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Academic year: 2021

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TÍTULO: ANÁLISE LONGITUDINAL DO HABITO ALIMENTAR DO HOLLANDICHTHYS MULTIFASCIATUS (EIGENMANN & NORRIS, 1900) EM UM RIACHO DE UMA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO.

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: ECOLOGIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): VICTORIA PINHEIRO GONÇALVES DA SILVA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): JAMILE QUEIROZ DE SOUSA, JOÃO ALBERTO PASCHOA DOS SANTOS ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): BRUNO ABREU SANTOS COLABORADOR(ES):

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Resumo

Neste trabalho foi descrito o hábito alimentar do caracídeo

Hollandichthys multifasciatus no período de um ano, de julho/2012 a

julho/2013, no rio Iporanga na Unidade de Conservação Serra do Guararu, Guarujá, SP. Os exemplares foram coletados trimestralmente em seis pontos amostrais no eixo longitudinal do rio Iporanga com o auxílio da pesca elétrica. Após a biometria, foram realizadas a pesagem dos estômagos cheios e vazios e a análise dos 369 estômagos. Para a análise de dados foi utilizado o Índice Alimentar (IAi), a Frequência de Ocorrência (%FO) e o Grau de Repleção médio (GRm). O item que obteve mais frequência foi Formicidae com 35,7% de ocorrência, seguido de Coleoptera (14,9), outros inseto terrestre (9,3%), Orthoptera (9,3%), fragmento vegetal (9%), entre outros (21,5%). Não houve variação sazonal na dieta, embora espacialmente apresentou-se uma variação na preferência alimentar do caracídeo no local 3 por Araneae e no local 5 por Coleoptera. A população de Hollandichthys multifasciatus estudada

demonstrou ter um hábito alimentar insetívoro terrestre com o item Formicidae (65,8%) sendo o mais importante, recebendo uma significante porção de material alóctone.

Introdução

A Unidade de Conservação Serra do Guararu foi criada em 2012 com o objetivo de preservar o ecossistema da região que apresenta uma grande biodiversidade e um alto grau de endemismo, além de estar inserida em uma Área de Proteção Ambiental (ISSA, 2012). É uma das poucas áreas de ecossistema associado à Mata Atlântica em bom estado de conservação no litoral paulista (Guarujá, 2012). Dentro da APA ocorre varias nascentes que alimentam o rio Iporanga, que é um dos principais rios que ocorrem na região, cortando a Serra do Guararu ao meio (ISSA, 2012).

Hollandichthys multifasciatus (Eigenmann & Norris, 1900) é um

caracídeo conhecido como lambari-listrado, pois apresenta listras pretas ao longo do corpo (Marceniuk & Hilsdorf, 2010). Vive associado à vegetação ripária da Mata Atlântica em riachos ou poças laterais de rios costeiros e tem sua distribuição do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, além da porção superior

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do rio Tietê (Menezes et al,. 2007). Oyakawa et al. (2006) e Abilhoa et al. (2009) classificam H. multifasciatus como uma espécie onívora, embora Marceniuk & Hilsdorf (2010) a consideram insetívora.

É de fundamental importância conhecer as espécies existentes em áreas endêmicas e de proteção, para poder contribuir para uma melhor conservação da diversidade local (ISSA, 2012). E através do estudo da alimentação é possível entender a organização trófica de uma comunidade de peixes e sua interação com o meio (Esteves & Aranha, 1999).

Objetivos

O objetivo desse trabalho é descrever o hábito alimentar do lambari-listrado Hollandichthys multifasciatus longitudinalmente no rio Iporanga, analisando sua dieta ao longo de um ano.

Metodologia

A APA Serra do Guararu, Guarujá, SP, está localizada dentro de uma Unidade de Conservação considerada uma região com uma grande biodiversidade e alto grau de endemismo, além de conter importantes nascentes, como o rio Iporanga.

Figura 1 – Mapa da Serra do Guararu, Guarujá, SP. Os pontos em vermelho mostram os seis locais de coleta.

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Desenvolvimento

Os exemplares foram coletados sazonalmente durante o período de um ano (julho/2012 a julho/2013), com o auxílio do aparato elétrico SAMUS 725M (650 w, 12 v, 45 Hz), com saída para dois puçás, de acordo com a proposta de Penczak (1981). Foram amostrados seis locais de coleta, como indicado na Figura 1, em cada local foram feitas três remoções sucessivas isolando trechos de 50 m, segundo a metodologia proposta por Mazzoni et al. (2000).

Após a captura, os peixes foram fixados em formol 10%, ainda em campo, e após dois dias, em laboratório, foram passados para o álcool. Após a biometria, foram realizadas a sexagem, a pesagem dos estômagos cheios e vazios e as análises do conteúdo estomacal com o auxilio do estereomicroscópio. E também foi estimado o Grau de Repleção médio (GRm), de acordo com Gomes & Verani (2003), em que utiliza uma escala de 0 a 3, 0=vazio, 1=parcialmente vazio, 2=parcialmente cheio e 3=cheio, para determinar o volume do conteúdo alimentar no estômago.

Para a análise de dados foi utilizado a Frequência de Ocorrência (%FO), para calcular a frequência em porcentagem do numero de estômagos em que um item alimentar ocorre, e o Índice Alimentar (IAi), para calcular a importância de cada item ingerido (Kawakami & Vazzoler, 1980).

Resultados

Um total de 369 exemplares de Hollandichthys multifasciatus foi coletado no rio Iporanga, durante um ano de campanha em seis locais amostrais (Tabela 1). O peixe de maior comprimento total (CT), medindo 123,1 mm, é o mesmo peixe de maior comprimento padrão (CP), 102,41 mm, coletado no local 1 no inverno. E peixe de menor comprimento total, medindo 13,86 mm, é o mesmo peixe de menor comprimento padrão, 12,62 mm, coletado no local 1 na primavera. A espécime que apresentou o maior peso foi coletado no local 2 no inverno, pesando 25,42 g, e o de peso menor foi coletado no local 2 no inverno, pesando 0,01 g.

Tabela 1 – Número de Hollandichthys multifasciatus

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Estação 1 2 3 4 5 6 Exemplares por estação Inverno 39 21 0 17 0 6 83 Primavera 37 16 0 16 2 0 71 Verão 33 37 0 5 0 31 106 Outono 40 39 3 12 6 9 109 Total 149 113 3 50 8 46 369

De acordo com o Grau de Repleção médio, os estômagos que se mostraram parcialmente vazios (1) ocorreram em maior frenquência em todas as estações (221), 67 apresentaram o estômago parcialmente cheio (2), 46 apresentaram o estômago vazio (0) e 34 apresentaram o estômago cheio (3) (Figura 2).

Figura 2 – Grau de Repleção médio (GRm) dos estômagos em porcentagem. O Verão foi o período que mais obeteve estômagos vazios e cheios (Tabela 2), isso se explica pelo fato do local 6 ser a foz e o local 1 a nascente do rio Iporanga. Vannote et al. (1980), explicam que a nascente de um rio é estreita em comparação a foz do mesmo, aumentando gradualmente a largura através do curso d’água. A estrutura física do rio junto com seu ciclo hidrológico resultam em uma carga de matéria orgânica, que é transportada e armazenada ao longo do rio podendo ser utilizada como alimento pela comunidade de peixes. Apesar de ser estação chuvosa (Verão) os peixes capturados no local 6 apresentaram estômagos vazios devido a falta de uma carga de material

13% 59% 19% 9% GRm Vazio Parcialmente Vazio Parcialmente Cheio Cheio

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alóctone no rio e os peixes no local 1 encontravam-se com estômagos cheios por terem uma carga de material alóctone vinda, possivelmente, das chuvas (Figura 3).

Tabela 2 – Estômagos classificados em relação ao Grau de Repleção médio (GRm).

GRm 0 1 2 3 Inverno 11 51 15 2 Primavera 5 40 14 6 Verão 18 58 11 18 Outono 12 62 27 8 TOTAL 46 211 67 34

Figura 3 – Quantidade de estômagos vazios (0) e cheios (3) no período do Verão.

Foram identificados 26 itens alimentares, como insetos aquáticos (Díptera, Odonata, ninfa de Odonata), insetos terrestres (Formicidae, Araneae, Coleoptera, Orthoptera, Heteroptera, Hemiptera, Hymenoptera, Plecoptera), plantas (fragmento vegetal, semente), sedimento, Macrobrachium, Phalloceros

reisi, Oligochaeta, Gastropoda, Chiliopoda e Nematoda. O item mais

consumido foi Formicidae com 35% (Figura 4A), acompanhado de Coleoptera (14,9%), outros insetos terrestres (9,3%), Orthoptera (9,3%), fragmento vegetal (9%), entre outros (21,5%). Os valores calculados no Índice Alimentar (Figura

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20

Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 4 Ponto 5 Ponto 6

N º d e e s m a g o s Verão 0 3

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4B) da espécie constitui de Formicidae com 65,8%, seguido de Coleoptera (17%), Orthoptera (7,1%), fragmento vegetal (2,9%), insetos terrestres (2,7%), entre outros (4,2%). O hábito alimentar do Hollandichthys multifasciatus demonstrou-se insetívoro terrestre.

Figura 4 – Frequência de Ocorrência (A) e Índice Alimentar (B) dos estômagos analisados.

Ao longo do ano, Formicidae foi o item alimentar de maior importância na alimentação do lambari-listrado Hollandichthys multifasciatus (Figura 5). O Índice Alimentar apontou Formicidae como o item mais importante nos locais 1, 2, 4 e 6 (Figura 6). O local 3 teve Araneae como princiapal item alimentar e o local 5 teve Coleoptera como principal alimento.

0 5 10 15 20 25 30 35 40 %F O

A

0 10 20 30 40 50 60 70 IA i

B

0 5 10 15 20 25 30 35 40 IA i Inverno 0 10 20 30 40 50 IA i Primavera

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Figura 5 – Índice Alimentar (IAi) de cada estação do ano (Inverno, primavera, verão e outono). 0 20 40 60 80 100 IA i Verão 0 10 20 30 40 50 60 IA i Outono 0 20 40 60 80 IA i Local 1 0 20 40 60 80 IA i Local 2 0 20 40 60 80 100

Araneae Formicidae Hemiptera

IA i Local 3 0 10 20 30 40 50 IA i Local 4

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Figura 6 – Índice Alimentar (IAi) por pontos.

Considerações Finais

Conclui-se que a população de Hollandichthys multifasciatus estudada nesse trabalho apresentou uma dieta alimentar insetívora terrestre com predominância em Formicidae. A alimentação dessa população de lambari-listrado foi específica em releção a outras populações anteriormente estudadas (Oyakawa et al., 1006; Abilhoa et al., 2008).

A grande quantidade de insetos na dieta dessa população pode ser compreendida pela disponibilidade de recurso ao longo do gradiente longitudinal do rio Iporanga, o qual recebe uma porção de material alóctone significante ao longo de todo o ano.

Como demonstrado pelo Grau de Repleção médio, a maior quantidade de peixes com estômagos vazios foi principalmente no local mais a montante do rio (local 6) e a maior quantidade de peixes com estômagos cheios foi no local mais a jusante (local 1).

Fontes Consultadas

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ESTEVES, K. E. & ARANHA, J. M. R. Ecologia trófica de peixes de riachos.

Ecologia de peixes de riachos, v. 6, 1999. 0 10 20 30 40 50 60 IA i Local 5 0 20 40 60 80 IA i Local 6

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ISSA. DECRETO n° 9.948/2012 – Cria a APA Serra do Guararu. Prefeitura Municipal do Guarujá. 2012.

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OYAKAWA, O. T., AKAMA, A., MAUTARI, K. C., NOLASCO, J. C. Peixes de

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Referências

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