An´
alise na Reta
Departamento de Economia, Universidade de Bras´ılia
Nota de Aula 8 – Derivadas
Prof. Jos´
e Guilherme de Lara Resende
1
Introdu¸
c˜
ao
Essa nota de aula ´e baseada em Lima (2008), cap´ıtulo 8. Lima (2013), cap´ıtulo VIII, tamb´em discute esse t´opico, de maneira mais aprofundada. Outras referˆencias s˜ao: Apostol (1991), cap´ıtulo 4 (Differential Calculus); Rudin (1976), cap´ıtulo 5 (Differentiation); ´Avila (1993), cap´ıtulo 6 (O C´alculo Diferencial ), Figueiredo (2013), cap´ıtulo 3 (Fun¸c˜oes Deriv´aveis).
1.1
Derivadas
Defini¸c˜ao: Derivada de f em a. Sejam X ⊂ R, f : X → R e a ∈ X ∩ X0. A derivada de f no ponto a ´e definida pelo limite:
lim x→a f (x) − f (a) x − a = limh→0 f (a + h) − f (a) h ,
caso esse limite exista. Nesse caso, dizemos que f ´e deriv´avel no ponto a. Se o limite n˜ao existir, dizemos que f n˜ao ´e deriv´avel no ponto a.
Se f ´e deriv´avel em a, denotamos a sua derivada por f0(a), ou (df /dx)(a), ou (df /dx)|x=a, ou
Df (a). Pela defini¸c˜ao acima, temos que a fun¸c˜ao f ´e deriv´avel em a se, e somente se, lim
x→a
f (x) − f (a) x − a ∈ R ,
onde f0(x) ´e igual a esse limite. Vamos denotar por qf,a(x) o quociente que define a derivada
da fun¸c˜ao f no ponto a, ou seja,
qf,a(x) =
f (x) − f (a) x − a
Logo, f ´e deriv´avel em a se, e somente se, existe limx→aqf,a(x).
Se existir a derivada de f em todos os pontos x ∈ X ∩ X0, dizemos que f : X → R ´e deriv´avel no conjunto X e obtemos uma nova fun¸c˜ao f0 : X ∩ X0 → R, tal que x 7→ f0(x) (f0 mapeia cada ponto x ∈ X ∩ X0 na derivada f0(x) de f no ponto x).
Observe que se X ´e um intervalo, ent˜ao X ∩ X0 = X. Neste caso, f0 possui dom´ınio igual ao de f , ou seja, a derivada de f est´a definida nos mesmos pontos em que f est´a definida.
Considere f : [a, b] → R. Se f0 ∈ C[a, b] (f0 ´e cont´ınua em todo o intervalo [a, b]), dizemos que
f ´e continuamente diferenci´avel. A classe das fun¸c˜oes reais continuamente diferenci´aveis em [a, b] ´e denotada por C1[a, b]. Denotamos por C1[a, ∞) o conjunto das fun¸c˜oes f tal que f |[a,b]
´
e diferenci´avel para todo b > a. De modo similar definimos os conjuntos C1(−∞, a] e C1(R).
Dizemos que f : [a, b] → R ´e duas vezes continuamente diferenci´avel se f0 ∈ C1[a, b]. Para
qual-quer k ∈ N, definimos o conjunto Ck[a, b], das fun¸c˜oes k-vezes continuamente diferenci´aveis,
Teorema 1. f : X → R ´e deriv´avel em a ∈ X ∩ X0 se, e somente se, existir c ∈ R tal que a + h ∈ X ⇒ f (a + h) = f (a) + ch + r(h), onde limh→0r(h)/h = 0. Neste caso, temos que
c = f0(a).
Observe para qualquer fun¸c˜ao f , podemos sempre escrever f (a + h) = f (a) + ch + r(h) (basta definir r(h) = f (a + h) − f (a) − ch). O Teorema 1 afirma que existe no m´aximo um c ∈ R tal que limh→0r(h)/h = 0. Se existirem c e r(h) que satisfazem essa propriedade, ent˜ao f0(a) = c.
Al´em disso, como f (a+h) = f (a)+ch+r(h), o teorema garante que para toda fun¸c˜ao deriv´avel em a, o acr´escimo f (a + h) − f (a) ´e composto por uma parte linear em h (c · h) e outra (r(h)) que se torna insignificante em rela¸c˜ao a h, quando h ´e muito pequeno (limh→0r(h)/h = 0).
Corol´ario. Uma fun¸c˜ao ´e cont´ınua nos pontos em que ´e deriv´avel. Logo, se f : [a, b] → R ´e deriv´avel, ent˜ao f ´e cont´ınua.
1.2
Derivadas Laterais
Defini¸c˜ao: Derivada Lateral de f em a. Sejam X ⊂ R, f : X → R e suponha que a ∈ X ∩ X+0 e b ∈ X ∩ X−0 .
• A derivada `a direita de f no ponto a ´e definida pelo seguinte limite `a direita: f+0(a) = lim x→a+ f (x) − f (a) x − a = limh→0+ f (a + h) − f (a) h ,
caso esse limite exista.
• A derivada `a esquerda de f no ponto b ´e definida pelo seguinte limite `a esquerda: f−0(b) = lim x→b− f (x) − f (b) x − b = limh→0− f (b + h) − f (b) h ,
caso esse limite exista.
Proposi¸c˜ao. Sejam f : X → R e a ∈ X ∩ X+0 ∩ X0
−. Ent˜ao f ´e deriv´avel no ponto a se, e
somente se, as derivadas laterais de f em a existem e s˜ao iguais, com f+0(a) = f−0(a) = f0(a).
O Teorema 1, com limh→0+r(h)/h = 0 e limh→0−r(h)/h = 0, vale para derivadas `a direita e
`
a esquerda. O mesmo para o corol´ario desse teorema: se existir f+0(a), ent˜ao f ´e cont´ınua `a direita no ponto a, no sentido que f (a) = limh→0+f (a + h). Similar para f−0(a). Mais ainda, se
a ∈ X ∩X+0 ∩X0
− e existirem f+0(a) e f 0
−(a), ent˜ao f ´e cont´ınua em a, mesmo que f+0(a) 6= f 0 −(a).
Exemplo 1. Toda fun¸c˜ao constante ´e deriv´avel, com derivada igual a zero em todo ponto. Se f : R → R ´e definida por f (x) = cx + b, ent˜ao f0(x) = c, para todo x ∈ R. Dado n ∈ N qualquer, f : R → R definida por f (x) = xn, ´e deriv´avel em todo ponto do seu dom´ınio e f0(x) = nxn−1.
Exemplo 2. f : R → R definida por f (x) = x sin(1/x) se x 6= 0 e f (0) = 0 ´e cont´ınua e possui derivada em todo x 6= 0. No ponto 0, temos:
f (0 + h) − f (0)
h =
h sin(1/h)
h = sin(1/h) ,
g(x) = x2sin(1/x) se x 6= 0 e g(0) = 0 ´e cont´ınua e possui derivada em todo x, em particular, em 0, pois: g(0 + h) − g(0) h = h2sin(1/h) h = h sin(1/h) ,
que possui limite 0 quando h → 0. Logo g0(0) = 0. Se x 6= 0, ent˜ao g0(x) = 2x · sin(1/x) − cos(1/x). Como limx→0g0(x) n˜ao existe, a fun¸c˜ao derivada g0 : R → R n˜ao ´e cont´ınua em todo
ponto e, portanto, g n˜ao ´e uma fun¸c˜ao classe C1(R).
Exemplo 3. A fun¸c˜ao φ : R → R definida por φ(x) = |x| ´e deriv´avel em todo ponto x 6= 0. No ponto 0, as derivadas laterais de φ s˜ao φ+0(0) = 1 e φ−0(0) = −1. Como φ+0 (0) 6= φ−0(0), φ n˜ao ´e deriv´avel em 0. No Exemplo 7 do Cap´ıtulo 7, definimos a fun¸c˜ao parte inteira de um n´umero, I : R → R, dada por I(x) = [x] = n, se n ≤ x < n + 1, n ∈ Z. Ent˜ao I0(x) = 0 se x 6∈ Z, I+0 (n) = 0, para todo n ∈ Z, mas I
0
−(n) n˜ao existe, para todo n ∈ Z.
Exemplo 4 (Regra de L’Hˆopital). Suponha f, g : R → R tais que limx→af (x) = f (a) =
0 = g(a) = limx→ag(x), e f, g s˜ao deriv´aveis no ponto a. Supondo que g0(a) 6= 0, a regra de
L’Hˆopital garante que:
lim x→a f (x) g(x) = f0(a) g0(a)
Usando essa regra, obtemos, por exemplo, que limx→0sin(x)/x = 1 e limx→0(ex− 1)/x = 1.
2
Regras Operacionais
Teorema 2. Sejam f, g : X → R deriv´aveis em a ∈ X ∩ X0. As fun¸c˜oes f ± g, f · g e f /g (g(a) 6= 0) s˜ao tamb´em deriv´aveis no ponto a, e as derivadas dessas fun¸c˜oes s˜ao:
(f ± g)0(a) = f0(a) ± g0(a)
(f · g)0(a) = f0(a) · g(a) + f (a) · g0(a) f
g 0
(a) = f
0(a) · g(a) − f (a)g0(a)
g(a)2
Teorema 3 (Regra da Cadeia). Sejam f : X → R, g : Y → R, a ∈ X ∩ X0, b ∈ Y ∩ Y0, F (x) ⊂ Y e f (a) = b. Se f ´e deriv´avel no ponto a e g ´e deriv´avel no ponto b, ent˜ao h = g ◦ f : X → R ´e deriv´avel no ponto a e:
h0(a) = (g ◦ f )0(a) = g0(f (a)) · f0(a) .
Corol´ario (Teorema da Fun¸c˜ao Inversa em R). Sejam X, Y ⊂ R e f : X → Y uma bije¸c˜ao com inversa f−1 : Y → X. Se f ´e deriv´avel no ponto a ∈ X ∩ X0 e f−1 ´e cont´ınua no ponto b = f (a), ent˜ao f−1 ´e deriv´avel no ponto b se, e somente se, f0(a) 6= 0. Nesse caso, temos que (f−1)0(b) = 1/f0(a).
Exemplo 5. Dada f : R → R deriv´avel, considere as fun¸c˜oes g, h : R → R definidas por g(x) = f (x2) e h(x) = f (x)2. Para todo x ∈ R, a regra da cadeia implica que g0(x) = f0(x2) · 2x e h0(x) = 2f (x) · f0(x).
Exemplo 6. Dado n ∈ N fixo, g : [0, +∞) → [0, +∞), definida por g(x) = √nx ´e deriv´avel no
3
Derivada e Crescimento Local
Os resultados abaixo s˜ao todos estabelecidos para derivadas `a direita. Podemos obter resultados an´alogos para derivadas `a esquerda. Nesse caso, a desigualdade inverte.
Teorema 4. Se f : X → R ´e deriv´avel `a direita no ponto a ∈ X ∩ X+0 , com f 0
+(a) > 0, ent˜ao
existe δ > 0 tal que para x ∈ X, com a < x < a + δ, temos que f (a) < f (x).
Corol´ario 1. Se f : X → R ´e mon´otona n˜ao-decrescente ent˜ao suas derivadas laterais, onde existirem, s˜ao n˜ao-negativas (≥ 0).
Corol´ario 2. Seja a ∈ X ∩ X+0 ∩ X0
−. Se f : X → R ´e deriv´avel no ponto a, com f0(a) > 0,
ent˜ao existe δ > 0 tal que para x, y ∈ X com a − δ < x < a < y < a + δ, temos que f (x) < f (a) < f (y).
Defini¸c˜ao: M´aximo e M´ınimo. Sejam f : X → R e a ∈ X. Dizemos que a ´e um:
• M´aximo local de f se existir δ > 0 tal que f (x) ≤ f (a) para todo x ∈ X, |x − a| < δ (x ∈ B(a, δ) ∩ X).
• M´aximo local estrito de f se existir δ > 0 tal que f (x) < f (a) para todo x ∈ X, 0 < |x − a| < δ (x ∈ B(a, δ) ∩ X \ {a}).
• M´ınimo local de f se existir δ > 0 tal que f (a) ≤ f (x) para todo x ∈ X, |x − a| < δ (x ∈ B(a, δ) ∩ X).
• M´ınimo local estrito de f se existir δ > 0 tal que f (a) < f (x) para todo x ∈ X, 0 < |x − a| < δ (x ∈ B(a, δ) ∩ X \ {a}).
• M´aximo global (ou absoluto) de f se f (x) ≤ f (a) para todo x ∈ X. Dizemos que a ´e um m´aximo global estrito de f se f (x) < f (a), para todo x ∈ X \ {a}.
• M´ınimo global (ou absoluto) de f se f (a) ≥ f (x) para todo x ∈ X. Dizemos que a ´e um m´ınimo global estrito de f se f (a) < f (x), para todo x ∈ X \ {a}.
Corol´ario 3. Se f : X → R ´e deriv´avel `a direita em a ∈ X ∩ X+0 (`a esquerda em a ∈ X ∩ X−0 ) e a ´e um ponto de m´aximo (m´ınimo) local, ent˜ao f+0(a) ≤ 0 (f−0(a) ≥ 0).
Corol´ario 4. Seja a ∈ X ∩ X+0 ∩ X0
−. Se f : X → R ´e deriv´avel em a, a ponto ou de m´aximo
ou de m´ınimo local, ent˜ao f0(a) = 0. Seja f : [a, b] → R deriv´avel no intervalo aberto limitado (a, b) e suponha que f assume um m´aximo (ou m´ınimo) em algum x ∈ (a, b). Ent˜ao f0(x) = 0. Exemplo 7. O Teorema 4 e seu Corol´ario 2 n˜ao implicam que uma fun¸c˜ao com derivada positiva num ponto a ser´a crescente numa vizinhan¸ca de a (a menos que f0 seja cont´ınua em a). Podemos apenas garantir que f (x) < f (a) para x < a, x suficientemente pr´oximo de a, e que f (x) > f (a) para x > a, x suficientemente pr´oximo de a. Mas isso n˜ao necessariamente implica que f ´e mon´otona. Um exemplo ´e a fun¸c˜ao f : R → R, definida por f (x) = x2sin(1/x) + x/2
se x 6= 0 e f (0) = 0. Temos que f0(0) = 1/2 e f0(x) = 2x sin(1/x) − cos(1/x) + 1/2, para x 6= 0. N˜ao existe vizinhan¸ca de 0 para o qual f seja mon´otona nessa vizinhan¸ca.
Exemplo 8. Mesmo que f seja crescente e deriv´avel, n˜ao podemos garantir que a sua derivada ser´a positiva em todos os pontos. Um exemplo ´e f : R → R, f (x) = x3.
Exemplo 9. Se f : X → R tem um m´ınimo (ou m´aximo) local em a ∈ X, n˜ao necessariamente f0(a) = 0. Primeiro, f0(a) pode n˜ao existir (por exemplo, f : R → R, f (x) = |x|, x = 0 ´e m´ınimo local e f0(0) n˜ao existe). E mesmo que f0(a) exista, caso a n˜ao seja um ponto de acumula¸c˜ao bilateral, ent˜ao podemos ter f0(a) 6= 0 (por exemplo, para f : [0, 1] → R dada por f (x) = x, 0 e 1 s˜ao pontos de m´ınimo e m´aximo, respectivamente, mas f0(x) = 1 para todo x ∈ [0, 1]).
Defini¸c˜ao: Ponto Cr´ıtico. Dizemos que c ∈ X ´e um ponto cr´ıtico da fun¸c˜ao deriv´avel f : X → R quando f0(c) = 0.
Todo ponto c ∈ X ∩ X+0 ∩ X0
− que ´e ponto de m´aximo ou m´ınimo local ´e um ponto cr´ıtico
(ou seja, estamos assumindo que f ´e diferenci´avel em c). Por´em nem todo ponto cr´ıtico ´e um ponto de m´aximo ou m´ınimo local, mesmo que ele seja interior ao conjunto X. Por exemplo, para f : R → R dada por f (x) = x3, x = 0 ´e um ponto cr´ıtico de f , mas n˜ao ´e nem m´ınimo
nem m´aximo local de f .
4
Fun¸
c˜
oes Deriv´
aveis num Intervalo
Observe que n˜ao assumimos que f0´e cont´ınua no Teorema 5. Se f0 for cont´ınua em [a, b], ent˜ao o resultado segue do Teorema do Valor Intermedi´ario.
Teorema 5 (Teorema de Darboux). Seja f : [a, b] → R deriv´avel. Se f0(a) < d < f0(b), ent˜ao existe c ∈ (a, b) tal que f0(c) = d.
Exemplo 10. Seja g : [−1, 1] → R definida por g(x) = −1, se x ∈ [−1, 0) e g(x) = 1, se x ∈ [0, 1]. Ent˜ao g0(x) = 0, para todo x ∈ [−1, 1] \ {0} e o Teorema de Darboux ´e obviamente v´alido. Por´em para todo d ∈ R com g(−1) = −1 < d < 1 = g(1), n˜ao existe c ∈ [−1, 1] tal que f (c) = d. O Teorema do Valor Intermedi´ario falha exatamente pelo fato de g n˜ao ser cont´ınua. ´E f´acil notar que n˜ao existe fun¸c˜ao deriv´avel f : [−1, 1] → R tal que f0 = g. O Teorema Fundamental do C´alculo garante que se g : I → R, I um intervalo qualquer, for cont´ınua, ent˜ao existir´a f : I → R tal que f0 = g (dizemos que f ´e uma primitiva de g. Logo esse resultado pode ser lido como toda fun¸c˜ao cont´ınua possui uma primitiva).
Teorema 6 (Teorema de Rolle). Seja f : [a, b] → R cont´ınua. Se f ´e deriv´avel em (a, b) e f (a) = f (b), ent˜ao f0(c) = 0, para algum c ∈ (a, b).
Teorema 7 (Teorema do Valor Intermedi´ario de Lagrange). Seja f : [a, b] → R cont´ınua. Se f ´e deriv´avel em (a, b), ent˜ao existe c ∈ (a, b) tal que:
f0(c) = f (b) − f (a)
b − a (ou f (b) − f (a) = f
0
(c)(b − a) )
Logo, se f : [a, a + h] → R cont´ınua ´e deriv´avel em (a, a + h), ent˜ao existe θ ∈ (0, 1) tal que f (a + h) = f (a) + f0(a + θh) · h.
Corol´ario 1. Se para f : I → R cont´ınua no intervalo I temos que f0(x) = 0 para todo x ∈ int I, ent˜ao f ´e fun¸c˜ao constante.
Corol´ario 2. Se f, g : I → R cont´ınuas no intervalo I s˜ao deriv´aveis em int I com f0(x) = g0(x), para todo x ∈ int I, ent˜ao existe c ∈ R tal que g(x) = f (x) + c, para todo x ∈ I.
Corol´ario 3. Considere f : I → R deriv´avel no intervalo I ⊂ R. Se existir k ∈ R tal que |f0(x)| ≤ k, ∀ x ∈ I, ent˜ao para todo par x, y ∈ I, temos que |f (x) − f (y)| ≤ k |x − y|.
Exemplo 11. O corol´ario 3 serve para gerar fun¸c˜oes Lipschitzianas. Tamb´em podemos utilizar esse corol´ario para mostrarmos que uma determinada fun¸c˜ao ´e Lipschitziana, ao mostrarmos que a sua derivada ´e uma fun¸c˜ao limitada.
Corol´ario 4. A fun¸c˜ao deriv´avel f : I → R ´e mon´otona decrescente (mon´otona n˜ao-crescente) no intervalo I ⊂ R se, e somente se, f0(x) ≥ 0 (f0(x) ≤ 0) para todo x ∈ I. Se f0(x) > 0 (f0(x) < 0) para todo x ∈ I, ent˜ao f ´e uma bije¸c˜ao crescente (decrescente) sobre um intervalo J e sua inversa f−1 : J → I ´e deriv´avel, com (f−1)0(y) = 1/f0(x), para todo y = f (x) ∈ J .
Referˆ
encias
Apostol, T. (1991). Calculus, vol. i: One-variable calculus, with an introduction to linear algebra (2nd edition). Wiley.
´
Avila, G. (1993). Introdu¸c˜ao `a an´alise matem´atica. Editora Edgard Bl¨ucher Ltda. Figueiredo, D. G. (2013). An´alise i (2a edi¸c˜ao). Editora LTC.
Lima, E. L. (2008). An´alise real, vol. 1: Fun¸c˜oes de uma vari´avel. Cole¸c˜ao Matem´atica Universit´aria, Instituto de Matem´atica Pura e Aplicada (IMPA).
Lima, E. L. (2013). Curso de an´alise vol. 1. Projeto Euclides, Instituto de Matem´atica Pura e Aplicada (IMPA).
Rudin, W. (1976). Principles of mathematical analysis (3rd edition). McGraw-Hill International Editions.