Universidade Nova de Lisboa
Faculdade de Ciências Médicas
Relatório
Final de Estágio
Hugo Miguel Neves Santos
Aluno nº 2007171
Turma 5
Ano lectivo 2013-2014
Índice
1. Introdução
3
2. Descrição sumária das actividades desenvolvidas
3
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.1.1. Estágio parcelar de Pediatria 42.1.2. Estágio parcelar de Obstetrícia e Ginecologia
5
2.1.3. Estágio parcelar de Saúde Mental5
2.1.4. Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar6
2.1.5. Estágio parcelar de Medicina Interna6
2.1.6. Estágio parcelar de Cirurgia Geral7
2.2. Doente Crítico (Unidade Curricular Opcional)8
2.3. Preparação para a Prática Clínica - Integração de Conhecimentos
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3. Reflexão crítica final
9
1. Introdução
O presente relatório foi elaborado com o objectivo de descrever, sinteticamente, as actividades por mim desenvolvidas no decorrer do 6º ano, assim como uma análise crítica dos estágios parcelares e da minha evolução ao longo deste ano profissionalizante. Para tal, enumero alguns dos objectivos pessoais que foram os meus vectores de conduta ao longo deste ano e seguidamente apresento e comento os elementos mais representativos de cada estágio, pela ordem cronológica pela qual decorreram.
No fim deste relatório apresento a minha reflexão crítica do 6º ano onde pretendo, sobretudo, fazer uma auto-avaliação do trabalho por mim desenvolvido, mas referir também alguns aspectos relativos à organização deste ano e de alguns estágios em particular.
2. Descrição sumária das actividades desenvolvidas
Durante este ano profissionalizante trabalhei não só para aprofundar os conhecimentos já adquiridos ao longo do curso mas, principalmente, para integrá-los eficientemente na práctica clínica diária, tanto em ambiente Hospitalar, como de Cuidados Primários. Paralelamente, tive como objectivos principais adquirir uma maior autonomia no quotidiano, assim como, conseguir uma maior integração nas diferentes equipas médicas e serviços pelos quais passei, de forma a interiorizar algumas das competências mais importantes de cada um, e, ao mesmo tempo, competências transversais à práctica da medicina como o trabalho em grupo e a cooperação entre os diversos profissionais de saúde.
Além disto, tratando-se o sexto ano da fase final do percurso académico pré-graduado, considero fundamental que a frequência dos diferentes estágios tenha ainda como objectivo aprimorar as capacidades de empatia e técnicas de comunicação com os doentes e respectivos familiares, assim como, maturar um conjunto de atitudes relevantes para uma correcta conduta profissional nomeadamente no que toca a valores éticos e solidários para com todos os outros profissionais envolvidos na prestação de cuidados de saúde.
2.1.1. Estágio parcelar de Pediatria
Realizei este estágio no Hospital CUF-Descobertas entre os dias 16 de Setembro e 11 de Outubro de 2013 sob a coordenação do Dr. Luis Varandas e orientação da Dra Ana Neto. Durante o estágio acompanhei, essencialmente, a Dra Helena Neves nas suas actividades.
No Internamento acompanhei a observação dos doentes, exame objectivo, discussão diagnóstica e terapêutica. Além disso, acompanhei e tive oportunidade de discutir a elaboração dos diários clínicos dos doentes. Nas consultas externas pude observar as queixas mais frequentes na idade pediátrica, na sua maioria expressas durante as consultas periódicas da infância, em crianças entre o 1º mês e os 6 anos de idade. No Serviço de Urgência observei as situações que mais frequentemente levam as crianças e os Pais a este serviço, participei na colheita da história clinica dirigida e no exame objectivo onde aprendi o reconhecimento de certos sinais de alarme. Importante também foi a possibilidade de observar o contacto com os pais, as suas dúvidas mais frequentes e as recomendações tanto gerais como mais específicas de cuidados a fazer em casa.
Tive ainda a oportunidade de passar pelo serviço de Neonatologia onde pude rever o exame objectivo do recém-nascido, assim como, de assistir a outras consultas mais específicas na área da Cirurgia pediátrica.
2.1.2. Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
Realizei este estágio no Hospital de Vila Franca de Xira, entre os dias 14 de Outubro e 8 de Novembro de 2013 sob a coordenação da Professora Doutora Fátima Serrano e orientação da Dra. Lucinda Mata, que acompanhei especialmente na consulta de Patologia do Colo do Útero, mas também na observação das doentes no Internamento, e nas intervenções no Bloco Operatório de Ginecologia. Durante este estágio acompanhei também a Dra. Paula Tapadinhas na consulta de Obstetrícia e no Bloco de Partos, assim como na Urgência de Ginecologia/Obstetrícia.
Nas diferentes consultas e no Serviço de Urgência, observei e participei na realização da entrevista clínica e do exame objectivo das doentes, assim como a sua avaliação analítica e indicações para execução de alguns procedimentos, nomeadamente colheita de amostras para citologias, ou requisição de alguns exames imagiológicos. Tive a oportunidade de realizar exames ginecológicos e obstétricos, incluindo colocação de espéculo e colposcopia, esfregaços citológicos, palpação bi-manual, toque obstétrico, medição da altura uterina e perímetro abdominal, colheitas de exsudados vaginal e rectal para pesquisa de Estreptococos do grupo B e outros agentes infecciosos, e discussão de Cardiotocogramas (CTG) e ecografias fetais.
2.1.3. Estágio parcelar de Saúde Mental
Realizei este estágio no Serviço de Psiquiatria do Hospital Egas Moniz, entre os dias 11 de Novembro a 5 de Dezembro de 2013, sob a coordenação e introdução teórico-prática do Professor Doutor Miguel Xavier e orientação do Dr. Ricardo Caetano.
Este estágio deu-me uma melhor noção do que é o médico psiquiatra e do trabalho diário desta especialidade, com especial atenção não só a diferentes patologias, mas também ao impacto social da doença mental nas vidas e nas famílias dos doentes. Tive a possibilidade de acompanhar várias
entrevistas aos doentes internados na enfermaria do Serviço de Psiquiatria, bem como a discussão dos respectivos casos, as decisões terapêuticas e as decisões do foro da legal e da integração social destes doentes em ambulatório.
2.1.4. Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar
Realizei este estágio no Centro de Saúde da Ericeira entre os dias 11 de Dezembro e 17 de Janeiro, sob a orientação do Dr. Nelson Milagre, que acompanhei nas várias consultas de Saúde do Adulto, Saúde Infantil e Saúde Materna, e, um dia no SAP (Serviço de Atendimento Permanente) no Centro de Saúde de Mafra.
Considero bastante construtivos estes estágios nos cuidados de saúde primários especialmente pela possibilidade de observar os doentes nas suas várias dimensões e de ter contacto com todas as fases da vida humana. Procurei aprender as circunstâncias específicas de cada uma e como a gestão da saúde e da doença se interligam num contínuo de cuidados integrados e acompanhados.
Infelizmente não foi oportuno realizar mais que 3 ou 4 consultas sozinho neste estágio, no entanto, pude realizar todo o tipo de acções médicas em paralelo com o meu tutor, nomeadamente a anamnese, o exame objectivo, o aconselhamento e o plano terapêutico, adaptados aos diferentes tipos de consultas efectuadas.
2.1.5. Estágio parcelar de Medicina Interna
Realizei o estágio clínico de Medicina Interna no Serviço de Medicina 4, especificamente na Unidade de AVC do Hospital de São Francisco Xavier, entre o dia 27 de Janeiro e o dia 21 de Março de 2014, sob a coordenação do Professor Doutor Fernando Nolasco e orientação da Dra. Fátima Grenho.
Considero que este estágio foi o mais proveitoso visto que desde o início fui muito bem integrado na equipa médica e tive bastante responsabilidade e autonomia. Todos os dias observava os doentes que me eram atribuídos, interpretava os seus exames complementares de diagnóstico, discutia com o tutor o plano para cada um e escrevia os seus diários clínicos e notas de alta. Além disso, houve sempre disponibilidade para esclarecer as minhas dúvidas e discutir os casos, o que me motivou ainda mais para me dedicar ao estágio.
Além do trabalho na enfermaria, também assisti ás consultas de medicina interna da Dra. Fátima Grenho me permitiram observar o seguimento dos doentes com AVC depois da alta hospitalar, ás consultas de Diabetes do Dr. José Guia, extremamente dedicado a esta patologia e á nossa formação, e ainda, a algumas consultas de doenças auto-imunes da Dra. Ana Lynce. Finalmente participei nos bancos de Urgência, semanalmente, ainda com uma autonomia muito reduzida, colaborando essencialmente na anamnese e exame objectivo dos doentes.
2.1.6. Estágio parcelar de Cirurgia Geral
Realizei este estágio no Hospital Beatriz Angelo, de 28 de Março a 23 Maio de 2014, sob a
coordenação do Dr. Rui Maio e orientação do Dr. Paulo Oliveira, que acompanhei nas consultas de Cirurgia Geral, no Bloco Operatório e no Internamento de Cirurgia Geral.
Este estágio não cumpriu a minha expectativa referente à sua componente prática devido à grande quantidade de alunos diluir as oportunidades de realizar procedimentos técnicos. No entanto, acompanhei e observei as actividades do meu tutor desde a avaliação pré-operatória dos doentes ao seu seguimento pós alta, na avaliação e decisão terapêutica de casos urgentes e não urgentes, assim como em diversas cirurgias, algumas delas como 2º ajudante.
Participei semanalmente nos bancos de Urgência de Cirurgia Geral do meu tutor e uma tarde, por iniciativa própria, colaborei no balcão da Pequena Cirurgia.
Durante duas semanas deste estágio, programadas para a realização de um sub-estágio opcional, acompanhei alguns médicos na unidade de Cuidados intensivos e intermédios deste hospital sob a orientação do Dr. António Messias.
2.2. Doente Crítico (Unidade Curricular Opcional)
A Unidade Curricular opcional que escolhi foi a do Doente Crítico, cujo regente é o Prof. Doutor Pedro Póvoa. Esta decorreu entre os dias 26 de Maio e 6 de Junho e consistiu num estágio numa Unidade de Cuidados Intensivos, no meu caso a UCI Polivalente do H. São José sob a direcção do Dr. Vitor, onde acompanhei a equipa médica e de enfermagem nas suas actividades diárias. Tive ainda a oportunidade de assistir a dois dias de Seminários que abordaram procedimentos e Casos Clínicos Tipo na área da Medicina Intensiva, de assistir a acções formativas internas da UCIP onde estagiei e de estagiar um dia na Unidade de Queimados do HSJ. No último dia teve lugar o momento de avaliação final da cadeira, que constou de um exame escrito, com base em Casos Clínicos.
2.3. Preparação para a Prática Clínica - Integração de Conhecimentos
Sob a regência do Prof. Doutor Roberto Palma dos Reis, esta Unidade Curricular teve como o objectivo fazer a integração global dos vários conhecimentos adquiridos pelos alunos ao longo de todo o curso de medicina. Para esse efeito decorreram sete sessões multidisciplinares, onde foram apresentados Casos Clínicos e discutida a sua abordagem clínica sob o ponto de vista de diferentes especialidades (marcando presença, para este efeito, vários Assistentes da Faculdade, em função das áreas abordadas).
3. Reflexão crítica final
Este 6º ano, que agora acaba, permitiu-me, como epílogo de 5 anos de formação teórico-prática, a experiencia mais realista possível da prática profissional da medicina até ao presente. O conjunto de estágios que efectuei, onde o trabalho dos estudantes foi paralelo e/ou complementar às actividades da pratica médica dos seus tutores, possibilitaram o aprimorar de gestos técnicos, o complemento de conhecimentos teóricos previamente adquiridos, e a aquisição de novos conhecimentos através de mais contacto com doentes, respectivas patologias e discussões e decisões clinicas.
Se é verdade que esta filosofia anterior foi cumprida na generalidade, é também verdade que em situações particulares isto não se verificou: O número de alunos por tutor foi, por vezes, demasiado elevado para permitir um acompanhamento mais enriquecedor e a distribuição de tarefas em alguns serviços era limitada pelo reduzido número de doentes e excesso de médicos e alunos. Por esta razão, alguns dos estágios foram mais observacionais do que práticos, ficando aquém das espectativas profissionalizantes. Como exemplo destaco o estágio de Cirurgia Geral, onde a relação tutor-aluno era (no meu caso) de 1:4. Em contraste, bons exemplos existiram: o estágio de Medicina Interna e o estágio opcional do Doente Crítico. Em ambos a relação tutor-aluno foi de 1:1 e a quantidade de tarefas que pude realizar (de uma forma semiautónoma) foram substanciais, e ainda, com um acompanhamento muito personalizado. Assim, os objectivos explicitamente definidos para estes estágios puderam metodicamente ser satisfeitos. Por outro lado, o estágio de Saúde Mental acabou por ser mais observacional (embora, bastante construtivo) por força da elevada inexperiência no tipo de actividades anamnésicas, diagnósticas e terapêuticas desta especialidade médica.
Relativamente à minha prestação no decorrer deste ano e relembrando os vários estágios realizados, verifico que foi um ano em que aprendi bastante e melhorei as minhas capacidades a vários
níveis (abordagem e comunicação com os doentes, capacidade de diagnóstico, avaliação de necessidades, elaboração de planos terapêuticos, compreensão da articulação dos diferentes serviços de saúde), sendo a minha auto-avaliação claramente positiva. Procurei acompanhar ao máximo as equipas com quem estagiei e aproveitar todas as oportunidades que me foram dadas para desempenhar as mais diversas actividades. Considero que, de estágio para estágio, a minha adaptação foi sendo cada vez melhor e que em cada estágio fui gradualmente adquirindo métodos de trabalho e sentindo-me mais capacitado para desempenhar as diferentes actividades que me eram propostas. Como seria de esperar, ao longo do ano deparei-me com frequentes dúvidas na tomada de decisões diagnósticas e terapêuticas, e, apesar de ainda não me sentir autónomo nestas circunstâncias, noto que, com o estudo realizado e com o apoio dos tutores, aprendi muito e também ganhei novas perspectivas de aprendizagem. Posso então afirmar que é mesmo importante dar aos alunos mais responsabilidades, inclusive numa fase mais precoce do curso, de forma a podermos compreender melhor as “fragilidades” das nossas capacidades/conhecimentos e da dificuldade que temos em usá-los estruturadamente na prática clinica diária. Isto porque, findados os dias deste 6º ano, um sentimento que não consigo escapar é o de inquietude: Talvez por uma espectativa desmesurada de querer dominar o conhecimento da medicina, ou talvez pela clareza quanto á imensidão da minha necessidade de estudo, que me rende apenas humilde e ávido aprendiz.
Por fim, é de salientar a contribuição dos diferentes estágios no enriquecimento e afinação das perspectivas relativamente aos desafios do quotidiano (actuais e futuros) inerentes á profissão medica, a cada subespecialidade médica (com que contactei) e aos cuidados de saúde como um todo. Considero que este foi um ano muito importante para a minha formação e agradeço a todos os profissionais com quem me relacionei, a alguns pela inspiração, nomeadamente ao Dr. Pedro Póvoa e à Dra. Fátima Grenho, e a todos pela disponibilidade mostrada e pelos conhecimentos transmitidos.