Atualização e Prica
Direitos da Diversidade
Sexual e de Gênero
(Aspectos sobre identidade e
intersexos)
Sexo
O sexo biológico de um ser humano é
definido
pela
combinação
dos
seus
cromossomos com a sua genitália. Em um
primeiro momento, isso infere se você
nasceu macho, fêmea ou intersexual.
No caso dos intersexuais, a mudança se
caracteriza pela indeterminação do sexo
biológico, se pensado no binarismo “macho”
Orientação Sexual
• A orientação sexual, e não opção sexual, diz respeito à inclinação da pessoa no sentido afetivo, amoroso e sexual. Ou seja, ela sente atração por qual gênero/sexo?
Confira algumas orientações sexuais abaixo e lembre-se:
• Homossexuais: é a atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo gênero/sexo.
• Heterossexuais: é a atração e sexual por pessoas do gênero/sexo oposto.
• Bissexuais: seria a atração afetiva e sexual por qualquer pessoa do binarismo de gênero: “homens” ou “mulheres”.
• Assexuais: a assexualidade diz respeito às pessoas que não sentem atração por nenhum gênero. Mas vale ressaltar que ainda é uma “sexualidade” em construção.
Identidade de Gênero
Cisgênero - pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi determinado quando de seu nascimento.
Transgênero – abrange o grupo diversificado de pessoas que não se identificam, em graus diferentes, com comportamentos e/ou papéis esperados do gênero que lhes foi determinado quando de seu nascimento.
Homem transexual/transgênero - Pessoa que reivindica o reconhecimento social e legal como homem.
Mulher transexual/ transgênero - Pessoa que reivindica o reconhecimento social e legal como mulher.
Obs. transexual - sente que sua anatomia não corresponde à sua identidade e tem um forte desejo de modificar o corpo, através da terapia hormonal e da cirurgia de redesignação sexual;
Travesti – Pessoa que vivencia papéis de gênero feminino. Via de regra, deve-se referir a elas no feminino, o artigo “a” é a forma respeitosa de tratamento.
Obs. Travesti é uma pessoa que não se identifica com o gênero biológico e se veste e se comporta como pessoas de outro sexo.
INTERSEXO – ANALISE CONCEITUAL
Termo utilizado para um grupo de variações congenitais de anatomia sexual ou reprodutiva que não se encaixam perfeitamente nas definições tradicionais de “sexo masculino” ou “sexo feminino”.
• Por exemplo, uma pessoa pode nascer com uma genitália que aparenta estar entre o que é usualmente considerado um pênis e uma vagina. Ou a pessoa pode ter nascido com um mosaico genético, onde parte das células possui cromossomo XX e outra parte possui cromossomo XY.
• Enquanto normalmente se fala de intersexualidade como uma condição congênita (que está presente desde o nascimento), a anatomia intersexo nem sempre está presente ou visível no nascimento. Algumas vezes, a pessoa só descobre que pode se considerar intersexo durante a puberdade, ou quando descobre que é infértil durante a vida adulta, ou quando morre e é feita uma autópsia. Algumas pessoas vivem e morrem com uma anatomia que seria considerada intersexo sem que ninguém saiba (incluindo elas mesmas).
• Intersexualidade é uma categoria socialmente construída que reflete uma variação biológica
real, assim como a definição de “sexo masculino” ou de “sexo feminino”. Para explicar isso melhor, podemos ver o espectro sexual como o espectro de cores. Não há dúvida que na natureza existem ondas eletromagnéticas que traduzem em cores que a maioria de nós vemos como vermelho, azul, verde, etc. Mas a decisão de distinguir e categorizar, por exemplo, laranja e vermelho-laranja, somente é feita quando necessitamos ou queremos, por exemplo, quando queremos um certo tom de cor.
• Do mesmo jeito, a natureza nos apresenta espectros sexuais. Seios, pênis, clitoris, gônadas, vagina – todos esses órgãos variam em tamanho, formato e morfologia. Até mesmo os “cromossomos sexuais” podem variar consideravelmente. Mas na cultura humana, categorias sexuais são simplificadas em “macho”, “fêmea”, e algumas vezes “intersexo”, para simplificar interações sociais, expressar o que nós sabemos e sentimos e manter uma ordem.
• A natureza não decide onde a categoria “macho” acaba e onde começa a categoria “intersexo”, onde a categoria “intersexo” acaba e onde a categoria “fêmea” começa. Pessoas decidem, através da designação de gênero ao nascimento. Pessoas (hoje, tipicamente da área da medicina) decidem o quão pequeno o pênis tem que ser, ou o quão incomum uma combinação de partes tem que ser, para alguém contar como intersexo. Pessoas que decidem se uma pessoa com cromossomo XXY ou XY e insensibilidade a andrógenos conta como intersexo.
INTERSEXOS - HISTÓRICO
• Os conceitos de hermafroditismo e intersexualidade encontram-se entrelaçados historicamente, funcionando em algumas civilizações como conceitos similares, ou o hermafroditismo sendo percebido como uma subcategoria da intersexualidade. A palavra hermafrodita, segundo Fausto-Sterling (2000) surgiu na Grécia, relacionada a um mito que descreve a vida de hermaphroditos. Hermes (o filho de Zeus) e Afrodite (deusa da beleza e do amor sexual) tiveram um filho muito belo e uma ninfa apaixonou-se por ele, mas não sendo correspondida pediu aos deuses para que eles se tornassem um só, e assim foi feito, tornaram-se um só corpo.
• Na segunda metade do século XIX emerge a noção de intersexualidade como sinônimo de hermafrodita, embasada ainda na orientação sexual. Foucault (2001) destaca que o hermafrodita era considerado como um tipo de monstro, visto como imperfeição da natureza ou moralmente deturpado.
• Na sociedade ocidental, a partir do século XX, a
intersexualidade sai do campo moral para inserir-se
nas más-formações, os intersexuais passam a ser
percebidos como seres portadores de anomalias do
desenvolvimento sexual (ADS). Nesta perspectiva a
intersexualidade,
segundo
Sutter
(1993),
se
fundamenta na existência de desequilíbrio entre os
fatores responsáveis pela determinação do sexo, o
indivíduo possui caracteres tanto masculinos
quanto femininos, ou seja, quando há conflito
entre os caracteres do sexo confirma-se o quadro
de intersexo.
• As instituições família e saúde parecem sustentar a
visão do intersexo como doença e não como
identidade,
havendo
algumas,
mas
ainda
incipientes conquistas relativas ao direito à saúde
da criança intersexual.
• Este é o caso da ISNA (Intersex Society of North
America. Associação fundada em 1993). Tem como
missão acabar com a vergonha, segredo e a cirurgia
genital não desejada em pessoas intersexuais,
considera que a questão principal em relação à
intersexualidade é a discriminação e estigma social.
• A vertente propagada pelos membros da ISNA e por alguns cientistas sociais sugere que a intersexualidade é uma condição diferente e especial, mas não uma doença que precisa ser controlada e combatida, devendo ser compreendido em sua complexidade cultural. Assim, diante das diferentes perspectivas sobre este fenômeno, percebe-se que a construção da identidade intersexual é influenciada pelos sistemas de crenças disseminados pela família, cultura médica e sociedade como todo. Esses atores negociam saberes e questionamentos sobre o fenômeno da intersexualidade. Este diálogo tanto constrói como reproduz significados sobre gênero, corpo e identidade. A elaboração de saberes sobre a identidade do intersexual ultrapassa o campo das especialidades médicas e envolve conceitos e teorias pertinentes ao campo das ciências humanas e sociais. As publicações do campo científico tanto retratam os saberes e poderes hegemônicos como constroem condutas e formas de pensar um fenômeno. A elaboração de conhecimentos científicos possui no cerne da sua existência o compromisso com a humanidade. Seja na perspectiva da intersexualidade como doença ou na perspectiva que como intersexualidade diferença, torna-se fundamental conhecer a dinâmica da construção da identidade nos intersexuais, além de tornar público este valioso conhecimento através das publicações. Estas últimas podem fornecer um respaldo teórico que orientará práticas de saúde que priorizem o sujeito como um todo.
Visão da Medicina
• O termo distúrbio de desenvolvimento sexual é associado a uma pessoa que nasce com genitais diferentes dos genitais normais, isto é, com uma genitália atípica. Existe uma incongruência entre sexo cromossômico, as gônadas [termo que define a estrutura que pode se transformar em testículo ou ovário, e que médicos usam quando ainda não há diagnóstico definido da criança] e a genitália interna ou externa.
• Intersexualidade e genitália ambígua [atualmente denominada genitália atípica] eram termos que incomodavam os pacientes. Chegou-se a esse nome, que também não é um termo bom, e também não agrada os pacientes. Os termos “distúrbio”, “anomalia”, “desordem” não impactam bem porque sempre podem dar ideia de que tem uma coisa errada. O termo “distúrbio do desenvolvimento sexual” é utilizado na linguagem médica.
• Esta circunstância, reconhecida como recorrente quando da identificação do distúrbio de desenvolvimento sexual (DDS) do neonato.
Conselho Federal de Medicina editou a
Resolução nº 1.664, de 2003
• Conselho Federal de Medicina editou a Resolução nº 1.664, de 2003, que “define as normas técnicas necessárias para o tratamento de pacientes portadores de anomalias de diferenciação sexual”.
• O art. 1º da Resolução estabelece que “são consideradas anomalias da diferenciação sexual as situações clínicas conhecidas no meio médico como genitália ambígua, ambiguidade genital, intersexo, hermafroditismo verdadeiro, pseudo-hermafroditismo (masculino ou feminino), disgenesia gonadal e sexo reverso, entre outras”.
• Art. 2º dispõe que “pacientes com anomalia de diferenciação sexual devem ter assegurada uma conduta de investigação precoce com vistas a uma definição adequada do gênero e tratamento em tempo hábil”. • Art. 4º, “para a definição final e adoção do sexo dos pacientes com
anomalias de diferenciação faz-se obrigatória a existência de uma equipe multidisciplinar que assegure conhecimentos nas seguintes áreas: clínica geral e/ou pediátrica, endocrinologia, endocrinologiapediátrica, cirurgia, genética, psiquiatria e psiquiatria infantil”, podendo outros profissionais serem convocados para atendimento dos casos.
Visão da Psicologia
• A noção de pessoa e identidade tanto influencia
como é influenciada pela interação cultural.
Partindo do pressuposto que o self se configura na
experiência do ser-no -mundo, ou seja, do ser em
relação ao outro, ao contexto sócio- histórico,
torna-se fundamental compreender de que forma a
sociedade e seus sistemas proporcionam a
emergência ou dissolução de identidades. Esta
articulação possibilita ampliar a compreensão da
complexidade do processo de identidade/ self,
incluído a cultura, sua rede de significados e as
relações de poder.
• No caso dos intersexuais, a medicina representada por
suas terapias e manejos clínicos, interfere diretamente
na construção da identidade de gênero desse grupo.
Morland (2008) analisa dois modelos de decisão
médica criticando ambos. Um modelo foca a
interioridade e acredita que a melhor conduta deveria
priorizar
os
sentimentos
e
necessidades
dos
intersexuais sem levar em conta os aspectos e
limitações orgânicas, o segundo modelo se baseia
apenas no foco da aparência dos genitais, sem levar em
conta os desejos e expectativas destes sujeitos. Este
autor afirma que as cirurgias não são apenas
cosméticas, pois atingem toda a percepção de corpo e
a construção da identidade do sujeito intersexual.
Visão da Sociologia
• Ciências sociais envolveram o campo da sociologia
e arqueologia. O artigo de Arqueologia de Geller
(2008) concebe a Identidade na interseção com
sexualidade, etnia, idade e gênero, destacando que
indicadores de sexo são mutáveis. O interesse deste
autor é incluir uma visão mais ampla de identidade
na prática da arqueologia, favorecendo um olhar
sobre o intersexual que perceba o corpo como uma
concepção cultural e uma realidade vivida
• identidade intersexual é vista relacionada ao ativismo
político em que são articuladas idéias e demandas
próprias a este grupo. A identidade do intersexual é
construída na intersecção entre discursos, saberes e
poderes dominantes. Na sociedade ocidental atual o
campo científico em especial a biomedicina se tornam
os
principais
exemplos
de saberes
e
poderes
hegemônicos. Esta reflexão converge com Laclau (1990
apud HALL, 2000) que argumenta que a constituição de
uma identidade social é um ato de poder, uma vez que,
uma identidade se afirma em repressão a aquilo que a
ameaça.
• A identidade sexual é um dos elementos
constitutivos
da
identidade
humana
e
se
representa,
na
sociedade
brasileira,
pela
designação do indivíduo como pertencente a um
dos sexos: feminino ou masculino. O sexo indica o
conjunto de características biopsicossociais que
distinguem o macho da fêmea. Atualmente,
entende-se que a formação da identidade sexual de
um indivíduo é determinada por uma série de
eventos concatenados, entre os quais estão tanto
elementos biológicos quanto psicossociais
Intersexualidade e direito à identidade: uma discussão sobre o
assentamento
civil
de
crianças
intersexuadas
• Na defesa dos Direitos Humanos da criança com intersexo,
destacam-se, sobretudo, dois componentes: o direito à
saúde e o direito à identidade. Estes constituem eixos
prioritários para o exercício da dignidade da criança, em
virtude
da
sua
condição
peculiar
de
pessoa
em
desenvolvimento.
(Declaração
Universal
dos
Direitos
Humanos e Convenção Internacional dos Direitos da
Criança).
• A definição da identidade sexual do ser humano inclui a
integração de um terceiro elemento, além do biológico e do
psicossocial, que é o de natureza civil ou legal. Este último,
designado por ocasião do Assentamento de Nascimento da
criança, baseado eminentemente no aspecto morfológico
dos seus genitais externos, consiste na determinação do
sexo em razão da vida civil de cada pessoa, em suas relações
na sociedade, e traz consigo inúmeras implicações jurídicas
• A legislação brasileira vigente é omissa acerca da
situação específica da intersexualidade. A disciplina
do Registro Civil de Pessoas Naturais (Lei
6.015
/73)
determina o assentamento em prazo de 15 dias
após o nascimento da criança exigindo, para tanto,
a indicação do seu nome e sexo. Nestes termos, a
lei especial impõe aos familiares da criança com
intersexo uma determinação legal de remoto
cumprimento no prazo de duas semanas
• A lei especifica, ainda, os obrigados a fazer a
declaração de nascimento (art. 52), inclusive
estendendo a obrigatoriedade do registro daquelas
crianças nascidas mortas ou que vieram a óbito na
ocasião do parto (art. 53). No que diz respeito ao
conteúdo do assento de nascimento, estabelece
a
LRP
o dever de conter o sexo do registrando e o
nome e prenome que forem postos à criança,
dentre outros elementos (art. 54).
• Optar pelo registro imediato do neonato, corre-se o risco de se
incidir na necessidade de uma posterior Ação de Retificação do
Registro Civil, a fim de corrigir o nome e o sexo civil, que não
correspondem ao sexo definido após os procedimentos médicos,
uma vez que a
LRP
não prevê qualquer hipótese especial de
retificação do prenome em virtude do estado intersexual, ou
qualquer tipo de procedimento mais célere nestes casos.
• Desta forma, o único meio para a retificação do registro, nestes
casos, é a via judicial, segundo os preceitos da própria
Lei
6.015
/73:
• “Art. 57. A alteração posterior de nome, somente por exceção e
motivadamente, após audiência do Ministério Público, será
permitida por sentença do juiz a que estiver sujeito o registro,
arquivando-se o mandado e publicando-se a alteração pela
imprensa, ressalvada a hipótese do art. 110 desta Lei.”
• o interessado na retificação deve requerer, em
petição fundamentada e instruída com documentos
e/ou com indicação de testemunhas, que o juiz a
ordene, ouvido o órgão do Ministério Público e os
interessados, no prazo de cinco dias (art. 109).
Entretanto, seja em virtude do volume de
processos que o Magistrado precisa despachar, ou
ainda em razão do volume de ações nas quais o
Promotor de Justiça precisa emitir seu parecer,
dentre outras razões, na prática, é notório que o
tempo requerido para a resolução de uma
demanda judicial é extenso.
• A
Lei de Registros Publicos
, o posicionamento
majoritário dos entrevistados foi no sentido de que
tal diploma, nos termos em que se encontra
atualmente, não cumpre com o papel de tutela e
resguarda do direito à identidade das crianças
intersexuadas, fazendo-se necessário repensar a
ordem normativa vigente a fim de que se possa
garantir e atingir a sua plena dignidade. Em
verdade, muito foi dito a respeito do caráter
excludente da atual legislação em relação a este
segmento social.
Alternativas:
• Uma solução provisória adotada pelo “já adotada no
Brasil por um magistrado” que diante da situação das
crianças com genitália ambígua, durante o tempo em
que esteve atuando na Vara de Registros Públicos, foi a
escolha de um Cartório específico na região para o
recebimento dos casos de Registros Civil dessas
crianças. Dentre os servidores do Cartório foi
selecionado um, no qual confiava, que ficava
encarregado
de
tais
Registros,
tendo
sido-lhe
determinado que deixasse o campo do sexo em branco,
ou adotasse o escolhido pelos pais, para que, quando
fosse informado do diagnóstico final proferido pela
equipe médica, ele mandasse retificar diretamente no
Cartório, sem a necessidade do trâmite de uma Ação de
Retificação de Registro.
• 1) Aceitar um Registro provisório da criança, com o
seu prenome preenchido como RECÉM NASCIDO e
o seu sexo em branco, até que se tenha a definição
final do sexo e do nome; 2) Criar um sistema de
prioridade para as Ações de Retificação de Registro
Civil oriundas de crianças com intersexo; 3)
Estabelecer
de
um
terceiro
gênero
no
Assentamento Civil de Nascimento, para os casos
de indivíduos intersexuados.
PL 5255/2016 - registro civil do recém-nascido sob o
estado de intersexo
.
• Acrescenta § 4º ao art. 54 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que “dispõe sobre os registros públicos, e dá outras providências”. a fim de disciplinar o registro civil do recém-nascido sob o estado de intersexo.
• O Congresso Nacional decreta: Art. 1º Esta lei acrescenta § 4º ao art. 54 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que “dispõe sobre os registros públicos, e dá outras providências”, a fim de disciplinar o registro civil do recém-nascido sob o estado de intersexo. Art. 2º O art. 54 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, passa a vigorar acrescido do seguinte § 4º: “Art. 54. ...
... § 4º O sexo do recém-nascido será registrado como indefinido ou intersexo quando, mediante laudo elaborado por equipe multidisciplinar, for atestado que as características físicas, hormonais e genéticas não permitem, até o momento do registro, a definição do sexo do registrando como masculino ou feminino.” (NR) Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
DECISÃO DO ACRE – CASO DE CRIANÇA INTERSEXO
• Uma decisão pioneira e inédita no Acre repercutiu em todo o País. A Justiça determinou, após liminar requerida pela OAB-AC, a alteração do nome de uma criança de três anos, que nasceu com os dois sexos, na certidão de nascimento. A mãe só descobriu a ambiguidade sexual dias depois do registro do recém-nascido. Assim, a criança sempre foi chamada pelo nome feminino, além de usar cabelo comprido e roupas de menina.
• No entanto, em agosto do ano passado, a mãe conseguiu realizar um exame cariótipo, que analisa a quantidade e a estrutura dos cromossomos em uma célula, e o resultado apontou que a criança é geneticamente um menino. No processo judicial impetrado pela OAB-AC foi pedida e concedida liminar. Agora, além de mudar o nome na certidão de nascimento, a criança, registrada como menina, também vai ter o sexo alterado para masculino no documento.
• Segundo o presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB do Acre, Charles Brasil, responsável pela ação, “a decisão é importante ao proporcionar dignidade a essa criança, e também por ser a primeira vez em que uma criança intersexo tem a mudança do nome e sexo garantido por um juiz de primeiro grau no País”.
• Sobre o impacto dessa decisão no Poder Judiciário, o advogado afirma que cada caso tem que ser analisado dentro de suas peculiaridades. No fato específico, o ineditismo do caso que chegou até a Justiça se configura por se tratar de alteração do nome e sexo de uma criança de três anos de idade, com suas identidades em plena formação, possuidora das características intersexo, o que ganhou destaque.
• “A decisão pode auxiliar outras famílias que estão na mesma condição, pois os fundamentos jurídicos da decisão podem servir de parâmetros para as ações judiciais e o convencimento do juízo. Não podemos dizer que temos uma jurisprudência, pois para isso requer outras decisões. Mas podemos afirmar que essa primeira decisão pode impulsionar outras decisões judiciais. O importante são as famílias procurarem um bom profissional do direito e demandar uma petição no judiciário. Quando o poder judiciário é demandado ele tem o dever de responder o jurisdicionado”, afirma.
• Explicando um pouco melhor o processo, no qual ele acompanhou de perto, Charles Brasil diz que levou a criança para alguns atendimentos com profissionais da saúde, como uma médica geneticista, assistente social e uma psicóloga. Cada profissional emitiu relatório sobre a condição econômica, social e biológica da criança, e todos laudos foram anexados nos autos.
• De acordo com Charles, os laudos não afirmam a identidade de gênero da criança (diretamente), pois essa está em formação, mas apresentam os aspectos sociais e as formas em que a criança se relaciona com o mundo. E se caso, ao crescer, ela se reconhecer como menina, o advogado é enfático. “A lei de registros públicos garante a mudança do nome no cartório de registro público ao interessado no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil. Portanto, entre os dezoito e até os dezenove anos ela pode requerer administrativamente a mudança”, explica.
Alemanha – 08/11/2017
Decisão argumenta que cidadãos têm o direito de inscrever
seu gênero de forma "positiva" em documentos. Desde
2013, pais têm direito a declarar sexo de recém-nascidos
como "indefinido".
O Tribunal Constitucional da Alemanha solicitou nesta
quarta-feira ao governo que permita na certidão de
nascimento o registro de pessoas com um terceiro sexo
-seja como "intersexual" ou "diverso" -, além de feminino e
masculino.
A
sentença
argumenta,
baseando-se
no
direito
constitucional à proteção da personalidade, que as pessoas
que não são nem homens nem mulheres têm direito a
inscrever sua identidade de gênero de forma "positiva" na
certidão de nascimento.
Australia – 07/12/2016
• Uma
criança
australiana
de
cinco
anos,
denominada menino na hora do nascimento,
crescerá como mulher após a Justiça autorizar a
cirurgia de redesignação sexual.
• A Vara de Família, tribunal nacional, aprovou um
pedido dos
pais da criança para remover
cirurgicamente seus testículos. Conhecida como
“Carla”, a criança se identifica como menina, apesar
de não ter órgãos reprodutivos do sexo feminino.
NÃO SOU UMA ANOMALIA
EU EXISTO
INTERSEXOS EXISTEM E RESISTEM
• Chamo a sociedade brasileira a ouvir o outro lado da moeda e nos auxiliar e apoiar na militância intersexo e em nossas reivindicações, que são:
• PAREM COM AS MUTILAÇÕES GENITAIS INTERSEXO que são feitas ainda em bebês e crianças • Alteração da lei de registros públicos 6015/73 com a inclusão de artigos com especificidades
para o nascimento de pessoas intersexo
• Exclusão ou modificação da resolução 1664/2003 do CFM que trata das práticas médicas para pessoas intersexo inclusive orientando para a correção cosmética
• Inserção na questão jurídica civil de dano continuado a pessoas intersexos
• Adequação do código civil brasileiro com itens referentes a identidade de gênero
• Inclusão de comissão ou representante permanente na secretaria nacional e nas secretarias estaduais e municipais de direitos humanos.
• Inclusão do intersexo na lei João Nery, ou criação de leis específicas
• Regulamentação do SUS e preparo permanente dos profissionais de saúde para o tratamento de pessoas intersexo em hospitais de grande e médio porte.
• Precisamos criar uma nova sociedade mais aberta à pluralidade dos corpos. Como possibilitar a transformação do olhar social sobre o corpo intersexo, se não permitirmos que eles existam? Permitir essa pluralidade é urgente e provocativa do diálogo.
Dados Bibliográficos
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• BUTLER, J. Bodies that matter: On the discursive limits of "sex". New York: Routledge, 95, 1993. • CHADWICK,P.M, LIAO, L.M. ;. BOYLE,M.E. Size Matters: Experiences of Atypical Genital and
Sexual Development in Males. Journal of Health Psychology, v.10, n.4 , 2005.
• CORNWALL,S. The Kenosis of Unambiguous Sex in the Body of Christ: Intersex, Theology and Existing `for the Other'. Theology Sexuality, v.14, 2008. DE BRUYNE, P.; HERMAN, J.; SCHOUTHEETE, M. Dinâmica da Pesquisa em ciências sociais. Os pólos de práticas metodológicas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.
• DOYLE, J. AND ROEN, K. Surgery and Embodiment: Carving Out Subjects, Body Society, v.14, n.1, 2008.
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• SUTTER, M.J. Determinação e Mudança de Sexo: aspectos médico-legais, São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1993. TURNER, S.S. INTERSEX IDENTITIES: Locating New Intersections of Sex and Gender. Gender & Society,v.13, 1999.
• SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES Educação, Saúde, Movimentos Sociais, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos 20 a 31 de Julho de 2009 Salvador - BA