Uma Pesquisa Sobre Holismo e Educação Holística
Texto
(2) seu livro citado em Londres, Holismo and evolution, na qual sustenta a tendência holística integradora e fundamental do Universo. Pelo seu caráter visionário, a obra de Smuts passou quase despercebida, tendo sido descoberta pelo dissidente freudiano, o austríaco Alfred Adler (1870-1937), que foi por ele muito influenciado, sobretudo na sua concepção de que, inerente a todo corpo, há uma batalha para se tornar um todo. Pierre Weil fez um excelente resumo das idéias de Smuts no seu artigo O novo paradigma holístico; Ondas à procura do mar: o universo não é uma colcha de retalhos etc. Smuts desenvolveu o conceito de Holon: o todo e as partes. Arthur Qoestler desenvolveu o conceito de Holon: o todo para as partes. É Pierre Weil que afirma: “A Visão Holística busca dissolver toda espécie de reducionismo: o somático, o científico, o religioso, o niilista, o materialista ou substancialista, o mecanicista, o antropomórfico, entre outros”. A visão holística, postulada desde 1980 pela psicóloga francesa Monique Thoenig, é produto de um saber e experienciar o novo paradigma holístico. Somos educados para a fragmentação, a unilateralidade de visão que, na nossa cultura racional, denominamos especialização. Outrossim, estamos divididos, compartimentalizados, esfacelados. É por essas divisões internas e externas que se retroalimentam, que estamos pagando. A visão holística é uma nova consciência para a humanidade. SUPERAÇÃO DO MODELO CARTESIANO-NEWTONIANO É um novo sistema de aprender a aprender que sustenta o florescente modelo holístico mundial. Com este paradigma em pauta, foi superado o modelo cartesianonewtoniano. Prevalecida esta opção, ficam também atingidos grandes inventores como Galileu Galilei (1564-1642), fundador da física; o astrônomo Copérnico (1473-1545); Bacon (1561-1626), filósofo político inglês; Thomas Hobbes (1588-1679), preconizador do Nominalismo e Associacionismo Mecanicista; Isaac Newton (1642-1727), fundador da Mecânica Clássica; John Locque (1632-1704), um dos principais mentores do Iluminismo, o qual também considerou a mente como tábula rasa; René Descartes (1595-1650), pai do espírito moderno, fundador do Racionalismo e do qual ficou célebre seu cogito ergo sum. 556. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006..
(3) Em suma, todo o século XIX caracterizou-se por uma crença no determinismo racional, idéias que se fortaleceram com as obras de Darwin (1809-1882), na Biologia, Marx (1818-1883) e Freud (1856-1939) no determinismo psicológico. A Carta de Brasília afirma que, com a superação do modelo cartesianonewtoniano, desponta uma nova realidade e uma nova holoepistemologia, integrando e indo além da epistemologia cartesiana e da concepção dialética clássica. Nesta linha, Aldous Huxley (1894-1963) lembra o termo latino Pontifex: Construtor de Pontes. Lembra que, em conseqüência, se construam pontes entre Arte e Ciências, entre atos observados e experiência imediata, entre moral e avaliações científicas. O VIR-A-SER O inigualável Heráclito, o Obscuro, “filósofo da fluidez e da intuição”, pode ser considerado um símbolo paradigmático dos pré-socráticos. Como um vidente, sustentava que apenas o emergir é: o ser é um, o primeiro; o segundo é o vir-a-ser, o princípio fundamental: “Vejo o vir-a-ser! E ninguém contemplou tão atentamente este eterno quebrar de ondas e esse ritmo das coisas. Tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo. [...] Usais nomes das coisas, como se estas tivessem uma duração fixa; mas, o mesmo rio em que entrais pela segunda vez, não é o mesmo da primeira vez”, exclamava Heráclito de Éfeso, que inaugurou o devir e afirmou a Natureza como infinita e o que jamais repousa, o fogo simbolizando o eterno movimento: “Nem um Deus nem um homem fabricou o universo, mas sempre foi, é e será um fogo sempre vivo que, segundo suas próprias leis, se acende e se apaga”. Depois de Heráclito, o ser humano jamais pode sentir terra firme debaixo dos seus pés, a não ser através da fantasia gerada por nossos precários sentidos sensoriais. Na sua concepção, a origem do vir-a-ser é a polaridade, o conceito de unidade existente na oposição que Nietsche descreveu como o desdobramento de uma força em duas atividades qualitativamente diferentes, opostas, e que lutam pela reunificação. Da luta dos opostos nasce todo o devir; a diferença faz parte da harmonia: da divisão para a unidade e da unidade para a divisão, em que o viver e o morrer estão unidos, Um unindo Tudo. São também de Heráclito estes fragmentos poéticos: A harmonia oculta é superior à aparente. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006.. 557.
(4) A oposição traz concórdia. Da discórdia nasce a mais bela harmonia. É na mudança que as coisas encontram repouso. As pessoas não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda. Há uma harmonia de tensões contrárias Assim como a do arco e da lira. Mas sua função é a morte. ÉTICA DO CONHECIMENTO Graças ao uso do método científico, o homem conseguiu vislumbrar uma concepção ampla do universo, do mundo e da interdependência vital de ambos. Pela primeira vez na história humana, tornamo-nos aptos a desenvolver as bases éticas de um humanismo ético fundamental na ciência, “valor supremo do homem e sua maior criação”. Uma ética desenvolvida a partir do conhecimento biológico pode selecionar metas que melhorem nossa performance bio-psico-social e nos orientem no transcurso da evolução cultural. Jacques Monod, prêmio nobel de medicina, propôs uma ética do conhecimento baseada na objetividade da natureza, pedra angular do método científico. Afirma ele: “A ética do conhecimento não se impõe ao homem, ao contrário, é ele que a impõe a si, tornando-a axiomaticamente, a condição de autenticidade de todo discurso ou de toda ação”. Não podemos ensinar aos jovens e à sociedade uma moral fundamentada nos grandes valores transcendentes, esquecendo-nos do homem biológico, do homem fisiológico, de seus comportamentos biológicos, das suas necessidades naturais”. A Bioética que propomos é a conseqüência neurobiológica da ética do conhecimento, e se imporia ao homem como condição de todo discurso ou de toda ação que não queira desviar-se dos rumos da verdade universal cientificamente estabelecida. Uma bioética baseada no conhecimento da natureza humana é, por princípio, orgânica, sistêmica, ecológica e holística. Monod acredita que uma ética do conhecimento que colocasse particularmente a fisiologia e a psicologia em primeiro plano certamente se558. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006..
(5) ria mais capaz do que qualquer outra de formular, por exemplo, um sistema ético sobre o qual as sociedades possam fundar, por exemplo, um sistema político, mas seria também capaz de formular uma moral pessoal infinitamente mais viável do que aquela que ainda nos é imposta. A Bioética, sendo ecológica, une-nos ao cosmo e é também espiritual em sua natureza, conduzindo a uma fecunda união entre a ciência e as tradições espirituais da humanidade. CONCEITO DE CONSCIÊNCIA Fundamental no holismo é o conceito de consciência. Holismo não é um amontoado de coisas juntas, muito menos um lugar onde se reúnem as coisas que não têm lugar para serem reunidas. Holismo é uma relação de consciência da realidade. Não uma realidade fragmentada, mas uma realidade unificada pela dinâmica da relação dentro/fora/dentro. O conceito de consciência que envolve uma noção de totalidade nos faz compreender melhor o determinismo fragmentarista da ciência moderna. A consciência é liberdade para, é libertadora. A consciência de estar consciente é que distingue a máquina do homem que é um produtor e não um produzido. Educar é fazer que se tenha sempre presente não só “o quê” das coisas, mas sobretudo o seu “para quê” existencial, encarnado. Educar sem modificação interna, sem engajamento é educar para papéis que pouco resolvem. O holismo se torna plenamente holismo através da totalidade. A consciência é uma qüestão de totalidade. Não separa o passado de sua compreensão hoje. Parte/todo é a relação dinâmica (entre partes e todo) entre estes conceitos que permitem à realidade unificar-se, auto-representar-se. O todo será na parte, a parte está no todo, e, ao mesmo tempo, o todo é qualitativamente diferente da soma de suas partes. É o todo que dá sentido e especifica a parte. Estas relações de parte/todo, complementaridade/cronicidade são fundamentais para se compreender o que é uma educação holística. Uma rosa é uma rosa; mas uma rosa que eu vi, Não é mais uma rosa; mas uma rosa vista por mim; Ela traz a marca que eu pus nela (Fritz Perls). FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006.. 559.
(6) O HOMEM, SER DE RELAÇÃO O que fazer, como viver para que essa educação totalizadora aconteça? Viver e fazer a não-dicotomia entre sujeito e objeto, entre mente e corpo. Qualquer metodologia educacional deve levar em conta esse apelo à unidade. Quando se estuda, só um lado funciona. Por que não misturar estudo e jogo, estudo e observação da arte (dança, por exemplo) para que os dois hemisférios trabalhem unidos e ativamente? O corpo encontra ou reencontra mais facilmente seu equilíbrio interno. Trabalhar com os dois hemisférios, isto é não fragmentação e isto é educar. Educar é fazer crescer, e não se cresce indo sempre na mesma direção. Educar aos outros é ensinar aos outros com os riscos do próprio crescimento. Somente uma educação não fragmentada, isto é, uma educação na totalidade e para a totalidade pode permitir ao ser humano consumar-se, como diz Heidegger, isto é, ser plenamente. Fomos educados na fragmentação e para a fragmentação porque a fragmentação nos dá uma sensação de segurança, pois permite o controle, ao passo que a totalidade é o risco, porque não tem parâmetros. Educa-se para a sexualidade, e para a religião, para a arte e se tenta extrair o máximo, no educando, sua potencialidade naquele setor específico. É educação na fragmentação. Estabelecer relações entre esses setores, mas saber vivenciar na educação esse tríplice momento de ser como ser de relação. APELO À TOTALIDADE Conforme percepção de Jorge Ponciano, começa a surgir no mundo um novo ar, uma nova brisa, fazendo apelo à totalidade, apelo este que, conseqüentemente, irá influenciar decididamente o sistema de educação. Educar para a totalidade, partindo da totalidade. Origem do verbo educar entre os latinos: • Cícero: educar significa aumentar, criar, sustentar. • Virgílio: educar é instruir, ensinar. • Ovídio: educar é gerar. Educar é uma mistura de instruir-se, ensinar-se, de gerar-se. A palavra mistura, que expressa um sentido de fragmentação, no nosso 560. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006..
(7) conceito, deve ser entendida como uma gestalt, como partes que, embora diferentes, se unem numa profunda harmonia, convergindo para uma totalidade. É isso que é educar e é isso que a educação atual não está fazendo. • Educar: sair de dentro para fora, de fora do outro, para a amplitude, a vida autônoma. • Educar: criar, do berço à idade madura. • Gerar: do útero para fora, ou melhor, gerar uma criatura nova, que deixa seu pequeno mundo para o grande mundo da totalidade. Considerando o homem como um ser de relação em permanente mudança, temos de pensar que o processo de educação é infindável, não só educação como conceito, mas como praxis. Estamos entrando na era da totalidade (fuga da fragmentariedade, do imediatismo). Não só o corpo só, mas a totalidade. O homem todo em tudo. Educar é expansão consciente dos limites. Idéia holística é aquela da integração harmoniosa parte/todo/parte. CONSTRUIR PESSOAS UNIFICADAS “O todo é mais do que a soma das partes. O holismo traz como conseqüência a síntese contra o fragmentário”. A síntese não se limita apenas a ser contra o fragmentário. Quer construir pessoas unificadas: corpo, sentimento, intelecto, espírito. Unidade do todo. Tudo é um (Tales de Mileto). Desenvolvendo esse mesmo pensamento, Jorge Ponciano Ribeiro afirma: o homem é um ser de relação. O holismo invade o nosso ser, num movimento natural de fuga da fragmentação, do imediatismo. Alguma coisa nova está se operando dentro de nós: estamos entrando na era do ser total. O homem todo em tudo. É como se uma nova criação estivesse surgindo em nós. Não haja dicotomia entre sujeito e objeto, entre mente e corpo. Um apelo à unidade. Somente uma educação não fragmentada, isto é, uma educação na totalidade e para a totalidade pode permitir ao ser humano consumar-se, afirma Hegel, isto é, ser plenamente. CENTRAR-SE NO TODO O vocábulo holismo, do grego, holon (total), vem do fato de denunciar o fragmentário, o modelo disciplinar. Centrado no todo, holismo é FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006.. 561.
(8) também uma abordagem centrada na compreensão do mundo e das pessoas como um todo. O primeiro programa proposto por D’Ambrosio é uma abordagem, como já foi dito, centrada no todo. Consiste no reexame histórico e epistemológico do próprio conhecimento científico. E, na reconstrução histórica da construção do mesmo conhecimento, que significa fazer a história das idéias perdedoras: numerologia de Pitágoras, superação da alquimia pela química no século XVIII. O paradigma holístico representa uma revolução científica e epistemológica, que emerge como uma proposta à alienante tendência fragmentária e reducionista do antigo paradigma. É um novo sistema de aprender a aprender que sustenta o florescente modelo holístico mundial. Segundo Pierre Weil, a visão holística busca dissolver toda espécie de reducionismo: o somático, o científico, o religioso, o niilista, o materialista ou substancialista, o mecanicista e o antropomórfico entre outros. Aldous Huxley (1864-1963) lembra nesta mesma linha, o termo latino pontifex (construtor de pontes). A função do literato é, pois, construir pontes entre Arte e Ciência, entre fatos observados e experiência imediata, entre moral e avaliações científicas. AÇÃO INTEGRADA Toda especialização nega a ação integrada. Os especialistas que estão interessados na parte e não no todo são entes inumanos. Dividimos a vida em compartimentos e cada compartimento tem seu especialista próprio. E a esses especialistas temos confiado as nossas vidas para serem moldadas em conformidade com o padrão por eles escolhido (J. Krishnamurti). A ciência moderna se caracteriza pelo enfoque disciplinar (universidades). É muito compreensível a proliferação das disciplinas, sobretudo a partir da revolução científica. O ser humano está forçado evolutivamente a assumir sua parte superior e singular de abrangência e de síntese. A especialização intelectual do homem é uma forma ornamental de escravidão. O paradigma disciplinar esfacelou o conhecimento refletido também no coração humano. Alienante, unilateralidade de visão, perdeu-se a perspectiva do Holos, o que tem a ver diretamente com a crise de desagregação e desvinculação que assola a humanidade. A especialidade tem sua validade, mas convoca para a abertura e para a formação do novo pontifex. 562. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006..
(9) Somos educados para a fragmentação, para a unilateralidade de visão, que, na nossa cultura racional, denominamos especialização. Estamos divididos, mais compartimentalizados, esfacelados, por estas divisões internas e externas que se retroalimentam. Dizer que a especialização é a chave para o progresso é não perceber que ela impede o raciocínio abrangente e se perde a perspectiva do Holos. PARA UM MUNDO COMO UM TODO Se no campo intelectual esta é uma era de holismo, uma era de síntese, não estamos nos tornando mais interdisciplinares, ecumênicos e interculturais. Estamos, cada vez mais, tornando-nos pessoas unificadas, em um mundo profundamente unificado. A educação holística, como a abordagem holística das coisas em geral, é uma abordagem dessa síntese contínua. A dialética idealista de Hegel e a materialista de Marx e Engles enfatizando o devir representam uma interpretação do mundo, da história e do pensamento. O conhecimento, na óptica da dialética, é sempre totalizante, sendo a história da humanidade um permanente processo de totalização. “Uma educação da pessoa como um todo é uma educação para o mundo como um todo. Um indivíduo não pode ser verdadeiramente inteiro sem uma percepção total do mundo, um sentimento de fraternidade”. TRANSDISCIPLINARIDADE A transdisciplinaridade é algo além da interdisciplinaridade. A interdisciplinaridade junta elementos vários para compreender o todo. É o médico, o engenheiro, o ecólogo planejando a estrada. A transdisciplinaridade começa onde termina a interdisciplinaridade porque é um movimento, é algo fora do tempo e do espaço. Ela transcende, é o espírito presente na interdisciplinaridade, é o movimento presente na interdisciplinaridade. Na visão transdisciplinar, o cientista sai de seu isolamento e passa a jogar no time do outro. Cada um joga tudo o que sabe, tudo o que pode, cada um à sua maneira, para que dê certo. Neste contexto, somos todos servos da verdade e não da ciência. Neste contexto, nosso saber se torna serviço, não poder. Somos todos servos da grande caminhada para a humanização do ser ou para a hominização do ser. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006.. 563.
(10) Neste contexto, o químico, o matemático, o filósofo, o poeta, o místico são todos iguais, jogam no mesmo time, na busca privilegiada do bem e da felicidade. Neste contexto, a ciência não disputa com as artes ou com as tradições de sabedoria. Ao contrário, de mãos dadas, o espírito unido, cientistas, artistas e líderes espirituais se dedicam à sabedoria, para, juntos, reconhecerem a necessidade da humildade, da união, da compreensão. Homens de múltiplas abordagens começam a conviver em harmonia, sem disputa pelo poder, porque o que os une não é a simples aproximação interdisciplinar, mas o espírito transdisciplinar. A nova transdisciplinaridade é uma visão de altitude. No contexto mais amplo e audacioso, o preconizador da nova transdisciplinaridade é o físico francês Basarab Nicolescu. A transdisciplinaridade consiste fundamentalmente na junção da ciência moderna com a Tradição (do latim, Tradere: Tradição de Sabedoria). A transdisciplinaridade representa um significativo avanço além da inter, pluri e multidisciplinaridade. Como já se disse, é uma visão de altitude. CONCEITO DE REDE, DE PONTE Na concepção fergusoniana (Ferguson) é fundamental o conceito de rede como instrumento para a transformação. Está brotando uma nova idéia transinstitucional – a rede, como vínculo evolutivo de interação e de reconstrução social. Eis como Ferguson defendeu esse novo modelo holístico de organização cooperativa de estar junto. Quem quer que descubra a rápida proliferação de redes, e compreenda sua força, pode perceber o impacto para a transformação em todo o mundo. A rede é a instituição de nossa época. A função básica da rede é sinergética, é o apelo mútuo, o fortalecimento do indivíduo e a cooperação para efetuar a transformação, visa a um mundo mais humano e hospitaleiro constituindo na verde natureza cooperativa uma reminiscência do sistema de parentesco seu antepassado. Visando a mesma redistribuição de poder, “A rede é uma matriz pessoal e a ação de grupos, a autonomia, o relacionamento. Paradoxalmente, a rede é ao mesmo tempo íntima e ampla”, declara Ferguson. Gosto de imaginar, diz Roberto Crema, que “as redes representam uma função de Nova Aliança: a constituição de uma fraternidade holística integrando os mutantes da neoconsciência”. 564. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006..
(11) E a conspiração aquariana, uma conspiração do ser, é uma grande rede constituída de todas as redes espalhadas no mundo inteiro, onde cada integrante representa um centro de poder, de irradiação e de contágio. Não possui bandeiras, não é ideológica, não necessita de panfletos nem de propaganda. É uma sintonia de vibração e de estudo de consciência, sentimento, é uma comunhão de anseio evolutivo e uma grande aliança de cumplicidade. Fundamenta-se no auto-conhecimento e seu principal instrumento é a atenção plena. “Não se encontra em parte alguma e sua pátria é o coração do homem novo”. Quanto ao conceito de pontes, M. Bouquet nos fala com certa preocupação: buscam-se pontes que conduzam à nossa cultura. A produção científica sai, o homem se liberta de seu isolamento, seu confinamento, sua insularidade. “Restabelecer pontes sobre todas as formas de fronteiras artificialmente criadas e mantidas pelo espírito humano, pontes sobre tudo o que divide os homens, atomiza o coração e a vida”. OUTROS RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO, HOJE, NA LINHA DO HOLISMO A psicoterapia, sendo recurso importante para a educação, não deve ser alvo de tabu. Outros recursos eficientes são: • A Matemática, que educa o raciocínio e faz o equilíbrio cerebral entre hemisfério direito e esquerdo. • A Música, expressão criativa que desenvolve a intuição, é a Matemática sensual. Pode fazer para o nosso cérebro intuitivo o que a matemática faz para o cérebro racional. • A religião é importante na adolescência, idade da preocupação metafísica. Nenhuma educação pode-se dizer holística se deixar a religião abandonada; mas também não fazer lavagem cerebral, não insinuar o dogma. Myers adverte: “Não podemos mais deixar de nos familiarizar com a herança humana total”. Quanto à religião ministrada para criança, são práticas adequadas: meditação, exposição à natureza, às artes, artes manuais, dança, trabalho corporal, dramatização. Tempo propício para a formação religiosa é a puberdade. A educação espiritual não pode permanecer teórica. O ensino da religião deve ser feito junto com uma introdução experiencial às doutrinas espirituais: deixar um tempo para o aluno escolher entre as práticas espirituais mais importantes. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006.. 565.
(12) Outros recursos são prática de concentração, meditação, prece, adoração, necessária à educação dos educadores. Concluindo, há de se enfatizar que o holismo vem como um competente orientador educacional. Repassamos os autores representativos do holismo, o que levou a autora a crer que é mais do que hora de adotar esse paradigma. O espírito se alimenta da verdade e o homem não se realiza sem este viver e pensar em verdade. Temos não só que saudar o paradigma mas praticá-lo na educação, pois o homem é um ser de relação.. Referências BRANDÃO, D. M. S.; CREMA, R. Visão holística em psicologia e educação. Tradução de Fernando Negrini et alii. São Paulo: Summus, 1991. CREMA, R. Introdução à visão holística. São Paulo: Summus, 1998. DI BIASE, F. O homem holístico: a unidade mente-natureza. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.. Abstract: Jan Smuts (1880-1953), philosopher, South African politician, was the precursor of the holistic paradigm (of the Greek, Holon, total, totality). Great personalities as Jean-Yves Leloup, Robert Crema and Pierre Weil had signed competent reflections in this line. The work aims at very to the adoption of the holismo in education. Key word: holismo, all/part, education, bridge/ net, transdisciplinaridade. LAURA CHAER Doutora em Literatura e em Teologia.. 566. FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 555-566, abr. 2006..
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