MURILO MONTEIRO CINEL
APLICAC
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AO DE TRANSFORMADA WAVELET E AN ´
ALISE
DE COMPONENTES PRINCIPAIS ROBUSTA EM SINAIS
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AO DE FALHAS DE CURTO
CIRCUITO DE ESTATOR
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AO
CORN´ELIO PROC ´OPIO
MURILO MONTEIRO CINEL
APLICAC
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AO DE TRANSFORMADA WAVELET E AN ´
ALISE
DE COMPONENTES PRINCIPAIS ROBUSTA EM SINAIS
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USTICOS PARA DETECC
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AO DE FALHAS DE CURTO
CIRCUITO DE ESTATOR
DISSERTAC¸ ˜AO apresentada ao Programa de P´os-gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica da Uni-versidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a como re-quisito parcial para obten¸c˜ao do grau de “Mestre em Engenharia El´etrica” – ´Area de Concentra¸c˜ao: Controle E Automa¸c˜ao De Sistemas.
Orientador: Prof. Dr. Paulo Rog´erio Scalas-sara
CORN´ELIO PROC ´OPIO
Aplicação de transformada wavelet e análise de componentes principais robusta em sinais acústicos para detecção de falhas de curto circuito de estator / Murilo Monteiro Cinel. – 2020.
55 f. : il. color. ; 31 cm.
Orientador: Paulo Rogério Scalassara.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. Cornélio Procópio, 2020.
Bibliografia: p. 50-55.
1. Processamento de sinais. 2. Motores elétricos de indução.3. Localização de falhas (Engenharia). 4. Engenharia Elétrica – Dissertações. I. Scalassara, Paulo Rogério, orient. II. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. III. Título.
CDD (22. ed.) 621.3
Biblioteca da UTFPR - Câmpus Cornélio Procópio
Bibliotecário/Documentalista responsável: Romeu Righetti de Araujo – CRB-9/1676
Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus Cornélio Procópio
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica
TERMO DE APROVAÇÃO Título da Dissertação Nº 064:
“
Aplicação de Transformada Wavelet e Análise de
Componentes Principais Robusta em Sinais Acústicos para
Detecção de Falhas de Curto Circuito de Estator
”.
por
Murilo Monteiro Cinel
Orientador: Prof. Dr. Paulo Rogério Scalassara Co-orientador:
Esta dissertação foi apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de MESTRE EM ENGENHARIA ELÉTRICA – Área de Concentração: Sistemas Eletrônicos Industriais, pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica – PPGEE – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Câmpus Cornélio Procópio, às 13h30 do dia 04 de junho de 2020. O trabalho foi ___________ pela Banca Examinadora, composta pelos professores:
__________________________________ Prof. Dr. Paulo Rogério Scalassara
Presidente
__________________________________ Prof. Dr. Alessandro Goedtel
UTFPR-CP
_________________________________ Prof. Dr. Wagner Endo
UTFPR-CP
_________________________________ Prof. Dr. Bruno Augusto Angélico
USP
Visto da coordenação: __________________________________
Prof. Dr. Leonardo Poltronieri Sampaio
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica UTFPR Câmpus Cornélio Procópio
A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Programa.
Av. Alberto Carazzai, 1640 - 86.300-000- Cornélio Procópio – PR.
AGRADECIMENTOS
Agrade¸co a Deus por estar sempre ao meu lado, me guiando, aben¸coando e ilu-minando meus caminhos.
Aos meus pais Luiz Cinel e Rose Cinel por todo o apoio, incentivo, esfor¸co, carinho e amor. A minha irm˜a Mayara, por estar sempre torcendo por mim, incentivando e me fazendo crescer a cada dia. Amo vocˆes!
Aos meus av´os Mauro e Nina (em memoria), Domingos e Erotildes, e minha madrinha Judite, que sempre cuidaram de mim e contribu´ıram para formar a pessoa que sou.
Um agradecimento mais que especial a minha noiva Bruna, que esteve presente em todos os momentos de minha vida acadˆemica, me incentivando, inspirando e dando muito suporte. Obrigado pela parceria e pelo amor em nossa rela¸c˜ao.
Ao meu orientador e amigo, Prof. Paulo Scalassara, pelos in´umeros conselhos sobre a condu¸c˜ao deste trabalho, pelos ensinamentos profissionais e pessoais. Pela de-dica¸c˜ao de tantos anos como meu orientador e principalmente pelo incentivo em minha qualifica¸c˜ao pessoal. Obrigado!
Agrade¸co `a banca, professores Alessandro Goedtel, Bruno Ang´elico e Wagner Endo, por aceitarem participar desta avalia¸c˜ao e contribu´ırem com este trabalho. A todos professores da UTFPR-CP com os quais tive a oportunidade de crescer e pelos quais tenho profunda admira¸c˜ao. De uma maneira carinhosa ao grande professor F´abio Durand (em mem´oria).
Aos meus grandes amigos e professores Herman e Murillo, que n˜ao mediram esfor¸cos para contribuir com este trabalho e sempre se colocaram `a disposi¸c˜ao para auxiliar em todos os momentos. Muito obrigado pelo apoio e incentivo!
A todos os membros do CIPECA, em especial ao Laborat´orio de Processamento de Sinais e Aplica¸c˜oes (LPSA). E a todos meus amigos, alunos, professores e funcion´arios que fizeram parte de minha trajet´oria acadˆemica.
Ao Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica da Universidade Tec-nol´ogica Federal do Paran´a, Corn´elio Proc´opio, pela oportunidade a mim concedida.
RESUMO
CINEL, Murilo Monteiro. APLICAC¸ ˜AO DE TRANSFORMADA WAVELET E AN ´ALISE DE COMPONENTES PRINCIPAIS ROBUSTA EM SINAIS AC ´USTICOS PARA DE-TECC¸ ˜AO DE FALHAS DE CURTO CIRCUITO DE ESTATOR. 55 f. DISSERTAC¸ ˜AO – Programa de P´os-gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. Corn´elio Proc´opio, 2020.
T´ecnicas de processamento de sinais aplicadas no reconhecimento de padr˜oes e diagn´ostico de falhas colaboram para evitar a manuten¸c˜ao n˜ao planejada e parada no processo pro-dutivo. Os motores de indu¸c˜ao trif´asicos s˜ao amplamente utilizados e expostos a diversas situa¸c˜oes operacionais indesej´aveis que podem ocasionar falhas. Para evitar paradas n˜ao planejadas na ind´ustria, diversas t´ecnicas de previs˜ao e monitoramento de falhas foram criadas. Este trabalho prop˜oe uma metodologia de processamento digital de sinais apli-cada em dados de emiss˜ao ac´ustica do funcionamento de um motor capaz de classificar falhas de curto-circuito no estator. O m´etodo ´e baseado na aplica¸c˜ao do algoritmo de an´alise da componente principal robusta em sinais de ´audio. Para possibilitar esta a¸c˜ao, o sinal ´e decomposto pela transformada wavelet a fim de obter caracter´ısticas de diferentes faixas de frequˆencia dos sinais e ent˜ao obtˆem-se os atributos que representam o sinal em an´alise. Para valida¸c˜ao do estudo prop˜oe-se a classifica¸c˜ao das falhas de estator utilizando a t´ecnica de m´aquinas de vetores de suporte, com a qual se atingiu mais de 99% de acerto.
Palavras-chave: Processamento de sinais, Motor de indu¸c˜ao trif´asico, Identifica¸c˜ao de Falhas, Emiss˜ao Ac´ustica, SVM, RPCA, Transformada Wavelet.
CINEL, Murilo Monteiro. APPLICATION OF TRANSFORMAD WAVELET AND RO-BUST PRINCIPAL COMPONENT ANALYSIS IN ACOUSTIC SIGNALS TO FOR DETECTION OF STATOR CIRCUIT FAILURES. 55 f. DISSERTAC¸ ˜AO – Programa de P´os-gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica, Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a. Corn´elio Proc´opio, 2020.
Signal processing techniques applied to pattern recognition and fault diagnosis collaborate to avoid unplanned maintenance in the production process. Three-phase induction motors are widely used and exposed to various undesirable operational situations that can cause failures. In order to avoid unplanned downtime, several failure detection and monitoring techniques were created. This work proposes a methodology for digital signal processing applied to acoustic emission signals from the operation of a motor capable of classifying stator short-circuit failures. The method is based on the application of the robust principal component analysis algorithm in audio signals. The signal is decomposed by the wavelet transform in order to obtain characteristics of different frequency ranges. Then calculates the attributes that represent the signal under analysis. For validation of the study, the classification of stator failures is proposed using a support vector machine that reached more than 99 % of correct calassifications.
Keywords: Signals processing, Three-Phase Induction Motor, Fault Identification, Acous-tic Emission, SVM, RPCA, Wavelet Transform.
LISTA DE FIGURAS
–
FIGURA 1 Condi¸c˜oes de falhas no estator de MIT. . . 18 –
FIGURA 2 Diagrama de blocos de um banco de filtros de M faixas. . . 21 –
FIGURA 3 T´ecnica da an´alise de multiresolu¸c˜ao. . . 22 –
FIGURA 4 Decomposi¸c˜oes hier´arquicas em oito faixas uniformes. . . 23 –
FIGURA 5 Wavelet do tipo Daubechies. . . 24 –
FIGURA 6 Experimento de coleta de dados com o MIT, gerador DC e os dois microfones utilizados. O computador e a interface de ´audio foram omi-tidas. . . 30 –
FIGURA 7 Fluxograma da metodologia proposta dividido em trˆes etapas de execu¸c˜ao: (i) pr´e-processamento de ´audio; (ii) extra¸c˜ao das carac-ter´ısticas e (iii) classifica¸c˜ao da falha. . . 32 –
FIGURA 8 Arvore de decomposi¸c˜´ ao wavelet em seis n´ıveis. . . 33 –
FIGURA 9 Espectro de uma sinal saud´avel e com curto-circuito no estator em escalas de 3 kHz (coluna da esquerda) e em corte espec´ıfico de 1 a 2 kHz (coluna da direita). . . 36 –
FIGURA 10 Sinal de ´audio do MIT saud´avel com conjugado de torque de 0,5 Nm. . . 37 –
FIGURA 11 Componentes (6,0) e (6,1) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel. . . 38 –
FIGURA 12 Componentes (6,2) e (6,3) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel. . . 38 –
FIGURA 13 Componentes (6,4) e (6,5) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel. . . 39 –
FIGURA 14 Componentes (6,32) e (6,33) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel. . . 39 –
FIGURA 15 Representa¸c˜ao do impacto do λ na classifica¸c˜ao de L e S. Imagens referente aos dados da ´ultima itera¸c˜ao do algoritmo. . . 40 –
FIGURA 16 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 42 –
FIGURA 17 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 43 –
FIGURA 18 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas f65 a f72. 43
–
FIGURA 19 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 44 –
FIGURA 20 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 45 –
FIGURA 21 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 45 –
FIGURA 22 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 46 –
FIGURA 23 Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja). . 47
LISTA DE TABELAS
–
TABELA 1 Banco de dados com amostras saud´aveis e com falhas de estator de MIT . . . 31 –
PDS Processamento Digital de Sinais MIT Motor de Indu¸c˜ao Trif´asico IA Inteligˆencia Artificial
SVM M´aquinas de Vetores de Suporte (do inglˆes, Support Vector Machine) ML Aprendizagem de M´aquinas (do inglˆes Machine Learning)
FFT Transformada R´apida de Fourier (do inglˆes, Fast Fourier Trasnform) DTW Transformada Wavelet Discreta (do inglˆes, Discrete Wavelet Transform) TW Transformada Wavelet (do inglˆes, Wavelet Transform)
RPCA An´alise de Componentes Principais Robusta (do inglˆes, Robust Principal Com-ponent Analysis)
PCA An´alise de Componentes Principais (do inglˆes, Principal Component Analysis) PCP Principal Component Pursuit
LPSA Laborat´orio de Processamento de Sinais e Aplica¸c˜oes LSI Laborat´orio de Sistemas Inteligentes
SUM ´ARIO 1 INTRODUC¸ ˜AO . . . 12 1.1 OBJETIVO . . . 15 1.1.1 Objetivos Espec´ıficos . . . 15 1.2 ORGANIZAC¸ ˜AO DO TRABALHO . . . 16 2 FUNDAMENTAC¸ ˜AO TE ´ORICA . . . 17
2.1 FALHAS EM MOTORES DE INDUC¸ ˜AO TRIF ´ASICO . . . 17
2.1.1 Falha de Estator . . . 18
2.2 TRANSFORMADA WAVELET . . . 20
2.3 ROBUST PRINCIPAL COMPONENT ANALYSIS . . . 24
2.4 SUPPORT VECTOR MACHINE . . . 27
3 MATERIAIS E M´ETODOS . . . 29
3.1 BANCO DE DADOS . . . 29
3.2 METODOLOGIA DE PROCESSAMENTO DE SINAIS . . . 31
3.2.1 Pr´e-processamento de ´audio . . . 31
3.2.2 Transformada wavelet . . . 32
3.2.3 Algoritmo do RPCA . . . 33
3.2.4 Extra¸c˜ao de caracter´ısticas . . . 34
3.3 CLASSIFICAC¸ ˜AO DA FALHA DE ESTATOR . . . 35
4 RESULTADOS . . . 36
4.1 AN ´ALISE DO BANCO DE DADOS . . . 36
4.2 TRANSFORMADA WAVELET . . . 37
4.3 AJUSTE DO RPCA . . . 40
4.4 AN ´ALISE DAS CARACTER´ISTICAS EXTRA´IDAS . . . 41
4.5 AN ´ALISE DA DETECC¸ ˜AO DE FALHAS DO SVM . . . 47
5 CONCLUS ˜AO . . . 49
1 INTRODUC¸ ˜AO
As t´ecnicas de Processamento Digital de Sinais (PDS) aplicadas em reconheci-mento de padr˜oes e extra¸c˜ao de caracter´ısticas em sinais permitem a an´alise do com-portamento f´ısico do sistema e a detec¸c˜ao de poss´ıveis falhas. O funcionamento de um equipamento, em condi¸c˜oes diferentes da projetada, ocasiona assinaturas espec´ıficas no tempo, frequˆencia e espa¸co (SANTOS, 2019), o que possibilita um fluxo de pesquisa sobre o diagn´ostico de falhas. Como apresentado em ALI et al. (2019) a aplica¸c˜ao de t´ecnicas de PDS para extra¸c˜ao de informa¸c˜oes em sinais de corrente e de vibra¸c˜ao possibilitou a classifica¸c˜ao de falhas el´etricas e mecˆanicas em motores el´etricos. E ainda, as t´ecnicas de processamento de sinais aplicadas em emiss˜oes ac´usticas para a detec¸c˜ao de falhas em motores de indu¸c˜ao monof´asico e trif´asico (GLOWACZ, 2019; SANTOS, 2019).
Os Motores de Indu¸c˜ao Trif´asico (MIT) s˜ao os equipamentos el´etricos mais uti-lizados na convers˜ao eletromecˆanica de energia e dominantes no mundo (MIRZAEVA; SAAD, 2018; GERMEN et al., 2014). Este fato pode ser explicado devido a sua constru¸c˜ao simples, f´acil manuten¸c˜ao, adaptabilidade e uma boa rela¸c˜ao custo-benef´ıcio (CORRAL-HERNANDEZ; ANTONINO-DAVIU, 2018; BAZAN et al., 2019). Como s˜ao utilizados em massa, ´e comum que os MITs sejam frequentemente expostos aos mais diversos tipos de situa¸c˜oes operacionais prejudiciais e indesej´aveis, sujeitos a esfor¸cos mecˆanicos, el´etricos e t´ermicos, podendo ocasionar o surgimento de falhas (BAZAN et al., 2019; VITOR, 2015).
De acordo com Bonnett e Soukup (1992), as falhas podem ser do tipo mecˆanica, quando envolvem defeitos relacionados aos mancais, acoplamentos ou rolamentos e do tipo el´etrica, quando associadas a conex˜oes, an´eis ou barras quebradas e defeitos nos enrolamentos do estator. Conforme abordado em Zarei et al. (2014), as ocorrˆencias de falhas em MIT podem ser distribu´ıdas em: rolamentos (41%), enrolamento do estator (37%) e barra do rotor (10%) (MIRZAEVA; SAAD, 2018; FROSINI et al., 2016). Apesar da falha de estator n˜ao ser a mais recorrente, esta requer uma grande aten¸c˜ao, pois progride rapidamente, o que acarreta danos irrepar´aveis ao MIT (BELLINI et al., 2008).
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O anseio pelo aumento da produtividade, redu¸c˜ao de gastos com paradas n˜ao pla-nejadas nas ind´ustrias (CORRAL-HERNANDEZ; ANTONINO-DAVIU, 2018; ALI et al., 2019) e o advento da quarta revolu¸c˜ao industrial colaboraram para que t´ecnicas de monito-ramento e previs˜ao de falhas fossem criadas e frequentemente aprimoradas (THOMSON, 2002; PANDARAKONE et al., 2017). O progn´ostico antecipado ´e importante para ga-rantir condi¸c˜oes operacionais seguras, uma vez que, a partir da identifica¸c˜ao precoce da falha e defini¸c˜ao do correto diagn´ostico, ´e poss´ıvel evitar a manuten¸c˜ao n˜ao-programada e consequentemente a parada inesperada no processo produtivo (SANTOS et al., 2012).
Entre as t´ecnicas de diagn´osticos de falhas atualmente exploradas, destacam-se os m´etodos para extra¸c˜ao de caracter´ısticas de sinais de tens˜ao e corrente (THOMSON, 2002; GODOY et al., 2016), vibra¸c˜ao (OCAK; LOPARO, 2004) e emiss˜ao ac´ustica (DELGADO-ARREDONDO et al., 2017; TANG et al., 2018; GLOWACZ, 2019). Os m´etodos de aquisi¸c˜ao de dados n˜ao invasivos s˜ao priorizados em sistemas de diagn´osticos de falhas (SANTOS, 2013) por viabilizar as aplica¸c˜oes em campo sem interferir no funcionamento do equipamento.
Dessa forma, a utiliza¸c˜ao de sinais de ´audio para detec¸c˜ao e classifica¸c˜ao inteli-gente de falhas em MIT demonstra-se bastante eficiente, pois, al´em de ser um m´etodo de aquisi¸c˜ao n˜ao invasivo, tamb´em ´e considerado de baixo custo, uma vez que estes sinais de ´
audio podem ser facilmente coletados (SANTOS, 2019; LI et al., 2011).
Neste processo de manuten¸c˜ao preditiva, caracterizado pela previs˜ao de falhas no equipamento, a principal ferramenta ´e a aplica¸c˜ao de t´ecnicas de Inteligˆencia Arti-ficial (IA) e uma grande vantagem est´a na possibilidade de implanta¸c˜ao com reduzida complexidade computacional (SANTOS, 2013). Dentre as t´ecnicas, destacam-se: Redes Neurais Artificiais, L´ogica Fuzzy (ZADEH, 1965), Algoritmo Gen´etico (GOLDBERG, 1989) e M´aquinas de Vetores de Suporte (SVM-Support Vector Machine) (NAYANA; GEETHANJALI, 2017; SILVA, 2012)
SVM ´e uma t´ecnica de aprendizagem de m´aquinas (ML-Machine Learning) am-plamente utilizada neste contexto. ´E uma ferramenta efetiva de classifica¸c˜ao que opera com treinamento supervisionado e se baseia em teoria de aprendizado estat´ıstico. De acordo com os resultados em Nayana e Geethanjali (2017), a aplica¸c˜ao do SVM na de-tec¸c˜ao de falhas em motores alcan¸cou a melhor performance comparada a outras t´ecnicas de IA. No trabalho de Pandarakone et al. (2017), utilizou-se SVM para detec¸c˜ao de falha de rotor do MIT. J´a Santos (2019) investigou o comportamento de trˆes falhas do MIT (estator, rolamento e rotor), utilizando t´ecnicas de PDS e classifica¸c˜ao com SVM.
O sucesso da t´ecnica de classifica¸c˜ao est´a fortemente relacionado com a qualidade dos dados utilizados e com a escolha e aplica¸c˜ao das t´ecnicas de PDS para filtragem do sinal, reconhecimento de padr˜oes e extra¸c˜ao das caracter´ısticas. Bellini et al. (2008) destaca a crescente utiliza¸c˜ao das t´ecnicas de PDS para melhorar o desempenho dos m´etodos de detec¸c˜ao de falhas em MITs. J´a em Benbouzide e Kliman (2003) utilizou-se diversas t´ecnicas para o diagn´ostico de falhas mecˆanicas, como a Transformada R´apida de Fourier (FFT), a Transformada de Park e a Transformada Wavelet Discreta (DTW), obtendo os melhores resultados com esta ´ultima.
A Transformada Wavelet (TW) ´e uma t´ecnica de representa¸c˜ao do sinal no dom´ınio tempo-frequˆencia, que permite uma an´alise detalhada (SILVA, 2014), j´a que consiste na representa¸c˜ao do tempo, da frequˆencia e da amplitude do sinal (BELLINI et al., 2008). A TW ´e frequentemente utilizada no reconhecimento de padr˜oes, an´alise num´erica (WEEKS, 2012), extra¸c˜ao de caracter´ısticas em sinais, como para an´alise de falhas em motores el´etricos (ALI et al., 2019; FROSINI et al., 2016; SHI et al., 2014) e ainda, quando se deseja aumentar a dimensionalidade de um sinal no tempo, com carac-ter´ısticas individuais em diferentes faixas de frequˆencias. Este ´e o caso que possibilita a utiliza¸c˜ao do algoritmo de Robust Principal Component Analysis (RPCA).
O algoritmo de An´alise de Componentes Principais (PCA), ´e uma ferramenta de an´alise multivariada que permite a redu¸c˜ao da complexidade do conjunto de dados, por´em n˜ao apresenta um bom desempenho quando aplicada a valores discrepantes. J´a o algoritmo de RPCA, ou PCA Robusto, ´e utilizado nos casos onde h´a dados dispersos. Este consiste em t´ecnicas robustas para eliminar tais valores discrepantes (outliers) que causam distor¸c˜oes nas an´alises estat´ısticas (CANDES et al., 2011; VASWANI et al., 2018). Uma outra defini¸c˜ao apresentada em Candes et al. (2011) diz que o objetivo do RPCA ´e recuperar uma matriz de posto baixo quando parte de suas entradas foi corrompida, ou seja, quando a matriz ´e suficientemente esparsa.
A aplica¸c˜ao do RPCA ´e comprovada em casos nos quais os dados apresentam imprecis˜oes relacionadas `a amostragem, preparo e an´alise, como em detec¸c˜ao de anomalias, reconhecimento facial, an´alises de v´ıdeo, imagem e som, tamb´em para separa¸c˜ao de duas informa¸c˜oes presentes em um mesmo sinal (CANDES et al., 2011; VASWANI et al., 2018; HUANG et al., 2012). Em Candes et al. (2011), ´e apresentado um PCA Robusto capaz de separar as informa¸c˜oes de um sinal de v´ıdeo, no qual o fundo est´atico e os objetos em movimento s˜ao modelados e reconstru´ıdos pelo algor´ıtimo em diferentes matrizes.
melho-15
res solu¸c˜oes para muitas outras an´alises, como em solu¸c˜oes de vigilˆancia por v´ıdeo ou rastreamento de objetos, j´a que s˜ao informa¸c˜oes presentes em primeiro plano. Ainda, para aplicativos de edi¸c˜ao ou anima¸c˜ao de v´ıdeo e busca autom´atica por cenas naturais, considerando as informa¸c˜oes na camada de segundo plano. O autor tamb´em apresenta um aprofundamento nas t´ecnicas e problemas do RPCA e mostra a possibilidade da re-cupera¸c˜ao de v´ıdeos com muito ru´ıdo, enfatizando a facilidade na execu¸c˜ao ao trabalhar com as camadas separadamente.
Em Huang et al. (2012), o algoritmo de RPCA ´e aplicado para a separa¸c˜ao da parte vocal de uma m´usica, uma vez que o acompanhamento musical ´e considerado uma parte mais est´atica e a voz apresenta certa varia¸c˜ao. Essa aplica¸c˜ao justifica a utiliza¸c˜ao do RPCA em dados de emiss˜ao ac´ustica, j´a que normalmente possuem informa¸c˜oes ruidosas e, quando se deseja separar duas informa¸c˜oes de um sinal, como ´e o caso de evidenciar a altera¸c˜ao no som de um MIT operando com anomalias.
Dessa forma, o prop´osito deste trabalho ´e a valida¸c˜ao de uma t´ecnica de proces-samento de sinais e de aprendizagem de m´aquinas, utilizando sinais de ´audio de um motor saud´avel e com falha de curto-circuito no estator, sujeitos a condi¸c˜oes de desequil´ıbrio de tens˜ao e altera¸c˜ao do torque de carga. Sua execu¸c˜ao est´a subdividida em trˆes etapas: (i) pr´e-processamento e extra¸c˜ao de caracter´ısticas dos sinais com a aplica¸c˜ao da TW nos sinais de ´audio do motor; (ii) t´ecnicas de filtragem de sinais com a aplica¸c˜ao do algoritmo de RPCA para a redu¸c˜ao da complexidade do conjunto de dados, eliminando a influˆencia de dados dispersos na classifica¸c˜ao e poss´ıvel separa¸c˜ao das informa¸c˜oes de falhas; e (iii) a valida¸c˜ao da t´ecnica com a classifica¸c˜ao da falha de estator do MIT usando SVM.
1.1 OBJETIVO
Este trabalho tem como objetivo validar uma metodologia de processamento de sinais que consiste na aplica¸c˜ao do algoritmo de RPCA nas componentes Wavelets ex-tra´ıdas dos sinais de ´audio de um motor de indu¸c˜ao trif´asico, a fim de detectar falhas de curto-circuito no estator utilizando as t´ecnicas de aprendizagem de m´aquinas.
1.1.1 OBJETIVOS ESPEC´IFICOS
A partir dos sinais sonoros do MIT saud´avel e com falha de curto-circuito no enrolamento do estator, definiu-se os seguintes objetivos espec´ıficos:
um MIT;
• Investigar os atributos obtidos em sinais de emiss˜ao ac´ustica e t´ecnicas de PDS para extra¸c˜ao de caracter´ısticas e reconhecimento de padr˜oes;
• Estudar a transformada Wavelets na extra¸c˜ao de caracter´ısticas de sinais de ´audio e aumento da dimensionalidade da informa¸c˜ao;
• Demonstrar que o algoritmo de An´alise da Componente Principal Robusto ´e capaz de evidenciar as falhas de curto-circuito no estator;
• Analisar atrav´es de medidas estat´ısticas a capacidade de separa¸c˜ao dos sinais com falhas dos saud´aveis;
• Testar e validar a metodologia de processamento de sinais desenvolvida.
1.2 ORGANIZAC¸ ˜AO DO TRABALHO
Esta disserta¸c˜ao est´a organizada da seguinte forma. Neste Cap´ıtulo, fez-se uma breve revis˜ao da literatura das t´ecnicas de processamento digital de sinais, que permitem a an´alise do comportamento e a detec¸c˜ao de poss´ıveis falhas quando associada a t´ecnicas de inteligˆencia artificial em m´aquinas de indu¸c˜ao trif´asica.
No Cap´ıtulo 2, ´e apresentada a fundamenta¸c˜ao te´orica, abordando os principais conceitos e ferramentas necess´arias para a elabora¸c˜ao deste trabalho.
No Cap´ıtulo 3, s˜ao descritos os materiais e m´etodos, apresentando o banco de da-dos utilizado e sua forma¸c˜ao. Por meio de um fluxograma, todas etapas do trabalho foram elucidadas, apresentando detalhes do m´etodo utilizado para extra¸c˜ao das caracter´ısticas com o pr´e-processamento dos sinais e a aplica¸c˜ao da transformada wavelet, e do algoritmo do RPCA. Por fim, apresenta-se a t´ecnica de aprendizagem de m´aquinas utilizada para a classifica¸c˜ao das falhas e valida¸c˜ao da metodologia.
No Cap´ıtulo 4, s˜ao descritos os resultados obtidos que comprovam a eficiˆencia do m´etodo. Por fim, no Cap´ıtulo 5 s˜ao apresentadas as conclus˜oes do trabalho e propostas de a¸c˜oes futuras.
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2 FUNDAMENTAC¸ ˜AO TE ´ORICA
Neste cap´ıtulo, ser˜ao abordados conceitos e ferramentas que abrangem a com-posi¸c˜ao desse trabalho. Apresentam-se os principais tipos de falhas em MIT e suas carac-ter´ısticas, com ˆenfase na falha de estator que ´e a utilizada neste trabalho. Em seguida s˜ao descritas as t´ecnicas de processamento de sinais, transformada wavelet e RPCA, e SVM, que ´e respons´avel pela classifica¸c˜ao dos sinais para valida¸c˜ao da metodologia proposta.
2.1 FALHAS EM MOTORES DE INDUC¸ ˜AO TRIF ´ASICO
O motor de indu¸c˜ao trif´asico ´e uma m´aquina ass´ıncrona que tem a fun¸c˜ao de converter energia el´etrica em mecˆanica motriz (CHAPMAN, 2012). Considerado de cons-tru¸c˜ao simples e robusta, em sua estrutura b´asica compreende-se o rotor, a parte m´ovel (eixo), e o estator, a parte est´atica onde est˜ao alojadas as bobinas (FITZGERALD et al., 2008).
Quando o MIT est´a em opera¸c˜ao, um simples desequil´ıbrio de tens˜ao pode gerar diferentes ru´ıdos em seu comportamento. De acordo com a ANEEL (2018), no M´odulo 8 dos Procedimentos do Programa de Eficiˆencia Energ´etica, o desequil´ıbrio de tens˜ao ´e um evento definido pela diferen¸ca nas amplitudes entre as trˆes tens˜oes de fase de um sistema trif´asico, e/ou pela defasagem el´etrica diferente de 120o entre as tens˜oes de fase do mesmo sistema.
O fato ´e que, quando esse fenˆomeno ocorre na alimenta¸c˜ao de uma m´aquina el´etrica, resulta em rota¸c˜oes irregulares, que consequentemente geram vibra¸c˜oes peri´odicas do motor, originando emiss˜oes ac´usticas provenientes das partes mecˆanicas que constituem o motor (SANTOS, 2019).
Todos os MITs est˜ao suscet´ıveis a falhas el´etricas e mecˆanicas, por isso o di-agn´ostico destas apresenta grande importˆancia, a fim de evitar as paradas n˜ao programa-das no processo industrial. A falha de curto-circuito no enrolamento do estator em MIT, ´e utilizada para o desenvolvimento deste trabalho.
2.1.1 FALHA DE ESTATOR
A falha de estator ´e a segunda mais incidente em MIT (ZAREI et al., 2014) e sua r´apida progress˜ao faz dela a mais relevante a ser monitorada e detectada logo em seu princ´ıpio, pois pode prejudicar o funcionamento do motor (BELLINI et al., 2008; HAROUN et al., 2018). O envelhecimento do isolamento dos condutores do enrolamento ´e a causa mais prop´ıcia para originar falhas de estator (RIERA-GUASP et al., 2015).
Como para qualquer falha, boas pr´aticas de manuten¸c˜ao podem retardar ou at´e evitar uma indesejada condi¸c˜ao, seja com a rotina da limpeza de poeiras e objetos que obstruem a troca de ar com o ambiente e a verifica¸c˜ao no funcionamento do sistema de ventila¸c˜ao, a fim de evitar o aquecimento. Tamb´em, o cuidado com a fixa¸c˜ao da m´aquina e de suas partes, evitando a vibra¸c˜ao.
As condi¸c˜oes de falhas de enrolamento do estator s˜ao definidas em: curto-circuito entre fases e fase-terra, curto-circuito entre bobinas de um mesmo enrolamento ou dife-rentes fases e circuito aberto em uma fase, sendo as mais comuns representadas na Figura 1 (HAROUN et al., 2018; SANTOS et al., 2012).
Figura 1: Condi¸c˜oes de falhas no estator de MIT. Fonte: Modificado de (BAZAN et al., 2017)
Um enrolamento com seu isolamento comprometido est´a sujeito a ocasionar uma falha em um ponto qualquer da espira devido a simples condi¸c˜oes de sobreaquecimento, vibra¸c˜ao ou sobretens˜ao transiente, e o efeito t´ermico dessa corrente de falha pode dete-riorar gradativamente o isolamento da pr´opria espira afetada e das espiras pr´oximas ao incidente. Com isso, pode-se aumentar o n´umero de pontos e/ou a severidade da falha e consequentemente a intensidade da corrente circulante, at´e que o isolamento de toda bobina ou o de outra fase seja danificado, ocasionando uma falha fase-terra ou entre fases
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(HAROUN et al., 2018).
Esta condi¸c˜ao de curto-circuito entre fases do MIT ´e entendida como um curto-circuito entre os fios de cobre das bobinas do estator. Assim, de acordo com o n´umero de espiras danificadas, tem-se proporcionalmente um valor de corrente de curto-circuito circulando na bobina (FROSINI et al., 2016). Desse modo, no ato dessa falha, as compo-nentes de frequˆencia da corrente de estator tˆem o seu m´odulo modificado. De de acordo com Thomson (2002), podem ser determinadas pela Equa¸c˜ao (1).
fce = f1 n p (1 − s) ± k (1) sendo:
fce ´e a frequˆencia de curto-circuito no estator;
f1 ´e a frequˆencia da componente fundamental da alimenta¸c˜ao;
p ´e o n´umero de pares de polos do MIT, s ´e o escorregamento;
k ´e um n´umero inteiro ´ımpar e n ´e um n´umero inteiro positivo.
Assim, conforme analisado em Vitor (2015), a fce se modifica conforme varia¸c˜oes
de torque no eixo da m´aquina, j´a que o resultado dessa equa¸c˜ao varia de acordo com o escorregamento (s) do MIT.
Independente o tipo ou condi¸c˜ao da falha, as t´ecnicas de monitoramento, pre-vis˜ao e diagn´ostico se tornaram essenciais para o aumento da vida ´util dos motores e redu¸c˜ao dos gastos com paradas n˜ao planejadas nas ind´ustrias (CORRAL-HERNANDEZ; ANTONINO-DAVIU, 2018; GENTIL, 2019; ALI et al., 2019; SANTOS et al., 2012). A utiliza¸c˜ao da IA, como a aprendizagem de m´aquinas, vem sendo muito utilizada na de-tec¸c˜ao de falhas de estator (Das et al., 2010).
De acordo com ALI et al. (2019), as pesquisas baseadas em extra¸c˜ao de assinaturas em MIT ´e muito utilizada para diagn´ostico de falhas. Seja assinaturas de falha no tempo, dom´ınio da frequˆencia e tempo-frequˆencia. Por meio da an´alise de informa¸c˜oes de corrente, tens˜ao, temperatura, vibra¸c˜ao e emiss˜ao ac´ustica (HAROUN et al., 2018).
Algumas abordagens de mudan¸cas no comportamento das gradezas el´etricas e que s˜ao m´etodos comprovados para detectar falhas de estator em MIT est˜ao apresentados em Santos (2013), Santos et al. (2012). Como a corrente de sequˆencia negativa (BELLINI et al., 2000), e a representa¸c˜ao das componentes de correntes do vetor de Park (CARDOSO
et al., 1999). As t´ecnicas de PDS s˜ao muito utilizadas em aplica¸c˜oes para detec¸c˜ao de falhas, extra¸c˜ao de caracter´ısticas e reconhecimento de padr˜oes (ALI et al., 2019), como por exemplo a TW (BELLINI et al., 2008).
2.2 TRANSFORMADA WAVELET
A utiliza¸c˜ao de wavelets na an´alise e processamento de sinais iniciou-se na d´ecada de 1980, considerando a necessidade de visualizar um sinal em diferentes escalas e analis´ a-lo em v´arias resolu¸c˜oes (ALMEIDA, 2010). A transformada wavelet ´e uma t´ecnica de processamento de sinal que atua no dom´ınio da frequˆencia e do tempo simultaneamente.
Desta maneira, apresenta maior capacidade e resolu¸c˜ao em rela¸c˜ao a outras t´ecnicas, como a tradicional Transformada de Fourier, que atua apenas no dom´ınio da frequˆencia e n˜ao permite a localiza¸c˜ao temporal de eventos, e a Transformada Janelada de Fourier, ou Short Time Fourier Transform, cuja janela ´e de tamanho fixo (invariante) em todo o plano tempo-frequˆencia, assim o sinal analisado n˜ao pode apresentar uma boa resolu¸c˜ao em ambos os dom´ınios simultaneamente (DINIZ et al., 2002).
A TW, por sua vez, utiliza janelas de an´alise de tamanho vari´avel, obtendo um plano tempo-frequˆencia com multirresolu¸c˜ao. Pode mostrar aspectos do sinal como tendˆencias e descontinuidades, o que outras t´ecnicas n˜ao permitem. Possibilita a an´alise de fenˆomenos transit´orios, n˜ao estacion´arios e variantes no tempo (TASWELL; MCGILL, 1994). Entre outras aplica¸c˜oes, a TW ´e utilizada no tratamento de sinais de ´audio e v´ıdeo, imagens e reconhecimento de voz (ALMEIDA, 2010), inclusive na detec¸c˜ao de bar-ras quebradas em motores de indu¸c˜ao (SRIDHAR et al., 2015; HERN ´ANDEZ et al., 2015; BIDGOLI; POSHTAN, 2017).
Seja um sinal x(t) pertencente ao espa¸co das fun¸c˜oes quadraticamente integr´aveis em R, ent˜ao a sua transformada wavelet ´e a decomposi¸c˜ao em uma vers˜ao deslocada e redimensionada a partir de uma fun¸c˜ao-m˜ae ψ(t), representada pela Equa¸c˜ao 2 (DINIZ et al., 2002): ψa,b(t) = 1 √ aψ t − b a (2) onde:
a ´e o parˆametro de escala (contra¸c˜ao ou dilata¸c˜ao);
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Assim, a transformada wavelet ´e apresentada conforme a Equa¸c˜ao (3):
Xw(a, b) =
Z ∞
−∞
x(t)ψ∗a,b(t)dt (3)
onde:
“∗” equivale a conjuga¸c˜ao complexa, e ao considerar as wavelets supostamente reais, ψ∗ = ψ.
Conforme Mallat (1989), a transformada wavelet discreta pode ser utilizada sem perda de qualidades e propriedades, ou seja, de forma numericamente est´avel (SILVA, 2007). Como se pode ver em DINIZ et al. (2002), ao escolher a = am
0 , com a0 > 1 e m
Z, e b = nb0am0 , a DWT ´e dada pela Equa¸c˜ao 4:
Xw(a, b) = Z ∞ −∞ x(t)a −m 2 0 ψ(a−m0 t − nb0)dt (4)
A decomposi¸c˜ao de sinais na DWT utiliza bancos de filtros do tipo wavelet, os quais decomp˜oem sinais em bandas de frequˆencia e tem capacidade de reconstru´ı-los (SCALASSARA, 2009).
Na Figura 2, nota-se um banco de filtros de M faixas, evidenciando o processo de decomposi¸c˜ao e reconstru¸c˜ao de um sinal a partir das faixas de frequˆencia. Na decom-posi¸c˜ao, o sinal de entrada x(n) passa pelos filtros Hk(z) e os decimadores (↓ M ) reduzem
o n´umero de amostras dos sinais filtrados, representados por uk. O sinal original pode ser reconstru´ıdo (satisfazendo condi¸c˜oes), por meio da utiliza¸c˜ao dos interpoladores (↑ M ) e dos filtros de s´ıntese Gk(z). Denomina-se banco de filtros de M faixas com reconstru¸c˜ao
perfeita quando existe a possibilidade de recupera¸c˜ao exata do sinal de entrada.
Figura 2: Diagrama de blocos de um banco de filtros de M faixas. Fonte: (DINIZ et al., 2002).
Decima¸c˜ao e interpola¸c˜ao s˜ao, portanto, processos inversos. O primeiro, por meio da retirada de amostras, reduz a taxa de amostragem de um sinal. O segundo, por meio da interpola¸c˜ao dos pontos, adiciona amostras (OPPENHEIM et al., 1999).
A DWT ´e uma decomposi¸c˜ao que equivale a um caso especial de bancos de filtros decimados criticamente (DINIZ et al., 2002). Dessa forma, o espectro do sinal ´e decomposto sucessivamente em v´arios n´ıveis pelos bancos de filtros em duas partes relacionadas, chamadas coeficientes de aproxima¸c˜ao e detalhe, que s˜ao, respectivamente, as componentes de baixa e alta frequˆencia dos dados originais. Esta t´ecnica ´e denominada an´alise de multiresolu¸c˜ao e ´e considerada uma forma eficiente, j´a que permite analisar os sinais em m´ultiplas bandas de frequˆencia. Este processo interativo e com sucessivas decomposi¸c˜oes resulta em uma ´arvore de decomposi¸c˜ao da wavelet (DINIZ et al., 2002; MALLAT, 2009), conforme a Figura 3.
Sinal
Filtro Passa-Baixa Filtro Passa-Alta
Coeficiente de Aproximação
Coeficiente de Detalhe
Figura 3: T´ecnica da an´alise de multiresolu¸c˜ao. Fonte: Autoria pr´opria.
Conforme a Figura 4, o sinal discreto x(n) ´e filtrado pelo passa-baixa H1(z)
e passa-alta H0(z), fazendo com que, em cada sa´ıda, ap´os a aplica¸c˜ao do operador de
downsampling por um fator de 2 (↓ 2), os coeficientes wavelets resultantes contenham metade do conte´udo da frequˆencia do sinal de entrada. As sucessivas decomposi¸c˜oes pela an´alise de multirresolu¸c˜ao permitem a extra¸c˜ao de caracter´ısticas dos sinais, em diferentes bandas de frequˆencia, ou seja, em diferentes n´ıveis de resolu¸c˜ao (MALLAT, 2009). Neste processo utiliza-se a opera¸c˜ao de decima¸c˜ao.
A resolu¸c˜ao desejada determinar´a os n´ıveis de expans˜ao do banco de filtros. A Figura 4 exemplifica trˆes n´ıveis de um banco de filtros, cujas sa´ıdas reduzem o conte´udo da frequˆencia e elevam a resolu¸c˜ao do tempo (MERRY; STEINBUCH, 2005).
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Figura 4: Decomposi¸c˜oes hier´arquicas em oito faixas uniformes. Fonte: (DINIZ et al., 2002).
As componentes de baixa frequˆencia (coeficientes de aproxima¸c˜ao), produzidas pelo filtro passa-baixa, geralmente possuem a maior quantidade de informa¸c˜ao, assim sua remo¸c˜ao compromete o sinal drasticamente. As componentes de alta frequˆencia (coeficien-tes de detalhe), produzidas pelo filtro passa-alta, representam os detalhes da informa¸c˜ao.
Na literatura, v´arias fam´ılias de wavelets s˜ao citadas e seu uso est´a associ-ado `a aplica¸c˜ao espec´ıfica de cada uma. A defini¸c˜ao das fam´ılias relaciona-se `as com-press˜oes/dilata¸c˜oes e `as transla¸c˜oes da fun¸c˜ao wavelets m˜ae.
Dentre as fam´ılias citadas no quadro anterior, destacam-se: Haar, que ´e conhecida por sua simplicidade, j´a que analisa um sinal constante por partes; Daubechies, que utiliza fun¸c˜oes ortogonais na decomposi¸c˜ao, apresenta suporte compacto (impede que a wavelets se espalhe por todo o espectro) e decaimento suave (impede que a wavelet introduza artefatos de altas frequˆencias); Symlets, que s˜ao mais sim´etricas e derivam da fam´ılia de Daubechies; e Coiflets, que apresentam momentos nulos para a fun¸c˜ao escala e para a fun¸c˜ao base.
A Wavelet Daubechies est´a ligada `a fam´ılia de filtros com propriedades especiais. S˜ao assim´etricas, cont´ınuas e quanto maior o n´umero de decaimentos mais suave ser´a a banda de transi¸c˜ao, permitindo assim melhor resolu¸c˜ao no dom´ınio do tempo (DAU-BECHIES, 1992; ALMEIDA, 2010), ver na Figura 5 os tipos de TW Daubechies. S˜ao
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escritas no MATLAB como dbN , sendo N o n´umero de momentos nulos e db o sobrenome da fun¸c˜ao.
matlab.izmiran.ru/help/toolbox/wavelet/ch01_i48.gif 1/1
Figura 5: Wavelet do tipo Daubechies. Fonte: (MISITI et al., 1996)
A fam´ılia Daubechies ´e de grande relevˆancia por serem ortogonais e possu´ırem suporte compacto (UZINSKI, 2013). Uma vantagem ´e que um erro no sinal de entrada n˜ao aumenta com a transforma¸c˜ao e a estabilidade num´erica computacional ´e garantida.
2.3 ROBUST PRINCIPAL COMPONENT ANALYSIS
A An´alise de Componentes Principais (Principal Component Analysis - PCA) ´e uma das ferramentas estat´ısticas de an´alise de dados e redu¸c˜ao de dimens˜ao mais usadas na atualidade (VASWANI et al., 2018). Contudo, a principal caracter´ıstica de seu algoritmo, que ´e a busca pela proje¸c˜ao de maior variˆancia, faz com que esta ferramenta seja vulner´avel a valores muito discrepantes (outliers). Portanto, os resultados n˜ao s˜ao satisfat´orios quando a PCA ´e aplicada a dados corrompidos (ZANETTI, 2013; VASWANI et al., 2018).
Diversas abordagens para a robustez da PCA foram exploradas e propostas na literatura ao longo de v´arias d´ecadas (CANDES et al., 2011). A PCA cl´assica (HOTEL-LING, 1933; ECKART; YOUNG, 1936; JOLLIFFE, 2002) modela uma matriz de dados M em outras duas L0 e N0, conforme a Equa¸c˜ao (5):
M = L0+ N0 (5)
onde:
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N0 ´e uma matriz de perturba¸c˜ao baixa.
O objetivo ´e a melhor estimativa (em termos de L2) de posto k para L0, resolvendo
o seguinte problema de otimiza¸c˜ao (CANDES et al., 2011):
minimizar||M − L|| (6)
sujeito a posto(L) ≤ k (7)
Em contrapartida, a proposta da An´alise de Componentes Principais Robusta (Robust Principal Component Analysis - RPCA) ´e recuperar uma matriz de posto baixo L0 de um conjunto de dados grosseiramente corrompidos:
M = L0+ S0 (8)
Diferentemente do termo de ru´ıdo reduzido N0 da PCA cl´assica, as
componen-tes da matriz S0 podem ter magnitude arbitrariamente elevada e supostamente esparsa,
por´em a localiza¸c˜ao das informa¸c˜oes ´e desconhecida (CANDES et al., 2011).
Em resumo, RPCA consiste na decomposi¸c˜ao de um sinal em uma componente de posto reduzido e uma componente esparsa. Dentre as aplica¸c˜oes para a RPCA est˜ao os v´ıdeos de vigilˆancia, nos quais muitas vezes ´e necess´ario identificar as atividades que se destacam em segundo plano. Se forem empilhados os frames de v´ıdeo como colunas de uma matriz M, a componente de posto baixo L0 corresponder´a naturalmente ao fundo
est´atico e a componente esparsa S0capturar´a os objetos em movimento em primeiro plano
(CANDES et al., 2011).
Em outra aplica¸c˜ao o RPCA ´e utilizado para a separa¸c˜ao da parte vocal de uma m´usica da parte instrumental. O acompanhamento musical ´e considerado uma parte mais est´atica corresponde a componente de posto baixo, enquanto a voz por apresentar certa varia¸c˜ao, na esparsa.
O problema pode ser solucionado via otimiza¸c˜ao convexa trat´avel. Seja:
kM k∗ :=Xiσi(M ) (9)
a representa¸c˜ao da norma nuclear da matriz M, que ´e a soma dos valores singulares da matriz; e seja:
kM k1 =Xij|Mij| (10)
a representa¸c˜ao da norma L1 de M vista como um grande vetor em Rn1×n2. Ent˜ao, sob
hip´oteses fracas, a estima¸c˜ao por busca de componentes principais (Principal Component Pursuit - PCP) recupera os termos de posto baixo L0 e esparsa S0, resolvendo (CANDES
et al., 2011):
minimizar||L||∗+ λ||S||1 (11)
sujeito a L + S = M (12)
Ainda que o nome enfatize a recupera¸c˜ao da componente de posto baixo, em algumas aplica¸c˜oes a componente esparsa ´e o objeto de interesse. O m´etodo ´e eficaz mesmo se o posto de L0 crescer quase linearmente com as dimens˜oes da matriz, e os
erros em S0 forem at´e uma fra¸c˜ao constante de todas as entradas. Algoritmos eficientes e
escal´aveis podem resolver este problema a um custo computacional n˜ao muito maior que a PCA cl´assica e o resultado ´e bastante satisfat´orio sob condi¸c˜oes amplas para muitos tipos de dados reais (CANDES et al., 2011).
A solu¸c˜ao de PCP recupera perfeitamente as componentes de posto baixo e es-parsa se forem assumidas duas premissas: o padr˜ao de esparsidade da componente esparsa S0 ´e uniformemente aleat´orio e os vetores singulares — ou componentes principais — de
L0 s˜ao pouco espalhados, ou seja, n˜ao esparsos (CANDES et al., 2011).
Assumidas as premissas mencionadas anteriormente, ent˜ao, existe uma constante num´erica c tal qual com probabilidade ao menos 1 − cn−10 (sobre a escolha de suporte de S0), de que a PCP com λ = 1/
√
n seja exata, dado que:
posto(L0) 6 ρrnµ−1(log n)−2 e m ≤ ρsn2 (13)
Na equa¸c˜ao, ρr e ρs s˜ao constantes num´ericas positivas. Os resultados de Candes
et al. (2011) demonstram que a escolha λ = 1/√n funciona com alta probabilidade de recuperar qualquer matriz quadrada incoerente.
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2.4 SUPPORT VECTOR MACHINE
As m´aquinas de vetores de suporte, do inglˆes Support Vector Machine, s˜ao t´ecnicas de aprendizagem de m´aquinas capazes de separar dados pertencentes a duas classes e pos-suem resultados compar´aveis aos das redes neurais artificiais (COELHO, 2009).
O SVM ´e conceitualmente um conjunto de m´etodos do aprendizado supervisio-nado que analisam os dados e reconhecem padr˜oes, comparando as classes j´a conhecidas. Possui aplica¸c˜ao em diversas ´areas, como na categoriza¸c˜ao de textos (JOACHIMS, 2002), em Bioinform´atica (SCH ¨OLKOPF et al., 2003; NOBLE, 2004), na an´alise de imagens (KWANG et al., 2002) e tamb´em no diagn´ostico de falhas em MIT, como na detec¸c˜ao de curtos circuitos no estator (SUDHA et al., 2010), na identifica¸c˜ao de barras quebradas no rotor (MATIC et al., 2012), e detec¸c˜ao de falhas em rolamentos (KANKAR et al., 2011; PANDARAKONE et al., 2019; VAN; KANG, 2015).
No aprendizado supervisionado, o classificador ´e treinado por meio da apre-senta¸c˜ao de um conjunto de exemplos (entrada e sa´ıda desejada). Espera-se que, a partir desse conhecimento, o classificador seja capaz de predizer precisamente a sa´ıda de novos dados n˜ao apresentados previamente, podendo atuar de forma linear ou n˜ao linear.
Considerando o SVM linear, dividem o espa¸co de caracter´ısticas em regi˜oes uti-lizando um hiperplano de separa¸c˜ao ´otima posicionado exatamente no centro entre as margens das duas classes (SANTOS et al., 2012). Dentre as fun¸c˜oes n˜ao lineares que podem ser empregadas na an´alise da SVM est˜ao: quadr´atica, polinomial, fun¸c˜ao de base radial (RBF), gaussiana e perceptron de duas camadas (VIDHYA, 2013).
Esta t´ecnica busca a maximiza¸c˜ao da margem de separa¸c˜ao das amostras de dois grupos. A solu¸c˜ao deste problema de otimiza¸c˜ao possui uma ampla e estabelecida teoria matem´atica e pode ser expressa pela equa¸c˜ao (14):
max W (λ) = N X i=1 λi− 1 2 N X i,j=1 yiyjλiλj(xixj) (14) sujeito a 0 ≤ λi ≤ C PN i=1λiyi = 0, i = 1, 2, . . . , N
onde C ´e o limite de erro, N ´e o n´umero de amostras, λi s˜ao os multiplicadores de
Al´em de ser um classificador muito robusto, mesmo com dados de grande di-mens˜ao, o SVM tamb´em caracteriza-se pela facilidade na implementa¸c˜ao, uma vez que possui poucos parˆametros ajust´aveis no treinamento (VAN; KANG, 2015). Por esse mo-tivo, foi selecionado para a valida¸c˜ao da metodologia proposta nesta disserta¸c˜ao.
Neste cap´ıtulo, foram apresentadas as principais ferramentas utilizadas nesta dis-serta¸c˜ao. Iniciando com conceitos de falhas de MIT, com destaque na de curto-circuito no enrolamento do estator, seguindo com as t´ecnicas de processamento de sinais chaves para a metodologia apresentada. Por ´ultimo, descreve-se a ferramenta utilizada para classifica¸c˜ao das falhas e comprova¸c˜ao dos resultados.
No Cap´ıtulo 3, apresentam-se os materiais e m´etodos utilizados para o desenvol-vimento deste trabalho.
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3 MATERIAIS E M´ETODOS
Neste cap´ıtulo, s˜ao descritos os procedimentos e materiais utilizados para aquisi¸c˜ao da emiss˜ao ac´ustica de MIT saud´avel e com falha de curto-circuito no enrolamento do estator e ´e apresentado o m´etodo de processamento de sinais proposto e aplicado neste trabalho, para o aumento da dimensionalidade do banco e extra¸c˜ao das caracter´ısticas que compreendem as informa¸c˜oes de falhas e separa¸c˜ao das informa¸c˜oes. Por fim, descreve-se a t´ecnica de aprendizagem de m´aquinas SVM aplicada para a valida¸c˜ao da metodologia.
3.1 BANCO DE DADOS
Os dados referentes aos equipamentos e sinais ac´usticos considerados nesta dis-serta¸c˜ao pertencem ao banco de dados do LPSA (Laborat´orio de Processamento de Sinais e Aplica¸c˜oes) e LSI (Laborat´orio de Sistemas Inteligentes), da Universidade Tecnol´ogica Federal do Paran´a (UTFPR), campus Corn´elio Proc´opio, que foi gerado e utilizado em Santos (2019).
Os sinais de ´audio foram captados por meio de dois microfones condensadores omnidirecionais, Behringer ECM8000, posicionados acima do eixo do motor de modo a prevenir os ru´ıdos de ventila¸c˜ao, conectados a uma interface de ´audio Focusrite Scarlett 2i2. Na aquisi¸c˜ao, foi utilizada a resolu¸c˜ao de 24 bits a 96 kHz de amostragem.
O MIT utilizado no ensaio possui 1 CV de potˆencia, 4 polos, 60 Hz e rota¸c˜ao nominal de 1800 RPM. Um gerador de corrente cont´ınua de 2 kW de potˆencia, com 250 V de tens˜ao nominal de campo e de armadura, acoplado ao eixo do motor, para assim empregar diferentes valores de conjugado de torque durante a aquisi¸c˜ao e um painel de acionamentos.
Na constru¸c˜ao do banco de dados, conforme apresentado em (SANTOS, 2019), foram aplicadas diversas situa¸c˜oes de falhas no MIT, tamb´em foi apresentado desbalan¸co de tens˜ao e varia¸c˜oes no conjugado de torque em algumas situa¸c˜oes. Mais detalhes do po-sicionamento dos sensores de ´audio e procedimentos adotados para aquisi¸c˜ao das emiss˜oes
ac´usticas dos MIT est˜ao apresentadas na mesma referˆencia. Na Figura 6, apresentam-se a bancada de teste e equipamentos utilizados para a constru¸c˜ao desse banco de dados.
Figura 6: Experimento de coleta de dados com o MIT, gerador DC e os dois mi-crofones utilizados. O computador e a interface de ´audio foram omitidas.
Fonte: Adaptado de Santos (2019)
O curto-circuito entre as espiras nos enrolamentos do estator foi induzido utili-zando o painel de acionamento, junto a bancada de testes, e assim coletados sinais de falhas de 1%, 3%, 5% e 10% de curto-circuito em cada uma das trˆes fases do enrolamento. O banco de dados utilizado nesta disserta¸c˜ao est´a apresentado na Tabela 1, bem como as condi¸c˜oes de configura¸c˜oes adotadas nos experimentos.
Cada experimento apresenta trˆes valores de conjugado de torque, sendo: 0,5 Nm, 2 Nm e 4 Nm. A condi¸c˜ao el´etrica representa o desbalan¸co el´etrico aplicado durante a execu¸c˜ao de cada experimento. Cada amostra de falha de curto-circuito possui 6 segundos de informa¸c˜ao, enquanto as saud´aveis possuem 24 segundos. Sendo assim, neste trabalho os sinais dos dois microfones ser˜ao utilizados em amostras separadas para compor o banco de dados. Para todos os procedimentos deste trabalho ´e utilizado o MATLAB.
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Tabela 1: Banco de dados com amostras saud´aveis e com falhas de estator de MIT Conj. Torque (Nm)
0,5 — 2,0 — 4,0 Condi¸c˜ao mecˆanica Condi¸c˜ao el´etrica
#01 #02 #03 Saud´avel Equilibrada
#04 #05 #06 Saud´avel -2% fase A
#07 #08 #09 Saud´avel 2% fase B & -2% fase C
#10 #11 #12 Saud´avel -4% fase A
#13 #14 #15 Saud´avel 4% fase B & -4% fase C #16 #17 #18 1% de curto-circuito no estator Equilibrada
#19 #20 #21 3% de curto-circuito no estator Equilibrada #22 #23 #24 5% de curto-circuito no estator Equilibrada #25 #26 #27 10% de curto-circuito no estator Equilibrada
Fonte: Adaptado de Santos (2019)
3.2 METODOLOGIA DE PROCESSAMENTO DE SINAIS
A metodologia proposta nessa disserta¸c˜ao est´a representada, em destaque, no fluxograma apresentado na Figura 7. Inicialmente com a etapa do pr´e-processamento das emiss˜oes ac´usticas, em seguida com a extra¸c˜ao das caracter´ısticas dos sinais pela aplica¸c˜ao da TW e do algoritmo de RPCA. Por ´ultimo, na extra¸c˜ao de caracter´ısticas, s˜ao calculadas medidas estat´ısticas a serem submetidas ao classificador, para a classifica¸c˜ao da falha de curto-circuito de estator.
3.2.1 PR´E-PROCESSAMENTO DE ´AUDIO
A t´ecnica inicial de pr´e-processamento aplicada aos sinais foi o janelamento das amostras, possibilitando a cria¸c˜ao de 432 amostras, sendo a metade referente a sinais de motores saud´aveis e a outra de sinais de motores com falha de estator. Este janelamento fez com que todo banco de dados fosse dividido em amostras de 2 segundos, com 75% de overlap. Ou seja, cada amostra com falha que antes tinha 6 segundos de informa¸c˜ao originou 9 novas amostras com 2 segundos. E para os sinais de MIT saud´avel, cada amosta de 24 segundos tornou-se 36 amostras de 2 segundos.
´
E importante destacar que este banco de dados possui informa¸c˜oes de dois mi-crofones e as amostras s˜ao referentes a trˆes diferentes conjugados de torque. J´a que os sinais com falha de estator apresentam quatro n´ıveis de curto-circuito, originaram-se as 216 amostras para cada condi¸c˜ao. Todas as amostras foram normalizadas pela energia unit´aria e foram submetidas `a aplica¸c˜ao da transformada wavelet.
TW RPCA Características Extraídas Classificador Emissão Acústica Pré-Processamento Metodologia de processamento de sinal Saudável Falha Estator
Figura 7: Fluxograma da metodologia proposta dividido em trˆes etapas de execu¸c˜ao: (i) pr´e-processamento de ´audio; (ii) extra¸c˜ao das caracter´ısticas e (iii) classifica¸c˜ao da falha.
Fonte: Autoria pr´opria.
3.2.2 TRANSFORMADA WAVELET
A aplica¸c˜ao da transformada wavelet nesse trabalho apresenta a importante fun¸c˜ao de possibilitar a an´alise na frequˆencia dos dados de ´audio. Conforme mencio-nado, a TW ´e uma ferramenta muito eficiente e altamente utilizada para evidenciar as informa¸c˜oes presentes em sinais, pois consiste na representa¸c˜ao do tempo e na frequˆencia do sinal. A aplica¸c˜ao da TW no sinal de ´audio faz com que sua dimensionalidade seja aumentada, tornando uma matriz semelhante a uma imagem. Este formato de janelas de informa¸c˜ao ´e o que se deseja apresentar ao RPCA.
As emiss˜oes ac´usticas foram coletadas com frequˆencia de amostragem de 96 kHz. Por meio de testes e, considerando que sinais de falhas de estator possuem assinaturas em
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todo espectro de frequˆencia, incluindo nas frequˆencias mais baixas, ´e conveniente analisar os sinais em reduzido conte´udo de frequˆencia e elevada resolu¸c˜ao do tempo. Portanto, o processo de decomposi¸c˜ao ´e realizado at´e o n´ıvel 6, conforme a Figura 8. A wavelet m˜ae da fam´ılia Daubechies, db10, foi selecionada para a an´alise dos sinais. Para esta fam´ılia o comprimento do filtro ´e o dobro do n´umero de momentos nulos, neste caso o comprimento do filtro ´e 20.
Sinal
1,0 1,1
2,0 2,1 2,2 2,3
6,0 6,1 6,2 6,61 6,62 6,63
Figura 8: ´Arvore de decomposi¸c˜ao wavelet em seis n´ıveis. Fonte: Autoria pr´opria.
Conforme a Figura 8, esta decomposi¸c˜ao possibilitou a separa¸c˜ao dos sinais de ´
audio do MIT em diferentes bandas de frequˆencia, resultando em 64 divis˜oes do sinal, j´a que est˜ao associados com o n´umero de n´os da ´arvore na camada selecionada. Como a resposta do sensor (microfone) ´e limitada em 20 kHz, as ´ultimas faixas uniformes desta decomposi¸c˜ao, referentes `as frequˆencias de 24 a 48 kHz, s˜ao desprezadas, pois n˜ao repre-sentam informa¸c˜ao do sistema em an´alise.
As caracter´ısticas presentes em cada coeficiente, que representam a distribui¸c˜ao do sinal no espa¸co tempo-frequˆencia, foram submetidas ao algoritmo de RPCA.
3.2.3 ALGORITMO DO RPCA
O RPCA, conforme Cap´ıtulo 2, atua como uma ferramenta de an´alise de dados, que consiste na decomposi¸c˜ao de um sinal em uma componente de posto reduzido e uma componente esparsa. Em Huang et al. (2012), o acompanhamento musical assumiu o subespa¸co de posto reduzido e a voz do cantor apresentou-se na componente esparsa. Com esse fato e testes emp´ıricos, assumiu-se que a falha pertence `a matriz esparsa. Assim, conforme a Equa¸c˜ao (12), apenas as informa¸c˜oes provenientes da S ´e considerada na metodologia apresentada neste trabalho.
Os resultados apresentados em Candes et al. (2011) demonstram que a escolha λ = 1/√n, funciona com alta probabilidade de recuperar qualquer matriz quadrada inco-erente. Neste trabalho, atrav´es de testes emp´ıricos, alterando o valor de λ e comparando o resultado do classificador, ajustou-se a equa¸c˜ao para a melhor performance na separa¸c˜ao das matrizes de posto reduzido e esparsa.
Conforme proposto em Huang et al. (2012) considerou-se λ = kl/√n, sendo n o tamanho da amostra de entrada do algoritmo de RPCA. O primeiro teste assumiu k = 1 de acordo com (CANDES et al., 2011), e a composi¸c˜ao do resultados dessa disserta¸c˜ao com o valor que apresentou maior acerto no classificador SVM.
3.2.4 EXTRAC¸ ˜AO DE CARACTER´ISTICAS
Dadas as defini¸c˜oes, a extra¸c˜ao das caracter´ısticas a serem utilizadas neste tra-balho para a classifica¸c˜ao das falhas de estator acontece a cada itera¸c˜ao do algoritmo e forma¸c˜ao da matriz S. Os atributos selecionados para comprovar a eficiˆencia da meto-dologia de PDS proposta foram os c´alculos de quatro medidas estat´ısticas, sendo elas: m´edia, desvio padr˜ao, assimetria e curtose.
• m´edia: µ = 1 N N X j=1 xj (15)
• desvio padr˜ao:
S = v u u t 1 N − 1 N X i=1 |xj− µ|2 (16) • assimetria: SK = 1 (N − 1)S3 N X j=1 (xj − µ)3 (17) • curtose: KU = 1 (N − 1)S4 N X j=1 (xj − µ)4 (18)
sendo N o n´umero total de amostras e xi
j o valor do j-´esimo elemento da amostra i.
Estas medidas s˜ao classificadas com rela¸c˜ao na localiza¸c˜ao, variabilidade e forma de distribui¸c˜ao do conjunto de amostras. Os atributos de assimetria e curtose s˜ao re-conhecidos como o terceiro e quarto momento de um conjunto, conforme expoentes de
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suas equa¸c˜oes (COCHRAN, 1967). Ou seja, expressam uma representa¸c˜ao do conjunto de dados que est´a sendo analisado (LIVINGSTONE, 2009). A performance na classifica¸c˜ao da falha est´a associada `a metodologia de PDS aplicada sobre as emiss˜oes ac´usticas e estas medidas revelar˜ao a seguran¸ca da informa¸c˜ao (SANTOS et al., 2012).
Contudo, como j´a abordado durante a aplica¸c˜ao da TW, cada medida calculada possui dimens˜ao 432x64, que corresponde a 64 atributos referentes `as amostras saud´avel e com falha. Por´em, levando em considera¸c˜ao a limita¸c˜ao de resposta do microfone utilizado para compor o banco de dados, as ´ultimas 32 caracter´ısticas de cada medida foram descar-tadas. Por fim, a ent˜ao matriz de atributos, (m´edia, desvio padr˜ao, assimetria e curtose), de dimens˜ao 432x128, ser´a apresentada ao classificador, possibilitando o treinamento e a detec¸c˜ao de falhas de curto-circuito de estator.
3.3 CLASSIFICAC¸ ˜AO DA FALHA DE ESTATOR
A aplica¸c˜ao desta t´ecnica de aprendizado de m´aquina nos atributos extra´ıdos per-mite a valida¸c˜ao da metodologia de processamento de sinais apresentada nesta disserta¸c˜ao. As 432 amostras s˜ao separadas em saud´aveis e com falha, ´e atribu´ıdo um n´umero para identifica¸c˜ao (0 e 1) e as amostras s˜ao misturadas de maneira aleat´oria. Parte delas s˜ao apresentadas ao classificador como treinamento e o restante o SVM executa a classifica¸c˜ao. Nesta aplica¸c˜ao, foi utilizado 75% das amostras para treinamento e 25% para valida¸c˜ao.
Este classificador ´e aplicado utilizando o toolbox SVM do MATLAB, considerando as fun¸c˜oes kernel linear e n˜ao-linear dispon´ıveis. A classifica¸c˜ao ´e feita em classes, presen¸ca de falha no estator e sinal saud´avel.
Neste cap´ıtulo, foi apresentada em detalhes a metodologia considerada e aplicada no desenvolvimento dessa disserta¸c˜ao. Com referˆencia ao fluxograma metodol´ogico, o trabalho foi apresentado em etapas, partindo do banco de dados de emiss˜ao ac´ustica utilizado e passando pelas t´ecnicas de pr´e-processamento e processamento, com a aplica¸c˜ao da TW e RPCA, de sinais chegando as caracter´ısticas extra´ıdas que s˜ao utilizadas para a classifica¸c˜ao de padr˜oes. A metodologia proposta e aplicada neste trabalho se encerra com a extra¸c˜ao dos atributos, ou caracter´ısticas, que representam todo o conjunto de dados. Por fim, ´e apresentada a t´ecnica de SVM para classifica¸c˜ao das falhas e valida¸c˜ao.
O Cap´ıtulo 4 est´a elaborado com apresenta¸c˜oes de an´alise de resultados deste trabalho, cujo objetivo principal ´e a valida¸c˜ao da metodologia de PDS proposta.
4 RESULTADOS
Neste cap´ıtulo, os resultados obtidos s˜ao apresentados e discutidos para a va-lida¸c˜ao da proposta de trabalho. Seguindo a metodologia aplicada e descrita no cap´ıtulo anterior, uma an´alise detalhada dos sinais e das caracter´ısticas extra´ıdas ´e exposta, assim como os resultados obtidos no classificador para a valida¸c˜ao do m´etodo apresentado.
4.1 AN ´ALISE DO BANCO DE DADOS
Os espectros de um sinal de ´audio de MIT em condi¸c˜ao saud´avel com 4 N m de conjugado de torque, junto a um sinal com falha de 10% de curto-circuito no estator e tamb´em com 4 N m, est˜ao apresentados na Figura 9. No primeiro conjunto de imagens, coluna da esquerda, os eixos de frequˆencia est˜ao limitados de 0 a 3 kHz, e no segundo, coluna da direita, ´e apresentado um recorte de 1 a 2 kHz para melhor visualiza¸c˜ao dos picos caracter´ısticos causados pela falha.
Figura 9: Espectro de uma sinal saud´avel e com curto-circuito no estator em escalas de 3 kHz (coluna da esquerda) e em corte espec´ıfico de 1 a 2 kHz (coluna da direita).
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Conforme a Equa¸c˜ao (1) apresentada pode-se confirmar se essa altera¸c˜ao no es-pectro evidenciada corresponde `a modifica¸c˜ao do m´odulo das componentes de frequˆencia devido a falha de curto-circuito no estator. Para tanto, sabendo que o escorregamento para a condi¸c˜ao de 4 Nm corresponde a s = 0, 037, assumindo k = 21 considerando um n´umero ´ımpar acima da 20a harmˆonica e adotando n = 1, obtˆem-se que existe uma frequˆencia de curto-circuito em 1, 288 kHz e outra em 1, 768 kHz, assumindo k = 29.
4.2 TRANSFORMADA WAVELET
O sinal de ´audio ´e decomposto pela transformada wavelet e assim s˜ao extra´ıdas as caracter´ısticas de diferentes faixas de frequˆencia. Uma representa¸c˜ao dessa a¸c˜ao est´a apresentada nas Figuras de 10 a 14. A partir do sinal de MIT saud´avel, conforme a Figura 10, realizou-se a decomposi¸c˜ao em seis n´ıveis para an´alise dos 64 coeficientes.
Figura 10: Sinal de ´audio do MIT saud´avel com conjugado de torque de 0,5 Nm. Fonte: Autoria pr´opria.
Nas Figuras 11 a 14, est˜ao apresentadas as primeiras componentes wavelets ex-tra´ıdas. Ao comparar as figuras, percebe-se que a energia do sinal decresce conforme a faixa de frequˆencia aumenta, chegando a um patamar onde existe apenas ru´ıdo branco de baix´ıssima amplitude.
Figura 11: Componentes (6,0) e (6,1) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel.
Fonte: Autoria pr´opria.
Figura 12: Componentes (6,2) e (6,3) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel.
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Figura 13: Componentes (6,4) e (6,5) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel.
Fonte: Autoria pr´opria.
A Figura 14 retrata as primeiras componentes desprezadas nesta metodologia, (6,32) e (6,33). Percebe-se que a amplitude ficou praticamente nula.
Figura 14: Componentes (6,32) e (6,33) provenientes na decomposi¸c˜ao wavelets no sexto n´ıvel.
4.3 AJUSTE DO RPCA
Considerando apenas a componente esparsa de informa¸c˜ao, este m´etodo calcula os atributos que representam o sinal para possibilitar a classifica¸c˜ao da falha de curto circuito no estator.
Sabendo que o objeto de interesse desta aplica¸c˜ao ´e a componente esparsa da matriz M e ainda, que a solu¸c˜ao de PCP em recuperar perfeitamente as componentes (posto baixo e esparsa), depende do correto ajuste no parˆametro λ.
No desenvolvimento deste trabalho foram realizadas compara¸c˜oes do valor do parˆametro λ com o resultado obtido pelo classificador SVM. Conforme proposto em Huang et al. (2012) considerou-se λ = kl/√n. De acordo com a recomenda¸c˜ao em Candes et al. (2011), iniciaram-se os testes com kl = 1, em seguida as compara¸c˜oes na seguinte sequˆencia: kl = {0, 5; 2, 0; 1, 5; 1, 2; 0, 8; 0, 9}. Para kl = 0, 5 e 2, foi poss´ıvel confirmar que o valor de λ interfere significativamente na classifica¸c˜ao de L com a esparsa de S, conforme a Figura 15.
Figura 15: Representa¸c˜ao do impacto do λ na classifica¸c˜ao de L e S. Imagens referente aos dados da ´ultima itera¸c˜ao do algoritmo.
Fonte: Autoria pr´opria.
Nas imagens da esquerda, kl = 0, 5, percebe-se que a informa¸c˜ao se concentrou na matriz esparsa. J´a na direita, apesar da parte esparsa ainda n˜ao ser nula, isso pode acontecer se aumentar ainda mais o valor de kl. A pr´opria sequˆencia dos testes kl fez com que chegasse at´e o valor de λ = 0, 0164 com kl = 0, 9.
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4.4 AN ´ALISE DAS CARACTER´ISTICAS EXTRA´IDAS
As t´ecnicas de PDS propostas neste trabalho possibilitaram a cria¸c˜ao do grupo de caracter´ısticas que descrevem o sinal de ´audio do MIT. Atrav´es do pr´e-processamento, aplica¸c˜ao da TW, RPCA e c´alculo das medidas estat´ısticas, tais atributos permitem a valida¸c˜ao desta metodologia. Assim, a matriz resultante de atributos 432x128, composta por 32 caracter´ısticas de cada medida estat´ıstica ´e utilizada como entrada do classificador.
Para an´alise dos resultados, uma compara¸c˜ao entre os dados do MIT saud´avel e com falha de estator foi proposta. A fim de elucidar cada caracter´ıstica que apresenta um determinado comportamento na classe, as medidas estat´ısticas s˜ao apresentadas separa-damente e, quando necess´ario para explica¸c˜ao, os 32 atributos ser˜ao divididos em grupos para melhor visualiza¸c˜ao. A Tabela 2 auxilia na identifica¸c˜ao da faixa de frequˆencia cor-respondente ao atributo, uma vez que cada faixa possui 0,75 kHz. As caracter´ısticas est˜ao divididas em: m´edia (f01a f32), desvio padr˜ao (f65a f96), assimetria (f129 a f160) e curtose
(f193 a f224).
Tabela 2: Faixas de frequˆencia da decomposi¸c˜ao wavelet
Caracter´ıstica Faixa de frequˆencia Caracter´ıstica Faixa de frequˆencia f01|f65|f129|f193 0 a 0,75 kHz f17|f81|f145|f209 12,00 a 12,75 kHz f02|f66|f130|f194 0,75 a 1,50 kHz f18|f82|f146|f210 12,75 a 13,50 kHz f03|f67|f131|f195 1,50 a 2,25 kHz f19|f83|f147|f211 13,50 a 14,25 kHz f04|f68|f132|f196 2,25 a 3,00 kHz f20|f84|f148|f212 14,25 a 15,00 kHz f05|f69|f133|f197 3,00 a 3,75 kHz f21|f85|f149|f213 15,00 a 15,75 kHz f06|f70|f134|f198 3,75 a 4,50 kHz f22|f86|f150|f214 15,75 a 16,50 kHz f07|f71|f135|f199 4,50 a 5,25 kHz f23|f87|f151|f215 16,50 a 17,25 kHz f08|f72|f136|f200 5,25 a 6,00 kHz f24|f88|f152|f216 17,25 a 18,00 kHz f09|f73|f137|f201 6,00 a 6,75 kHz f25|f89|f153|f217 18,00 a 18,75 kHz f10|f74|f138|f202 6,75 a 7,50 kHz f26|f90|f154|f218 18,75 a 19,50 kHz f11|f75|f139|f203 7,50 a 8,25 kHz f27|f91|f155|f219 19,50 a 20,25 kHz f12|f76|f140|f204 8,25 a 9,00 kHz f28|f92|f156|f220 20,25 a 21,00 kHz f13|f77|f141|f205 9,00 a 9,75 kHz f29|f93|f157|f221 21,00 a 21,75 kHz f14|f78|f142|f206 9,75 a 10,50 kHz f30|f94|f158|f222 21,75 a 22,50 kHz f15|f79|f143|f207 10,50 a 11,25 kHz f31|f95|f159|f223 22,50 a 23,25 kHz f16|f80|f144|f208 11,25 a 12,00 kHz f32|f96|f160|f224 23,25 a 24,00 kHz
O primeiro conjunto de atributos a ser analisados ´e referente `a medida estat´ıstica m´edia, Equa¸c˜ao (15). Na Figura 16, ´e apresentada uma compara¸c˜ao das m´edias e desvios padr˜oes referentes as 32 caracter´ısticas extra´ıdas, (f1− f32).
Figura 16: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja).
Fonte: Autoria pr´opria.
Pelas caracter´ısticas reveladas, percebe-se que individualmente nenhuma delas consegue uma boa descri¸c˜ao do estado do motor, pois suas m´edias e desvios invadem o dom´ınio uma das outras.
Na Figura 17, referente aos 32 atributos (f65− f96) calculados pelo desvio padr˜ao,
Equa¸c˜ao (16), a an´alise da compara¸c˜ao das m´edias e desvios fica comprometida, impossi-bilitando a visualiza¸c˜ao. Portanto, as caracter´ısticas ser˜ao separadas em faixas de 6 kHz e apresentadas nas Figuras 18 a 21.
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Figura 17: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja).
Fonte: Autoria pr´opria.
Figura 18: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas f65 a f72.
A Figura 18 corresponde a faixa de frequˆencia de 0 a 6 kHz, separadas em duas imagens para melhor visualiza¸c˜ao. Pela compara¸c˜ao da m´edia e desvio apresentada, percebe-se que apenas os atributos f67, f71 e f72 s˜ao bons indicadores individuais de
separabilidade.
Na Figura 19, os atributos (f73-f80), correspondem a faixa de frequˆencia de 6
a 12 kHz. Pelas caracter´ısticas das amostras, nota-se na figura que apenas f76, f80 s˜ao
individualmente separ´aveis.
Figura 19: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja).
Fonte: Autoria pr´opria.
Na an´alise dos atributos f81 a f88, conforme a Figura 20, as m´edias e desvios s˜ao
totalmente separ´aveis, sendo assim bons indicadores de separabilidade.
J´a na Figura 21, que corresponde a faixa de frequˆencia de 12 a 18 kHz, pela compara¸c˜ao da m´edia e desvio apresentada, percebe-se que quase todos os atributos s˜ao bons indicadores de separabilidade, exceto f89 e f90 .
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Figura 20: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja).
Fonte: Autoria pr´opria.
Figura 21: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja).
A Figura 22 corresponde a medida estat´ıstica de assimetria, Equa¸c˜ao (16). Anali-sando a compara¸c˜ao da m´edia e desvio apresentada entre os atributos f129-f160, n˜ao existe
um ind´ıcio de que sejam suficientemente separ´aveis.
Figura 22: Compara¸c˜ao da m´edia e desvio padr˜ao das caracter´ısticas extra´ıdas dos sinais de motor saud´avel (azul) e com falha no estator (laranja).
Fonte: Autoria pr´opria.
A Figura 23 corresponde a medida estat´ıstica curtose, Equa¸c˜ao (17). Com rela¸c˜ao a compara¸c˜ao da m´edia e desvio, n˜ao ´e percept´ıvel que as amostras sejam separ´aveis. Por´em, percebe-se que para alguns casos as amostras est˜ao um pouco deslocadas, apesar de se invadirem.