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Academic year: 2021

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CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: ENGENHARIAS E ARQUITETURA

ÁREA:

SUBÁREA: ENGENHARIAS

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): MATHEUS TORELLI MARTIN

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): CRISTINA FILOMENA P. ROSA PASCHOALATTO, MARISTELA SILVA MARTINEZ

ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): HELLEN ZUCCHERATTO CAMERRO, MARCELO JOSÉ DE PADUA, MATEUS ANCHESCHI ROVEDA GUIMARÃES

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1. RESUMO

Neste trabalho foi investigada a aplicação do Processo Oxidativo avançado (POA) Fenton no pós-tratamento do efluente de uma empresa acabadora de couro (Arte Final Indústria e Comércio de Couro LTDA), a fim de viabilizar o reciclo e/ou reuso da água tratada.

O efluente recebido foi caracterizado segundo os parâmetros analíticos COT (Carbono Orgânico Total); série de sólidos; DBO; DQO; turbidez, cor, pH e Cromo. Foi aplicado o POA Fenton com a adição de sulfato ferroso e H2O2 na proporção de 1:3. A dosagem de peróxido de hidrogênio foi definida em função da concentração de carbono orgânico total presente no efluente bruto (1:1). Os resultados obtidos mostraram uma redução de 95,4% do Cr, 62% do COT, 71,2% do DQO e 72,5% da DBO, indicando a eficiência do processo Fenton no tratamento deste efluente e a possibilidade do reuso da água tratada após decantação e filtração.

2. INTRODUÇÃO

As indústrias em sua grande maioria, devido às legislações vigentes, possuem seus tratamentos de efluentes em operação a fim de atender os parâmetros dos padrões de lançamentos nos corpos de água. Estes tratamentos, chamados convencionais, são compostos pelas fases preliminar, primárias e secundárias. Todavia, tendo em vista a necessidade de as indústrias procederem ao reciclo e/ou reuso dos seus efluentes tratados faz-se surgir estudos quanto a substituição dos seus tradicionais métodos de tratamentos por técnicas mais avançadas disponíveis no mercado, a exemplo dos processos oxidativos avançados (POA). Os POA têm sido estudados devido ao seu potencial como alternativa ou complemento aos processos convencionais de tratamento de efluentes, sendo amplamente utilizados na degradação de compostos orgânicos, medicamentos e tratamento de águas residuais.

Nos vários tipos de POA se utilizam fortes agentes oxidantes (O

3, H2O2) e/ ou catalisadores (Fe, Mn, TiO2) na presença ou ausência de uma fonte de radiação ultravioleta. O mecanismo de destruição das moléculas orgânicas pelos POA é baseado na formação de um poderoso e não seletivo oxidante, o radical hidroxila (●OH), que com um potencial de oxidação de 2,80 V, pode oxidar uma grande variedade de compostos orgânicos.

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Uma das indústrias mais tradicionais trata-se do setor curtumeiro. A arte de transformar o couro em peças e artefatos é uma atividade milenar. Com o passar dos anos esta indústria, em atendimento as novas tendências do mercado, vem aperfeiçoando os seus processos produtivos, produzindo variedades de cores e formas de couro. Para tanto, além da grande quantidade de produtos químicos que se consome, utiliza-se ainda, alta escala de corantes, em seus processos. Por este motivo o efluente destas indústrias, principalmente, das chamadas acabadoras de couro possui alto teores de cor, DQO (demanda química de oxigênio), bem como surfactantes. A remoção destes componentes químicos do efluente tratado para sua reutilização trata-se de grande desafio.

Dentro desse contexto, nesse trabalho foi avaliada a aplicação do processo Fenton na degradação do efluente disponível após o tratamento preliminar físico-químico da empresa Arte Final Indústria e Comércio de Couro LTDA, da cidade de São Sebastião do Paraíso, MG.

3. OBJETIVO

O objetivo geral deste trabalho foi avaliar a aplicação do POA Fenton no pós- tratamento físico-químico de um efluente de uma acabadora de couro para viabilizar o reciclo ou reuso dentro da empresa.

4. METODOLOGIA

Preliminarmente foram realizadas análises químicas para caracterização do efluente após o tratamento preliminar físico-químico existente na empresa. Foram controlados os seguintes parâmetros: COT (Carbono Orgânico Total); DBO; DQO; turbidez, cor, pH, ferro e cromo. Todos os reagentes utilizados foram de grau analítico e as análises foram realizadas segundo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 20ª edição. Após caracterização foi aplicado o POA e em seguida novamente realizadas as análises para controle. Os experimentos foram realizados em triplicata.

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5. DESENVOLVIMENTO

Para aplicação do processo Fenton foram utilizados 8 litros do efluente previamente caracterizado em um misturador mecânico com 06 pás planas e um reservatório com capacidade para 14 litros. A concentração de peróxido de hidrogênio (H

2O2) foi calculada de acordo com o COT determinado em equipamento de TOC Shimatzu pelo método NPOC. A dosagem de H

2O2 foi de (1:1) no que concerne ao carbono total e a concentração de sulfato ferroso correspondeu a 1/3 da concentração de peróxido de hidrogênio. O sistema foi mantido sob agitação com a utilização do agitador mecânico por período de 60 minutos. Em seguida, monitorando-se in situ com potenciostato digital e eletrodo combinado previamente calibrado com soluções tampão pH 4 e pH 7, a correção do pH com adição de solução de NaOH 4 mol.L-1 até valor entre 8 e 9 e, após a decantação por 2 horas, o efluente foi filtrado em filtro de areia tipo 1.

Para a filtração, foi construído um filtro de areia tipo 1 (Figura 1), a qual é composta granulometricamente por 90% de grãos de 0,42 – 0,60m e 10% de 0,30 – 0,42m , a priori peneirou-se a areia utilizando-se de peneiras específicas a essas frações desejadas, após a composição, colocou-se cascalho até uma altura de 5 cm em um tubo de acrílico de 10 cm de diâmetro interno e acresceu-se 10 cm, em altura, da areia previamente composta.

Calculou-se por um ensaio com traçador utilizando solução 10% de NaCl e um condutivímetro modelo Marconi PA200 o tempo de retenção do filtro de areia para, determinar o momento de se iniciar a coleta do filtrado. Os cálculos do filtro foram feitos para uma vazão de saída de 34 L.h-1, logo, o tratado foi bombeado com a mesma vazão por uma bomba peristáltica para que o regime durante a filtração fosse permanente. Passado o tempo de retenção de aproximadamente 7 minutos, determinado pela curva construída no Excel (Figura 2), o efluente foi coletado.

Em seguida as soluções foram submetidas às novas análises químicas utilizando-se os parâmetros já mencionados.

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6. RESULTADOS

A Figuras 1 representa o filtro de areia tipo 1 construído em tubo de acrílico de 10 cm de diâmetro interno.

Figura 1 – Filtro de areia tipo 1 construído para filtração do efluente tratado. (A) vista de perfil, (B) vista aproximada.

A Figura 2 mostra a curva construída pelo Excel da condutividade do filtrado no decorrer do tempo para cálculo do tempo de detenção do filtro de areia construído.

Figura 2 – Gráfico da curva de retenção do fluido no filtro de areia

0,0000 2,0000 4,0000 6,0000 8,0000 10,0000 12,0000 14,0000 16,0000 0 200 400 600 800 C o n d u ti v id a d e (m S. c m ^ -1) Tempo (s)

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Analisando-se o gráfico apresentado na Figura 2 determina-se que o tempo de detenção hidráulica do filtro de areia é de 7 minutos.

A Tabela 1 mostra os resultados da caracterização de três amostras de efluente.

Tabela 1 - Caracterização do Efluente recebido após tratamento Físico-Químico realizado na empresa Arte Final

Parâmetro Unidade Amostra1 Amostra 2 Amostra 3

pH 8,30 10,01 6,60 Cor UH 578 223 550 Turbidez UT 71,40 3,33 39,20 Cr mg/L 6,130 0,220 1,225 Fe mg/L 0,170 0,210 0,590 DBO mg/L 481 745 667 DQO mg/L 877 1350 1298 DBO/DQO mg/L 0,548 0,551 0,513 COT mg/L 464 626 679

Observa-se que os resultados apresentam algumas variações. Esse fato é explicado pela sazonalidade da produção, com alteração de cores e tipos de acabamento do couro produzido. O efluente tem uma característica de ser cerca de 50% orgânico e 50% inorgânico (DBO/DQO ~ 0,5). Nos ensaios com POA foi aplicada a dosagem de H2O2 equivalente à concentração de COT obtida em cada caso.

A Tabela 2 apresenta os resultados dos parâmetros após a aplicação do Fenton por 60 minutos.

Tabela 2 - Resultados dos parâmetros obtidos após aplicação do POA Fenton por 60 minutos

Parâmetro Unidade Amostra1 Amostra 2 Amostra 3

pH 7,68 8,64 8,54 Cor UH 32 14 133 Turbidez UT 6,55 0,86 9,99 Cr mg/L 0,270 0,000 0,075 Fe mg/L 0,350 0,490 2,225 DBO mg/L 99 149 273 DQO mg/L 296 242 477 DBO/DQO mg/L 0,334 0,616 0,572 COT mg/L 157 175 256

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Com os resultados obtidos foi verificada uma remoção de DQO, DBO e COT significativas como observado na Figura 3.

Figura 3 - Dados das concentrações de demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO) e carbono orgânico total (COT) em mg/L no efluente bruto e após

aplicação do POA Fenton.

As Figuras 4 e 5, vistas frontal e superior, respectivamente, são comparativos do efluente bruto, pós-tratamento físico-químico e, do efluente tratado pós POA Fenton. Como se pode perceber, há evidente remoção de cor e turbidez no efluente tratado. 0 200 400 600 800 1000 1200 DBO DQO COT m g.L -1 Efluente pós POA Efluente Bruto

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Figura 4 – Comparativo do efluente bruto e pós POA Fenton, à esquerda o efluente bruto, e à direita o efluente já tratado por processo Fenton.

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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos mostraram uma redução de 95,4% do Cr, 62% do COT, 71,2% do DQO e 72,5% da DBO, indicando a eficiência do processo Fenton associado a filtração em areia no tratamento deste efluente e a possibilidade do reuso da água tratada após decantação e filtração.

8. FONTES CONSULTADAS

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Paschoal, F. M. M.; Anderson, M. A.; Zanoni, M. V. B.; J. Braz. Chem. Soc. 2008, 19, 803.

Beati, A. A. G. F.; Rocha, R. S.; Oliveira, J. G.; Lanza, M. R. V.; Quim. Nova 2009, 32, 125.

Rocha, R. S.; Beati, A. A. G. F.; Oliveira, J. G.; Lanza, M. R. V.; Quim. Nova 2009, 32, 354.

Salgado, B. C. B.; Nogueira, M. I. C.; Rodrigues, K. A.; Sampaio, G. M. M. S.; Buarque, H. L. B.; Araújo, R. S.; Eng. Sanit. Ambient. 2009, 14, 1.

Lucas, M.; Jeremias, P. F. P. T.; Andreaus, J.; Barcellos, I. O.; Peralta-Zamora, P.; Quim. Nova 2008, 31, 1362.

BASTIAN, E. Y. O. et al. Guia técnico ambiental da indústria têxtil. São Paulo: CETESB: SINDITÊXTIL, 2009.

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BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. 2. Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

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HOINACKI, E. Peles e Couros: Origens, defeitos, industrialização. Porto Alegre, (CFP de Artes Gráficas “Henrique d’Ávila Bertaso”), 1989.

MARTIS, L. M. Estudo da Aplicação do Processos Oxidativos Avançados no Tratamento de Efluentes Têxteis Visando o seu Reuso. Dissertação apresentada ao Programa Regional de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí. Teresina, PI, 2011.

MONTANHEIRO, A. A. Estudo da Viabilidade para o reuso de efluente de Estação de Tratamento de Efluente Industrial do Processo de Rerrenino de Óleos Lubrificantes Usados. Dissertação apresentada ao Centro de Ciências Exatas, Naturais e Tecnológicas da Universidade de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto, SP, 2006.

SACAMOTO, P. H. Avaliação dos Processos Fenton e Fotofenton Aplicado no Tratamento de um Efluente Sintético Contendo o Antibiótico Amoxicilina. Dissertação apresentada como requisito para o título de mestre pelo programa de Mestrado Profissionalizante em Tecnologia Ambiental do Centro de Ciências Exatas, Naturais e Tecnologias da Universidade de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto, 2014.

Referências

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