IMPACTOS ECONÔMICOS DAS INUNDAÇÕES NO VALE DO TAQUARI
Rafael Rodrigo Eckhardt 1; Marli Teresinha Quartieri2;Augusto Alves 3; Paulo Fernando Salvador 4; Marcelo Gomes Malheiros 5; Cleberton Diego Bianchini 6
Resumo - O presente estudo relaciona os prejuízos econômicos associados com as inundações do Rio Taquari ocorridos na região central do Vale do Taquari, no Estado do Rio Grande do Sul. As inundações que ocorrem nesta região são de origem natural, classificadas como eventos lentos e graduais, que se estabelecem em períodos de elevada precipitação pluviométrica na bacia hidrográfica. A forma entalhada e a declividade elevada da bacia de captação favorecem com que grandes vazões de água se concentrem nas regiões de encosta e extravasem nas planícies da região. Uma vez que as principais cidades do Vale do Taquari se desenvolveram às margens do Rio Taquari, com uma progressiva ocupação das áreas de risco, uma parcela significativa da população é exposta aos impactos das inundações, com danificação de infraestruturas, alteração da qualidade da água e favorecer a transmissão de doenças de veiculação hídrica. Os impactos econômicos decorrentes das inundações foram contabilizados com base na análise dos relatórios de avaliação de danos (AVADAN) encaminhados pelos municípios afetados. A inundação de julho de 2011, de acordo com a Defesa Civil Regional de Lajeado, afetou 83.643 pessoas do Vale do Taquari e gerou prejuízos econômicos superiores a 45 milhões de reais.
Palavras-Chave – Desastres; inundações; impactos socioeconômicos.
ECONOMIC IMPACTS OF FLOODS IN VALLEY TAQUARI
Abstract –The present study relates the economic losses associated with floods of the Taquari
River, in the central region of Taquari Valley - RS. Floods that occur in this region are of natural cause, being classified as slow and gradual events, resulting from periods of high pluviometric precipitation in its drainage basin. The carved shape and high slope of the basin favor the concentration of large flows of water in regions of steep slope, causing their subsequent spill over the region plains. Once the major cities in the Taquari Valley developed by the Taquari River, with progressive occupation of risk areas, a significant portion of the population is exposed to the impacts of flooding, with damage to infrastructure, changes in water quality and increased transmission of waterborne diseases. The economic impacts of the flood were evaluated based on the analysis of damage reports (AVADAN) sent by the affected municipalities. The flood of July 2011, according to the Regional Civil Defense of Lajeado, affected 83,643 people in the Taquari Valley and generated economic losses of more than 45 million reais.
Keywords – Disaster; floods; socioeconomic impacts.
1
Professor do curso de Engenharia Ambiental - Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/RS – e-mail: [email protected]
2 Professora de Matemática - Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/RS – e-mail: [email protected]
3 Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo - Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/RS – e-mail: [email protected] 4
Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo - Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/RS – e-mail: [email protected]
5 Professor do Curso de Engenharia da Computação - Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/RS – e-mail: [email protected] 6
Acadêmico do Curso de Engenharia Ambiental - Bolsista de Iniciação Científica - Centro Universitário UNIVATES – Lajeado/RS – e-mail: [email protected]
1.INTRODUÇÃO
Na natureza ocorrem diversos fenômenos que fazem parte da dinâmica natural do Planeta. De acordo com Marcelino (2008), quando esses fenômenos se deslocam sobre um sistema social, caracterizam-se como perigosos, gerando situações potencialmente danosas às pessoas e bens. Caso este perigo cause danos reais às comunidades envolvidas, ocasionando prejuízos extensivos de difícil superação pela população atingida, caracterizam-se como desastre. Os desastres são responsáveis por perdas humanas, expressivos prejuízos financeiros, danos ao patrimônio e problemas socioambientais. Nota-se que os desastres têm se tornado cada vez mais comuns e agressivos, por conta da maior ocupação de áreas vulneráveis e a falta de controle deste processo.
Marcelino (2008) ressalta que, quando as consequências dos desastres são mínimas esses fenômenos serão considerados somente como um evento natural. Muitas vezes, perigo é confundido com risco, sendo que risco é a probabilidade de ocorrer consequências danosas ou perdas. De forma reduzida, o desastre natural é a confirmação do perigo. Caso este não se confirme ter-se-á então um evento natural. Ademais, risco é a probabilidade de o perigo ter consequências danosas transformando-se num desastre. Entre os anos de 1973 e 1993, as inundações foram causadoras de 29% das ocorrências relacionadas com desastres naturais no mundo, causando 53% das mortes e um prejuízo de 275 bilhões de dólares neste período. No Brasil, as inundações ultrapassam mais da metade das ocorrências dos desastres naturais, conforme pode ser visto na Figura 1.
Figura 1: Principais desastres naturais no Brasil entre 2000 e 2007. Fonte: Santos (2007).
Segundo Rebouças et al (2006), a maioria das cidades desenvolveu-se as margens de rios e, no passado, localizavam-se próximas a rios de médio e grande porte para uso do transporte fluvial. A parcela do leito maior, ocupada pela população, sempre dependeu da memória dos habitantes e da frequência com que os eventos inundações ocorriam. Uma sequência de anos sem inundações torna-se suficiente para que empresários loteiem áreas de risco e a população de baixa renda invada áreas ribeirinhas que pertencem ao poder público. Goerl e Kobiyama (2005) denominam inundação o fenômeno que ocorre quando o rio transborda do seu leito menor alcançando as áreas adjacentes, atingindo seu leito maior, que por longos períodos estava seco e eventualmente, por causa de intensas e persistentes precipitações, sofre inundação. Por enchente, estes autores entendem a elevação das águas de um rio até a altura de suas margens, não extravasando para suas áreas adjacentes. Neste sentido, a inundação é uma consequência das enchentes.
1.1. ÁREA DE ESTUDO
O Vale do Taquari localiza-se na região centro leste do estado do Rio Grande do Sul (Figura 2). É composto por 36 municípios e segundo censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conta com uma área de 4.821,1 km² (área que representa 1,71% do estado) e contém uma população de mais de 327.822 habitantes (3,07% da população do RS). O Vale do Taquari pertence à Bacia Hidrográfica Taquari - Antas. Grande parte da área de captação da Bacia do Rio Taquari está na área de influência do Rio das Antas, caracterizada por possuir
relevo acidentado e rios entalhados, aspectos que favorecem o rápido escoamento da água em períodos de elevada precipitação pluviométrica.
Figura 2: Localização do Vale do Taquari. Fonte Autor.
De acordo com a Classificação Internacional de Köppen, o clima do Vale do Taquari está enquadrado dentro da zona fundamental temperada úmida (Cf), subdividida em duas variedades: Cfa (subtropical) na parte mais baixa da Bacia e Cfb (temperado) atuando sobre a região localizada no extremo norte da bacia, nos municípios de Arvorezinha, Ilópolis e Putinga. A média anual da precipitação pluviométrica do Vale do Taquari é de 1600 mm. Embora as chuvas sejam bem distribuídas durante todos os meses do ano, ocorrem com maior intensidade nos meses de inverno. A média anual da temperatura é 18,7°C e a média anual da umidade relativa do ar é 76%.
A ocupação mais intensa do Vale do Taquari começa a acontecer com o período industrial. De 1920 a 1970 tem-se um período de migração da população rural para as cidades, aumentando a urbanização das mesmas, principalmente por jovens agricultores que visavam um trabalho nos centros urbanos com a esperança de melhores rendimentos. A Figura 3 apresenta a evolução da expansão urbana da cidade de Lajeado no período de 1950 a 2010.
Figura 3a: Vista aérea da região de Lajeado na
década de 1950.
http://img708.imageshack.us/img708/8189/lajeadoanos50.jpg.
Figura 3b: Vista aérea da cidade de Lajeado em 2007. Fonte: arquivo Vitor Kalsing.
Conforme pode ser observado na figura acima, percebe-se a intensificação do processo de urbanização da cidade de Lajeado após a década de 50, processo influenciado pelo êxodo rural e pela construção da rodovia Leonel de Moura Brizola, BR 386. Segundo dados do Cadastro Imobiliário da Prefeitura de Lajeado, a área urbana do município passou de 23,85km² em 1973 para 78,22km² em 1998. Muitas áreas residenciais surgidas neste período avançaram para as áreas de risco de inundação, as quais sofrem até a atualidade com os impactos e prejuízos recorrentes quando da ocorrência das inundações ribeirinhas do Rio Taquari.
De acordo com Both et al (2008), as principais cidades do Vale do Taquari surgiram e cresceram de forma espontânea e sem planejamento às margens do Rio Taquari. Com Frequência, os 10 municípios7 que margeiam o Rio Taquari sofrem com o impacto das inundações. De acordo com Ferreira e Both (2001), as inundações que ocorrem no Vale do Taquari são decorrentes de fatores naturais existentes na bacia hidrográfica, tais como hidrografia, pedologia, geomorfologia, clima e vegetação. Desta forma, as inundações que ocorrem ao longo do Rio Taquari não são geradas pelas ações antrópicas, como desmatamento, impermeabilização do solo ou obras no canal fluvial. Segundo considerações dos mesmos autores, estas ações tendem a intensificar o alcance das cotas das inundações, agravando os problemas causados pelas enchentes. Tucci et al (2012) resaltam que ações antrópicas produzem um aumento da frequência das inundações nas pequenas e médias cheias do rio.
As inundações ocorridas entre novembro de 2009 e janeiro de 2010, segundo Saito e Sausen (2011) afetaram mais de 960 mil pessoas no Estado do Rio Grande do Sul ocasionando prejuízos de mais de 3 bilhões de reais e evidenciando a vulnerabilidade de diversos municípios gaúchos. Este valor certamente é muito maior tendo em vista que é referente apenas às perdas sofridas pelos municípios que decretaram Situações de Emergência. Os autores ainda destacam que, os recursos direcionados à recuperação dos municípios atingidos deixam de ser aplicados em setores essenciais, como saúde, habitação e educação, ou até mesmo para a prevenção de eventos adversos. Assim sendo, é importante que medidas efetivas sejam adotadas para minimizar os prejuízos socioeconômicos e ambientais, além de preparar melhor as comunidades para enfrentar os efeitos dos desastres naturais. O presente estudo pretende relacionar os prejuízos econômicos com as inundações ocorridas no Vale do Taquari.
2. METODOLOGIA
O estudo foi baseado na série histórica de inundações registrada para a região do Vale do Taquari, organizada entre os anos de 1940 a 2012, por Kurek (2012). Neste período, foram registradas 90 inundações em Encantado e 65 em Estrela, que geraram impactos socioeconômicos diversos na intensidade em função da magnitude do nível da inundação. Para o presente estudo, foram utilizados os relatórios de avaliação de danos (AVADAN) dos municípios de Estrela, Lajeado, Cruzeiro do Sul, Roca Sales, Arroio do Meio, Colinas e Muçum, organizados pelos Conselhos Municipais da Defesa Civil destes municípios após a inundação de 21 de julho de 2011. Os referidos relatórios apresentam informações sobre a área e as características da área afetada pelo evento, as causas do desastre, os danos humanos, os danos materiais e sobre as edificações, danos sobre a infraestrutura pública, danos ambientais e os prejuízos econômicos e sociais. Além das informações quantitativas, o AVADAN apresenta uma avaliação conclusiva sobre a intensidade do desastre.
3. RESULTADOS
Com base na atualização da série histórica das inundações realizada por Kurek (2012), fez-se a análise da quantidade de eventos que ocorreram ao longo dos anos na região do Vale do Taquari (Figuras 4 e 5).
Figura 4. Série histórica em Encantado (KUREK, 2012).
Figura 5. Série histórica em Estrela (KUREK, 2012).
No município de Encantado, o nível de referência (NR) do Rio Taquari é de 27,77 metros, ajustado com o nível do mar. Para que o rio comece a extravasar para seu leito maior e ocorram inundações na área urbana este deve atingir a cota de 38 metros. Portanto, é necessária uma elevação de 10,23 metros do nível da água para ocorrer inundação. Quando atinge a cota de 42 metros, grande parte da infraestrutura urbana é atingida. Pela série histórica de inundações de Encantado verificou-se que nos 70 anos analisados, ocorreram inundações em 51 anos, sendo que em 25 anos ocorreu uma inundação por ano, em 14 anos ocorreram duas inundações por ano, em 11 anos ocorreram três inundações e em no ano de 1983 ocorreram quatro inundações.
No município de Estrela o nível de referência do Rio Taquari é de 13 metros, ajustado com o
27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 0 6 /0 5 /4 1 2 5 /0 6 /4 4 1 7 /1 0 /5 0 2 7 /0 9 /5 4 0 8 /0 9 /5 7 2 2 /0 6 /5 9 2 6 /1 0 /6 1 1 8 /1 0 /6 3 0 6 /0 9 /6 5 2 0 /0 9 /6 7 2 9 /0 8 /7 2 1 0 /0 8 /7 5 1 8 /0 8 /7 7 2 8 /0 6 /8 2 0 2 /0 5 /8 3 1 8 /0 8 /8 3 1 0 /1 0 /8 6 1 5 /0 8 /8 7 2 5 /0 9 /8 8 2 4 /0 9 /8 9 2 7 /1 2 /9 1 0 4 /0 8 /9 7 1 5 /0 8 /9 8 0 1 /1 0 /0 1 2 1 /0 2 /0 3 1 9 /0 5 /0 5 1 1 /0 7 /0 7 1 0 /0 8 /0 9 0 5 /0 1 /1 0 2 1 /0 7 /1 1
SÉRIE HISTÓRICA EM ENCANTADO
13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 1 8 /0 7 /4 0 2 0 /0 5 /4 2 0 6 /0 4 /5 6 2 2 /0 8 /6 5 2 9 /0 8 /7 2 1 9 /0 8 /7 7 2 9 /0 6 /8 2 0 3 /0 5 /8 3 1 8 /0 8 /8 3 1 5 /0 5 /8 7 1 4 /0 9 /8 8 1 3 /0 9 /8 9 1 3 /1 0 /9 0 0 4 /0 8 /9 7 1 4 /1 0 /0 0 1 3 /0 6 /0 2 0 9 /0 7 /0 3 1 9 /0 5 /0 5 1 1 /0 7 /0 7 1 0 /0 8 /0 9 0 5 /0 1 /1 0 2 1 /0 7 /1 1
nível do mar. Segundo Eckhardt (2008), a partir do nível de 19 metros inicia-se o estado de inundação nos municípios de Lajeado e Estrela. Portanto é necessário que o rio tenha uma elevação de 6 metros acima do nível de 13 metros para se ter inundação. Pela série histórica de inundações de Estrela, desde 1941 têm-se registros das inundações. Destes setenta anos analisados, em dezenove anos ocorreu somente uma inundação por ano, em doze anos ocorreram duas inundações por ano, em cinco anos ocorreram três inundações por ano e em dois anos ocorreram quatro inundações por ano.
No Quadro 1 é apresentada a relação da magnitude das inundações e seus respectivos níveis medidos em Encantado e no Porto Fluvial em Estrela. Verifica-se, no Quadro 1, que tanto em Encantado como em Estrela, as inundações de magnitude reduzida representam metade do total de inundações registradas em setenta e dois anos, seguidas por inundações de magnitude média, grande e extrema.
Quadro 1: Magnitude das inundações.
ENCANTADO CRUZEIRO DO SUL
ESTRELA/LAJEADO Magnitude Valor da Magnitude (m) Quantidade Porcentagem (%) Magnitude Valor da Magnitude (m) Quantidade Porcentagem (%) Reduzida 38,01 – 41m 45 50,00% Reduzida 19,01 – 22m 29 44,62% Média 41,01 – 44m 23 25,56% Média 22,01 – 25m 19 29,23% Grande 44,01 – 47m 18 20,00% Grande 25,01 – 28m 15 23,08% Extrema >47,01 m 4 4,44% Extrema >28,01 m 2 3,08% Total 90 Total 65
Fonte: Adaptado de Kurek (2012).
O Quadro 2, apresentado na sequência, expõe os prejuízos causados pela inundação de julho de 2011 nos municípios analisados. Neste evento o Rio Taquari atingiu o nível de 47,27m em Encantado e chegou ao nível de 26,85m em Estrela. A relação dos danos está baseada nos relatórios de avaliação de danos (AVADAN) que os Conselhos Municipais da Defesa Civil emitiram para decretar o estado de emergência.
Quadro 2: Relação dos prejuízos causados pela inundação de julho de 2011 nos municípios analisados. DESCRIÇÃO DOS DANOS CAUSADOS PELA INUNDAÇÃO DE 21 JULHO 2011
Danos humanos
Danos Materiais em Mil
R$ Ambientais Danos em Mil R$ Danos Econômicos em Mil R$ Danos sociais em Mil R$ Total dos Prejuízos p/ município em Mil R$ Orçamento anual do município em Mil R$ Porcentual do orçamento MUNICÍPIO Pessoas
afetadas Edificações Infraestrutura
Estrela 13.725 503 3.045 8.680 1.166 2.618 16.012 50.010 32% Lajeado 39.216 1.776 455 6.705 61 37 9.034 124.000 7% Cruzeiro do Sul 9.323 573 305 990 0 0 1.868 17.500 11% Roca Sales 4.500 415 3.033 650 419 0 4.517 17.750 25% Arroio do Meio 14.400 2.061 2.823 626 2.139 24 7.673 32.500 24% Colinas 1.293 137 2.952 55 303 591 4.038 9.350 43% Muçum 1.186 60 0 112 1.607 105 1.884 10.000 19% Total 83.643 5.525 12.613 17.818 5.695 3.375 45.026 261.110 17%
inundação de julho de 2011, representando 27% da população do Vale do Taquari. A cidade com maior número de pessoas atingidas, principalmente desalojadas e desabrigadas, foi Lajeado com 39.216 habitantes. Observa-se um prejuízo econômico total de 45 milhões de reais nos municípios analisados.
O Quadro 2 indica que, dentre os danos analisados, os materiais causaram maior prejuízo, perfazendo um total de R$18.138.000,00, entre danos nas edificações (residências privadas e públicas) e na infraestrutura, compreendendo obras de artes, estradas públicas e privadas, comerciais e industriais. O município de Arroio do Meio foi o mais prejudicado em danos materiais, sofrendo um prejuízo de R$ 4.884.000,00. Em dados retirados do AVADAN, o município teve 401 casas danificadas, 4 casas destruídas e 330 km de estradas danificadas. Nos municípios que decretaram situação de emergência foram registradas 1.351 residências danificadas e 20 residências destruídas.
Os danos ambientais causaram um prejuízo total de R$17.818.000,00, sendo a cidade de Estrela a mais atingida. Cabe destacar que os danos ambientais causados pela inundação foram perda de solo através da erosão e destruição da vegetação ribeirinha. Os danos sociais, que causaram prejuízo de R$3.375.000,00, diretamente associados com a inundação são a falta de abastecimento de água e energia, interrupção na coleta de lixo e nas atividades escolares, sendo que Estrela foi o município mais afetado.
O município de Estrela foi o município que registrou o maior prejuízo em função da inundação de julho de 2011, com mais de 16 milhões. No entanto, o município de Colinas teve maior impacto proporcional, uma vez que 1.293 pessoas foram atingidas. Segundo o Censo de 2010, a população afetada representa mais da metade da população do município que é de 2.420 habitantes. Ainda houve 66 residências danificadas, danos na infraestrutura (pontes, estradas urbanas e rurais, bueiros, galerias e rede de distribuição de água). Os prejuízos somados em função do evento ultrapassaram os 4 milhões de reais e representaram 43% do orçamento do município para aquele ano.
Embora o presente estudo apresente os prejuízos econômicos de apenas uma inundação, esta avaliação revela o montante significativo dos prejuízos econômicos que as inundações causam. Ao considerar que as inundações são recorrentes no Vale do Taquari, e quanto maior o nível das inundações maiores serão os danos causados, é possível inferir que muitos prejuízos foram acumulados no passado e caso não forem implementados instrumentos que elevem a convivência com as inundações, novos danos e prejuízos serão somados no futuro.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como observado na série histórica, os eventos de inundação ocorrem com uma frequência maior nos últimos anos e que eventos de magnitude reduzida ocorrem praticamente todos os anos, e por vezes mais de uma vez ao ano. Apesar das inundações no Vale do Taquari serem de origem natural, estes eventos causam impactos socioeconômicos e ambientais significativos. A ocupação desordenada e sem planejamento das áreas ribeirinhas do Rio Taquari é o principal e mais agravante fator causador dos prejuízos causados pelas inundações. Os resultados apresentados evidenciam que os prejuízos decorrentes de apenas um evento de inundação alcançam montantes consideráveis. Somente na inundação ocorrida em julho de 2011 os prejuízos econômicos ultrapassaram os 45 milhões de reais e cerca de 83 mil pessoas foram afetadas.
As inundações são fenômenos recorrentes na região do Vale do Taquari e como evidenciado com os resultados, podem causar elevados prejuízos diretos e indiretos a população. Neste contexto, recursos direcionados a recuperação dos municípios atingidos deixam de ser aplicados em outros setores tais como: saúde, educação, segurança. Cabe assim, por meio de pesquisas analisar medidas
que sejam produtivas e possam ser efetivadas para minimizar prejuízos socioeconômicos e ambientais, promovendo dessa maneira, comunidades mais preparadas para enfrentar os efeitos dos desastres naturais.
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