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A PSICOLOGIA ESCOLAR/ EDUCACIONAL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS EM MOVIMENTO

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A PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS EM MOVIMENTO

Resumo

A Psicologia Escolar e Educacional passou por diversas mudanças nas últimas décadas, sobretudo, a partir de 1980 e 1990. Tempos atrás, a ciência psicológica foi utilizada na escola para contribuir com práticas excludentes e segregatórias, entretanto, o Psicólogo Escolar e Educacional hoje tem compromisso ético-político com a Educação e deve lutar pela transformação social. Priorizou-se, neste sentido, uma atuação crítica e reflexiva do(a) Psicólogo(a) Escolar e Educacional, acerca das questões que envolvam o processo ensino-aprendizagem. Novos desafios, perspectivas e possibilidades foram colocados à frente desse profissional, possibilitando uma (re)construção de sua identidade. O objetivo deste estudo foi entender como é e como deve ser a prática do psicólogo escolar/educacional, bem como identificar as possibilidades e os entraves (dificuldades) encontrados por profissionais da Psicologia Escolar/Educacional para o exercício de suas atividades, através de uma revisão bibliográfica sistemática em obras completas e artigos científicos. O instrumento de busca foi a plataforma BVSPSI, pelas revistas indexadas Lilacs, Scielo e Pepsic. O resultado obtido após refinamento pelos critérios de inclusão foram 12 publicações, analisadas no presente texto. Ressalta-se a importância de que projetos e intervenções em Psicologia Escolar sejam cada vez mais compartilhados via publicação, o que poderá auxiliar em muito tanto com o aprimoramento dos serviços quanto para avanços teóricos consistentes na área.

Palavras-chave: Psicologia Escolar. Desafios. Perspectivas.

Introdução

O papel do psicólogo escolar transformou-se ao longo dos anos. Houve tempos em que, a testagem de crianças, por psicólogos escolares, servia apenas para confirmar a lógica das práticas excludentes e segregatórias. Em outras palavras, o indivíduo (aluno) era o responsável por não aprender a ler ou escrever. Poder-se-ia dizer que, o psicólogo assumiu, em inúmeras ocasiões, o papel de “juiz”, ou seja, estava de posse de seu conhecimento e de sua técnica, dando-lhe o direito de determinar ou sentenciar o futuro de uma criança. Já a partir da década de 1980, vimos o início da ruptura desse tenebroso papel que cabia ao profissional psicólogo (Barbosa, 2012).

Atualmente, alguns desafios são impostos ao psicólogo escolar, para que cumpra devidamente o seu papel. Mas, afinal, que papel é esse? Falar de psicólogo escolar é falar de quem? Onde, exatamente, é o lugar deste profissional? Lida-se com o que em Psicologia Escolar? São perguntas que esperamos respondê-las ao final deste trabalho.

Segundo Meira & Antunes (orgs.) (2003, pp. 11-12) um psicólogo escolar não é definido pelo seu local de trabalho, mas pelo compromisso teórico e prático assumido diante das questões escolares. Portanto, o trabalho do profissional em psicologia escolar pode ocorrer tanto dentro quanto fora de uma instituição, contudo deve pautar-se pelo compromisso citado acima,

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problematizando e construindo uma reflexão crítica acerca da realidade em que a instituição-escola está inserida.

Os diversos papéis desempenhados pelo profissional desta área vêm se modificando aos poucos, devido ao avanço científico, de seu objeto de trabalho e das necessidades do lugar em que se encontra. Estudar as atribuições e deveres de que o psicólogo se apropria na Educação é uma colaboração relevante para se chegar a um consenso e decretar de forma definitiva qual é a identidade deste profissional dentro da sociedade contemporânea (De Mauro, 1990 apud Guzzo (org.) 2002, p.51).

Nesta nova fase da Psicologia Escolar, sobretudo a partir das décadas de 1980 e 1990, o convite que se faz aquele ingressante nessa área, é o de revisar e/ou (des)construir a visão geral que se tem sobre a constituição do ser humano, como indivíduo e, ainda, integrante de uma sociedade e uma dada cultura; reconhecendo-o a partir de sua historicidade. Além do mais, é preciso analisar criticamente as instituições humanas, pois estas também não estão desvinculadas de concepções sócio-históricas, culturais e ideológicas. É preciso repensar também, as concepções de Educação e Psicologia, para se dar um novo sentido à Psicologia Escolar (MEIRA & ANTUNES org., 2003).

Quando a atuação do psicólogo escolar se dá junto à demanda de queixa escolar, as autoras citadas acima defendem que esse terá a função de mediador, isto é, aquele que pode criar as condições necessárias para a superação dessa demanda (queixa). Para isso, dizem as autoras:

[...] defendemos a aprendizagem dos conceitos cotidianos e científicos como a atividade principal da criança para garantir o seu processo de humanização, uma vez que ela possibilita e movimenta o processo de desenvolvimento do pensamento, tendo a linguagem, a consciência e as emoções como mediadoras desta ação (MEIRA & ANTUNES org., 2003, p. 27).

E ainda, em relação, ao psicólogo escolar sobre esse processo de mediação, as autoras salientam:

No que compete à ação do psicólogo, propomos a descrição e análise da relação entre o processo de produção da queixa escolar e os processos de subjetivação/objetivação dos indivíduos nele envolvidos, como uma mediação necessária à superação das histórias de fracasso escolar (MEIRA & ANTUNES org., 2003, p. 27).

Pensar sobre as práticas e o lugar do psicólogo escolar, assim como a interface de seu papel com a educação brasileira, com os professores, com alunos e pais, são de suma importância, pois não se pode “cair em armadilhas” do tipo: transformar o psicólogo escolar no salvador, naquele que resolverá todos os problemas da escola; ainda, aquele que elevará a autoestima de todos os atores institucionais; além disso, através de seu trabalho quase que “mágico” tornará crianças mais dóceis e mansas, isto é, adequadas ao que a escola necessita.

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É preciso ter em mente que o papel deste profissional está em constante construção e consolidação. O psicólogo escolar não tem a missão de mudar a educação brasileira. Nem que quisesse teria condição de fazê-lo, isso é um trabalho conjunto, passa por mudanças nas políticas brasileiras sobre a educação, assim como na sociedade de forma geral. É um trabalho de reflexão constante, sobre a verdadeira educação que se quer para este país.

Mesmo com avanços em nossa legislação, a citar a promulgação da Constituição Cidadã de 1988, em que a educação é declarada direito de todos e dever do Estado; a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, denominada Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB); e, a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); percebe-se, que esses avanços não se refletiram na melhoria da educação como um todo. O Brasil ainda “amarga” as últimas colocações em rankings mundiais sobre educação, além do mais, o professor conta com salas superlotadas, ou seja, suas condições de trabalho estão, pode-se dizer, abaixo do que se considera como aceitável.

Sobre esse novo olhar para e sobre a educação, temos então, a retomada do papel do professor como ator central no processo ensino-aprendizagem. Durante algumas décadas explicações sobre o fracasso escolar, estavam amparadas e baseadas na Teoria da Carência Cultural (Angelucci et al, 2004). Diante das inúmeras críticas direcionadas a essa teoria, o professor assume o papel central e também a “culpa” por não atingirem o tão sonhado sucesso escolar (OLIVEIRA, REGO & SOUZA org., 2002).

Ora, mas como almejar o sucesso escolar, se muitas vezes os professores não recebem uma formação inicial adequada? Como “virar o jogo” das práticas institucionais, que apenas tentam docilizar e adequar “indivíduos escolares”? Difícil responder, pois, por não conseguir lidar com a clientela escolar, o professor se vê preso em um discurso muito comum nas escolas: o da incompetência. Os professores não dão conta dos seus alunos, portanto, precisam de formação adicional, porque somente sua formação inicial não é suficiente. Assim, a relação Estado - educação - abandono se mantém, a educação por vezes, não recebe a devida atenção e, nesse jogo de achar o culpado pela má-educação brasileira, ninguém ganha, muito pelo contrário, todos perdem (OLIVEIRA, REGO & SOUZA org., 2002).

Por conseguinte, o psicólogo escolar, muitas vezes, é chamado para ocupar seu lugar de “super-herói”, aquele que resgatará, por exemplo, professores desmotivados, apáticos e desiludidos. O que pode o psicólogo escolar fazer nestes casos? Como se bastasse uma “injeção de ânimo” e, pronto! Problema resolvido! Sendo por aí “onde deve caminhar” o seu trabalho. São exemplos como esses de armadilhas que o psicólogo escolar deve estar atento. Em outras palavras, atenção para não reproduzir a lógica de décadas passadas, em que se esperava exatamente esse papel de especialista, detentor do saber e do conhecimento, que legitimava as ações de exclusão e segregação da instituição escolar.

O psicólogo escolar tem o desafio de lidar com diversas questões oriundas do ambiente escolar. Fica claro o papel deste profissional em sua atuação dentro das instituições escolares, se essa visão estiver voltada para uma práxis contextualizada, ou seja, inserida no momento sócio-histórico e cultural vigente. Por isso, para entender o fracasso e a exclusão escolares, se

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é preciso ter um olhar crítico para tudo isso, senão não há como realizar um trabalho em psicologia escolar (MARINHO-ARAUJO & ALMEIDA, 2010).

Marinho-Araújo & Almeida (2010, p. 69) salientam, que essa construção e consolidação da identidade do psicólogo escolar, devem passar por sua formação profissional. De acordo com as autoras, se é preciso pensar em uma formação continuada, estendendo-se, claro, para além da graduação. Possibilitaria em preparação profissional, o que é desejado e esperado do profissional em psicologia escolar e, refletiria também, em investimento pessoal. Enfim, este profissional desenvolveria as competências necessárias para seu trabalho, além disso, para entender ou compreender o sistema educacional em suas dimensões político-sociais.

Como parte da mudança de paradigma da psicologia escolar, vivida a partir da década de 1990, vários trabalhos e pesquisas apresentadas em congressos – como o CONPE - Congresso Nacionais de Psicologia Escolar e Educacional, organizados pela ABRAPEE - Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional – refletem essa nova visão, essa nova forma de se fazer e atuar em psicologia escolar (MARINHO-ARAÚJO & ALMEIDA, 2010).

Contudo, algumas pesquisas demonstram que os cursos de graduação em Psicologia, ainda muito influenciados pela tradição da área clínica, formam profissionais com atuações “híbridas”, culminando em práticas, em que pressupostos filosóficos, metodológicos e teóricos destituem-se de especificidade própria da psicologia escolar. Ou seja, o “velho fantasma” rondando a instituição escolar, a clínica permeando ou querendo adentrar (n)o trabalho do psicólogo escolar (MARINHO-ARAÚJO & ALMEIDA, 2010).

A tendência então é que a psicologia escolar se torne uma ferramenta dinâmica, amplamente utilizada no sentido de ajudar no processo de ensino e aprendizagem, bem como na resolução de problemas individuais, sociais, da instituição e da comunidade.

O pleno exercício do papel do psicólogo escolar será feito com toda a instituição-escola, em outras palavras, com todos os atores envolvidos no processo ensino-aprendizagem, entre eles o(a) professor(a). Segundo Macarini et al (2009), o psicólogo escolar tem dentre suas possibilidades de intervenção: a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, abrangendo os muitos aspectos constituintes desse cenário, o trabalho com a equipe de profissionais da instituição.

O trabalho com esses profissionais tem como finalidade a formação, no sentido de auxiliá-los em sua tarefa no dia a dia, seja por meio de palestras em reuniões pedagógicas, contribuindo para a construção do projeto político pedagógico da escola e, até mesmo, em conversas cotidianas. Além disso, o psicólogo escolar pode utilizar-se de seu papel acolhedor em reuniões de grupos de professores e, ouvir suas angústias e preocupações, pois é um grupo de profissionais que por vezes é tão deixado de lado. Torna-se, então, necessário o resgate da identidade, da alegria de ensinar, de ser reconhecido como um dos atores desse processo de transformação social (DELVAN e cols., 2002 apud MACARINI et al, 2009).

Historicamente, a culpa pelas chamadas “queixas escolares” muito recaiu sobre o próprio aluno e/ou família deste. Percebe-se tal fato diante de pesquisas como as citadas por Souza (1997; 2000 apud Scortegagna &

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Levandowski, 2004), em que professores e diretores de escolas públicas tendem a acreditar que as causas dos problemas de aprendizagem são culpa das próprias crianças ou ainda de seus pais. Algumas pesquisas apontam, ainda, para um antigo paradigma, ou seja, de que as causas dos problemas de aprendizagem têm origem na desnutrição.

Ainda de acordo com a pesquisa, 92,5% acreditam que o problema de aprendizagem deve-se a problemas emocionais ou neurológicos das crianças. Cerca de 22% apontam que o problema está no sistema educacional e, 7,5% consideram que a causa do fracasso escolar está no funcionamento da escola. É, portanto, uma das atribuições do psicólogo escolar, trabalhar com as crenças cristalizadas dos professores, de que a responsabilidade do não aprender é sempre da criança. Estas crenças “engessam” o movimento da instituição, criam certa passividade diante da situação, pois não há o que fazer, o que mudar e o que pensar sobre, se as causas recaem apenas sobre os alunos (SOUZA, 1997; 2000 apud SCORTEGAGNA & LEVANDOWSKI, 2004).

Destarte, é importante que o professor reconheça e compreenda a criança (aluno) diante da realidade social e institucional que essa está inserida. Contudo, não se pode esquecer que o docente também está inserido nesta mesma realidade (social e institucional), realidade esta que determina muitas vezes a sua maneira de pensar e agir (Scortegagna & Levandowski, 2004). Temos, então, uma possibilidade de atuação da psicologia escolar nessa demanda, ou seja, nas relações de poder que determinam o sucesso ou fracasso escolar. O processo ensino-aprendizagem acontece em uma relação, entre professor e aluno, é de suma relevância que o psicólogo escolar esteja atento a essa relação.

Entende-se o papel e atuação dos professores, como extremamente relevantes para a instituição-escola, para a sociedade, e, principalmente, para os alunos, pois estes últimos deverão ser formados como cidadãos críticos, que se posicionam diante de situações e problemas da vida e consigam resolvê-las de forma criativa e autônoma. Além disso, a escola divide essa responsabilidade com o professor, isto é, almeja formar cidadãos; além do mais, a instituição escolar é agente de transformação social. O trabalho do psicólogo escolar, juntamente, com todos os atores institucionais deve garantir a construção de uma educação que agregue, seja crítica e reflexiva, a todos, sem qualquer distinção.

Constata-se, conforme já dito acima, a educação brasileira avançou no que diz respeito à legislação. A Constituição Federal de 1988, garante em seu art. 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Além da Constituição Cidadã, temos a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, que como o próprio nome diz dita as diretrizes e bases da educação no Brasil, regulamentando o sistema de educação com base nos princípios da Constituição brasileira.

Entretanto, o que se vê na prática, não é o avanço alcançado por meio de leis, ou seja, a educação no Brasil ainda não conseguiu efetivamente a aplicação da lei, transformar a educação no direito de todos e dever do Estado. Com relação à profissionalização do psicólogo escolar, destaca-se na LDB o

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art. 71, o qual discorre sobre as “despesas educacionais”, sendo que em seu inciso IV, além de deixar de lado o psicólogo, ainda classifica os seus trabalhos como “outras formas de assistência social”. Diante desta percepção errônea e limitada das possibilidades de trabalho em psicologia, acaba não surpreendendo o caráter irrelevante atribuído a este profissional, sendo tratado como uma despesa ao invés de investimento educacional. Deste artigo 71 supracitado, advém como resultado, a concretização da impossibilidade de se inserir o psicólogo dentro da escola como funcionário efetivo, o que acaba por limitar as possibilidades de atuação profissional desta área.

Todavia, ao se fazer uma investigação mais efetiva dessa limitação, evidencia-se que ela não altera de forma substancial, as circunstâncias em que, há muito, o psicólogo escolar vem atuando no Brasil. De um lado, têm-se os professores pesquisadores das instituições de ensino superior, que priorizam a possibilidade de criar novos conhecimentos nesta área, por vezes relacionando-a a experiências práticas de intervenção educacional; do outro lado, existem os profissionais liberais, com graduação em psicologia, que realizam suas práticas ocupacionais no âmbito da educação, sem um interesse secundário em gerar novos conhecimentos sobre suas atividades ou de publicar suas experiências e achados, normalmente em escolas particulares, com raras exceções em escolas públicas.

Para Tetters, o grande desafio para a psicologia escolar atualmente é adequar “os constructos teóricos às características econômicas, sociais, políticas e ideológicas” que acabam influenciando a Educação, a escola, os alunos, as famílias e a sociedade. Levando-se em consideração que a sala de aula reflete a sociedade:

[...] é urgente que a Psicologia Escolar transforme cada vez mais o foco de interesse individualista e limitado das dificuldades de aprendizagem para uma proposta de trabalho coletivo, com orientação realmente preventiva para superar a grande ameaça do risco social a que todos os países estão submetidos; pobres, ricos, desenvolvidos e subdesenvolvidos (TETTERS, 1990 apud GUZZO (org.), 2002, p.50).

Método Objetivo

Entender como é e como deve ser a prática do psicólogo escolar/educacional, bem como identificar as possibilidades e os entraves (dificuldades) encontrados por profissionais da Psicologia Escolar/Educacional para o exercício de suas atividades.

Justificativa

Trata-se de uma aproximação da área de Psicologia Escolar e Educacional, abrangendo desde os aspectos históricos, isto é, a constituição e construção da identidade desta área dentro e fora da Psicologia e da

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Educação, até o trabalho propriamente dito do psicólogo escolar na instituição (escola), em outras palavras, o “como fazer” do psicólogo escolar.

Procedimentos

Buscou-se, através desta pesquisa, fazer uma revisão bibliográfica em obras completas e artigos científicos, acerca da temática proposta. Destarte, o eixo de análise deste trabalho, buscou-se em revisões de artigos acadêmicos encontrados de acordo com os critérios de inclusão citados abaixo. A pesquisa foi realizada nos dias 22 e 25 de Fevereiro de 2014 e 16 de Março de 2014, utilizando-se como instrumento de busca as plataformas BVSPSI, pelas revistas indexadas Lilacs, Scielo e Pepsic. Os critérios de inclusão utilizados foram: trabalhos em português; cronologia 2009 – 2013; e publicações que apresentassem a psicologia escolar tanto no campo teórico quanto na prática cotidiana. As palavras-chave foram: Entraves Psicologia Escolar; Possibilidades Atuação Psicologia Escolar; Dificuldades Atuação Psicologia Escolar; Psicólogo Escolar Desafios; Psicólogo Escola Atuação; Psicologia Escolar Queixa; Psicologia Escolar Professor; Psicólogo Escolar Comunidade. Por conseguinte, o resultado obtido após refinamento pelos critérios de inclusão foram 12 publicações (tabelas em anexo), analisadas a seguir.

Resultados e Discussão

Quanto ao método empregado nas pesquisas, constatou-se que, em 10% dos artigos foi utilizado o método de pesquisa-intervenção; em outros 10% utilizou-se a observação-participante; não constava o método utilizado em 10% das publicações; em 20% foi empregado o método Revisão Teórica; e por fim, em 40% empregou-se a Pesquisa de Campo. Com relação à metodologia escolhida pelos autores, os resultados apresentam-se da seguinte forma: todos os artigos encontrados contemplavam a metodologia qualitativa. Em nossos achados apuramos que 90% das publicações foram feitas por dois ou mais autores, e em apenas 10% por um único autor.

Ao averiguarmos a região de origem dos artigos, constatamos que há uma distribuição homogênea entre as regiões Sul, Nordeste e Centro-oeste, isto é, em cada uma das regiões foram encontradas 30% de produções. Identificamos com relação à metodologia utilizada nos artigos que em 100% deles, contemplavam a forma de pesquisa qualitativa. Segundo Oliveira (2010), “Fazer pesquisa qualitativa é analisar e interpretar os dados, refletir e explorar o que eles podem propiciar buscando regularidades para criar um profundo e rico entendimento do contexto pesquisado”.

Pode-se constatar que dentre as produções contempladas, neste estudo, 70% objetivavam a reflexão sobre o papel e a atuação do psicólogo escolar. Em 20% pretendia-se refletir sobre a formação continuada de professores e 10% discutiam sobre a importância da construção do Projeto Político Pedagógico. Os objetivos destes artigos mostram o novo momento que a psicologia escolar se insere a partir da década de 1990, em que “[...] há um aumento significativo na produção teórica nacional na área, que possibilitou a esse profissional fundamentar a teoria e prática no ambiente escolar” (Wechsler

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org., 1996). Isto se deu, a partir do momento em que “[…] Diversos profissionais lutaram por uma reformulação do trabalho, isto é, da atuação do psicólogo na escola” (Wechsler org., 1996; Barbosa, 2012).

Dos artigos que se propuseram a tratar da reflexão sobre o papel e a atuação do psicólogo escolar, seis produções (60%) atingiram o objetivo almejado. Sobre as publicações que tratam a respeito da formação continuada dos professores, concluímos que ambas as produções alcançaram seus objetivos também. A atuação do psicólogo escolar neste contexto (formação continuada) é uma atividade (função) inerente ao que se espera deste profissional, visto que muitas vezes os professores não recebem uma formação adequada no ensino superior, por conta disso, necessitam de uma formação adicional.

Quanto à publicação que aborda a discussão sobre a importância da elaboração do Projeto Político Pedagógico, constatamos que o seu objetivo também foi atingido. Delvan e cols. (2002, apud Macarini et al, 2009) salientam que o trabalho do psicólogo escolar, dentre outras funções, está voltado no sentido de contribuir “[...] para a construção do projeto político pedagógico da escola [...]”.

A partir da análise dos resultados de todas as publicações, observou-se “os dois lados da mesma moeda”, isto é, de acordo com a literatura, desde a década de 1980 a psicologia escolar vem passando por um processo de transformação, no sentido de refletir e discutir o seu papel na educação. Alguns destes artigos confirmam este processo de mudança, em que o psicólogo escolar é visto como aquele responsável por mediar atores institucionais ampliando a visão crítica sobre os seus papéis na educação (CFP, 2013).

Por outro lado, também foi possível observar que mesmo dispondo de informações e estudos acerca do que vem a ser o papel do psicólogo escolar, percebeu-se em algumas publicações que ainda permanecem formas tradicionais de atuação, em outras palavras, alguns profissionais acabam utilizando uma abordagem tipicamente voltada para a área clínica, o que talvez evidencie outra problemática discutida, a formação insuficiente ou inadequada de ênfase clínica voltada ao contexto escolar, visto que alguns psicólogos entrevistados nas publicações, afirmaram não terem tido contato suficiente com a área escolar (MARINHO-ARAÚJO & ALMEIDA, 2010).

Considerações Finais

Os artigos estudados vão de encontro à teoria, entretanto, a grande questão é que pouco se produz de novo. Vê-se muito a teoria repetida inúmeras vezes em artigos diferentes. Pouca ou quase nenhuma prática, análises teóricas sem alusão a intervenções em campo. Dificuldades e estratégias para solução são mencionadas, porém sem a demonstração efetiva sobre a realidade, ainda que apontando-se as limitações muitas vezes impostas pelos diversos contextos. Ressalta-se a importância de que projetos e intervenções em Psicologia Escolar sejam cada vez mais compartilhados via publicação, o que poderá auxiliar em muito tanto com o aprimoramento dos serviços quanto para avanços teóricos consistentes na área. Com esta pesquisa pode-se pensar o reconhecimento, ou ausência deste, que há sobre o

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psicólogo atuante nesta área, além da necessária e urgente compreensão de seu real papel. Destaca-se também a grave questão da medicalização sobre demandas de outras ordens, sejam psicológicas ou sociais, e a necessária e constante revisão teórica, técnica e política sobre o lugar do psicólogo no contexto escolar.

A elaboração deste trabalho nos proporcionou um aprofundamento e conhecimento crítico acerca da psicologia escolar, das dificuldades encontradas e das possibilidades de intervenção deste profissional. Informações que não seriam passíveis de serem assimiladas em sala de aula devido ao tempo limitado e o foco abrangente das matérias ministradas em classe. Por fim, podemos dizer que as entrevistas realizadas com os profissionais da área juntamente com a revisão de produções científicas sobre psicologia escolar, nos proporcionou o amadurecimento teórico da área. Terminamos este trabalho com a consciência de que cabe aos futuros profissionais da área de psicologia escolar, dar continuidade a este trabalho de desmistificação e de abertura de espaços que, ainda que gradativamente, vem sendo feito, negando-se a compactuar com práticas de exclusão e discriminação, o que irá contribuir na construção de uma área científica da Psicologia de modo responsável, ético, que promove bem estar e desenvolvimento entre aqueles que deste espaço compartilham - a escola. Referências

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