Direito Processual Civil
Execução
PROFESSOR : NAYRON TOLEDO
ADVOGADO, PROCURADOR DO MUNICÍPIO DE GOIÂNIA, MEMBRO DA COMISSÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL DA OABGO, PÓS-GRADUADO EM DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL PELA UCAM, PÓS-GRADUADO EM TRIBUTÁRIO PELA UNIDERP, EX-ASSESSOR NO TJGO, EX-CHEFE DO JURÍDICO DO PROCON-GOIÂNIA
Teoria Geral
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Ganhar não significa levar.
¤
O sistema processual pátrio entende a
execução como um conjunto de
meios
previstos em lei, à disposição do juízo,
visando à satisfação do direito.
(NEVES,
2012, p. 809)
Princípios do processo de execução.
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NULLA EXECUTIO SINE TITULO (não há execução sem
título que a embase) – A Execução é configurada
por um conjunto de atos do credor (exequente) que
i n v a d e o p a t r i m ô n i o
d a p a r t e d e v e d o r a
(executado) a fim de obter a satisfação do seu
crédito. Assim, é necessário que exista algum título
que seja hábil a justificar os atos que serão realizados
contra o devedor.
Princípios do processo de execução.
¤ PATRIMONIALIDADE - A execução é sempre real (patrimonial), e
nunca pessoal, ou seja, os bens materiais do executado, serão responsáveis para a satisfação do direito do exequente. Assim, não há que se falar em casos como existia na Lei da XII tábuas onde o devedor poderia perder filhos, esposa, partes do corpo ou até a vida para que fosse satisfeito crédito do autor.
Obs. O Prisão do devedor de pensão alimentícia não é uma ofensa a esse princípio, já que não visa satisfação do crédito, mas sim uma mera pressão psicológica
NCPC CPC/73
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
Art. 591. O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos
os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei.
Princípios do processo de execução.
¤ PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE – A execução não pode serutilizada como meio de vingança privada como existia anteriormente, devendo assim o executado sofrer apenas o necessário para que se consiga a satisfação do direito do exequente.
NCPC CPC/73
Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a
execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado.
Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar
outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já
determinados.
Art. 620. Quando por vários meios o credor puder promover a
execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor.
Princípios do processo de execução.
¤
PRINCÍPIO DA LEALDADE E BOA-FÉ PROCESSUAL (art. 5º
NCPC) – É exigido aqui o respeito ao dever de
lealdade e boa-fé processual, podendo ser cominado
multa por ato atentatório a dignidade da justiça.
NCPC CPC/73 Art. 774. Considera-se atentatória à
dignidade da justiça a conduta
comissiva ou omissiva do executado que:
I – frauda a execução;
II – se opõe maliciosamente à
execução, empregando ardis e meios artificiosos;
III – dificulta ou embaraça a realização da penhora;
IV – resiste injustificadamente às ordens judiciais;
V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual sera revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem
prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material.
Art. 600. Considera-se atentatório à dignidade da Justiça o ato do executado que:
I - frauda a execução;
II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; III - resiste injustificadamente às ordens judiciais;
IV - intimado, não indica ao juiz, em 5 (cinco) dias, quais são e onde se encontram os bens sujeitos à penhora e seus respectivos valores. Art. 601. Nos casos previstos no artigo anterior, o devedor incidirá em multa fixada pelo juiz, em montante não superior a 20% (vinte por cento) do valor atualizado do débito em
execução, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material, multa essa que reverterá em proveito do credor, exigível na própria execução.
Parágrafo único. O juiz relevará a pena, se o devedor se comprometer a não mais praticar qualquer dos atos definidos no artigo
antecedente e der fiador idôneo, que responda ao credor pela dívida principal, juros, despesas e honorários advocatícios.
Tipos de execução
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Direta (Por Sub-Rogação)
¤ O Estado por meio do juiz vence a resistência do executado, substituindo a sua vontade, com a consequente satisfação do crédito. Vale ressaltar que estes atos são realizados sem a concordância do executado. Ex. Penhora/Expropriação; Depósito/entrega de coisas.
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Indireta (Por Coerção)
¤ O Estado por meio do juiz não substitui a vontade do executado, mas cria situações a fim de convencê-lo a cumprir a sua obrigação perante o exequente. O juiz atua de forma a pressionar psicologicamente o executado para que ele próprio venha cumprir de forma voluntária (porém não expontânea) a vontade da outra parte.
A execução indireta poderá ser:
¤ Por ameaça a piorar a situação da parte¤ O exemplo mais clássico é a aplicação de multa períodica, astreintes,
vide art. 536, §1º do NCPC (art. 461 §1º do CPC/73).
¤ Art. 536. § 1o Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de força policial.
¤ Ex. Aplica-se multa de R$ 1000,00 por dia de descumprimento. ¤ Por oferta de uma melhora na situação da parte
¤ No caso da parte cumprir a obrigação ela terá algum tipo de benefício
assim por exemplo que acontece no art. 827 §1º do NCPC (art. 652-A §1º do CPC/73)
¤ Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado.
¤ § 1o No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor
Parte ativa na Execução
NCPC CPC/73
Art. 778. Pode promover a execução
forçada o credor a quem a lei confere título executivo.
§ 1o Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao
exequente originário:
I – o Ministério Público, nos casos previstos em lei;
II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo;
III – o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos;
IV – o rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.
§ 2o A sucessão prevista no § 1o independe de consentimento do executado.
Art. 566. Podem promover a execução forçada:
I - o credor a quem a lei confere título executivo;
II - o Ministério Público, nos casos prescritos em lei.
Art. 567. Podem também promover a execução, ou nela prosseguir:
I - o espólio, os herdeiros ou os
sucessores do credor, sempre que, por morte deste, Ihes for transmitido o
direito resultante do título executivo; II - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo Ihe foi transferido por ato entre vivos;
III - o rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.
Parte Passiva na Execução
NCPC CPC/73
Art. 779. A execução pode ser promovida contra:
I – o devedor, reconhecido como tal no título executivo;
II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;
III – o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a
obrigação resultante do título executivo;
IV – o fiador do débito constante em título extrajudicial;
V – o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do débito;
VI – o responsável tributário, assim definido em lei.
Art. 568. São sujeitos passivos na execução:
I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo;
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;
III - o novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título
executivo;
IV - o fiador judicial;
V - o responsável tributário, assim definido na legislação própria.
RESUMINDO
¤ PARTE ATIVA
¤ Credor
¤ Sucessor
¤ MP
¤ Espólio, herdeiros, sucessores
¤ Cessionário e sub-rogado
¤ PARTE PASSIVA
¤ Devedor
¤ Espólio, herdeiros, sucessores
¤ Art. 796 do NCPC (art. 597 do CPC/73). O espólio responde pelas
dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube.
¤ Novo devedor (Assunção de dívida ou cessão de débito)
¤ Fiador de débito
¤ Responsável por dado como garantia
Competência para execução de
título Executivo Judicial
¤ Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
¤ I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;
¤ II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;
¤ III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal
condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
¤ Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente
poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem.
Competência para a Execução de
Título Extrajudicial
¤ Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante
o juízo competente, observando-se o seguinte:
¤ I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de
eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos;
¤ II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro
de qualquer deles;
¤ III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução
poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do
exequente;
¤ IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução
será proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente;
¤ V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato
ou em que ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado
¤ No CPC/73 a matéria era tratada no art. 576 que remetia a mesma
RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL -
IMPENHORABILIDADES
¤ Art. 832. Não estão sujeitos à execução os bens que a lei
considera impenhoráveis ou inalienáveis.
¤ Art. 833. São impenhoráveis: (VER LEI 8009/90 – Lei da
impenhorabilidade do bem de família)
¤ I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não
sujeitos à execução; (BENS DOADOS COM CLÁUSULA DE INALIENABILIDADE COMUNS EM TESTAMENTOS, OU BENS PÚBLICOS) ¤ II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que
guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
Jurisprudências do STJ sobre o Tema
¤ IMPENHORABILIDADE. LEI 8.009/90. APARELHO TELEVISOR. Oaparelho de TV inclui-se no equipamento que usualmente guarnece a moradia do devedor, não se podendo tê-lo como objeto de adorno ou de luxo. Recurso especial conhecido e provido. STJ - REsp: 182.190 SP
¤ EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA. LEI Nº 8.009/90. BEM DE FAMÍLIA
(APARELHO TELEVISOR E GELADEIRA). IMPENHORABILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. Na finalidade social que emerge da interpretação da Lei nº 8.009/90, este Egrégio Tribunal pacificou o entendimento que geladeira e aparelho televisor não são objetos de natureza suntuária. 2. Objetivo maior do legislador é a proteção da família, fundamento do Estado, não do devedor. 3. Precedentes. 4. Recurso não conhecido. Decisão unânime. STJ - REsp: 201232 SP
¤ RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA. BENS DE
FAMÍLIA. LEI N. 8.009/90. ESTEIRA ELÉTRICA E PIANO. PENHORABILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO, EM PARTE. É impenhorável o imóvel residencial caracterizado como bem de
família, assim como os móveis que guarnecem a casa, nos
termos do artigo 1º e seu parágrafo único da Lei n. 8.009, de 25 de março de 1990. Nos termos do artigo 2º do referido diploma legal, que dispõe sobre a impenhorabilidade do bem de família,
são excluídos da impenhorabilidade os veículos de transporte, as
obras de arte e os adornos suntuosos. Na hipótese dos autos,
entre os bens penhorados, a esteira elétrica e o piano de parede
não estão abrigados pela impenhorabilidade; a primeira por
tratar-se de bem que, de ordinário, não é integrante daqueles que guarnecem uma casa de moradia; e o piano porque se subsume dentro do conceito de bem suntuoso, na esteira de precedente deste egrégio Tribunal (REsp n. 198.370/MG, Rel. Min. Waldemar Zveiter, DJ de 05.02.2001). Recurso especial provido, em parte. STJ - REsp: 371344 SC
¤
"PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA.
BENS QUE GUARNECEM A RESIDÊNCIA DOS
DEVEDORES. DUPLICIDADE. POSSIBILIDADE.
1. Os
b e n s q u e g u a r n e c e m a r e s i d ê n c i a s ã o
impenhoráveis, a teor da disposição da Lei 8.009⁄90,
e x c e t u a n d o - s e a q u e l e s e n c o n t r a d o s e m
duplicidade, por não se tratarem de utensílios
necessários à manutenção básica da unidade
familiar
. 2. Recurso especial a que se dá
provimento." (Resp 533.388⁄RS, Rel. Min. TEORI
ALBINO ZAVASCKI, Primeira Turma, DJ de
29.11.2004)
¤ III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do
executado, salvo se de elevado valor;
¤ IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as
remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2º;
¤ § 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese
de penhora para pagamento de prestação alimentícia,
independentemente de sua origem, bem como às importâncias
excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8o, e no art. 529, § 3o.
¤ V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos
ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado;
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do
caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas
pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural,
exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista ou previdenciária.
¤ VI - o seguro de vida;
¤ VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas
forem penhoradas;
¤ VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que
trabalhada pela família;
¤ IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para
¤ X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o
limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
¤ XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por
partido político, nos termos da lei;
¤ XII - os créditos oriundos de alienação de unidades
imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. (NOVIDADE DO NCPC)
1. O objetivo do novo sistema de impenhorabilidade de depósito em caderneta de poupança é, claramente, o de garantir um mínimo existencial ao devedor, como corolário do princípio da dignidade da
pessoa humana. Se o legislador estabeleceu um valor determinado
como expressão desse mínimo existencial, a proteção da impenhorabilidade deve atingir todo esse valor, independentemente
do número de contas-poupança mantidas pelo devedor.2. Não se
desconhecem as críticas, "de lege ferenda", à postura tomada pelo legislador, de proteger um devedor que, em lugar de pagar suas dívidas, acumula capital em uma reserva financeira. Também não se desconsidera o fato de que tal norma possivelmente incentivaria os devedores a, em lugar de pagar o que devem, depositar o respectivo valor em caderneta de poupança para burlar o pagamento. Todavia, situações específicas, em que reste demonstrada postura de má-fé, podem comportar soluções também específicas, para coibição desse comportamento. Ausente a demonstração de má-fé, a impenhorabilidade deve ser determinada.3. Recurso especial conhecido e provido.(REsp 1231123/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI,
(...) 2 A Segunda Seção pacificou o entendimento de que a remuneração protegida pela regra da impenhorabilidade é a última percebida - a do último mês vencido - e, mesmo assim, sem poder ultrapassar o teto constitucional referente à remuneração de Ministro do Supremo Tribunal Federal. Após esse período, eventuais sobras perdem tal proteção. 3. É possível ao devedor, para viabilizar seu sustento digno e de sua família, poupar valores sob a regra da impenhorabilidade no patamar de até quarenta salários mínimos, não apenas aqueles depositados em cadernetas de poupança, mas também em conta-corrente ou em fundos de investimento, ou guardados em papel-moeda.4. Admite-se, para se alcançar o patamar de quarenta salários mínimos, que o valor incida em mais de uma aplicação financeira, desde que respeitado tal limite. De qualquer modo, no caso dos autos, uma das aplicações financeiras do devedor cobre tal quantia.5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1340120/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO,
"O valor obtido a título de indenização trabalhista, após longo período depositado em fundo de investimento, perde a característica de verba salarial impenhorável (inciso IV do art. 649). Reveste-se, todavia, de impenhorabilidade a quantia de até quarenta salários mínimos poupada, seja ela mantida em papel-moeda; em conta- corrente aplicada em caderneta de poupança propriamente dita ou em fundo de investimentos, e ressalvado eventual abuso, má-fé, ou fraude, a ser verificado caso a caso, de acordo com as circunstâncias da situação concreta em julgamento (inciso X do art. 649)" (REsp 1230060/PR, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/08/2014, DJe 29/08/2014).