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Construindo redes de inteligência colaborativa para uma participação digital eficiente no governo eletrônico / Building collaborative intelligence networks for effective digital participation in e-government

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Academic year: 2020

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761

Construindo redes de inteligência colaborativa para uma participação

digital eficiente no governo eletrônico

Building collaborative intelligence networks for effective digital

participation in e-government

DOI:10.34117/bjdv5n11-053

Recebimento dos originais: 09/10/2019 Aceitação para publicação: 06/11/2019

Thábata Clezar de Almeida

Mestranda no Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina – (Brasil)

Endereço: Avenida Getúlio Vargas, n. 269, Centro, Araranguá – Santa Catarina, CEP n. 88.900-037

e-mail: [email protected]

Rangel Machado Simon

Mestrando no Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina

Endereço: Avenida Getúlio Vargas, n. 269, Centro, Araranguá – Santa Catarina, CEP n. 88.900-037

E-mail: [email protected]

Márcio Vieira de Souza

Professor Doutor no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina

Endereço: Avenida Getúlio Vargas, n. 269, Centro, Araranguá – Santa Catarina, CEP n. 88.900-037

E-mail: [email protected]

RESUMO

O presente trabalho analisa o desafio de se criar uma rede de inteligência colaborativa, capaz de gerir a qualidade na discussão para a construção de normas, por meio das tecnologias da informação e comunicação (TICs), no contexto da participação na internet. Para tanto, realizou-se, em um primeiro momento, uma revisão acerca de conceitos mais relevantes ao problema, com um levantamento bibliométrico sobre a produção científica no assunto e uma análise qualitativa acerca das smart mobs voltadas à fiscalização do governo, focando em quatro plataformas mais conhecidas (38 Degrees, Avaaz, Change e GetUp!) como modelos. Concluiu-se que a maneira como essas redes de inteligência colaborativa melhoram a participação digital em suas plataformas está na forma de dar publicidade aos projetos e de mostrar os resultados obtidos após a votação, fatores fundamentais e que podem ser utilizados para inovar e melhorar a participação eletrônica em governo eletrônico, em discussões digitais pelos cidadãos de projetos de lei.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Palavras-chave: Redes. Inteligência Colaborativa. Governo eletrônico. E-participação. Smart mobs.

ABSTRACT

This paper analyzes the challenge of creating a network of collaborative intelligence capable of managing the quality of discussion for building standards, through information and communication technology (ICT), by participating on the Internet context. At first, it was done a review of the most relevant concepts to the problem, with a bibliometric survey about the scientific literature on the subject and a qualitative analysis about smart mobs focused on supervision of government, focusing on four platforms most known (38 Degrees, Avaaz, Change and GetUp!) as models. It was concluded that the way these collaborative intelligence networks improve digital participation in their platforms is in the form of publicizing the projects and to show the results after the vote, key factors that can be used to innovate and improve the electronic participation in e-government, digital discussions by bills of citizens.

Keywords: Networks. Collaborative intelligence. E-government. E-participation. Smart mobs.

1 INTRODUÇÃO

A revolução tecnológica da informação, segundo Castells (2007), é o ponto inicial para se realizar uma análise do complexo processo de formação da nova sociedade, econômica e culturalmente falando. Segundo Lévy (2007), o crescimento deste novo espaço, o ciberespaço, é um movimento internacional de jovens ávidos por experimentar, coletivamente, novos formatos de comunicação. Neste cenário, a informação e o conhecimento passaram a exercer um papel fundamental na “nova economia” (Drucker, 2011; Foucault, 1979 & Harvey, 1989). Rifkin (2001, p. 12) corrobora, indicando que este período se caracteriza, basicamente, pelas “tecnologias de comunicações digitais e do comércio cultural”, as quais, juntas, criaram um novo, poderoso e convergente panorama, cujo principal ativo econômico é o conhecimento. Ou seja, ao invés de terra, capital e trabalho (outrora essenciais à sociedade industrial), o que se torna fundamental na contemporaneidade é o conhecimento (Drucker, 1993). Assim, a disponibilidade e o acesso à informação e ao conhecimento configuram, na atualidade, como fatores estratégicos de desenvolvimento (Castells, 2007).

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tiveram o papel de introduzir uma série de transformações nas diversas esferas que compõem a sociedade, tornando a comunicação mais rápida, flexível e onipresente. Além destes benefícios, elas também tornam os receptores de informação em agentes ativos, ou seja, capazes de interagir e expandir os diálogos sobre as informações recebidas.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 da mídia de massa, é a falta de interatividade entre espectadores e informação, fazendo com que exista apenas uma via desta comunicação, da mídia transmissora para o usuário, fato este desconstruído nos novos meios de informação.

Torna-se perceptível a expansão e a articulação de redes que proporcionam ao indivíduo ou aos grupos coletivos um “empoderamento”, tornando-se um espaço público propício a manifestações diversificadas, bem como a produção e a divulgação de novos conhecimentos (David & Foray, 2003).

Neste sentido, uma cultura digital surge, transformando estes diversos “nós” em processos de codificação, gestão e disseminação de informação e conhecimento. Dessa forma, é possível a qualquer pessoa adicionar, modificar, comunicar e agrupar, inclusive criando conteúdo, transformando-a também numa emissora do último e criando uma inteligência coletiva, conforme conceito de Lévy (1996). É neste aspecto que movimentos sociais passam a ter força dentro desta rede, uma vez que Castells (2007) caracteriza este novo modelo de comunicação como marcado por uma revolução de base tecnológica que, através de seus mecanismos, está contribuindo para alterar a chamada “cultura material”.

Para McLuhan e Carpenter (1966), a incorporação da tecnologia por parte dos meios de comunicação transformou o mundo, reduzindo geograficamente distâncias, quebrando fronteiras e construindo uma aldeia global, onde todos têm a oportunidade de saber o que acontece.

Assim, cabe salientar que a influência das tecnologias, como agentes transformadores das esferas econômica, social e técnica, é muito mais abrangente, pois “não apenas prolongam as propriedades de envio e recepção da consciência, como penetram e modificam a consciência dos seus utilizadores” (Kerckhove, 1997, como citado em Giglio & Souza, 2013).

Este novo ambiente que surge junto com as ferramentas tecnológicas é, segundo Ribeiro (2000), um novo domínio de contestação política e cultural.

É importante ressaltar que, em que pesem os passos dados em direção a este novo modelo de espaço, onde uma nova cultura surge, infelizmente, é observado ainda por uma minoria urbana e de escolaridade elevada, em razão da ainda deficiente e morosa inclusão digital (realidade desigual essa que os governos nem sempre conseguem ou procuram meios para resolver).

Dessa forma, Castells (2007) conclui no sentido de que a história tem como tendência a organização em torno de redes, sendo estes processos dominantes cada vez mais organizados deste modo. E isso, segundo o autor, passa a ser a nova morfologia social, de modo que a

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 difusão lógica das redes muda, de nítida forma, a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e cultura.

Mesmo dito isto, é importante ressaltar que a evolução deste ciberespaço é primordial para um conhecimento cada dia mais livre e compartilhado entre todos. Nesse norte, Lévy (1993) ressalta que se vive um momento de transição, onde as tecnologias digitais estão ajudando a dissolver velhas ordens e a criar novas. Além disso, acrescenta o autor, em sua visão desse estado da arte:

Uma coisa é certa: vivemos hoje em uma dessas épocas limítrofes na qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda pouco estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado (Lévy, 1993, p.17).

A pesquisa do presente trabalho se justifica diante do desafio de se criar uma rede de inteligência colaborativa capaz de gerir a qualidade na discussão para a construção de normas, por meio das TICs, no contexto da participação na internet, dentro do governo eletrônico.

Assim, busca-se observar de que maneira as smart mobs voltadas para a fiscalização governamental podem contribuir com modelos de participação digital de governo eletrônico, tais como a plataforma participa.br, lançada pelo governo federal para incentivar a população a propor projetos de lei e a colaborar com alguns existentes.

Para isso, após esta introdução, o artigo foi organizado em quatro partes, contextualizando o cerne do problema (com a revisão bibliográfica da literatura), a metodologia realizada, análise e discussão dos resultados, bem como as conclusões.

2 REDES DE CONHECIMENTO E DE COLABORAÇÃO

O ser humano se caracteriza por ser, essencialmente, social e simbólico. Wallon (1995) afirma que a humanidade tem a capacidade de se relacionar com o outro desde o seu surgimento e isto se faz presente nas diferentes esferas que compõem o meio social.

Assim, pode-se afirmar que a construção de conhecimento ocorre por meio de relacionamentos e na interação entre os atores em ambientes de aprendizagem, caracterizando-se por caracterizando-ser um processo dialógico (Freire, 1987).

Por consequência, o resultado destas relações concebe a disposição da sociedade em rede, fenômeno amplamente estudado por Castells (2007) e que, segundo o autor, esta disposição se desenvolve sobre três processos independentes: a) a revolução da tecnologia da informação; b) a crise econômica do capitalismo e do estatismo, bem como c) sua consequente

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 reestruturação e o apogeu de movimentos sociais e culturais, tais como liberalismo, direitos humanos, feminismo e ambientalismo.

Desta conjuntura, emerge uma estrutura social, denominada como a sociedade em rede; ou seja, uma nova economia, mais informacional e global e uma nova cultura, voltada para a virtualidade do real (Castells, 2007).

Neste sentido, basicamente, pode-se identificar três tipos de redes sociais existentes, trazidas por Paul Baran (Pinto, Miranda, Glavam, Souza & Souza, 2011): centralizada, descentralizada e Distribuída.

A rede centralizada é caracterizada por possuir um ponto que concentra o fluxo de informação, faz o controle e distribuição entre os demais “nós”, ou seja, toda a informação gerada pelos pontos adjacentes é repassada ao comutador de informação e este detém o direito de retransmissão do conteúdo gerado.

Na abordagem decentralizada, pode-se notar a presença de diversos “nós” de convergência de informação, conectados entre si, através de pontos centralizadores, onde se controla e dissemina a informação.

Por fim, as redes distribuídas são assim chamadas por permitirem que qualquer “nó” da rede receba e dissemine a informação para qualquer outro, fazendo com que a informação, quando veiculada, tenha menor chance de manipulação por ponto, pois não existem pontos centralizadores.

3 A CIBERCULTURA

A emergência de um novo sistema eletrônico de comunicação, segundo Castells (2007, p. 354), caracterizado pelo seu alcance global, interação de todos os meios de comunicação e interatividade potencial “está mudando e mudará para sempre nossa cultura”, de modo que Freire (2000) corrobora, mostrando que não há cultura nem história imóveis, mas há etapas, nas culturas, em que as mudanças se dão de maneira acelerada. E é o que se verifica hoje. A diferença é que, conforme entende o primeiro autor, as revoluções tecnológicas encurtam o tempo entre uma e outra mudança.

Cada dia mais, sofre-se uma imersão em um mundo onde as TICs estão mais presentes e atuantes. Esse processo de virtualização é bastante perceptivo quando se visualiza a economia atual, onde o dinheiro se mostra apenas em dígitos, de maneira imaterial e não mais sob aspecto físico, tipicamente palpável.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Esta virtualização é vista por Lévy (1996) como um processo de “desterritorialização”, onde não mais é preciso estar em um mesmo espaço geográfico para se comunicar com outra pessoa.

Um exemplo desse processo pode ser sentido em ambientes corporativos, onde virtualizam o processo de trabalho, espalhando fisicamente seus funcionários e cooperando através da rede de computadores.

Outro fenômeno atual encontrado na sociedade é o surgimento de uma nova cultura, onde redes de computadores se interconectam umas com as outras, formando comunidades virtuais aptas a compartilhar e criar informações, independentemente das barreiras geográficas existentes entre elas.

Antes de definir este novo modelo cultural que surge com o uso das TICs, deve-se estabelecer uma compreensão sobre a palavra cultura. Para o senso comum, cultura representa a quantidade de informações adquirida por um indivíduo qualquer, ou seja, o montante de informação obtido em um tempo de vida.

Segundo Chaui (2008), este novo modelo do significado de cultura foi concebido no século XVIII, onde agora é visto como símbolo de civilização. Ainda segundo a autora, este modelo passa a não mais existir a partir do século XX, que para ela, agora é entendida como a produção e a criação de diferentes tipos de linguagens, formando cultura, sexualidade e contextos utilizados dentro da sociedade, tais como vestuário, músicas e formas de trabalho. Estes fatores são mudados pelas relações sociais e estrutura com que a família se dispõe, assim como a relação de poder que existe nelas.

Em um diferente aspecto, Lévy (2007) fala que o ciberespaço é, primeiramente, um movimento internacional, movido em sua maioria por jovens, com o intuito de experimentar coletivamente novas formas de comunicação, com paradigmas diferentes propostos pelas mídias clássicas.

Lemos e Novas (2004), por sua vez, consideram que estas TICs estão reconfigurando os espaços urbanos, bem como suas práticas sociais.

Sendo assim, mudam-se também conceitos culturais da sociedade, a qual passa, cada vez mais, para um aspecto global nos novos meios de comunicação.

Nessa nova sociedade da informação, as barreiras físicas são transpostas por novos meios de comunicação e a capacidade de aprendizado de um determinado local deixa de ser restrito por suas barreiras geográficas.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Para Castells (2007), o desenvolvimento tecnológico e as transformações da sociedade estão relacionados, mesmo que a tecnologia não determine a sociedade, e nem a sociedade escreva o curso da transformação que esta tecnologia sofrerá.

Tal pensamento diverge de autores como Lévy (2007), que prefere tratar as tecnologias como condicionantes da cultura, e não determinantes para a mesma; ou seja o oferecimento de oportunidades que podem ou não ser aproveitadas é parte das possibilidades geradas por estas tecnologias, sendo livre ao indivíduo a escolha de usá-las ou não.

Nesse momento, convém traduzir o conceito de cibercultura, trazido por Lemos e Novas:

[...] compreende-se o conjunto de atitudes (apropriação, subterfúgio, ativismo) originadas a partir da união entre as tecnologias informáticas e as mídias de comunicação. Este conjunto de atitudes é produto de um movimento sociocultural para domesticar e humanizar as novas tecnologias. Conforme minha hipótese, ela é a expressão cultural do encontro entre a ‘sociedade pós-moderna’ e as novas tecnologias baseadas na microeletrônica (2004, p. 1).

Este novo meio, onde a interação e comunicação possibilitadas pela internet é o ciberespaço, segundo Levy (1999). E contido neste meio, está a cibercultura, que segundo o autor, é o conjunto de técnicas, atitudes, valores e formas de pensamento que se desenvolvem juntamente com este novo espaço de organização.

Trazendo uma abordagem diferente para este tema, Castells (2007) trata a sociedade em rede com uma dimensão cultura própria, mas não vê a cultura virtual (cibercultura), como um conjunto de valores no sentido tradicional. A justificativa, segundo o autor, é a de que a estrutura das redes e suas diversidades rejeitam esse modelo de cultura unificadora.

Outro aspecto relevante para a cibercultura é dito por Lemos e Novas (2004, p 1), que considera que “as novas tecnologias de comunicação e informação estão configurando os espaços urbanos, bem como as práticas sociais destes mesmos espaços”. O referido autor, entende, ainda, que isso transforma o espaço não numa substituição do território geográfico, mas sim uma complementação do mesmo.

Tomando este autores como base e levando em conta os conceitos da sociologia sobre cultura, a abordagem de ambos autores se justifica, pois este novo espaço formado por meios de comunicação, mesmo que cada vez mais o local se transforme em global, as redes locais contidas ainda são fortes e unificadas, tornando o termo de cultura universal difícil de existir.

Dessa forma, o conceito cibercultura existe como um conjunto complexo de valores e relações sociais, característicos da sociedade da informação atual, a qual se mostra moldada a partir das mais recentes inovações nos meios de comunicação e informação.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 A importância desta nova culturaestá relacionada com a possibilidade de o indivíduo agir socialmente, a partir do conhecimento adquirido por meios tecnológicos do qual ele se apropria e desenvolve a sua identidade.

4 A WEB 1.0 E A WEB 2.0

As TICs criaram, e ainda criam, novos espaços de construção e compartilhamento de conhecimento, e estes novos processos criados diferenciam os espaços usados na Word Wide Web (WWW).

Cada vez mais, a construção desses espaços é colaborativa e modificável, conforme a vontade dos usuários, deixando para traz aquele usuário que apenas recebe informações (típico modelo centralizado de Web 1.0).

Segundo Grenhow (2007 como citado em Mattar, 2013), é este processo de criação que distingue o antigo modelo de Web da 2.0: a colaboração no processo de criação do conhecimento é a chave deste novo modelo.

O’Reilly (2005) define a Web 2.0 como “um conjunto de tendências econômica, social e tecnológica que coletivamente formam as bases para a próxima geração da internet”, base essa considerada pelo autor como mais madura, ante à participação ativa do usuário, abertura e consequente efeito na rede.

Levando o alto grau de interação entre os usuários, a Web social tem papel fundamental neste novo paradigma de internet. Para Alexander (2006, p.33), este meio social “emerge como um dos componentes mais relevantes da Web 2.0”. É neste ponto que a Web 2.0 mostra a diferença clara entre o padrão antigo adotado.

O`Reilly (2005) fez uma comparação entre as principais características dos dois modelos, usando padrões mais palpáveis do que era e o que existe hoje. Alguns de seus exemplos, como a comparação entre a Britannica Online e a Wikipédia, sites pessoais e blogs, publicações com participações permitem ver que a grande diferença entre os modelos está na coletividade e na colaboração da construção do conhecimento.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Figura 1: Diferenças entre a Web 1.0 e a Web 2.0.

Fonte: Coutinho, Bottentuit como citado em Fialho e Ribas (2008).

Então, pode-se entender a Web 2.0 como uma experiência construtiva entre usuários, que sofre constantes modificações, tanto em seu conteúdo quanto em sua estrutura, sendo essencial para esta rede a colaboração entre usuários, tanto para o crescimento quanto para a melhoria da mesma.

5 SMART MOBS E O FORTALECIMENTO DE REDES DE PARTICIPAÇÃO COLABORATIVA

A popularização de comunidades online que permitam a criação e a gestão de conteúdo colaborativo digital, destinado ao engajamento político e democrático, deu-se, inicialmente, por grupos ativistas e pela sociedade civil, cuja participação cresce cada vez mais e suas plataformas se alastram diariamente. Essas ferramentas permitem que pessoas que nunca tenham tido contato com o poder dado aos que detêm cargos políticos, por exemplo, opinem sobre assuntos que elas antes deixariam que seus representantes decidissem, no tradicional modelo de democracia indireta.

Nesse sentido, Freire (2009) entende que o fortalecimento do sentimento de pertencimento a uma comunidade global, a junção de pessoas por seus interesses comuns, independentemente de sua nacionalidade, classe social ou profissão, têm sido o fenômeno mais inovador e emancipatório propiciado pelas novas tecnologias.

A autora entende que as comunidades digitais constituem o fundamento social e a chave da ciberdemocracia, porque, segundo ela e sob a ótica de Lévy (2002), seu desenvolvimento fez advir uma nova forma de socializar. Aliado a isso, Rheingold (2007) encara o uso das TICs como a ferramenta ideal para propostas humanitárias e democráticas nas práticas da sociedade civil por organizações não governamentais.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Nesse contexto, movimentos sociais digitais organizados, como Change.org, 38 Degrees, Avaaz.org, MoveOn e GetUp!, ganham peso com suas petições online por meio de plataformas digitais que permitem que pessoas comuns tomem conhecimento de projetos de leis, opinem se são positivos ou negativos, algumas vezes justificando seus votos e, como mola mestra das ferramentas, compartilhem em suas redes sociais virtuais com seus contatos, tais como no Facebook, Linked In, Youtube, Twitter, Pinterest, entre outros.

6 DEMOCRACIA E GOVERNO ELETRÔNICOS

É preciso ir além de pequenos grupos especialistas convidados. Não basta digitalizar a participação para poucos já existente no contexto legislativo nacional. Ainda que haja o temor quanto ao risco de se tornar um emaranhado de discussões sem fundamentos e achismos, a maior pluralidade de vozes deve ser ouvida na construção de uma norma democrática e justa para todos. Nessa seara, Levy (2002) melhor define por quê de não se ater a digitalizar a burocracia já existente:

Quando em geral a democracia eletrônica faz pensar em voto eletrônico, defendo aqui a ideia de que o essencial da renovação democrática da cibercultura se deve a um aumento da transparência dos governos (e da vida social em geral), assim como a emergência de novos espaços (virtuais) de deliberação e diálogo político. Nem os jornais, os salões e os cafés do século XIX, nem a abundância midiática e televisiva do fim do século XX haviam permitido semelhante acessibilidade à informação 'politica', semelhante abertura do espaço de conversação, semelhante disponibilidade de instrumentos ao serviço do cidadão no sentido de influenciar seus representantes (2002, p.117).

Podemos dizer que as práticas e a mobilização social por meio das TICs, comumente chamadas de smart mobs, tem sido cada vez mais utilizado na sociedade em que vivemos. Por meio destes serviços, pessoas de diversos países se mobilizaram através de seus meios tecnológicos para se juntar perante uma causa comum.

As smart mobs têm cada vez ganhado mais força em várias causas diferentes, mas o importante a se compreender aqui, é o fato de este tipo de rede ser cada vez mais utilizado para se criar um conjunto de pessoas que acreditam na mesma causa, dando assim mair força para a mesma e melhor gerindo o foco de sua manifestação social. E através destas redes, como já visto anteriormente, pessoas com diferenças geográficas podem se ajudar e fortalecer suas causas.

Rheingold (2007) cunhou esse termo, ao definir como um conjunto de práticas contemporâneas de agregação social usando as TICs. Estas práticas podem ter finalidades artísticas, ou ter um objetivo mais engajado, de cunho político-ativista. Para ele, smart mobs

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 consistem em pessoas capazes de agir em consenso, mesmo estando separados geograficamente, cooperando, assim, de um modo que antes não seria possível.

Entende-se por governo eletrônico (e-gov) a infraestrutura unificada de comunicação, a ser compartilhada entre diferentes órgãos públicos, de forma que se foca na utilização da tecnologia da informação e da comunicação para a melhor qualidade na gestão pública e no atendimento ao cidadão, ampliando a transparência das ações públicas e incentivando a participação cidadã (Rover, 2005).

Segundo Zautashvili e Chanturia (2012), o governo eletrônico é uma área que tem sido muito pesquisada nos últimos anos, com especial atenção para o estudo de seu conceito, bem como para os conceitos de participação eletrônica e o feedback de mecanismos existentes, em frameworks sobre participação eletrônica.

7 MÉTODO

Após essa revisão bibliográfica acerca de conceitos mais relevantes para fornecer o contexto do problema, passa-se a exposição da metodologia.

A seguir, estabelece-se um levantamento bibliométrico acerca das smart mobs voltadas à fiscalização do governo eletrônico (e-gov), para analisar o que tem sido pesquisado sobre o assunto e com que frequência, para justificar a relevância científica.

Foi, ainda, realizada a análise de plataformas digitais de organizações não governamentais, voltadas ao fim de participação democrática digital, por meio de petições online que poderiam ser posteriormente enviadas à Câmara dos Deputados, caso atingissem um determinado número de pessoas (o que se pode considerar como participação extra representativa digital). O objetivo foi observar quais as mais usadas, o que elas têm em comum e em que pontos divergem, para elencar quais possuem as melhores práticas, que possam ser levadas em conta para a inovação e melhoria de tecnologias de fomento à participação digital no governo eletrônico.

Para chegar às plataformas mais usadas, com base nas mais citadas pela literatura colhida na revisão bibliográfica, selecionou-se onze movimentos de maior popularidade citados pela literatura acerca das smart mobs. Deles, fez-se uma análise preliminar sobre quais se tratavam de organizações não governamentais, sem fins lucrativos, que forneciam plataformas digitais, onde garantiam o peticionamento virtual (ou abaixo assinado) e, com

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 isso, levavam as petições de maior expressão em quantidade de participantes ao Parlamento ou à Câmara dos Deputados do país a que se referisse a petição, funcionando como um meio de garantir a participação extra representativa digital dos cidadãos perante o seu governo.

Desse levantamento, restringiu-se a quatro plataformas de maior número de participantes no mundo. Deste modo, foram observados pelos pesquisadores deste trabalho, em uma análise qualitativa, observando suas principais funções, serviços, respostas ao usuário e meios de publicidade, como se verá os detalhes a seguir.

8 BIBLIOMETRIA ACERCA PLATAFORMAS EXTRA REPRESENTATIVAS DIGITAIS VOLTADAS À FISCALIZAÇÃO DO GOVERNO ELETRÔNICO

Com relação ao levantamento bibliométrico, foi realizada no dia 13 de abril de 2015, uma revisão sistemática da literatura na base de dados Scopus, com o objetivo de encontrar observar com que frequência o objeto de estudo do presente trabalho vinha sendo estudado, bem como observar quais plataformas mais conhecidas seriam estudadas e, com isso, analisar com que frequência estas plataformas vinham sendo estudadas. Foram onze as plataformas encontradas, mas somente uma mostrou resultados de trabalhos acadêmicos sobre ela, qual seja, a australiana GetUp!. Além disso, foi pesquisado também pelo marco regulatório da internet brasileira, “Marco Civil”, por se tratar de uma tentativa de plataforma de governo eletrônico que incentivou a participação digital dos cidadãos.

Assim, foram definidas as palavras-chaves de busca: “Marco Civil”, “GetUp”, “Smart mobs” e “electronic government AND democracy” e, com elas, foi iniciada a busca nos títulos de artigos, no resumo e nas palavras-chave de publicações a partir de 2000 (data de início do Governo Eletrônico no Brasil) até o ano de 2015. A escolha de tais palavras-chave se deu em razão dos seguintes motivos: a) o marco regulatório da internet no Brasil (Marco Civil) constantemente tem sido analisado pela literatura como uma plataforma de participação digital de governo eletrônico; b) a plataforma australiana GetUp! é um modelo de participação extra representativa digital que é referência no contexto de smart mobs e, em razão disso, esse fenômeno tem sido melhor analisado com base naquele modelo e c) foram tentadas buscas com palavras-chaves em outras plataformas, mas somente essas e as genéricas “smart mobs” e “electronic government AND democracy” encontraram resultados.

O retorno de busca apresentou 12 documentos para “GetUp”, 23 documentos para “smart mobs” e 69 documentos para “electronic government AND democracy” encontrados, dos quais, pode-se extrair a seguinte tabela.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Tabela 1 Resultados em números Palavra-chave Artigos para revista Artigos para evento Livros Resenhas de para evento Capítulos de livro Total Marco Civil 1 2 0 1 0 4 GetUp 6 3 1 1 1 12 Smart mobs 11 4 4 3 1 23 Electronic government AND democracy 29 25 6 5 2 69

Fonte: Autoria própria.

Desses, optou-se por selecionar somente os artigos que, pelo título diziam respeito ao tema abordado, excluindo-se aqueles artigos que não estivessem na língua inglesa ou na língua portuguesa.

Tabela 2

Artigos relevantes por ano e frequência

Palavra-chave Ano/ocorrência Marco Civil 2012/1 2015/1 GetUp 2008/1 2009/3 2013/1 2015/1 Smart mobs 2008/2 2009/1 2010/2 2015/2 Electronic government AND democracy 2000/1 2005/1 2008/1 2009/1 2010/1 2013/1 Fonte: Autoria própria.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Como se viu, partindo-se do ano de 2000 (início do governo eletrônico no Brasil) até o presente ano, a discussão entre mobilizações sociais destinadas ao engajamento político na discussão de leis este presente em quase todos os quinze anos, tendo destaque para os anos de 2008 (com quatro artigos), de 2009 (com cinco artigos) e nos últimos 5 anos, com dez artigos. Ao total, restaram vinte e um artigos relevantes para a pesquisa.

Os índices de artigos em 2008 e 2009 se dão em razão de que muitos países começavam a discutir marcos regulatórios para a internet, fazendo com que organizações não-governamentais especializadas em mobilizações sociais estratégicas políticas e em fiscalizar as práticas dos governos eletrônicos – as smart mobs – se organizassem em redes sociais virtuais, incentivando os usuários da internet a participarem das discussões.

Nesse sentido, convém expor na tabela 3 os principais artigos encontrados nos últimos 5 anos, relativos ao assunto, com os respectivos autores e número de vezes que foram citados. Tabela 3

Principais autores relevantes dos últimos 5 anos

Ano Autor (es) Título Citações

2010 Spirakis, G., Spiraki, C., Nikolopoulos, K.

The impact of electronic government on

democracy: E-democracy through

e-participation

15 vezes

2010 Dolan, T.E. Revisiting adhocracy: From rhetorical revisionism to smart mobs

32 vezes

2010 Harmon, A.H., Metaxas, P.T.

How to create a smart mob: Understanding a social network capital

15 vezes

2013 Vromen, A. Online campaigning organizations and

storytelling strategies: GetUp! In Australia

4 vezes

2013 Santaniello, M., Amoretti, F.

Electronic regimes: Democracy and

geopolitical strategies in digital networks

2 vezes

Fonte: Autoria própria.

É curioso observar a menor tendência em citar obras mais recentes sobre o assunto. Inclusive, o artigo mais citado do levantamento sequer tinha sido publicado nos últimos cinco anos. “Deliberative democracy and the conceptual foundations of electronic government”, de Jaeger (2005), foi mencionado em outras obras sessenta e uma vezes, ao passo que, nos últimos três anos, sequer foram citadas por um autor. Outrossim, nos últimos 5 anos, a obra mais citada foi a de Dolan (2010), “Revisiting adhocracy: from rethorical revisionismo to smart mobs”, sendo mencionado trinta e duas vezes, o que mostra um maior foco no estudo sobre o

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 fenômeno das smart mobs, sem se minunciar, outrossim, em melhores práticas em participação digital.

Outra observação foi a ausência de citações de artigos na língua portuguesa, ainda que a pesquisa tenha utilizado palavras-chaves no referido idioma. É certo que a tradição afeta esse resultado, o qual seria diferente, caso a pesquisadora tivesse optado por uma base de dados mais popular no país, como a Scielo, por exemplo, mas isso afetaria na qualidade do objetivo.

10 ANÁLISE DAS PLATAFORMAS DIGITAIS ENCONTRADAS NO ESTUDO BIBLIOMÉTRICO

Como se viu na sessão referente aos métodos utilizados, com base na revisão bibliográfica sobre o assunto, selecionou-se onze movimentos de maior popularidade citados pela literatura acerca das smart mobs, quais sejam: #YoSoy132, 38 Degrees, Avaaz, Change, GetUp!, Indymedia, Moveon, Movimiento 15-M, Occupy Wall Street, The Petition Site e Vote na Web.

Com isso, uma segunda análise foi feita, para restringir aos que se tratassem de organizações sem fins lucrativos, que tivessem plataformas digitais de peticionamento virtual disponível e que levassem as petições de maior expressão em quantidade de participantes ao Parlamento ou à Câmara dos Deputados do país a que se referisse a petição, funcionando como um meio de garantir a participação extra representativa digital dos cidadãos perante o seu governo.

Após esse levantamento, foi realizado uma análise do que essas plataformas teriam em comum. Como a análise das principais mundiais se tornaria inviável para o prazo estipulado desta pesquisa, optou-se por elencar quatro que mais se destacavam, no Brasil e no mundo e que mais se pareciam: 38 Degrees, Avaaz, Change e GetUp!. Após isso, analisou-se cada uma delas, em seus respectivos sites e viu-se o que elas tinham em comum que poderiam ser o fator de sucesso de sua rede.

Tabela 4

Plataformas de participação extra representativa digitais

Plataforma Ingresso Acesso Gratuito Participações

38 Degrees País, e-mail,

prenome, sobrenome,

Sim, mas permite doações voluntárias

Exige Nome, E-mail e CEP para assinar petições

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 endereço, cidade,

CEP, celular

Avaaz Prenome, E-mail,

país e CEP

Sim, mas permite doações voluntárias

Basta e-mail

Change Nome, Sobrenome,

E-mail e Senha ou cadastro pela conta do Facebook ou do G+

Sim, mas sem

doações

Basta clicar em Assinar

GetUp! E-mail, Nome,

sobrenome, celular, telefone fixo, endereço, bairro, CEP, País

Sim, mas permite doações voluntárias

Basta e-mail, mas com Celular e CEP facultativos

Fonte: Autoria própria.

Como se pode ver na Tabela 4, todos são de acesso gratuito, permitindo doações voluntárias, de forma que o ingresso muito se assemelha com o de um comércio eletrônico, como nos casos das plataformas GetUp!, Avaaz e 38 Degrees, que exigem e-mail, nome completo, telefones e endereço, garantindo, ao mesmo tempo, um maior comprometimento com o usuário e maior confiabiliadde, haja vista que o cadastro se assemelha aos que o usuário já está habituado a fazer no comércio virtual.

No que toca ao momento da assinatura de petições pelos usuários, ou seja, suas particicipações, os únicos que foram além da necessidade de inserir o e-mail dos mesmos foi o GetUp! e o 38 Degrees, exigindo também o endereço de quem assina o conteúdo de uma petição digital. Isso pode ser explicado devido ao medo dos usuários de que tais dados sejam indevidamente expostos, mostrando quem são esses indivíduos e, de alguma maneira, nas mãos erradas, possam haver perseguições políticas (fator esse que ainda assombra muitos usuários, na hora de decidir por participar de uma manifestação, ainda que digital, como essa).

Tabela 5

Análise das plataformas soba ótica de quantidade de membros, resultados obtidos com as petições e formas de publicizar as petições nas redes.

Plataforma Idiomas Membros Resultados Publicidade

38 Degrees Inglês 20 milhões Sim, na página

inicial, tópico “achievements”

E-mail,

Facebook e

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761

Avaaz 18 42 milhões Sim, na página

inicial

E-mail,

Facebook e

Twitter

Change 19 70 milhões Sim, na página

inicial

E-mail,

Facebook e

Twitter

GetUp! Inglês 938.167 Sim, mas

mostra sob a ótica de histórias de membros do grupo Facebook, Twitter e Youtube

Fonte: autoria própria.

11 RESULTADOS DA ANÁLISE RESTRITIVA ÀS QUATRO PRINCIPAIS PLATAFORMAS

Na tabela acima, percebe-se que a expansão dessas plataformas na internet principalmente em inglês, mas tende a se expandir no mundo e conquistar mais adeptos, a medida em que atualiza seu site de acordo com o idioma do país, fato esse que pode ser observado pelo número de membros milionários daqueles que são multilíngues, Avaaz e Change, organizações essas com 42 e 70 milhões, respectivamente. Outrossim, embora as plataformas 38 Degrees e GetUp! tenham menos usuários, percebe-se o seu sucesso em participação digital no momento em que ambas são totalmente voltadas para seus países de origem (Inglaterra e Austrália, respectivamente).

Como relação à divulgação dos resultados obtidos pelas organizações após o encerramento do prazo de cada petição online, observou-se que todas divulgam, de forma sintética e clara, o que leva a crer que seja essa a sua principal forma de ampliar a participação, haja vista que os usuários se sentem representados, no momento em que seus interesses são levados ao Congresso com menos intermediadores e melhor representatividade. Esse é um elemento que se observou ser fudamental nessas plataformas e que deve ser melhor observado e incentivado nas políticas públicas em que o governo eletrônico pretenda incentivar a participação eletrônica, visto que a mera publicação da lei aprovada já não supre essa necessidade.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Além disso, outra ferramenta fundamental que garante maior participação é a publicidade, seja por meio lembretes de e-mail e notificações no Facebook, Twitter ou Youtube. A escolha dessas redes sociais virtuais em relação às demais leva a crer no fato de serem as com maior número de usuários. Essa forma de publicidade garante uma maior fidelidade dos usuários, que tendem a retornar e participar mais vezes, sendo essa, uma ferramenta que deve também ser levada em consideração na gestão de plataformas de participaçao digital pelo governo eletrônico.

12 CONCLUSÕES

É possível perceber que, com a facilidade de acesso pelas TICs, cada vez mais as redes de compartilhamento se expandem na sociedade da informação, bem como mais fácil se torna a comunicação entre pessoas de diferentes localidades.

As smart mobs têm mostrado sua importância perante ao cenário político/social, buscando a democratização do acesso a projetos de lei, por se utilizar das ferramentas tecnológicas informacionais e comunicativas ao seu favor para gerir as informações colhidas após a repercussão de seus compartilhamentos de projetos de lei, obtendo maior participação à medida em que amplia as suas possibilidades de compartilhamento em outras mídias sociais digitais, garante a resposta quanto aos projetos votados e permite o compartilhamento por meio de lembretes e notificações em redes sociais virtuais mais populares.

Elas mostram que precisam ser observadas com atenção, porque também as ferramentas de participação eletrônica que vêm surgindo no governo eletrônico em muito se assemelham a elas, mas nem sempre conseguem garantir uma participação digital eficiente como no caso de tais iniciativas não governamentais.

E esse sentimento de empoderamento do cidadão, que deixa, cada vez mais, de ser visto como usuário do serviço e como consumidor, passando a ser encarado como cidadão apto a co-operar e co-participar nos processos de discussão dos projetos de leis, de modo que isso tende a enriquecer os nós das redes de inteligência colaborativa, uma vez que une diversos grupos sociais díspares, em prol de uma sociedade justa e equânime, ampliando a discussão com a participação democrática digital e, consequentemente, a gestão da informação se torna mais precisa.

É claro que a gestão da qualidade desse conhecimento a ser colhido ainda é um assunto em aberto, de grande relevância, o que fica como sugestão de pesquisa futura.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 23356-23376, nov. 2019 ISSN 2525-8761 Se o objetivo de uma sociedade democrática republicana é garantir o acesso à informação a todos, sem distinções, é preciso adaptar a realidade legislativa à sociedade da informação que nela está inserida. Repensar e reinventar a democracia sob a ótica eletrônica e, principalmente, sob a ótica de redes de inteligência colaborativa, como as smart mobs se mostram ser, é mais do que um desafio, é uma realidade em constante mudança.

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