| n.1, jan./mar. 2013 | | n.1, jan./mar. 2013 |
O
O Observatório Político Sul-Americano -Observatório Político SulAmericano -OPSA
OPSA é um núcleo de referência destinado aoé um núcleo de referência destinado ao monitoramento e registro de eventos políticos monitoramento e registro de eventos políticos nos planos interno e externo dos países nos planos interno e externo dos países sul-americanos. Suas atividades principais americanos. Suas atividades principais envol-vem a coleta e sistematização de informações vem a coleta e sistematização de informações relativas aos processos políticos dos países da relativas aos processos políticos dos países da região, bem como a elaboração de análises região, bem como a elaboração de análises pontuais sobre aspectos e problemas das pontuais sobre aspectos e problemas das con- junturas doméstica e interna
junturas doméstica e internacional da área.cional da área.
Coordenadora Acadêmica Coordenadora Acadêmica
Maria Regina Soares de Lima Maria Regina Soares de Lima
Ph.D. em Ciência Política pela Vanderbilt University Ph.D. em Ciência Política pela Vanderbilt University
Assistentes de Coordenação Assistentes de Coordenação Regina Kfuri Regina Kfuri Tatiana Oliveira Tatiana Oliveira Assistentes de Pesquisa Assistentes de Pesquisa
Clayton Cunha (Bolívia) Clayton Cunha (Bolívia) Ana Carolina Vieira de
Ana Carolina Vieira de Oliveira (Argentina)Oliveira (Argentina) Gabrieli Gaio (Paraguai)
Gabrieli Gaio (Paraguai) Paula Gomes Moreira (Peru) Paula Gomes Moreira (Peru) Pedro Archer Nogueira (Equador) Pedro Archer Nogueira (Equador) Fidel Flores (Venezuela)
Fidel Flores (Venezuela) Talita Tanscheit (Chile) Talita Tanscheit (Chile) Tiago Sales (Colômbia) Tiago Sales (Colômbia)
Francisco Josué Medeiros de Feitas Francisco Josué Medeiros de Feitas (Brasil)(Brasil) Guilherme Simões Reis (Uruguai)
Guilherme Simões Reis (Uruguai)
O Boletim OPSA reúne análises sobre O Boletim OPSA reúne análises sobre acontecimentos de destaque na conjuntura acontecimentos de destaque na conjuntura política da América do Sul e tem periodicidade política da América do Sul e tem periodicidade trimestral. A publicação é composta por trimestral. A publicação é composta por editorial e textos dirigidos a leitores que editorial e textos dirigidos a leitores que querem ter acesso rápido a informações de querem ter acesso rápido a informações de qualidade sobre temas contemporâneos. As qualidade sobre temas contemporâneos. As fontes utilizadas para sua confecção são fontes utilizadas para sua confecção são resumos elaborados pelos pesquisadores do resumos elaborados pelos pesquisadores do OPSA com base nos jornais de maior circulação OPSA com base nos jornais de maior circulação em cada um dos países e documentos de em cada um dos países e documentos de autoria de pesquisadores ou agências autoria de pesquisadores ou agências independentes que complementam as independentes que complementam as informações divulgadas pela
informações divulgadas pela imprensa.imprensa.
Este Boletim foi elaborado principalmente com Este Boletim foi elaborado principalmente com base nas informações referentes aos meses de base nas informações referentes aos meses de janeiro a março de 2013.
janeiro a março de 2013.
O Boletim OPSA é publicado na segunda O Boletim OPSA é publicado na segunda sema-na do mês seguinte aos três meses a que se na do mês seguinte aos três meses a que se refere.
refere.
É permitida a reprodução deste texto e dos É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins
Reproduções para fins comerciais são terminan-comerciais são terminan-temente proibidas.
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ISSN 1809-8827 ISSN 1809-8827
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A Primavera Sul-Americana A Primavera Sul-Americana Este Boletim é totalmente dedicado à Este Boletim é totalmente dedicado à analise dos processos eleitorais na analise dos processos eleitorais na América do Sul: as eleições na América do Sul: as eleições na Venezuela, no Paraguai e no Equador, Venezuela, no Paraguai e no Equador, além dos processos em curso no além dos processos em curso no Chile, Peru e Brasil. Quem poderia Chile, Peru e Brasil. Quem poderia imaginar no início dos anos 80 que imaginar no início dos anos 80 que chegaríamos ao final da primeira chegaríamos ao final da primeira década do século XXI com um quadro década do século XXI com um quadro de normalidade da competição de normalidade da competição eleitoral em todos os países eleitoral em todos os países sul-americanos? Esta normalidade se americanos? Esta normalidade se expressa também na existência de expressa também na existência de considerável diferença político-considerável diferença político-ideológica de candidatos e vencedores ideológica de candidatos e vencedores das eleições apresentando a região das eleições apresentando a região uma pluralidade política que é a uma pluralidade política que é a marca de contextos democráticos com marca de contextos democráticos com alternância no poder. Mesmo em alternância no poder. Mesmo em casos como a Venezuela em que casos como a Venezuela em que Nicolás Maduro represente a Nicolás Maduro represente a continuidade do chavismo, o governo continuidade do chavismo, o governo vai encarar uma oposição bem vai encarar uma oposição bem diferente daquela do período Chávez diferente daquela do período Chávez uma oposição que não apenas uma oposição que não apenas resolveu competir eleitoralmente e, resolveu competir eleitoralmente e, aparentemente, desistiu da estratégia aparentemente, desistiu da estratégia golpista, mas que hoje representa golpista, mas que hoje representa uma força relativamente significativa uma força relativamente significativa no quadro político venezuelano. No no quadro político venezuelano. No caso do Paraguai assistimos ao caso do Paraguai assistimos ao retorno do Partido Colorado ao poder, retorno do Partido Colorado ao poder, mas também no país hoje existe mais mas também no país hoje existe mais diversidade do espectro político. No diversidade do espectro político. No
Equador é notável a estabilidade Equador é notável a estabilidade presidencial depois de anos de presidencial depois de anos de instabilidade e de sucessivas quedas instabilidade e de sucessivas quedas de presidentes no exercício da função. de presidentes no exercício da função. Assistimos, portanto, nos últimos Assistimos, portanto, nos últimos vinte anos a uma mudança de vinte anos a uma mudança de qualidade na vida política da região. qualidade na vida política da região. A que se pode atribuir esta mudança? A que se pode atribuir esta mudança? Alguns fatores poderiam ser Alguns fatores poderiam ser arrolados. Em primeiro lugar, com o arrolados. Em primeiro lugar, com o fim da Guerra Fria a região deixou de fim da Guerra Fria a região deixou de ser palco da disputa geopolítica global ser palco da disputa geopolítica global e, junto com a perda da relativa e, junto com a perda da relativa relevância na competição estratégica relevância na competição estratégica bipolar, assistiu a um afastamento bipolar, assistiu a um afastamento dos EUA da região. Esta ausência foi dos EUA da região. Esta ausência foi ocupada por lideranças, partidos e ocupada por lideranças, partidos e movimentos sociais com agendas movimentos sociais com agendas progressistas de mudança política e progressistas de mudança política e social. No Cone Sul esta transição se social. No Cone Sul esta transição se deu com base em partidos de deu com base em partidos de esquerda que haviam sido formados esquerda que haviam sido formados previamente nos respectivos períodos previamente nos respectivos períodos de
de regimes regimes militares. militares. Nos Nos paísespaíses andinos o movimento foi impulsionado andinos o movimento foi impulsionado quer por lideranças carismáticas, quer por lideranças carismáticas, sobressaindo-se o papel de Hugo sobressaindo-se o papel de Hugo Chávez que mudou definitivamente o Chávez que mudou definitivamente o cenário político-social sul-americano, cenário político-social sul-americano, quer por partidos-movimentos com quer por partidos-movimentos com relevante representação indígena. relevante representação indígena. Ainda mais importante, toda esta Ainda mais importante, toda esta transformação estrutural ocorreu na transformação estrutural ocorreu na mais absoluta legalidade, o voto mais absoluta legalidade, o voto assegurando legitimidade aos assegurando legitimidade aos
Editorial Editorial
processos de refundação nestes processos de refundação nestes países.
países.11
É pertinente a comparação com o É pertinente a comparação com o processo da Primavera Árabe. A processo da Primavera Árabe. A virada à esquerda na América do Sul, virada à esquerda na América do Sul, no início dos anos 2000, foi recebida no início dos anos 2000, foi recebida
por lideranças e governos
por lideranças e governos
conservadores do Norte de forma conservadores do Norte de forma bastante crítica com alusões as suas bastante crítica com alusões as suas possíveis vinculações com os possíveis vinculações com os movimentos e países demonizados movimentos e países demonizados pela comunidade internacional – os pela comunidade internacional – os rogue states
rogue states – na terminologia– na terminologia bushiana. Ao contrário, a Primavera bushiana. Ao contrário, a Primavera Árabe foi saudada pelos países Árabe foi saudada pelos países centrais como uma transformação centrais como uma transformação estrutural da política árabe na direção estrutural da política árabe na direção do liberalismo e das forças virtuosas do liberalismo e das forças virtuosas da globalização. Ao contrário, hoje o da globalização. Ao contrário, hoje o consenso entre os especialistas é que consenso entre os especialistas é que as principais forças a se beneficiarem as principais forças a se beneficiarem da explosão das multidões nas praças da explosão das multidões nas praças árabes foram os movimentos e árabes foram os movimentos e partidos islâmicos que mesmo na partidos islâmicos que mesmo na clandestinidade conseguiram clandestinidade conseguiram sobre-viver aos regimes autoritários mas viver aos regimes autoritários mas seculares que exatamente por isso seculares que exatamente por isso haviam contado com o respaldo das haviam contado com o respaldo das potências ocidentais. Na volta do potências ocidentais. Na volta do re-lógio, são estes mesmos movimentos lógio, são estes mesmos movimentos que hoje constituem as forças que hoje constituem as forças políticas hegemônicas na região e a políticas hegemônicas na região e a vanguarda da resistência anti-vanguarda da resistência
anti-1 1
Ver, Daniel Aarão Reis, “Entre passarinhos e Ver, Daniel Aarão Reis, “Entre passarinhos e elefantes”,
elefantes”,O GloboO Globo, 07/05/2013, p. 18., 07/05/2013, p. 18.
Ocidente no norte da África.
Ocidente no norte da África.22 O legadoO legado da Guerra Fria na América Latina da Guerra Fria na América Latina também não foi virtuoso, pelo também não foi virtuoso, pelo contrário. Mas mesmo as forças à contrário. Mas mesmo as forças à esquerda na região tendo sido esquerda na região tendo sido eliminadas ou neutralizadas também eliminadas ou neutralizadas também sobreviveram na clandestinidade ou sobreviveram na clandestinidade ou no exílio e sempre foram seculares, no exílio e sempre foram seculares, suas matrizes teóricas e práticas suas matrizes teóricas e práticas tendo origem nas experiências tendo origem nas experiências ocidentais do marxismo e da social ocidentais do marxismo e da social democracia europeia.
democracia europeia.
Há um outro conjunto de fatores que Há um outro conjunto de fatores que também tem contribuído para a também tem contribuído para a estabilização democrática na região. estabilização democrática na região. Os governos progressistas na América Os governos progressistas na América do Sul experimentaram um período de do Sul experimentaram um período de crescimento significativo na primeira crescimento significativo na primeira década dos 2000 em função do década dos 2000 em função do aumento do preço das commodities aumento do preço das commodities no mercado internacional. Esta no mercado internacional. Esta relativa bonanza foi aproveitada por relativa bonanza foi aproveitada por estes governos para políticas sociais estes governos para políticas sociais de inclusão que pelo seu sucesso se de inclusão que pelo seu sucesso se tornaram um modelo para quase tornaram um modelo para quase todos os governos sul-americanos todos os governos sul-americanos independentemente da orientação independentemente da orientação política. Estes mesmos governos política. Estes mesmos governos restituíram as capacidades estatais, restituíram as capacidades estatais, bastantes fragilizadas no auge do bastantes fragilizadas no auge do neoliberalismo, e aumentaram a carga neoliberalismo, e aumentaram a carga tributária aplicando o excedente em tributária aplicando o excedente em programas sociais.
programas sociais.
2 2
Para uma análise
Para uma análise dos resultados ddos resultados da Primaveraa Primavera árabe, ver, Yan Boechat e Dubes Sônego, " A árabe, ver, Yan Boechat e Dubes Sônego, " A Primavera na sombra",
Primavera na sombra",Valor- EUValor- EU, 3 a 5 de maio, 3 a 5 de maio
de 2013 - Ano 14, no. 651, pp. 4-11. de 2013 - Ano 14, no. 651, pp. 4-11.
A tabela acima é indicativa da relação entre o aumento da capacidade fiscal e a diminuição da pobreza na região. Como se pode observar na tabela, entre 2001 e 2011, todos os países sul-americanos aumentaram a carga tributária em relação ao PIB. Todos
também experimentaram uma
redução significativa da pobreza, ainda que a variação neste período, em pontos percentuais, tenha sido mais acentuada no caso da pobreza. Peru, Bolívia Venezuela e Equador foram os países onde se observou a maior redução relativa de pobres na região. Bolívia e Equador são também os países que exibem uma maior variação positiva, em pontos percentuais, da carga tributária. Uma das explicações para o alto grau de continuidade dos governos destes dois países pode estar relacionada a ampliação das capacidades fiscais de
seus respectivos Estados com a redução significativa da pobreza. Esta vinculação, que não se observou no caso do Norte da África que vive um cenário de deterioração econômica, é um fator a diferenciar a primavera sul-americana de sua congênere no mundo árabe.
Rio de Janeiro, maio de 2013 Maria Regina Soares de Lima País
Carga Tributária (% do PIB) Linha de Pobreza (% da população) 2001 2011 (Variação) 2000-02 2009-11 (Variação) Argentina 20,94 34,89 +13,95 - - -Brasil 31,0 34,76 + 3,76 34,4 20,9 -13,5 Bolívia 16,97 22,1 +5,13 62,4 42,4 -20,0 Chile 18,64 20,18 +1,54 20,2 11,0 -9,2 Colômbia 15,62 18,08 +2,46 45,7 30,5 -15,2 Equador 14,14 20,85 +6,71 49,0 32,4 -16,6 Paraguai 10,0 13,35 +3,35 59,7 49,6 -10,1 Peru 14,04 16,97 +2,93 42,0 18,0 -24,0 Uruguai 22,37 26,54 +4,17 15,4 6,7 -8,7 Venezuela 11,22 12,47 +1,25 48,6 29,5 -19,1
Fonte: Cepal; César Felício, "Eleito tem desafio de reduzir a pobreza", Valor, 22/4/2013, p. A9.
Vitória com margem estreita marca eleição do primeiro
presidente chavista.
Fidel Pérez Flores Na primeira eleição presidencial na Venezuela que em 14 não conta com Hugo Chávez entre os candidatos deu como resultado uma vitória estreita a favor de seu herdeiro político, Nicolás Maduro. O candidato do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) obteve 7,563,7473 votos, equivalentes a 50,75% do eleitorado, superando assim os 7,298,491 votos, ou 48,97% dos eleitores, do opositor Henrique Capriles Radonski, da Mesa da Unidade Democrática (MUD). A diferença foi de apenas 265,256 votos, ou 1,78 pontos percentuais. Essa estreita margem será suficiente para o chavismo manter o controle do Poder Executivo, porém desenha um inesperado panorama de desafios políticos no curto prazo que Maduro deverá acrescentar à complexa missão de substituir Hugo Chávez na gestão governamental durante seis anos.
Em primeiro lugar, a recusa do candidato opositor em reconhecer a vitória de Maduro sem antes fazer uma recontagem total dos votos abriu 3 Segundo dados divulga pelo Conselho
Nacional Eleitoral no momento da proclamação oficial de Nicolás Maduro como presidente eleito em 15/04/2013.
a brecha para a escalada de um conflito pós-eleitoral que ameaça com prejudicar a legitimidade do novo governo. Capriles argumentou que seu pedido de recontagem se sustentava na recepção de 3,200 denúncias sobre violações à normativa eleitoral e na persistência dos abusos do governo ao longo da campanha. Previamente, após a divulgação dos resultados oficiais pela presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, o também reitor dessa entidade, Vicente Díaz, tinha se pronunciado a favor de uma auditoria de 100% das caixas de resguardo que contém os comprovantes de cada voto emitido na urna eletrônica. Díaz argumentou que, devido à ocorrência de irregularidades em diversos centros de votação e ao ambiente de polarização em que se encontra o país, seria conveniente realizar uma recontagem que tranquilizasse os setores do país que apoiaram o candidato derrotado. Em seguida, o próprio Nicolás Maduro aceitou a proposta de recontagem afirmando ser o mais interessado na auditoria para eliminar qualquer dúvida sobre os resultados.
Entretanto, o CNE procedeu, no dia seguinte, à proclamação oficial de Nicolas Maduro como presidente eleito e no mesmo ato descartou qualquer possibilidade de recontagem dos votos. Maduro modificou de forma
explícita a posição expressada na véspera se diz contrário a qualquer revisão dos votos emitidos. Henrique Capriles, então, convocou seus partidários a realizar um panelaço para repudiar o que considerou ser uma proclamação ilegítima de Maduro e chamou a uma passeata até a sede do CNE em Caracas para acompanhar a solicitação de recontagem. Enquanto eleitores da oposição atendiam em várias cidades do país ao pedido do seu candidato, o governo informou da ocorrência de assassinatos de simpatizantes de Maduro, postos de saúde incendiados e ataques a sedes do PSUV nos estados de Anzoátegui e Barinas.
Maduro responsabilizou Capriles pelas mortes e pela criação de um clima de desestabilização similar ao que a oposição criou durante o mal fadado golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002. O presidente eleito chamou seus partidários a ocupar as ruas para impedir as mobilizações opositoras, acusou o Departamento de Estado dos EUA de estar por trás de uma nova tentativa de golpe de Estado e afirmou que não iria permitir a passeata dos opositores pelas ruas do centro de Caracas. Por sua vez, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, do PSUV, começou a condicionar o uso da palavra ao reconhecimento explícito da vitória de Maduro e mandou destituir os deputados opositores da presidência
de cinco comissões parlamentares. Capriles cancelou a passeata convocada diante ao CNE, mas pediu a seus simpatizantes para continuar os protestos com panelaços noturnos. Finalmente, em 18/04, na véspera de uma reunião de chefes de Estado e de governo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em Lima para tratar da questão venezuelana, o CNE aceitou ampliar a auditoria das eleições até cobrir 100% das seções eleitorais. A decisão contou com a beneplácito dos líderes da oposição, entretanto, uma semana depois Capriles considerou inaceitável o processo da auditoria ainda não ter começado e anunciou que impugnaria o resultado das eleições.
Para além dessa disputa pela legitimidade do processo eleitoral, Maduro terá que enfrentar o impacto político de não ter conseguido a vitória ampla que as pesquisas projetavam apenas um mês atrás, quando foi proclamado oficialmente candidato. Esperava-se que a adesão emotiva suscitada pela desaparição física de Hugo Chávez beneficiasse sua candidatura, apoiada na força da última declaração pública do ex-presidente. Dada em 08 de dezembro de 2012, nessa declaração Chávez pediu a seus simpatizantes apoiar Nicolás Maduro em caso de ele não se recuperar da intervenção cirúrgica a que iria se submeter nesse momento. Durante a campanha, Maduro
promoveu como principal argumento a seu favor o cumprimento da última vontade do líder falecido, cuja imagem foi reiteradamente revestida de atributos divinizantes diante aos quais os chavistas deviam oferecer lealdade e devoção.
Ao final do processo, os números revelaram que Maduro obteve quase 700 mil votos a menos dos que Hugo Chávez tinha conseguido apenas seis meses atrás, na eleição presidencial de 7 de outubro de 2012. Em contrapartida, Capriles acrescentou sua cota de votos em uma quantidade similar. Diante a esse deterioro no desempenho eleitoral, certamente Maduro terá que lidar para erguer as bases de uma liderança própria e viabilizar o chavismo como projeto político e opção de governo sem Chávez no longo prazo.
Pelo lado opositor, o vertiginoso crescimento registrado nesta eleição permitiu a muitos, começando pelo próprio Capriles, assumir dessa vez a derrota nas urnas como uma autêntica vitória política. Na sua primeira aparição pública na noite da eleição, Capriles referiu-se a Maduro como o verdadeiro derrotado da jornada e qualificou sua futura gestão de provisória. Apesar de completar-se o mandato de Maduro só em 2019, já em 2015 haverá eleições para renovar a Assembleia Nacional e a partir de 2016 seria possível, de acordo com os
dispositivos constitucionais, iniciar o processo para a convocação de um referendo revogatório do mandato presidencial.
O desempenho eleitoral da oposição, ainda tendo Hugo Chávez como adversário, registrou uma tendência ascendente nos últimos anos, o que alimenta suas expectativas de vitória
em um futuro próximo.
Adicionalmente, o governo Maduro deverá enfrentar desafios importantes em vários âmbitos. Inflação elevada, desabastecimento de produtos básicos, diminuição das capacidades produtivas do país (inclusive na indústria do petróleo), dependência da renda petrolífera em alta, aumento das importações, déficit nas finanças públicas e insegurança urbana, estão na lista dos fatores que hoje tendem a deteriorar o nível de vida de todos os setores da população.4 Para a oposição, qualquer fracasso importante nessa esfera pode se tornar uma oportunidade de acrescentar seus rendimentos políticos.
Para o governo, a atribulada vitória eleitoral de 14 de abril não deixa de 4 Para uma síntese dos indicadores em
cada um desses âmbitos ao dia da eleição presidencial, ver: Roberto Deniz. “Poca producción, escassez e inflación marcan la economia”. In: El Universal, 14/04/2013.
Disponível em:
http://www.eluniversal.com/nacional-y- politica/130414/poca-produccion-escasez-e-inflacion-marcan-la-economia (Acesso em 14/04/2013).
ser uma oportunidade para rever os motivos do desgaste nas urnas e a eventualmente fazer a revisão de um modelo de condução política que até hoje foi em muito dependente do impulso de um líder que não estará mais. A adesão de 7,5 milhões de venezuelanos que deram seu aval ao candidato designado por Chávez
representa uma base ainda
considerável para dar continuidade ao projeto político por ele representado. Dessa vez, entretanto, será muito mais difícil minimizar a força quase equivalente de uma oposição cada vez mais confiante. A era dos opositores esquálidos, como Chávez gostava de chamar seus adversários para
minimizar sua força e
representatividade, terminou. O clima de confrontação que se espalhou logo após a eleição presidencial não parece ser um bom sinal para o futuro imediato do país, mas na Venezuela existem também as vozes que pedem para diminuir o tom da polarização e aumentar os canais para a convivência cívica entre distintos projetos políticos.5 Superadas as apreensões e os ânimos da batalha
5 Ver, por exemplo, o manifesto pela
reconciliação nacional assinado por representantes de várias forças políticas e setores sociais às vésperas da eleição presidencial em: Elvia Gómez. “Promotores del diálogo buscan poner fin a la lucha fraticida”. In: El Universal, 13/04/2013. Disponível em: http://www.eluniversal.com/nacional-y- politica/130413/promotores-del-dialogo-buscan-poner-fin-a-la-lucha-fratricida (Acesso em 13/04/2013).
pelos votos, na Venezuela poderiam começar a ser delineados os contornos para uma nova paisagem política.
Fontes
Observatório Político Sul Americano. Banco de eventos. Disponível em: www.opsa.com.br
(Re)Configurações políticas no Paraguai pós-Lugo.
Gabrieli Gaio As eleições no Paraguai foram realizadas em 21 de abril de 2013. De acordo com dados preliminares da Justiça Eleitoral do país, o candidato à presidência Horácio Cartes, do Partido Colorado, saiu vitorioso com 45,8% dos votos. Além do presidente, os paraguaios votaram também para seus representantes no Congresso, no Parlasul e para as autoridades dos departamentos do país.
A conjuntura pré-eleitoral
Conforme a data das eleições aproximava-se, era possível notar uma reconfiguração do cenário político paraguaio. Mediante a
disponibilidade do assento
presidencial, a luta pelo poder no país tornou-se ferrenha. A conjuntura política que se verificou em junho de 2012, quando uma massiva coalizão
partidária dera origem ao afastamento do ex-presidente Fernando Lugo, já não era vigente na realidade pré-eleitoral paraguaia. Partidos que se uniram para articular o impeachment de Lugo, em 2012, disputaram entre si para ocupar a presidência do país. Paralelamente, as eleições do
Paraguai foram atentamente
observadas no âmbito sul-americano, uma vez que a realização de um processo eleitoral democrático seria o pré-requisito principal para que o Paraguai retome suas atividades nos fóruns regionais. Tendo classificado o impedimento de Lugo como golpe de Estado e optado pela suspensão do país na Unasul e no Mercosul, os pares regionais aguardam com expectativas o desenrolar do processo eleitoral paraguaio.
Os presidenciáveis e suas
propostas
O Partido Colorado apresentou como candidato presidenciável o empresário Horácio Cartes. O Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de situação, tentou sua manutenção no poder por meio da candidatura de Efraín Alegre. Miguel Carrizosa é o presidenciável do Partido Pátria Querida (PPQ) e Mário Ferreiro é o candidato da coalizão Avanza País. A Frente Guasú (FG), coalizão da esquerda paraguaia presidida por Fernando Lugo,
apresenta como presidenciável Aníbal Carrillo Iramain.
O retorno do Paraguai aos blocos de integração regional constituiu preocupação comum aos candidatos. Todos concordam com a urgência da normalização das relações regionais paraguaias. Contudo, enquanto alguns, como Alegre e Cartes, insistiram no discurso de que o país teria sido injustiçado pelos pares regionais, outros, nomeadamente a Frente Guasú, ressaltaram a falta de legitimidade do processo que levou à destituição de Lugo.
Horácio Cartes (Partido Colorado) afirmou que o investimento na educação será uma de suas prioridades. O empresário pretende gerar bolsas de estudos para o exterior e afirma que pretende destinar 60% do excedente gerado pela binacional Itaipu para a educação paraguaia. Cartes pretende também combater a pobreza. O candidato colorado afirmou que não fará isso por meio de políticas assistencialistas, já que pretende “ensinar (os paraguaios) a pescar e não os dar os peixes.”
Efraín Alegre (PLRA) optou por apostar na geração de empregos no país. Segundo o candidato, esta seria uma das maneiras mais eficazes no combate à pobreza. Para isso, Alegre afirmou que iria investir nos projetos
de infraestrutura, já que os mesmos costumam gerar muitos postos de trabalho. Por meio de tais investimentos, o candidato pretendia criar 200 mil empregos caso vença a disputa eleitoral.
Miguel Carrizosa (PPQ) afirmou que pretendia trazer a coerência política de volta ao cenário do Paraguai. Segundo o candidato, o atual governo falha em implementar as políticas previstas para a pacificação do conflito agrário no país. Tais falhas constituiriam um dos principais obstáculos à entrada do investimento externo e ao desenvolvimento paraguaio, uma vez que propagam a situação de violência no campo.
Mário Ferreiro, da coalizão de esquerda Avanza País, pretendia promover a proteção social e a distribuição da riqueza no país. O programa de governo de Ferreiro contou, ainda, com a inclusão social da população do campo por meio da reforma agrária e do apoio à agricultura familiar. Para governar, a coalizão afirmou que seria necessária uma maior articulação entre o governo e grupos da sociedade civil, sobretudo os movimentos sociais. Aníbal Carrillo Iramain, da Frente Guasú, trouxe como principal
proposta a recuperação da
democracia política no país, que teria sido interrompida com a destituição
do ex-presidente Fernando Lugo. O candidato defendeu, também, o desenvolvimento produtivo do campo, com base na reforma agrária e inclusão social das populações campesinas. Para a coalizão, a inclusão social de tais populações seria a chave para frear o aumento da violência no país.
Unidos contra os Colorados
Em 03/04, o PLRA conseguiu angariar o apoio da União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), que tinha como candidato presidenciável o ex-general Lino Oviedo, falecido em um acidente de helicóptero em fevereiro de 2013. O objetivo dos liberais era fazer frente ao Partido Colorado por meio dos votos de eleitores da Unace. Por sua vez, a Unace - partido que também apoiou a destituição de Lugo - afirmou unir-se com os liberais para evitar que o Partido Colorado retornasse ao poder no Paraguai. A aliança PLRA-Unace foi feita com base na promessa de cessão de cargos públicos caso Alegre vencesse a disputa presidencial.
Mediante tal arranjo político às vésperas das eleições, o Partido Colorado criticara a aliança rival. Segundo os colorados, a mesma teria sido consolidada com base em negociações fraudulentas de lotes de terras estatais entre o PLRA e membros da Unace por meio do
Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert). O governo de Frederico Franco afirmou que iria investigar a aliança. De qualquer modo, a tentativa dos liberais e da Unace em fazer frente à ascensão clorada ao poder não produziu o resultado almejado.
Entretanto, as suspeitas coloradas levaram à renúncia do presidente do Congresso, o senador Oviedo Matto, da Unace. O senador havia sido acusado pelos colorados de participar ativamente das supostas “negociações fraudulentas” para a aliança PLRA-Unace. O Partido Colorado iria pedir seu afastamento do cargo. Para evitar o constrangimento político, Oviedo Matto renunciou em 16/04.
As pesquisas eleitorais
Embora as pesquisas de opinião no país apresentassem resultados variados, em geral apontavam como favoritos o candidato Horácio Cartes, do Partido Colorado, e o candidato Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).
Cartes e Alegre contavam, cada um, com pesquisas de opinião favoráveis. Em pesquisa organizada pelo Instituto de Comunicação e Arte (ICA), Horácio Cartes aparecia como o favorito à presidência paraguaia, com 41,7%. Em segundo lugar, estaria Efraín Alegre, com 27,5% das intenções de votos. Já em pesquisa divulgada pela
empresa de consultoria Ati Snead, os liberais lideravam as eleições com 37,9% das intenções de votos. Os colorados apareceriam em seguida, com 36,4%, apontando uma diferença de apenas 1,5% entre os dois candidatos. De qualquer modo, essa pequena diferença seria considerada um empate técnico.
O restante das intenções de votos encontrava-se dispersa entre os demais candidatos. Atrás de Cartes e
Alegre estava o candidato
presidenciável do Avanza País, Mario Ferreiro, com 8,5%. Em seguida, se econtrava Miguel Carrizosa, do Partido Pátria Querida (PPQ), com 5,7%. O candidato da Frente Guasú, Aníbal Carrillo Iramain, representava 2,9% das intenções de votos.
Mesas receptoras de votos
As autoridades das mesas receptoras de votos são as entidades responsáveis por anular ou validar os votos dos cidadãos paraguaios nas eleições. Em 21 de abril, essas mesas estiveram totalmente controladas pelo Partido Colorado, pelo PLRA e pela Unace. Os demais partidos apenas observaram o processo. A composição das mesas é decidida com base na representatividade parlamentar dos partidos dos presidenciáveis, o que garantiu aos três partidos supracitados o total controle das mesmas.
Com a aliança PLRA-Unace, os liberais obtiveram larga maioria das mesas de votos sob seu controle. Tal fato preocupou o Partido Colorado, que decidiu contratar grupos extras de observadores para acompanhar a contagem de votos por parte da aliança rival. Os colorados acreditavam que a referida aliança trabalharia para fraudar o resultado eleitoral de 21 de abril em favor da candidatura de Efraín Alegre. O partido contou com cerca de 60 mil observadores para acompanhar 17.527 mesas de votos.
Debate presidencial excluiu representantes da esquerda
Em 17 e 24 de março, o Centro de Regulação de Normas e Estudos de
Comunicação (Cerneco) e a
organização não governamental Desenvolvimento em Democracia (Dende) realizaram debates entre candidatos presidenciáveis no Paraguai. Os debates, transmitidos por televisão e rádio, contaram com Efraín Alegre (Partido Liberal Radical Autêntico – PLRA), Horácio Cartes (Partido Colorado), Miguel Carrizosa (Partido Pátria Querida – PPQ) e Mário Ferreiro (Avanza País). Entre os temas mais discutidos pelos candidatos, esteve o retorno do Paraguai ao Mercosul, objeto de consenso entre os participantes.
Chamou atenção a ausência de alguns candidatos presidenciáveis da esquerda paraguaia, sobretudo, o candidato da Frente Guasú, Aníbal Carrillo. Os organizadores do evento optaram por não o convidar para participar dos debates. Em 13/03, a Frente Guasú, juntamente a outros partidos de esquerda - o Movimento Kuña Pyrenda e o Partido dos Trabalhadores - haviam requisitado o cancelamento do evento frente a um juizado eleitoral paraguaio. Em 14/03, o pedido foi negado pelo Tribunal Eleitoral sob a justificativa de que o debate seria articulado por organizações privadas e, por isso, não poderia ser regido pelo estado paraguaio.
Ecos de Curuguaty
Em meio à animosidade eleitoral, recuperou importância o caso do massacre de Curuguaty, evento que desencadeou o processo que levaria à destituição do ex-presidente Fernando Lugo6. Na ocasião, um conflito por desocupação de terra deixou dezessete mortos entre policiais e manifestantes rurais.
Em 29/03, o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, em
6 Ver: LIMA, M. R. S.; GAIO, Gabrieli;
COELHO, André Luiz. Dossiê Paraguai. Observador On-line, v.7, n.6, jun. 2012.
Disponível em:
http://www.opsa.com.br/images/pdf/obse rvador/observador_v_7_n_06_2012.pdf. Acesso em: 29 jun. 2012.
Genebra, pediu maior
governo do Para
investigações sobre ocorridas em Curuguaty. com resolução emitida investigação conduzida governo acerca do cas devida imparcialid independência. A manifestou preocupaçã credibilidade do Minist paraguaio e dos de envolvidos na apuração fiscal Jalil Rachid, responsável do gov paraguaio pela investig do caso, desmentiu alegações da ONU e afir que todos os direitos vítimas têm sido observa Em 02/04, corroborand críticas de Genebra, a Fr Guasú elaborou denú frente ao Estado paragu pedindo que fosse ab uma investigação averiguar a participação personalidades políticas massacre de Curugu Adicionalmente, a coal pediu também o afastam de Rachid, devido às crí das Nações Unidas. A Fr Guasú acredita que políticas estejam na orig com a participação ativa Efraín Alegre e Blas La colorado Horácio Cart
mpenho do uai nas as mortes . De acordo ela ONU, a pelo atual carece da ade e organização o com a rio Público ais órgãos os fatos. O principal rno ção as ou das os. as nte ncia aio, erta ara de no aty. izão nto icas nte motivações em do caso, dos liberais o, além do s. Para a coalizão de esquerda, “crime político” que fo
a destituição de Lugo. Os resultados prelim De acordo com a cont da Justiça Eleitoral presidenciável color Cartes, saiu vitorio eleitoral com 45,8% dados preliminares ind distribuição de votos: Fonte: Tribunal S Ele Efraín Alegre (PLRA) 36,9% Mario Ferreiro (Avanza País) 5,8% Aníbal Iramain (Frente Guasú) 3,3% Miguel Carrizosa (PPQ)1,1%Outros 7,0 e tratou de um i concluído com inares gem preliminar o Paraguai, o ado, Horácio o da disputa dos votos. Os icam a seguinte perior de Justiça itoral do Paraguai Horácio Cartes (Partido Colorado) 45,8% %
Segundo os dados acima, a controversa aliança PLRA-Unace não foi suficiente para impedir a vitória do candidato colorado, que apresenta uma margem de vitória de, aproximadamente, nove pontos percentuais. Efraín Alegre, do PLRA, reconheceu a vitória do rival como legítima. Em 22/04, o presidente do PLRA, Blas Lano, assumiu a responsabilidade pela derrota liberal e afirmou que colocará seu cargo à disposição do partido após os resultados oficiais. Adicionalmente, as missões observadoras da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia declararam que as eleições paraguaias foram democráticas.
Após a divulgação dos dados preliminares, Cartes discursou para o Partido Colorado e afirmou que irá
governar para todos, sem
“discriminações” ou “fanatismo”. O empresário deverá assumir a presidência paraguaia em 15 de agosto próximo, tendo como vice-presidente Juan Eudes. O colorado já manifestou intenção de regularizar a situação paraguaia no Mercosul e exortou o Congresso para que seus membros aceitassem a presença da Venezuela no bloco. A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, já parabenizou Cartes pela vitória, mas afirmou que o combate ao narcotráfico na fronteira com o Brasil será muito importante para a normalização das relações
bilaterais. O aviso de Rousseff não foi despropositado, já que Horácio Cartes, empresário da indústria tabagista, sofreu diversas acusações de ligações com o narcotráfico durante sua campanha presidencial. Cartes esteve, ainda, sob investigação da agência antidrogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês para Drug Enforcement Administration), que, em 2011, produziu relatório relacionando o nome do futuro presidente paraguaio ao comando de uma rede de lavagem de dinheiro para diversas máfias da região sul-americana e do mundo7.
Ainda segundo dados preliminares da Justiça Eleitoral paraguaia, o Partido Colorado consolidou maioria no Senado do país, com controle sobre 35,7% dos senadores. Em seguida, está o PLRA, com 24,3%. A Frente Guasú garantiu 9,5% do Senado, o Partido Democrático Progressista (PDP), 6,2%, a coalizão Avanza País angariou 4,9% e a Unace, 3,7%. Vale mencionar que a esquerda paraguaia, representada pela Frente Guasú, pelo PDP e pela Avanza País já vislumbram articulações políticas no Senado que possam fazer frente ao poder colorado. Afirmam que há a 7 Para mais informações, consultar:
Hernández, Vladimir. “Conheça Horácio Cartes, milionário eleito novo presidente do Paraguai.” Brasília: BBC Brasil. 21 abr.
2013. Disponível em:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias /2013/04/130421_horacio_cartes_paragu
possibilidade, ainda, de uma aliança com o PLRA.
Quanto à Câmara dos Deputados, a Justiça Eleitoral do Paraguai ainda não divulgou os dados preliminares em nível nacional. Entretanto, de acordo
com os dados para cada
departamento, o Partido Colorado parece também manter uma forte influência na casa, abarcando de 37%, no departamento de Caaguazu, a 52,3%, no departamento de Boqueron.
Ainda não foram divulgados dados sobre as eleições para as juntas de departamento e para o Parlasul.
A consolidação das forças
hegemônicas da política
paraguaia
O cenário eleitoral no Paraguai consistiu em uma briga de “gigantes”. O Partido Colorado voltou ao poder após o breve governo de Fernando Lugo, que pôs término – ou melhor, um intervalo - aos 60 anos de hegemonia colorada no país. Desse modo, a influência colorada no cenário político paraguaio sai consolidada dessa disputa eleitoral. Enquanto o PLRA reflete sobre o que fez de errado para deixar escapar a presidência, os colorados preparam-se para retomar seu controle sobre o poder político no país.
No que concerne ao Poder Legislativo, tudo indica que será necessária uma massiva coalizão entre diferentes partidos para que se possa equilibrar o poder colorado. A esquerda do país, que desde o início das campanhas estava ciente de suas poucas possibilidades, já anunciou que estaria disposta a buscar articulações não só entre si, mas também com o PLRA. Os liberais, entretanto, parecem estar muito desolados para pensar em qualquer estratégia no momento; tinham por certo que a destituição de Lugo abriria espaço para um presidente liberal no Paraguai. Nem a aliança com a Unace pôde realizar esse sonho.
Na eminência do retorno dos colorados ao poder no Paraguai no próximo 15 de agosto, é possível que os liberais recomponham-se e pensem
em alguma estratégia para
contrabalançar a hegemonia colorada. Resta saber se essa estratégia envolverá ou não uma aliança com a esquerda do país. Essa última, por sua vez, parece estar disposta a articular os mais diversos arranjos políticos para se manter viva na conjuntura paraguaia.
Fontes
LIMA, M. R. S.; GAIO, Gabrieli; COELHO, André Luiz. Dossiê Paraguai.
Observador On-line, v.7, n.6, jun.
2012. Disponível em:
http://www.opsa.com.br/images/pdf/ observador/observador_v_7_n_06_20 12.pdf. Acesso em: 29 jun. 2012. Hernández, Vladimir. “Conheça Horácio Cartes, milionário eleito novo presidente do Paraguai.” Brasília: BBC Brasil, 21 abr. 2013. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/not icias/2013/04/130421_horacio_cartes _paraguai_perfil_jp.shtml
Observatório Político Sul Americano. Banco de eventos. Disponível em: www.opsa.com.br
Equador: Eleições 2013
Pedro Archer Em 17 de fevereiro de 2013, aproximadamente 11,6 milhões de equatorianos votaram para escolher os novos ocupantes dos cargos de presidente e vice-presidente do país, além de 5 representantes para o Parlamento Andino, 15 deputados nacionais, 116 deputados provinciais, 13 representantes para o Distrito Metropolitano de Quito e 6 deputados para representações estrangeiras. O processo, que incluiu a décima eleição presidencial desde o retorno à democracia no Equador, em 1978, foi acompanhado por 320 delegados de outros países ou organizações internacionais.
Os candidatos presidenciáveis A apresentação de candidatos presidenciáveis durou entre 18 de outubro e 15 de novembro. A análise dos candidatos foi feita com base em 14 fatores eliminatórios, dos quais seis são estabelecidos pelo Código da Democracia e oito haviam sido acrescentadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Dentre as proibições, estavam a posse contratos com o Estado equatoriano, o recebimento de qualquer sentença condenatória por delitos sancionados com reclusão, suborno, enriquecimento ilícito ou peculato, a posse de dívidas de pensões alimentícias e outras.
Com as decisões do CNE, as eleições para presidente e vice-presidente
foram disputadas por,
respectivamente, Correa e Jorge Glas, pela Aliança País (AP), de situação; Guillermo Lasso e Juan Carlos Solines, pelo Criando Oportunidades (CREO), de oposição; Alvaro Noboa e Anabella Azín, pelo Partido Renovador Institucional Ação Nacional (PRIAN), de oposição; Alberto Acosta e Marcia Caicedo, pela Unidade Plurinacional das Esquerdas, de oposição; Mauricio Rodas e Inés Manzano, pelo movimento Sociedade Unida Mais Ação (SUMA), de oposição; Norman Wray e Angela Mendoza, pelo movimento Ruptura, de situação; Lucio Gutiérrez e Pearl Ann Boyes, pelo Partido Sociedade Patriótica
(PSP), de oposição; e Nelson Zavala e Denny Cevallos, pelo Partido Roldosista Equatoriano (PRE), de oposição.
- Alberto Acosta escolheu como principais ofertas de campanha a promoção de uma economia social e solidária, o fortalecimento radical da democracia e a luta frontal contra a insegurança, o crime organizado e a corrupção. O candidato presidenciável da Unidade Plurinacional das Esquerdas, que fundara o AP, defendeu o lançamento de incentivos a pequenas ou médias empresas para gerar emprego e reduzir a desigualdade de poder econômico. - Álvaro Noboa apresentou a
promoção do emprego bem
remunerado, a eliminação da pobreza e o combate à delinquência como suas principais propostas de campanha. O candidato do PRIAN, que concorria pela sexta vez ao cargo de presidente, pretendia baixar o imposto de renda em 10% e atrair grandes empresas multinacionais para incentivar a produção e o emprego. Noboa pretendia ainda utilizar as rendas da extração petrolífera para o financiamento de obras sociais e retirar o Equador da Aliança Bolivariana para as Américas.
- Guillermo Lasso tinha como principais propostas a luta contra a insegurança, o fortalecimento da
democracia e do regime de liberdades individuais e a luta contra a pobreza por meio da criação de emprego, da eliminação de impostos e de acordos comerciais internacionais. O candidato do CREO, que havia renunciado em 2011 à presidência do Banco de Guayaquil, se posicionou a favor do incentivo aos setores mais produtivos do país para reduzir a dependência do petróleo.
- Lucio Gutiérrez propôs a
eliminação dos impostos à
propriedade de terra e à saída de capital, o fornecimento de crédito a campesinos, artesãos e pescadores e o retorno ao livre ingresso à universidade. O candidato do PSP pretendia ainda gerar oportunidades de emprego no setor privado e duplicar o investimento na construção de habitações por meio da utilização das rendas do petróleo.
- Mauricio Rodas tinha como principal proposta impulsionar o Equador para a posição de líder na América Latina no que concerne à qualidade de vida. O candidato do SUMA, que fora consultor político, defendeu a criação de projetos políticos de promoção do emprego de jovens entre 18 e 30 anos, de criação de oportunidades de estudo, de fortalecimento do combate ao crime organizado e de incentivo à produção agrícola. Rodas pretendia ainda reduzir gastos governamentais –
incluindo a redução do número de ministérios – para evitar o endividamento.
- Nelson Zavala apresentou como propostas políticas a criação de uma estrutura de valores para a família e para a educação, retirar quatro milhões de equatorianos da pobreza e priorizar a produção agrícola. O candidato do PRE se posicionou a
favor dos incentivos a
empreendimentos e empresas
próprias para a redução da pobreza e da criação de uma cultura de paz. - Norman Wray apresentou como principais propostas de governo o uso responsável dos recursos naturais e a criação de emprego por meio de incentivos públicos e provados e pequenas ou médias empresas. O candidato presidenciável do Ruptura defendeu o fortalecimento de uma ideologia política de esquerda contemporânea comprometida com a igualdade, a liberdade e a democracia e também com os direitos dos sindicalistas, dos ambientalistas, das mulheres, dos indígenas e dos homossexuais.
- O então presidente do país, Rafael Correa, finalmente, propôs a continuação de seu projeto de revolução no Equador, ressaltando a priorização de uma política social eficiente, da promoção de um crescimento econômico adequado e
do combate à concentração de poder e bancos, meios de comunicação e movimentos políticos. O candidato à reeleição pelo AP defendeu projetos de incentivos à integração social, à qualidade de vida, à integração latino-americana, ao trabalho estável, justo e digno, à participação política e a um sistema socioeconômico solidário e sustentável, dentre outros. Seu projeto de governo, conhecido como Revolução Cidadã, destacou-se frente aos outros sete durante todo o período eleitoral.
Em 25 de agosto de 2012, por exemplo, uma pesquisa de opinião realizada pela empresa Perfis de Opinião revelou que 53,4% dos equatorianos pretendiam votar em Correa, resultado com 95% de confiabilidade de acordo com a entrevistadora. Lasso aparecia em segundo lugar, com 14,4% das intenções de voto, enquanto que Noboa ficava na terceira colocação, com apoio de 6,7% dentre os entrevistados. Os indecisos constituíam ainda cerca de 21% dos
entrevistados e 33,6% dos
entrevistados declararam que não votariam em Noboa, 28%, em Gutiérrez e 10,8%, em Correa.
Em 19 de novembro, uma pesquisa feita pela empresa Cedatos-Gallup no final de outubro revelou que, na época, 52% dos equatorianos ainda pretendiam votar na reeleição de
Correa. A pesquisa mostrou ainda que apoio a Lasso, por outro lado, havia subido desde agosto, atingindo 21% das intenções de voto. Além disso, Gutiérrez subiu para a terceira posição, reunindo 9% de apoio.
Os candidatos a cargos
legislativos
Para a Assembleia Nacional, foram inscritos 165 candidatos, igualmente distribuídos entre o PSP, o Partido Socialista Cristiano (PSC), de oposição, o PRIAN, o Avança, o PRE, a Unidade Plurinacional das Esquerdas, o Partido Socialista Frente Ampla (PS-FA), de situação, o CREO, o SUMA, o Ruptura e o AP apresentaram. Para o Parlamento Andino, por sua vez, foram apresentados 45 postulantes, número igualmente distribuído entre o PSP, o PSC, o PRIAN, o Avança, o PRE, a Unidade Plurinacional das Esquerdas, o CREO, o Ruptura e o AP. Para representações do Equador no estrangeiro, ainda, cada movimento apresentou dois candidatos para cada uma das três localizações possíveis, sendo que o PRE só inscreveu postulantes para Europa, Ásia e Oceania e o SUMA e o Ruptura não apresentaram candidatos para América Latina, Caribe e África.
- Ao defender seus candidatos a cargos legislativos, o AP afirmou concordar com a independência das diferentes Funções do Estado, mas
defendeu um sentido de
corresponsabilidade política com o Governo e o destino do país. O movimento, assim, propôs um programa legislativo de integração com a Revolução Cidadã de Correa a favor do fortalecimento de reformas principalmente sociais, econômicas e políticas no Equador, além da promoção da integração latino-americana.
- O Avança, por sua vez, afirmou que lutará pelo fortalecimento do papel da Função Legislativa, tornando-a mais independente e mais coordenada com o Presidente da República. Para tal fim, o movimento pretende buscar o fortalecimento e a institucionalização dos partidos e movimentos políticos do país; a construção de redes colaborativas entre os deputados e as universidades, os acadêmicos, os intelectuais e as organizações da sociedade civil; o fortalecimento das
comissões especializadas
permanentes da Assembleia Nacional; e a promoção de debates e discussões abertas acerca dos assuntos legislativos atualmente tratados.
- O CREO, por outro lado, propôs-se a lutar por um Equador socialmente responsável, próspero, de valores e de instituições. O movimento
defendeu incentivos a
empreendimentos e atividades produtivas de modo a gerar emprego, a promoção da solidariedade com
grupos e áreas vulneráveis, a aprovação de leis que respeitem as liberdades e a separação de poderes, a promoção da unidade, do respeito e da inclusão e o fortalecimento do desenvolvimento sustentável das comunidades e nacionalidades do país.
- O PRIAN comprometeu-se com o combate à corrupção e à impunidade e com a melhoria da segurança cidadã. Com esses objetivos em mente, o partido defendeu a reforma do Código Penal para aumentar as penalidades por atos de corrupção, o aperfeiçoamento dos sistemas de investigação e julgamento, a construção de novos centros de detenção e a reforma da Lei de Migração e Estrangeiros de forma a aumentar o controle da entrada de imigrantes no Equador.
- O PRE, ainda, defendeu o combate à pobreza, à impunidade, à corrupção e à concentração de poder em
grandes grupos econômicos,
financeiros e políticos. O partido prometeu buscar um sistema único de saúde, a redistribuição equitativa da riqueza e, principalmente, da posse
de terrenos agrários e o
fortalecimento da educação
universitária.
- O PSC, por outro lado, propôs-se a combater o desemprego, a fome, a insegurança, a desnutrição e a
centralização, considerados pelo movimento como os verdadeiros inimigos do Equador. O partido defendeu um acordo social para a eliminação da pobreza e a luta pela segurança pública, pela segurança jurídica e pela descentralização e se
posicionou contrário ao
estabelecimento de novos impostos e ao aumento dos tributos existentes. - O PS-FA prometeu trabalhar pelo combate à pobreza e à concentração de poder em banqueiros e meios de comunicação. Com esse objetivo, o partido defende reformas na gestão de terras e recursos hídricos de modo a evitar a contaminação da água potável e o crescente êxodo rural e a priorização de temas como a comunicação, a cultura e a contratação pública.
- O PSP, por sua vez, defendeu uma Função Legislativa mais independente
do Executivo e um Estado
Constitucional de Direitos e Justiça Social. Os temas considerados prioritários para esse movimento foram a segurança cidadã, a geração de produção e emprego, a educação, a saúde e a fiscalização das ações do Estado.
- O Ruptura ainda comprometeu-se com propostas como a democracia radical e profunda; um sistema nacional solidário, inclusivo, equitativo, justo e soberano; a criação
de uma cultura de paz; o fortalecimento da identidade andina e latino-americana; a promoção de um Estado Constitucional de direitos e justiça; e o desenvolvimento sustentável. O movimento defendeu uma melhor fiscalização da elaboração do orçamento geral e uma revisão do Plano Nacional do Bem-Viver.
- O SUMA, por outro lado, propôs-se a trabalhar pela harmonização do ordenamento jurídico equatoriano, pelo fortalecimento da fiscalização das
ações do Governo e o
aperfeiçoamento dos debates legislativos acerca de acordos internacionais. O movimento defendeu a aceleração da aprovação da Lei de Comunicação, da Lei de Recursos Hídricos e do Código Orgânico Penal Integral, assim como de todos os projetos a favor da melhoria da condição de vida, e da permanência do Equador no Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos.
- A Unidade Plurinacional das Esquerdas, por fim, comprometeu-se com a garantia da plena vigência da Constituição do Equador de modo a
estabelecer uma sociedade
democrática, unitária, intercultural e inclusiva baseada na participação cidadã, no respeito aos direitos humanos e na descentralização de Funções do Estado. Desse modo, o movimento se propôs a lutar pelo
fortalecimento da Assembleia Nacional, pela iniciativa legislativa e
pelo aperfeiçoamento dos
mecanismos de fiscalização política. Os resultados oficiais
Ainda no dia das eleições o presidente do CNE, Domingo Paredes, anunciou a reeleição do presidente do país. A vitória foi confirmada depois da contagem rápida de 55% dos votos válidos, dos quais 56,7% foram destinados a Correa e Glas, enquanto que Guillermo Lasso havia alcançado 23,3% dos votos; Lucio Gutiérrez, 6,6%; Mauricio Rodas, 4,0%; Álvaro Noboa, 3,7%; Alberto Acosta, 3,2%; Norman Wray, 1,3%; e Nelson Zavala, 1,2%.
Em 27 de março, o CNE divulgou os resultados oficiais das eleições de 2013. Em uma sessão extraordinária, o órgão anunciou os nomes dos novos ocupantes dos cargos disputados. Para os cargos de presidente e vice-presidente do país, foi anunciada a vitória oficial de Correa e Glas com 57,17% dos votos válidos. Guillermo Lasso recebeu 22,68% dos votos; Lucio Gutiérrez, 6,73%; Mauricio Rodas, 3,9%; Álvaro Noboa, 3,72%; Alberto Acosta, 3,26%; Norman Wray, 1,31%; e Nelson Zavala, 1,23%. Mais de 179 mil eleitores votaram em branco e mais de 684 mil, nulo.
Para a Assembleia Nacional, o AP recebeu 52,3% dos votos válidos; o CREO, 11,42%; o PSC, 8,98%; o PSP, 5,64%; a Unidade Plurinacional das Esquerdas, 4,73%; o PRE, 4,51%; o SUMA, 3,22%; o PRIAN, 3%; o Avança, 2,92%; e o PS-FA, 0,8%. Com os resultados, a Assembleia, que contará com 137 integrantes de maio de 2013 a maio de 2017, será integrada com 100 representantes do Aliança País, 11 do CREO, 6 do PSC, 5 do PSP, 5 do Avança, 5 da Unidade Plurinacional das Esquerdas, 1 do PRE, 1 do SUMA e 3 de movimentos independentes.
Para o Parlamento Andino, para o qual foram disputados cinco cargos, o Aliança País conseguiu a eleição de quatro representantes e o CREO, um. Assim, os cinco novos parlamentares serão Pedro de la Cruz, Silvia Salgado Andrade, Patricio Zambrano Restrepo e Cecilia Castro Marquez, do movimento de situação, e Roberto Gomez Alcivar, do partido de oposição. Para cada um dos quatro primeiros foram destinados entre 3 milhões e 3,5 milhões de votos, enquanto que o quinto recebeu o apoio de pouco mais de um 1 milhão de eleitores.
Na disputa por deputados em representações do Equador no exterior, o movimento político de Correa conseguiu todos os seis cargos
disputados. Com esse resultado, o Equador será representado por Eduardo Zambrano e Diana Peña frente à América Latina, ao Caribe e à África, por Ximena Peña e Alex Francisco Guaman Castro diante dos Estados Unidos e do Canadá e por Dora Aguirre e Esteban Melo no que se refere à Europa, à Ásia e à Oceania.
Após o anuncio da reeleição, Correa anunciou planos para continuar a complementar a Constituição do país e a combater a concentração de poder em bancos, movimentos políticos e meios de comunicação. O presidente ainda agradeceu aos que votaram ou não para sua reeleição, ressaltando que seu projeto governamental pretende beneficiar todos os setores da sociedade.
Correa ocupa o cargo presidencial desde janeiro de 2007 e, com a reeleição, continuará a fazê-lo até maio de 2013. Os novos integrantes da Assembleia Nacional serão empossados em 14/05, enquanto que os novos parlamentares andinos, em 19/05, e Correa e Glas, em 24/05.
Fontes
Observatório Político Sul Americano. Banco de eventos. Disponível em: www.opsa.com.br
Eleições presidenciais chilenas e coalizões partidárias: algumas
considerações
Talita Transcheit Em março de 2013, iniciou-se a campanha eleitoral dos dois blocos partidários chilenos: a Alianza – coalizão que representa o atual governo chileno - e a Concertación – coalizão de oposição ao atual governo chileno. A largada foi dada com o lançamento das candidaturas de ambas as coalizões às eleições presidenciais previstas para novembro.
Desde a redemocratização do país em 1990, a política chilena vem se organizando em torno destes dois blocos partidários. A Alianza reúne os dois partidos considerados à direita do espectro político chileno, enquanto na Concertación estão os partidos do centro e da esquerda moderada, além de quadros que foram opositores ao regime ditatorial de Augusto Pinochet (1973-1990)8.
8 Ver: BENETTI, Pedro; MEDEIROS, Josué.
Política em movimento: uma análise dos blocos partidários chilenos durante o governo Piñera. Observador On-line, v.6, n.4, abril 2011.
Disponível em:
http://observatorio.iesp.uerj.br/images/pd f/observador/80_observador_topico_Obse rvador_v_6_n_5.pdf Acesso em: 29 jun. 2012.
A organização política chilena em torno de dois blocos partidários acontece, principalmente, devido a adoção de sistema eleitoral binominal para as eleições parlamentares implementado durante o período Pinochet, no qual os partidos políticos
só podem apresentar duas
candidaturas por circunscrição ou distrito, e, no caso das candidaturas independentes, visto que no Chile é possível concorrer a cargos eletivos sem pertencer a partido político algum, apenas um candidato pode ser inscrito.
Não sendo o objetivo presente realizar avaliações sobre o impacto do sistema eleitoral binominal na vida política chilena, é importante destacar uma, dentre as diversas consequências deste sistema nas eleições chilenas: a realização das primárias para a opção presidencial. As primárias são eleições realizadas para nomear candidatos às eleições, sejam municipais ou nacionais. Definem-se, assim, em um momento prévio às eleições, no qual os partidos políticos organizam, internamente ou em seu bloco partidário, através de um pacto eleitoral, um pleito para definição de quem os representará nas eleições. A decisão de realizar ou participar de eleições primárias é facultativa a cada partido político. Contudo, uma vez que se decida realizar esse tipo de pleito, elas adquirem um caráter vinculante, sendo, portanto,
compulsórias, o que significa que os resultados desse processo deverão ser obrigatoriamente acolhidos. O procedimento de realização das primárias é regulado pelo Estado, através do Serviço Eleitoral.
Optando-se pelas primárias, são cinco as possibilidades de participação que os partidos políticos podem utilizar: participam das primárias apenas os filiados ao partido; participam das primárias apenas os filiados ao partido e independentes sem filiação política; participam das primárias apenas filiados aos partidos integrantes do pacto eleitoral; participam das primárias apenas filiados aos partidos integrantes do pacto eleitoral e independentes sem filiação política; todos os eleitores estão habilitados a participação nas primárias.
As eleições primárias são
fundamentais na dinâmica político-eleitoral chilena, pois é nesse momento, em certa medida, que
acontecem as negociações
intrapartidária acerca dos candidatos às eleições, bem como a organização dos partidos políticos ao redor de dois blocos partidários.
Os candidatos da Alianza e a aprovação política do governo Piñera
A Alianza, representante da candidatura de continuidade a gestão do atual Presidente, Sebastian Piñera,
foi a coalizão partidária que primeiro oficializou as suas duas possíveis candidaturas à presidência. Isso
aconteceu durante evento
comemorativo dos três anos de Governo Piñera, em 12/03. Os nome anunciados foram os de Laurence Golborne, que recebe o apoio da União Democrática Independente (UDI), e de Andrés Allamand, da Renovação Nacional (RN).
Golborne (UDI) foi ministro de Minas e Energia e de Obras Públicas do atual governo de Sebastian Piñera, adquirindo popularidade à frente do Ministério de Minas e Energia, pelo fato de ter participado ativamente do resgate dos mineiros da mina San José. Neste período, Golborne foi o ministro melhor avaliado de Piñera. Apesar de não ter militância em nenhum partido específico, recebeu,
para o lançamento de sua
candidatura, o apoio da UDI.
Allamand (RN) tem uma longa trajetória parlamentar, sendo seu último cargo eletivo o de Senador pela região de Los Rios, posição que ocupou até o fim de 2011, quando foi convidado para ser ministro da Defesa do governo Piñera, status ao qual, assim como Golborne, renunciou no fim de 2012 para dedicar-se às eleições presidenciais.
O lançamento das candidaturas foi uma decisão da presidência no
sentido de dar início à campanha eleitoral da Alianza, denominada de “Coalizão Pelo Câmbio”, junto ao início do último ano de governo. O objetivo é o de caracterizar ambas as candidaturas como as gestões da
continuidade, que darão
prosseguimento ao trabalho realizado nos últimos três anos.
Este lançamento antecipado da campanha refere-se também ao balanço da gestão e da avaliação de popularidade do Presidente e do governo. Piñera foi o primeiro candidato da Alianza a ser eleito Presidente, sucedendo a ex-presidente Michelle Bachelet, do Partido Socialista (PS). Piñera interrompeu um ciclo de vinte anos de presidentes da Concertación - que governou o país desde sua redemocratização, em 1990.
Em uma gestão marcada por uma série de protestos sociais, destacando-se as manifestações estudantis de 2011 e os debates acerca do futuro energético do país, a gestão de Piñera sofreu consecutivas baixas em sua avaliação de popularidade. Em última avaliação mensal de popularidade do Instituto Adimark, divulgada em 06/04 e referente ao mês de março, a avaliação do Presidente sofreu novamente uma queda percentual, em que 38% dos entrevistados aprovam e 54% reprovam a sua
gestão – um aumento de quatro pontos percentuais em relação a pesquisa anterior. Segundo o veículo de informação “El Mostrador”, a crescente reprovação do Presidente pode ser explicada devido a falta de identidade da atual administração e de sua pequena capacidade em apresentar respostas aos problemas mais urgentes a serem resolvidos no Chile, como o educacional e o energético. Segundo a pesquisa, a educação está entre as áreas de gestão pior avaliadas pela população, sendo respaldada por apenas 27% da população e perdendo apenas para a segurança, com 18% de aprovação. Desde a oficialização das candidaturas de Allamand e Golborne às primárias da Alianza, que caso ocorram estão previstas para 30/06, os candidatos protagonizaram diversas disputas públicas. As mais significativas foram as realizadas durante os atos de homenagem às vítimas do furacão de 27 de fevereiro de 2010, em que ambos os candidatos se utilizaram dos atos de homenagem para realizar aparições públicas como possíveis candidatos a presidência pela Alianza. Tanto Allamand quanto Golborne trocaram acusações publicamente sobre o caráter da aparição de cada um durante estas comemorações, acusações que adquirem um caráter
mais personalista do que