UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC
P´
os-graduac
¸˜
ao em Matem´
atica Aplicada
Mestrado em Matem´
atica Aplicada
Elisiane Brasil Cust´
odio
Crescimento de Matrinx˜
a e Tambaqui: Modelos
Fuzzy
Santo Andr´e - SP 2013
Universidade Federal do ABC
Centro de Matem´atica, Computac¸˜ao e Cognic¸˜ao
Crescimento de Matrinx˜
a e Tambaqui: Modelos
Fuzzy
Elisiane Brasil Cust´odio
Orientador: Prof. Dr. Rodney Carlos Bassanezi
Disserta¸c˜ao apresentada junto ao Centro de Ma-tem´atica, Computa¸c˜ao e Cogni¸c˜ao da Universi-dade Federal do ABC, para obten¸c˜ao do T´ıtulo de Mestre em Matem´atica Aplicada.
Santo Andr´e - SP 2013
Este exemplar foi revisado e alterado em rela¸c˜ao `a vers˜ao original, de acordo com as observa¸c˜oes levantadas pela banca no dia da defesa, sob responsabilidade ´unica do autor e com a anuˆencia de seu orientador. Santo Andr´e, de de 20 .
Assinatura do autor: Assinatura do orientador:
`
A minha familia pelo apoio. `
Agradecimentos
Ao Prof. Rodney por ter me orientado
A todos os meus colegas de mestrado que me ajudaram muito durante todo esse periodo. Aos professores do curso de p´os-gradua¸c˜ao.
Aos meus pais, Joaqui A. Cust´odio e Maria Rosa B. Cust´odio , pelo apoio, incentivo e carinho.
`
A UFABC o apoio financeiro concedido durante todo o per´ıodo de mestrado e pela estru-tura que oferece aos estudantes e pesquisadores.
A todos que de alguma forma contribu´ıram com o meu progresso como aluna e como Ser.
Resumo
Neste trabalho foi estudado a dinˆamica populacional de duas esp´ecies de peixes que s˜ao encontrados na bacia amazˆonica e que possuem importˆancia econˆomica para a regi˜ao. Para fazer esse estudo utilizou-se o Principio de Alometria e o Modelo de von Berta-lanffy Generalizado e para uma maior precis˜ao utilizou-se a teoria dos conjuntos fuzzy e o Principio de Extens˜ao de Zadeh. Pois muitas vezes os dados resultantes da medi¸c˜ao e pesagem dos animais n˜ao possui muita precis˜ao. A teoria fuzzy consegue englobar essas imprecis˜oes ao modelo, j´a que foram consideradas imprecis˜oes na condi¸c˜ao inicial e no coeficiente alom´etrico.
Palavras-Chave
Crescimento de peixes; Modelo de von Bertalanffy Generalizado; Modelos Fuzzy; Princ´ıpio de Exten¸c˜ao de Zadeh
9
Abstract
This study investigated population dynamics of two species of fish that are encounte-red in the Amazon basin and have economic importance to the region. To do this study we used the Principle of Allometry and Model Generalized von Bertalanffy and greater precision used the theory of fuzzy sets and Zadeh Extension Principle. Because often the data from the measurement and weighing of animals not has very accurately. Fuzzy theory can encompass these inaccuracies to the model, were considered as inaccuracies in the initial condition and the allometric coefficient.
Keywords
Sum´
ario
1 Resultados Preliminares 13
1.1 Alometria . . . 13
1.2 Modelo de von Bertalanffy Cl´assico . . . 14
1.3 An´alise do modelo de von Bertalanffy . . . 15
2 Modelo de von Bertalanffy Generalizado 19 2.1 Solu¸c˜ao do Modelo . . . 19
2.2 Pontos de Equil´ıbrio . . . 20
2.2.1 Ponto de Inflex˜ao . . . 20
2.2.2 Estima¸c˜ao da Constante de Anabolismo . . . 21
2.2.3 Estima¸c˜ao do Parˆametro de Alometria . . . 22
2.3 Modelo Log´ıstico Generalizado . . . 22
2.3.1 An´alise da taxa de varia¸c˜ao . . . 23
3 Dinˆamica Fuzzy 24 3.1 Conceitos e defini¸c˜oes . . . 24
3.2 Solu¸c˜ao fuzzy do Modelo de von Bertalanffy Generalizado . . . 30
4 Modelagem Fuzzy para o Crescimento de Peixes 32 4.1 Alometria do Matrinx˜a . . . 33
4.2 Alometria do Tambaqui . . . 36
4.3 Modelo generalizado de von Bertalanffy com condi¸c˜ao inicial fuzzy . . . 38
4.4 Modelo com Parˆametro de Alometria Fuzzy . . . 39
5 Ponto de Inflex˜ao Fuzzy 42 5.1 Ponto de Inflex˜ao com Condi¸c˜ao inicial fuzzy . . . 43
5.2 Ponto de Inflex˜ao com Parˆamentro de Alometria Fuzzy . . . 45
6 Conclus˜oes 48
Bibliografia 49
Lista de Figuras
1.1 Curva de von Bertanffy para crecimento em peso de peixes . . . 18
1.2 Curva de von Bertanffy para crecimento em comprimento de peixes . . . . 18
3.1 Extens˜ao de Zadeh . . . 29
4.1 Tambaqui . . . 32
4.2 Matrinx˜a . . . 33
4.3 ˆb matrinx˜a . . . 35
4.4 Alometria com parˆametro fuzzy Matrinx˜a , ˆb = [2, 95; 3, 1; 3, 15] . . . 35
4.5 Alometria peso x comprimento do Tambaqui com parˆametro fuzzy, ˆb = [2, 85; 2, 91; 2, 95] . . . 36
4.6 Modelo de von Bertalanffy Generalizado com condi¸c˜ao inicial fuzzy do Ma-trinx˜a ˆp0 = [0 ; 0, 6] . . . 38
4.7 Modelo de von Bertalanffy Generalizado com condi¸c˜ao inicial fuzzy do Tam-baqui ˆp0 ∈ F(R) . . . 39
4.8 Modelo de von Bertalanffy Generalizado do Matrinx˜a com γ fuzzy . . . . 40
4.9 Modelo de von Bertalanffy Generalizado do Tambaqui com γ fuzzy . . . . 41
5.1 Tempo de inflex˜ao para o matrinx˜a com ˆp0=[0 ; 0,6] . . . 45
5.2 Representa¸c˜ao do n´umero fuzzy ˆp0 = [0 ; 1] . . . 45
5.3 Tempo de inflex˜ao para o tambaqui com − ˆp0=[0 ; 1] . . . 46
5.4 Regi˜ao de pontos de inflex˜ao para o matrinx˜a com parˆametro de alometria ˆ λ = [2, 95; 3, 1; 3, 15] . . . 46
5.5 Regi˜ao de pontos de inflex˜ao para o tambaqui com parˆametro de alometria ˆ λ = [2, 85; 2, 91; 2, 95] . . . 47
Introdu¸
c˜
ao
Nas ´ultimas d´ecadas a Biomatem´atica vem tendo um desenvolvimento fortemente en-corajado pelo aparecimento de novas teorias matem´aticas (Teoria do Caos e as bifurca¸c˜oes, Teoria Fuzzy, Espa¸cos de Aspectos, etc. ) e t´ecnicas derivadas de recursos computacionais. Recentemente, o surgimento de novos paradigmas, cada vez mais desvinculados dos tradi-cionais, pressupostos pelo reducionismo, propiciam modelos mesosc´opicos mais realistas, capazes de simular, prever e influir nos fenˆomenos biol´ogicos tais como: dinˆamica de redes filamentares, difus˜ao de insetos e poluentes, redes neuronais, agrega¸c˜ao celular,padr˜oes de forma¸c˜ao em geral, controle de pragas etc. [4]
Neste projeto, analisamos o desenvolvimento de alguns peixes da bacia amazˆonica. Os modelos populacionais ou de alometrias de peixes s˜ao quase sempre formulados por meio de sistemas variacionais determin´ısticos que consideram seus parˆametros, como valores m´edios ou ajustados com dados imprecisos, obtidos ou da contagem de an´eis de escamas ou da calcifica¸c˜ao de ferr˜oes, no caso dos bagres. S˜ao “modelos exatos ” que invariavelmente n˜ao condizem com a realidade. Ter modelos mais confi´aveis passou a ser a preocupa¸c˜ao dos pesquisadores, principalmente para se ter controle de estoques e evitar sobre pesca.
A ferramenta matem´atica que usamos em nossos modelos s˜ao os sistemas variacionais fuzzy que podem comportar v´arios tipos de subjetividades (fuzziness), dependendo da escolha da vari´avel de estado e dos parˆametros. No caso de se estudar a dinˆamica de uma popula¸c˜ao, muitas vezes as informa¸c˜oes que temos sobre os parˆametros e vari´aveis s˜ao parciais ou n˜ao temos certeza, nem mesmo, das condi¸c˜oes iniciais. Nessa disserta¸c˜ao n˜ao privilegiamos a imprecis˜ao em detrimento da exatid˜ao fornecida pela matem´atica cl´assica, simplesmente queremos utilizar ferramentas alternativas para modelar o crescimento de peixes, quando os dados amostrais s˜ao parciais ou imprecisos. Em nosso caso espec´ıfico, ´e muito dif´ıcil ter informa¸c˜oes de dados alom´etricos como comprimento e peso relacionados com a idade dos peixes.
Usaremos equa¸c˜oes determin´ısticas do tipo de von Bertalanffy, onde se contempla o metabolismo e anabolismo para a an´alise do crescimento em peso dos peixes, como equa¸c˜oes determin´ısticas associadas aos sistemas fuzzy com parˆametros e condi¸c˜oes iniciais incertas.
Uma estimativa fuzzy de alguns parˆametros ser´a obtida, considerando-se conjecturas do tipo: “ O crescimento m´aximo (ponto de inflex˜ao da curva) se d´a em torno do instante em que o animal tem suas gˆonadas amadurecidas”.
Os dados utilizados foram fornecidos por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas, que est˜ao muito interessados nos poss´ıveis modelos, originados de dados par-ciais ou mesmo subjetivos, que utiliza conceitos novos provenientes da l´ogica fuzzy.
Este trabalho est´a estruturado em 5 cap´ıtulos como segue.
No primeiro cap´ıtulo, abordamos o Princ´ıpio de Alometria. Na se¸c˜ao 1.2 apresentamos o modelo de von Bertalanffy Cl´assico que foi proposto pelo bi´ologo austr´ıaco von Berta-lanffy em 1938 juntamente uma an´alise do modelo, tamb´em apresentamos as equa¸c˜oes de von Betalanffy que leva em considera¸c˜ao o anabolismo e o catabolismo do peixe .
No segundo cap´ıtulo apresentamos o Modelo de von Bertalanffy Generalizado que considera a taxa de alometria pr´opria de cada esp´ecie. Na se¸c˜ao 2.1 apresentamos a sua solu¸c˜ao. Al´em disso, exibimos as op¸c˜oes do algoritmo para a estimativa de α, β, γ e p∗. Na se¸c˜ao 2.2 mostramos o Modelo Log´ıstico Generalizado que quando os parˆametros assumem determinados valores o modelo descreve o modelo de von Bertalanffy.
Algumas defini¸c˜oes e resultados importantes da Teoria dos Conjuntos Fuzzy s˜ao dadas no cap´ıtulo 3. Al´em de algumas defini¸c˜oes, propriedades e opera¸c˜oes com conjuntos fuzzy s˜ao apresentados na se¸c˜ao 3.1. Na se¸c˜ao 3.2 apresentamos a extens˜ao do fluxo determin´ıstico e a solu¸c˜ao fuzzy do Modelo de von Bertalanffy Generalizado usando o princ´ıpio da extens˜ao de Zadeh .
No cap´ıtulo 4 apresentamos os gr´aficos de alometria para as duas esp´ecies e os gr´aficos do Modelo Generalizado de von Bertalanffy com a condi¸c˜ao inicial fuzzy e os gr´aficos em que o parˆametro de metabolismo γ ´e fuzzy.
J´a no cap´ıtulo 5 mostramos que existe um tempo de inflex˜ao fuzzy para modelos de crescimento inibido que ´e o caso do Modelo de von Bertalanffy. Tamb´em exibimos proposi¸c˜oes relacionadas ao ponto de inflex˜ao quando a condi¸c˜ao inicial ´e fuzzy e quando γ ´e fuzzyficado.
Cap´ıtulo 1
Resultados Preliminares
Neste cap´ıtulo abordamos o Princ´ıpio de Alometria que foi utilizado em nosso projeto bem como o modelo de von Bertalanffy.
Determinar a idade de um peixe nem sempre ´e poss´ıvel al´em de ser algo demorado, por isso para se analisar a dinˆamica dos peixes utiliza-se o princ´ıpio de alometria. O Princ´ıpio de Alometria afirma que para o mesmo indiv´ıduo a raz˜ao entre os crescimentos espec´ıficos (relativos) de seus ´org˜aos ´e constante . [3]
1.1
Alometria
Consideremos x(t) e y(t) sendo as medidas dos ´org˜aos ou partes distintas de um mesmo individuo num determinado instante t. Em linguagem matem´atica o Princ´ıpio de Alometria ´e representado pela seguinte equa¸c˜ao :
1 x dx dt = α 1 y dy dt (1.1)
onde x(t) e y(t) s˜ao positivos diferente de zero ; os valores de t s˜ao positivos e α ´e a taxa de proporcionalidade do crescimento relativo (coeficiente de alometria). Pela regra da cadeia a equa¸c˜ao acima pode ser escrita como uma equa¸c˜ao autˆonoma
dx dy = α
x
y (1.2)
resolvendo a equa¸c˜ao temos Z 1 xdx = α Z 1 ydy ⇒ ln x = α ln y + lnc com ln c constante e c > 0. Assim temos que
ln x = ln(cyα) ⇒ x = cyα (1.3)
1.2. MODELO DE VON BERTALANFFY CL ´ASSICO 15
1.2
Modelo de von Bertalanffy Cl´
assico
Em 1938 o bi´ologo austr´ıaco von Bertalanffy formulou um modelo o qual estabelece que “ o crescimento do peso do peixe ´e proporcional `a ´area de sua superf´ıcie externa (anabolismo) e o decaimento ´e proporcional `a energia consumida (catabolismo) que ´e proporcional ao peso”. [3]
dp
dt = αA − βp (1.4)
sendo que α representa a taxa de s´ıntese do peso por unidade de ´area do peixe (constante de anabolismo), β que representa a taxa de diminui¸c˜ao do peso por unidade de peso (constante de catabolismo), A representa a ´area da superf´ıcie externa e p representa o peso. Sendo assim, pelo Princ´ıpio da Alometria temos que:
• o peso ´e proporcional ao volume: p = k1v
• o volume ´e proporcional ao cubo do comprimento: v = k2l3
• a ´area ´e proporcional ao quadrado do comprimento: A = k3l2
Logo
A = kp23
justificando o termo 2
3, para o parˆametro de alometria, presente no Modelo de von Ber-talanffy Cl´assico para crescimento (em peso) que ´e descrito pelo seguinte PVI
dp dt = αp 2 3 − βp p(0) = p0 (1.5) onde p=p(t) ´e a massa do peixe em fun¸c˜ao do tempo t, p0 ´e a massa inicial, α ´e constante
de anabolismo e β ´e a constante de catabolismo. No final do cap´ıtulos propomos uma alometria mais flexivel que leva em considera¸c˜ao as particularidades de cada esp´ecie.
Note que a equa¸c˜ao diferencial que descreve o modelo ´e um equa¸c˜ao de Bernoulli com n = 23. Substituindo z = p13 vem dz dt = 1 3p −2 3dp dt = 1 3p −2 3 αp23 − βp = 1 3(α − βz) dz dt = 1 3(α − βz) ⇔ dz (α − βz) = 1 3dt Z dz (α − βz) = Z 1 3dt Z −1 β −βdz (α − βz) = 1 3t + c
16 CAP´ITULO 1. RESULTADOS PRELIMINARES −1 β ln(α − βz) = 1 3t + c ln(α − βz) = −β 3 t + c α − βz = c1e −β 3 t −βz = c2e −β 3 t− α
cuja solu¸c˜ao ´e dada por
z = α β + Ce
−βt 3
como z = p13 temos que p = z3. Assim,
p = α β + Ce −βt 3 3 (1.6) Quando t=0, o peso do peixe ser´a dado por um valor muito pequeno sendo assim podemos considerar p(0) ∼= 0 logo
α β + Ce −β03 3 = 0 α β + C = 0 ⇒ C = − α β substituindo o valor de C na equa¸c˜ao (1.6) temos
p = α β − α βe −βt3 3 = α β 3 1 − e−βt3 3 (1.7) Quando o tempo cresce p tende ao seu peso limite p∞=
α β
3
1.3
An´
alise do modelo de von Bertalanffy
Para entendermos um pouco mais do modelo iremos fazer um estudo da equa¸c˜ao diferencial do modelo.
Para analisar a taxa de varia¸c˜ao, igualamos a zero a equa¸c˜ao deferencial do PVI (1.5). Sendo assim temos:
αp23 − βp = 0 ⇔ p
αp−13 − β
= 0 (1.8)
O que implica que p=0 ou que αp−13 − β = 0, logo os pontos de equil´ıbrio s˜ao p=0 e
p = α β
3
1.3. AN ´ALISE DO MODELO DE VON BERTALANFFY 17 Para analisarmos a m´axima taxa de varia¸c˜ao usaremos a segunda derivada
d2p dt2 = 2 3αp −1 3 − β dp dt = 0 2 3αp −1 3 − β = 0 como dpdt > 0 dp dt = 0 ⇒ p = 8 27 α β 3 = 8 27p∞
Podemos concluir que os pontos de equil´ıbrios ocorrem quando p=0 ou quando t tende ao infinito. O ponto de crescimento m´aximo ou de inflex˜ao do modelo ocorre quando p(t) = 278 p∞.
Temos que o tempo de inflex˜ao t∗ ocorrer´a no instante t∗ = 3ln(3)
β
Usando o Princ´ıpio de Alometria podemos obter tamb´em um modelo para o cresci-mento em compricresci-mento do peixe. Consideremos l = l(t) o compricresci-mento de um peixe no instante t, a rela¸c˜ao alom´etrica entre peso e o comprimento ´e dada por
λ dp dt p = dl dt l ⇔ l(t) = b [p(t)] λ ou p(t) = k[l(t)]r com r = 1 λ De (1.5) temos que dpdt = αp23 − βp logo
λαp 2 3 − βp p = dl dt l dl dt = l αp−13 − βp λ
O valor que λ assume depende da esp´ecie considerada, variando com a forma do peixe. Para valores maiores que 13 o peixe ter´a uma forma ”aredondada”, para valores menores que 13 o peixe ser´a mais longil´ıneo.
Por simplicidade consideraremos λ = 13, de acordo com a alometria isom´etrica p = kl3
ou l = bp13.
Usando a express˜ao alom´etrica o modelo ser´a dado por: dl
dt = λ (bα − βl)
18 CAP´ITULO 1. RESULTADOS PRELIMINARES resolvendo esse PVI temos
dl dt = βλ bα β − b dl bα β − b = β λdt −ln bα β − b = βλt + C bα β − b = −Aeβλt usando a condi¸c˜ao inicial l(0) = l0 obtemos
l0 = bα β − Ae (−βλ)0 l0− bα β = −A A = bα β − l0 l(t) = bα β − bα β − l0 e−βλt Que possui como solu¸c˜ao
l(t) = bα β 1 − e βλt (1.10) quando l0 ' 0. Quando t → ∞ lim t→∞l(t) = limt→∞ bα β − bα β − l0 e−βλt = bα β bα
β corresponde ao comprimento m´aximo lmax e portanto
lmax = b(pmax) 1 3 A equa¸c˜ao l(t) = lmax 1 − eβλt (1.11) ´
e denominada equa¸c˜ao de von Bertalanffy para o crescimento em comprimento, de peixes. As equa¸c˜oes de von Bertalanffy (1.7) e (1.11) baseiam-se no processo inibit´orio dos crescimentos em peso e em comprimento. Tais modelos tem sido utilizados pelos bi´ologos. Entretanto se considerarmos que as formas das v´arias esp´ecies de peixes s˜ao bem variadas, podemos pensar num processo de alometria mais flex´ıvel A = kpγ com os parˆametros ajustados para cada esp´ecie e γ correspondendo ao parˆametro de alometria. Os gr´aficos das curvas de von Bertalanffy em rela¸c˜ao ao peso e comprimento est˜ao a seguir:
1.3. AN ´ALISE DO MODELO DE VON BERTALANFFY 19
Figura 1.1: Curva de von Bertanffy para crecimento em peso de peixes
Cap´ıtulo 2
Modelo de von Bertalanffy
Generalizado
Considerando a alometria dada pela equa¸c˜ao A = αpγ o modelo de von Bertalanffy toma a seguinte forma mais geral
dp dt = αp
γ− βp
p(0) = p0
(2.1) Sendo que p = p(t) ´e o peso do animal em fun¸c˜ao do tempo, p0 ´e a nossa condi¸c˜ao inicial,
α e β s˜ao as constantes de anabolismo e catabolismo, γ ´e o parˆametro alom´etrico tal que γ ∈ (0, 1). Se γ = 23 temos o modelo de von Bertalanffy Cl´assico.
2.1
Solu¸
c˜
ao do Modelo
Para resolver esse modelo basta fazer uma substitui¸c˜ao de vari´avel de tal modo que a equa¸c˜ao poder´a generaliz´a-los do tipo von Bertalanffy transformada numa equa¸c˜ao linear.
Considerando Z = p1−γ e fazendo as substitui¸c˜oes necess´arias em (2.1) temos : dZ
dt + β(1 − γ)Z = α(1 − γ) (2.2) Usando o fator integrante µ(t) = eR β(1−γ)dt = eR β(1−γ)t temos
eR β(1−γ)tdZ
dt + β(1 − γ)Ze
R β(1−γ)t
= α(1 − γ)eR β(1−γ)t, (2.3) cuja solu¸c˜ao ´e dada por
Z(t) = α β + Ce
−β(1−γ)t
(2.4) Substituindo Z por p1−γ , a equa¸c˜ao (2.4) ficar´a da seguinte maneira:
p(t) = α β + Ce −β(1−γ)t 1−γ1 (2.5) 20
2.2. PONTOS DE EQUIL´IBRIO 21
2.2
Pontos de Equil´ıbrio
Assim como em outros modelos temos que o peso limite ocorre quando o tempo tende ao infinito, isto ´e,
p∗ = lim
t→∞p(t)
Assim temos que
p∗ = lim t→∞ α β + Ce −β(1−γ)t 1−γ1 = α β 1−γ1 (2.6) usando a condi¸c˜ao inicial p(0) = p0 e p∗ temos
p(0) = α β + Ce −β(1−γ)0 1−γ1 = α β 1−γ1 1 + Cβ α 1−γ1 = p∗ 1 + Cβ α 1−γ1 ⇒ ⇒ p0 p∗ = 1 + Cβ αe −β(1−γ)0 1−γ1 ⇒ p0 p∗ 1−γ = 1 + Cβ α ⇒ p0 p∗ 1−γ − 1 = Cβ α ⇒ C = " p0 p∗ 1−γ − 1 # α β substituindo C em (2.6) temos: p(t) = α β 1−γ1 " 1 + p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)t #1−γ1
que implica que
p(t) = p∗ " 1 + p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)t #1−γ1 (2.7) No caso em que p0 ' 0temos que
p(t) = p∗ 1 − e−β(1−γ)t
1 1−γ
(2.8)
2.2.1
Ponto de Inflex˜
ao
Para encontrarmos o ponto de inflex˜ao de p(t) basta usarmos a segunda derivada e a igualarmos a zero, sendo assim
d2p dt2 = αγp γ−1dp dt − β dp dt =αγp γ−1 − β dp dt = 0 Como a taxa de varia¸c˜ao ´e sempre positiva temos que
αγpγ−1inf − β = 0 ⇔ pinf = p∗
1 γ
22 CAP´ITULO 2. MODELO DE VON BERTALANFFY GENERALIZADO Portanto o ponto de inflex˜ao ser´a
pinf = p∗
1 γ
γ−11
(2.9) Utilizando (2.9) na equa¸c˜ao (2.7) temos :
p∗ 1 γ γ−11 = p∗ " 1 + p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)tinf #1−γ1 ⇔ p∗(γ)1−γ1 = p∗ " 1 + p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)tinf #1−γ1 ⇔ γ = 1 + p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)tinf ⇔ γ − 1 = p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)tinf ⇔ γ − 1 p0 p∗ 1−γ − 1 = e −β(1−γ)tinf ⇔ ln γ − 1 p0 p∗ 1−γ − 1 = −β(1 − γ)tinf
Sendo a assim temos que o tempo de inflex˜ao ser´a dado por
tinf = − ln γ−1 (p0 p∗) 1−γ −1 (1 − γ)β (2.10)
Quando possu´ımos o valor do tempo de inflex˜ao podemos calcular o valor de β.
2.2.2
Estima¸
c˜
ao da Constante de Anabolismo
Da equa¸c˜ao (2.6) podemos explicitar α, que ´e a nossa constante de anabolismo em fun¸c˜ao de p∗ e β ,
p∗ = α β
1−γ1
2.3. MODELO LOG´ISTICO GENERALIZADO 23
2.2.3
Estima¸
c˜
ao do Parˆ
ametro de Alometria
A equa¸c˜ao que define a equa¸c˜ao do c´alculo do parˆametro de alometria γ depende do ponto de inflex˜ao pinf, pois
pinf = p∗ 1 γ γ−11 ⇔ pinf p∗ = 1 γ γ−11 ⇔ γγ−11 = p ∗ pinf
Vamos analisar o que acontece quando γ tende a 1. Primeiro fa¸camos a seguinte mudan¸ca de vari´avel:
x = 1
1 − γ ⇒ γ = 1 − 1 x Assim temos que
lim γ→1γ 1 γ−1 = lim x→∞ 1 − 1 x − x substituindo x por -w temos que
lim w→−∞ 1 + 1 w w = e Sendo assim temos que
lim γ→1γ 1 γ−1 = e (2.12) Como γγ−11 = p ∗ pinf
> 1 temos que o valor de p
∗
pinf
ser´a maior que e,isto ´e, pinf < p∗e
caso contr´ario n˜ao ´e poss´ıvel realizar os dados utilizando esse modelo.
2.3
Modelo Log´ıstico Generalizado
Em um artigo A. Tsoularis, J. Wallace prop˜oe uma generaliza¸c˜ao da equa¸c˜ao de cresci-mento log´ıstico com a incorpora¸c˜ao de alguns parˆametros, que dependendo de seus valores estabelecem crescimento distintos do modelo original, assim como modifica os valores de inflex˜ao. dN dt = rN α " 1 − N K β#γ (2.13) Onde
r: Taxa de crescimento intr´ınseco; N: Peso;
24 CAP´ITULO 2. MODELO DE VON BERTALANFFY GENERALIZADO No caso particular em que os parˆametros α,β e γ correspondem a 2
3 , 1
3 e 1 respecti-vamente, temos o Modelo de von Bertalanffy Cl´assico:
dN dt = rN 2 3 " 1 − N K 13# (2.14) Se α + β = 1 e γ = 1 temos o Modelo de von Bertalanffy Generalizado.
2.3.1
An´
alise da taxa de varia¸
c˜
ao
Igualando (2.13) a zero, obtemos os pontos de equil´ıbrio: rN23 " 1 − N K 13# = 0
Como r > 0, ∀ r temos que N = 0 ou "
1 − N K
13# = 0.
O que implica que temos dois pontos de equil´ıbrio para essa equa¸c˜ao diferencial que s˜ao N = 0 e N = K.
Para fazermos a an´alise da m´axima taxa de varia¸c˜ao derivamos (2.14) obtendo assim d2N dt2 = 2 3rN −1 3 − r K13 (2.15) Para encontrarmos os pontos cr´ıticos de (2.15) basta igualarmos a zero a derivada segunda
2 3rN −1 3 − r K13 = 0 Assim, N = 278K
Cap´ıtulo 3
Dinˆ
amica Fuzzy
Os dados obtidos num processo de medi¸c˜ao e pesagem de peixes apresentam impre-cis˜oes, pois o trabalho deve ser feito de modo r´apido. Devido a isso torna-se vi´avel o uso da teoria dos conjuntos fuzzy.
A teoria dos conjuntos fuzzy teve inicio em 1965 pelo matem´atico Lofit Asker Zadeh com a publica¸c˜ao de Fuzzy Sets. A principal intens˜ao da l´ogica fuzzy ´e a de dar tratamento matem´atico a termos lingu´ısticos subjetivos tais como ”aproximadamente”e ”entorno de”.
3.1
Conceitos e defini¸
c˜
oes
Para formalizar o conceito de conjuntos fuzzy Zadeh utilizou-se de que para qualquer conjunto cl´assico podemos definir uma fun¸c˜ao tal que essa fun¸c˜ao ´e a fun¸c˜ao caracter´ıstica. Defini¸c˜ao 1. (Fun¸c˜ao Caracter´ıstica) Seja U um conjunto e A um subconjunto de U. A fun¸c˜ao caracter´ıstica de A ´e dada por
χA(x) =
1 se x ∈ A 0 se x 6∈ A
Defini¸c˜ao 2. (Subconjuntos Fuzzy) Seja U um conjunto (cl´assico); um subconjunto fuzzy A de U ´e caracterizado por uma fun¸c˜ao
ϕA: U → [0, 1]
denominada fun¸c˜ao de pertinˆencia do subconjunto fuzzy A. O ´ındice A na fun¸c˜ao de per-tinˆencia ´e usado em analogia `a fun¸c˜ao caracter´ıstica de um subconjunto cl´assico, conforme Defini¸c˜ao 1.
O valor ϕA(x) ∈ [0, 1] indica o grau com que o elemento x de U est´a no conjunto A.
Um subconjunto fuzzy A ´e composto de elementos x de um conjunto cl´assico U , provi-dos de um valor de pertinˆencia a A, dado por ϕA(x).POdemos dizer que um subconjunto
fuzzy A de U ´e dado por um conjunto (cl´assico) de pares ordenados: A = { (x, ϕA(x)), com x ∈ U }
26 CAP´ITULO 3. DIN ˆAMICA FUZZY Defini¸c˜ao 3. (α-n´ıvel) Seja A um subconjunto fuzzy de U e α ∈ [0, 1]. O α-n´ıvel de A ´
e o subconjunto cl´assico de U definido por
[A]α = {x ∈ U : ϕ(x) > α} , para α ∈ (0, 1] .
Defini¸c˜ao 4. Seja A um subconjunto fuzzy de U, o suporte de A, denotado por supp(A), ´
e um subconjunto de U cujos elementos tˆem grau de pertinˆencia n˜ao nulos supp(A) = {x ∈ U/ϕA(x) > 0}
Defini¸c˜ao 5. (N´umero Fuzzy)
Seja U = R. Dizemos que um subconjunto fuzzy A em R ´e um n´umero fuzzy quando o conjunto universo no qual ϕA est´a definida, ´eo conjunto do n´umeros reais R e satisfaz `as
condi¸c˜oes:
1. todos os α-n´ıveis de A s˜ao n˜ao vazios, com 0 ≤ α ≤ 1; 2. todos os α-n´ıveis de A s˜ao intervalos fechados de R; 3. o suporte {x : µA(x) > 0}= suppA ´e limitado
A defini¸c˜ao de n´umero fuzzy dada acima ´e bem geral. ´E comum encontrarmos na literatura n´umeros fuzzy triangulares , trapezoidais e os sinoidais. Em nosso modelo utilizamos n´umeros fuzzy triangulares.
Defini¸c˜ao 6. (N´umero fuzzy triangular) Um n´umero fuzzy A ´e dito triangular se a sua fun¸c˜ao de pertinˆencia ´e da forma
ϕA(x) = 0 se x ≤ a x−a u−a se a < x ≤ u x−b u−b se u < x ≤ b 0 se x > b
A fun¸c˜ao de pertinˆencia de um n´umero fuzzy triangular tem a forma de um triˆangulo, cuja base ´e o intervalo [a,b] e o v´ertice fora da base ´e o ponto (u,1).
Sendo assim os n´umeros reais a,u e b definem o n´umero triangular A. Nesse trabalho o n´umero fuzzy triangular ser´a denotado por (a;u;b). Note que a defini¸c˜ao de n´umero triangular fuzzy n˜ao determina que o n´umero fuzzy ´e necessariamente sim´etrico, pois (b-u) pode ser diferente de (u-a), por´em a fun¸c˜ao de pertinˆencia em u sempre ser´a 1.
Os α-n´ıveis de um n´umero triangular tˆem a seguinte forma
[aα1, aα2] = [(u − a)α + a, (u − b)α + b] ∀α ∈ [0, 1] (3.1) Defini¸c˜ao 7. Opera¸c˜oes Aritm´eticas com N´umeros Fuzzy
3.1. CONCEITOS E DEFINIC¸ ˜OES 27 1. A soma dos n´umeros fuzzy A e B ´e o n´umero fuzzy A+B, cuja fun¸c˜ao de pertinˆencia
´e ϕA+B(z) = (sup min φ(z) [ϕA(x), ϕB(y)] se φ(z) 6= 0 0 se φ(z) = 0 onde φ(z) = {(x, y) : x + y = z}.
2. A multiplica¸c˜ao de λ por A ´e o n´umero fuzzy λA, cuja fun¸c˜ao de pertinˆencia ´e ϕλA(z) = (sup min {x:λx=z} [ϕA(x)] se λ 6= 0 χ{0} se λ = 0 = ϕA(λ−1z) se λ 6= 0 χ{0} se λ = 0
onde χ{0} ´e a fun¸c˜ao caracter´ıstica de 0.
3. A diferen¸ca A-B ´e o n´umero fuzzy cuja fun¸c˜ao de pertinˆencia ´e dada por: ϕA−B(z) = (sup min φ(z) [ϕA(x), ϕB(y)] se φ(z) 6= 0 0 se φ(z) = 0 ondeφ(z) = {(x, y) : x − y = z}.
4. A multiplica¸c˜ao de A por B ´e o n´umero fuzzy A·B ϕA·B(z) = (sup min φ(z) [ϕA(x), ϕB(y)] se φ(z) 6= 0 0 se φ(z) = 0 onde φ(z) = {(x, y) : x.y = z}.
5. A divis˜ao ´e o n´umero fuzzy A/B cuja fun¸c˜ao de pertinˆencia ´e ϕA/B(z) = (sup min φ(z) [ϕA(x), ϕB(y)] se φ(z) 6= 0 0 se φ(z) = 0 onde φ(z) = {(x, y) : x/y = z}.
Teorema 3.1.1. Os α-n´ıveis do conjunto fuzzy A ⊗ B s˜ao dados por [A ⊗ B]α = [A]α⊗ [B]α
para todo α ∈ [0, 1], sendo ⊗ qualquer uma das opera¸c˜oes aritm´eticas mencionadas ante-riormente.
N˜ao ser´a feita a demonstra¸c˜ao desse teorema por que foge do prop´osito deste trabalho. A demonstra¸c˜ao desse teorema pode ser encontrada em Pedrycz e Gomide [9].
28 CAP´ITULO 3. DIN ˆAMICA FUZZY Proposi¸c˜ao 3.1.2. Sejam A e B n´umeros fuzzy com α-n´ıveis dados, respectivamente , por [A]α = [aα1, aα2] e [B]α = [bα1, bα2]. Ent˜ao valem as seguintes propriedades:
1. A soma entre A e B ´e o n´umero fuzzy A+B cujos α-n´ıveis s˜ao [A + B]α = [A]α+ [B]α = [aα1 + bα1, aα2 + bα2] 2. A diferen¸ca entre A e B ´e o n´umero fuzzy A-B cujos α-n´ıveis s˜ao
[A − B]α = [A]α− [B]α = [aα 1 − b α 1, a α 2 − b α 2]
3. A multiplica¸c˜ao de λ por A ´e o n´umero fuzzy A·B cujos α-n´ıveis s˜ao [λA]α = λ[A]α =
(
[λa1α, λa2α] if λ > 0
[λa2α, λa1α] if λ < 0
4. A multiplica¸c˜ao de A por B ´e o n´umero fuzzy A·B cujos α-n´ıveis s˜ao [A · B]α = [A]α· [B]α = [minP, maxP ]
onde P={aα1bα1, aα1bα2, aα2bα1, aα2bα2}.
5. A divis˜ao de A por B, se 0 /∈ suppB,´e o n´umero fuzzy cujos α-n´ıveis s˜ao A B α = [A] α [B]α = [a α 1, a α 2] 1 bα 1 , 1 bα 2
Exemplo 3.1.1. Sejam os n´umeros fuzzy triangulares A e B que indicam, respectiva-mente, aproximadamente 4 e aproximadamente 6, dados por
A = (3; 4; 5) e B = (5; 6; 7)
O resultado de A⊗B para cada uma das opera¸c˜oes aritm´eticas entre n´umeros fuzzy, antes de mostramos os resultados observemos que pela f´ormula (3.1) temos que os α-n´ıveis de A e B s˜ao
[A]α = [3 + α, 5 − α] e [B]α = [5 + α, 7 − α] pela Proposi¸c˜ao 3.1.2 temos
1. [A + B]α = [8 + 2α; 12 − 2α] = [8; 10; 12]
2. [A − B]α = [−4 + 2α; −2α] = [−4; −2; 0]
3. [3A]α= [9 + 3α; 15 − 3α] = [9; 12; 15]
3.1. CONCEITOS E DEFINIC¸ ˜OES 29 5. ABα=3+α7−α;5−α5+α
´
e de f´acil verifica¸c˜ao que os n´umeros fuzzy obtidos pela soma, diferen¸ca e multiplica¸c˜ao por escalar ainda s˜ao n´umeros fuzzy triangulares. Por´em a multiplica¸c˜ao e a divis˜ao n˜ao tem essa mesma propriedade. Seja A = (a1; u; a2) e B = (b1; v; b2) da equa¸c˜ao (3.1) temos
[A]α = [(u − a1)α + a1, (u − a2)α + a2] [B]α= [(u − b1)α + a1, (u − b2)α + b2] Assim [A + B]α = [A]α+ [B]α logo, [A + B]α = [{(u + v) − (a1+ b1)} α + (a1+ b1) ; {(u + v) − (a2+ b2)} α + (a2+ b2)]
Novamente pela f´ormula (3.1) esses intervalos s˜ao os α-n´ıveis do n´umero fuzzy trian-gular
[(a1+ b1); (u + v); (a2+ b2)]
de maneira an´aloga podemos mostrar para a A-B e conclui-se que λA ´e triangular se A for um n´umero fuzzy triangular.
Defini¸c˜ao 8. (Princ´ıpio de extens˜ao de Zadeh) Sejam f uma fun¸c˜ao f:X → Z e A subconjunto fuzzy de X. A extens˜ao de Zadeh de f ´e a fun¸c˜ao ˆf que, aplicada a A, fornece o subconjunto fuzzy ˆf (A) de Z, cuja fun¸c˜ao de pertinˆencia ´e dada por
ϕf (A)ˆ (z) =
( sup
f−1(z)
ϕ(A) se f−1(z) 6= ∅ 0 se f−1(z) = ∅
onde f−1(z) = {x; f (x) = z} ´e a pr´e-imagem de z. Sendo assim o Princ´ıpio de extens˜ao de Zadeh afirma que
• O grau de pertinˆencia de um valor do contradom´ınio ´e definido diretamente pelo grau de pertinˆencia de sua pr´e imagem
• Quando um valor do contradom´ınio ´e mapeado por v´arios do dom´ınio, o seu grau de pertinˆencia ´e obtido pelo supremo dos graus de pertinˆencia dos valores da entrada. Na figura 3.1 temos a representa¸c˜ao do Princ´ıpio de extens˜ao de Zadeh
Teorema 3.1.3. Teorema de Nguyen [10] Se f : Rn → Rn ´e continua, ent˜ao a
extens˜ao de Zadeh ˆf : F(Rn) → F(Rn) est´a bem definida e,
[ ˆf (U )]α = f ([U ]α) = {f (x)/x ∈ [U ]} ∀α ∈ [0, 1] e U ∈ F(Rn)
Este resultado indica que os α-n´ıveis do conjunto fuzzy, obtidos pelo Princ´ıpio de Extens˜ao de Zadeh, coincidem com as imagens dos α-n´ıveis pela fun¸c˜ao crisp.
30 CAP´ITULO 3. DIN ˆAMICA FUZZY
Figura 3.1: Extens˜ao de Zadeh Extens˜ao do fluxo determin´ıstico
Consideremos o seguinte problema de valor inicial x0(t) = f (x(t))
x(0) = x0
(3.2) Quando f ´e continuamente diferenci´avel, a solu¸c˜ao do PVI acima ´e ´unica e depende da condi¸c˜ao inicial e do tempo. Sendo assim a solu¸c˜ao
ϕ(t, x0) : R+× Rn → Rn
do problema (3. 2) ´e uma fun¸c˜ao continua de x0. Temos que ϕ0(x0) = x0 e ϕ0t(x0) =
f (ϕt(x0)), a solu¸c˜ao ϕ(x0) ´e denominada fluxo gerado pelo campo vetorial f.
Considerando que a condi¸c˜ao inicial seja incerta, ou seja, x(0) = ˆx0com ˆx0subconjunto
fuzzy de E, assim temos um sistema fuzzy associado a equa¸c˜ao (3. 2) ˆx0(t) = f (x(t))
ˆ
x(0) = ˆx0
(3.3) Neste caso a solu¸c˜ao depende da condi¸c˜ao inicial, que ´e fuzzy. A solu¸c˜ao do sistema associado (3.2) por esta abordagem ´e definida como sendo a fun¸c˜ao obtida pela aplica¸c˜ao do Princ´ıpio de extens˜ao de Zadeh ao fluxo deterministico ϕt(x0), obtendo assim
ˆ
3.2. SOLUC¸ ˜AO FUZZY DO MODELO DE VON BERTALANFFY GENERALIZADO 31 Pela continuidade de ϕ(x0) com rela¸c˜ao `a condi¸c˜ao inicial x0, a igualdade
[ ˆϕt(ˆx0)]α = ϕt([ˆx0)]α) (3.4)
´
e satisfeita para todo α ∈ [0, 1]. Portanto, a trajet´oria determinada por ϕt(ˆx0) consiste
de uma fam´ılia de trajet´orias determin´ısticas dadas por ϕt . Para cada ¯x ∈ Rn, o grau de
pertinˆencia da trajet´oria ϕt(¯x) em ˆϕt(ˆx) ´e igual ao grau de pertinˆencia de ¯x em ˆx pois,
pelo princ´ıpio de extens˜ao de Zadeh
µϕˆt(ˆx0)(ϕt(¯x0)) = supϕxˆ0(τ ) : ϕt(τ ) = ϕt(¯x0)
A igualdade ϕt(τ ) = ϕt(¯x0) vale, em particular para t=0, ou seja, τ = ¯x. Logo, o
supremo ´e tomado em um conjunto unit´ario , portanto µϕˆt(ˆx0)(ϕt(¯x0)) = µxˆ0(¯x0)
Para o caso em que ˆx0 ´e um conjunto fuzzy de En, ent˜ao temos os α-n´ıveis de ˆx0
convexos e compactos e, como consequˆencia, ϕt([ˆx0]α) tamb´em ´e convexo e compacto
para todo α ∈ [0, 1]. Sendo assim ˆϕt(ˆx0) ´e um subconjunto fuzzy de Enpara todo t ∈ R+.
Se considerarmos o caso em que a subjetividade aparece nos parˆametros da fun¸c˜ao f, ent˜ao precisamos aplicar a extens˜ao de Zadeh ao fluxo do sistema determin´ıstico
x0(t) = f (x(t), b)
x(0) = x0
(3.5) onde x0 ∈ Rn e b ∈ Rm ´e um vetor de parˆamentros para f. Portanto , adicionando ao
sistema acima as equa¸c˜oes
b01 = 0 b02 = 0 .. . b0m = 0 (3.6)
temos um novo sistema de dimens˜ao n+m x0(t) = f (x(t)) b0(t) = 0 x(0) = (x0, b) (3.7) onde o vetor de parˆametro b aparece agora na condi¸c˜ao inicial. Dessa forma, voltamos ao caso descrito acima onde somente a condi¸c˜ao inicial ´e fuzzy.
3.2
Solu¸c˜ao fuzzy do Modelo de von Bertalanffy Generalizado dpdt = λp γ− βp
32 CAP´ITULO 3. DIN ˆAMICA FUZZY e sua solu¸c˜ao determin´ıstica
pt(p0, β, γ, p∗, λ, t) = p∗ " 1 + p0 p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)t #1−γ1 (3.8) considerando que a condi¸c˜ao inical p0 seja incerta, ent˜ao os α-n´ıveis da solu¸c˜ao fuzzy s˜ao
dados por [ˆpt(ˆp0)]α = p∗ " 1 + [ˆp0] α p∗ 1−γ − 1 ! e−β(1−γ)t #1−γ1 (3.9) para o caso em que o parˆametro de alometria γ ´e fuzzy, os α-n´ıveis da solu¸c˜ao fuzzy s˜ao dados por [ˆpt(ˆγ)]α = p∗ " 1 + p0 p∗ 1−[ˆγ]α − 1 ! e−β(1−[ˆγ]α)t #1−[ˆ1γ]α (3.10) Note que a express˜ao determin´ıstica para p∗ depende dos parˆametros α, β e γ.
p∗(λ, β, γ) = λ β
1−γ1
(3.11) Sendo assim se considerarmos qualquer um dos parˆametros como sendo fuzzy ´e equi-valente a considerar p∗ fuzzy. Por exemplo, ao tomar o parˆametro de alometria γ fuzzy os α-n´ıveis da capacidade suporte s˜ao dados por
[ˆp∗(ˆγ)]α= λ β
1−[ˆ1γ]α
Cap´ıtulo 4
Modelagem Fuzzy para o
Crescimento de Peixes
Podemos considerar que a atividade pesqueira na Amazˆonia ´e extrativista e est´a con-dicionada ao n´ıvel das ´aguas dos rios, com superprodu¸c˜ao na ´epoca da ”seca”e escassez durante a ´epoca da ”cheia”, o que exerce influˆencia no pre¸co final do produto. Para mi-nimizar o efeito da sazonalidade tem-se como alternativa a cria¸c˜ao de peixes em cativeiro que propicia melhor equil´ıbrio entre a oferta e procura no mercado regional, estabilidade dos pre¸cos ao longo do ano al´em de contribuir para incrementar a exporta¸c˜ao.
Estima-se que existam 411 piscicultores no Estado do Amazonas. As esp´ecies mais cultivadas s˜ao o Matrinx˜a com ´area alagada de 27 ha, o Pirarucu com 21ha e o Tambaqui com 693 ha. Determinar a idade de um peixe ´e trabalhoso e dependendo da esp´ecie n˜ao ´e poss´ıvel determinar a idade. Por isso usaremos os dados referentes ao comprimento e ao peso dos animais.
Neste trabalho estudamos o crescimento de peixes de duas esp´ecies encontradas na bacia amazˆonica o Tambaqui e o Matrinx˜a.
Figura 4.1: Tambaqui
Tambaqui(Colossoma macropomum), tamb´em chamado de Pacu Vermelho, ´e um peixe
34 CAP´ITULO 4. MODELAGEM FUZZY PARA O CRESCIMENTO DE PEIXES de escamas cuja a colora¸c˜ao geralmente ´e parda na metade superior e preta na metade inferior do corpo, mas pode variar para mais clara ou mais escura dependendo da cor da ´
agua. O tambaqui alcan¸ca cerca de 110 cm de comprimento total. Antigamente eram capturados exemplares com at´e 45 quilos. Hoje, por causa da sobre-pesca, praticamente n˜ao existem indiv´ıduos desse porte e o m´aximo que ele atinge ´e 30kg.
Figura 4.2: Matrinx˜a
O matrinx˜a (Brycon amazonicus) ´e um peixe de escamas, colora¸c˜ao prateada, corpo alongado, capaz de atingir 80 cent´ımetros de comprimento e cinco quilos de peso.
Optamos por estudar estas duas esp´ecies por serem considerados peixes nobres da bacia amazˆonica juntamente com o pirarucu.
Utilizamos os dados fornecidos pelo grupo de pesquisa da UFAM.
4.1
Alometria do Matrinx˜
a
Como vimos no Cap´ıtulo 1, o crescimento de um animal mant´em certas propriedades. A alometria entre o peso e o comprimento ´e dada por uma fun¸c˜ao potˆencia
p = alb proveniente da rela¸c˜ao alom´etrica
dp dt p = a dl dt l
Utilizando o m´etodo dos m´ınimos quadrados foi poss´ıvel ajustar uma fun¸c˜ao do tipo exponˆencial aos dados da tabela. Para que assim fossem encontrados os valores de a e b da equa¸c˜ao de alometria. No caso do matrinx˜a, usando o ajuste obtemos
p = 2.10−5l3,1003
4.1. ALOMETRIA DO MATRINX ˜A 35 Tabela 4.1: Tabela (Peso e comprimento )-Matrinx˜a
Comprimento (cm) Peso (Kg) 7 0,0064 8,1 0,0103 9 0,0138 10 0,0164 11 0,0262 12 0,0366 12 0,0366 13 0,0457 14,1 0,0617 15 0,0754 16 0,1027 17 0,1183 18 0,1582 19 0,15 20 0,1972 21 0,2079 22 0,2369 23 0,2975 24 0,351 25 0,368 26 0,227 27 0,5552 28 0,518 29 0,603 30 0,6778 31 0,6879 32 0,784 33 0,8323 34 0,9297 35 0,9247 36 0,823 37 1,259 38 1,4442 39 1,4287 40 1,5798 41,3 1,6741 42,5 1,871 43 1,9322 45,6 1,9563
36 CAP´ITULO 4. MODELAGEM FUZZY PARA O CRESCIMENTO DE PEIXES O valor do parˆametro de alometria b = 3, 1003 que caracteriza o matrinx˜a n˜ao pode ser considerado um valor exato pois, como j´a frizamos, as medidas est˜ao sujeitas a muitos fatores abi´oticos e bi´oticos que podem interferir neste valor. Desta forma, procuramos um modelo que contempla tais erros e subjetividades bi´oticas. Definimos ent˜ao o parˆametro de alometria por meio de um conjunto fuzzy triangular, isto ´e,ˆb = [2, 95; 3, 1; 3, 15] cuja capacidade suporte ´e o intervalo [2,95;3,15]. Sendo que o valor 3,1 tem grau de pertinˆencia 1.
Figura 4.3: ˆb matrinx˜a
Assim, a alometria entre peso e comprimento do matrinx˜a ´e dada pela equa¸c˜ao p = f (l, ˆb) = 2.10−5l3,1ˆ
Figura 4.4: Alometria com parˆametro fuzzy Matrinx˜a , ˆb = [2, 95; 3, 1; 3, 15] Podemos observar que para cada valor do comprimento l o peso agora ´e um conjunto fuzzy (ver figura 4.4)
4.2. ALOMETRIA DO TAMBAQUI 37
4.2
Alometria do Tambaqui
Temos que
p = 5.10−5l2,91 cujo gr´afico ´e dado na figura 4.5
Figura 4.5: Alometria peso x comprimento do Tambaqui com parˆametro fuzzy, ˆb = [2, 85; 2, 91; 2, 95]
Nosso objetivo ´e formular modelos de crescimento (peso e comprimento) destes peixes que contemplem a subjetividade e os erros das medidas apresentados nas tabelas de dados.
38 CAP´ITULO 4. MODELAGEM FUZZY PARA O CRESCIMENTO DE PEIXES Tabela 4.2: Tabela (Peso e comprimento )- Tambaqui
Comprimento (cm) Peso (Kg) 3,4 0,00118 4 0,00221 5,4 0,00738 9,4 0,03261 9,7 0,03768 10 0,0409 15 0,1366 16 0,1372 17,1 0,2099 18 0,229 19,1 0,1491 22 0,3795 22,3 0,3859 23,2 0,4404 24 0,5402 25 0,5775 26,9 0,7609 27 0,7784 28 0,8672 29 0,9279 29 0,8264 30,1 1,072 31,1 1,061 32 1,2689 33,1 1,3387 34,2 1,6181 35 1,5133 42,5 2,95 45,5 3,6 50,2 4,35 60,1 7,1 65 9,3 70 13,35 75 11,15 77,5 14,85 78,2 22,5 80 18,125 82,1 22 85 21,5
4.3. MODELO GENERALIZADO DE VON BERTALANFFY COM CONDIC¸ ˜AO INICIAL FUZZY39
4.3
Modelo generalizado de von Bertalanffy com condi¸
c˜
ao
inicial fuzzy
dp dt = αp γ− βp ˆ p0 ∈ F(R) (4.1) Temos que para cada valor inicial p0 ∈ supp ˆp0 a equa¸c˜ao (4.1) admite uma ´unicasolu¸c˜ao p(t). Ent˜ao a solu¸c˜ao fuzzy ˆp(t, p0) ´e definida como a extens˜ao de Zadeh da
solu¸c˜ao determin´ıstica do sistema associado dp dt = αp γ− βp ˆ p0 ∈ R (4.2) observemos que o grau de pertinˆencia de cada p(t) ∈ ˆp(t, p0) ´e o mesmo grau de p0 em ˆp0
Desta forma, a solu¸c˜ao fuzzy de (4.1) ´e dada por : ˆ p(t) = p ∗ " 1 + ˆp0 p∗ 1−γ1 − 1 ! e−β(1−γ)t #
Para o matrinx˜a, temos p*= 5kg, α = 2, 5519767, β = 1, 433178 , γ = 2 λ =
2
3,1 ' 0, 645
onde λ ´e a constante de alometria.
A condi¸c˜ao inicial ˆp0 ´e dada pelo conjunto fuzzy A cuja fun¸c˜ao grau de pertinˆencia ´e
ϕA(p0) = 1 − 0,6p0 se 0 6 p0 6 0, 6
0 se p0 ∈ [0; 0, 6]/
O gr´afico de ˆp(t) pode ser vizualizado na figura (4.6)
Figura 4.6: Modelo de von Bertalanffy Generalizado com condi¸c˜ao inicial fuzzy do Ma-trinx˜a ˆp0 = [0 ; 0, 6]
40 CAP´ITULO 4. MODELAGEM FUZZY PARA O CRESCIMENTO DE PEIXES Para o tambaqui, temos p*= 30kg, α = 2, 8367, β = 1, 0288 , γ = 2λ = 2,912 ' 0, 687. Tomando a condi¸c˜ao inicial como sendo o conjunto fuzzy definido pela fun¸c˜ao grau de pertinˆencia:
ϕA(p0) = 1 − 0,6p0 se 0 6 p0 6 0, 6
0 se p0 ∈ [0; 0, 6]/
obtemos a solu¸c˜ao para o peso do tambaqui esbo¸cado na figura (4.7)
Figura 4.7: Modelo de von Bertalanffy Generalizado com condi¸c˜ao inicial fuzzy do Tam-baqui ˆp0 ∈ F(R)
O teorema a seguir garante a estabilidade dos pontos de equilibrio do modelo com condi¸c˜ao inicial fuzzy.
Teorema 4.3.1. Seja ¯x equilibrio de (4.1). Ent˜ao,
1. χ{¯x} ´e est´avel pra o sistema (4.1) se, e somente se, ¯x ´e est´avel para (4.2).
2. χ{¯x}´e assint´oticamente est´avel para o sistema (4.1) se,e somente se, ¯x ´e assint´oticamente
est´avel para (4.2).
3. χ{¯x} ´e inst´avel se, e somente se, ¯x ´e inst´avel.
Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸c˜ao deste teorema se encontra em [10]
4.4
Modelo com Parˆ
ametro de Alometria Fuzzy
Se considerarmos o sistema autonˆomo dp
dt = f (t, ˆγ)
p0 ∈ R
4.4. MODELO COM PAR ˆAMETRO DE ALOMETRIA FUZZY 41 Onde o parˆametro ˆγ ´e um conjunto fuzzy. Para obter a solu¸c˜ao necessitamos ampliar a dimens˜ao do sistema para que tenhamos apenas a condi¸c˜ao inicial fuzzy
dp dt = f (t, γ) dγ dt = 0 p0 ∈ R e γ0 ∈ F(R) (4.4) Assim a solu¸c˜ao fuzzy de (4.2) ser´a a proje¸c˜ao do sistema fuzzy ampliado que pode ser obetida pela fuzzyfica¸c˜ao do sistema deterministico associado a (4.3)
ˆ p = ˆp∗[1 − e−β(1 − ˆγ)t]1−ˆ1γ quando p 0 ' 0 ou ˆ p = ˆp∗[1 + p0 ˆ p∗ 1−ˆ1γ − 1 − e−β(1 − ˆγ)t]1−ˆ1γ se p 0 6≡ 0
Quando fuzzyficamos o parˆametro γ tamb´em fuzzyficamos p*, pois pela equa¸c˜ao 2.6 temos que p∗ =αβ
1 1−γ
. Sendo assim temos que ˆ
p∗ = α β
1−ˆ1γ
Para o matrinx˜a, usamos ˆp∗ = (1, 7832)1−ˆ1γ, α = 2, 55,β = 1, 43,ˆγ = [0, 63492; 0, 645; 0, 6779]
Figura 4.8: Modelo de von Bertalanffy Generalizado do Matrinx˜a com γ fuzzy Para o tambaqui, usamos ˆp∗ = (2, 757)1−ˆ1γ, α = 2, 837,β = 1, 029 como o parˆametro
fuzzy dado pelo conjunto fuzzy triangular ˆγ = [0, 669; 0, 687; 0, 702]
Podemos observar que em ambos os modelos, os dados das tabelas s˜ao sempre valores coerentes com o fluxo fuzzy.
42 CAP´ITULO 4. MODELAGEM FUZZY PARA O CRESCIMENTO DE PEIXES
Cap´ıtulo 5
Ponto de Inflex˜
ao Fuzzy
Quando utilizamos modelos de crescimento inibido determin´ıstico na modelagem do crescimento em peso de animais criados em cativeiros para a alimenta¸c˜ao humana, como ´e o caso da psicultura, procura-se fazer o abate num tempo pr´oximo ao que corresponde ao crescimento m´aximo, isto ´e, ponto de inflex˜ao de p(t) para se obter o m´aximo rendimento com menor custo.
Modelos de crescimento inibidos s˜ao dados por uma equa¸c˜ao autˆonoma x0(t) = f (x(t))
x(0) = x0
(5.1) com f : I → R satisfazendo: f (0) = f (K) = 0 e f (x) > 0 para todo x ∈ (0, K), com K correspondendo `a capacidade suporte. Um resultado relativo `a existˆencia de pontos de inflex˜ao para (5. 1) ´e dado no seguinte teorema:
Teorema 5.0.1. [6] Seja f : I → R em (5. 1) cˆoncava, f (0) = f (K) = 0 , f (x) > 0 para todo x ∈ (0, K) e x∗ o ponto de inflex˜ao para o fluxo de ϕt(x0). Se a condi¸c˜ao inicial
X0 ´e tal que [X0]0 = [x0 − ε, x0 + ε] ⊂ (0, x∗) ent˜ao existe um tempo de inflex˜ao fuzzy
ti ∈ (t∗, t∗−ε) para o fluxo fuzzy ˆϕt(X0).
Demonstra¸c˜ao. sejam x1(t) e x2(t) como as respectivas solu¸c˜oes dos problemas
deter-min´ısticos x0 = f (x), x(0) = x01 = x0 − ε; x0 = f (x), x(0) = x02= x0+ ε;
Seja g : R+ → R por g(t) = x2(t) − x1(t). Desde que g(t) > 0 para todo t > 0, ent˜ao o
tempo de inflex˜ao fuzzy existe se a fun¸c˜ao g admitir um ponto de m´aximo. Para mostrar isso, provemos primeiramente que existe ti > 0 tal que g0(ti) = 0.
Com efeito, temos que g0(0) = f (x02) − f (x01) > 0 uma vez que f ´e cˆoncava e [X0]0 ⊂
(0, x∗). Por outro lado, desde que x1(t) → K quando t → ∞, existe τ > 0 tal que
44 CAP´ITULO 5. PONTO DE INFLEX ˜AO FUZZY x2(τ ) > x1(τ ) > x∗ e, novamente pela concavidade de f, temos que g0(τ ) < 0. Assim,
a continuidade de g0(t) garante que existe um ´unico ti > 0 tal que g0(ti) = f (x2(ti)) −
f (x1(ti)) = 0, de onde conclu´ımos que x2(ti) > x∗ > x1(ti). Como ϕt(x) ´e crescente, isso
implica que ti ∈ (tεi, t −ε i ).
Uma vez que g(ti) ´e crescente para t > ti ent˜ao ti ´e um ponto de m´aximo para g(t) e
portanto temos a existˆencia de um tempo de inflex˜ao fuzzy.
A determina¸c˜ao do tempo de inflex˜ao fuzzy, cuja existˆencia ´e garantida pelo teorema acima, depende de cada caso especificamente, isto ´e, depende da equa¸c˜ao (5.1). No caso do parˆametro fuzzy ocorre o mesmo j´a que consideramos o sistema associado que faz com que o parˆametro apare¸ca na condi¸c˜ao inicial.
5.1
Ponto de Inflex˜
ao com Condi¸
c˜
ao inicial fuzzy
Observamos que no caso do Modelo Generalizado fuzzy do tipo von Bertalanffy o tempo de inflex˜ao tinf que proporciona o ponto de inflex˜ao depende do p0 e de γ (vide
equa¸c˜ao (2.10) na se¸c˜ao 2.1.2 )
Exemplo 5.1.1. No caso do matrinx˜a, temos p*=5 e γ = 0, 645 ent˜ao pinf = 5(0, 645)
1
0,355 ∼= 1, 454
Exemplo 5.1.2. Para o tambaqui temos p*=30 e γ = 0, 687 logo pinf = 30(0, 687) 1 0,313 ∼= 9, 041 Proposi¸c˜ao 5.1.1. Seja dp dt = αp γ− βp p(0) = ˆp0 ∈ F(R)
Temos que o ponto de inflex˜ao do sistema fuzzy associado quando p0 = ˆp0 ser´a constante
e o tempo de inflex˜ao depender´a da condi¸c˜ao inicial
Demonstra¸c˜ao. Do modelo determin´ıstico associado temos que pinf = p ∗
1 γ
γ−11
= p ∗ (γ)1−γ1
logo, a condi¸c˜ao inicial fuzzy ˆp0 n˜ao interfere no valor de ˆpinf que ser´a constante para
todo p0 ∈ ˆp0, coincidindo com o valor do modelo deterministico.
Observa¸c˜ao: No caso da condi¸c˜ao inicial ser fuzzy temos que os instantes que ocorrem os valores de inflex˜ao para cada elemento p(t, p0) de ˆp est˜ao no intervalo [ˆt1inf, ˆt2inf]
5.1. PONTO DE INFLEX ˜AO COM CONDIC¸ ˜AO INICIAL FUZZY 45 De fato: Da equa¸c˜ao determin´ıstica do modelo generalizado, temos
p(t) = α β + Ce −β(1−γ)t 1−γ1 de onde tiramos p∗ =αβ 1 1−γ ⇒α β = (p∗)1−γ Ainda, p0 = α β + C 1−γ1 ⇒ C = p1−γ0 − (p∗)1−γ
Ent˜ao, a solu¸c˜ao do modelo determin´ıstico pode ser escrita como : p(t) = (p∗)1−γ + p1−γ0 − (p∗)1−γ e−β(1−γ)t1−γ1 ou p(t) = p ∗ 1 − 1 −p0 p∗ 1−γ e−β(1−γ)t 1−γ1 p(t) p∗ 1−γ = 1 − 1 −p0 p∗ 1−γ e−β(1−γ)t 1−(p(t)p∗ )1−γ 1−(p∗p0)1−γ = e −β(1−γ)t E portanto, t = − 1 β(1 − γ)ln 1 −p(t)p∗ 1−γ 1 − p0 p∗ 1−γ Logo t ´e uma fun¸c˜ao da condi¸c˜ao inicial p0
Exemplo 5.1.3. Para o matrinx˜a ˆp0 = [0 ; 0, 6]
Ent˜ao t1inf(0) = − 1 β(1 − γ)ln 1 −p(t)p∗ 1−γ 1 − p0 p∗ 1−γ = 2, 03593 t2inf = 0, 78385
46 CAP´ITULO 5. PONTO DE INFLEX ˜AO FUZZY
Figura 5.1: Tempo de inflex˜ao para o matrinx˜a com ˆp0=[0 ; 0,6]
Exemplo 5.1.4. Para o tambaqui tomando, p∗ = 30, β = 1, 029,γ = 0, 687, pinf = 9, 041
e ˆp0 = [0; 1]
Figura 5.2: Representa¸c˜ao do n´umero fuzzy ˆp0 = [0 ; 1]
Obtemos o intervalo de tempo que se tem o crescimento m´aximo dado por ˆ
t = [2, 29; 3, 61]
5.2
Ponto de Inflex˜
ao com Parˆ
amentro de Alometria
Fuzzy
Podemos observar da equa¸c˜ao determin´ıstica que p ponto de infle¸c˜ao depende de γ, isto ´e, pinf = p ∗ 1 γ γ−11 = p ∗ (γ)1−γ1
Proposi¸c˜ao 5.2.1. O sistema fuzzy com coeficiente ˆγ, associado ao modelo generalizado de von Bertalanffy admite para cada γ em ˆγ um ´unico ponto de inflex˜ao.
5.2. PONTO DE INFLEX ˜AO COM PAR ˆAMENTRO DE ALOMETRIA FUZZY 47
Figura 5.3: Tempo de inflex˜ao para o tambaqui com − ˆp0=[0 ; 1]
Demonstra¸c˜ao. A existˆencia do tempo de inflex˜ao tinf (γ) decorre do teorema (5.0.1).
Por outro lado temos que a fun¸c˜ao p(γ) = p ∗ 1
γ γ−11
com 0 < γ < 1 ´
e mon´otona crescente e portanto para cada tinf(γ) temos um ´unico ponto pinf(γ)
As figuras (5.4) e (5.5), correspondentes a regi˜ao de pontos de infle¸c˜ao do matrinx˜a e do tambaqui respectivamente, mostram as regi˜oes onde se encontram os pontos de inflex˜ao.
Observamos que o valor de γ ´e dado pelo quociente γ = 2λ, onde λ ´e o coeficiente de alometria do peso e comprimento
Figura 5.4: Regi˜ao de pontos de inflex˜ao para o matrinx˜a com parˆametro de alometria ˆ
48 CAP´ITULO 5. PONTO DE INFLEX ˜AO FUZZY
Figura 5.5: Regi˜ao de pontos de inflex˜ao para o tambaqui com parˆametro de alometria ˆ
Cap´ıtulo 6
Conclus˜
oes
Neste trabalho apresentamos aplica¸c˜oes do Modelo de von Bertalanffy generalizado `a duas esp´ecies de peixes amazˆonicos.
A interpreta¸c˜ao biol´ogica dos parˆametros possui fundamental importˆancia para ressal-tar caracter´ısticas relevantes do crescimento, como por exemplo o parˆametro de alometria γ, que corresponde a taxa de proporcionalidade do crescimento relativo. Quando reali-zamos pequenas altera¸c˜oes em tal parˆametro conseguimos tornar o modelo mais realista como foi poss´ıvel perceber nos gr´aficos (4.4) e (4.5) da se¸c˜ao 4 .
Conforme visto no cap´ıtulo 3 a solu¸c˜ao fuzzy do modelo estima com graus de per-tinˆencia em rela¸c˜ao `a curva do modelo determin´ıstico, inserindo assim,as varia¸c˜oes que de fato ocorrem nos dados reais e no decorrer do processo de modelagem,imprimindo maior confiabilidade `a solu¸c˜ao obtida.
No cap´ıtulo 5 vimos que ao fuzzyficarmos a condi¸c˜ao inicial o ponto de inflex˜ao ser´a constante, por´em quando fuzzyficamos o parˆametro γ teremos um ´unico ponto de inflex˜ao para cada γ ∈ ˆγ
Em trabalhos futuros pretende-se explorar os demais parˆametros considerando impre-cis˜oes e analisar o que ocorre quando todos os parˆametros s˜ao fuzzy.
Referˆ
encias Bibliogr´
aficas
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