Aula # 4
Piaget
• A teoria de Piaget, teoria que sofreu ela
própria, muitas evoluções com o tempo
(Beilin, 1992: Byrnes, 1992; Davidson,
1992), apelou ainda para outros
processos de desenvolvimento (Lourenço,
2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• A equilibração e a regulação (Piaget,
1957, 1975), isto é, a actividade do sujeito
no sentido de responder aos problemas
(internos e externos) que se lhe deparam,
como, por exemplo, corrigir a abertura da
mão quando não consegue apanhar um
objecto que quer alcançar (Lourenço,
2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• A
abstracção reflexiva
e a
generalização construtora (Piaget, 1977,
1978), isto é, a actividade do sujeito para
extrair conhecimentos que vão além da
experiência empírica passada, como, por
exemplo, saber que uma bola posta em
movimento jamais pararia se fossem
eliminados o atrito e a resistência do
espaço onde se desloca (Lourenço, 2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• A tomada de consciência (Piaget, 1974),
i.e., a actividade do sujeito reflecte, por
exemplo, sobre os seus êxitos e fracassos
(Lourenço, 2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• Os procedimentos (Inhelder & Piaget,
1979), i.e., a actividade do sujeito no
sentido de resolver um certo problema,
como determinar, por exemplo, o centro
de gravidade de uma barra de madeira
que tem dentro de uma das suas
extremidades uma pequena esfera de
chumbo (Lourenço, 2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• A abertura a novas possibilidades (Piaget, 1981, 1983), i.e., a actividade do sujeito no sentido de imaginar realidades futuras por mais virtuais que elas sejam (Lourenço, 2005).
• A contradição e a dialética (Piaget, 1974, 1980), i.e., a actividade do sujeito que procura articular o que, à primeira vista, parece contraditório, como, por exemplo, compreender que um copo que está meio vazio também está meio cheio, ou o contrário (Lourenço, 2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• As aprendizagens operatórias (Inhelder,
Sinclair, &
Bover, 1974), i.e., a
possibilidade de um certo sujeito mudar o
seu nível de conhecimento estrutural
quando o seu ponto de vista é confrontado
com o de outrem que pensa a partir de um
nível de conhecimento estrutural mais
avançado do que o seu (Lourenço, 2005).
Piaget – Processos de
Desenvolvimento
• Em casos deste género, que têm muitas
implicações pedagógicas, fala-se em
construção da inteligência pela interacção
social (Doisa & Mugny, 1981; Moshman &
Geil, 1998; Perret-Clermont, 1979), ou em
promoção do desenvolvimento através do
conflito cognitivo e sócio-cognitivo (Roy &
Howe, 1990; Taal & Oppenheimer,
Em síntese...
• O que se desenvolve na teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget é a maturidade intelectual do sujeito, como em parte acontece nas teorias de processamento da informação (Salthouse, 1992); não como um certo brilhantismo intelectual que diferencia as pessoas em termos da sua quantidade de inteligência (geral ou específica), como ocorre nas teorias psicométricas (Gardner & Clark, 1992).
Em síntese...
• Não ainda como um conjunto de conhecimentos que o sujeito adquire por intermédio de processos de aprendizagem como condicionamento, reforço e observação, como se verifica nas teorias de aprendizagem (Charness & Bieman-Copland, 1992); mas sim como uma competência de tipo qualitativo, estrutural e geral que o sujeito constrói em interacção permanente com o meio e que utiliza para conhecer, pensar e raciocinar sobre a realidade (Lourenço, 2005).
Em síntese...
• O que se desenvolve na teoria de
desenvolvimento cognitivo de Piaget não
é tanto o saber mais, conhecimento
declarativo, procedimental ou
metacognitivo, mas o saber melhor,
conhecimento fundamental, estrutural
ou categorial (Lourenço, 2005).
Teorias e Modelos de Desenvolvimento Cognitivo
Thelen & Smith (1994, 1998)
Sistemas dinâmicos
Bjorklund & Harnishfeger (1990)
Biológicas e maturacionais Bandura (1977, 1986); Bijou (1922) Aprendizagem Spearman (1927); Thurstone (1938) Psicométricas Vygotsky (1978, 1981) Sócio-cultural
Bronfenbrenner & Morris (1998)
Ecológica
Baltes (1987); Baltes et al. (1998)
Life Span ou Ciclo de Vida
Case (1985); Fischer et al. (1990)
Neo-Piagetianas
Keil & Lockhart (1999); Klahr (1999)
Processamento de Informação
Piaget
Piagetiana
Principais autores Teorias
Teorias do Processamento da
Informação
• Ao contrário do que acontece em Piaget,
nas teorias de processamento de
informação não é relativamente fácil dizer
o que se desenvolve com o
desenvolvimento cognitivo. Isto deve-se,
nas palavras de Miller (1989), ao seguinte:
– “O processamento da informação não é uma única teoria, mas uma abordagem que caracteriza um grande número de teorias”.
Teorias do Processamento da
Informação
• A característica fundamental de todas elas
é a adopção do modelo de processamento
da informação. Em geral, adoptam a
metáfora do
computador
para
descreverem o suposto trabalho interno da
mente. Todas elas derivam da chamada
revolução cognitiva dos anos 50 (Kail &
Bisanz, 1992; Keil & Lockhart, 1999; Klahr,
1992,1999;
Klahr
&
Wallace, 1976;
Salthouse, 1992; Sternberg, 1988).
Teorias do Processamento da
Informação
• A ideia central é que o comportamento (e o seu desenvolvimento) traduz um conjunto de
processos mentais tendo a ver com:
– A codificação de estímulos vindos do exterior,
inputs.
– A sua retenção em diversos tipos de memória, concebida, em geral, como se de um armazém se tratasse.
– A sua transformação interna. – A sua recuperação.
– E, por fim, a produção de respostas observáveis,
Teorias do Processamento da
Informação
• Existem sobretudo duas maneiras de conceber o processamento de informação que é suposto ocorrer algures na mente ou no cérebro. Se para a teoria de
produções de sistema, o processamento é sobretudo
serial, modular e relativamente abrupto, para os
modelos conexionistas o processamento de informação ocorre sobretudo em paralelo, não em série; é distribuído por vários módulos em conexão, não localizado num módulo relativamente independente; e mais gradual e contínuo, no sentido em que depende da maior ou menor activação das várias redes de neurónios envolvidas no processamento da informação em causa, de que abrupto e relativamente brusco (Klahr, 1999; Plunkett, 2000).
Teorias do Processamento da
Informação
• O primeiro lembra uma instalação
eléctrica em série, os segundos uma
instalação em paralelo. Em vez de um
circuito, há vários que são activados ao
mesmo tempo. É por esta razão que os
modelos conexionistas são também
chamados modelos PDP (i.e., parallel
distributed processing: processamento
Teorias do Processamento da
Informação
• De referir ainda que a manipulação de
símbolos e o apelo à memória estão para
as teorias de processamento por
produção produção de sistemas como a
activação e a conexão entre redes de
neurónios estão para os modelos
conexionistas
do processamento da
informação (Lourenço, 2005).
Teorias do Processamento da
Informação
• A posição das abordagens do
processamento da informação em relação
ao desenvolvimento cognitivo foi traçada
há mais de 20 anos por Herbet Simon
Herbet
Teorias do Processamento da
Informação
• Mas afinal, o que se desenvolve com o desenvolvimento cognitivo segundo as abordagens do processamento de informação? • Dado que tais abordagens assumem (a) que a
actividade cognitiva do sujeito pode ser descrita em termos de processos ou operações mentais que ocorrem entre certos inputs, como ouvir um conjunto de números apresentados sequencialmente, e certos outputs, como ser capaz de recordar, logo depois, o conjunto de números ouvidos (i.e., memória a curto prazo).
Teorias do Processamento da
Informação
• (b) que são estas operações de registo, codificação, combinação, comparação e recuperação da informação que estão envolvidas em muitas tarefas cognitivas executadas pelos sujeitos, como aprender a ler, recordar um # de telefone, resolver um problema matemático ou imaginar como fica uma determinada figura geométrica depois de sofrer uma certa rotação, então nessas abordagens, o que se desenvolve com o desenv. cog. é a capacidade e as estratégias do sujeito para processar e tratar essa informação (Lourenço, 2005).
Teorias do Processamento da
Informação
• Porque a memória – de trabalho ou a curto prazo (i.e., a que entra em jogo para recordar algo que acabou de acontecer), a longo prazo (i.e., a que entra em jogo para recordar algo mais distante), episódica (i.e., a recordação de uma vivência específica no tempo e espaço), semântica (i.e., a recordação do significado das palavras, por exemplo), implícita ou explícita, ou ainda outras – é tida como uma função psicológica central no processamento e tratamento da informação, o que mais se desenvolve com o des. cog. Segundo tais abordagens é a capacidade de memória do sujeito (Schneider, 2002)(Lourenço, 2005).
Teorias do Processamento da
Informação
• Esta capacidade, chamada também amplitude
de memória (memory span) ou capacidade
mental, é medida muitas vezes pela quantidade de números de uma determinada série (939355720, por exemplo) que uma pessoa é capaz de repetir pela ordem (directa ou inversa) em que os ouviu. Contudo, não existe acordo quanto à questão de saber se o aumento (efectivo) da amplitude de memória durante o desenvolvimento reflecte um aumento da capacidade de memória em si mesma, ou representa apenas uma utilização mais eficiente de uma capacidade de memória que se manteria constante (Lourenço, 2005).
Teorias do Processamento da
Informação
• O facto dos sujeitos, em diferentes idades, terem pior desempenho em tarefas duais (tarefa primária e secundária) do que em tarefas simples, versus executar apenas uma tarefa, tem sido apresentado como um argumento a favor da hipótese da existência de recursos centrais de processamento limitados e, portanto, também a favor da ideia da existência de uma capacidade mental, amplitude de memória ou memória de trabalho que é relativamente estável ao longo da vida (Bjorklund & Harnishfeger, 1990).