Edição n.º 57
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ESPECIAL ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA
Calheta
► O concelho da Calheta é o mais exten-so do arquipélago e conta com oito fre-guesias. O presidente da Câmara Muni-cipal da Calheta é Carlos Teles, que reve-lou à nossa equipa tudo o que realizou neste último ano. “O primeiro mandato foi um mandato de reequilíbrio financei-ro, até pela própria situação do país e da região”, afirma o autarca. Considera, ainda, que conseguiram plenamente reequilibrar as finanças do município, na medida em que fazem parte do PAEL (Plano de Apoio à Economia Local).
Apoio social
O presidente afirma que a atual priorida-de da câmara municipal é o apoio social prestado aos munícipes. “Sem nunca esquecer as outras vertentes, a priorida-de para nós continua a ser a área social e educacional”, revela Carlos Teles. Foram abertos centros sociais em quase todas as freguesias do concelho, à exce-ção das freguesias da Calheta e Jardim do Mar. O centro social na freguesia da Calheta está para abrir as suas portas em breve. Em relação à freguesia de
Jar-dim do Mar, o presidente afirma ter esta-do em contacto com grande parte esta-dos seus habitantes, o que lhe permitiu che-gar à conclusão de não existir necessi-dade para a abertura de um centro so-cial, neste momento. Assim, o último centro social a ter sido inaugurado foi o da Fajã da Ovelha.
Relativamente à educação dos estudan-tes da Calheta, são distribuídos, gratui-tamente, manuais escolares até ao 7º ano de escolaridade, mas para o pre-sidente não é suficiente. “Queremos atingir o pleno, queremos conseguir até ao 12º ano. É um dos nossos objetivos”, confessa Carlos Teles. Para além dos manuais escolares fornecidos, também dão apoio a nível de transportes para os alunos do 1º ciclo, bem como apoio fi-nanceiro aos estudantes universitários. Para acrescentar a todas as ajudas aci-ma mencionadas, a câaci-mara municipal disponibiliza apoio em atividades esco-lares, tanto a nível cultural, como a nível de ensino.
Envelhecimento da população
“Sobretudo a nível regional, mas até a ní-vel europeu, a realidade é que temos cada vez menos crianças e mais idosos. Os go-vernos têm de tomar medidas que vão de encontro a esta realidade difícil”, expõe o autarca, referindo-se a um dos principais problemas do concelho. Efetivamente, há cerca de 20 anos, existiam 1200 jovens e 600 idosos que participavam na Festa de Natal. “Hoje a realidade é exatamente in-versa” confessa o presidente. Isto é, o mero de idosos é muito maior do que o nú-mero de jovens, no concelho.
Para lutar contra este problema, foi ins-taurado um incentivo à natalidade que,
por si só não é uma solução, mas, se-gundo o presidente, “já é um passo da-do”. Desta forma, uma criança que nas-ça no concelho da Calheta receberá 50 euros mensais, até aos cinco anos de idade. “É um apoio que damos, porque
hoje em dia, um casal jovem que queira ter filhos tem que fazer contas, a realida-de é esta”, explica o entrevistado. Para além disso, foi instituído o Progra-ma Juventude Ativa, destinado a jovens até 30 anos de idade. O programa
com-Carlos Teles foi reeleito para o seu segundo mandato
enquanto presidente da Câmara Municipal da Calheta, em
2017. O autarca confessa ao Empresas+® tudo o que foi feito
ao longo do ano de 2018, a nível social, educacional,
turístico, cultural, entre outros, no concelho madeirense.
“Venham à Calheta nesta
época natalícia. vão gostar”
MUNICÍPIO DE CALHETA
Carlos Teles
II
pleta a sua segunda edição de sucesso, que consiste em abrir inscrições para a primeira experiência laboral, no seio da câmara municipal.
O autarca explica o fenómeno do enve-lhecimento da população através do se-guinte: “Hoje em dia, existem duas reali-dades no concelho da Calheta: os jovens que emigram para o Reino Unido em busca de uma qualidade de vida melhor e os nossos conterrâneos da Venezuela que regressam à sua terra natal que é a ilha da Madeira”. Consequentemente, Carlos Teles confessa que uma das suas principais preocupações é criar condi-ções para quem foi obrigado a regressar ao concelho, de maneira a que a reinte-gração seja feita da melhor forma. “Às vezes olhamos para a migração como uma coisa negativa, não concordo com isso”, continua o autarca.
“É preciso ter cuidado quando se fazem descentralizações”
Quando perguntado ao presidente da Câmara Municipal da Calheta qual a sua opinião acerca da descentralização de competências, Carlos Teles respon-deu que, “é preciso ter cuidado quando se fazem descentralizações, porque es-sa descentralização não pode ser só de competências. Tem de ser acompanha-da, justamente, pela divisão equitativa das verbas financeiras que o Governo Regional tem direito, no nosso caso”. Carlos Teles explica que “o que é impor-tante é que os municípios se mante-nham unidos”, pois ainda, cita, “a união faz a força. Obviamente que se tivermos um Governo de uma cor e uma câmara municipal de outra cor, apesar de haver colaboração entre as duas instituições, um dos políticos vai sempre querer defender o seu lado”, relata ainda o pre-sidente, mas acredita que o verdadeiro poder dos municípios é a união de forças.
“Alteramos o Plano Diretor Municipal”
O presidente afirma terem efetuado alte-rações no PDM (Plano Diretor Munici-pal), na medida em que acredita que es-te deva ser ales-terado com alguma fre-quência, no âmbito de acompanhar as necessidades do município. No próximo ano, contam com o PDM alterado, o que consideram algo realmente importante para o ordenamento do território. Outra iniciativa tomada pelo corpo muni-cipal é a instituição do IFRU
(Instrumen-to Financeiro de Reabilitação Urbana). Com efeito, devido à emigração, um grande número de edifícios, no concelho da Calheta, encontra-se abandonados ou em más condições. Graças a este ins-trumento financeiro, as famílias terão possibilidade de recuperar os seus imó-veis e, até, transformá-los em alojamen-to local, o que beneficia, também, o ren-dimento das famílias.
Turismo
Em relação ao turismo, o presidente de-monstra um grande contentamento. “Somos um concelho em franco cresci-mento turístico. A Calheta tem sido
mui-to procurada para investimenmui-to priva-do”, afirma. “O clima na zona Oeste da Madeira é excelente, e o nosso clima é sem dúvida uma grande atração para quem vem adquirir uma casa de férias na ilha”, refere, enfatizando as vanta-gens do seu concelho, “para além do cli-ma, temos a segurança que, hoje em dia, vale ouro. Podemos dizer que hoje, na Calheta, se deixa a porta de casa aberta ou a chave no carro”, continua. O autarca afirma que o concelho possui infraestruturas hoteleiras de qualidade e de referência a nível nacional. Todavia, realça a necessidade de investimento no âmbito de criar condições para os
vi-sitantes da Calheta, bem como fornecer apoio a quem deseja investir no mesmo concelho. Estes investidores são, muitas das vezes, estrangeiros que investem numa casa secundária.
Uma freguesia que o presidente realça é a freguesia do Jardim do Mar que, “é a mais pequena, mas muito bonita e pitoresca e que aconselho toda a gen-te a visitar”.
Em termos de desporto, o concelho da Calheta oferece uma vasta escolha, não só aos visitantes, mas também aos habi-tantes. Recentemente, estiveram pre-sentes, nas praias da Calheta, cam-peões mundiais de surf que revelaram, segundo o autarca, que as zonas do Jar-dim do Mar e do Paul do Mar são únicas para a prática do surf.
Para além de um dos desportos mais po-pulares, também existe o Big Gun Fishing, conhecido por “Pesca Grossa”. Neste evento de pesca têm lugar cam-peonatos do mundo, vencidos, duas ve-zes, por habitantes da Calheta. Também existe um clube naval com “uma dinâmi-ca impressionante” e um centro de mer-gulho. Contudo, a Calheta não promove apenas desportos aquáticos, isto é, tam-bém tem ao dispor uma escola de para-pente e outras atividades ligadas à natu-reza, tal como BTT.
Para finalizar, o presidente deseja a to-dos os munícipes uma boa época natalí-cia. “O Natal é feito de paz, amor, harmo-nia e o que eu desejo a todos é que pas-sem um Natal muito feliz em família e que visitem o concelho da Calheta, em que haverá uma missa, iluminações, uma festa de Natal para crianças e adul-tos, ou ainda, a Noite do Mercado na fre-guesia dos Prazeres”. Para além dos ha-bitantes do concelho, o presidente diri-ge-se, ainda, aos emigrantes e turistas, “que venham à Calheta nesta época na-talícia. Vão gostar”.
III
“O CLIMA NA ZONA OESTE DA MADEIRA
É EXCELENTE, E O NOSSO CLIMA É SEM DÚVIDA
UMA GRANDE ATRAÇÃO PARA QUEM VEM
► O concelho de Porto Moniz localiza--se no Norte da ilha e é constituído por quatro freguesias. A freguesia de Porto Moniz é uma das mais antigas da zona Norte do arquipélago, ao possuir uma carta régia datando do século XVI.
Ini-cialmente, as quatro freguesias perten-ciam ao concelho de Machico. Foi em 1835 que a freguesia de Porto Moniz foi elevada a concelho. O concelho co-meçou por ser constituído por cinco fre-guesias, até que, em 1871, a freguesia da Ponta do Pargo foi anexada ao con-celho da Calheta.
O concelho foi extinguido e reinstaurado a três repetições. A primeira extinção ocorreu em 1849, a segunda em 1867 e a última em 1895. Foi em fevereiro de 1898, que o concelho ficou instaurado definitivamente.
Após cinco derrotas, que não desmotiva-ram Emanuel Câmara, foi duas décadas após a sua primeira candidatura, em 2013, que ganhou a presidência da Câmara Municipal de Porto Moniz, com o Partido Socialista. Foi uma luta dura para o autarca que, após o esforço e a
determinação de um primeiro mandato, ganhou nas quatro freguesias do conce-lho, algo que nunca tinha acontecido an-tes. “Quatro anos depois, graças ao nos-so trabalho, ganhámos nas quatro fre-guesias, afirmando o Partido Socialista como força partidária que governa com competência e em proximidade com as pessoas”, revela Emanuel Câmara. Antes de se dedicar plenamente à políti-ca, o autarpolíti-ca, técnico da Administração Tributária de profissão, foi jogador de
fu-tebol, árbitro, funcionário hoteleiro, pro-fessor e deputado no parlamento regio-nal. Talvez esse seja o fator que o tenha levado a ter o espírito de equipa que tem, atualmente. Com efeito, o autarca afirma que o trabalho efetuado, ao longo do seu mandato, é um trabalho de equi-pa, na qual ele tem a responsabilidade de liderar, mas onde todos são peças fundamentais.
Hoje em dia, Emanuel Câmara afirma que o principal objetivo é consolidar o
traba-João Emanuel Câmara é presidente da Câmara Municipal
de Porto Moniz, um concelho situado a norte da ilha da
Madeira e que contabiliza apenas quatro freguesias:
Porto Moniz, Achadas da Cruz, Ribeira da Janela e Seixal.
A equipa do Empresas+® teve a oportunidade de
entrevistar o responsável pela evolução do concelho mais
pequeno da ilha da Madeira.
“Quanto maior a liberdade,
maior a responsabilidade”
MUNICÍPIO DE PORTO MONIZ
Emanuel Câmara
IV
lho que foi feito desde o primeiro ano de mandato. Para além disso, concentra-se, sobretudo, no apoio prestado à popula-ção do concelho de Porto Moniz, área em que se tem envolvido diretamente, na medida em que afirma: “Sempre tive es-sa interligação com as pessoas”.
Apoio social à população idosa
“Porto Moniz é, sobretudo, um concelho com pessoas com uma idade avança-da”, afirma o autarca. Por esse motivo, decidiu criar o Gabinete de Apoio ao Ido-so, convidando a vereadora Graciela Sil-va para a coordenação. Neste gabinete, foi formada uma equipa multidisciplinar. “Como é que se apoia os idosos? Derra-mando parte do orçamento da câmara, dando-lhes atividade e mobilidade, por-tanto, tirando-os de casa, e criando um gabinete multidisciplinar em que temos uma socióloga, uma enfermeira, uma assistente social, um professor de edu-cação física. Neste último ano, recrutá-mos também uma psicóloga, criando-se um grupo muito eclético”, confessa o presidente. A Câmara Municipal de Porto Moniz também atribui, em cartão, um valor mensal de 12 euros para gas-tos, em medicamentos com prescrição médica. Com o intuito de promover a qualidade de vida, a partilha de ideias e a vivência de novas experiências, foi or-ganizada, recentemente, por parte do Gabinete de Apoio ao Idoso, uma viagem ao arquipélago dos Açores, iniciativa na qual participaram cerca de 100 idosos do concelho, com resultados extrema-mente positivos. Emanuel Câmara mos-tra-se profundamente satisfeito com os resultados desta e de outras iniciativas de apoio e acompanhamento direto da população idosa.
Apoio social à população jovem
A Câmara Municipal também traz apoio às famílias e aos estudantes, desde a creche até ao ensino superior.
Foi instaurado por este executivo um plano de apoio à natalidade, pois a po-pulação de Porto Moniz tem vindo a en-velhecer drasticamente, sobretudo, de-vido à emigração.
À nascença de uma criança é concedido um apoio à natalidade de 30 euros men-sais, em cheque-farmácia, durante o pri-meiro ano de vida. Também é compartici-pado pelo município o valor correspon-dente a metade da mensalidade paga
pe-los encarregados de educação de todas as crianças do concelho, a frequentar a creche e pré-escolar, caminhando-se ru-mo à efetiva gratuitidade do ensino no concelho. Num claro investimento na educação, todos os alunos beneficiam de transporte escolar gratuito e são atribuí-dos, também gratuitamente, todos os manuais escolares e correspondentes cadernos de atividades, desde o 1.º ano ao 12.º ano. Os estudantes universitá-rios, a estudar na Madeira, auferem um apoio de 150 euros mensais, enquanto que aos que se encontram a estudar fora da região, a autarquia, para além deste apoio mensal, concede o pagamento de
duas viagens aéreas, com um teto máxi-mo de 200 euros cada uma.
Descentralização de competências
“Eu não posso aceitar, enquanto autar-ca, que as minhas competências sejam diferentes das de um autarca de um mu-nicípio do Algarve ou do Alentejo”, afir-ma Eafir-manuel Câafir-mara. O presidente con-sidera uma injustiça, relativamente ao processo de descentralização, o facto dos autarcas das regiões autónomas, não terem as mesmas competências que os autarcas do continente. “Quero ser tratado da mesma forma, de modo a
que a população que represento usufrua dos benefícios de um Poder Local com mais e melhor capacidade de interven-ção, à semelhança do que sucederá em Portugal continental. Não posso aceitar que o Governo Regional castre a ação das autarquias”, afirma o autarca. “Se há competências nesta ou naquela área, que serão derramadas nas câma-ras no espaço continental, os governos regionais têm que perceber que também terão de derramar essas competências nas câmaras das regiões autónomas”, afirma o presidente do concelho de Por-to Moniz, que apela à igualdade de com-petências atribuídas, entre os autarcas do território continental e os autarcas dos arquipélagos.
“Eu transmito para o munícipe, a res-ponsabilidade de anuir ou não aquilo que a câmara está a oferecer”, afirma o presidente. Com efeito, o autarca indica que todas as decisões e opções toma-das pelo mesmo são estudatoma-das para melhorar as condições do concelho. Estando sempre à escuta dos muníci-pes, Emanuel Câmara faz sempre ques-tão de justificar devidamente cada deci-são tomada.
Ordenamento do território
Quando questionado a propósito do or-denamento do território, Emanuel Câmara responde: “Sendo autarca nu-ma região autónonu-ma, considero conde-nável que o Governo Regional fale de au-tonomia apenas em seu benefício, auto-nomia que foi vendida por 20 milhões, e que se esqueçam das suas responsabili-dades”. O entrevistado realça esse fenó-meno, explicando que, “quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade”. Efetivamente, a Câmara Municipal de Porto Moniz é quem trata da gestão das águas e resíduos do concelho e, através deste exemplo, o presidente explica a
V
“EU NÃO POSSO ACEITAR, ENQUANTO AUTARCA,
QUE AS MINHAS COMPETÊNCIAS SEJAM
DIFERENTES DAS DE UM AUTARCA DE UM
MUNICÍPIO DO ALGARVE OU DO ALENTEJO”
necessidade e legitimidade de assumir a autonomia desejada.
“A grande luta, para o futuro, é fixar as pessoas
em Porto Moniz”
A câmara municipal tem desenvolvido pro-jetos vocacionados para o apoio às dife-rentes faixas etárias da população. Esses apoios, para além de melhorarem a quali-dade de vida dos munícipes, ajudam a fi-xar população no concelho de Porto Moniz. O presidente explica: “Se os muní-cipes pensarem ‘tenho tudo aqui, os meus filhos recebem ajudas, os meus pais rece-bem ajudas, que motivo tenho eu para ir embora?’ Isso diminuirá significativamen-te a desertificação que estamos a sofrer neste momento. Obviamente que essas medidas só farão efetivamente sentido se remarmos todos para o mesmo lado, e o Governo Regional trabalhar no sentido de acompanhar o esforço das autarquias, dando o seu contributo no sentido de que, todos juntos, tentemos reverter o fenóme-no da desertificação que atinge não só Porto Moniz, mas todos os concelhos do Norte da ilha. Sem esquecer as especifici-dades próprias que são requeridas desig-nadamente pela ilha do Porto Santo”. O autarca explica ainda que o município de Porto Moniz, continuando a perder po-pulação, corre o risco de não conseguir manter, por exemplo, os socalcos agricul-tados que constituem parte das paisa-gens pitorescas que tão bem caraterizam este concelho. Desta forma, Emanuel Câmara afirma, com determinação: “A grande luta, para o futuro, é fixar as pessoas em Porto Moniz”.
Turismo
Tendo em conta a localização e a paisa-gem do município de Porto Moniz, tem existido neste concelho, nos últimos anos, uma grande aposta no turismo vocaciona-do para os desportos outvocaciona-door. Ainda no
âmbito de aproveitar os recursos naturais, o município apoia a prova internacional MIUT (Madeira Island Ultra Trail) e dispõe de quatro circuitos diferentes de BTT. Por-to Moniz apresenta-se como a capital do
canyoning, considerada uma atividade de
risco, aconselhada apenas a pessoas ex-perientes, mas que proporciona aos seus praticantes sensações inolvidáveis. Graças à incrível fauna e flora da floresta Laurissilva, também é possível a oferta de um tipo de turismo científico, em que o contexto favorece a observação ornito-lógica e as ocorrências naturais de geodi-versidade.
O município conta ainda com tradições religiosas bem enraizadas, entre as quais
se destacam os arraiais, com os típicos tapetes de flores e procissões. A maior atração, reconhecida internacionalmen-te, são as piscinas naturais de água sal-gada de Porto Moniz. As piscinas encon-tram-se, desde 1993, galardoadas de Bandeira Azul, mas também, desde 2012, com o Galardão de Praia com Qua-lidade de Ouro, atribuído pela QUERCUS (Associação Nacional de Conservação da Natureza). Estes complexos balneares, de origem vulcânica, foram ainda consi-derados, pela estação televisiva norte--americana CNN, como as melhores pisci-nas naturais do mundo.
Todos os anos, um milhão de pessoas vi-sita a ilha da Madeira, das quais 500 mil
visitam Porto Moniz. Com um turismo desta envergadura, o autarca revela: “O empresário só pensa no seu lucro e nas suas mais-valias, o autarca tem que pensar em todos”. Em consequência, a câmara municipal está a ter cuidados es-peciais com a manutenção do concelho, na medida em que “faz toda a diferença a forma como nos preparamos para rece-bermos quem nos visita”.
Emanuel Câmara afirma: “Porto Moniz é uma referência, e isso não é de agora. As pessoas vêm cá e gostam”, e para acolher os turistas, o município possui estruturas hoteleiras e serviços de res-tauração com qualidade.
Mensagem
A finalizar, o presidente Emanuel Câma-ra expressa o seu desejo de continuar um trabalho de promoção do município, procurando manter a sua população no território e dando boas condições de fi-xação aos emigrantes que regressam e que se podem assumir como um impor-tante capital humano de revitalização do concelho.
Relativamente às festas de final de ano, o autarca confessa que, “há uma grande ligação à família nesta altura, principal-mente na Madeira, cheia de tradições”, desta forma, deseja a todos os muníci-pes e naturais de Porto de Moniz, exce-lentes festas, repletas de saúde e har-monia.
► Em 2013, criou-se um movimento com o âmbito de mudar o rumo do concelho, no sentido de um maior desenvolvimento e qualidade de vida. Desta forma, foi propos-to a José António Garcês, atual presidente da Câmara Municipal de São Vicente, lide-rar uma lista de independentes. Este movi-mento resultou num sucesso, na medida em que em setembro do ano de 2013, foi o Movimento Independente UPSV (Unidos Por São Vicente) que venceu as eleições autárquicas, com 64,69% dos votos, ele-gendo quatro dos cinco mandatos para a câmara municipal.
A equipa do Empresas+® esteve à conver-sa com José António Garcês, presidente da Câmara Municipal de São Vicente, para atualizar os seus leitores sobre o trabalho desenvolvido pelo executivo autárquico, no município madeirense, ao longo do primei-ro ano deste segundo mandato.
No que diz respeito ao mandato anterior, todas as políticas sociais e educacionais, que tinham sido aplicadas, mantiveram-se como prioritárias neste segundo mandato e foram desenvolvidas. Para além das polí-ticas, um ponto que foi privilegiado pelo corpo municipal foi a proximidade com os munícipes. “Olhando primeiro para as pes-soas, nós continuamos com todos os apoios e, até, criando mais alguns”, afirma o autarca.
Apoio social
A Câmara Municipal de São Vicente dispõe de apoios para toda população que o mu-nicípio compreenda, desde crianças, aos estudantes, aos idosos ou até emigrantes que regressem ao território. A crise política e económica que atualmente se vive na Ve-nezuela tem ditado o regresso de muitos emigrados ao concelho de São Vicente. Consciente da realidade vivida pelos seus concidadãos, que outrora rumaram para o estrangeiro, José António Garcês tem pro-curado dar uma resposta pronta e eficaz a todos os que hoje desejem regressar à sua terra natal. Com efeito, a câmara munici-pal criou condições para a reintegração dos emigrados. Nomeadamente, através do Fundo de Emergência Social do municí-pio, que procura implementar medidas de combate à exclusão social nas suas múlti-plas vertentes, tendo por objetivo principal proporcionar à população do concelho me-lhores condições de vida e igualdade de oportunidades.
José António Garcês é presidente da Câmara Municipal de
São Vicente desde 2013. Sendo um dos concelhos mais extensos
da ilha da Madeira é rodeado pelos concelhos de Câmara de
Lobos, Santana, Calheta, Ribeira Brava, Ponta do Sol, Porto
Moniz e, por fim, pelo oceano Atlântico, a norte. Fundado em
1744, desde 1898, o concelho ficou com três freguesias
agregadas: Boaventura, Ponta Delgada e São Vicente.
“A câmara municipal
é a casa de todos
os munícipes”
MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE
José António Garcês
VII
A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO VICENTE DISPÕE
DE APOIOS PARA TODA POPULAÇÃO QUE O
MUNICÍPIO COMPREENDA, DESDE CRIANÇAS, AOS
ESTUDANTES, AOS IDOSOS OU ATÉ EMIGRANTES
QUE REGRESSEM AO TERRITÓRIO
Em termos de população idosa, deram continuidade a projetos já existentes, co-mo por exemplo, a natação e a dança sé-nior. Iniciativas que procuram fomentar o envelhecimento ativo e de qualidade da população mais idosa do concelho. “Há envelhecimento, porque se vive mais tem-po, e isso é porque temos uma melhor qualidade de vida”, revela, com satisfa-ção, José António Garcês. Para além das atividades supracitadas, a Câmara Muni-cipal de São Vicente tem como projeto a decorrer a criação do Centro Intergeracio-nal. Este centro tratar-se-á de um espaço de interação e partilha entre a população mais jovem e a população idosa do conce-lho. Este investimento de cerca de 460 mil euros encontra-se, de momento, em fase de aprovação de uma candidatura feita aos fundos comunitários.
Os estudantes do ensino básico e secun-dário também podem usufruir de um apoio disponibilizado pela câmara municipal. A começar pelos manuais escolares, as ati-vidades extracurriculares, e o transporte para visitas de estudo, gratuitos para to-dos os estudantes do concelho.
Atualmente, as estruturas necessárias, pa-ra o ensino situam-se em quatro locais dis-tintos. Esta situação requer a
disponibiliza-ção de transportes de um ponto para o ou-tro. O presidente José António Garcês reve-la que a solução, a médio prazo, passa pe-la construção de uma infraestrutura, po-dendo responder a todas as necessidades que os alunos possam ter. A ideia do presi-dente será a de construir uma espécie de polo escolar, com o objetivo de criar melho-res condições, tanto para os educandos, como para os encarregados de educação. “Nós pretendemos criar infraestruturas pa-ra dar melhores condições aos alunos e aos pais dos alunos”, revela o autarca.
Estudantes universitários
Relativamente ao ensino superior, bolsas de estudo, a todos os estudantes universi-tários de São Vicente, já eram uma realida-de nos anos anteriores. Contudo, eram
atribuídas sob duas condições: os mestra-dos não eram apoiamestra-dos pela câmara muni-cipal, apenas os mestrados integrados o eram, e apenas os alunos das universida-des públicas recebiam ajudas. Este ano, o regulamento foi alterado. Desse modo, ho-je em dia, todos os estudantes em mestra-do recebem apoio, quer seja integramestra-do ou não, todavia, apenas é apoiado um mes-trado por aluno. Sem esquecer que, este ano, passaram a atribuir ajudas tanto a alunos de universidades públicas, como a alunos de universidades privadas.
Descentralização de competências
Quando abordada, em entrevista, a ques-tão da descentralização de competências, José António Garcês foi perentório ao
afir-mar: “Há dois setores: educação e saúde que acho que não deviam ser descentrali-zados”. O autarca fez questão de dar como exemplo a realidade vivida em São Vicen-te, para ilustrar a sua posição face ao processo.“Em São Vicente, temos um cen-tro de saúde que é um mini hospital”, afir-ma o autarca, relatando ainda que o centro de saúde dispõe de serviços como consul-tas, médicos de família, urgências abertas 24 horas por dia, ou ainda, internamento e cuidados continuados. Desta forma, José António Garcês acredita que, por vezes, a centralização das competências torna-se numa mais-valia.
Também questionámos o presidente da câmara municipal sobre as suas inten-ções, em relação ao ordenamento do terri-tório. O entrevistado revelou ao
sas+® que o PDM (Plano Diretor Munici-pal) do concelho está a ser modificado, de forma a melhor se adaptar às necessida-des atuais. Após a discussão pública, se não estiver pronto no final do ano, estará, sem dúvida, no início do ano de 2019. Sa-lientou também os ARU nas três freguesias do concelho, um dos quais já está aprova-do (freguesia de São Vicente) e o outro es-tá em fase de aprovação (Ponta Delgada e Boaventura) e que irão ser uma mais-valia na recuperação e valorização dos imóveis degradados no concelho.
Turismo
O concelho de São Vicente tem muito para oferecer, desde as paisagens naturais até às vinhas, também dispõe de inúmeras ati-vidades relacionadas com a natureza. Em tempos, a Europa encontrava-se cober-ta de gelo, em consequência, muicober-tas espé-cies vegetais não sobreviveram ao frio, de-saparecendo. Na ilha da Madeira, o arrefe-cimento não foi tão intenso, sendo que desta forma as plantas sobreviveram e, ho-je em dia, dão lugar ao Jardim de Plantas Indígenas, que ocupa uma área de,
aproxi-madamente, 1500 metros quadrados. Uma mais-valia do município é, também, a quantidade de miradouros que possui, que permitem a todos os visitantes deslumbra-rem-se com as magníficas paisagens que adornam este território. José António Gar-cês faz ainda questão de salientar o forte aumento em alojamento local que o conce-lho tem registado nos últimos anos. “No próximo ano já vamos aumentar a nossa capacidade de camas”, afirma o autarca, que assume que a oferta a nível de aloja-mento, no município de São Vicente, se di-vide em empreendimentos turísticos e alo-jamento local.
A gastronomia madeirense aproveita o cul-tivo de produtos locais, por exemplo, a cou-ve, o trigo, o feijão, o milho, a cana-de-açú-car, sem esquecer as vinhas e a pesca. Al-gumas sugestões gastronómicas,
tipica-mente madeirenses, são o bolo do caco, caramujos e caranguejos cozidos, espeta-da com milho frito, bem como o vinho ma-deirense e a poncha regional. Todos estes pratos típicos podem ser encontrados e degustados num vasto leque de restauran-tes de que o município de São Vicente dis-põe e que prometem levar até si o melhor da gastronomia madeirense.
A registar um exponencial crescimento tu-rístico, o concelho de São Vicente afigura--se, cada vez mais, um destino de passa-gem obrigatória para aqueles que visitem a pérola do Atlântico. O autarca explica o sucesso turístico que a ilha da Madeira tem verificado, ultimamente, da seguinte forma: “A Madeira beneficiou, não só do boom turístico, mas também do facto de que outros destinos turísticos tenham tido problemas, levando os turistas a vir para
cá”. A economia do concelho é dos princi-pais setores beneficiados pela elevada afluência de turistas ao território. Um im-pacto positivo e que se faz sentir um pouco por todo o concelho. É com orgulho que Jo-sé António Garcês afirma que, “os empre-sários voltaram a acreditar em São Vicen-te”. Na medida em que há cinco anos atrás, não existia nenhum supermercado em São Vicente, hoje em dia já existem dois, apesar do maior lucro, para o municí-pio, ser o investimento realizado a nível de hotelaria e restauração.
Mensagem
A proximidade com a população é primor-dial para José António Garcês. Desta for-ma, e em jeito de despedida, o autarca fez questão de deixar uma mensagem de es-perança e confiança a todos os munícipes, mas também a todos os portugueses a quem, nesta época natalícia, o presidente concede votos de um feliz Natal e um prós-pero ano novo.“A todos os munícipes de São Vicente, e a todas as pessoas de Portugal um feliz Natal e um bom ano no-vo”, dizendo ainda a toda a população do concelho que, “podem continuar a contar connosco, a câmara municipal é a casa de todos os munícipes do concelho”.
IX
“A GASTRONOMIA MADEIRENSE APROVEITA O
CULTIVO DE PRODUTOS LOCAIS, POR EXEMPLO,
A COUVE, O TRIGO, O FEIJÃO, O MILHO, A CANA-DE-
-AÇÚCAR, SEM ESQUECER AS VINHAS E A PESCA”
► O município de Ribeira Brava deve o seu nome à ribeira que lá se encontra, pois, em época chuvosa, ficava com uma corrente particularmente forte. Foi a terceira freguesia fundada na ilha, logo após Funchal e Machico, sendo considerada uma das localidades mais antiga. Ribeira Brava também foi desde cedo importante graças à sua localiza-ção, que facilitava a comunicação entre vários pontos, o que ainda hoje se verifi-ca dado o ponto geográfico que ocupa na ilha.
Desde 2013, Ricardo Nascimento é pre-sidente da Câmara Municipal de Ribeira Brava. Licenciado em Matemática pela Universidade da Madeira, foi diretor da Escola Básica Cónego João Jacinto Gon-çalves de Andrade, antes de se tornar
presidente do município. Quando lhe foi perguntado de que forma resumiria este último ano de mandato, o presiden-te afirmou: “Espresiden-te foi um ano de muitas conquistas”.
Apoio Social
Entre todos os aspetos abordados, a aju-da social, que foi instauraaju-da no municí-pio, sobressai pela quantidade de medi-das tomamedi-das. Com efeito, foram aprova-das mediaprova-das que, até hoje, nunca tinham
sido implementadas no município de Ri-beira Brava, mas também foram cumpri-das promessas que tinham sido feitas no atual manifesto da candidatura do presi-dente Ricardo Nascimento. Passando por todas as idades, o município presta apoio desde crianças até seniores.
Para famílias carenciadas, foi aprovado um novo regulamento de apoio à recupe-ração de habitações degradadas. Neste sentido, já são várias as famílias contem-pladas por estes apoios que veem assim
garantidas melhores condições de habi-tabilidade.
A partir deste ano, tanto os pais dessas famílias mais carenciadas, como do resto das famílias do município, poderão con-tar com reforços na ajuda da câmara mu-nicipal no que toca à educação dos seus filhos. Para além de disponibilizar trans-porte gratuito a todos os estudantes do 1º ciclo, continuam a atribuir ajudas, já aprovadas no passado, em termos de manuais escolares, que são distribuídos gratuitamente a estudantes do mesmo ciclo. Todavia, este ano, a câmara munici-pal alargou a possibilidade de ajuda, a este nível, aos estudantes até ao 2º ciclo, isto é, garante a cedência dos manuais escolares gratuitamente, a títu-lo de empréstimo. A distribuição de mate-rial escolar, aos estudantes até ao ensino secundário, mantém-se e, para os alunos de ensino superior, o valor da bolsa de
Ricardo Nascimento é o
presidente da Câmara
Municipal de Ribeira Brava
desde 2013. Dos cinco anos
de mandato que contabiliza,
o presidente afirma:
“Este foi um ano de muitas
conquistas”. A equipa do
Empresas+® deslocou-se até
à ilha da Madeira para
entrevistar o presidente
sobre os objetivos cumpridos
neste último ano.
“Este foi um ano
de muitas conquistas”
MUNICÍPIO DE RIBEIRA BRAVA
Ricardo Nascimento
X
PARA ALÉM DE DISPONIBILIZAR TRANSPORTE
GRATUITO A TODOS OS ESTUDANTES DO 1º
CICLO, CONTINUAM A ATRIBUIR AJUDAS, JÁ
APROVADAS NO PASSADO, EM TERMOS DE
MANUAIS ESCOLARES, QUE SÃO DISTRIBUÍDOS
GRATUITAMENTE A ESTUDANTES DO MESMO CICLO
estudos foi aumentado em 100 euros, passando para os atuais 500 euros. Para os mais novos, serão comparticipadas as despesas de creches e jardins de infân-cia, já a partir de janeiro de 2019. Relativamente à melhoria da qualidade de vida da população idosa, foi imple-mentado o Cartão do Idoso para habi-tantes com 66 anos ou mais, ao qual mais de 300 já se candidataram, con-tando já com cerca de 200 cartões atri-buídos. Este cartão permite a comparti-cipação da câmara municipal para a me-dicação e exames complementares que requeiram, muitas das vezes, ser feitos em hospitais privados, mas também a aquisição de fraldas. O Cartão do Idoso não foi a única medida tomada para me-lhorar a qualidade de vida dos habitan-tes seniores do município. Com efeito, foi reconstruído um imóvel camarário que se encontrava degradado, tendo si-do transformasi-do e renovasi-do, contansi-do agora com a presença de dois assisten-tes sociais e um animador cultural para o desenvolvimento de atividades inter-geracionais para a população. Aberto to-das as tardes de segunda a sexta-feira, onde não só a população idosa, mas to-dos os habitantes podem lá passar mo-mentos de partilha, potenciadores de desenvolvimento pessoal e social. Ainda assim, para lutar contra a solidão e o isolamento e no âmbito de promover a partilha de ideias, foi criada, pela primei-ra vez no concelho de Ribeiprimei-ra Bprimei-rava, uma universidade sénior, na qual existem três turmas. Ao trazer todas as ajudas supra-citadas ao município, o presidente, com grande contentamento, revela que, “foi um ano, a nível social, se falarmos em va-lores, muito positivo”.
Investimentos do município
Em termos de investimentos, como já se viu a nível social, também noutras áreas “foi um ano de grandes investimentos”, assume o entrevistado. Efetivamente, fo-ram feitas quatro estradas, encontrando--se uma delas já concluída e outras três em execução. São estas a estrada do Pe-dregal, a da Fonte Pinheiro, a da Levada do Barqueiro e a estrada agrícola do Cha-pim. Estes caminhos agrícolas foram fi-nanciados pelo PRODERAM (Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autóno-ma da Madeira). Houve ainda tempo para concluir um projeto que estava suspenso há alguns anos, por falta de verbas e que agora permitiu o asfaltamento e trabalhos
de conclusão do caminho da Porta Nova – Vigia. Ao nível da gestão de espaços ver-des o presidente refere que, “mudamos a nossa aparência em termos de jardins, fi-zemos um upgrade”, onde toda a remode-lação foi concretizada pelas equipas dos serviços municipais. As praias de Ribeira Brava recuperaram, este ano, a bandeira azul que tinham tido em 2014, tudo gra-ças ao investimento feito pela autarquia li-derada por Ricardo Nascimento.
O presidente revela ainda uma medida tomada para diminuir a dívida bancária do município – a renegociação de um empréstimo bancário. O empréstimo em vigor, que detinha uma taxa de juro variá-vel, foi substituído por um com uma taxa de juro fixa e com vantagens, em termos
de poupança para o município na ordem dos 100 mil euros. Isto porque, com ain-da quatro anos de pagamento pela fren-te, a taxa de juros acabaria por variar e, regra geral, a taxa aumenta ao invés de diminuir, pelo que a medida traz vanta-gens ao município e consequentemente aos munícipes.
Um ponto extremamente valorizado pelo presidente é a proximidade com os habi-tantes. “A proximidade com o município é muito importante. Mal fui eleito, na se-mana seguinte já estava a fazer atendi-mentos. Isto porque não conseguimos es-tar em todos os cantos, o município é grande e por isso é importante abrir ca-nais de escuta para resolver os proble-mas dos munícipes e do município”, reve-la o entrevistado. Deste modo, atende os habitantes, de forma a esclarecer qual-quer dúvida que possam ter, todas as se-manas, à terça-feira. “As pessoas vêm porque ninguém vem aqui e sai de mãos a abanar, mesmo sem marcação”, expli-ca o presidente da Câmara Municipal de Ribeira Brava.
A opinião do presidente sobre as novas medidas em jogo
Quando perguntado ao presidente qual a sua opinião em relação à descentraliza-ção de competências, este responde: “Eu acho que é importante descentralizar”. Segundo o presidente, o que é necessá-rio é atribuir as competências a quem te-nha capacidade para “responder melhor do que está”. O edil realçou, ainda, a ne-cessidade de analisar qual será o custo de todo o processo de descentralização, no sentido de trazer sustentabilidade a essas medidas.
Em termos de ordenamento do território, o presidente afirma: “A nível regional, as câmaras já têm algum controlo no que concerne ao ordenamento do seu terri-tório”, o que considera uma ferramenta importante para o ordenamento do
terri-XI
“A PROXIMIDADE COM O MUNICÍPIO É MUITO
IMPORTANTE. MAL FUI ELEITO, NA SEMANA
SEGUINTE JÁ ESTAVA A FAZER ATENDIMENTOS”
tório na Região Autónoma da Madeira. O presidente Ricardo Nascimento afir-ma, ainda, que as câmaras municipais da Região Autónoma da Madeira têm o seu Plano Diretor Municipal aprovado e revisto.
Turismo & Cultura
O presidente explica que o mandato de 2013 a 2017 foi extremamente exigente a nível financeiro. Em consequência disso, decidiram tomar pequenas medi-das que pudessem fazer toda a diferen-ça para Ribeira Brava. No âmbito de atrair visitantes para movimentar o co-mércio local, foram criados vários even-tos, nomeadamente as atividades de Natal, entre elas, a Noite do Mercado que, por sua vez, resultaram em grande sucesso. “Eu começo a dizer que Ribei-ra BRibei-rava está a ficar na moda”, afirma o entrevistado.
“Temos apostado em várias atividades culturais e festivas, de forma a conti-nuar a dinamizar o nosso concelho”, ex-plica o presidente, que não se tem limi-tado à organização de eventos
natalí-cios. Para além da festa de São Pedro, cuja última edição, afirma o presidente, “foi o maior São Pedro de sempre”, Ri-beira Brava como tradição o desporto automóvel e, há três anos, foi iniciada a participação e organização de uma pro-va de Rampas, integrada no Campeona-to Regional de Rampas. Finalmente,
es-te ano os habitanes-tes e visitanes-tes de Ri-beira Brava puderam presenciar mais um evento dedicado a esse mesmo des-porto automóvel, foi ele a última prova do Campeonato Regional de Rally, que se realizou no concelho, em parceria com o Clube Automóvel de Santa Cruz. O presidente da Câmara Municipal de
Ri-beira Brava termina a entrevista a convi-dar os habitantes a participar nas festivi-dades natalícias do concelho, e promete que esta época que se aproxima servirá para ganhar forças para o que há-de vir no ano de 2019, ou seja, a “continuidade do investimento no concelho e nas pes-soas”, termina.
► As Grutas de São Vicente são uma das maiores atrações a nível regional. Com efeito, são visitadas, anualmente, por mais de 150 mil pessoas. Sem dúvi-da, a paisagem única, da ilha da Madei-ra, que rodeia as grutas é um fator com grande contribuição para a beleza do lo-cal, assim como a existência de peque-nos lagos de água cristalina e algumas câmaras extensas, integradas no circui-to da visita. A visita, com duração de uma hora, é composta pela visita às pró-prias grutas, mas também pela visita ao Centro do Vulcanismo. Isto é, meia hora de visita a percorrer os 700 metros de rota subterrânea para aceder aos 1000 metros de tubos de lava das Grutas de São Vicente e, mais tarde, meia hora de espetáculos audiovisuais no Centro do Vulcanismo.
Para além das visitas, também existe, ao dispor dos visitantes, uma zona de restauração e uma loja de venda de pro-dutos locais, desde vinhos de São Vicen-te até cremes à base de produtos prove-nientes de Laurissilva.
A equipa do Empresas+® foi ao encon-tro dos responsáveis pela gestão das
Grutas de São Vicente, Fernando Simão de Góis, vice-presidente da Câmara Mu-nicipal de São Vicente e presidente do conselho de administração, e Jhenny Figueira, vice-presidente do conselho de administração, para que nos contem um pouco mais sobre este património natural.
Naturnorte
A Naturnorte – Gestão de Equipamentos Coletivos e Prestação de Serviços, EMSA é a entidade que detém a gestão das grutas. A empresa municipal conta com cerca de 35 colaboradores, maior parte deles, guias especializados em visitas guiadas às grutas, mas também contam com funcionários nos setores da restau-ração, venda/marketing e operacionais de manutenção e jardins.
A empresa fatura cerca de um milhão de euros, anualmente. Em consequência,
nota-se um crescimento médio de 16% anuais, nos últimos quatro anos, perfa-zendo um total acumulado de cresci-mento de 64% no que se refere ao nú-mero de visitantes.
A Naturnorte também é responsável pe-los postos de turismo de São Vicente, que recebem cerca de 1400 turistas, mensal-mente. Nestes, tem criado mapas de visi-tas guiadas ao concelho, mas também é proposto, aos turistas, uma viagem de comboio turístico que recolhe os visitan-tes nas Grutas de São Vicente e na vila de São Vicente e os leva até Ponta Delgada, Boaventura, entre outros locais, por
ape-nas dois euros, com o intuito de dar a co-nhecer o concelho e outras atratividades turísticas. Fernando Simão de Góis afir-ma-nos que 13% dos visitantes chegam às Grutas de São Vicente através de agências de turismo e empresas de ani-mação turística ou similares, e que os restantes 87% dos visitantes não só se dirigem para lá graças ao trabalho de marketing e distribuição de panfletos em locais estratégicos, tais como hotéis, pos-tos de turismo, aeroporto e outros locais de grande afluência de turistas, como também devido à notoriedade que o es-paço tem no contexto turístico regional.
As Grutas de São Vicente
são um dos maiores pontos
de atração do arquipélago
da Madeira. Uma visita às
grutas permite mergulhar
no passado, com uma
história que recua até 890
mil anos. Junto às grutas
vulcânicas, encontra-se,
também incluído na visita,
o Centro do Vulcanismo,
que dá a conhecer,
ludicamente, todo o
processo científico que
levou à existência das
Grutas de São Vicente e à
origem da ilha da Madeira.
uma das maiores atrações
do arquipélago da Madeira
GRUTAS DE SÃO VICENTE
Fernando Simão de Góis
XIII
A VISITA, COM DURAÇÃO DE UMA HORA,
É COMPOSTA PELA VISITA ÀS PRÓPRIAS GRUTAS,
MAS TAMBÉM PELA VISITA AO CENTRO
Investidos no desenvolvimento do conce-lho de São Vicente e na aposta efetuada nas grutas, o grupo Naturnorte também gere um parque de estacionamento, um solar que se trata da Quinta da Ribeira Seca, ou seja, um solar com grande valor turístico na medida em que é uma casa tradicional madeirense contendo peças de arte de elevado interesse regional, na-cional e até internana-cional, assim como um novo projeto de canyoning para prin-cipiantes, na medida em que este é um desporto já bem desenvolvido na ilha da Madeira, todavia, apenas procurado pe-los atletas mais experientes e profissio-nais. “Este conselho de administração está empenhado no sucesso crescente da empresa e de todas as áreas que a compõem, contribuindo de forma decisi-va para o desenvolvimento do concelho de São Vicente e da Região Autónoma da Madeira. Este é o nosso objetivo e com-promisso”, afirma o responsável, Fernan-do Simão de Góis.
Em suma, a Naturnorte é uma empresa municipal com objetivos muito mais grandiosos do que a maioria do mer- cado, pois valoriza, cada vez mais, a educação, a cultura, o desporto e a tradição.
Mas porque os objetivos da Naturnorte não se ficam por aqui, saliente-se a cres-cente preocupação na área da respon-sabilidade social em que, de ano para ano, tem apoiado famílias carenciadas e referenciadas pelas entidades compe-tentes. “As empresas são feitas por pes-soas e para as pespes-soas, pelo que não faz qualquer sentido não nos preocupar-mos com o bem-estar delas, são elas a razão da nossa existência”, conclui Fernando Góis.
História das Grutas de São Vicente
As Grutas de São Vicente foram resulta-do de uma erupção vulcânica, ocorrida há cerca de 890 mil anos. Contudo, foi em 1885 que as grutas foram descober-tas pelos locais de São Vicente e que, após terem divulgado a sua descoberta, foram estudadas pelo inglês James Ya-tes Jonhson, um naturalista que vivia na ilha da Madeira desde 1851 e passava o seu tempo a estudar os espécimes, maioritariamente aquáticos, do arquipé-lago. Uma vez que as Grutas de São Vi-cente passaram pelas mãos de James
Jonhson, foi elaborado um projeto inte-grado para o seu aproveitamento. Fruto desse projeto, as grutas abriram as suas portas ao público em 1996, isto é, há 22 anos. “São das primeiras grutas de origem vulcânica em Portugal e são, neste momento, as mais visitadas do país”, revela, com contentamento, o presidente do conselho de administra-ção. O exterior das grutas ficou exposto a temperaturas extremamente baixas, o que permitiu a sua rápida solidificação. Em contrapartida, continuava a escor-rer lava pelo interior, formando, assim, tubos de lava sob os quais, hoje em dia,
é possível caminhar. As Grutas de São Vicente são constituídas por três gale-rias, sendo que a maior galeria é deno-minada de Lago dos Desejos. A visita permite aos visitantes desfrutar de um espetáculo deslumbrante numa viagem ao interior da Terra, onde é possível ob-servar estalactites vulcânicas, escor-rências de lava (pingos de lava), acumu-lações de lava (representa o final de uma corrente de lava lenta) e uma ro-cha transportada pela lava, mas que de-vido às suas dimensões e à baixa tem-peratura, ficou presa no interior de um dos tubos lávicos.
Jhenny Figueira
Centro do Vulcanismo
O Centro do Vulcanismo está localizado junto às grutas, na falésia do lado opos-to à Ribeira de São Vicente, no fundo do vale, onde se iniciou a formação da ilha. É neste local que são efetuados 30 mi-nutos da visita, que conjuga cultura e co-nhecimento com lazer e animação. Num pavilhão com uma capacidade de cerca de 60 visitantes, o Centro do Vulcanismo oferece espetáculos audiovisuais que representam a recriação da evolução geológica das grutas, a erupção de um vulcão, ou ainda a simulação do nasci-mento do arquipélago. Uma forma lúdica de partilhar conhecimentos científicos sobre o sítio a ser visitado.
Apoio e iniciativas inovadoras
Fernando Simão de Góis reconhece que o arquipélago da Madeira está a viver um bom momento, no que ao turismo diz respeito. No entanto, não esquece que é necessário ter alguma precaução. “Possuímos a consciência que estes últi-mos anos a Madeira viveu um bom mo-mento de turismo e que o mercado irá começar a operar as devidas correções. Assim, desde o início da tomada de pos-se deste conpos-selho de administração, existiu a preocupação de melhorar a rentabilidade por cliente, sendo que a opção pelo “Cross selling” mostrou ser decisiva para alcançar este objetivo, tendo registado ao longo destes últimos quatro anos uma melhoria significativa para o crescimento desta meta. A co-mercialização e divulgação dos produtos locais e a disponibilização de serviços complementares à visita contribuiu deci-sivamente para o melhoramento contí-nuo das margens financeiras e da renta-bilidade”, assume Fernando Góis. Estas medidas – comercialização e di-vulgação de produtos locais – são toma-das com o intuito de também ajudar a desenvolver o concelho. É de realçar o fato de que o vice-presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Fernando Simão de Góis, não lamenta a falta de apoio financeiro, mas sim o excesso de burocracia e entraves que dificultam a gestão proativa de um espaço tão dinâ-mico como o complexo das grutas. Com o objetivo de inovar e atrair aman-tes do pedestrianismo, Fernando Simão de Góis também está a participar na or-ganização e construção da Grande Rota de São Vicente, com cerca de 50 quiló-metros, e de uma Via Ferrata, ambos
projetos pioneiros na ilha da Madeira. Estes projetos ecológicos serão financia-dos com verbas comunitárias e contam com a participação do engenheiro Paulo Rocha, que revelou, segundo o entrevis-tado, “vocês têm aqui condições que não existem em mais lado nenhum da Europa”. A candidatura do projeto será levada à Linha do Turismo de Portugal, apoiado até 300 mil euros.
Desta feita, o responsável e também vi-ce-presidente do município de São Vicente e detentor do pelouro do Turismo, afirma que possuem um grupo especiali-zado em turismo que, periodicamente, se reúne e discute ideias, sendo uma mais--valia existir um grupo de profissionais in-formados e atualizados sobre os assun-tos relativos ao turismo. “A maior parte
dos projetos que lançámos sobre o turis-mo saiu deste grupo de trabalho coturis-mo é o exemplo o mapa de apoio ao turista, o Pocket Guide de São Vicente, o Encontro Regional de Pedestrianismo, o Documen-to Estratégico do Turismo para o conce-lho, a aplicação de apoio ao turista, a Grande Rota, a Via Ferrata, a criação de um novo site dedicado exclusivamente ao turismo, a requalificação do Jardim de Plantas Indígenas de São Vicente, a re-qualificação da ‘Surf Zone’ dos juncos en-tre outros projetos”.
Efetivamente, o grupo Naturnorte e a câ-mara municipal têm posto em prática estratégias para levar o turista a passar maior quantidade de tempo em São Vicente, com visitas, atividades e restau-ração em locais de grande proximidade.
Natal nas Grutas de São Vicente
O Natal no arquipélago da Madeira, em geral, é conhecido pela sua animação, pelos vários eventos organizados pelas câmaras municipais e pela participação de todos os habitantes. Nesta época na-talícia, é elaborado um presépio nas Grutas de São Vicente e, para além dis-so, ainda há o objetivo de organizar um concerto de Natal no anfiteatro apesar das condições climatéricas não serem muito favoráveis para o bom aproveita-mento do evento. A vice-presidente do conselho administrativo, Jhenny Figueira, lembra ainda o decorrer da Aldeia de Natal e Fernando Simão de Góis confessa: “No Natal, é dos jardins mais bonitos que eu conheço”.