Linha de Pesquisa: Gestão em Redes de Negócios.

FABÍOLA OTELAC

SÃO PAULO 2016

(3)

Otelac, Fabíola.

Integração e operação conjunta de organizações de setores distintos, sob a perspectiva de redes / Fabíola Otelac. - 2016. 111 f. : il. color. + CD-ROM

Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista, São Paulo, 2016.

Área de concentração: Estratégias e Seus Formatos Organizacionais.

Orientador: Prof. Dr. Renato Telles.

1. Redes. 2. Integração. 3. Operação conjunta. I. Telles, Renato (orientador). II. Título.

(4)

INTEGRAÇÃO E OPERAÇÃO CONJUNTA DE ORGANIZAÇÕES DE SETORES DISTINTOS SOB

A PERSPECTIVA DE REDES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP, para obtenção do título de Mestre em Administração.

Aprovada em: __/__/__

BANCA EXAMINADORA

________________________ Prof. Dr. Renato Telles (orientador)

Universidade Paulista – UNIP

___________________________ Prof. Dr. Arnaldo Luiz Ryngelblum

Universidade Paulista – UNIP

___________________________ Prof. Dr. Edman Altheman Faculdades Integradas Rio Branco

(5)

Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Renato Telles, a paciência e orientação no desenvolvimento deste trabalho.

Agradeço a todos os professores do Programa de Mestrado de Administração da UNIP ao empenho e conhecimento transmitido.

Agradeço ao Danny Macqueen Mota acompanhar, apoiar e incentivar-me nesta etapa importante ao meu desenvolvimento pessoal e profissional.

(6)

Os estudos de redes e parcerias público-privadas apresentam um importante volume de pesquisas realizadas, entretanto, sob a perspectiva de redes são escassos. O presente trabalho busca a melhor compreensão sobre os fatores condicionantes da manutenção e sustentação da relação entre atores de naturezas distintas (órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil) com objetivos diferentes, mas que em dado momento, convergem entre si. A pesquisa é de abordagem exploratória, natureza qualitativa e utiliza, como uma das bases instrumentais, o estudo de caso. Como objeto de pesquisa escolheu-se o que será chamado no trabalho de PC2 (Processo de Capacitação de Pessoas de Caieiras). Como resultado pode-se observar que a articulação entre os atores envolvidos no arranjo integrativo gera benefícios comuns ou não que podem ser classificados como sociais, econômicos e políticos. Este trabalho complementa os poucos estudos realizados na área de pesquisa sobre o tema e contribui academicamente em pesquisas futuras.

(7)

The study of networks and public-private partnerships shows a significant amount of accomplished researches, however, from the perspective of networks is scarce. The present study seeks a better understanding of the conditions of the maintenance factors and support of the relationship between participants of different natures (public agencies, private companies, third sector and civil society) with different objectives but that at some point, converge with each other. The research will be qualitative exploratory. Taking as one of the instrumental bases the use of the case study. As object of research, the name given will be PC2 (Process of training people from Caieiras). As a result, it can be observed that the relationship among the participants involved in the integrative arrangement, generates common benefits or not, which could be classified as social, economic and political. This work supplements the few accomplished studies in the research area and it could contribute academically in the future researches.

(8)

Quadro 1 – Propriedades das redes de negócios ... 24

Quadro 2 – Resumo: referencial teórico ... 43

Quadro 3 – Instrumento para apropriação de informações das categorias de análise ... 66

Quadro 4 – Análise de conteúdo: recorte OP ... 68

Quadro 5 – Análise de conteúdo: recorte EP ... 70

Quadro 6 – Análise de conteúdo: recorte TS ... 72

Quadro 7 – Análise de conteúdo: recorte SC ... 74

(9)

Figura 1 – Estrutura em redes ... 23

Figura 2 – Tipos de redes... 25

Figura 3 – Exemplo de grau de centralidade ... 26

Figura 4 – Exemplo de índice de centralização ... 26

Figura 5 – Perspectiva teórica de redes ... 30

Figura 6 – Paradigmas de pesquisa em redes ... 34

Figura 7 – Abordagem esquemática de relacionamento da topologia da rede em função das categorias dos atores ... 42

Figura 8 – Mapeamento esquemático da ligação direta do Núcleo Mário Meneguini com os demais atores de rede interorganizacional ... 50

Figura 9 – Mapeamento esquemático da ligação direta do Núcleo Mário Meneguini com os órgãos públicos ... 51

Figura 10 – Desenho da rede estudada ... 54

(10)

Tabela 1 – Pesquisa bibliográfica na base de dados Scielo ... 19 Tabela 2 – Pesquisa bibliográfica na base de dados Spell ... 19

(11)

CIEE Centro de Integração Empresa-Escola

CMPC Companhia Melhoramentos de Papel e Celulose EJA Educação para Jovens e Adultos

EP Empresa privada

ETEC Escola Técnica Estadual

NFCP Núcleo de Formação e Capacitação Profissional OP Órgão público

PAT Posto de Atendimento ao Trabalhador

PC2 Processo de Capacitação de Pessoas de Caieiras

PRONATEC Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego SC Sociedade civil

SEMUDEC Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e de Emprego de Caieiras

SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial TS Terceiro setor

(12)

1 INTRODUÇÃO ... 11 1.1 Problema de pesquisa ... 15 1.2 Questão de pesquisa ... 15 1.3 Objetivo geral ... 16 1.4 Objetivos específicos ... 16 1.5 Justificativa ... 17 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 18 2.1 Revisão bibliográfica ... 18

2.2 Redes: conceitos e estrutura ... 20

2.3 Redes: gênese e evolução ... 28

2.4 Paradigmas de redes ... 31

2.5 Políticas públicas, parcerias público-privadas e redes ... 34

2.6 Abordagem conceitual: síntese ... 44

2.7 Objeto de pesquisa ... 46

3 METODOLOGIA ... 55

3.1 Classificação de pesquisas científicas ... 55

3.2 Descrição do percurso metodológico adotado nesta pesquisa ... 57

3.3 Síntese da metodologia da pesquisa ... 60

3.4 Descrição operacional da pesquisa ... 61

3.5 Análise de dados ... 62

4 RESULTADOS E ANÁLISE DE DADOS ... 64

4.1 Instrumento de pesquisa e análise de dados ... 64

4.2 Discussão dos resultados ... 78

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 81

5.1 Limitações da pesquisa e sugestões para estudos futuros ... 81

REFERÊNCIAS ... 83

(13)

1 INTRODUÇÃO

Traçando uma linha do tempo, observa-se que no final do século passado as empresas criaram uma nova estrutura organizacional e passaram a manter relacionamentos entre si, diante da crescente expansão das terceirizações dos processos produtivos. Assim, o mercado foi marcado pela economia de custos de produção e um dos objetivos era o aumento da remuneração do capital das empresas. Desta forma, a nova estrutura organizacional é caracterizada por se apresentar de forma horizontal e descentralizada. Desde então desenvolve-se o formato em redes de negócios, no qual as empresas envolvidas são chamadas de atores e mantêm relações comerciais entre si, além de compartilharem recursos e cooperarem coletivamente (GULATI, 1998).

Zaccarelli et al. (2008) assinalaram a existência de redes de negócios desde a Idade Média e observaram que o sistema organizacional era dotado de capacidade competitiva superior quando comparado à atuação de atores trabalhando de forma isolada.

Na mesma linha de raciocínio pode-se citar D´Aveni (1994), que defende o ambiente hipercompetitivo, como sendo aquele que ultrapassa todas as regras tradicionais da competição. O autor afirma que a importância da capacidade competitiva deve ser entendida como provisória e pode ser considerada uma oportunidade para as empresas que desenvolvem suas capacidades pautadas no desenvolvimento de novos produtos, processos ou serviços, conforme a necessidade dos clientes. A hipercompetição de D´Aveni está associada à dificuldade de estabelecer e manter vantagens concorrenciais duráveis; essa perspectiva de compreensão do processo competitivo encontra como um dos seus fatores determinantes a disputa pelo valor entregue ao mercado na percepção do cliente.

Assim, este novo modelo de gestão, chamado de redes de negócios, é caracterizado por empresas de alguns setores que passam a se unir e a competir em grupo com outros grupos, adotando a ação como estratégia, pois perceberam a grande dificuldade de conseguirem se manter competitivos no mercado em que atuam. Em meados da década de 1990 emergiu o conceito da sociedade em redes, no qual as empresas se associam e desenvolvem ações cooperativas (NOHRIA, 1992; CASTELLS, 2000).

(14)

Nos anos 1990, devido ao progressivo avanço tecnológico e a preocupação com a inovação e expansão do processo de globalização, as empresas começaram a repensar a forma de atuação e incorporaram perspectivas cooperadas às tradicionais abordagens baseadas apenas em competição, ao considerar o alcance e a importância da construção de objetivos coletivos.

A intensidade do processo de competição, somada à incerteza crescente no ambiente, estimula e encoraja a construção de arranjos inovadores entre negócios orientados para o desenvolvimento de condições coletivas dotadas de maior capacidade no enfrentamento dessa nova realidade ambiental. Competências expandidas em processos de inovação, desenvolvimento de produto, compartilhamento de recursos e redução de dispêndios nos processos de interação entre empresas podem ser entendidos como desdobramentos desse movimento de integração entre empresas. Desta forma, torna-se necessária a construção de diferentes alternativas de manutenção ou construção de desempenhos eficientes e, fundamental, a criação de alternativas viáveis para a convivência entre a competição e a cooperação – coopetição. Sob essa perspectiva, as empresas passam a sentir a necessidade de constituir uma associação em cooperação ou rede de negócios – as redes competem com as redes, sendo uma forma de diminuir os riscos e ganhar sinergia, ao formar alianças entre si e consolidar novos conceitos de gestão dos negócios (CASAROTTO FILHO e PIRES, 1999).

O novo conceito de negócios se caracteriza pela presença de cadeias ou redes que competem com outras cadeias ou redes. A competição entre fornecedores e compradores ainda existe, mas é necessário o estabelecimento de espaços nos quais haja cooperação genuína e que contribua para a entrega de valor e redução da incerteza futura, por meio de compartilhamento de recursos, informações e conhecimento. Esse processo pode ser chamado de coopetição e/ou hipercompetição. São duas abordagens distintas para entender o mesmo quadro evolucionário quando se trata das novas estruturas organizacionais (D´AVENI, 1994).

O processo de globalização pode ser exemplificado com as grandes corporações que se estabelecem em diversos países, mantêm relacionamento social, distribuem suas atividades e interligam-se por meio dos nós, cujo objetivo é a busca pela eficiência nos processos de administração, produção e distribuição (CASTELLS, 1999).

(15)

Assim, na sociedade contemporânea ocorre a presença de estratégias cooperativas, não necessariamente deliberadas, entre empresas cujo objetivo é a conquista de capacidades competitivas neste contexto econômico e empresarial atual e globalizado (LOIOLA e MOURA, 1996; FISCHER, 1997; LOPES e BALDI, 2009). O fenômeno é considerado por alguns autores como um assunto relativamente recente, cujos estudos têm se intensificado, desde a década de 1980 (ORTIGARA e CARON, 2011; VECCHIA, 2008).

Nas últimas duas décadas verifica-se o aumento do número de estudos que envolvem a cooperação como processo decisivo na construção de alternativas eficientes de compartilhamento de ganhos entre as organizações, desenvolvimento de alianças e parcerias baseadas na expectativa de crescimento, sobrevivência e/ou geração de lucros (ESCHER, 2011; MELO, 2012; BIALOSKORSKI NETO, 2009; CASAGRANDE e MUNDO NETO, 2012; DRUCKER, 1996; DYER, 1997). A cooperação, por meio de uma visão de processo ou de categoria social, progressivamente tem sido entendida como um condicionante da construção de uma nova perspectiva sobre a operação das empresas vinculadas à compreensão de que sozinhas elas não conseguem o resultado que conseguiriam ao atuar de forma conjunta, com vínculos de relacionamento com outras empresas, compartilhamento de informações, investimento e demais recursos, e assim, construir conhecimento conjunto entre si para a sobrevivência organizacional (NOHRIA, 1992; MORGAN, 1995; EBERS e JARILLO, 1998; GULATTI e GARGIULO, 1999).

Este cenário é compatível à concepção de Castells (2000), que afirma que toda sociedade está em rede. Nesse sentido, conscientemente ou não, todo e qualquer negócio opera em rede e pode ser entendido como um ator dessa, ou seja, um componente desse arranjo estruturado e dinâmico. Essa abordagem, que prioriza o sistema constituído pelos atores e suas conexões, oferece consistentemente explicações ou bases de apoio para a compreensão de aumento da capacidade competitiva e/ou ampliação do valor social entregue.

Segundo Nohria e Eccles (1992), atuando em rede as empresas expandem a sua condição de atingir objetivos que a priori seriam inviáveis se agissem de forma isolada. Essa capacidade, emergente de uma atuação coletiva, decorre de movimentos ou interações como troca de recursos, compartilhamento de informações e desenvolvimento de soluções integradas entre os atores envolvidos e caracterizam uma relação marcada pela presença de cooperação, comprometimento e confiança, entre outros. O desenvolvimento dessas condições nos negócios pode

(16)

ser entendido como um processo histórico e evolucionário das interações entre esses atores e, deste modo, não implica necessariamente em decisões racionais e deliberadas.

No contexto contemporâneo surgiu o interesse pelo associativismo empresarial como alternativa de enfrentamento às dificuldades das pequenas empresas, como problemas ou demandas de ordem econômica, financeira, operacional ou administrativa, enquanto o processo integrativo dos negócios constitui potencialmente uma estratégia orientada para a manutenção e/ou aumento da competitividade das empresas que participam do arranjo interorganizacional (BALESTRIN e VARGAS, 2002 e 2004; MELO, 2012; BALESTRIN et al., 2010; LEON, 1998; POWEL, 1990; ZACCARELLI, 2008).

O associativismo empresarial traz uma nova visão sobre a competição e o relacionamento empresarial. Trata-se de um paradigma para entender as organizações que passam a trocar entre si, diante de uma visão integrativa, cujo objetivo é atender ao consumidor. Nesse sentido, Dhanaraj e Parkhe (2006) descrevem o fenômeno de redes pelo mapeamento de conexões entre atores e oferecem indicadores de compreensão e análise estrutural como densidade dos relacionamentos e centralidade de atores. Pode-se tomar como exemplo, a integração de atores públicos e privados, que se unem por objetivos comuns e mantêm uma relação de interdependência entre si, compartilhando recursos e formando uma rede complexa com várias interações. Na construção de parceria, como exemplificada, seria esperada maior capacidade na solução de problemas e maior propensão ao desenvolvimento dos processos integrativos entre os atores envolvidos, o que resulta em maior capacidade de alcance de objetivos, como obtenção de valor social e remuneração de capital.

A literatura sobre parcerias, processos cooperados, integração entre órgãos públicos e empresas privadas pode ser considerada modesta ou pouco representativa, restringindo-se basicamente à discussão sobre parcerias público-privadas, conforme pôde-se perceber pela pesquisa bibliográfica realizada. Desta forma, a compreensão desses processos sob a abordagem de redes potencialmente se constitui uma perspectiva de estudo que pode oferecer informação adicional, compreensão e eventual base de mapeamento e prescrição de alternativas na decisão de movimentos estratégicos orientados para a competitividade do arranjo interorganizacional. A revisão da literatura explorada nesse trabalho será discutida no capítulo 2, tópico 2.1.

(17)

A presença de parcerias que poderiam ser admitidas como inusitadas há duas décadas, constituídas pela presença de órgãos públicos de natureza política, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil, vem se constituindo numa realidade cada vez mais presente. Embora os interesses coletivos não pareçam ser absolutamente convergentes, a vitalidade que essas articulações têm demonstrado sugerem a existência de algum tipo de sustentação em resultados que atendem aos interesses dos diferentes agentes envolvidos. O presente estudo se orienta para a pesquisa desse tipo de arranjo resultante da integração de órgãos públicos, empresas privadas, sociedade civil e terceiro setor.

1.1 Problema de pesquisa

O tema da pesquisa é organizações em redes. Trata-se de um recorte do conhecimento científico chamado Administração que consiste no estudo de redes constituídas por organizações de diferentes setores atuando conjuntamente.

A operação de arranjos decorrentes de parcerias ou processos cooperados entre órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil tem sido abordada pelas perspectivas racional econômica, social e sociedade em redes. Essa compreensão do fenômeno, em geral, não oferece informações ou explicações sobre fatores condicionantes do desenvolvimento e manutenção desse tipo de articulação entre os agentes (potencialmente associados a motivações sociais, políticas e/ou econômicas dos atores).

O problema abordado na presente investigação pode ser descrito como o levantamento e/ou compreensão sobre fatores de sustentação e de evolução da cooperação e gestão de parceria e/ou processos de ação cooperada entre os atores estudados: órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil e, de que forma essa estrutura dinâmica, sob a perspectiva da teoria de redes, pode assegurar maior entendimento sobre os resultados obtidos.

1.2 Questão de pesquisa

Partindo-se da proposta de investigação da operação integrada entre órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil, a perspectiva de redes interorganizacionais pode oferecer avanço na compreensão do funcionamento desse

(18)

arranjo dinâmico e cada vez mais presente como alternativa de desenvolvimento social, econômico e político.

Orientando-se o presente trabalho para a expansão, em alguma medida, do entendimento sobre esse tipo de articulação, optou-se pela adoção da seguinte questão de pesquisa: quais são os fundamentos das relações de integração e operação conjunta entre órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil sob a perspectiva de redes?

1.3 Objetivo geral

O presente estudo tem por objetivo a pesquisa em redes com foco no relacionamento entre os atores de diferentes naturezas que compõem a rede e contribuir para o avanço da compreensão da integração e operação conjunta dos processos entre os agentes investigados (órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil). Neste sentido, o reconhecimento de motivações e dificuldades inerentes a esse processo integrativo aparentemente incorpora a compreensão articulada de objetivos sociais, econômicos e políticos, como fundamento potencial dessa relação.

1.4 Objetivos específicos

A presente pesquisa busca fornecer subsídios necessários por meio de ferramentas adequadas para encontrar e compreender os objetivos comuns para o desenvolvimento das relações entre os atores envolvidos numa rede interorganizacional. Dessa forma, os seguintes objetivos específicos foram considerados como produtos da pesquisa:

1) Inventário das variáveis presentes na integração e operação conjunta para cada um dos agentes envolvidos no arranjo;

2) Avaliação comparativa das variáveis para cada um dos agentes identificando convergência e divergência;

3) Inventário e análise dos fatores condicionantes na manutenção do relacionamento existente entre os atores da rede interorganizacional.

(19)

1.5 Justificativa

A proposta da pesquisa se justifica pelo fato do estudo das parcerias ou redes de cooperação entre órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil, considerados agentes de naturezas distintas, poderem gerar benefícios para todos os envolvidos, sendo eles: social, econômico e/ou político.

O presente estudo busca contribuir para o crescimento, desenvolvimento e melhoria de contextos semelhantes e compatíveis. A contribuição é pautada em aperfeiçoamento de processos de operações existentes para melhoria do relacionamento entre os atores de uma rede interorganizacional, como a integração e operação conjunta em redes baseadas em processos cooperados e com agentes envolvidos distintos, podendo conduzir à entrega de valores social, econômico e político relevante.

O processo mencionado pode ser chamado de círculo virtuoso, ou seja, trata-se de um procedimento que trata-se retroalimenta, e que pode potencializar o interestrata-se de novos atores para fazerem parte da rede interorganizacional, ao criar a entrega de valores e resultados diversos para os envolvidos.

(20)

2 FUNDAMENTAÇÃOTEÓRICA

A fundamentação teórica foi construída para atender aos temas centrais do presente trabalho, cujo objetivo pode ser descrito como uma contribuição ao entendimento de parcerias entre agentes de setores distintos, comparáveis em algumas dimensões às parcerias público-privadas sob a perspectiva de redes. A revisão teórica está dividida em cinco blocos temáticos: (1) Revisão bibliográfica; (2) Redes: conceito e estrutura; (3) Redes: gênese e evolução; (4) Paradigmas de redes; (5) Políticas públicas, parcerias público-privadas e redes; (6) Abordagem conceitual: síntese; e (7) Objeto de pesquisa.

2.1 Revisão bibliográfica

Foi realizada uma revisão bibliográfica com o objetivo de analisar a literatura existente em trabalhos recentes que tratam do tema: integração e operação conjunta entre órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil sob a perspectiva de redes, abordando redes de negócios e parcerias público-privadas como ponto de partida.

As pesquisas foram realizadas em base de dados de literatura científica, como SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e SPELL (Scientific Periodicals Eletronic Library).

Ao final da busca realizada, 20 foram os trabalhos que atenderam aos critérios de pesquisa, no período entre 2010 e outubro de 2015, com as seguintes palavras-chave: parcerias público-privadas, redes de negócios, operação conjunta e integração. Na Tabela 1 apresenta-se esquematicamente o resultado da pesquisa bibliográfica realizada na base de dados Scielo, na qual foram encontrados 12 trabalhos sobre os assuntos pesquisados por meio da combinação das palavras.

(21)

Tabela 1 – Pesquisa bibliográfica na base de dados Scielo

SCIELO (www.scielo.org)

PALAVRAS-CHAVE TOTAL INTERVALO

5 anos Parcerias público-privadas 10 2010-2015 Redes de negócios Pública 1 2010-2015 Redes de negócios Privada 0 2010-2015 Redes de negócios Operação 1 2010-2015 Operação conjunta 0 2010-2015 Operação

conjunta Parcerias Integração 0 2010-2015

Integração Operação 0 2010-2015

TOTAL 12

Fonte: Autora (2016).

Na Tabela 2 apresenta-se esquematicamente o resultado da pesquisa bibliográfica realizada na base de dados Spell, na qual foram encontrados oito trabalhos sobre o assunto pesquisado, com a combinação das mesmas palavras-chave: parcerias público-privadas, redes de negócios, operação conjunta e integração.

Tabela 2 – Pesquisa bibliográfica na base de dados Spell

SPELL (www.spell.org.br)

PALAVRAS-CHAVE TOTAL INTERVALO

5 anos Parcerias público-privadas 8 2010-2015 Redes de negócios Pública 0 2010-2015 Redes de negócios Privada 0 2010-2015 Redes de negócios Operação 0 2010-2015 Operação conjunta 0 2010-2015 Operação

conjunta Parcerias Integração 0 2010-2015

Integração Operação 0 2010-2015

TOTAL 8

(22)

Durante a pesquisa realizada nas fontes referenciadas encontrou-se cerca de duzentos trabalhos abordando parcerias público-privadas. Entretanto, a perspectiva dominante desses artigos limitava-se a discussões envolvendo a legislação federal associada e geralmente estavam vinculados à área da saúde, inviabilizando o aproveitamento de seu conteúdo para a investigação a que se propõe este trabalho.

Foram realizadas, também, pesquisas na base de dados internacionais DOAJ - Direct of Open Acess Journals nas quais foram encontrados 102 artigos utilizando-se como bautilizando-se a combinação das palavras acima referenciadas, dos quais 11 artigos sobre redes de negócios, 81 artigos relacionados a parcerias, nove artigos pertinentes à operação conjunta e um artigo referente à parceria e integração, portanto, nenhum deles refere-se, especificamente, à parceria ou operação conjunta e integração sob a perspectiva de redes.

Ainda, quanto a pesquisas em banco de dados internacionais, foram encontrados dentre artigos, reportagens e entrevistas, 8 publicações na base de dados que contempla todos os jornais do mundo – Press Reader em 14 de junho de 2016 nos principais jornais dos Estados Unidos da América, sendo 6 delas referentes a redes de negócios e 2 relacionados a parcerias privadas.

2.2 Redes: conceitos e estrutura

Foram apresentados diversos conceitos sobre redes de negócios por Hoffman, Molina-Morales e Martinez-Fernandes (2004):

Os trabalhos de Miles e Snow (1986), Thorelli (1986), Jarillo (1988) e posteriormente Powell (1990) levaram à construção de uma terminologia própria. Nas palavras de Miles e Snow (1986), uma rede de empresas é a combinação única de estratégia, estrutura e processo de gestão ao qual se refere. No conceito de Thorelli (1986), uma rede de empresas é o que há de intermediário entre uma simples empresa e o mercado, isto é, duas ou mais empresas as quais, através da intensidade de sua interação, constituem um subconjunto de um (ou vários) mercado (s). Generalizando, uma rede pode ser vista como posições ocupadas por empresas, famílias, ou unidades estratégicas de negócio, inseridas em contextos diversificados, associações comerciais e outros tipos de organizações. Jarillo (1988) descreve as redes como sendo acordos de longo prazo, com propósitos claros, entre empresas distintas mais relacionadas, que permitem àquelas empresas estabelecer ou sustentar uma vantagem competitiva frente às empresas presentes fora da rede. Powell (1990) escreve que as redes são o caminho intermediário entre as estruturas competitivas de mercado e a posição individual ocupada pela empresa, e as hierarquias presentes nas relações entre as partes

(HOFFMAN, MOLINA-MORALES e MARTINEZ-FERNANDES, 2004,

(23)

Apesar da utilização do termo rede de forma mais habitual atualmente, o conceito é usado desde a década de 1930, em diferentes áreas do conhecimento. Segundo Mitchell (2009) e Fombrun (2004), redes de negócios é um conceito utilizado de maneira multidisciplinar, sendo aplicado em diversas áreas da ciência, com objetivos distintos. Em ciências sociais, no estudo das relações interorganizacionais, evidencia-se a estrutura e os padrões da rede, abordando as organizações como um sistema de relacionamentos variados entre pessoas ou grupos ao longo do tempo (TICHY, TUSHMAN e FOMBRUN, 1979). Fombrun (1992) define rede como um conjunto de nós e as relações que os unem.

Segundo Nohria (1992), tendo em vista a perspectiva de redes, existem cinco premissas básicas, a saber: (1) As organizações são consideradas redes sociais e precisam ser abordadas e analisadas como tal. O autor sugere que o centro da análise deve ser nos relacionamentos entre os atores; (2) As organizações mantêm relações com fornecedores e concorrentes ao mesmo tempo, o que pode ser considerado benéfico para todos os envolvidos; (3) Os resultados obtidos podem ser melhores desde que se tenha conhecimento de quem é quem na rede, ou seja, sua posição e papel; (4) A rede implica em uma estrutura e processo que se intercambiam por meio de relações sistêmicas, determinando ações e sendo determinadas por elas. (5) Sob a perspectiva de redes, pouco importa quem são os atores envolvidos, devendo ser consideradas as características do relacionamento e os laços formados, pois poderão garantir ou não o sucesso da rede.

Segundo Gulati (1998) algumas organizações não operam de forma isolada, mas por meio de alianças estratégicas com demais agentes e organizações, incluindo clientes, fornecedores e concorrentes, que pressupõe o compartilhamento, a troca e o desenvolvimento conjunto de tecnologia, produtos ou serviços. Vários são os estudos na área de redes interorganizacionais, vistas sob o prisma de sistemas de cooperação e confiança (GIGLIO, PUGLIESE e SILVA, 2012; KRAUSZ, 1988).

Tendo em vista a estruturação das empresas em rede que desenvolve ações conjuntas, os atores envolvidos obtêm ganho de produtividade se comparados às organizações que se mantêm isoladas em um determinado sistema econômico (MARSHALL, 1982).

Diante do grande número de cadeias de relacionamentos das organizações, percebe-se que a empresa que atua de forma individualizada está cada vez mais

(24)

escassa (GRANOVETTER, 1985; GULATI e SINGH, 1998). As organizações buscam o melhor desempenho e se pautam no gerenciamento dos recursos existentes, cujo objetivo é a sustentabilidade e o crescimento da própria organização (DYER, 1996).

Conforme Grandori e Soda (1995), os estudos de redes, pautados nos fatores que influenciam a formação dessa estrutura organizacional, podem ser realizados sob as seguintes perspectivas: econômica, organizacional e social. O importante na estrutura de redes é a interação e operação conjunta entre os atores envolvidos que terá como resultado a entrega de valor social e valor econômico.

Morgan (1980) entende que os atores inseridos num determinado grupo, considerado como rede tem o comportamento atrelado diretamente aos relacionamentos sociais. Pressupõe, ainda, a existência real e concreta de uma sociedade que produz um estado de coisas ordenado e regulado.

Conforme afirmação de Nohria e Eccles (1992), atualmente todas as organizações estão em rede, ligadas por algum tipo de relacionamento, seja ele formal ou informal, com finalidade social ou econômica. A cooperação interorganizacional é sustentada por uma combinação de mecanismos existente na própria rede de negócio (GRANDORI e SODA, 1995).

Todeva (2006) considera redes de negócios como estruturas socioeconômicas, que estabelecem relações sociais entre as pessoas, alinha estratégias, compartilha recursos e interage entre as organizações conectadas entre si.

Conforme apresentado graficamente na Figura 1, posições dos atores na rede, assim como configurações estruturais assumidas alteram e fornecem informações relevantes sobre a operação e a dinâmica da rede, e oferecem ainda dados importantes quanto ao papel dos atores.

A Figura 1 apresenta as características estruturais que identificam as propriedades de redes apresentadas por Tichy, Tushman e Fombrun (1979). Ainda na mesma figura, cada ponto corresponde a um ator e a linha entre dois pontos significa a representação gráfica das conexões entre atores. Essa representação oferece exemplos de papéis e/ou posições de atores na rede: (1) hub: ator que liga a rede a domínios externos; (2) estrela: ator com maior número de nominações; (3) ponte: ator membro de múltiplos subgrupos de rede; e (4) isolado: ator separado da rede. Embora a figura não retrate, algumas linhas/conexões podem receber

(25)

destaque para indicar a natureza da ligação (ou laços). Arbitrariamente, em função do escopo adotado para rede, pode se utilizar linhas tracejadas com objetivo de delimitação dos domínios interno e externo.

Figura 1 – Estrutura em redes

Fonte: Adaptado de Arten (2013, p.35) e Tichy, Tushman e Fombrun (1979, p.508).

Com relação à análise estrutural das redes de negócios alguns conceitos são considerados fundamentais, como a nomenclatura dos elementos que compõem a rede, além das medidas utilizadas nos estudos, que também servem para mensuração e estudo de fenômenos de abrangência interdisciplinar.

Tichy et al. (1979) apresentam três grupos de propriedades das redes, quais sejam: (1) conteúdo transacional, que comunica o tipo de informação trocada entre os atores; (2) natureza dos laços, que qualifica as ligações entre os atores; (3) características estruturais, que classificam a rede formada pela visão das ligações diversas entre os atores, conforme Quadro 1.

(26)

Quadro 1 – Propriedades das redes de negócios

Fonte: Adaptado de Tichy, Tushman e Fombrun (1979).

PROPRIEDADE EXPLICAÇÃO A - Co n te ú d o d a tr an sação Q u at ro ti p o s d e tr o cas 1 – Troca de afeto

2 – Troca de influência ou poder 3 – Troca de informação

4 – Troca de produtos ou serviços

B - N atu re za d as l ig õ e

s A força das relações entre indivíduos

O grau pelo qual uma relação é percebida ou combinada de comum acordo, pelas partes do relacionamento (isto é, o grau de simetria).

O grau de expectativas de um ator sobre o comportamento do outro ator ao qual está ligado.

O grau que mede as vias ou papéis sociais pelos quais um ator está ligado a outro, como amizade, trabalho, esporte, vizinhança, entre outros.

C - Ca ra ct er íst icas e st ru tu ra is

Quantidades de atores da rede

Valor obtido dividindo-se a quantidade de ligações existentes em uma rede pelo número de ligações possíveis matematicamente.

O número de regiões densas na rede.

O número de laços externos de uma rede dividido pela quantidade matematicamente possível de ligações externas.

O grau pelo qual os padrões de uma rede mudam ao longo do tempo.

A média do número das ligações entre atores, obtida pela quantidade de ligações pela quantidade de atores na rede.

O grau que mede o quanto as ligações seguem um padrão hierárquico 1 - Intensidade 2 - Reciprocidade 3 – Clareza de expectativas 4 - Multiplexidade 1 – Tamanho 2 – Densidade (Conexões) 3 - Clusterizações 4 - Abertura 5 - Estabilidade 6 - Acessibilidade 7 - Centralidade 8 - Estrela 9 - Ligação 10 - Ponte 11 – Porteiro (Hub) 12 - Isolado

O ator com o maior número de indicações (mais conhecido).

Um indivíduo que não é membro de um cluster, mas que liga dois ou mais clusters.

Um indivíduo que é membro de um número importante de clusters na rede de negócios (elemento de ligação).

Um ator tipo estrela, mas que também liga a rede a domínios externos.

(27)

A estrutura das redes pode ser definida de forma centralizada, descentralizada e distribuída, conforme observa-se na Figura 2. Na estrutura centralizada todos os contatos da rede são centralizados em um único nó, enquanto na estrutura descentralizada existe a formação de aglomerações que apresentam nós que concentram os laços. Por fim, a rede distribuída possui uma distribuição uniforme de conexões, não existindo uma formação visível de concentração de laços em um único nó (BARAN, 1964).

Figura 2 – Tipos de redes

Fonte: Baran (1964).

A centralidade tem papel fundamental, pois pode ser utilizada como forma de compreensão da influência de um determinado ator na rede e auxiliar no entendimento da operação, da distribuição de informação, da capacidade de inovação e da topologia da rede (BORGATTI, 2005).

Na Figura 3 pode-se perceber o grau de centralidade entre os atores envolvidos, por exemplo: o ator C tem grau 3 de entrada e grau 1 de saída, ou seja, ele recebe nominação de três atores da rede e nomina um dos atores da mesma rede.

(28)

Figura 3 – Exemplo de grau de centralidade

Fonte: Alejandro e Norman (2005).

São quatro os tipos de medidas de centralidade, quais sejam: (1) grau de conectividade; (2) proximidade; (3) intermediação e (4) poder da conectividade. Borgatti (2005) define grau de conectividade como sendo a centralidade de um nó da rede que pode ser medida conforme a quantidade de conexões que saem ou chegam nele. Segundo Freeman, Roeder, Mulholland (1979), a centralidade por proximidade considera o trajeto entre dois pontos quaisquer da rede, cujo valor equivale ao número de nós existente neste percurso.

A centralidade do nó será maior ou menor dependendo da distância média entre ele e os demais nós da rede (Figura 4). A centralidade por intermediação, conforme Freeman; Borgatti, White (1991), baseia-se na quantidade de ligações vinculadas a um nó. O conceito de centralidade pode ser associado ao constructo de poder. Bonacich (1987) sugere que o poder de um ator pode ser aproximado pela compreensão integrada das centralidades dos atores diretamente relacionados ao primeiro.

Figura 4 – Exemplo de índice de centralização

(29)

A análise de redes de negócios pode ser realizada considerando: o nível dos atores, o nível dos relacionamentos e o nível da rede como um todo. Os relacionamentos podem ser chamados de laços ou ligações, que representam troca de informações e processos, e podem acontecer de maneira formal ou informal (TODEVA, 2006).

Neste sentido, o formato organizacional de redes é composto de atores ligados entre si. Os atores são as empresas e as ligações entre elas que podem ser mais fortes ou mais fracas. Quando a ligação é considerada mais fraca, existe o indício de que ainda não houve a emergência da rede (CASTELLS, 1999; NOHRIA e ECLES, 1992).

Segundo Burt (1995), Dyer e Nobeoka (2000) e Granovetter (1973), a intensidade de um laço pode ser medida de diversas formas: pelo tempo de relacionamento, intensidade, confiança mútua e reciprocidade, todos analisados em conjunto. Os laços fortes são caracterizados por relações mais intensas e confiáveis, sendo frequente a troca de informações. Assim, pode-se compreender que existe a presença de empresas com cultura e níveis de conhecimento similares. Os laços fracos também têm a sua importância, mesmo que numa proporção menor de interação, os resultados para os atores são benéficos e favorecem a inovação e expansão da rede.

O fenômeno de buracos estruturais se dá com o agrupamento de nós, tornando a disseminação de informação mais satisfatória, além de diminuir a redundância de ligações entre os nós da rede (BURT e CELOTTO, 1992).

O que determina o formato de uma rede é o fluxo de negócios e a natureza do relacionamento existente entre os atores e podem ser verticais e horizontais ou ainda formais e informais (MARCON e MOINET, 2000). Os autores esclarecem que redes verticais são como uma hierarquia baseada no grau de formalidade estabelecido nas relações entre negócios, como as cadeias de suprimento. As redes horizontais, nas quais os processos cooperativos são relativamente mais presentes, envolvem com frequência compartilhamento de recursos, riscos e mercados, não demandando necessidade importante de formalização entre negócios.

A opção de abordagem do arranjo estabelecido pela parceria entre órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil, sob a perspectiva de redes impõe a necessidade de uma concepção clara desse conceito. Ortigara e Caron (2011) e Zaccarelli et al. (2008) entendem rede como um sistema resultante

(30)

da integração orgânica entre diferentes agentes na qual o resultado agregado é superior à soma dos resultados obtidos em atuações independentes dos mesmos atores; nesse sentido, união e cooperação das organizações envolvidas conduzem a benefícios objetivados por essas por meio de soluções coletivas de compartilhamento de recursos e desenvolvimento conjunto de processos inovativos.

2.3 Redes: gênese e evolução

Zaccarelli et al. (2008) indicam a presença de redes de negócios desde a criação da Companhia das Índias Ocidental, no início do século XVII, explicando que o fenômeno não é novo, sendo observado com a regularização do comércio entre as Colônias e a Europa.

Nos últimos vinte anos é crescente o número de estudos referentes à competitividade das empresas por meio da cooperação ou devido à configuração econômica desenvolvida por elas em determinados locais, as redes de negócios (VECCHIA, 2008). O conceito de redes passou a ser utilizado por diversos pesquisadores para definir o fenômeno da cooperação interempresarial.

Diante do entendimento citado, Balestrin e Verschoore (2008) conceituam redes como sendo a união de empresas que tem por objetivo a busca por um diferencial competitivo com foco em assegurar condições de desenvolvimento em atuação conjunta para a obtenção de vantagens diante de um mercado com nível concorrencial elevado.

As novas estratégias empresariais passam a compreender a formação de redes entre as empresas com o objetivo de garantir a sobrevivência e a competitividade, por meio de uma nova forma de relacionamento e de arquitetura organizacional entre os envolvidos (OLAVE e AMATO NETO, 2001). Este conjunto de ações realizado de forma consciente, inteligente e organizada torna as empresas progressivamente mais competitivas ao longo do tempo (ZACCARELLI et al., 2008).

É possível entender a rede interorganizacional formada por empresas com objetivos comuns e pressupõe-se que as que integra uma rede dependem umas das outras para sobreviver, compartilhando e negociando serviços, produtos e recursos (BASTOS e SANTOS, 2007).

Com o passar dos anos, o fenômeno de redes passa a ter maior visibilidade e ganham força com a situação atual, marcada por mudanças de diferentes naturezas.

(31)

As transformações ocorridas em âmbitos distintos, mas principalmente em níveis tecnológicos e comportamentais, favorecem a atuação em grupos e contribui para a formação de redes, cujos atores são conectados por objetivos comuns, compartilham processos, ideias, recursos e conhecimento e podem obter mais vantagens competitivas e de sobrevivência (TICHY, TUSHMAN e FOMBRUN, 1979). A evolução de redes de negócios está relacionada ao crescimento das organizações que se dá em decorrência do acúmulo dos recursos da rede, sobre os quais elas não têm domínio completo e que de forma isolada não conseguiriam ter acesso (HITE, 2005). Os laços formados nas redes verticais pressupõem uma diminuição nos custos de transação (WILLIAMSON, 1975) e os níveis de fidelização nas relações entre os atores gera maior cooperação e contribui para a evolução das redes interorganizacionais (ZACCARELLI et al., 2008).

As redes evoluem e um dos resultados que caracterizam esse processo é o crescente ganho de competitividade do grupo uma vez que as organizações seguem um fluxo lógico e contínuo de alinhamento e orientação. A evolução se pauta na auto-organização e na capacidade adaptativa dos atores (ZACCARELLI et al., 2008).

Diante da evolução dos conceitos e aplicações de redes, Candido, Goedert e Abreu (2000) adaptaram as categorias que envolvem os conceitos de rede à perspectiva organizacional de Nohria e Eccles (1992), conforme apresenta a Figura 5.

(32)

Figura 5 – Perspectiva teórica de redes

Figura 6 – Perspectiva teórica de redes

Figura 6 – Perspectiva teórica de redes TEORIA DE REDES

Fonte: Adaptada de Candido, Goedert e Abreu (2000) da proposta original de Nohria e Eccles (1992).

REDES SOCIAIS SOCIOLOGIA ANTROPOLOGIA PSICOLOGIA BIOLOGIA MOLECULAR TEORIA DE SISTEMAS INTERAÇÃO RELACIONAMENTO AJUDA MÚTUA COMPARTILHAMENTO INTEGRAÇÃO COMPLEMENTARIDADE Redes interorganizacionais Bilateral / Multilateral Homogênea / Heterogênea Formal / Informal Redes interorganizacionais Bore, Grandi e Lorenzi, 1992 Redes nterorganizacionais (Características da sua cadeia de valor e do processo produtivo) REDES ALIANÇAS

*Redes flexíveis de PMEs (Redes de Subcontratações) *Redes de inovação *Redes de relacionamento *Redes de informação *Redes de comunicação *Redes de pesquisa *De fornecimento *De posicionamento *De aprendizado *Estratégia *Vertical *Horizontal *Transacional Joint venture Consórcios Acordos cooperativos Fusões e aquisições Franchising Organização virtual Clusters Etc.

TEORIA DE REDES

(33)

A Figura 5 evidencia a perspectiva teórica de redes e mostra como a teoria de redes envolve diferentes campos do conhecimento e de processos de construção, desenvolvimento e integração de seus agentes. Ela pode ser vista sob diferentes perspectivas, desde redes constituídas de maneira intencional até redes resultantes de integração espontânea e redes como uma estratégia organizacional, como é o caso de alianças e das redes formais e/ou informais. O termo redes é amplo e envolve processos de interação e relacionamento em diversas áreas do conhecimento científico, como: sociologia, antropologia, psicologia.

No processo de evolução sobre o avanço do conhecimento de redes é importante considerar as diversas perspectivas e campos do conhecimento que abordam o tema, além dos processos envolvidos. O arranjo interorganizacional compondo setores e atores distintos pode ser entendido como uma rede, pois atende às características que identificam uma rede em operação, como: complementaridade, integração de soluções, comportamento emergente, aprendizado e confiança.

2.4 Paradigmas de redes

O estudo de redes pode ser realizado do ponto de vista de três abordagens: racional econômica, social e sociedade em rede. Na abordagem racional econômica, os objetivos estão centrados no aspecto econômico e processual e o planejamento da rede tem um fim específico. As alianças que Gulati e Gargiulo (1999) propõem podem ser citadas como exemplos (alianças estratégicas com outros agentes e organizações, incluindo clientes, fornecedores e concorrentes). Nesta abordagem, o objetivo das empresas envolvidas é estabelecer relacionamentos para lograrem êxito e obterem melhor resultado financeiro.

Segundo Giglio (2010), a formação de rede, sob a perspectiva do paradigma racional econômico, tem por objetivo a obtenção de redução de custos e acesso à informação e recursos. Trata-se de uma espécie de decisão planejada de forma estratégica, tendo em vista as mudanças ocorridas no ambiente devido às condições de competição.

Apesar da parceria na rede, cada ator integrante e envolvido continua mantendo a sua ‘soberania organizacional’ (LOPES e BALDI, 2009). Diante de um novo cenário com mercados cada vez mais globalizados e nos quais as operações

(34)

de gestão ganham novas perspectivas, torna-se difícil identificar onde termina a concorrência e começa a cooperação, ao se misturar clientes e fornecedores (WOOD Jr. e ZUFFO, 1998). Com o objetivo de reduzir custos, otimizar prazos e potencializar o valor percebido pelo cliente, frequentemente é preciso romper barreiras entre departamentos para que o modelo possa ter sucesso (WOOD Jr. e ZUFFO, 1998), tornando as áreas de marketing, logística e produção cada vez mais próximas (BALLOU, GILBERT e MUKHERJEE, 2000).

Segundo Lambert e Cooper (2000), a gestão de negócios entrou na era da competição entre redes, ou seja, uma rede da cadeia de suprimento contra outra rede da cadeia de suprimento em um ambiente de cooperação, cujo objetivo é a minimização de custos por meio do sistema (FISHER, 1997); as organizações, na visão de sociólogos organizacionais, estabelecem ligações para controlar incertezas ambientais e satisfazer as suas necessidades de recursos em um parceiro, ou seja, ator integrante da mesma rede de negócios (GULATI e GARGIULO, 1999).

As redes de negócios têm a capacidade de coordenar e promover inovações de produtos e serviços a custos reduzidos, o que não seria obtido caso as empresas desenvolvessem as inovações de forma isolada (KOGUT, 2000; WESTERLUND e RAJALA, 2010). A formação em redes pressupõe a redução do tempo necessário para levar ao mercado estes novos produtos (GANESAN, MALTER e RINDFLEISCH, 2005). As redes possuem capacidade de aumentar o valor das firmas que as constituem e isso é uma fonte esquecida de recursos (KOGUT, 2000).

Na abordagem social, as características principais são as relações existentes entre os atores, pautadas em variáveis como confiança e comprometimento. Nem todos os atores estão conectados, mas por outro lado, alguns se unem por múltiplas relações (TICHY, TUSHMAN e FOMBRUN, 1979). Ao mesmo tempo que os laços fortes trazem maiores benefícios à rede, podem, por outro lado, restringir a inovação com o surgimento de novas ideias, tendo em vista que esses atores se encontram numa situação estável, o que pode implicar em problemas para os envolvidos na rede (GRANOVETTER, 1983).

O paradigma social esclarece que a relação das empresas implica na associação do capital social com o desempenho daquelas que estão interconectadas. É fundamentada na premissa de que o comportamento da economia é resultado das relações sociais (GRANOVETTER, 1985). Apesar da teoria de custos de transação proposta por Williamson (1975) não considerar a

(35)

relação de confiança e reciprocidade entre os atores, as redes de relacionamentos sociais fazem com que as relações econômicas se estendam além das limitadas relações financeiras.

Na mesma linha de raciocínio, Uzzi (1996) e Helper (1991) afirmam que a presença de confiança auxilia no aumento do capital social entre as empresas que mantêm relacionamento econômico, diminuindo custos de transação, por meio da redução de riscos e incertezas.

Ainda sobre o paradigma social, Tichy, Tushman e Fombrun (1979) afirmam que as redes de negócios se desenvolvem por meio da teoria dos sistemas sociais, na qual se investiga a interação das condições e dos processos organizacionais que afetam o comportamento dos atores. Granovetter (1985) sugere aplicações organizacionais, desde análises que envolvem poder e processos políticos, até questões econômicas em seus argumentos sobre resultados de empresa e sua imersão em redes de negócios.

Quanto ao paradigma da sociedade em rede, Castells e Cardoso (2005) afirmam que as pessoas passaram a interagir mais em um novo cenário, com o surgimento de novas tecnologias e a internet, criando uma nova forma de organização social baseada em redes e interligada pelas redes de comunicações digitais, o que chamou de ‘sociedade em rede’. Esse novo formato de sociedade apresenta elevado poder de flexibilidade e adaptação, transcendendo fronteiras entre países, manifestando-se de diferentes formas, de acordo com a história, a cultura e as instituições de cada sociedade.

Castells (2000), Klein (2003) e Ozcan (2004) defendem que a sociedade em rede se caracteriza e se fundamenta pela presença de atributos como: cooperação, confiança e comprometimento, tendo em vista que a troca entre os atores das redes de negócios é cada vez mais relacional. Castells (2000) afirma, ainda, que as estruturas sociais nascem com os seres humanos em conflito e em busca de interação, formada pelas relações de produção, consumo, experiência, poder, cultura e tecnologia.

Powell (1990) afirma que as vantagens obtidas pelos atores que atuam em rede independem do tipo de abordagem. A geração de poder e influência, além do acesso às novas informações e maior competitividade, “a retórica de redes como uma forma de organização é uma tentativa de atenção no centro totalmente distinto da ação coletiva (em redes), que permite a cooperação a ser sustentada em longo

(36)

prazo” (POWELL, 1990, p.301). Portanto, o paradigma da sociedade em redes não oferece, para o trabalho, uma abordagem metodologicamente instrumentalizada para a pesquisa a que se propõe.

A Figura 6 exibe simplificadamente a síntese dos paradigmas racional /econômico, social e sociedade em redes.

Figura 6 – Paradigmas de pesquisa em redes

Fonte: Adaptado de Giglio e Sacomano (2014).

2.5 Políticas públicas, parcerias público-privadas e redes

O conceito de redes de políticas públicas apresenta uma vasta diversidade e é reconhecida por alguns autores, como Borzel e Kickert, Klijn e Doppenjan (2007). Borzel cita que essa diversidade de conceitos remete à ideia de desordem ou confusão conceitual (BORZEL, 1998; KICKERT et al., 1997). Nesse sentido, o conceito do termo redes de políticas públicas apresenta alguns pontos em comum, como: variada gama de atores no processo de políticas públicas com capacidade para influenciar seus resultados (KICKERT et al., 1997; ADAM e KRIESI, 2007).

Segundo Borzel (1998), redes de políticas públicas compreendem diversos atores que compartilham interesses comuns e trocam recursos entre si para o

(37)

alcance dos interesses referentes à política. A relação se apresenta relativamente estável com natureza interdependente e não hierárquica entre os atores envolvidos e a cooperação é reconhecida como o meio mais apropriado para alcançar os interesses que se busca. Adam e Krieski (2007) afirmam que os processos de políticas públicas são controlados por atores públicos e privados, ou seja, diversas são as naturezas dos atores que atuam nesse tipo de rede.

As redes de políticas públicas podem ser abordadas por duas escolas distintas: alemã e anglo-saxã. A escola alemã considera as redes de políticas públicas como uma forma de governança entre atores públicos e privados, enquanto a escola anglo-saxã as compreende como uma maneira de interação entre grupos de interesse e o Estado (BORZEL, 1998).

Borja (1997) afirma que o momento histórico é marcado pela descentralização política e pelo aumento de demandas sociais distintas que não são satisfeitas pelo poder público. Nesse contexto, a sociedade deixa de ser vista como receptora apenas e passa a ser um ator importante no processo de consolidação de políticas públicas que visam o seu bem-estar. Diante desse cenário, surge a necessidade de uma articulação atuante e efetiva entre os atores públicos e privados (LOIOLA e MOURA, 1997). Para tanto se faz necessária a criação de uma rede com um ator central responsável por articular os diversos atores do poder público e da sociedade civil em busca de melhorias e concretização quanto às ações públicas integradas e que beneficiem a todos. Os autores afirmam, ainda, que a sociedade civil só conseguirá exercer o papel de cogestora nas políticas públicas com a propagação da democracia.

Assim sendo, o poder público passa a ter o desafio de repensar as formas de gerenciamento que possui, promovendo propostas e ações que incluam a sociedade civil e empresas privadas, ou seja, tendo uma gestão participativa e democrática no processo de elaboração e implementação de políticas públicas. Esse novo modelo de gestão pode ser entendido como governança urbana ou interativa (FREY, 2004). Fischer et al. (1997) afirmam que governança abrange a relação e os papéis dos agentes envolvidos no processo, além da construção de espaços de negociação. Kenis e Schneider (1991) identificam as redes políticas como um conjunto de relações estáveis e contínuas, cujos atores compartilham recursos entre si, organizando-se para a solução de uma política comum. Esse novo modelo propõe uma gestão compartilhada entre setor público, setor produtivo e terceiro setor

(38)

(FREY, 2003). Fleury (2002) entende a rede política como uma solução adequada diante de novos arranjos institucionais que pode auxiliar na administração de projetos com recursos escassos, problemas complexos e muitos atores interessados.

No mesmo sentido, Borzel (1998) explica que alguns resultados só serão obtidos diante do desenvolvimento do trabalho dos atores envolvidos em uma rede por meio de uma política pública. Burley e Mattli (1993) entendem redes políticas como heterogêneas, ou seja, os atores envolvidos dispõem de diferentes interesses e recursos que criam uma relação de interdependência entre eles. O conceito de redes chama a atenção para a interação entre organizações de naturezas distintas, mas que dependem umas das outras, coordenando as suas ações por meio de interdependências de recursos e interesses.

Nessa direção, as parcerias no âmbito econômico podem ser entendidas como associações comerciais ou união de empresas, que firmam um acordo entre pessoas jurídicas que de forma livre e deliberada aceitam trocar recursos, compartilhar experiências, desenvolver e aprimorar conhecimentos, com o objetivo de superar desafios. Os envolvidos na parceria têm a possibilidade de usufruir de oportunidades diversas e de interesses comuns e coletivos (RAPOSO, 2006).

Vasconcellos e Vasconcellos (2009) entendem parceria entre Estado e organizações sociais como:

Parceria é uma forma de organização nas quais os objetivos alcançados pelos parceiros engajados dependem da existência de confiança entre eles e auto-organização. Neste contexto, os motivos da parceria não são moldados por ideais de ganhos materiais ou coerção entre os parceiros, mas por um senso comum de propósito, apoiado pela confiança entre os atores. Parceria baseada em confiança evoca a noção de parceria como um processo prolongado que resulta em um relacionamento de longo prazo entre os atores (VASCONCELLOS e VASCONCELLOS, 2009, p. 133).

Entende-se por parcerias público-privadas:

Uma articulação estável de atores mutuamente dependentes, mas funcionalmente autônoma, entre o Estado, o mercado e a sociedade civil, a qual interage orientada por conflitos negociados, ocorre num contexto institucionalizado de regras, normas, conhecimentos partilhados e imaginários coletivos; facilita a autorregulação de decisões políticas hierarquizadas, e contribui para a produção de ‘valor público’ em um sentido amplo de definição de problemas, visões, ideias, planos e regulamentações concretas que são considerados relevantes para amplas camadas da população (SORENSEN e TORFING, 2009, p.236).

(39)

Nelson e Winter (1982) e Zollo e Winter (2002) propõem a parceria como um processo dinâmico de busca e seleção determinado pelo aprendizado. Entende-se que a gestão das parcerias evolui e emerge de maneira progressiva, como resultado do processo de aprendizado que se dá simultaneamente à sua evolução. Esse processo possibilita o alcance dos objetivos propostos para a rede alterando-se, ao longo do tempo, a percepção dos atores em relação aos problemas, suas identidades e estrutura (MAHNKE, 2000).

Torfing (2005) enfatiza a interdependência entre os atores envolvidos na parceria público-privada em termos de recursos e capacidades, mantendo cada qual a sua autonomia e não estando sujeitos às mesmas estruturas hierárquicas. As relações dos atores se caracterizam por sua horizontalidade e possuem consciência de que os resultados só serão alcançados em parceria e sem poder suficiente para impor controle sobre os demais envolvidos. Contudo, apesar do poder de imposição de decisões aos parceiros por parte do poder público, os demais atores possuem informações e conhecimento específicos, capital, suporte político, dentre outros. Desta forma, a partir do momento em que os parceiros envolvidos apresentam os recursos para o poder público esperam obter influência política, tendo em vista que o poder público não adotará e implementará políticas contrárias aos interesses dos demais atores envolvidos (BORZEL e PANKE, 2007).

Na parceria público-privada os interesses públicos diferem dos interesses privados, conforme as premissas básicas: (1) o setor público apresenta um amplo envolvimento com normas e valores; (2) as organizações públicas, por meio de seus líderes, defendem interesses de cidadãos e eleitores, em vez de grupos específicos; e (3) a transparência, igualdade de tratamento, imparcialidade e previsibilidade são fatores que demandam ser enfatizados nas organizações públicas (CHRISTENSEN et al., 2007). Assim, o governo compreende que os complexos problemas sociais não são passíveis de resolução de forma isolada. Dependem, também, de parcerias com demais organizações públicas, com o setor privado e com as organizações não governamentais (ONGs).

Quanto ao interesse da iniciativa privada, ele pode ser manifestado por meio de apresentação de propostas, estudos ou levantamentos, por pessoas físicas ou jurídicas. Segundo Neto (2010), a manifestação de interesse abre a possibilidade de o parceiro particular apresentar um projeto ao governo e pode o mesmo ser realizado mediante autorização, sem que tenha sido elencado como uma prioridade.

(40)

Faz-se necessário esclarecer que as parcerias público-privadas previstas em legislação federal, conforme a Lei n.º 11.079/2004, podem ser utilizadas como uma referência importante para compreender as motivações das empresas privadas em manter parcerias com o poder público. Porém, o presente estudo busca compreender o processo integrativo entre organizações de diferentes naturezas (órgãos públicos, empresas privadas, terceiro setor e sociedade civil), mas que não se caracterizam como parcerias público-privadas previstas na legislação federal vigente.

Aparentemente, na rede estudada, os atores envolvidos apresentam interesses e buscam benefícios diversos em firmar parcerias entre si. Os interesses podem ser caracterizados como objetivos potenciais: (1) órgãos públicos: apresentam interesses de natureza social, econômica e política; (2) empresas privadas: apresentam interesses financeiro e social; (3) terceiro setor: apresentam interesses social e político; (4) sociedade civil: apresentam interesses financeiro e social.

Além dos interesses diferentes dos atores envolvidos na parceria público-privada, muitas e variadas também são as formas de acordo entre eles, podendo ser: relacionamentos formais justificados por contratos ou informais; inter ou intraorganizacionais; deliberados ou emergentes; de curto ou longo prazo, dentre outros (SORENSEN e TORFING, 2007).

O crescimento das parcerias entre órgãos públicos, sociedade civil, empresas privadas e demais organizações é um fenômeno global caracterizado pela maior fragmentação, complexidade e dinamismo da sociedade e pode ser explicado como uma tentativa de suprir os limites e falhas do Estado ou do mercado como agentes reguladores. Segundo Sorensen e Torfing (2007), as características mencionadas se fundamentam no aumento da quantidade de órgãos públicos e empresas privadas que necessitam de soluções baseadas em conhecimentos específicos e que apresentam distintas racionalidades, procedimentos, estratégias e instituições que levam os atores a uma maior interação, sobretudo ampliando as possibilidades de conflitos, incertezas e riscos. Assim, surge uma forma de articulação caracterizada pela formação de parcerias entre o setor público e o privado, acordos ou arranjos de cooperação, alianças estratégicas e redes interorganizacionais.

Sorensen e Torfing (2007) afirmam que é preciso considerar as parcerias como sendo espaços complexos nos quais se encontram, fundem e colidem

Referências

Documentos relacionados

Com o intuito de aperfeic¸oar a realizac¸˜ao da pesquisa O/D, o objetivo do presente trabalho ´e criar um aplicativo para que os usu´arios do transporte p´ublico informem sua origem

Percebe-se que os informes financeiros Disponível, Controle de contas a receber e Controle de contas a pagar são disponibilizados a 100% dos gestores. No entanto, todos

Após a colheita, normalmente é necessário aguar- dar alguns dias, cerca de 10 a 15 dias dependendo da cultivar e das condições meteorológicas, para que a pele dos tubérculos continue

The purpose of this work was: (1) to model fluid flow in a tubular continuous processing system by application of the RTD Danckwerts analysis, (2) to assess

Esta definição poderá servir-nos aqui de ponto de partida para algumas reflexões liminares, em que não pretendo mais do que dar um contributo para a busca

Without the World Health Organization’s emphasis on global action, support to local activism, and priority to the social and political dimensions of AIDS, Brazilian activism

Pretende-se igualmente que esta metodologia sirva para auxiliar a avaliação da qualidade do Projecto e em que medida as técnicas propostas se integram nos objectivos de

 Interpretar fisicamente e efetuar cálculos envolvendo as grandezas físicas de comprimento, superfície, volume, densidade (linear, superficial e volumétrica), vazão,