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Dimensões urbanas e percepção de valor socioambiental em bairros habitacionais : o caso de Vitória - ES

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Academic year: 2021

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(1)KARLA MOREIRA CONDE. DIMENSÕES URBANAS E PERCEPÇÃO DE VALOR SOCIOAMBIENTAL EM BAIRROS HABITACIONAIS: O CASO DE VITÓRIA - ES. CAMPINAS 2015 i.

(2) ii.

(3) UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL, ARQUITETURA E URBANISMO. KARLA MOREIRA CONDE. DIMENSÕES URBANAS E PERCEPÇÃO DE VALOR SOCIOAMBIENTAL EM BAIRROS HABITACIONAIS: O CASO DE VITÓRIA - ES. Orientadora: Profª Drª Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina. Tese de Doutorado apresentada a Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, para obtenção do título de Doutora em Arquitetura, Tecnologia e Cidade, na área de Arquitetura, Tecnologia e Cidade.. ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA TESE DEFENDIDA PELA ALUNA KARLA MOREIRA CONDE ORIENTADA PELA PROFª DRª SILVIA APARECIDA MIKAMI GONÇALVES PINA. ______________________________________. CAMPINAS 2015 iii.

(4) Ficha catalográfica Universidade Estadual de Campinas Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura Elizangela Aparecida dos Santos Souza - CRB 8/8098. Informações para Biblioteca Digital Título em outro idioma: Urban dimensions and environmental value perception in residential neighborhood : the case of Vitória - ES Palavras-chave em inglês: Urban design Environmental quality Value Área de concentração: Arquitetura, Tecnologia e Cidade Titulação: Doutora em Arquitetura, Tecnologia e Cidade Banca examinadora: Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina [Orientador] Emilia Wanda Rutkowski Evandro Ziggiatti Monteiro Eneida Maria Souza Mendonça Renato Leão Rego Data de defesa: 10-06-2015 Programa de Pós-Graduação: Arquitetura, Tecnologia e Cidade. iv.

(5) v.

(6) vi.

(7) CONDE, KARLA MOREIRA. Dimensões urbanas e percepção de valor socioambiental em bairros habitacionais: o caso de Vitória-ES. 2015. Tese (doutorado) – Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.. RESUMO. A qualidade ambiental urbana é influenciada por uma ampla gama de aspectos que compõem suas dimensões físicas e sistemas de atividades que interagem com as pessoas por meio de vivências, percepções e ações cotidianas. Assim, está relacionada a como a cidade é vivenciada em lugares que se mantêm atraentes para o uso e vida em comunidade. Tais dimensões urbanas, por sua vez, compreendem o conjunto de elementos e características do lugar e sua associação a aspectos multidimensionais do valor de quem o usa, influenciando os espaços e o cotidiano das pessoas. A principal característica de áreas identificadas como de alta qualidade ambiental é a vivacidade de seus espaços ao longo dos anos. O desenho urbano apresenta-se como possível elemento gerador dessa vivacidade, possibilitando melhorar a qualidade de vida nas cidades. Tal observação leva à hipótese de que determinadas dimensões da cidade associadas ao desenho urbano podem construir e manter uma qualidade ambiental em bairros habitacionais, cujo valor é percebido e vivenciado pela comunidade. Esta pesquisa tem por objetivo identificar as possíveis dimensões urbanas que permitam e incentivem a permanência da vivacidade em bairros habitacionais. A cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, possui na área leste continental do município uma sequência de bairros habitacionais que se destacam e despertam o interesse em estudos desta natureza pela particularidade de sua formação e desenvolvimento. Mesmo com crescimento populacional e mudanças ocorridas na sua ocupação, tais bairros têm preservado sua vivacidade ao longo de décadas. Para tanto, realizou-se um estudo de caso da área habitacional composta por dois bairros na cidade de Vitória/ES: Jardim da Penha e Mata da Praia. A análise focou os aspectos sociais, dos elementos da forma urbana, da percepção e do valor socioambiental. Como contribuição foram vii.

(8) desenvolvidas recomendações projetuais para bairros habitacionais no âmbito do desenho urbano no sentido de contribuir para a permanência da qualidade ambiental urbana em bairros existentes e especialmente para a sua introdução em novos projetos.. PALAVRAS-CHAVE: Bairros Habitacionais; Dimensões Urbanas; Qualidade Ambiental Urbana; Desenho Urbano.. viii.

(9) ABSTRACT. The quality of urban environment is influenced by a wide range of aspects that constitute its physical dimensions, and by systems of activities interacting with people through their living, perceptions, and daily actions. It is thus related to how the city is experienced in places that are kept attractive to community life and use. Such urban dimensions in turn consist of the set of elements and characteristics of the place together with its association with multidimensional aspects of the value added by who uses the place, thereby influencing the spaces and their daily lives. The main feature of the areas identified as of high environmental quality is the livability of their spaces over the years. Urban design is presented as a feasible element generating such livability, contributing to higher quality of life in cities. This observation leads to the hypothesis that certain aspects of urban design can build and keep urban environmental quality in residential neighborhoods, whose value is perceived and experienced by the community. Thus, the objective of this research is to identify the possible urban dimensions that contribute to keeping the livability of residential neighborhoods. The city of Vitória, in the state capital of Espírito Santo has in its continental eastern area of the city a row of residential neighborhoods that stand out and arouse interest in studies alike, due to the particularity of its formation and development. Even with population growth and changes in their occupation, such neighborhoods have preserved its vitality over the decades. To achieve such objective a case study of the residential area consisting of two neighborhoods in the city of Vitória / ES, i.e. Jardim da Penha and Mata da Praia are carried out. The analysis focused on the social aspects, elements of urban form, the perception and environmental value. As a contribution were developed urban design recommendations for residential neighborhoods to contribute to the persistence of urban environmental quality in existing neighborhoods and especially for its introduction in new designs.. KEY. WORDS: Residential Neighborhoods; Urban Dimensions; Urban Environmental. Quality; Urban Design. ix.

(10) x.

(11) SUMÁRIO. RESUMO.................................................................................... vii. ABSTRACT ................................................................................ ix. LISTA DE FIGURAS ................................................................... xviii. LISTA DE EQUAÇÕES ............................................................... xxi. LISTA DE TABELAS.................................................................... xxiii. LISTA DE QUADROS.................................................................. xxv. LISTA DE ABREVIATURAS ........................................................ xxvii 1 INTRODUÇÃO ..................................................................... 1. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA CONCEITUAL....................... 7. 2.1 QUALIDADE AMBIENTAL URBANA................................... 8. 2.2 DIMENSÕES URBANAS ................................................. 19. 2.2.1. ELEMENTOS DA FORMA URBANA....................... 21. 2.2.2. PERCEPÇÃO AMBIENTAL.................................. 26. SOCIOAMBIENTAL PARA TERRITÓRIOS HABITACIONAIS ........................................................... 33. 3 MATERIAIS E MÉTODOS..................................................... 47. 3.1 PROTOCOLO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS................... 54. 3.2 CONTEXTO DA ÁREA HABITACIONAL EM ESTUDO............. 66. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................. 89. 2.3 VALOR. xi.

(12) 4.1 BAIRRO JARDIM DA PENHA .......................................... 91. 4.2 ELEMENTOS QUE ATRIBUEM VALOR SOCIOAMBIENTAL AO BAIRRO JARDIM DA PENHA...................................... 123. 4.3 BAIRRO MATA DA PRAIA.............................................. 131. 4.4 ELEMENTOS QUE ATRIBUEM VALOR SOCIOAMBIENTAL AO BAIRRO MATA DA PRAIA.......................................... 165. 4.5 ANÁLISE. COMPARATIVA DE ELEMENTOS QUE ATRIBUEM VALOR SOCIOAMBIENTAL AOS BAIRROS JARDIM DA PENHA E MATA DA PRAIA............................................. 173. 4.6 RECOMENDAÇÕES. PROJETUAIS PARA BAIRROS HABITACIONAIS DE VALOR SOCIOAMBIENTAL................... 195. 5 CONCLUSÃO....................................................................... 203. REFERÊNCIAS........................................................................... 213. APÊNDICES............................................................................... 223. xii.

(13) DEDICATÓRIA. Ao meu marido José Carlos Monjardim Cavalcanti Filho e às nossas filhas Beatriz e Camila. Pelo amor e unidade de nossa família, que cultiva o melhor que existe em mim.. xiii.

(14) xiv.

(15) AGRADECIMENTOS. Agradeço à Professora Dra. Silvia Aparecida Mikami Gonçalves Pina pelo acolhimento e pela confiança a mim depositada, pelo apoio e orientação na realização desta pesquisa e pelo amor que desenvolve as suas atividades. Ao Programa Prodoutoral da CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pelo apoio ao meu aprimoramento e qualificação como docente da Universidade Federal do Espírito Santo. Ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Espírito Santo por possibilitar a minha dedicação às atividades do doutorado. À minha mãe Katia Tamanini Moreira Conde, pela força, apoio, incentivo e fé, e ao meu pai Ronaldo Conde pela confiança. Obrigada pelo amor e carinho. Aos que acompanharam a minha jornada na Pós-Graduação e em especial aos amigos que me apoiaram ao longo do caminho.. xv.

(16) xvi.

(17) LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Modelo de valor com base nas necessidades humanas básicas. .................. 16 Figura 2 - Elementos da forma urbana. .......................................................................... 22 Figura 3 - Sentido de lugar. ............................................................................................ 29 Figura 4 - Inter-relações de elementos urbanos e percepções de valor do ambiente urbano. ........................................................................................................ 39 Figura 5 - Medidas para redução de velocidade e manutenção da fluidez do tráfego. .. 41 Figura 6 - Exemplo de inter-relação de elementos do desenho urbano e os benefícios potenciais a gerar valor para os espaços urbanos. ..................................... 42 Figura 7 - Estrutura da abordagem metodológica utilizada nesta pesquisa. .................. 48 Figura 8 - Poligonais delimitadas para distribuição dos locais de entrevistas. ............... 51 Figura 9 - Instrumentos de coleta de dados e abordagens de pesquisa. ....................... 53 Figura 10 - Mapa de Vitória/ES, ano 2013, destaque para a área selecionada para estudo.......................................................................................................... 66 Figura 11 - Esboço da Planta da ilha de Vitória - Projeto Novo Arrabalde. .................... 69 Figura 12 - Importante eixo viário do Plano Novo Arrabalde, Av. Nossa Sra da Penha, Vitória/ES. Eixo viário que enquadra em perspectiva o Convento da Penha (1558). ......................................................................................................... 69 Figura 13 - Projetos urbanísticos da cidade de Vitória/ES e práticas e pensamentos urbanísticos nas respectivas épocas. .......................................................... 70 Figura 14 - Áreas de aterro para a expansão urbana de Vitória..................................... 72 Figura 15 - Manchas urbanas em Vitória nos anos 1970, 1978 e 2014. ........................ 75 Figura 16 - Área de implantação do traçado proposto em 1952 para a ocupação da área continental. .................................................................................................. 78 Figura 17 - Traçados do bairro Jardim da Penha e da cidade de Belo Horizonte. ......... 79 Figura 18 - Jardim da Penha. (a) 1960 - Ponte da Passagem e armazéns à direita, pista do Aeroporto ao fundo. (b) 1975 - Praia de Camburi. ................................. 80 Figura 19- Traçado do bairro Jardim da Penha. ............................................................. 81 Figura 20 - Jardim da Penha, 2008. ............................................................................... 82 Figura 21 - Área da nova proposta de urbanização, em 1974 - bairro Mata da Praia. ... 84 Figura 22 - Aerolevantamento, ano 1970. ...................................................................... 84 Figura 23 - Limites do bairro Mata da Praia. Distribuição das diferentes tipologias de ocupação. .................................................................................................... 85 xvii.

(18) Figura 24 - Parte do bairro Mata da Praia e suas tipologias distintas. Destaque para a divisa com o bairro Jardim da Penha. ......................................................... 86 Figura 25 - Estrutura de apresentação dos resultados e proposição de recomendações projetuais. ................................................................................................... 89 Figura 26 - Número de moradores por domicílio – Bairro Jardim da Penha. ................. 94 Figura 27 - Quarteirões e ocupação característicos do bairro Jardim da Penha - 2014. .................................................................................................................. 102 Figura 28 - Panorama da Praça Regina Frigeri Furno, utilizada intensamente para lazer e esportes. Cenário de barraquinhas de lanches ao final da tarde e à noite diariamente. .............................................................................................. 103 Figura 29 - Localização das áreas de lazer no espaço público do bairro Jardim da Penha. ...................................................................................................... 104 Figura 30 - Panorama da orla da praia de Camburi – Edifícios com menor gabarito no bairro Jardim da Penha e os de maior gabarito ao fundo, na ilha de Vitória. .................................................................................................................. 105 Figura 31 - Jardim da Penha - Tipos de uso. ............................................................... 106 Figura 32 - Linhas de ônibus urbano que circulam no interior da área habitacional – Bairros Jardim da Penha e Mata da Praia. ............................................... 107 Figura 33 - Jardim da Penha - Traçado - Conexões com a cidade.............................. 108 Figura 34 - Localização de postos de entrega voluntária para coleta seletiva no bairro Jardim da Penha. ...................................................................................... 109 Figura 35 - Imagens do bairro Jardim da Penha. ......................................................... 110 Figura 36 - Gráfico da percepção no bairro Jardim da Penha com base em escala semântica. ................................................................................................ 113 Figura 37 - Gráfico com síntese da percepção semântica no bairro Jardim da Penha.116 Figura 38 - Gráfico da percepção de valor desejado no bairro Jardim da Penha. ....... 118 Figura 39 - Gráfico da percepção de valor recebido no bairro Jardim da Penha. ........ 120 Figura 40 - Percepção de valor no bairro Jardim da Penha. ........................................ 121 Figura 41 - Número de moradores por domicílio – Bairro Mata da Praia. .................... 136 Figura 42 - Traçado do bairro Mata da Praia. .............................................................. 141 Figura 43 - Mata da Praia - Tipos de uso..................................................................... 141 Figura 44 - Panorama da orla da praia de Camburi. Destaque para as superquadras com edifícios habitacionais e para a via alimentadora, Rua Construtor David Teixeira - 2008. ......................................................................................... 143 Figura 45 - Clube privativo de uma superquadra do bairro Mata da Praia................... 144 Figura 46 - Bairro Mata da Praia. Destaque para rua exclusiva para pedestres, ruas para trânsito local com cul de sac e pracinha no cruzamento das ruas. ... 145 xviii.

(19) Figura 47 - Quarteirões e ocupação característicos do bairro Mata da Praia - 2014. .. 145 Figura 48 - Rua paralela à avenida da orla. Mata da Praia. ......................................... 147 Figura 49 - Localização de postos de entrega voluntária para coleta seletiva no bairro Mata da Praia. ........................................................................................... 148 Figura 50 - Imagens do bairro Mata da Praia.. ............................................................. 149 Figura 51 - Gráfico da percepção no bairro Mata da Praia em escala semântica – Moradores e não moradores. .................................................................... 153 Figura 52 - Gráfico da percepção no bairro Mata da Praia em escala semântica – Moradores das áreas 1 e 2, moradores da área 3 e não moradores. ....... 155 Figura 53 - Gráfico com síntese da percepção semântica no bairro Mata da Praia. .... 158 Figura 54 - Gráfico da percepção de valor desejado no bairro Mata da Praia. ............ 160 Figura 55 - Gráfico da percepção de valor recebido no bairro Mata da Praia. ............. 162 Figura 56 - Percepção de valor no bairro Mata da Praia. ............................................. 164 Figura 57 - Percepção de valor desejado na área habitacional em estudo. ................. 173 Figura 58 - Síntese da percepção semântica na área habitacional. ............................. 177. xix.

(20) xx.

(21) LISTA DE EQUAÇÕES Equação 1 - Para determinação do tamanho da amostra...............................................49. xxi.

(22) xxii.

(23) LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Componentes de sentido de lugar e afirmações relacionadas. ..................... 31 Tabela 2 - Tópicos para assentamentos humanos mais sustentáveis. .......................... 35 Tabela 3 - Aspectos percebidos de maneira recorrente na avaliação da qualidade do espaço urbano habitacional em Taiwan. ..................................................... 38 Tabela 4 - Elementos urbanos - Aspectos e comportamentos relacionados. ................. 40 Tabela 5 - Instrumentos e métodos de investigação e aspectos a serem considerados na identificação da dimensão social no bairro habitacional. ........................ 54 Tabela 6 - Instrumentos e métodos de investigação e aspectos a serem considerados na identificação da dimensão da forma urbana no bairro habitacional. ....... 56 Tabela 7 - Instrumentos e métodos de investigação e aspectos a serem considerados na identificação da dimensão perceptiva no bairro habitacional. ................ 57 Tabela 8 - Elementos de análise semântica. .................................................................. 58 Tabela 9 - Elementos da forma urbana e aspectos relacionados aos objetivos do desenho urbano. ......................................................................................... 61 Tabela 10 - Atributos de valor utilizados na identificação de valor na área habitacional em estudo.................................................................................................... 62 Tabela 11 - Atributos de valor associados aos elementos de análise semântica. .......... 64 Tabela 12 - Relação entre atributos de valor e elementos/conjunto de elementos urbanos. ...................................................................................................... 65 Tabela 13 - Caracterização da amostra – 176 respondentes. ........................................ 90 Tabela 14 - Caracterização da amostra - Bairro Jardim da Penha - 117 respondentes. 91 Tabela 15 - Caracterização da amostra - Bairro Jardim da Penha - Moradores e não moradores. .................................................................................................. 92 Tabela 16 - Caracterização da amostra - Bairro Jardim da Penha – 72 moradores entrevistados. .............................................................................................. 92 Tabela 17- População – Bairro Jardim da Penha. .......................................................... 93 Tabela 18 - Domicílios - Bairro Jardim da Penha. .......................................................... 95 Tabela 19 - Transformações no espaço urbano e características sociais no bairro Jardim da Penha - registros jornalísticos..................................................... 96 Tabela 20 - Caracterização dos entrevistados quanto ao uso - Bairro Jardim da Penha. .................................................................................................................. 111 Tabela 21 - Relação entre atributos de valor, a percepção de valor recebido e os elementos/conjunto de elementos urbanos presentes no bairro Jardim da Penha.. ...................................................................................................... 123 xxiii.

(24) Tabela 22 - Caracterização da amostra - Bairro Mata da Praia - 59 respondentes. .... 131 Tabela 23 - Caracterização da amostra - Bairro Mata da Praia - Moradores e não moradores. ................................................................................................ 132 Tabela 24 - Caracterização da amostra por Área - Bairro Mata da Praia – 35 moradores entrevistados. ........................................................................................... 133 Tabela 25 - População – Bairro Mata da Praia. ........................................................... 135 Tabela 26 - Domicílios - Bairro Mata da Praia. ............................................................ 136 Tabela 27 - Transformações no espaço urbano e características sociais no bairro Mata da Praia - registros jornalísticos. ............................................................... 137 Tabela 28 - Caracterização dos entrevistados quanto ao uso - Bairro Mata da Praia. 151 Tabela 29 - Relação entre atributos de valor, a percepção de valor recebido e os elementos/conjunto de elementos urbanos presentes no bairro Mata da Praia. ........................................................................................................ 165 Tabela 30 - Síntese da percepção de valor socioambiental na área habitacional em estudo. ...................................................................................................... 174 Tabela 31 - Percepção de valor recebido e elementos urbanos presentes na área habitacional............................................................................................... 182 Tabela 32 - Hierarquia de atributos de valor desejado. ............................................... 196 Tabela 33 - Recomendações projetuais para bairros habitacionais de valor socioambiental. ......................................................................................... 198. xxiv.

(25) LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Elementos do desenho urbano e como podem contribuir para espaços urbanos com maior valor ambiental urbano...................................................43. xxv.

(26) xxvi.

(27) LISTA DE ABREVIATURAS AMJAP: Associação de Moradores de Jardim da Penha AMMP: Associação de Moradores da Mata da Praia CABE: Commission for Architecture and the Built Environment CIB: The International Council for Research and Innovation in Building and Construction COMDUSA: Companhia de Desenvolvimento Urbano S.A. DETR: Department of the Environment, Transport and the Regions IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH: Índice de Desenvolvimento Humano IJSN: Instituto Jones dos Santos Neves INOCOOPES: Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais do Espírito Santo PDU: Plano Diretor Urbano PMV: Prefeitura Municipal de Vitória SENA: Serviços de Engenharia e Arquitetura UFES: Universidade Federal do Espírito Santo UNESCO: United Nations Educational Scientific and Cultural Organization. xxvii.

(28) xxviii.

(29) 1 INTRODUÇÃO O crescimento urbano no Brasil representa 84,4% da sua população total vivendo em cidades, registrando ainda tendência de crescimento de acordo com o Censo Demográfico de 2010 (IBGE, 2010). De forma geral, as cidades absorvem o aumento populacional por meio do adensamento e da verticalização de edificações. Assim, a paisagem urbana se transforma na medida em que se modificam as necessidades e demandas de seus moradores. As cidades de médio porte são as que mais têm crescido no Brasil, concentrando 25,5% da população (IBGE, 2010). Em algumas delas, podem ser encontrados traçados urbanos concebidos há décadas e para esses fica o encargo de absorver o aumento populacional e o desenvolvimento urbano, muitas vezes alterando as relações de vizinhança, os espaços urbanos e o modo como são percebidos e vivenciados. A cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, é exemplo dessa situação. A cidade recebeu planos urbanísticos de dimensões significativas ao longo de sua história, com autoria e participação de expoentes do planejamento urbano no Brasil e no mundo, como Saturnino de Brito e Alfred Agache. Acredita-se que este histórico de planos urbanísticos possa ter influenciado no processo de projetos de loteamentos e de bairros nas décadas de 50 a 70 em Vitória. O município de Vitória está uma parte em ilha e outra no continente. A área leste continental do município de Vitória possui bairros habitacionais cujo desenho urbano os identifica, caracteriza e distingue dos demais. Essa área habitacional é composta pelos bairros Jardim da Penha e Mata da Praia, que tiveram sua origem em diferentes projetos, com referências urbanísticas e histórico de ocupação distintos, o que gerou diferentes espaços urbanos. No entanto, ambos apresentam uma qualidade ambiental urbana e mantêm a vivacidade ao longo dos anos. Dessa maneira, acredita-se que os projetos urbanísticos podem ter contribuído para a manutenção da vivacidade e para a qualificação do espaço urbano. A vivacidade dos espaços urbanos se faz notar em diferentes intensidades de uso e interação no espaço público, que atribui identidade e resposta a diferentes anseios e necessidades. 1.

(30) do cotidiano. Observa-se que tais bairros se distinguem devido aos espaços abertos que neles existem e que parecem refletir o modo de vida de seus moradores. O sentido de território no olhar de Milton Santos (2000) compreendido quando se constitui dos elementos estruturadores da cidadania pela materialidade e espacialidade do desenho urbano e se torna um dado simbólico, composto de uma linguagem regional que acontece pela comunhão que as pessoas mantêm com aquele ambiente, parece ser o conceito mais apropriado para o que se identifica nos bairros Jardim da Penha e Mata da Praia, em Vitória. Assim, um território habitacional vai além do espaço de moradia e gera um sentimento de pertencimento ao bairro, onde são respeitadas as características intrínsecas do lugar, sua complexidade e particularidade. Um território habitacional pleno gera valor aos moradores e reforça a cidadania, portanto, destaca-se a relevância do estudo da percepção ambiental das pessoas para com seu território habitacional e essa relação para a qualidade ambiental urbana. Isso porque o ambiente urbanizado habitacional tornou-se o principal habitat para as pessoas em todo o mundo e a qualidade do ambiente habitacional em áreas urbanas tornou-se assim uma questão cada vez mais importante para os moradores, bem como, para projetistas e planejadores urbanos e administradores municipais. Na mesma direção, pesquisadores têm se esforçado para estabelecer fundamentos teóricos da qualidade do ambiente habitacional (COELHO, 2005; JORGENSEN; STEDMAN, 2006; TU; LIN, 2008). A qualidade ambiental urbana é influenciada por uma ampla gama de aspectos que compõem suas dimensões físico-ambientais, (...) enquanto sistemas físico-espaciais e sistemas de atividades que interagem com a população por meio de vivências, percepções e ações cotidianas (...) (DEL RIO; SIEMBIEDA, 2013). Dessa maneira, está relacionada a espaços urbanos que se mantêm atraentes para o uso e vida em comunidade (COELHO, 2005; THOMAS, 2006; LOBO, 2013). Sendo assim, a escala bairro ressalta-se como unidade espacial que deve ter autossuficiência para garantir o estabelecimento de interações sociais entre os moradores. Em outras palavras, um bairro representa uma área relativamente independente de habitações, comércio, serviços e lugares públicos e o ambiente imediato que os residentes e/ou usuários se identificam em termos de atitudes sociais e econômicas, estilos de vida e instituições 2.

(31) (DIN et al., 2013). Portanto, um espaço urbano qualificado é aquele que possibilita a vida comunitária e as interações entre as pessoas, um espaço de partilha do cidadão (LOBO, 2013). Para tal, não menos importante é a relação dos edifícios com o espaço urbano próximo. Entretanto, observa-se que as cidades constroem sua face por unidades, geralmente conjunto de edifícios, que tentam responder a padrões de qualidade instituídos, questões econômicas, que se refletem exclusivamente na qualidade da edificação e parece não ser importante o tipo de relação que esses edifícios estabelecem com a cidade próxima, o bairro, a rua. Porém, nesses espaços é que se cria a ambiência das relações interpessoais e de apropriação do espaço urbano e se estabelecem os vínculos com a cidade. Por outro lado, as pessoas atribuem valor ao ambiente urbano por meio de critérios subjetivos, com base nos padrões socioculturais e referências pessoais. Assim como, a percepção de valor socioambiental urbano é multidimensional, uma vez que é influenciada pelas características sociais, do espaço físico e da percepção ambiental. E, embora a percepção de valor seja própria do indivíduo, o valor também é atribuído pela comunidade a partir de pontos de vistas comuns. Dessa maneira, a qualidade ambiental urbana está relacionada ao valor que é atribuído ao espaço urbano pela comunidade, por meio das relações que se estabelecem entre indivíduos e entre esses com o ambiente urbano, ou seja, não se limita ao valor econômico, mas, sobretudo, ao valor socioambiental (CARMONA et al., 2002). A partir desta contextualização, estabelece-se à hipótese de que dimensões da cidade associadas ao desenho urbano podem construir e manter uma qualidade ambiental em bairros habitacionais, cujo valor é percebido e vivenciado pela comunidade. Ou seja, parte-se de que a qualidade ambiental urbana é promovida por meio das dimensões urbanas, que compreendem os aspectos sociais, da forma urbana e perceptivos, somadas ao valor socioambiental urbano de uma comunidade e a identificação da existência de aspectos que atribuem valor em um determinado bairro habitacional pelos que nesse vivenciam.. 3.

(32) Para a confirmação da hipótese, esta pesquisa se propõe a estudar a área leste no município de Vitória composta por dois bairros habitacionais e, dessa maneira, propor recomendações projetuais para bairros habitacionais com base na percepção de valor socioambiental no âmbito do desenho urbano. Os resultados do estudo do caso de Vitória visam alcançar o objetivo principal deste trabalho que é identificar as possíveis dimensões urbanas que permitam e incentivem a permanência da vivacidade em bairros habitacionais. Para contemplar o objetivo principal, propõem-se os seguintes objetivos específicos: . Identificar as características socioculturais de moradores e/ou usuários dos bairros habitacionais em estudo, que compõem a dimensão social;. . Identificar e analisar as características da forma urbana na área habitacional composta por dois bairros em Vitória/ES, abrangendo traçado urbano, massa edificada e espaços abertos, uso da terra, densidade, conexões de transporte e infraestrutura, que compõem a dimensão da forma urbana;. . Identificar a percepção de moradores e/ou usuários quanto ao espaço urbano nos bairros habitacionais em estudo, que compõem a dimensão da percepção semântica;. . Reconhecer os atributos do valor socioambiental desejado por parte de moradores e/ou usuários de bairros e área habitacional em Vitória/ES;. . Identificar o valor socioambiental recebido por parte de moradores e/ou usuários quanto ao bairro em análise;. . Analisar e correlacionar as dimensões urbanas, nos aspectos socioculturais, da forma urbana e perceptivos em bairros habitacionais de Vitória/ES, para a identificação de quais elementos urbanos ou conjuntos de elementos urbanos atribuem valor socioambiental na escala bairro em estudo.. Ressalta-se o sentido amplo das dimensões urbanas como o conjunto de elementos urbanos e características do lugar e sua associação a aspectos multidimensionais do valor de quem usa o determinado lugar. Dessa maneira, sob a ótica da percepção de valor socioambiental, investigam-se as dimensões urbanas na qualidade dos espaços abertos urbanos. Para tal, a partir da fundamentação teórica foi desenvolvida uma 4.

(33) pesquisa exploratória de estudo de caso em área habitacional da cidade de Vitória/ES, composta por dois bairros, Jardim da Penha e Mata da Praia, cujos traçados urbanos se mantêm inalterados desde suas concepções, que os identificam, caracterizam e distinguem dos demais e parecem refletir os estilos de vida de seus moradores. No estudo de caso foram utilizados diversos instrumentos de investigação desenvolvidos com base na combinação de técnicas empregadas em estudos de percepção ambiental, assim como, foi realizada uma entrevista com o autor do projeto do bairro Mata da Praia. Os materiais e métodos estão apresentados no Capítulo 3. O estudo de caso foi realizado em duas etapas, na etapa preliminar, foi utilizada a amostragem de variação máxima, em entrevistas com 12 moradores da área em estudo, em que se verificou a eficácia dos métodos de coleta de dados em atingir os objetivos estabelecidos e foram selecionadas qualidades semânticas do espaço urbano para utilização na etapa final da pesquisa. Na etapa final, para levantamento de dados quantitativos sobre variáveis qualitativas utilizou-se o cálculo de amostragem aleatória simples como parâmetro para determinação do tamanho da amostra, em que 176 pessoas foram entrevistadas, entre moradores e não moradores da área habitacional. Como resultado do estudo de caso, tem-se uma análise e identificação dos conjuntos de elementos urbanos, compreendidos pelas dimensões urbanas, e suas correlações com a percepção de valor socioambiental por usuários de área habitacional da cidade de Vitória. A partir dos resultados obtidos no estudo de caso e da fundamentação teórica, são propostas recomendações projetuais para bairros habitacionais no âmbito do desenho urbano. Desse modo, espera-se que o conjunto de recomendações projetuais de desenho urbano voltadas para os diversos profissionais que atuam diretamente no planejamento urbano possam contribuir para bairros habitacionais com maior valor socioambiental, assim como, para a permanência e melhoria da qualidade ambiental urbana em bairros existentes ou a sua introdução em outros bairros e em novos projetos. Este trabalho está estruturado em cinco partes. No primeiro capítulo, são apresentados a relevância do desenvolvimento do tema, os objetivos da tese e como alcançar os objetivos propostos. No segundo capítulo, são apresentados os conceitos que 5.

(34) respaldam esta pesquisa, utilizados na análise do estudo de caso e na fundamentação das recomendações projetuais. Inicia-se com a abordagem sobre qualidade ambiental urbana; em sequência, são apresentadas as dimensões urbanas pelas quais o desenho urbano é analisado e finaliza-se a fundamentação teórica com os atributos de valor socioambiental urbano e estudos de elementos do desenho urbano e suas interrelações que podem contribuir para espaços urbanos de valor socioambiental. No terceiro capítulo, são apresentados a abordagem metodológica da pesquisa, os protocolos para análise dos resultados e apresenta-se a área habitacional em estudo. No quarto capítulo, são apresentados os resultados do estudo de caso, onde as dimensões urbanas são caracterizadas e correlacionadas com o valor socioambiental percebido pelos moradores da área em análise. Desenvolvem-se análises por bairro e na totalidade da área habitacional selecionada e, juntamente com base na fundamentação teórica, são propostas recomendações projetuais para bairros habitacionais com base na percepção de valor socioambiental no âmbito do desenho urbano. No quinto capítulo, apresentam-se as conclusões da pesquisa. Por fim, seguem-se as referências e os apêndices.. 6.

(35) 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA CONCEITUAL A fundamentação teórica conceitual revisa a literatura sobre os conceitos que respaldam esta pesquisa, utilizados na análise do estudo de caso e na proposição das recomendações projetuais. Inicia-se com a abordagem sobre qualidade ambiental urbana, estreitamente relacionada ao conceito de vivacidade dos ambientes urbanos e a como as pessoas percebem o ambiente em que vivem. Na sequência, o ambiente urbano é analisado em uma abordagem multidimensional, que abrange as dimensões: social, da forma urbana e perceptiva, foco de análise no estudo de caso. Por meio da percepção ambiental e dos aspectos subjetivos de julgamento de valor de cada indivíduo ou de uma comunidade que se dá a atribuição de valor ao ambiente urbano. Assim, finaliza-se a fundamentação teórica com os atributos de valor socioambiental urbano e com exemplos na literatura de elementos do desenho urbano e suas interrelações que podem contribuir para espaços urbanos de valor socioambiental. Os conceitos abordados a seguir inter-relacionam-se e, portanto, a organização do capítulo em itens não implica em sequência linear de conceitos, uma vez que são abrangentes, complexos, multidisciplinares e sistêmicos.. 7.

(36) 2. 1 QUALIDADE AMBIENTAL URBANA A qualidade dos ambientes urbanos é influenciada por uma ampla gama de aspectos que compõem suas dimensões físico-ambientais, (...) enquanto sistemas físicoespaciais e sistemas de atividades que interagem com a população por meio de vivências, percepções e ações cotidianas (...) (DEL RIO; SIEMBIEDA, 2013). A qualidade ambiental urbana está relacionada com a humanização dos espaços urbanos, ou seja, em como a cidade é vivenciada em espaços urbanos que mantêm atraentes para o uso e a vida em comunidade (COELHO, 2005). Dessa maneira, a qualidade ambiental urbana é traduzida pelo valor que as pessoas atribuem a esses espaços, que não se limita ao valor econômico, mas, sobretudo, valor social e ambiental (CARMONA et al., 2002). O primeiro grau de leitura da cidade é físico-espacial e morfológico, uma vez que permite evidenciar a diferença entre os espaços e ajuda a compreender as características de cada parte da cidade. A esse se juntam outros níveis de leitura e seus diferentes conteúdos históricos, econômicos, sociais e culturais. E dessa maneira, a forma da cidade se encontra indissociavelmente ligada a comportamentos, à apropriação e utilização do espaço e à vida comunitária dos cidadãos, sendo no pormenor da morfologia urbana que as relações humanas acontecem (COELHO, 2005; KOSTOF, 1999/2009; LAMAS, 1995/2011). A cidade encontra-se em contínua modificação e para analisar a forma urbana é necessário relacionar a um instante preciso, assim como compreender a sua evolução ao longo do tempo (REGO; MENEGUETTI, 2011). Pois haverá mudanças tanto físicas, seja por intervenções de urbanistas e/ou da comunidade, seja pelo envelhecimento natural, seja pelo restauro, reabilitação ou conservação, quanto pela maneira como aquele espaço urbano será visto e vivenciado (KOSTOF, 1999/2009; LAMAS, 1995/2011). A cidade é um palimpsesto 1 de formas, que remetem ao tecido ou trama. 1. A escassez de pergaminhos os séculos de VII a IX generalizou os palimpsestos, que se apresentavam como os pergaminhos nos quais se apresentava a escrita sucessiva de textos superpostos, mas onde a. 8.

(37) original na qual se superpõem várias camadas, mais ou menos aparentes. Ao longo do tempo e de diferentes maneiras de apropriação do espaço, as formas e funções podem mudar de maneira significativa (PESAVENTO, 2004). A gênese e o desenvolvimento da cidade podem ocorrer de forma espontânea, projetada ou a conjugação de ambas. A cidade espontânea, orgânica ou não planejada, resulta de uma sucessão de intervenções feitas ao longo do tempo, subordinadas às condições do terreno e às formas de ocupação. Assim, em um local estratégico, que propicie atividades como defesa, subsistência e economia, as intervenções humanas se dão a partir de pequenos agrupamentos, com a instalação de casas lado a lado e acompanhando a topografia do terreno. A forma resultante é irregular, não geométrica, com incidência de ruas tortuosas e espaços abertos definidos pelas características socioeconômicas culturais de ocupação. Por outro lado, Wall e Waterman (2009/2012) destacam que a implantação das cidades sempre dependeu da disponibilidade de alimentos, água, defesa, entre outros e que todas essas escolhas conscientes vão diretamente contra a ideia de um desenvolvimento não planejado. A cidade projetada, ou planejada, é geralmente desenvolvida como um todo e numa única iniciativa, não sendo somente um produto dos contextos econômicos, políticos e sociais, mas também o resultado de teorias e posições culturais e estéticas de urbanistas (GUERREIRO, 2000; KOSTOF, 1999/2009; LAMAS, 1995/2011). O espaço urbano oferece muitas leituras, através de elementos físicos e simbólicos. O desenho urbano pode ou não melhorar e promover essa compreensão espacial, além de contribuir para que os espaços sejam repletos de vida e significados (DE PAOLI, 2014). Os elementos móveis de uma cidade, em especial as pessoas e suas atividades, são tão importantes quanto as partes físicas estacionárias (LYNCH, 1960/2011). As cidades são tão configuradas pelo movimento quanto pelas edificações. A paisagem urbana se dá pela relação entre as pessoas e os espaços no contexto de um ambiente urbano em constante modificação (WALL; WATERMAN, 2009/2012).. raspagem de um não conseguia apagar todos os caracteres antigos dos precedentes, que se mostravam, por vezes, ainda visíveis, possibilitando uma recuperação (PESAVENTO, 2004).. 9.

(38) Pensamentos voltados à questão da cidade, de seu usuário e à percepção do ambiente construído por meio da vivência dos espaços, iniciaram na década de 60 do século XX, com a obra de Jane Jacobs (1961) e os estudos de Kevin Lynch (1960) e Gordon Cullen (1966). Jane Jacobs (1961), em Death and life in the great American cities, marca um novo período de apreciação da vida urbana e uma nova perspectiva para o desenho urbano (WALL; WATERMANN, 2009/2012). Na mesma direção, Kevin Lynch (1960) estuda o desenho da cidade a fim de melhorar a sua imagem visual, determinante para o bem estar social dos cidadãos. Kevin Lynch é pioneiro no envolvimento participativo dos cidadãos nas questões urbanas ao analisar a imagem mental que os habitantes têm de sua cidade. Essas imagens de grupo, consensuais a um número significativo de observadores, geram uma imagem coletiva. Sua teoria gira em torno de três qualidades urbanas que atribuem legitimidade ao espaço urbano: (a) legibilidade – a facilidade com que as partes podem ser reconhecidas e organizadas em um padrão coerente; (b) identidade, estrutura e significado – identidade é a identificação de uma área, sua diferenciação de outra, sua personalidade e individualidade; a estrutura é a relação espacial do objeto com o observador e os outros objetos; esse objeto deve ter um significado, seja ele prático ou emocional; (c) imageabilidade – probabilidade de evocar uma forte imagem em qualquer observador, destacando-se na percepção e na memória do observador (LYNCH, 1960/2011). “Nada é experimentado isoladamente, mas sempre em relação ao seu entorno, à sequência de eventos que levaram àquilo, à memória das experiências passadas”. (LYNCH, 1960/2011. p.1).. Lynch, em The image of the city (1960), apresenta cinco elementos que se destacam na composição da imagem da cidade aos olhos dos cidadãos: (a) as vias – os percursos ao longo dos quais estão arranjados os outros elementos; (b) os limites – os limites de uma área ou de uma zona conhecida para o observador, quase sempre representam uma interrupção de continuidade da imagem urbana; (c) os bairros – reconhecíveis pelas suas características comuns; (d) os pontos nodais – locais de concentração de atividades ou convergência física do tecido urbano; (e) os marcos – em geral são. 10.

(39) objetos físicos que se destacam na paisagem. Nenhum desses elementos existe isoladamente em uma situação concreta (LYNCH, 1960/2011). Gordon Cullen, em 1966, afirma a importância dos elementos urbanos em provocar emoções, valoriza as sequências espaciais e a pequena escala. Lendo a paisagem urbana na escala da rua, por meio de percursos, analisa sob três aspectos: a visão; o lugar - a percepção da posição do observador no espaço; o conteúdo - elementos morfológicos e suas características, como cores, texturas, escalas, entre outras. A pequena escala, cujo universo é a rua, é reafirmada como escala humana por excelência; o contexto da experiência humana cotidiana (ADAM, 2008; CULLEN, 1966/2008; WALL; WATERMAN, 2009/2012). Ressalta-se o pioneirismo de Christopher Alexander e outros (1977) na obra A pattern language, ao tratar da importância do ambiente urbano e as razões que o tornam bom. Por meio de um extenso e criterioso trabalho de análise e observação de lugares bem sucedidos, busca identificar padrões urbanos do ambiente físico recorrentes nesses lugares que os conferem qualidade espacial (MOEHLECKE, 2010). Christopher Alexander (1965), em oposição à simplificação da estrutura urbana, discute sobre a necessidade de complexidade nas estruturas das cidades, onde os diversos elementos devem interagir e se relacionar. Desta maneira, considera-se a ressonância da morfologia urbana sobre o comportamento humano e como a cidade é percebida pelos indivíduos que a habitam. Essa atenção ao pormenor urbano e à imagem da cidade confirma o potencial urbano para o uso e a vida coletiva (CHOAY, 1979). Coelho (2008) atribui aos espaços de transição entre a habitação e a cidade o potencial para fazer uma cidade habitada e viva e, para tal, precisam ser positivamente configurados, apoiando o habitante desde a entrada no bairro até próximo à porta do seu edifício, oferecendo coesão a todo um vocabulário arquitetônico e urbano, que vai desde. a. rua. habitacional,. passando. por. pequenas. praças. habitacionais. e. estacionamentos adequados e integrados, pelas áreas verdes e de lazer e pelos espaços mistos de circulação e animação urbana, até aos espaços fortemente públicos. Coelho (2012a) também defende que a cidade humanizada e com vivacidade é aquela 11.

(40) que acumula, numa simples rua tradicional, aspectos tão valiosos como a síntese de funções e atividades, numa escala formal e funcional que esteja a serviço do pedestre, num ambiente, ao menos, minimamente solidário e que estimule vivências coletivas. Em seus estudos, organiza dez tópicos para a humanização e vivacidade do espaço público, que abordam as questões: (I) vizinhanças de proximidade protetoras e sequências estimulantes; (II) sítios únicos, variados e níveis de privacidade; (III) desenho e morfologia urbana de pormenor; (IV) eixos urbanos regeneradores dos sistemas de convivência; (V) vizinhanças de proximidade reforçadas; (VI) clareza de ordenamento e escala humana; (VII) integração entre interior e exterior, bem pormenorizados; (VII) protagonismo do verde urbano e identidade; (IX) modelação da paisagem, integração de continuidades e contrastes; (X) espaços públicos urbanos amigáveis para crianças e idosos (COELHO, 2005). No documento The value of urban design, a Comissão de Arquitetura e do Ambiente Construído - CABE2, do Reino Unido, apresenta uma série de objetivos que atribuem qualidade ao ambiente urbano, listados a seguir, onde as palavras-chave dos conceitos apresentam-se em negrito. Os objetivos se inter-relacionam e exercem influência uns sobre os outros, potencializando-os (DETR; CABE, 2000): - Caráter e Identidade: promover e reforçar os padrões locais de desenvolvimento e cultura. Está relacionado à sensação de pertencimento. O sentimento de pertencer e ter responsabilidade pelo lugar transcende a gestão e a manutenção local, pois faz com que as pessoas sintam-se responsáveis e comprometidas com o espaço (LYNCH, 1960/2011); - Continuidade e fechamento: definir claramente as áreas públicas e privadas, também conceituado como privacidade (ZELINKA, BRENNAN, 2001); - Qualidade do espaço público, acessibilidade e permeabilidade: promover espaços públicos e percursos atraentes, seguros e organizados para todos na sociedade, incluindo as pessoas com deficiência e idosos. A permeabilidade é um dos conceitos 2. CABE, Commission for Architecture and the Built Environment. Criada em 2000 no Reino Unido com o objetivo de promover e divulgar recomendações de boas práticas, conceitos e bons exemplos para profissionais, governos locais e pessoas em geral (DETR; CABE, 2000).. 12.

(41) responsáveis pela vivacidade do ambiente construído e é representada pela capacidade que um espaço urbano tem de oferecer às pessoas escolhas de caminhos através dele para outros pontos do bairro ou da cidade (BENTLEY et al., 1985); - Mobilidade: promover a acessibilidade e a permeabilidade local, criando lugares que se conectem uns com os outros e de fácil percurso, priorizando pessoas ao tráfego, integração de usos e meios de transporte (LYNCH, 1960/2011); - Legibilidade: promover a legibilidade por meio de caminhos reconhecíveis, interseções e marcos visuais. A organização do ambiente construído pode ajudar a diminuir a sensação de medo e reforçar a sensação de tranquilidade. - Adaptabilidade ou flexibilidade: promover um desenvolvimento que possa responder às mudanças das condições sociais, tecnológicas e econômicas; - Diversidade: promover diversidade e possibilidade de escolha por meio de uma mistura de desenvolvimento e usos, de maneira a criar lugares que respondam às necessidades locais. Dessa maneira, o desenho urbano abrange o espaço urbano em sua dimensão de espaço vivencial público do cotidiano das pessoas, segundo o qual, a vivência e a qualidade de vida são prioridades. O conceito vivacidade3 deve ser compreendido de forma ampla, que acrescenta: (i) interação no espaço público, ou seja, convívio entre pessoas e entre estas e o meio; (ii) acessibilidade, que desperta o interesse a um grupo variado de pessoas; (iii) experiência agradável no espaço público; (iv) urbanidade, vinculada à dinâmica das experiências conferidas às pessoas pelo uso que fazem do ambiente urbano e à qualidade que os espaços públicos tende a oferecer a seus usuários através da capacidade de intercâmbio e de comunicação que contêm. Esses quatro parâmetros relacionam-se entre si, sobrepondo-se, por vezes (GOMES, 2011). É importante destacar que, embora o termo vivacidade possa dar ideia exclusiva de dinamismo urbano, seu conceito associa-se a diferentes gradientes de intensidade da vida social, a abundantes possibilidades de identidade (NORBERG-SCHULZ, 1975) e à diversificação da noção de qualidade de vida. Acrescenta-se que a atribuição de 3. O termo vivacidade é aderente ao termo liveability na língua inglesa.. 13.

(42) vivacidade ao ambiente urbano pode estar relacionada a diferentes atividades, necessidades e desejos (QAWASMEH, 2014). Nesse cenário, os espaços abertos públicos merecem atenção por serem locais inerentes à interação social, com grande relevância para a identidade da comunidade pelo potencial de fixação de uma imagem ambiental e para a urbanidade. Sun Alex, em Projeto da praça: convívio e exclusão no espaço público, ressalta a dimensão da cidade como espaço de convivência e a vocação das praças públicas como locais privilegiados em que se concretiza esse rito social. Assim, defende a preservação do caráter “público” dos espaços públicos e que, para tal, devem ser abertos e acessíveis a todas as pessoas, estimulando a participação, como circulação de pedestres, comodidade, integração com o entorno e articulação do espaço urbano (ALEX, 2011). Os espaços abertos públicos podem propiciar inúmeros benefícios para a melhoria da qualidade de vida, entre eles a possibilidade do acontecimento de práticas sociais, momentos de lazer, convívio social e manifestações de vida urbana e comunitária, que favorecem o desenvolvimento humano e o relacionamento entre as pessoas. Além disso, a vegetação que geralmente está presente nesses espaços favorece psicologicamente o bem-estar do homem e também pode influenciar o microclima, mediante a amenização da temperatura, o aumento da umidade relativa do ar, a absorção de poluentes e contribuir com a biodiversidade (OLIVEIRA; MASCARÓ, 2007; WALL; WATERMAN, 2009/2012). A qualidade de vida está diretamente relacionada à maneira como o indivíduo percebe o ambiente em que vive, pois representa algo mais que um nível sócio econômico e abrange todas as necessidades e satisfações de um indivíduo. Dessa maneira, estudar a qualidade de vida de uma comunidade não é somente avaliar as condições físicas do ambiente, mas também as experiências sociais e subjetivas que os indivíduos têm de sua existência em seu território habitacional (FADDA; JIRÓN, 1999; FADDA; CORTÉS, 2009). Rapoport (1978) observa que a avaliação que um indivíduo faz do ambiente, mais do que uma interpretação detalhada do mesmo, é abrangente e afetiva, fortemente 14.

(43) influenciada por imagens ideais que são de natureza subjetiva. Assim, embora a qualidade de vida e qualidade ambiental se sobreponham substancialmente, elas não são idênticas: há elementos de felicidade que vem de dentro do indivíduo. Algumas pessoas são felizes mesmo nas piores condições ambientais e outras não são nas melhores condições ambientais. Na medida em que os indivíduos definem as suas necessidades básicas de acordo com critérios diferentes, uma determinada experiência ou um mesmo objeto físico pode ser percebido de formas diferentes por diferentes indivíduos. Assim, uma casa pode ser considerada como de alta qualidade por um indivíduo, enquanto que para outro, pode ser menos ou nenhuma qualidade. Um ambiente para alguns grupos sociais pode parecer ideal, para outros pode ser apenas aceitável ou definitivamente inaceitável. Isso significa que uma determinada qualidade ambiental pode envolver imagens muito diferentes para pessoas diferentes. Apesar disso, quando as pessoas compartilham uma realidade, geralmente há algum grau de consenso sobre valores de beleza, bondade, entre outros (FADDA; JIRÓN, 1999). Levi e Anderson (1980), em La tensión psicosocial, población ambiente y calidad de vida, consideram que acima de um nível mínimo de vida que contempla as necessidades básicas fisiológicas, o fator fundamental para a qualidade de vida de um indivíduo é o ajuste e a coincidência, ou seja, a relação entre as características da situação e as expectativas, tais como o indivíduo as percebe. Dessa maneira, qualidade de vida está intimamente relacionada com as diferentes necessidades do indivíduo. Michael Benedikt (2008) apresenta seis necessidades do indivíduo que podem agregar valor à arquitetura, que são: sobrevivência, segurança, legitimidade, aprovação, confiança e liberdade, hierarquizadas em ordem de importância, onde as três primeiras são as necessidades básicas das pessoas e as seguintes são necessidades mais elevadas (Figura 1). Para Benedikt (2008), são as necessidades humanas que deveriam ser o foco da arquitetura e do desenho urbano na hora de projetar os espaços a fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Portanto, é necessário pesquisar os elementos do 15.

(44) desenho urbano e a leitura da paisagem que o indivíduo percebe que tem mais valor, para que novos espaços e intervenções no ambiente respondam às reais necessidades humanas. As necessidades de sobrevivência (abrigo, qualidade da água, do ar e alimentação) e segurança (proteção4, privacidade, conexão e orientação espacial) podem ser geradas por meio da utilização de conceitos do desenho urbano no projeto dos espaços, como por exemplo: a legibilidade, a acessibilidade e a identidade. Figura 1 - Modelo de valor com base nas necessidades humanas básicas.. Fonte: a partir de BENEDIKT (2008).. Com a sobrevivência e a segurança garantidas, pode-se buscar a legitimidade, que pode emergir também por meio de conceitos como identidade, propriedade e pertencimento. As necessidades de legitimidade e aprovação podem ser consideradas interdependentes, podendo aparecer juntas e marcando uma fronteira entre as necessidades mais básicas e as mais elevadas. A necessidade de legitimidade se mescla com a necessidade de aprovação, pois a aprovação pessoal, de comportamento e de ideias, pode garantir a legitimidade do indivíduo. Assim como, a aprovação de um espaço ou um edifício pode influenciar no comportamento dos indivíduos, no que se 4. Jacobs (1961), Newman (1972) e Coelho (2012b) sugerem que o fator segurança deve assumir um caráter defensivo, onde os próprios usuários tenham capacidade de controlar o seu ambiente, através da visualização plena de toda a área, por meio de configurações espaciais adequadas que permitam vigilância constante e natural (NEWMAN, 1972/1997; JACOBS, 1961/2011; COELHO, 2012b). Por outro lado, no contexto nacional, culturalmente existe mais confiança nos muros altos do que o pleno controle pela própria população de seu espaço (KOWALTOWSKI et al., 2006).. 16.

(45) refere ao uso e preservação. Dentre as necessidades mais elevadas estão aprovação, confiança e liberdade. A confiança está conectada também aos conceitos de identidade e propriedade, que se presentes nos espaços acabam por gerar confiança em seus usuários, por meio de um ambiente que transmita caráter e identidade. Da mesma maneira, o nível de controle sobre os espaços, por meio da legibilidade e acessibilidade, pode influenciar no comportamento dos indivíduos, no fluxo de pessoas, no uso e na vivacidade dos ambientes. A liberdade é considerada a necessidade mais elevada do ser humano, uma vez que os espaços urbanos podem inspirar e apoiar a liberdade de expressão e de percursos, tanto pelo incentivo a manifestações públicas, como assegurando privacidade e tranquilidade (BENEDIKT, 2008). A hierarquia das necessidades pode variar de indivíduo para indivíduo, segundo estimativas que cada um faz relacionadas a variáveis social, cultural, econômica e política. Logo, é possível atingir níveis mais elevados na hierarquia de Benedikt, sem o pleno atendimento aos níveis intermediários (HAMAROTO, 1994; FADDA; JIRÓN, 1999). No entanto, em um contexto, ou seja, um determinado tempo, lugar e sociedade, um consenso geralmente é considerado sobre o que se constitui qualidade de vida. Assim, as necessidades das pessoas e a realização de suas aspirações e necessidades podem ser definidas dentro de um contexto sócio cultural específico (DIN et al., 2013). Benedikt (2008) defende a aplicação de sua teoria na busca pela entrega de valor na arquitetura e aqui se pode estender para o espaço urbano. Neste sentido, os valores, constituídos pelas necessidades humanas, influenciam os espaços e o cotidiano das pessoas e, dessa maneira, o desenho urbano pode agregar valor socioambiental. Uma vez identificado o que é valorizado pelas pessoas de um local, novos espaços e intervenções no ambiente podem responder às reais necessidades humanas, contribuindo para uma maior qualidade ambiental urbana. O desejo de melhorar a qualidade de vida em um determinado lugar é um importante foco de atenção para os planejadores urbanos. Melhorar a qualidade de vida nas cidades é uma questão de satisfazer as necessidades humanas com diferentes 17.

(46) atributos urbanos, como transporte, qualidade dos espaços públicos, oportunidades de lazer, padrões de uso da terra, densidade da população e das construções e facilidade de acesso de todos à infraestrutura e bens e serviços básicos (DIN et al., 2013). Assim, as múltiplas dimensões do desenho urbano e a relações que são criadas ao se associarem a aspectos de valor de quem usa um determinado lugar podem ser instrumento para promover e incentivar lugares com maior qualidade ambiental urbana. No item 2.2 são apresentadas as dimensões urbanas para análise do ambiente urbano e no item 2.3 são abordados os aspectos de valor para a qualidade dos ambientes urbanos.. 18.

(47) 2. 2 DIMENSÕES URBANAS Os ambientes urbanos devem ser estudados em uma abordagem multidimensional, que abrange as dimensões: social; forma urbana; uso; tempo; perceptiva e estética (CARMONA et al., 2003). Na composição dos elementos morfológicos são instituídos os usos dos espaços urbanos e por meio da apropriação desses espaços, as pessoas os vivenciam, percebem e interagem, nos diversos períodos, influenciados pelas suas experiências vividas e suas características pessoais. Da mesma maneira, para analisar a qualidade do espaço urbano é necessário correlacionar diferentes dimensões (DIN et al., 2013). As características de uma comunidade, o modo que se organiza, sua composição, suas aspirações e percepções representam a dimensão social, ou seja, a relação estabelecida pela sociedade e o espaço. O espaço urbano é concebido para uma sociedade, da mesma maneira que não se pensa em uma sociedade sem um componente espacial. Assim, as pessoas criam e modificam o espaço e ao mesmo tempo são influenciadas por ele de muitas maneiras. Há uma troca mútua, onde o ambiente influencia o comportamento e as pessoas mudam e influenciam o ambiente enquanto são influenciadas por ele. Assim estabelece-se uma relação dialética na qual os aspectos sociais alteram e são alterados pelos aspectos espaciais (SOJA, 1980; ELALI, 2007). O ambiente pode sugerir, facilitar, inibir ou definir comportamentos. É evidente que o ambiente construído não estabelece que se tome uma determinada ação se isso não estiver na intenção do indivíduo (LANG, 1987; DEL RIO, 1990; DALE et al., 2008). O comportamento humano é inerentemente situacional, influenciado pelos contextos físicos, sociais, culturais e perceptivos (DEL RIO, 1990; CARMONA et al., 2003). A apropriação do espaço urbano pela comunidade forma uma linguagem local que acontece pela comunhão que as pessoas mantêm com o ambiente e com o qual se identificam. Se por um lado, o estabelecimento de uma linguagem local propicia identificação para uma comunidade, pode gerar exclusão social/cultural/econômica, e dessa maneira, o acesso à experiência urbana, manifesta-se espacialmente, sendo que. 19.

(48) cada. lugar. facilita. ou. impossibilita. que. esses. diferentes. acessos. ocorram. (MADANIPOUR, 2003). A dimensão da forma urbana consiste na configuração do ambiente físico: na relação entre as partes, relação de escalas, proporções e ritmos. Essas medidas podem, de maneira coletiva e individual, distinguir as experiências de vivência dos espaços urbanos (WALL; WATERMAN, 2009/2012), o que embasa a afirmação que as formas urbanas vão além da forma material, pois conformam e expressam as relações sociais (FREIRE, 2014). Da mesma maneira, os fenômenos sociais, culturais, econômicos, entre outros dão suporte para a compreensão da forma, uma vez que, “(...) não há teoria do espaço que não seja parte integrante de uma teoria social geral, mesmo implícita” (CASTELLS, 1983. p.158). No item 2.2.1 são abordados os elementos da forma urbana que combinados podem influenciar a forma de uso e percepção do espaço urbano, assim como direcionar para uma maior qualidade ambiental urbana. O funcionamento do ambiente urbano e o modo como as pessoas usam os espaços é fundamental para a vivacidade desses ambientes. Os espaços devem ser projetados conforme as necessidades de seus usuários, de modo a despertar interesse em uso. Elementos do desenho urbano como: uso misto, densidade, infraestrutura, entre outros, contribuem para a vivacidade do ambiente urbano. Há de se considerar o impacto do tempo sobre os espaços; quer sejam nas mudanças que acontecem em ciclos, como dia e noite e estações do ano, ou nas mudanças progressivas, como o crescimento e a decadência; considerar as potenciais mudanças, pensar como as mesmas podem ser geridas e como irão se desenvolver para antecipar seus impactos. A dimensão perceptiva aborda as sensações que se referem aos sistemas sensoriais humanos reagindo aos estímulos do ambiente e a percepção que está ligada ao complexo processo de entender ou processar esses estímulos. Enquanto as sensações podem ser iguais para todas as pessoas, a percepção vai além da questão biológica e também está associada ao meio social e cultural, variando conforme a idade, gênero, etnia, entre outros. A importância da dimensão perceptiva do desenho urbano é que ela 20.

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