UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSO EM ENFERMAGEM CURSO DE DOUTORADO ACADÊMICO
DEYLA MOURA RAMOS ISOLDI
ASSOCIAÇÃO DA AUTOESTIMA E DO USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS SUBSTÂNCIAS COM QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS COM HIV/AIDS
NATAL/RN 2019
DEYLA MOURA RAMOS ISOLDI
ASSOCIAÇÃO DA AUTOESTIMA E DO USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS SUBSTÂNCIAS COM QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS COM HIV/AIDS
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), como requisito parcial para obtenção do título de Doutora em Enfermagem.
Área de concentração: Enfermagem na atenção à saúde.
Linha de Pesquisa: Enfermagem na vigilância à saúde.
Orientador: Dr. Francisco Arnoldo Nunes de Miranda.
NATAL/RN 2019
Isoldi, Deyla Moura Ramos.
Associação da autoestima e do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/AIDS / Deyla Moura Ramos Isoldi. - 2019.
104f.: il.
Tese (Doutorado)-Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-graduação Stricto Senso em Enfermagem. Natal, RN, 2019.
Orientador: Prof. Dr. Francisco Arnoldo Nunes de Miranda. 1. Qualidade de vida - Tese. 2. Autoestima - Tese. 3. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - Tese. I. Miranda, Francisco Arnoldo Nunes de. II. Título.
RN/UF/BS-Escola de Saúde CDU 616.98
DEYLA MOURA RAMOS ISOLDI
ASSOCIAÇÃO DA AUTOESTIMA E DO USO DE ÁLCOOL, TABACO E OUTRAS SUBSTÂNCIAS COM QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS COM HIV/AIDS
Tese inserida na área de concentração Enfermagem na Atenção à Saúde, linha de pesquisa Enfermagem na Vigilância à Saúde, e apresentada ao Curso de Doutorado em Enfermagem do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial à obtenção do título de Doutora em Enfermagem.
Aprovada em: 13/12/2019
_____________________________________________ Professor Dr.Francisco Arnoldo Nunes de Miranda (Orientador)
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN)
__________________________________________________ Professor Dr. Gilson de Vasconcelos Torres – Avaliador Interno
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN)
__________________________________________________ Professora Dra. Érika Simone Galvão Pinto – Avaliador Interno
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN)
__________________________________________________ Professora Dra. Maura Vanessa Sobreira – Avaliador Externo
(Universidade Estadual do Rio Grande do Norte/UERN)
__________________________________________________ Professora Dra. Felismina Rosa Parreira Mendes – Avaliador Externo
DEDICATÓRIA
“Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.”
Charles Chaplin
Aos meus pais, Romualdo e Dalina, que, dignamente, apresentaram-me a importância da família, honestidade, persistência, respeito e amor ao próximo. Com muito carinho, não mediram esforços para que eu chegasse até esta etapa de minha vida. Essa conquista não é só minha, mas nossa.
Aos meus irmãos Romulo e Jefferson (in memoriam), pela amizade, companheirismo, apoio e incentivo e por estarem sempre torcendo por minhas conquistas.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus, por ser essencial em minha vida, autor do meu destino, meu guia, socorro presente na hora da angústia, por ter abençoado todos os dias da minha vida e me dar forças para seguir sempre em frente.
Aos meus pais, Romualdo e Dalina, que me trouxeram com todo amor e carinho a esse mundo, dedicaram, cuidaram e doaram, incondicionalmente, seu sangue e suor em forma de amor e trabalho por mim, despertando e alimentando em minha personalidade, ainda na infância, a sede pelo conhecimento e a importância desse em minha vida. Obrigada pelo amor, incentivo e apoio.
Aos meus irmãos, Romulo e Jefferson (in memoriam), tão importantes na minha vida. Minha sincera gratidão.
Ao professor Arnoldo, por mе proporcionar о conhecimento não apenas racional, mas а manifestação do caráter е afetividade da educação no processo dе formação, por tanto qυе se dedicou а mim, não somente por ter mе ensinado, mas por ter-mе feito aprender. Tenho muito orgulho de citá-lo como um dos responsáveis por minha formação profissional. Meu respeito e admiração por sua serenidade, capacidade de análise do perfil de seus alunos e pelo seu Dom no ensino da ciência. Meus eternos agradecimentos pela confiança, amizade, conselhos, paciência e estímulo para continuar a caminhada, com apoio e palavras de sabedoria. O senhor é um exemplo de simplicidade, compreensão e competência.
Ao querido professor Gilson, lembro-me o quão importante foram suas contribuições para dar continuidade a este trabalho. Grata pelo acolhimento, pelas contribuições, auxílio nas dúvidas, por seu profissionalismo, dedicação, compreensão, simpatia e conhecimento transmitido. Agradeço, ainda, o trato simples, correto e científico, com que sempre abordou as nossas reuniões, sem nunca ter permitido que o desalento se instalasse, mesmo quando as coisas não corriam bem. Enfim, vai muito além do que o dever impõe. Preocupado não só com a realização do trabalho, mas principalmente com o ser humano.
À professora Érika, que para minha alegria e honra aceitou ser banca desta tese. Tenho muito respeito e admiração pela sua ética, seu conhecimento, pela maneira simples e humilde com
que a senhora se relaciona com todos. Grata pela oportunidade de aprender como sua docente assistida, em 2014. A senhora é o exemplo perfeito do que a palavra Mestre representa.
Às professoras Felismina e Maura, gratidão por terem aceitado ser banca desta tese, por todos os ensinamentos transmitidos e pela contribuição no meu processo de aprendizado.
Aos colaboradores diretos deste trabalho e às pessoas que vivem com HIV/aids, agradeço pela confiança ao compartilharem as suas histórias de vida, permitindo-me traduzir uma pequena parcela da riqueza de seus mundos.
Aos meus amigos, agradeço pela companhia diária, pelo ombro amigo, pela confiança, incentivo, conselhos e pelos momentos inesquecíveis que passamos juntos. A amizade de vocês é um presente que ganhei da vida e vou levá-los comigo para sempre.
À turma do doutorado, pelos momentos incríveis vivenciados, pela companhia, ajuda e muito apoio durante as disciplinas.
Aos professores do programa de pós-graduação do Departamento de Enfermagem, pelos ensinamentos ofertados, pela contínua dedicação ao curso e por estimularem a formação crítica dos doutorandos, acreditando em seu potencial.
Aos funcionários e colaboradores do Departamento de Enfermagem pela ajuda, companheirismo e parceria.
À Pós-graduação em Enfermagem, por proporcionar as melhores condições para realização deste estudo.
A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para este estudo acreditando no meu sonho. Ele se tornou realidade por meio desta construção coletiva. Muito obrigada!
ISOLDI, Deyla Moura Ramos. Associação da autoestima e do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids. 2019. 104 fls. Tese de Doutorado – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal-RN, 2019.
RESUMO
Constata-se que as pessoas afetadas pela aids são alvos do estigma, do preconceito e exclusão social, concomitantemente surgem os sentimentos indesejáveis, que podem desencadear o adoecimento psíquico. Partindo do pressuposto que a autoestima e o uso de álcool e outras substâncias podem estar associados à alteração da qualidade de vida das pessoas com aids, propõem-se as seguintes hipóteses: H1 – Existe associação da autoestima, do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids acompanhados pelo Serviço de Assistência Especializada. H0 – Não existe associação da autoestima, do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids acompanhados pelo Serviço de Assistência Especializada. Objetivou-se avaliar a associação da autoestima, do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids acompanhados pelo Serviço de Assistência Especializada, em Parnamirim/RN-BR. Trata-se de um estudo analítico, de delineamento transversal e abordagem quantitativa para tratamento e análise dos dados, que visa identificar aspectos ligados à qualidade de vida, autoestima e uso de álcool e outras substâncias por pessoas que vivem com aids. A amostra por acessibilidade foi composta por 150 pessoas cadastradas nos Serviços de Assistência Especializada. No processo de coleta de dados utilizou-se quatro instrumentos específicos, a saber: 1. Questionário com a caracterização sociodemográfica; 2. Instrumento Medical Outcomes Study 36 – item Short Form (SF-36); 3. Escala de Autoestima de Rozemberg; e 4. Questionário Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test (ASSIST). Os dados obtidos, dos quatro instrumentos, foram inicialmente inseridos numa planilha do Programa Excel, versão 2016, com checagem de possíveis erros na digitação. Posteriormente, esses dados foram exportados para o Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 21.0. Realizaram-se as análises descritivas com frequências absolutas e relativas das variáveis nominais e mínimo, máximo, média (DP) e mediana dos escores das variáveis escalares. Para avaliação da confiabilidade dos instrumentos, questionário SF-36 e Escala de Autoestima de Rosemberg, foi realizada a análise de consistência interna, através do Coeficiente Alfa de Cronbach. Optou-se pelos testes não paramétricos de associação (Testes Qui-quadrado e Exato de Fisher, Teste de U de Mann Whitney e Teste de Friedman) e correlação (Teste de Correlação de Spearman) e adotou-se o nível de p <0,05 de significância estatística. Todos os preceitos éticos foram respeitados e o projeto recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, emitido CAEE nº 01426918.4.0000.5537. Constatou-se que mais da metade da amostra era constituída por homens (69%) com faixa etária de até 59 anos, solteiros (50%), renda familiar mensal de até 1 salário mínimo, que moram em casa alugada (37,3%), com tempo de estudo de acordo com o Ensino Médio (32%). Com relação aos domínios e dimensões da qualidade de vida, observa-se que o Aspectos Funcional (80,3), Físico (66,7) e Emocionais (60,4) obtiveram-observa-se os melhores escores e Dor no corpo (24,1) com o menor escore. No que diz respeito aos escores da escala de autoestima segundo sexo, pode-se verificar que o feminino se apresentou melhor que o masculino, porém sem diferença significante. Na distribuição das substâncias usadas das pessoas com aids, destacou-se a bebida alcóolica 80 (53,3%), derivados do tabaco 61 (40,7%) e maconha 37 (24,7%), em sua maioria no sexo masculino quando comparado com sexo feminino. As pessoas que tinham a autoestima mais baixa obtiveram, em alguns domínios, melhor qualidade de vida, exceto em duas dimensões, Estado Geral de Saúde e Dor no Corpo. Como conclusão, aceita-se a hipótese alternativa de que existe associação da
autoestima e do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids acompanhados pelo Serviço de Assistência Especializada, evidenciando que a qualidade de vida apresenta mudança conforme a autoestima dos indivíduos entrevistados. Descritores: Qualidade de vida; Autoestima; Álcool; Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
ISOLDI, Deyla Moura Ramos. Self-estima association and use of alcohol, tobacco and other life-quality substances of people with HIV/aids. 2019. 104 pages. Doctoral Thesis - Postgraduate Program in Nursing, Federal University of Rio Grande do Norte, Natal-RN, 2019.
ABSTRACT
It is noted that people affected by AIDS are targets of stigma, prejudice and social exclusion, concomitantly arise undesirable feelings, which can trigger mental illness. Assuming that self-esteem and the use of alcohol and other substances may be associated with alterations in the quality of life of people with AIDS, the following hypotheses are proposed: H1 - There is an association of self-esteem, the use of alcohol, tobacco and other substances. quality of life of people with HIV / AIDS accompanied by the Specialized Assistance Service. H0 –There is no association between self-esteem, use of alcohol, tobacco and other quality-of-life substances in people with HIV / AIDS accompanied by the Specialized Assistance Service. The objective of this study was to evaluate the association of self-esteem, the use of alcohol, tobacco and other substances with quality of life of people with HIV / AIDS accompanied by the Specialized Assistance Service, in Parnamirim / RN-BR. This is an analytical study, cross-sectional design and quantitative approach to treatment and data analysis, which aims to identify aspects related to quality of life, self-esteem and use of alcohol and other substances by people living with AIDS. The accessibility sample consisted of 150 people registered with Specialized Assistance Services. In the data collection process, four specific instruments were used, namely: 1. Questionnaire with sociodemographic characterization; 2. Medical Outcomes Study 36 instrument - item Short Form (SF-36); 3. Rozemberg Self-Esteem Scale; 4. Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test Questionnaire (ASSIST). Data obtained from the four instruments were initially entered in an Excel spreadsheet, version 2016, with a check for possible typing errors. These data were later exported to the Statistical Package for Social Science (SPSS), version 21.0. Descriptive analyzes were performed with absolute and relative frequencies of nominal variables, and minimum, maximum, mean (SD) and median scores of scalar variables. To assess the reliability of the SF-36 questionnaire and Rosemberg Self-Esteem Scale instruments, internal consistency analysis was performed using the Cronbach's alpha coefficient. The nonparametric association tests (Chi-square and Fisher's exact tests, Mann Whitney U test and Friedman's test) and correlation (Spearman's correlation test) were chosen and the p <0 level was adopted. 05 of statistical significance. All ethical precepts were respected and the project received approval from the Research Ethics Committee of the Federal University of Rio Grande do Norte, issued CAEE 01426918.4.0000.5537. It was found that more than half of the sample consisted of men (69%) aged up to 59 years, single (50%), monthly family income of up to 1 minimum wage, living in a rented house (37.3% ), with time of study according to high school (32%). Regarding the domains and dimensions of quality of life, it is observed that the Functional (80.3), Physical (66.7) and Emotional (60.4) Aspects obtained the best scores and Body Pain (24, 1) with the lowest score. Regarding the self-esteem scale according to gender, it can be verified that the female was better than the male, but without significant difference. In the distribution of substances used by people with AIDS, the highlight was alcohol 80 (53.3%), tobacco products 61 (40.7%) and marijuana 37 (24.7), mostly in males when compared with female. People with the lowest self-esteem achieved in some domains better quality of life, except in two dimensions, General Health and Body Pain. In conclusion, it is accepted the alternative hypothesis that there is an association of self-esteem, the use of alcohol, tobacco and other substances with quality of life of people with HIV and AIDS accompanied by the
Specialized Assistance Service, showing that the quality of life has changed. according to the self-esteem of the interviewed individuals.
LISTA DE SIGLAS
CNS - Conselho Nacional de Saúde
SAE - Serviço de Assistência Especializada SESAP - Secretaria de Estado da Saúde Pública AIDS - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
SICLOM - Sistema de Controle Logístico de Medicamentos SIM - Sistema de Informação de Mortalidade
SINAN - Sistema de Informação de Agravos Notificáveis TARV - Terapia Antirretroviral
TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte HIV - Vírus da Imunodeficiência Adquirida
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Estratégia de busca e seleção dos artigos nas bases de dados PUBMED e LILACS. Natal, 2016.
31
Figura 2– Apresentação das definições para o termo Comportamento de risco identificadas na literatura. Natal-RN, 2016.
33
Figura 3– Atributos de Comportamento de risco identificados na literatura. Natal-RN, 2016.
33
Figura 4- Antecedente de Comportamento de risco identificado na literatura. Natal-RN, 2016.
34
Figura 5- Consequentes de Comportamento de risco identificados na literatura. Natal-RN, 2016.
35
LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Descritores utilizados na pesquisa as bases de dados. 30 Quadro 2. Etapas da Análise de Conceito da metodologia tradicional de Walker e
Avante (2010).
32
Quadro 3. Variáveis sociodemográficas. Natal/RN, 2019. 46
Quadro 4. Variáveis da Escala de Autoestima de Rosemberg; Variáveis do ASSIST e Variáveis SF-36. Natal/RN, 2019.
47
Quadro 5. Apresentação das hipóteses estatísticas das variáveis SF-36 (Qualidade de vida), Escala de Rosemberg (autoestima) e uso de substâncias segundo tipo de tratamento estatístico. Natal/RN, 2019.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Distribuição das características sociodemográficas segundo sexo de pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
55
Tabela 2. Distribuição das ocupações segundo sexo das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
56
Tabela 3. Distribuição dos escores dos domínios e dimensões da qualidade de vida (SF36) das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
57
Tabela 4. Distribuição dos escores dos domínios e dimensões da qualidade de vida (SF36) segundo sexo das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
57
Tabela 5. Distribuição dos escores da escala de autoestima segundo sexo das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
58
Tabela 6. Distribuição das categorias da escala de autoestima segundo sexo das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
58
Tabela 7. Distribuição das substâncias usadas segundo sexo das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
59
Tabela 8. Distribuição dos escores da qualidade de vida segundo categorias da escala de autoestima das pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
69
Tabela 9. Distribuição dos escores da qualidade de vida segundo categorias do uso de substâncias por pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
70
Tabela 10. Distribuição dos escores da qualidade de vida e autoestima segundo frequência do uso de substâncias usadas por pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
70
Tabela 11. Distribuição dos escores da qualidade de vida segundo categorias da escala de autoestima e substâncias usadas por pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
71
Tabela 12. Correlações escores da qualidade de vida segundo categorias da escala de autoestima e substâncias usadas por pessoas com aids. Natal/RN, 2019.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 17
1.1 PROBLEMATIZAÇÃO... 22
1.2 JUSTIFICATIVA ... 25
2. REVISÃO DA LITERATURA... 27
2.1 ARTIGO 1 - ANÁLISE DO CONCEITO COMPORTAMENTO DE RISCO NO CONTEXTO DO HIV/AIDS... 27 3 OBJETIVOS... 42 3.1 OBJETIVO GERAL... 42 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS... 42 4 METODOLOGIA... 43 4.1 TIPO DE ESTUDO ... 43 4.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ... 43
4.3 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ... 45
4.4 VARIÁVEIS DO ESTUDO ... 46
4.5 ANÁLISE DE DADOS ... 48
4.6 ASPECTOS ÉTICOS ... 51
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 52
5.1 ARTIGO 2 – CARACTERIZAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA, AUTOESTIMA E USO DE ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS POR PESSOAS COM AIDS... 52
5.2 ARTIGO 3. ASSOCIAÇÕES ENTRE QUALIDADE DE VIDA, AUTOESTIMA E USO DE ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS EM PESSOAS COM HIV/AIDS... 66
6. CONCLUSÃO ... 80
7. LIMITAÇÕES E RECOMENDAÇÕES DO ESTUDO... 81
8. REFERÊNCIAS ... 83
9. APÊNDICE... 88
9.1 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO. 88 9.2 APÊNDICE B – CARTA DE ANUÊNCIA ... 90
9.3 APÊNDICE C – CARTA DE ANUÊNCIA ... 91
9.4 APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO ... 92
10.1 ANEXO A – VERSÃO BRASILEIRA DO QUESTIONÁRIO DE QUALIDADE DE VIDA - SF-36... 93 10.2 ANEXO B – ESCALA DE AUTOESTIMA DE ROZEMBERG... 100 10.3 ANEXO C – QUESTIONÁRIO PARA TRIAGEM DO USO DE ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS (ASSIST)... 101 10.4 ANEXO D – PARECER CONSUBSTANCIADO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ... 104
1. INTRODUÇÃO
A epidemia causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) representa um fenômeno global, dinâmico e instável, cuja forma de ocorrência nas diferentes regiões do mundo depende, dentre outros fatores, do comportamento humano individual e coletivo. A aids destaca-se entre as enfermidades infecciosas por sua magnitude e pela extensão dos danos causados às populações. Suas características e repercussões vêm sendo discutidas e estudadas pela comunidade científica e pela sociedade em geral (LIMA; FREITAS, 2012).
Desde os primeiros casos de HIV surgidos na década de 1980 e a identificação do vírus, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids) tornou-se um grande problema de saúde pública no Brasil (WAIDMAN; BESSA; SILVA, 2011). Gomes et al. (2012) afirmam que a maior parte das políticas públicas era do setor da área da saúde, que tem, também, executado quase a totalidade das ações programáticas de prevenção e de controle da epidemia. A cada ano, observa-se um aumento do número de indivíduos, que contraem o HIV, a nível mundial, ao mesmo tempo em que a expectativa de vida dos infectados tem aumentado consideravelmente nas duas últimas décadas, após vários fatores, como exemplo a disponibilização da Terapia Antirretroviral (TARV) (MARANHÃO; PEREIRA, 2018).
A transmissão do HIV está relacionada aos modos de interação e crenças de diferentes grupos populacionais. Além dos fatores individuais, locais e pessoais, a vulnerabilidade ao HIV/aids é determinada por um contexto geral de desenvolvimento do país, que inclui o nível de renda da população, o respeito aos direitos humanos fundamentais e o acesso aos serviços sociais, de saúde e de educação, assim como suas circunstâncias (BRASIL, 2014).
Os infectados pelo HIV evoluem para uma grave disfunção do sistema imunológico, à medida que são destruídos os linfócitos T CD4+, uma das principais células-alvo do vírus. A contagem de linfócitos T é um importante marcador dessa imunodeficiência (BRASIL, 2019).
De acordo com o relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas (UNAIDS), em 2017: havia 36,9 milhões [31,1 milhões–43,9 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV; 1,8 milhão [1,4 milhão–2,4 milhões] de novas infecções pelo HIV; e 940.000 [670.000–1,3 milhão] de pessoas morreram por causas relacionadas à aids (UNAIDS, 2018).
De 1980 a junho de 2017 foram identificados, no País, 882.810 casos de aids. O Brasil tem registrado, nos últimos cinco anos, uma média de 40 mil novos casos de aids a cada ano. A distribuição proporcional dos casos de aids, identificados de 1980 até junho de 2017, mostra uma concentração nas regiões Sudeste e Sul, correspondendo cada qual a 52,3% e 20,1% do total de casos, e nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste correspondem a 15,4%, 6,1% e 6,0% do total dos casos, respectivamente. Desde o início da epidemia de aids até 31 de
dezembro de 2016, foram notificados no Brasil 316.088 óbitos, tendo o HIV/aids como causa básica (BRASIL, 2017).
Com relação aos grupos populacionais com mais de 18 anos de idade em situação de maior vulnerabilidade, estudos realizados estimaram taxas de prevalência de HIV de 5,9% entre usuários de drogas (UD), de 10,5% entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e de 4,9% entre mulheres profissionais do sexo (BRASIL, 2012).
De 2007 até junho de 2017, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos Notificáveis (SINAN), Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) e Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM), 194.217 casos de infecção pelo HIV no Brasil. Nesse período, foi notificado no SINAN um total de 131.969 (67,9%) casos em homens e 62.198 (32,1%) casos em mulheres. A razão de sexos para o ano de 2016, desconsiderando casos de HIV em gestantes, foi de 2,5 (M:F). O Rio Grande do Norte (RN) apresentou taxa, com valor de 30 casos/100 mil hab. Em 2017, foram notificados no SINAN, declarados no SIM e registrados no SICLOM, 260 casos de aids no RN (BRASIL, 2017).
Apesar dos benefícios alcançados em relação ao controle da doença, vivem-se muitos dos “resquícios” deixados pela época de pavor que caracterizou o início da epidemia, conferindo a esta enfermidade repercussões singulares ainda nos dias de hoje. Assim, apesar dos esforços para a desconstrução dessa imagem estigmatizada, a causa da infecção da aids ainda é frequentemente associada à adoção de comportamentos não aceitos socialmente, como a promiscuidade, o homossexualismo e o uso de drogas (MALISKA et al., 2010).
Dentre as doenças estigmatizadas, a aids consiste na que tem maior caracterização desse impacto. Para Goffman (1988, p. 13), "um estigma é, então, na realidade, um tipo especial de relação entre atributo e estereótipo”. Um estigma diferencia o sujeito de forma negativa. Identifica-se o estigmatizado na medida em que se afasta do padrão socialmente desejável. Assim, deixa-se de considerá-la criatura comum e total, reduzindo-o a uma pessoa diminuída. Tal característica significa um estigma, especialmente, quando o seu efeito de descrédito é muito grande (GOFFMAN, 1988).
Reconhece-se que as formas de organização de cada sociedade, suas crenças, seus hábitos, seus costumes e a distribuição do poder entre os grupos, fazem com que as pessoas pertencentes a diferentes grupos sociais disponham de maior ou menor acesso aos recursos materiais, à escola e aos serviços de saúde e, com isso, tenham mais ou menos chances de modificar seus comportamentos e seus contextos de vida, constituindo o que se denomina de vulnerabilidade social. A discriminação pode dificultar o acesso das comunidades a bens
como emprego, escola e serviços de saúde, fazendo com que, dessa forma, tenham menores chances de obter informações e insumos para se prevenir do HIV (BRASIL, 2012).
Frente às situações de preconceito que ainda caracterizam as pessoas que vivem com HIV/aids, o suporte social tem sido objeto de interesse. Assim, existe uma dificuldade no que diz respeito à carências sociais e econômicas, as quais seguramente têm impacto na qualidade de vida desses indivíduos. O suporte social pode ser dividido em aspectos estruturais e funcionais. Os aspectos estruturais associam-se à frequência das relações sociais, avaliando o nível de integração e o de isolamento da pessoa. O funcional, por sua vez, refere-se à percepção quanto à disponibilidade e ao tipo de apoio recebido, abordando ainda a satisfação com o mesmo. Assim, pode-se afetar a manutenção da adesão à terapia medicamentosa e interferir no acompanhamento do serviço de saúde (LENZI et al., 2018).
Dessa maneira, no plano social, a vulnerabilidade diante do HIV/aids é mediada: pela noção de cidadania e de direitos, em especial, o direito humano à saúde, os direitos sexuais e reprodutivos e o direito à livre orientação sexual; pelo repertório de crenças e valores relacionados ao exercício da sexualidade, ao processo saúde/doença/cuidado; pelos sentidos e significados sociais atribuídos ao pertencimento étnico e racial, à masculinidade, à feminilidade e às identidades de gênero, à idade e geração e denominação religiosa, dentre outras dimensões (GARCIA; SOUZA, 2010).
Júnior, Gomes e Nascimento (2012) destacam que a vulnerabilidade em relação à aids vincula-se a um conjunto de aspectos: individuais (basicamente relacionados a comportamentos que podem facilitar o adoecimento e/ou a infecção); sociais (relacionados ao acesso de informação e aspectos sociopolíticos, dentre outros) e programáticos (compromisso das autoridades, ações intersetoriais e financiamento adequado, dentre outros).
Segundo Sá e Santos (2018), as pessoas que vivem com aids produzem comportamento associado à fraqueza, irresponsabilidade e delinquência. Além disso, faz relação com o vício em substâncias ilegais ou sexualidade divergente.
Dessa forma, o HIV/aids é gerador crônico de estresse e, conviver com o vírus ou a doença, representa o enfrentamento de diversas situações, tais como ser alvo de preconceito, exclusão e estigma, o rompimento nas relações afetivas e sociais, entre outras. Isto concorre para o comprometimento da saúde física e mental, do bem-estar e, também, da qualidade de vida (QV) (DOMINGUES; OLIVEIRA; MARQUES, 2018).
Como se observa, as pessoas que vivem com aids são afetadas física e emocionalmente. O impacto do diagnóstico traz sentimentos como o medo do desconhecido, da rejeição social, da doença, da morte, do abandono da família, do companheiro e dos
amigos, ansiedade, diminuição da autoestima, sensação de perda do controle, perda da função social e a estigmatização (GALVÃO et al., 2012). Esse diagnóstico é quase sempre interpretado como um sinal de alerta sobre o fim dos sonhos, dos planos e possibilidades de vida.
Assim, os sentimentos dos pacientes durante a descoberta da soropositividade pelo HIV são de dor e sofrimento, tornando o atendimento bastante difícil tanto para eles quanto para o profissional (LUZ; MIRANDA, 2010).
Estratégias de enfrentamento se fazem necessárias para a construção de novos caminhos, particularmente quando se vivenciam as peculiaridades de uma infecção como o HIV, crônica e incurável, ainda envolta em estigma social, abandono e perdas (GALVÃO; PAIVA, 2011).
A pessoa com HIV/aids se torna discriminada e penalizada na sociedade, vivencia conflitos emocionais de diversas naturezas, como sentimentos de culpa, rejeição, medo, tristeza, vergonha e responsabilidade enquanto contaminação e contaminado. Assim percebe-se que o fenômeno da discriminação e preconceito perpassa para todas as pessoas que convivem com o soropositivo, pois passam por adaptações que requerem mudanças e enfrentamentos de toda a sociedade, sendo assim, a família também fica afetada por sentimentos que geram o sofrimento mental (WAIDMAN; BESSA; SILVA, 2011).
Lima e Freitas (2012) assinalam que a introdução da terapia antirretroviral (TARV) de alta potência, somada às ações de prevenção e controle da infecção pelo vírus da aids, tem resultado em alterações no padrão da epidemia. Observa-se uma mudança na história natural da doença, passando de um desfecho letal rápido com características uniformes para uma doença controlável, com caráter crônico, tendo atualmente evolução prolongada. Portanto, apesar dos progressos realizados no tratamento da infecção por HIV e aids, o vírus persiste como uma questão crítica de saúde.
A TARV tem modificado a perspectiva da doença e, embora a aids continue sendo uma doença letal, passa a ter uma cronicidade controlada. Entretanto, a efetividade da terapia medicamentosa demanda uma diversidade de ações que garantam, além do amplo acesso, melhor qualidade no tratamento (GALVÃO et al., 2011).
A aids assume, portanto, possibilidades efetivas de controle. Tais possibilidades provocam novos desafios e perspectivas para as pessoas. As intervenções para promover o enfrentamento à luz dos avanços da terapia antirretroviral, o fortalecimento do suporte social, a vivência plena da sexualidade, a adesão ao tratamento e a concretização dos projetos de vida
são alguns dos tópicos de interesse diante da perspectiva de uma vida longa e com qualidade das pessoas soropositivas (MEIRELLES, et al., 2010).
Um aspecto importante em relação ao desafio do tratamento diz respeito ao consumo de álcool em pessoas que vivem com aids, pois está associado à redução nos índices de adesão, além de um pior prognóstico. O seu uso problemático também pode propiciar comportamentos de risco, como uso de outras drogas, aumento da frequência de depressão, ocasiona baixa supressão da carga viral e pior desfecho clínico (REGO et al., 2011).
Em pessoas com aids, o consumo de álcool e outras drogas tem sido um fator de risco para prática de sexo sem preservativos e para aumentar o número de parceiros, tanto em homens quanto em mulheres (SHUPER et al., 2010). Além de causarem danos à saúde, drogas podem diminuir a percepção de perigos. Por alterar o nível de consciência, podem levar a práticas arriscadas como o sexo sem preservativo, compartilhamento de seringas e outros materiais que podem transmitir a aids (GIACOMOZZI et al., 2012). As drogas mais comuns, relacionadas à prática de sexo sem preservativo e a múltiplos parceiros, são o álcool, a maconha e os estimulantes como cocaína, ecstasy e anfetaminas (CARDOSO, 2014).
A prevalência do uso de álcool na população brasileira é maior entre homens do que entre mulheres, 62% e 38% respectivamente, observa-se esse fenômeno também em outros países. No Brasil, apesar de os homens apresentarem uma prevalência de consumo de álcool maior, sabe-se que os percentis de danos por uso dessa substância diminuíram entre eles, enquanto os das mulheres aumentaram (VARGAS et al., 2018)
Malbergier et al. (2012), em um estudo com 438 indivíduos com HIV em tratamento, mostraram que 14,2% relataram uso de maconha e/ou cocaína no ano anterior à entrevista e 9,1% relataram ter usado maconha e/ou cocaína no último mês. Quase 30% da amostra faziam uso diário de maconha.
Cardoso (2014) destaca que, em pessoas com HIV/aids, o uso de álcool pode ser uma forma de buscar novas sensações, bem como diminuir as inibições e a percepção de risco e minimizar a culpa ou o temor de se reinfectar ou transmitir o vírus. O consumo de álcool e outras drogas antes do sexo parece encorajar a inserção em práticas sexuais e facilitar o engajamento em situações sociais.
Ademais, o uso de drogas ilícitas é particularmente importante para o ciclo de transmissão do HIV/aids, tendo em vista que o seu consumo diminui o uso do preservativo nas relações sexuais. Em contraste, o maior uso do preservativo está relacionado a não consumir entorpecentes (MARANHÃO; PEREIRA, 2018).
O uso de drogas está associado ao consumo de álcool, o que demanda estratégias para orientar as pessoas que vivem com aids sobre as consequências de que, por exemplo, se usar crack associado ao álcool configura um quadro de desidratação aguda (ROCHA, PEREIRA, DIAS, 2013).
1.1. PROBLEMA E PROBLEMATIZAÇÃO
No Brasil, a aids caracterizou-se, desde o início de 1980, como um problema quase que exclusivo da área da saúde (GOMES et al., 2012). O diagnóstico provoca um impacto que leva as pessoas a refletirem sobre a aids como o ponto final, como sua própria finitude física e social. A pessoa, ao se descobrir com uma doença incurável, vivencia conflitos que são comuns e fazem parte dos mecanismos de enfrentamento de qualquer situação desconhecida, envolvendo negação, raiva, barganha, depressão, isolamento e aceitação.
No estado do Rio Grande do Norte, de janeiro de 2008 a dezembro de 2018, foram registrados 4926 casos de aids em adultos, de acordo com o cruzamento dos bancos de dados do SINAN (Sistema de Informações de Agravos Notificáveis), SICLOM (Sistema de Controle Logístico de Medicamentos), SIM (Sistema de Informação de Mortalidade) e SIMC (Sistema de Monitoramento Clínico das Pessoas Vivendo com HIV). Verificou-se que, no período analisado, 71% dos casos foram do sexo masculino, revelando uma razão de 2,4 casos em homens para 01 em mulheres. No mesmo período foram registrados 1298 óbitos por aids em adultos no Rio Grande do Norte (SESAP, 2019).
De 2008 a 2018, foram registrados 3668 casos de HIV no estado do RN. A taxa de incidência na 7ª Região de Saúde de Residência, em 2018, foi de 520. Dos casos notificados nesse período, 69% são do sexo masculino, revelando uma razão de 2,2 casos em homens para 01 em mulheres. De acordo com a análise dos dados, observou-se que os maiores percentuais de casos se encontram na faixa etária de 20 a 29, com 34%, seguida pela de 30 a 39 anos, com 30%. Os municípios que apresentaram maior número de casos de aids, acumulados de 2008 a 2018, foram: Natal (2081), Mossoró (647) e Parnamirim (401) (SESAP, 2019).
Atualmente, a rede estadual para diagnóstico do HIV e assistência às Pessoas Vivendo com HIV/aids conta com 11 Serviços de Assistência Especializada (SAE), localizados nos municípios de Natal (1), Mossoró (1), Santa Cruz (2), São José de Mipibú (1), Macaíba (2), São Gonçalo (1), Caicó (1), Pau dos Ferros (1) e Parnamirim (1). A rede também dispõe de
um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), em Mossoró, e dois hospitais de referência – Giselda Trigueiro, em Natal, e Rafael Fernandes, em Mossoró (SESAP, 2016).
Estar com aids não é somente estar com uma doença incurável, como ocorre com o câncer, por exemplo, pois, além do real espectro que possui, essa doença ainda carrega consigo um estigma social. A sociedade não só tipifica a aids como letal e provocadora de sofrimentos que beiram os limites do sobre-humano, mas também o classifica como inconveniente, imoral ou alguém que apresenta um comportamento inaceitável socialmente, gerando nessa pessoa a crença de que realmente é inaceitável (KUBLER-ROSS, 1987).
Segundo Freitas et al., (2012), no processo de disseminação da infecção pelo HIV, prolifera-se uma "epidemia" de significados, levando o indivíduo a um constante enfrentamento, seja de forma silenciosa ou explícita, de estigmas e discriminações.
A presença do HIV na vida de uma pessoa produz várias alterações em seu cotidiano, representadas: pela incerteza quanto ao futuro; medo da aproximação da morte; discriminação; mudanças na aparência, causadas ora pela doença, ora pela medicação; transformações na vida afetiva, que acarretam dificuldades em estabelecer novos vínculos; modificações na vida familiar; e também são enfrentadas discriminação e hostilidade, levando à mudanças no projeto de vida (GALVÃO et al., 2012).
Cabe ressaltar que o momento do diagnóstico e a vivência da doença proporcionam intensos questionamentos e mudanças nos hábitos de vida, porquanto muitas famílias não estão preparadas para enfrentar sozinhas tal situação, o que revela a importância de um trabalho conjunto entre profissionais, familiares e comunidade, com vistas à diminuição do preconceito e humanização das relações sociais (BOTTI et al., 2009).
Compreender a qualidade de vida de quem vive com aids, a partir de esferas objetivas e subjetivas, é um grande desafio, sendo necessário para isso não haver reducionismos perante o tema, pois o que se percebe são inter-relações constantes entre os elementos que compõem esse universo (ALMEIDA; GUTIERREZ; MARQUES, 2012).
A abordagem da qualidade de vida, por sua vez, demanda, inicialmente, esforço conceitual, uma vez que consiste em fenômeno complexo e multifacetado (COSTA; OLIVEIRA; FORMOZO, 2015). Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) (1994, p. 43), por meio de grupo de trabalho específico, definiu a qualidade de vida como: “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito de amplo espectro, que incorpora de modo complexo a saúde física, o estado psicológico, o nível
de independência e as relações sociais das pessoas, bem como suas interfaces com importantes características de seu meio”.
A infecção pelo HIV/aids, enquanto doença crônica, e o seu tratamento contínuo e prolongado afeta vários aspectos da vida, com numerosas consequências biopsicossociais e provoca impacto importante em vários domínios da qualidade de vida, requerendo conhecimento e compreensão das diferentes variáveis que podem interferir negativamente na qualidade de vida (FILHO et al., 2014).
Desse modo, aspectos com repercussões para a qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV/aids, apontam-se: o estigma; a assistência pelos serviços de saúde e as relações com profissionais de saúde; trabalho e vínculos empregatícios; vivência da sexualidade; alterações corporais e percepção da autoimagem; e suporte social e relações familiares (COSTA; OLIVEIRA; FORMOZO, 2015). A relação entre determinantes psicossociais e qualidade de vida em pessoas com aids têm levantado importantes dimensões no enfrentamento dessa doença. Estudos sobre a dimensão de suporte social revelam que o apoio social contribuiu para o enfrentamento à mudanças, diminuição de sintomas de ansiedade e melhores avaliações de qualidade de vida (MEDEIROS; SILVA; SALDANHA, 2013).
Ademais, trata-se o indivíduo com aids de forma excludente e estigmatizante, fazendo-o sfazendo-ofrer ruptura nas relações afetivas, prfazendo-oblemas cfazendo-om a sexualidade e falta de recursfazendo-os sfazendo-ociais e financeiros. O que, como consequência, compromete sua saúde mental e física, seu bem-estar e sua qualidade de vida (GASPAR et al., 2011).
Sabe-se que o desgaste físico e psicológico, que a infecção pelo HIV e a aids geram nos pacientes, fazem com que esses sintam necessidades e tenham expectativas voltadas para um acolhimento intenso e uma assistência mais individualizada, além de perceberem, com mais amplitude, as diversas dimensões e o alcance de uma atenção à saúde qualificada, que podem contribuir efetivamente no seu processo de restabelecimento da saúde.
A qualidade de vida não se restringe às demandas biológicas, tampouco podem ser consideradas como individuais e isoladas, ao contrário, as necessidades devem estar articuladas às necessidades sociais, que são heterogêneas (MEDEIROS; SILVA; SALDANHA, 2013). A ênfase na qualidade de vida dos soropositivos pode compreender, entre outras coisas, a maneira pela qual o indivíduo percebe e lida com as situações do dia a dia (SILVA et al., 2013).
Além das manifestações físicas da doença, há também as dificuldades psicológicas e sociais em viver com HIV/aids, que parece ser o fator que mais influencia no viver com essa condição de saúde (MEIRELES et al., 2010).
Atualmente, com o avanço do conhecimento e aumento de medicamentos disponíveis a sobrevida aumentou consideravelmente. Novas questões passam a se impor a soropositivos, as quais estão relacionadas à reestruturação da vida após o diagnóstico, de forma a conviver melhor com a soropositividade (SILVEIRA; CARVALHO, 2011).
Diante das informações discorridas e do levantamento literário realizado, constata-se que as pessoas afetadas pela aids são alvos do estigma, do preconceito e exclusão social, concomitantemente surgem os sentimentos indesejáveis, que podem desencadear o adoecimento psíquico.
Partindo do pressuposto que a autoestima e o uso de álcool e outras substâncias podem estar associados à alteração da qualidade de vida das pessoas com aids, propomos as seguintes hipóteses:
H1 – Existe associação da autoestima e do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids acompanhados pelo Serviço de Assistência Especializada.
H0 –Não existe associação da autoestima e do uso de álcool, tabaco e outras substâncias com qualidade de vida de pessoas com HIV/aids acompanhados pelo Serviço de Assistência Especializada.
1.2 JUSTIFICATIVA
O presente estudo justifica-se por buscar compreender o universo de quem convive com HIV/aids e são atendidas no Serviço de Assistência Especializada no município de Parnamirim/RN.
A ideia deste trabalho surgiu após a elaboração da dissertação, na qual foram narradas histórias de vida de pessoas com aids, intitulada: Trajetória de pessoas com aids em situação de vulnerabilidade social: a luz da história oral de vida. Durante a análise das falas dos colaboradores do estudo observou-se que a maioria fez uso, em um determinado período da vida, de álcool, tabaco, substâncias psicoativas ou ainda continuavam fazendo uso. Torna-se também, muito importante, analisar a qualidade de vida das pessoas que vivem com aids (ISOLDI, 2015).
Soma-se a articulação entre a graduação, pós-graduação e o grupo de pesquisa “Ações promocionais e de atenção a grupos humanos em saúde mental e saúde coletiva” como fonte de motivação. Sentiu-se a necessidade de associar itens ligados à qualidade de vida, autoestima e uso de álcool, tabaco e outras sete classes de substâncias psicoativas
(maconha, cocaína, estimulantes, sedativos, inalantes, alucinógenos e opiáceos) por essas pessoas; e, com isso, buscar estimular o processo de ampliação e fortalecimento da rede de serviços do município de Parnamirim/RN, incitando o debate em torno das pessoas com aids nessa realidade.
Optou-se por uma análise de conceito para caracterizar o estado da arte do tema em estudo, por meio de uma revisão integrativa, que buscou analisar a literatura existente para fornecimento de subsídios à análise de conceito proposta por Walker e Avant (2010).
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1. ARTIGO 1 - ANÁLISE DO CONCEITO COMPORTAMENTO DE RISCO NO CONTEXTO DO HIV/AIDS
Deyla Moura Ramos Isoldi Bertha Cruz Enders Francisca Patrícia Barreto de Carvalho Gilson de Vasconcelos Torres Felismina Rosa Parreira Mendes Francisco Arnoldo Nunes de Miranda
RESUMO
O objetivo do estudo foi analisar o conceito Comportamento de risco no contexto do HIV/Aids. Trata-se de estudo do tipo revisão integrativa, que buscou avaliar a literatura existente para fornecimento de subsídios à análise de conceito proposta por Walker e Avant. Realizou-se a busca, por meio de acesso on-line às bases: Pubmed e Lilacs, com combinações de descritores. Selecionaram-se artigos disponíveis eletronicamente e que respondessem ao objetivo proposto. Identificaram-se 2.498 artigos que, após seleção criteriosa, resultaram em 23. Identificaram-se elementos como os atributos: conhecimento, vulnerabilidade; antecedentes: ações educativas, identificação dos fatores de risco, comunicação e compreensão das informações sobre risco; e consequentes: modificação do estilo de vida e adaptação do indivíduo a novos aspectos. Também foi construído caso modelo e caso contrário. Por conseguinte, foi possível elaborar um conceito mais abrangente do fenômeno comportamento de risco que, por sua vez, poderá embasar profissionais da saúde com ações preventivas.
Descritores: Comportamento de risco; Síndrome da imunodeficiência adquirida; Doenças Crônicas;
Análise de Conceito; Enfermagem.
ABSTRACT
The aim of the study was to analyze the concept Risk behavior in the context of HIV / AIDS. This is an integrative review study, which sought to evaluate the existing literature to provide subsidies to the concept analysis proposed by Walker and Avant. The search was performed through online access to the databases: Pubmed and Lilacs, with combinations of descriptors. Electronically available articles that responded to the proposed objective were selected. 2,498 articles were identified which, after careful selection, resulted in 23. Elements were identified as attributes: knowledge, vulnerability; Background: educational actions, identification of risk factors, communication and understanding of risk information; and consequences: lifestyle modification and adaptation of the individual to new aspects. It was also built model case and otherwise. Therefore, it was possible to elaborate a broader concept of the risk behavior phenomenon that, in turn, may support health professionals with preventive actions.
Keywords: Risk behavior; Acquired immunodeficiency syndrome; Chronic diseases; Concept
INTRODUÇÃO
O Brasil é o país mais populoso da América Latina e o que mais concentra casos novos de infecção pelo HIV. Em 2018, o número de pessoas vivendo com HIV era de 37,9 milhões. De acordo com dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o crescimento do HIV continua sendo uma preocupação importante e as ações nesse segmento tem de ser intensificadas (BRASIL, 2019).
Dessa forma, neste estudo, tomou-se por objeto a análise do conceito de comportamento de risco no âmbito do HIV/aids. A mais das vezes o indivíduo/estudioso/pesquisador costuma ter ideias ambíguas sobre um determinado vocábulo, termo e/ou sobre um conceito por sua natureza heurística e polissêmica, além do dinamismo e atualização no cotidiano. O uso da análise permite, de certa forma, clarear, refinar ou ampliar, examinar e reexaminar o conhecimento existente sobre o fenômeno, no intuito de melhorar o entendimento e a relevância do conhecimento (WALKER; AVANT, 2010).
Nesse contexto, destaca-se o fenômeno comportamento de risco, haja vista a necessidade de melhores estratégias na tentativa de controle da transmissão do HIV. O fator comum entre a transmissão e a prevenção do HIV/aids é o comportamento ou atitude de risco. Assim, devido a vontade de se prevenir a doença, tem-se buscado identificar fatores de risco comportamental em vários aspectos (NODIN; DIÉGUEZ; LEAL, 2015).
O comportamento da epidemia da aids gerou uma instabilidade sanitária de alcance global, redefinindo atitude, percepção e conhecimentos, que a seu turno exigiu mudança nas respostas e comportamentos coletivos e políticos (VASCONCELOS; COELHO, 2013); apresenta alterações importantes em momentos distintos, em que redefine sua espacialidade. Inicialmente, sua ocorrência e espacialidade era preferencialmente na dimensão do espaço público, caracterizava-se em sua maioria entre homossexuais, bissexuais masculinos e mulheres profissionais do sexo. Em seguida, além da permanência do domínio público, a dimensão do espaço privado reinaugura o poder da epidemia, dessa forma, somam-se a ambos os domínios, alastrando-se para grupos de pessoas com uso abusivo de álcool e outras drogas, na população jovem e heterossexual e, posteriormente, o avanço entre os grupos de baixa renda, entre as mulheres, e também em pessoas acima de 50 anos de idade (OLIVE; SANTANA; MATHIAS, 2008), caminhoneiros (FARIA et al., 2015) e pessoas com transtorno de humor (CAREY et al., 2004).
O conceito comportamento de risco confunde-se de um lado com o de vulnerabilidade, entendido como um elo de ligação entre atitudes e comportamentos, e do outro ao de percepção de risco, porque existe a possibilidade de um indivíduo pôr em causa a sua saúde através do contágio pelo HIV (NODIN; DIÉGUEZ; LEAL, 2015).
Some-se que recentemente atribuiu-se à aids a natureza atitudinal, uma conduta. Nesse sentido, têm-se atitudes de caráter cognitivo (crenças, valores, julgamentos), caráter afetivo (sentimentos favoráveis ou desfavoráveis) e caráter conativo ou comportamental (tendência de ação), significando um conceito amplo que dá sentido e orientação ao pensamento (situação, ideia, pessoa), ou seja, atitude é uma disposição interna que orienta a nossa conduta diante dos fatos e acontecimentos da vida, sejam eles reais (concretos) ou simbólicos (VASCONCELOS; COELHO, 2013).
Enquanto que o comportamento refere-se ao conjunto organizado das operações selecionadas em função das informações recebidas do ambiente, mediante o qual o indivíduo integra suas tendências, ou seja, designa a mudança, o movimento ou reação de qualquer entidade ou sistema em relação a seu ambiente ou situação. Dito de outras palavras, a atitude é a intenção e o comportamento é a ação (VASCONCELOS; COELHO, 2013). Toda conduta é sempre significativa, tem um sentido, trata-se de condutas normais ou anormais, intencionais ou não, conscientes ou não. A conduta de um ser humano ou de um grupo está sempre em função das relações e condições interatuantes em cada dado momento, independente da psicologia, biologia e sociologia ao requerer como domínio (BLEGER, 1989).
Diante da importância da compreensão conceitual do fenômeno, considera-se a análise do conceito a técnica para auxiliar na clarificação das formulações mentais, especialmente quando o conceito é vago ou tem mais de um significado (COSTA et al., 2013).
Tem-se a análise de conceito no intuito de esclarecer os significados dos termos e defini-los para que autores e leitores compartilhem uma linguagem comum, seja para a pesquisa, teoria ou prática (WALKER; AVANT, 2010).
Assim, o objetivo deste estudo foi analisar o conceito de comportamento de risco no contexto do HIV/aids. Pretende-se, dessa forma, fazer uma extração/refinamento minucioso e cuidadoso da expressão comportamento de risco na linguagem e literatura e entender de que forma ele é utilizado, contribuindo para a prática baseada em evidência.
MÉTODO
Trata-se de estudo1 do tipo revisão integrativa, que buscou avaliar a literatura existente para fornecimento de subsídios à análise de conceito proposta por Walker e Avant.
Na metodologia tradicional de Walker e Avant a escolha do conceito, como a primeira etapa de uma série de oito, diz respeito a um conceito pouco explorado podendo estar sendo usado incorretamente.
Foram seguidas oito etapas recomendadas, como as fases suficientes para captação do processo de análise de conceito, que compreendem: Seleção de um conceito; Determinação dos objetivos ou fins da análise; Identificação de usos de conceito; Determinação dos atributos que o definem; Identificação de um caso modelo; Identificação de um caso limite, um caso relacionado, um caso contrário, um caso inventado e um caso legítimo; Identificação de antecedentes e consequentes; e Definição das referências empíricas (WALKER; AVANT, 2010).
Quadro 1. Descritores utilizados na pesquisa as bases de dados
Descritor Descritor Descritor Bases de dados
Risk-Taking Acquired Immunodeficiency Syndrome
Nursing Publications Medical (PUBMED) Comportamento
de risco
Síndrome da imunodeficiência adquirida
Enfermagem Literatura Latino-Americana e do Caribe
em Ciências da Saúde (LILACS)
Fonte: Dados da pesquisa
Dessa forma, buscou-se publicações que apresentassem essas palavras-chave/descritores no título, no resumo ou nas próprias palavras-chave dos artigos disponíveis nas bases de dados especificadas, respeitando os critérios de inclusão e exclusão.
O acesso em cada base de dados foi efetuado em um único dia. Na busca na base de dados Pubmed usou-se a terminologia preconizada, conforme o vocabulário Medical Subject Headingsof U.S (MeSH) e para a base de dados Lilacs adotou-se o vocabulário estruturado DeCS – Descritores em Ciências da Saúde.
Nessa busca, encontraram-se 2.498 artigos em todas as bases de dados pesquisadas, destes, 551 na íntegra, os quais foram salvos os títulos e os resumos em documento do Word
1 O estudo foi idealizado durante a disciplina de Ciência da Enfermagem fornecida pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil, ao curso de Doutorado Acadêmico, no ano de 2016.
para evitar que, ao acessar em outro dia, ocorresse mudança na quantidade de artigos. Em seguida, foram lidos todos os títulos e resumos para saber quais artigos atendiam aos critérios de inclusão.
Após a seleção, excluíram-se aqueles que não abordavam a temática de modo a alcançar o objetivo do estudo. Assim, selecionou-se um total de 23 artigos. A pesquisa não foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa pelo fato de tratar-se de uma análise de conceito com busca apenas na literatura.
Figura 1 – Estratégia de busca e seleção dos artigos nas bases de dados PUBMED e LILACS. Natal, 2016.
RESULTADOS
Foram analisadas 23 publicações que subsidiaram a identificação de atributos, antecedentes e consequentes, bem como de definições acerca do conceito Comportamento de risco. Ressalta-se que algumas etapas do Modelo de Análise do Conceito são equivalentes e ocorrem de forma simultânea às etapas da Revisão Integrativa da Literatura, tais como: seleção do conceito; determinação dos objetivos da analise conceitual; e identificação dos possíveis usos do conceito (MOREIRA et al., 2014).
PUBMED 09 LILACS 14 23 Estudos incluídos na revisão integrativa Critérios de inclusão: artigos na
íntegra; disponíveis eletronicamente e gratuitamente nos idiomas português, inglês ou espanhol; abordar a temática “Comportamento de risco no contexto do HIV/Aids”; sem restrição de tempo.
PUBMED: 1.070 LILACS: 62 PUBMED: 1.136 LILACS: 117 PUBMED: 23 LILACS: 90 551 estudos potencialmente relevantes: PUBMED: 483 LILACS: 68 Critérios de exclusão: os editoriais, cartas ao editor, relatos de experiência, projetos e publicações porventura duplicadas.
1º CRUZAMENTO Risk-Taking and Acquired
Immunodeficiency
Syndrome
2º CRUZAMENTO Risk-Takingand Nursing
3º CRUZAMENTO Risk-Taking and Acquired Immunodeficiency and Nursing
Quadro 2 – Etapas da Análise de Conceito da metodologia tradicional de Walker e Avante (2010).
Etapas Resultados
1) Selecionar o conceito Comportamento de risco
2) Objetivos e fins da análise Analisar o conceito comportamento de risco no contexto do HIV/aids
3) Identificar os usos do conceito investigado
Hábitos que possibilitam a aquisição do HIV.
4) Determinar os atributos Conhecimento; Prática de risco
5) Construir o caso modelo Caso sobre Alex, 27 anos, cabeleireiro 6) Construir casos limítrofes,
relacionados, contrários,
inventados e ilegítimos
Caso contrário sobre Adriana, 31 anos
7) Identificar os antecedentes e consequentes
Antecedentes: Orientação profissional Consequentes: Adaptação a novos aspectos 8) Definir os referenciais empíricos Aids Information Questionnairee Section B
oftheNIDA’s Risk Behavior Assessment
Seleção do conceito, determinação dos objetivos ou fins da análise do conceito e identificação de usos dos conceitos de Comportamento de risco
Inicialmente, para realização da análise do conceito, selecionou-se o conceito Comportamento de risco. Nessa etapa, determinar os objetivos e fins de análise que foram: realizar a análise de conceito do termo Comportamento de risco para identificar os usos (definições), os atributos críticos, os possíveis antecedentes e os consequentes de Comportamento de risco. Na figura 2 expõem-se as definições identificadas na literatura para o uso do termo Comportamento de risco.
Figura 2– Apresentação das definições para o termo Comportamento de risco identificadas na literatura. Natal-RN, 2016.
Determinação dos atributos definidores de Comportamento de risco
Moreira et al. (2014) trazem que “o atributo é o que mais está associado ao conceito. São as palavras ou expressões utilizadas pelos autores para descrever as características do conceito. Permite ao analista ampla visão sobre o conceito”.
Identificação de um caso modelo e de um caso contrário para Comportamento de risco Caso modelo Comportamento de risco
Alex, 27 anos, cabeleireiro, homossexual, gosta muito de festas e tem vários parceiros. Alex, todo fim de semana, vai para festas com amigos para dançar e durante a diversão faz uso de bebida alcoólica e drogas. Após um certo tempo na festa conhece uma pessoa, a qual irá se relacionar durante a noite. Ricardo, seu novo parceiro, propõe-lhe ir para um motel para terem relação sexual, porém não tem preservativo, mas isso não foi motivo para deixarem de praticar o ato. Alex e Ricardo conhecem os riscos de seus comportamentos para o contágio pelo HIV.
Vale destacar que este caso modelo é fictício e contempla os atributos identificados na literatura para o termo Comportamento de risco, tais como: Conhecimento; Crenças; Valores; Dimensão social e cultural; Vulnerabilidade; Práticas de risco; Percepção de risco; e Comportamento relacionado à sexualidade.
Caso-contrário de Comportamento de risco
Adriana, 31 anos, é uma pessoa centrada no trabalho. Durante a semana não tem muito tempo para outras coisas a não ser se dedicar integralmente a sua profissão. É solteira e, no fim de semana, gosta de estar com a família e amigos reunidos, sua atividade de lazer preferida é ir ao cinema e ler um bom livro. Quando Adriana está namorando, nunca tem relação sexual desprotegida, pois tem conhecimento dos riscos.
Este caso-contrário fictício contradiz os atributos críticos essenciais identificados para o termo Comportamento de risco.
Identificação dos antecedentes do conceito
Os antecedentes são os acontecimentos ou incidentes que antecedem a ocorrência do conceito (WALKER; AVANT, 2010).
Figura 4 - Antecedente de Comportamento de risco identificado na literatura. Natal-RN, 2016.
Identificação dos consequentes do conceito
Os consequentes do conceito são eventos que ocorrem como resultado da ocorrência do conceito (WALKER; AVANT, 2010). Para a identificação dos consequentes do conceito elaborou-se o seguinte questionamento: Quais são os eventos resultantes do Comportamento de risco no contexto do HIV/aids? Na figura 5 estão apresentadas as respostas identificadas na literatura para os consequentes de Comportamento de risco.
Figura 5 - Consequentes de Comportamento de risco identificados na literatura. Natal-RN, 2016.
Definição das referências empíricas
Definir os referenciais empíricos é a última etapa da análise do conceito e são os meios pelos quais pode-se reconhecer ou medir os atributos ou características definidoras segundo Walker e Avant (2010).
Nesse sentido, encontrou-se na literatura pesquisada dois instrumentos que avaliam os atributos de Comportamento de risco. O Aids Information Questionnaire, instrumento contém
uma escala, de 14 itens, adaptada e que mede o conhecimento sobre a aids. A escala de conhecimentos monstrou um coeficiente de confiabilidade test-retest de 0,84 e uma medida de consistência interna de 0,74. Além disso, tem evidenciado alta validade de construção. O segundo instrumento foi a Seção B da Avaliação do Comportamento ao Risco do NIDA´s (Section B oftheNIDA’s Risk Behavior Assessment), que tem sido usado em uma variedade de países, incluindo os EUA, Brasil, Austrália, África do Sul e Bacia do Caribe (PECHANSKY et al., 2007).
DISCUSSÃO
Por intermédio da revisão integrativa realizada e ao examinar os artigos selecionados utilizados, como base para a análise do conceito de Comportamento de risco, foi possível identificar diversos aspectos do conceito, reunir informações e, posteriormente, levantar um conceito final que fosse mais abrangente.
Conforme observado, as definições e usos do conceito são semelhantes e estão relacionadas umas com as outras, porém, em determinadas literaturas, esses conceitos não são claros ou encontram-se dissolvidos em informações.
A definição do conceito Comportamento de risco refere-se a hábitos comportamentais que aumentam as chances de o indivíduo contrair uma DST/aids (FARIA et al., 2015; SILVA, VARGENS, 2009). O consumo de álcool, drogas e a prática de atividade sexual sem proteção, são fatores que potencializam o risco de um indivíduo adquirir doenças (MS, 2016).
De acordo com as definições achadas, percebeu-se harmonia de estudos ao referir o Comportamento de risco como medidas e hábitos cotidianos, intrínsecos do indivíduo, que o colocam em maior risco de contrair o HIV. O entendimento sobre as práticas sexuais e o conhecimento que as pessoas têm sobre IST podem dar ênfase aos fatores de risco e de proteção em relação à doença (OLIVE; SANTANA; MATHIAS, 2008). O conhecimento relaciona-se ao desenvolvimento de habilidades para o manejo mais eficaz dos fatores de risco vivenciados pelo indivíduo (COSTA et al., 2013).
Menciona-se a não utilização do preservativo como comportamento de risco presente na população como um todo. Estudo desenvolvido com caminhoneiros mostra que homens dessa categoria profissional tem relações extraconjugais sem proteção e desconhecem os riscos, existindo a percepção de que a aids se limita a determinados grupos, concebendo-a como uma doença fora de seu contexto (FARIA et al., 2015).
Entre homens que fazem sexo com homens, aponta-se para uma ocorrência mais elevada de comportamentos de risco sexual, associados ao consumo de substâncias diversas. São homens gays os que apresentam as taxas mais elevadas de soropositividade para o HIV, seguidos dos homens bissexuais e, posteriormente, dos heterossexuais (NODIN; DIÉGUEZ; LEAL, 2015).
Ao analisar os atributos para Comportamento de risco, identificaram-se: Conhecimento; Crenças; Valores; Dimensão social e cultural; Vulnerabilidade; Práticas de risco; Percepção de risco e Comportamento relacionado à sexualidade.
O atributo vulnerabilidade foi, então, o mais aludido nos estudos apreciados (NODIN, DIÉGUEZ, LEAL, 2015; ALMEIDA et al., 2009; OLIVE, SANTANA MATHIAS, 2008; DIAS et al., 2010; FARIA et al., 2015; CAREY et al., 2004). Destacam-se também outros atributos importantes para a compressão conceitual do fenômeno em questão, como a prática de risco que, por sua vez, está relacionada ao comportamento referente à sexualidade. Vulnerabilidade se destaca como o atributo mais mencionado e se sobressai pela ligação entre atitudes e comportamentos (NODIN; DIÉGUEZ; LEAL, 2015).
Assim, Silva e Vargens (2009) ressaltam que a “vulnerabilidade de um determinado grupo à infecção pelo HIV é resultado de várias características dos contextos políticos, econômicos e socioculturais que aumentam ou diminuem o risco individual”.
Com relação à percepção de risco para contrair HIV, estudo mostra a relação entre variáveis como: o número de parceiros, parceiro fixo, uso do preservativo na última relação vaginal e dificuldade para propor o uso do preservativo. Como resultado significativo apresenta-se a quantidade de parceiros sexuais como percepção sobre a possibilidade de contrair o HIV (SILVA et al., 2014).
Sobre o atributo conhecimento, ressalta-se que o uso do preservativo é a melhor forma de se prevenir contra a infecção pelo HIV (SILVA et al., 2014; ALMEIDA et al., 2009; DIAS et al., 2010). Entretanto, revela-se que existe resistência quanto ao uso do preservativo, mesmo tendo conhecimento dos riscos aos quais podem expor os outros e a si mesmo (ALMEIDA et al., 2009).
No concernente aos antecedentes do conceito Comportamento de risco, identificaram-se: Aconselhamento, ações educativas e orientação profissional; Identificação dos fatores de risco; Comunicação e compreensão das informações sobre o risco; Rede de apoio; Intervenções comportamentais; Conhecimento das formas de prevenção e transmissão do HIV; e Experiências subjetivas.