Artigo Original
A IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA DURANTE O PERÍODO GESTACIONAL NO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA.
THE IMPORTANCE OF THE PHYSICAL THERAPY INTERVENTION DURING THE PREGNANCY PERIOD IN THE FAMILY HEALTH PROGRAM.
EDILAYNE LYRIO NASCIMENTO1
1. Fisioterapeuta graduada pela Universidade Estácio de Sá. Professora de Educação Física graduada pela Universidade Estácio de Sá. Aluna de Pós-Graduação em Saúde da Família da Faculdade de Medicina de Campos.
RESUMO
A maternidade é vista como um dos fatos mais importantes para a mulher, tendo a fisioterapia como aliada para tornar esse momento ainda mais prazeroso. Objetivo: Avaliar se as gestantes do Programa Saúde da Família estão informadas a respeito da importância e se têm conhecimento do trabalho fisioterapêutico voltado para as gestantes. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo transversal. Contou com a participação de 10 gestantes cadastradas no Programa Saúde da Família, no Pólo de Custodópolis, em Campos dos Goytacazes-RJ. Os dados foram coletados por meio de entrevista com protocolo contendo perguntas em relação à gestação, desconfortos sentidos, prática de atividade física, conhecimento e interesse em relação ao trabalho fisioterapêutico. Resultados: As participantes apresentam média de idade de 24 anos. Das gestantes participantes, (70,0%) relataram sintomatologia, em contrapartida (100,0%) das gestantes afirmaram não praticar atividade física, (80,0%) relataram não terem sido informadas quanto a possibilidade de fazerem fisioterapia e apenas (10,0%) disseram conhecer tal trabalho. Em relação ao interesse em realizar fisioterapia durante a gestação, (70,0%) das gestantes disseram ter interesse. Conclusão: Ao final da pesquisa foi observado que mesmo sem conhecerem a grande maioria das gestantes teriam interesse em realizar fisioterapia durante o período gestacional.
Palavras-chaves: fisioterapia, gravidez, atividade física, Programa Saúde da Família.
INTRODUÇÃO
O papel interdisciplinar é imprescindível em qualquer área da saúde, e o fisioterapeuta torna-se extremamente importante dentro das equipes
multidisciplinares de assistência pré-natal, trabalhando na perspectiva da fisioterapia comunitária, onde passa a ter também atuação na promoção de saúde.1
Até passado não muito distante, as gestantes eram proibidas de fazer exercícios físicos pelo potencial risco de complicações para a mãe e para o feto.4 Sabe-se que a assistência fisioterapêutica pré-natal, por meio de orientações posturais e exercícios terapêuticos específicos, podem prevenir e/ou minimizar lombalgias associadas às alterações decorrentes do período gestacional.2, 5
A intenção em realizar esse estudo surgiu pela importância e necessidade em saber se as gestantes atendidas pelo Programa Saúde da Família, Pólo de Custodópolis, realizaram fisioterapia no período gestacional e sabem da importância em realizar o trabalho fisioterapêutico durante o período gestacional.
A partir desse fato, objetivou-se avaliar se as gestantes do Programa Saúde da Família, do Pólo de Custodópolis, estão informadas a respeito da importância e se têm conhecimento do trabalho fisioterapêutico voltado para as gestantes e de seus benefícios, assim como, se as mesmas apresentariam interesse em realizar esse tipo de trabalho.
MATERIAL E MÉTODO
Torna-se importante ressaltar o local de moradia das participantes, onde se observou que se trata de um bairro caracterizado por um nível sócio-econômico baixo, apresentando assim a realidade em que as gestantes estavam inseridas.
Essa pesquisa foi desenvolvida dentro de um contexto descritivo, do tipo transversal. A amostra deste estudo constituiu-se de 10 gestantes, atendidas no Centro de Saúde Escola de Custodópolis (CSEC), no decorrer do ano de 2008, que aceitaram participar do estudo. A identificação das gestantes foi realizada a partir das marcações de consultas com o ginecologista do pólo, e que atendiam aos critérios de inclusão.
Considerando dentro dos critérios de inclusão, as gestantes desde as primeiras semanas de gestação até a 37ª semana de gestação, na faixa etária compreendida entre 18 a 35 anos de idade, primigestas e multigestas, sem restrição de raça, classe social, grau de instrução ou religião. Foram excluídas, as gestantes que não eram cadastradas no Programa Saúde da Família, no Pólo de Custodópolis.
A coleta de dados iniciou-se após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Faculdade de Medicina de Campos, parecer n° 025/08. Todas as participantes do estudo concordaram em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Contendo: objetivo do estudo, procedimentos de avaliações, caráter de voluntariedade da participação do sujeito e isenção de responsabilidade do avaliador e da Faculdade de Medicina de Campos).
Os dados foram coletados por meio de uma entrevista com protocolo, composto por perguntas fechadas e aberta pré-elaboradas, sistemáticas e, sequencialmente dispostas, em relação à gestação, desconfortos, prática de atividade física, assim como conhecimento em relação ao trabalho fisioterapêutico e seus benefícios na gestação e interesse em realizá-los.
Após a coleta dos dados, os mesmos foram analisados através da análise estatística descritiva no Microsoft Excel 2002, e apresentados em forma de gráficos e tabelas com freqüência absoluta e relativa.
RESULTADO E DISCUSSÃO
As participantes tinham idade compreendida entre 18 e 35 anos, tendo como média, 24 anos de idade. A maioria (30,0%), com 19 anos de idade, seguida de (20,0%), 25 anos de idade, e a gestante de mais idade com 35 anos de idade.
Quanto ao número de gestações anteriores, 20,0% eram primigestas e 80,0% multigestas. Quando questionadas em relação à preferência pelo tipo de parto, 40,0% disseram preferir o parto tipo normal, enquanto que 60,0% preferem o parto do tipo cesáreo. De acordo com a maioria dos estados da região Sudeste, onde segundo o Ministério da Saúde6 (2008), registram os índices mais elevados de cesariana, totalizando 52%, apesar do incentivo para realização do parto normal. Já no Sistema Único de Saúde, as cesáreas somam 26% do total de partos.
Tabela I - Referente à sintomatologia de desconfortos.
Variáveis n %
dor nas costas 4 40
dor nas pernas 2 20
dor abdominal 1 10
ausência de desconfortos 3 30
Em relação à sintomatologia de desconfortos (Tabela I), 70,0% das gestantes relataram sentir algum desconforto, dentre os mais citados, encontram-se dores nas costas (40,0%) e nas pernas (20,0%). O que vem a confirmar o que diz outras fontes literárias que afirmam que a gestação é um período propício para tais desconfortos.1; 3; 5
Quando questionadas em relação à prática de atividade física, (100%) das gestantes participantes relataram não praticar nenhum tipo de atividade física a não ser seus afazeres domésticos, o que pode estar ligado à presença de sintomatologia, questionadas anteriormente, visto que a prática da atividade física, principalmente as de baixo impacto contribui para redução da sintomatologia.
Os efeitos da atividade física sobre a gestante além o alívio da sintomatologia dolorosa, como as lombalgias, auxilia na redução dos edemas da gravidez, promove uma reeducação postural, melhora o tônus muscular e promove um maior relaxamento, além de facilitar o trabalho de parto, tornando-o mais efetivo e menos doloroso, contribuindo para uma recuperação mais rápida do parto.
A prevenção de todas as alterações músculo-esquelético deve ser praticada durante toda a gestação, a partir do segundo trimestre, durante e após o parto, buscando sempre a integridade física da mulher.8 Isso, sem contar o papel decisivo da prática da atividade física na promoção da saúde, na qualidade de vida e na prevenção e/ou controle de diversas doenças.
Mesmo em gestações de risco, com suas complicações, os quais o médico e o fisioterapeuta, em uma ação interdisciplinar, devem estar observando freqüentemente, não se encontra justificativa literária para a não prática de exercícios.9 Os exercícios na gravidez beneficiam aspectos como a respiração e ventilação pulmonar, a flexibilidade, a circulação sanguínea, o metabolismo, o fortalecimento muscular e a postura.7
Figura 1 - Gestantes informadas quanto à possibilidade de realizarem fisioterapia 0 2 4 6 8 10 Sim - 20% Não - 80%
Quanto ao fato das gestantes terem sido informadas em relação à probabilidade de realizarem fisioterapia (Figura 1), verificou-se que a grande maioria das gestantes (80,0%) não teve nenhuma informação quanto ao fato de poderem realizar fisioterapia durante o período gestacional. Enquanto que apenas uma minoria (20,0%), tinha alguma informação a respeito deste fato. Dado este de grande importância, visto que a fisioterapia pode contribuir de forma preventiva e curativa nesse período ajudando na diminuição das sintomatologias e até mesmo contribuindo para o momento do parto e no período pós-parto.
Figura 2 - Gestantes que disseram ter
conhecimento do trabalho fisioterapêutico no período gestacional
Sim - 10% Não - 90%
Em relação ao conhecimento do trabalho fisioterapêutico no período gestacional (Figura 2), observou-se que menor ainda foi o número de gestantes que disseram ter algum conhecimento em relação ao trabalho fisioterapêutico que é realizado durante o período gestacional (10,0%), enquanto que (90,0%) das gestantes participantes disseram não ter nenhum conhecimento em relação ao trabalho realizado. Fato que demonstra uma deficiência em respeito à divulgação de informações do trabalho realizado para as gestantes, podendo ser até mesmo uma falha da própria fisioterapia em não divulgar mais este recurso que existe em benefício da sociedade gestante.
Figura 3 - Referente ao interesse das gestantes em realizar fisioterapia 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Sim - 70% Não - 30%
Já na questão que aborda o fato do interesse das gestantes em realizarem o trabalho fisioterapêutico durante a gestação (Figura 3), notou-se que um grande
número das gestantes (70,0%), mesmo diante da falta de conhecimento e de não terem sido informadas, a maioria das gestantes participantes teriam interesse em realizar o trabalho fisioterapêutico. Sabe-se do interesse pelas gestantes em realizar esse tipo de trabalho, evidenciado no relato de uma das participantes:
“...se é pra ajudar a gente, faria sim, é mais alguma coisa pra ajudar...”
Relato esse que nos faz refletir sobre a necessidade de programas que gerem educação em saúde, pois estes oportunizam a troca de conhecimentos entre profissionais da saúde e usuários, respeitando suas crenças, culturas e costumes.
CONCLUSÃO
A partir dos instrumentos de coleta de dados utilizados, nota-se que mesmo sem terem conhecimento e informações a respeito do trabalho que é desenvolvido pela fisioterapia durante o período gestacional, grande maioria das gestantes que participaram da pesquisa teria interesse em realizar fisioterapia durante o período gestacional, fato observado que infelizmente não teve oportunidade de ocorrer. O que também contribuiria para proporcionar o convívio social com outras gestantes, assim como troca de informações e experiências.
Com isso a importância de se investir em ações coletivas que busquem prevenir e promover a saúde, que quando estendido à gestação, pensar em uma assistência de forma interdisciplinar, prevenindo intercorrências e preparando-as talvez para o fato mais importante de suas vidas, a maternidade.
ABSTRACT
The maternity is seen as the one of the facts most important for the woman, having physical therapy as allied to become this still more pleasant moment. Objective: To evaluate if the pregnancy of the Family Program Health they are informed regarding the importance and if they have knowledge of the physical therapy work directed toward the pregnancy. Method: One is to a descriptive research, the transversal type. It counted on the participation of 10 pregnancy registered in cadastre in the Family Health Program, in the Polar region of Custodópolis, in Campos dos Goytacazes-RJ. The date had been collected by means of interview with protocol, contend questions in relation to the gestation, felt discomforts, practical of physical activity, knowledge and interest in relation to the physical therapy work. Results: The participants present average of age of 24 years. Of the participant pregnancy, (70.0%) they had told symptomatic, (100.0%) of the
pregnancy had affirmed not to practise physical activity, (80.0%) they had told not to have been informed how much the possibility to make physical therapy and (10.0%) had only said to know such work. In relation to the interest in carrying through physical therapy during the gestation, (70.0%) of the pregnancy they had said to have interest. Conclusion: To the end of the research it was observed that same without knowing the great majority of the pregnancy they would have interest in carrying through physical therapy during the pregnancy period.
Keys-Words: physical therapy, pregnancy, physical activity, Family Health Program.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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