Protocolo da entrevista à chefe da DCPHM
Bloco B - Percurso profissional da chefe da DCPHM
Categoria - Formação Académica e Experiência ProfissionalOrientador da entrevista: Antes de mais vou começar pelo tema relativo ao seu
percurso, qual a sua formação base?
Entrevistado: eu fiz o secundário todo aqui no Barreiro, depois entrei em Ciências da
Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, e depois tirei a especialização em cinema, depois acabei o curso e fiz um estágio curricular na videoteca da Câmara Municipal de Lisboa, e como o estágio correu muito bem convidaram-me depois para ficar, portanto acabei por entrar na Câmara Municipal de Lisboa assim, através do estágio curricular, e fiquei 10 anos na Câmara Municipal de Lisboa. Entretanto a nível profissional fiz uma pós-graduação na Universidade de Barcelona, em Gestão Cultural e depois voltei a Universidade Nova de Lisboa para fazer Mestrado, que não acabei porque entretanto vim aqui para o Barreiro, em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias, depois desses tais dez anos na Câmara de Lisboa, fui convidada para vir aqui para o Barreiro para chefiar a Divisão da Cultura e Património Histórico e Museológico onde estou há três anos e meio.
Orientador da entrevista: a pergunta quais as experiências profissionais que teve até
ingressar neste cargo, já me respondeu na anterior.
Orientador da entrevista: relativamente às motivações que teve para ingressar neste
cargo, quais foram?
Entrevistado: eu estava há dez anos na CML num meio ultra especifico só ligado ao
audiovisual, e Lisboa é uma Câmara tão megalómana que às vezes tinha uma escala tão gigantesca que eu sentia-me a trabalhar num nicho tão pequenino numa escala tão grande, e depois quando o desafio que me foi lançado foi para trabalhar em todas as áreas artísticas num contacto mais próximo com a população, obviamente que isso logo do plano teórico foi muito importante, claro que depois há a parte financeira e há a parte geográfica de aproximação à zona de residência e isso foi muito importante até porque eu tinha acabado de ser mãe, ou seja, aquilo tinha tudo de bom para mim a alteração de
trabalho, mais aliciante, mais próximo de casa, mais abrangente, um projecto mais interessante porque eu podia trabalhar em muitas áreas.
Orientador da entrevista: Qual o processo técnico para selecção de recursos humanos
aqui na Câmara?
Entrevistado: aqui na Câmara, o cargo para chefe de divisão digamos que é o base que
tem carga mais política, quando eu digo carga mais política tem a ver com o convite com a consulta política nem sequer tem a ver com partidos políticos, portanto é feito o convite e somos nomeados a título provisório, depois teve de se fazer um concurso que envolveu avaliação curricular, que envolveu também entrevista, mas não sei o que é que o meu cargo tem porque mais ninguém concorreu e fui eu a única nomeada, então, a título definitivo depois de passar por este concurso.
Orientador da entrevista: Então foram feitos vários convites? Foi o Presidente que
convidou?
Entrevistado: Foi o Presidente e a Vereadora. Normalmente escolhe-se uma pessoa,
verificam-se determinadas características e faz-se o convite a alguém, e depois essa pessoa ou há-de aceitar ou recusa, e só em caso de recusa é que se faz o convite a outra pessoa.
Bloco C – A DCPHM
Categoria – Competências funcionais da DCPHMOrientador da entrevista: Mudando um pouco de tema, agora acerca da divisão em
concreto, quais as competências funcionais da DCPHM? Eu já tenho conhecimento daquelas que estão disponíveis no site da Câmara, são as mesmas ou existem outras?
Entrevistado: eu acho que grosso modo são as mesmas, são características, para já
temos que divulgar e promover a cultura na cidade, ou seja, dar a conhecer novas formas de arte, isto na parte da cultura, na parte do património tens dois principais objectivos preservar o património que temos e dá-lo a conhecer, depois existem tarefas mais especificas, em relação à cultura temos obrigação e a missão de apoiar os agentes locais, trazer ao Barreiro produtos e artistas de fora que dinamizem a actividade cultural no Barreiro, apoiar as actividades artísticas, apoiar as instituições locais, ao nível da
formação também, dinamizar espaços públicos e equipamentos culturais, mas em geral aquilo que está no site é bastante completo.
Orientador da entrevista: relativamente às dinâmicas de (organização, gestão,
coordenação, execução, avaliação) funcionamento que são accionadas para que essas funções sejam concretizadas?
Entrevistado: cada unidade orgânica municipal tem o seu plano de orçamento que
normalmente é aprovado no ano anterior, assim sabemos que meios temos para trabalhar ao longo do ano, depois a actividade da divisão está muito alicerçada em grandes ciclos de programação ao longo do ano que têm de ser concretizados, e isso é feito com a equipa que nós temos de produção, mas sempre em consonância com outros equipamentos do município, pode ser por exemplo, a divisão de obras porque nos apoiam ao nível da electricidade, a divisão de comunicação, nunca estamos desfasados, não funcionamos autonomamente.
Orientador da entrevista: Qual o valor geral de que esta divisão dispõe?
Entrevistado: Foi 1.700.000, é relativo a 2009/2010, sofreu cortes, tivemos muitos
muitos muitos cortes, este ano desceu o plano de actividade, foi cortado e sofreu um corte de 10% portanto se grosso modo nós temos…eu agora não sei dizer isso…sei que houve um corte de 10%, dada a conjuntura económica municipal, local, regional, nacional, mundial, e o plano de actividades teve de adaptado.
Orientador da entrevista: Essa era a minha interrogação, o porquê, será que também
não teve a ver com as actividades, vocês fazerem mais ou menos?
Entrevistado: não, teve mesmo a ver com a conjuntura económica.
Categoria - Planeamento, execução e avaliação de actividades
Orientador da entrevista: Então, e para este ano quais os objectivos operacionais
definidos por esta divisão?
Entrevistado: posso enumerar porque os sei de cor obviamente e tenho aqui á frente,
são objectivos operacionais ao longo deste ano e tentam aplicar durante o ano de 2010 aqueles que são os objectivos estratégicos. O primeiro objectivo é o de aumentar o número de participantes da comunidade educativa nas actividades do serviço educativo da cultura e património, ou seja, foi um serviço que começou a trabalhar grosso modo
em 2009, este ano é um ano em que queremos cimentar e chegar a um maior número de alunos e professores, o segundo objectivo é aumentar a descentralização da programação cultural no conselho, ou seja, os auditórios como este onde estamos agora Auditório Municipal Augusto Cabrita veio sugar muitos recursos financeiros e humanos, neste momentos estamos tentar voltar um bocadinho a ter um olhar sobre a cultura descentralizada, é nesse sentido que por exemplo apareceu o programa da animação de verão que tenta nos meses de Junho a Setembro fazer programação não só no centro do Barreiro mas também nas freguesias, num esforço conjunto com as juntas, tentar chegar mais perto das pessoas, e depois existem dois grandes ciclos de programação, o mês do Teatro em Março e a Cidade e a Musica em Outubro, em que tentamos também que as actividades se passem não só no auditório que é a sala mais nobre do concelho mas também nem que seja nas salas de aulas ou movimento associativo. O terceiro objectivo é envolver a participação dos protocolados nas actividades culturais organizadas pela autarquia, a CMB tem uma serie de protocolos com a Camarata, com duas bandas, com as escola de Jazz com grupos de teatro, é tentar que a relação entre esses agentes culturais não seja só subsídio mas também dinamizar a actividade deles faze-los sair fora de portas e dá-los a conhecer à população. O penúltimo é apresentar um programa de actividades relativo às comemorações da república como a república faz cem anos, como nós temos o sector de património histórico e museológico na divisão temos o objectivo, e por último criar mecanismos de aferição do grau de satisfação dos utilizadores dos equipamentos da divisão, isto tem a ver com a criação de inquéritos de opinião para perceber até que ponto estamos a evoluir no sentido dos munícipes gostarem do nosso trabalho.
Orientador da entrevista: portanto é um objectivo avaliativo…
Entrevistado: é um objectivo de qualidade, o SIADAP 1 tem de ter objectivos de
eficiência, eficácia e qualidade, este é de qualidade, são os objectivos mais difíceis porque tem que ser mensurável nós criarmos uma serie de inquéritos para os equipamentos culturais que temos para perceber o nível de satisfação.
Orientador da entrevista: ia-lhe perguntar como são elaborados os planos de acção
desta divisão, já me disse que era o SIADAP.
Orientador da entrevista: Quais os processos utilizados para concretizar os objectivos
e planos de acção definidos?
Entrevistado: os processos são sempre programação cultural. Podem ser concertos,
exposições, debates, todas aquelas manifestações culturais que nos podem ajudar a chegar a mais pessoas e oferecer-lhes cultura.
Orientador da entrevista: As acções e actividades que decorrem no cerne desta
divisão são avaliadas, já me tinha dito pelo SIADAP, mas ao nível mais pormenorizado, por exemplo quando acontece aqui uma exposição, fazem alguma avaliação, ao nível oral… (que instrumentos são utilizados)
Entrevistado: para além da avaliação do SIADAP fazemos essencialmente ao nível dos
grandes ciclos de programação, das festas e da Cidade e a Música, agora ao nível da exposição se calhar deveríamos fazê-lo se calhar deveríamos ter mais essas tais reuniões, mas nós temos tantas exposições a inaugurar, são tantas actividades que estar a fazer uma reunião propositadamente para isso...não acontece com essa periodicidade.
Categoria - Estrutura Organizacional
Orientador da entrevista: ao nível das relações, como considera ser o tipo de relações
de trabalho estabelecidas e desenvolvidas nesta divisão?
Entrevistado: isso tem muito a ver com as características de relacionamento
interpessoal de cada um, aqui o auditório é o equipamento onde se encontram mais funcionários, nem todos…eles possuem formação e características mais adaptadas para realizar as tarefas que estão a realizar neste momento, de qualquer forma eu acho que a nível pessoal…é sempre ingrato perguntar isto… eu sinto que existe bom ambiente na generalidade do relacionamento entre colegas, mas também sou a primeira pessoa a dizer que existem pessoas que podem estar desmotivadas, que podem não estar na categoria que gostariam…
Orientador da entrevista: e isso afecta as relações de trabalho?...
Entrevistado: afecta sempre…existem sempre pessoas mais fáceis de trabalhar e
pessoas mais difíceis de trabalhar, pessoas que reagem melhor á pressão e outras que reagem menos bem...eu grosso modo acho que…mas tem, tem problemas como têm todos os locais, acho eu.
Orientador da entrevista: então, mas no geral considera que existe um bom ambiente
de trabalho entre todos…
Entrevistado: é assim, entre a grande maioria sim, mas é uma área…a área da função
pública é uma área de hábitos, e há funcionários que são funcionários há dez, vinte ou trinta anos, a chegada…a crescente pressão sobre a sua avaliação veio alterar muito…
Orientador da entrevista: relativamente aos regulamentos e protocolos, esta divisão
tem regras e procedimentos (regulamentos, protocolos) que orientam o comportamento dos membros?
Entrevistado: não, não temos regulamento interno, o que existe é a legislação a todos
os funcionários da administração pública e é por aí que nos regulamos.
Orientador da entrevista: Como são distribuídas as tarefas no cerne desta divisão? Entrevistado: depende, ou as tarefas são dadas por mim ou então por um dos
coordenadores que existe, por exemplo o gabinete de audiovisuais tem um coordenador, o gabinete de artes visuais há-de ter agora um coordenador, portanto, essas tarefas ou são ditas por mim ou por um dos coordenadores que a divisão tem.
Orientador da entrevista: mas consoante a precisão? Ou por exemplo, tarefas ao nível
do serviço educativo, só a Alexandra é que trata e a Maria José ou outras pessoas poderão ter envolvimento?
Entrevistado: outras pessoas terão com certeza envolvimento…há funções muito
específicas que são os técnicos que executam, mas eu também encaro a Alexandra e a Maria José como coordenadoras de um serviço que é o serviço educativo nesse caso são as responsáveis por esse serviço por isso elas poderão dar também uma indicação aos técnicos do Gave sobre isso, e além disso é uma estrutura que, para além da burocracia normal na função pública, está um pouco desburocratizada.
Orientador da entrevista: Que critérios são tomados em conta para essa divisão? O
meu objectivo é também perceber qual o nível de complexidade desta divisão. (Complexidade)
Entrevistado: não é muito burocrática. Existem muitos procedimentos burocráticos ao
nível do município e da legislação inerente a todos os municípios, ao nível da divisão não se pretende que seja muito burocrática porque senão nada funciona. Uma das coisas
que me faz confusão é a compartimentação das coisas, nem eu incuto isso a ninguém. Eu acho que os processos são complexos mas não burocráticos porque tem muitas nuances, é muito complexa no sentido em que qualquer coisa que passe aqui é complexa porque tem um envolvimento das pessoas da comunicação, dos técnicos, da direcção de cena, da bilheteira, da frente de casa, da frente de sala, isso tudo, mas não quer dizer que seja aquela “o papel onde é que está o papel” que se ouve muito existem em termos de municípios, nós tentamos aligeirar um bocadinho, até porque é uma unidade orgânica em que…às vezes até é mais na chefia para os funcionários porque há funcionários que entre eles podem ser um bocadinho mais formais, mas há uma grande informalidade também na unidade orgânica.
Orientador da entrevista: Onde considera que está localizado o poder de decisão nesta
divisão? (Centralização)
Entrevistado: o poder está no auditório.
Orientador da entrevista: mas em quem? Em si? Entrevistado: sim.
Orientador da entrevista: portanto, tem toda a liberdade ao nível das tarefas de…
destacar tarefas para uma pessoa, mas se considerar mais tarde que não deve ser essa pessoa ou que não é tão vantajoso pode alterar.
Entrevistado: sim, evidentemente dentro dos limites do razoável. Por exemplo, existem
as grandes decisões mas é capaz de num mês existirem vinte actividades, imagina: três actividades com escolas, três oficinas com o público familiar, dois espectáculos de musicas, duas peças de teatro, todo o apoio que nós damos de som, garanto que na maior parte dessas actividades eu até posso estar presente mas quase que estou como espectadora, só para ver se está tudo bem e acompanhar essas actividades, os técnicos têm muita muita autonomia, há acontecimentos aqui no auditório que são os técnicos que têm o poder de decisão, ou seja, em termos de decisões macro, chamemos-lhe assim, eu acho que até sou muito centralizadora, agora na gestão corrente na actividade propriamente dita ai os técnicos têm total autonomia.
Bloco D - O cargo de Chefe da DCPHM
Categoria - Desempenho dos Chefes de Divisão em geralOrientador da entrevista: Relativamente ao seu cargo enquanto chefe … quais é que
são as tarefas que é suposto um chefe de divisão desempenhar? … A um nível geral.
Entrevistado: Ao nível geral, coordenar… assim em traços muito largos… hã
coordenar equipes, coordenar equipamentos, no meu caso, e coordenar actividades… pronto se calhar estou a centralizar muito na minha, mas a minha é uma área muito específica, podia estar, agora, aqui a falar de, sei lá divisão de administração geral de comunicação, mas se calhar já tem outras nuances, agora… pronto posso falar da minha que é a que eu trabalhei sempre que é a área da cultura… a grosso modo tem a ver com: programação, gestão de pessoal e gestão de equipamentos, e a gestão de equipamentos é uma coisa que dá muito trabalho. A gestão de pessoas, pronto, toda a gente sabe, agora… e nós temos 5 equipamentos que é o auditório desta envergadura, é uma embarcação típica, é uma galeria municipal de arte, é um convento que é um imóvel classificado, umas reservas museológicas…e tem toda aquela parte de gestão de edifícios, não é?...
Orientador de entrevista: Tudo… Entrevistado: Tudo.
Orientador da entrevista: …o que está inerente… Entrevistado: pronto… obras e os canos, iluminação…
Orientador de entrevista: pois…os orçamentos têm que dar para… isso tudo? Entrevistado: sim! sim sim sim…
Orientador da entrevista: Ok. E quais as competências, para desempenhar estas
tarefas, que é suposto os chefes de divisão deterem? Vocês têm algum tipo de… documento que define que competências é que o chefe de divisão cultural tem de deter para desempenhar estas tarefas?
Entrevistado: ora bem, eu acho que a grosso modo… vou tentar interpretar a tua
pergunta também nesta área… eu acho que o chefe de divisão de cultura e património, tem o dever, ou a tarefa, de interpretar os princípios políticos, não é? Que os eleitos… a vereação lhes passa, tentar passar esses grandes objectivos políticos e estratégicos para toda a equipe de trabalho, e aplicá-lo no seu plano de actividades, há obviamente que depois deve, como toda as chefias acho eu, motivar o pessoal que tem, fazê-lo crescer, fazê-lo ganhar confiança…depois fazê-lo levantar o rabo da cadeira e sentir que de facto
que trabalha com um universo de 80 mil pessoas, que eu acho que as vezes nos falta um bocadinho essa perspectiva, é de pensarmos que, o nosso ordenado é pago, pelas pessoas, não é?... e que nos trabalhamos com um universo de 80 mil pessoas, e que se tivermos que muito tempo fechados neste auditório, conseguimos só chegar a 300 de cada vez não é? que é a lotação… portanto, a nossa obrigação é tocar a vida de 80 mil pessoas, neste caso não é? …que é a população do município do Barreiro … fomentando o acesso a tais 80 mil pessoas à cultura, dar a conhecer o nosso património, tentar preserva-lo… hã… grosso modo eu acho que é isto… É sentirmos que temos… isso é como eu interpreto, atenção… que é… aquelas, mais ou menos, 30 pessoas que trabalham comigo, eu adorava que elas comigo, pá tivessem a noção que… pá consigam ter as ferramentas para crescer também enquanto profissionais e enquanto pessoas… pá porque quanto mais felizes os funcionários tiverem melhor trabalham acho eu para a população do Barreiro, que são esses que pagam os nossos salários. Não é fácil porque há pessoas que… que… quer dizer… se calhar não estão na divisão correcta, se calhar têm muitos vício do passado, se calhar é muita massa amorfa, às vezes, estou a falar agora em traços gerais não estou a falar dessa, mas incutir-lhes, nos funcionários, um bocado daquele espírito do serviço público mesmo… e também elevar a fasquia, ou seja, motivá-los a ver aquilo que melhor se faz, não é e que se pode fazer, e tentar depois aplicar aqui no Barreiro, pensar aquele chavão do… epa pensem, cresçam, vejam o que se faz lá fora, pensem globalmente para actuar localmente. Agora, isto é um bocadinho lírico, isso é o que eu adorava fazer e, pronto, não sei se consigo né?
Orientador da entrevista: Claro, então deixe-me tentar desvendar um bocadinho
daquilo que me disse. Por exemplo, então considera que, para desempenhar o seu cargo enquanto chefe de divisão de uma boa forma, tem que ter, então, certas capacidades como por exemplo: ser persuasiva, flexível… não sei, estou a tentar…
Entrevistado: Sim sim…
Orientador da entrevista: … desvendar um bocadinho… hã pronto, tentar persuadir,
ser motivadora, não é isso que me quis dizer? Pronto para as pessoas também perceberem se há umas pessoas que estão menos bem no trabalho se há outras que estão melhores…
Entrevistado: bem eu acho que devo ser flexível… eu acho que um bom chefe deve ser
flexível, deve motivar, deve conseguir tirar o melhor de cada um mas também deve ser rígido para não prejudicar aqueles que realmente trabalham. Porque as vezes muita
flexibilidade, muita flexibilidade, quando o vizinho do lado que está a trabalhar é sempre o mesmo, do que o outro que não faz nada… às vezes é muito complicado, só que isso é que é o mais difícil é conseguir coordenar isso tudo…
Orientador da entrevista: pois e aí exige um bocadinho também de imparcialidade
não é?
Entrevistado: Claro.
Orientador da entrevista: Há pessoas com quem nos damos melhor outras pior… Entrevistado: Sim claro!
Orientador da entrevista: É preciso também aqui manter esse distanciamento não é? Entrevistado: hum hum…humhum… (abana com a cabeça a dizer que sim).
Categoria - Desempenho do seu cargo
Orientador da entrevista: Ok, então hã… e quais é que são as suas tarefas, que estão
documentadas?
Entrevistado: como assim… hã… tarefas?
Orientador da entrevista: tem montes de tarefas que não estão em documento nenhum
correcto?... vão surgindo, mas tem algum tipo de tarefas que vêm exactamente documentadas?
Entrevistado: Opá um exemplo muito simples, sei lá, relatórios, sou eu que tenho de
fazer… relatórios, propostas de planos de actividades e de orçamento também.
Orientador da entrevista: está documentado que é o chefe que tem de elaborar? Entrevistado: sim sim sim sim.
Orientador da entrevista: era mesmo isso que eu queria saber. É o único tipo de
tarefas que está documentado?
Entrevistado: Opá depois são outros, quer dizer, a avaliação dos funcionários está
documentado, o envio de propostas de programação, sou eu que envio obviamente que retirando muito daquilo que é dado pelos funcionários todos… Aqui às vezes que a divisão confunde-se muito com a figura do chefe, não é? Como é o chefe de divisão que representa a divisão…Agora não quer dizer que seja eu já… eu enquanto Lurdes Lopes já apresentei projectos à vereação que foram meus, que eu as vezes até faço em casa, ou seja no meu tempo livre, são projectos estratégicos, isto é um exemplo…há outros…
Orientador da entrevista: … uma tarefa que não está documentada, e que acaba por
fazer…
Orientador da entrevista: era a outra pergunta que lhe ia fazer a seguir… (ri)
Entrevistado: … depois há coisas que são documentos da divisão que pode ser a chefia
a entregar, mas não quer dizer que não respire as tais ideias discutidas em grupo aqui na divisão.
Orientador da entrevista: Considera que consegue, cumpre todas essas tarefas que lhe
propõem?
Entrevistado: eu costumo dizer… eu não tenho muitos problemas de ego… pronto não
sou assim uma pessoa muito insegura… Mas cumprir, cumprir na totalidade não cumpro, mas também é assim, hã… a gente trabalha com os meios que tem, e os meios que temos… por exemplo, a nível de recursos humanos, têm muitas limitações. Há áreas que temos pessoas fantásticas e outras que não. Depois eu também acho que é assim, eu só sou chefe de divisão, ou tenho um cargo de chefia… pá eu dantes coordenava, mas era uma coisa assim muito conflitual quando estava na Câmara de Lisboa… Agora não cumpro na totalidade, eu tento, de facto, esforçar-me e que os outros se esforcem também. Agora, também já tive muitas desilusões em relação a recursos humanos em que eu acreditava e que falharam completamente. E depois também existem “n” constrangimentos financeiros… não é? Mesmo que nos estejamos…
Orientador da entrevista:
Entrevistado: …agora vou dizer uma frase mesmo daquelas muita foleiras mas que
tem tudo a ver com o momento em que todos estamos a viver, quer dizer… o Cristiano Ronaldo, longe de mim estar-me comparar, mas quer dizer, um bom trabalho de equipa é a equipa que o faz, não é só um chefe… o chefe tem esse… quer dizer o Cristiano Ronaldo sozinho também não vai ganhar um campeonato do mundo, ou é a equipa toda junta e a equipa que tem de facto, ali um bando de alicerces, ou então ninguém consegue ser…eu também hei-de ser o chefe que a equipa me deixar ser, e vice-versa se calhar também.
Orientador da entrevista: Mas por exemplo, falou-me de algumas tarefas documentadas como: avaliação, elaboração de relatórios… estas tarefas cumpre de certeza?
Orientador da entrevista: as tarefas que lhe são documentadas para desempenhar, não
é, essas cumpre?
Entrevistado: sim sim, claro, sim
Orientador da entrevista: as outras que lhe vão surgindo, mediante os recursos que vai
tendo, dá o melhor que consegue, é isso?
Entrevistado: Claro, sim sim sim.
Orientador da entrevista: embora muitas vezes não tem conseguido…
Entrevistado: porque isto é muito, é muito subjectivo. Por exemplo: como é que eu sei
que o Mês do Teatro e A Cidade e a Música são um sucesso? Ou como é que se mede que a cultura é um sucesso? Pela quantidade de público só? Mas isso também está dependente dos meios financeiros que nós temos, não é? Se nos cortam o orçamento nós… somos funcionários não é? Portanto a avaliação aí é feita… no meu caso a avaliação é feita pela vereação.
Orientador da entrevista: Ok. Portanto, relativamente às tarefas que desempenha, que
são “n” e que não estão registadas ou documentadas em sítio nenhum, dê-me só alguns exemplos desse tipo de tarefas, que concretiza mas que não vêm documentadas.
Entrevistado: ok toda a parte de programação, por exemplo, a parte de discussão sobre
a programação. Quando sai, por exemplo, uma programação para a rua, ou quando uma exposição é inaugurada, quando há uma actividade cultural, como é que n´s conseguimos saber o que é que é do técnico e o que é que é do chefe de divisão? Eu por exemplo, não sou nada burocrática e envolvo-me muito na programação, mas muito raramente, ou quase nunca, dou a cara, é mais fácil…
Orientador da entrevista: Não está documentado que tem de se envolver, por
exemplo?
Entrevistado: eu não sei se está se tenho mas envolvo-me imenso e eu não deixo só
para os técnicos fazerem a programação, envolvo-me, mando nas definições, e por aí, mas tenho uma postura muito discreta em relação a isso, eu dou-te um exemplo, vou te dar um caso muito prático, a rota da indústria do Barreiro, foi uma exposição de fotografia, o levantamento fotográfico foi aqui feito, quem deu o nome fui eu, quem apresentou esse tal projecto até à presidência fui eu, na altura da inauguração quem deu a cara e quem recebeu os parabéns pela organização toda, porque efectivamente foi ela que trabalhou imenso e que acompanhou do princípio ao fim foi a Sofia Matos. Portanto, há um certo tipo de trabalho de coordenação, sabes, de… colocar uma pecinha
aqui outra ali, pôr a pessoas a falar, porque é que não lhes dás este nome e não sei quê, que é mesmo de coordenação, que não é visível às vezes sabes… mas isso também tem a ver com a postura de cada um.
Orientador da entrevista: Mas era mesmo isso que eu queria saber (risos). Quais são
as tarefas em que “gasta” mais tempo?
Entrevistado: Assinar papeis (risos).
Orientador da entrevista: E as que “gasta” menos? Entrevistado: Estou a falar no horário laboral… Orientador da entrevista: Exactamente.
Entrevistado: No horário laboral acho que devia gastar muito mais tempo só a pensar.
Porque depois o que acontece é, como estou muito agarrada ao papel no horário dito laboral dito, às vezes é naquele tempo que estou em casa que se calhar, eram os tempos livres, que “perco”, não é perco, que invisto a pensar nos tais projectos estratégicos, que de facto podem mudar a vida da cultura ou do património. Acho que gasto demasiado tempo a trabalhar em coisas muito operacionais e pouco estratégicas no horário de trabalho, e depois acho que isso se reflecte nos tempos livres que é aí que eu vou investir nisso.
Orientador da entrevista: Ok. Pronto, ao longo do desempenho deste cargo, foi
adquirindo competências. Gostaria só que me desse alguns exemplos de que tipos de competências foi adquirindo, além das que estão incluídas que tem que fazer, além das que já trazia consigo… se se recordar, obviamente.
Entrevistado: Competências… aquilo que mudou… bom eu acho que gerir pessoas,
que era uma coisa que eu não tinha antes, que fui “forçada a aprender, e isso é, é a gestão de, a responsavilidade de gerir pessoas e gerir equipamentos, e a seriedade que isso tem, porque a gente queixa-se muito do papel, do não sei quê, do não sei que mais…mas depois é muito complicado, porque é uma unidade orgânica que tem 30 pessoas e que são 30 pessoas diferentes. Pá eu dou-te um caso prático, a assiduidade. Eu por exemplo, posso ser uma baldas, que não sou, a controlar a assiduidade, acontece qualquer coisa a um funcionário… ou seja nós somos responsáveis, em parte, também, pela vida dos funcionários. Imaginemos que eu, por exemplo, decido, tomo a decisão de cortar o subsídio turno a determinado número de funcionários. Isso tem um real impacto na vida deles, ou seja, na vida pessoal deles… eles vão levar menos dinheiro para casa.
E esse sentimento de justiça de tentar perceber que por um lado tem de se selar pelo bem público, mas que por outro lado trabalhas com 30 pessoas, muitas delas muito mal pagas, em que se tu mexes ali um bocadinho, não é?
Orientador da entrevista: O bem público também depende delas…
Entrevistado: Também depende delas, mas é muito… essa gestão de… de tentar por
um lado ajudar as pessoas, por outro lado o bem público, é uma coisa muito complicada e de muita responsabilidade. E depois a gestão… portanto, essa gestão da vida das pessoas que é complicada, e depois a gestão dos próprios edifícios. Portanto, tu tens edifícios sobre a tua tutela que são que são “usufruídos” por muita gente, o que te obriga, por um lado, a representar bem o município, mas por outro lado, existem, por exemplo, as questões todas de segurança…! Nós temos uma sala de espectáculos como esta que pode ter quase 400 pessoas ao mesmo tempo…portanto… é uma grande responsabilidade. Mesmo em termos da segurança do edifício, das pessoas… Obriga-te a tentar ganhar uma maturidade para tenta ganhar, de facto, que as pessoas trabalhem bem, tenham condições de trabalho, mas também tenham condições para ter as coisas como deve de ser. E é essencialmente, este duplo sentido de responsabilidade sobre os espaços e sobre os funcionários acho que foi assim o que mais me marcou, acho.
Categoria - Estado de espírito relativamente ao seu cargo
Orientador da entrevista: O que lhe dá mais satisfação no exercício deste cargo? Entrevistado: é assim, eu por natureza adoro trabalhar, gosto mesmo de trabalhar
pronto, tenho aquilo a que eu chamo uma ética do trabalho, ou seja, a eu realizo-me imenso a trabalhar, gosto, também sempre trabalhei em áreas que gostava então facilita um bocadinho a coisa. A parte que me dá mais satisfação é construir programações e saber que consegues melhorar a vida das pessoas nem que seja por uma hora, ou seja, é fazer a programação da Cidade e a Música e pensar que apesar de todas aquelas coisas, o pessoal ter de trabalhar, ter de levar os putos à escola, nós conseguimos criar de vez enquanto, e chamar a atenção para isso e levá-las a participar, iniciativas que as possam colocar a pensar, que as possam fazer rir, que as possam emocionar, e isso é sempre a grande motivação, sentir que estou a fazer coisas que as pessoas depois possam
participar e serem mais felizes ou pelo menos colocá-las a pensar é assim a grande motivação que eu tenho, não é o dinheiro, nem é o mandar.
Orientador da entrevista: E o que mais lhe desagrada, já me disse anteriormente que
era assinar papeis…
Entrevistado: desagrada-me às vezes o desajustamento dos recursos humanos, o sentir
que trabalho ao lado de pessoas que trabalham muito muito muito ao lado de outras que estão na função pública e que se calhar nunca houve a coragem de dizer um basta, é uma situação que me desagrada muito, ou seja, vejo por um lado que o estado às vezes é muito injusto com alguns funcionários públicos, nomeadamente, nos últimos tempos, mas de facto existem muito quadros que dificultam mesmo a vida, desagrada-me muito a incompetência às vezes, o deixa andar e a falta de entusiasmo, eu como sou uma pessoa optimista por natureza, aquelas pessoas muito nhónhó, com falta de pica,
Orientador da entrevista: Estes estados de espírito afectam a sua conduta
profissional?
Entrevistado: eu acho que afecta num sentido, eu acho que com o meu aceleramento
consigo passar isso a além e tentar de facto que as pessoas reajam um bocado.
Orientador da entrevista: por consequência então, também afecta a organização? Entrevistado: sim, afecta. É assim, eu gostava muito que a divisão tivesse a minha
pedalada e é assim, há funcionários que a têm atenção, há funcionários que são excelentes, excelentes ao nível do SIADAP, e excelentes sem ser SIADAP, são pessoas mesmos que trabalham muito e eu adorava conseguir incutir algum rigor no trabalho e eu gosto de acreditar que este estado de espírito afecta, mas também acho que pode ser muito irritante às vezes, por que eu por exemplo sou muito acelerada e tenho um espírito muito prático e de fazer coisas e pessoas mais contemporizadoras ou com uma maior capacidade de problematizar as coisas é um drama porque depois aquilo dá choque, segundo o meu prisma.