Filipe Lins dos Santos
Presidente e Editor Sênior da Periodicojs CNPJ: 39.865.437/0001-23
Rua Josias Lopes Braga, n. 437, Bancários, João Pessoa - PB - Brasil website: www.periodicojs.com.br
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A missão da Revista Gênero e Interdisciplinaridade (GEI) des- tina-se a informar a comunidade acadêmica sobre os desafios e perspec- tivas que revestem a discussão interdisciplinar das ciências humanas e do gênero. O objetivo da GEI é estimular o debate e produção científica com o propósito de produzir conhecimentos e atuar como transformador social e instrumento de reflexão para uma isonomia entre os indivídu- os. O público-alvo de nossa revista é pós-doutores, doutores, mestres e estudantes de pós-graduação. Dessa maneira os autores devem possuir alguma titulação citada ou cursar algum curso de pós-graduação. Além disso, a GEI aceitará a participação em coautoria. A Revista possui um conjunto de Seções para recebimento de trabalhos científicos, como:
•Seção de Estudos Interdisciplinares em Ciências Humanas: Seção interdisciplinar que recebem trabalhos de língua portuguesa, espanhola, inglesa ou francesa produzidos através de pesquisas ou reflexões acadê- micas na área das ciências humanas;
•Seção de Estudos sobre Gênero: essa seção se destina a discutir as- suntos que versem sobre a temática de gênero, podendo abordar temas como: direitos Homoafetivos, lutas LGBTI, teoria queer, direitos huma-
2
nos e políticas públicas de gênero, saúde, multiculturalismo, religião, povos tradicionais, inclusão social, pensamento africano, populações afro e diáspora negra;
3
BLACK WOMEN IN LEADERSHIP: HOW TO GET THERE?
8
OBSTETRIC VIOLENCE: ANALYSIS FROM THE PERS- PECTIVE OF CYBERFEMINISM AND THE PROJECTS OF
LAW IN PROGRESS IN BRAZIL 23
SEXUAL VIOLENCE AGAINST WOMEN: A CRITICAL ANALYSIS OF THE CRIME OF RAPE AND THE PERSPEC- TIVE OF PATRIARCHY IN THE CRIMINAL JUSTICE SYS-
TEM 55
(RE)THINKING HISTORY: WOMEN AND THE CONS- TRUCTION OF A SOCIOLOGICAL KNOWLEDGE
83
Estudos em Gênero
Estudos em Interdisciplinares
4
LEARNING BY OBSERVATION MAY ARISE AS A SIGNI- FICANT LEARNING STRATEGY FOR STUDENTS WITH DIFFICULTIES IN THE EARLY GRADES OF ELEMEN-
TARY SCHOOL 102
USE OF WEB RADIO IN INTEGRATED HIGH SCHOOL: A DIALOGUE ANCHORED IN FREIRIANA’S CONCEPTIONS
112
THE EXPANSION OF THE ACTION OF THE JUDICIARY:
FROM THE LIMITS AND PARAMETERS TO A JUDICIA- LIZATION TO THE LIGHT OF THE PRINCIPLE OF EFFI-
CIENCY 133
THE WORLD READING OF THE INDIGENOUS PEOPLES OF THE APINAYÉ ETHNICITY: FROM THE MOTHER
LANGUAGE TO BILINGUALISM 150
IS THERE A SOCIOLOGICAL EXPLANATION FOR SUICI- DE?
163
PLAYFUL RESOURCES IN THE DEVELOPMENT OF RE- ADING ON CHILDREN WITH AUTISTIC SPECTRUM DI-
5
SORDER.
189
ADVERSE CHILDHOOD EXPERIENCES: CONTRIBU- TIONS OF PSYCHOPEDAGOGY TO THE RESIGNIFICA-
TION OF TRAUMA 207
ACADEMIC WRITING: PRACTICAL TIPS FOR WRITING SCIENTIFIC WORKS
228
CONTRIBUTION OF PAULO FREIRE’S THOUGHT: AN EDUCATOR BEYOND HIS TIME
236
THE NURSE IN THE CONTEXT OF TECHNICAL-LEVEL EDUCATION: TEACHING CHALLENGES DURING THE
COVID-19 PANDEMIC 252
REGULATION OF FAKE NEWS: NATIONAL AND INTER- NATIONAL REGULATIONS TO FIGHT FALSE NEWS
264
6
Estudos em Gênero
7
8
BLACK WOMEN IN LEADERSHIP: HOW TO GET THERE?
Andrea de Souza M. Mangianelli1 Wilmar Luiz Barth2
1 Especialista em Gestão de Pessoas: carreiras, lideranças e coa- ching pela PUCRS
2 Professora do PUCRS Resumo: Este estudo visa identi- ficar as dificuldades enfrentadas por mulheres negras que almejam ocupar uma posição de liderança dentro das corporações, além de avaliar o processo de mulheres negras que já ocupam tal posi- ção. A avaliação será realizada por meio de pesquisa elaborada para tais públicos e dados levan- tados por estudiosos no assunto.
Palavras chaves: liderança, mu- lher, negra, gestão
Abstract: This study aims to identify the difficulties faced by black women who aim to oc- cupy a leadership position wi- thin corporations, in addition to evaluating the process of black women who already occupy such a position. The evaluation will be carried out through research designed for such audiences and data collected by scholars on the subject.
Keywords: leadership, woman,
8 9 black, management.
INTRODUÇÃO
A liderança feminina por si só já é um baita desafio.
Historicamente a mulher nunca foi muito bem vista no mercado de trabalho. Com o passar dos anos, este olhar foi diminuindo e a mulher foi ganhando espaço, mas ainda com limitações. Prova disso é que o número de mulheres com carteira assinada no Brasil foi de 12,5 milhões em 2004 para 21,4 milhões em 2014, enquanto que o de homens aumentou de 18,8 milhões para 28,1 milhões, no mesmo período. Com isso, a representação feminina no mer- cado de trabalho formal brasilei- ro foi de 39,9% para 43,2% entre 2004 e 2014 (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO, 2017).
Porém para cargos mais
altos (gerência, direção) a pre- sença feminina ainda é bastan- te tímida e, quando acontece, desigual em relação ao homem em posição semelhante (ORGA- NIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2015).
Para a mulher negra, essa desafio se torna ainda maior, visto que, além da questão de gênero existe a questão racial.
Quando comparamos a repre- sentatividade da mulher negra na liderança existe um abismo com relação à mulher branca (CIDA BENTO, 2017).
O que busco com este tema é identificar na prática, quais caminhos a mulher negra deve percorrer para o sucesso, se esses caminhos dependem ape- nas da sua determinação, quais motivos levam à estas diferenças e se elas podem ser minimizadas.
Neste momento em que o mundo vem tratando da igual-
10 dade racial, da inclusão dos ne-
gros, vale-se ressaltar a dificulda- de da mulher negra em assumir posições de liderança.
Essa dificuldade está relacionada apenas à condição racial ou ao preparo inadequado e falta de autoconfiança, que por muito tempo foi minada pelo pre- conceito racial?
METODOLOGIA
Foram mapeados alguns pontos importantes sobre o tema.
Para isso foi elaborada uma pes- quisa, via formulário eletrônico, que dividia as participantes em dois públicos: mulheres negras que já ocupam alguma posição de liderança e mulheres negras que almejam ocupar posição de liderança.
As perguntas elabora- das foram:
- Mulheres negras em
posição de liderança:
1) O que foi preciso fazer para alcançar o posto de li- derança?
2) Autoconhecimen- to e determinação ajudaram a conquistar o posto?
3) Qual é o seu pos- to de liderança atual (direção, gerência, supervisão, coordena- ção)?
4) Qual é a sua for- mação acadêmica?
5) Possui cursos complementares?
6) Você acredita que a sua formação foi predominante para alcançar o seu posto atual?
7) Quais são os pas- sos para alcançar um posto acima do seu atual?
8) Quais obstáculos você enfrentou para alcançar o posto atual?
9) Você acredita que, por ser negra, enfrentou maiores
11 dificuldades para alcançar o pos-
to atual?
- Mulheres negras que buscam posição de liderança:
1) O que você acre- dita que precisa fazer para alcan- çar um posto de liderança?
2) Você acredita que autoconhecimento e determi- nação te ajudariam a conquistar este posto?
3) Qual é o seu posto de trabalho atual?
4) Qual é a sua for- mação acadêmica?
5) Possui cursos complementares?
6) Você acredita que a sua formação seria suficiente para alcançar um posto de lide- rança?
7) Quais passos você acha necessário seguir para al- cançar um posto de liderança?
8) Quais obstáculos
você acredita que enfrentará para alcançar um posto de liderança?
9) Você acredita que, por ser negra, enfrentará grandes dificuldades para alcan- çar um posto de liderança?
10) Qual é o cargo almejado (coordenação, supervi- são, gerência, direção)?
Através deste estudo pretendo descobrir o que de fato está relacionado com a dificulda- de da mulher negra em assumir posições de liderança: fatores in- ternos (autoconhecimento, inse- gurança, etc.) ou fatores externos (postura dos superiores, precon- ceito racial, etc.).
Além disso, através da pequisa será possível identificar se existe um padrão que se re- pete com relação àquelas que já estão em posição de liderança e se existe também um padrão com relação àquelas que desejam al- 10
12 cançar um posto de liderança.
E, a partir daí, entender os reais motivos pelos quais a mulher negra tem tanta dificul- dade em alcançar postos de lide- rança.
DISCUSSÃO TEÓRICA
No Relatório da Pesqui- sa realizada pelo Instituto Ethos - Perfil Social, Racial e de Gêne- ro das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas, maio/2016 - em parceria com Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a ONU, encon- tramos informações concretas sobre o desequilíbrio na compo- sição destas corporações no que se refere a sexo, cor ou raça, faixa etária, escolaridade e presença de pessoas com deficiência.
Quando comparada a presença de homens x mulheres em cargos de gestão temos o se-
guinte cenário:
- 89% do Conselho de Administração é ocupado por ho- mens 86,4% do Quadro Executi- vo é ocupado por homens
- 68,7% da Gerência é ocupada por homens 61,2% da Supervisão é ocupado por ho- mens.
Apesar de as mulheres representarem cerca de 51,4%
da população e terem um maior nível de instrução com relação aos homens, só a partir de cargos mais operacionais é que esta dife- rença começa a ser minimizada.
O cenário torna-se ain- da mais crítico quando verifica- mos que boa parte das empresas participantes da pesquisa ainda não possuem medidas para in- centivar a presença de mulheres no quadro executivo.
A pesquisa compara a presença do negro (homens e
13 mulheres) em cargos de lideran-
ça. Mais de 90% dos cargos de Conselho Administrativo, Qua- dro Executivo e Gerência são ocupados por brancos.
De um modo geral, den- tre as empresas participantes da pesquisa, os negros são apenas 34,4% do quadro do pessoal.
Ainda que representem 52,8%
da população economicamente ativa.
Dentro da pesquisa, Cida Bento, comenta em seu ar- tigo “Exclusão fragiliza respon- sabilidade social” que o caso de mulheres negras em todos os in- dicadores de mercado de trabalho brasileiro se encontra em pior si- tuação. Isso porque elas possuem baixa participação no mercado de trabalho, alta taxa de desemprego e informalidade, quando compa- radas com o homem branco.
Ampliação da presença de mulheres negras nas empresas
Em entrevista conce- dida à Carta Capital (nov/2017), Cida Bento traz à tona o seguinte tema: “O grande desafio é am- pliar a presença de mulheres ne- gras nas empresas”.
Isso está relacionado com o fato de que que apenas 1,6% das mulheres negras são gerentes e só 0,4% participam do quadro de executivos. Estamos falando de duas entre 548 dire- tores. Outro ponto importante que ela traz é com relação entre a diferença das ações de inclusões para mulheres brancas e mulhe- res negras. Neste processo de in- clusão de gênero, a mulher bran- ca está de 4-5 vezes mais incluída do que a mulher negra.
Mas não basta apenas querer resolver os problemas com processos de recrutamen- to dos negros. É necessária uma mudança na forma de enxergar a inclusão dentro dos ambientes 12
14 das empresas, é necessário pen-
sar em negros ocupando cargos de liderança, de vanguarda, é en- tender que os negros precisam ter a oportunidade de serem treina- dos e construir uma carreira.
Atualmente algumas empresas têm batalhado para mudar este cenário. Muitas bus- cam por consultoria especiali- zada para saber como realizar a inclusão de pessoas negras de forma assertiva. Outras buscam entender porque mulheres negras que estão em suas corporações há mais tempo e com escolarida- de não tem sido promovida.
Políticas afirmativas para mu- lheres negras
O artigo da ONU Brasil,
“Profissionais negras demandam mais políticas afirmativas no mercado corporativo brasileiro”
(março/2018), afirma que, embo-
ra haja uma discussão mais inten- sa sobre o tema diversidade nas empresas, ainda faltam políticas e métricas efetivas para aumen- tar a participação de profissionais negros, especialmente em cargos de liderança. Este cenário se dá em um país em que 54% da po- pulação se autodeclara negra ou parda, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís- tica (IBGE), e após a adoção de uma série de políticas públicas nos últimos anos que elevaram o número de negros formados nas universidades.
Camila Novaes, gerente de Marketing da Visa, comen- ta que atualmente existem mais profissionais negros preparados para as funções que as empresas exigem, mas que, mesmo assim, existe um abismo entre o merca- do corporativo e os profissionais negros.
O artigo ainda traz da-
15 dos sobre a pesquisa encomenda-
da pelo Instituto Ethos em parcei- ra com a OIT e a ONU em 2016, que mostra que grande parte das grandes empresas no Brasil não possuem ações afirmativas para incentivar a presença de negros e mulheres em seus quadros de funcionários.
Segundo Elaine Matos, gerente de produtos da Dow Bra- sil e líder da African American Network, embora haja ações de conscientização sobre a diversi- dade, as empresas precisam dar um passo maior, colocando me- tas mais agressivas dentro das or- ganizações, afim de atrair esses profissionais que estão disponí- veis no mercado.
Ainda que os negros tenham avançado em grau de instrução, boa parte ocupa para cargos de baixa qualificação. De acordo com o Instituo Ethos, das 117 empresas entrevistadas, os
negros são maioria em cargos de aprendizes (57,5%) e trainees (58,2%). Já para cargos de gerên- cia, a presença cai para 6,3% e 4,7% no quadro de executivos.
Para a mulher negra o quadro se torna ainda pior, quan- do temos apenas 8,2% em cargos de supervisão e 1,6% em cargos de gerência.
“Essa jornada é muito nova para todo mun- do. Quando você fala em jovem aprendiz e trainee, eles se for- mam de acordo com a cultura da empresa, quando fala de cargo de liderança, ele tem que se adaptar à cul- tura dela. Talvez seja essa a dificuldade.
Por isso, as empresas que estão começando a jornada de diversi- dade optam por car- gos menos sênior”, declarou Lisiane Ka- astrup, especialista de soluções da Mi- crosoft e membro do 14
16 Conselho Consultivo
do Fundo de Popula- ção das Nações Uni- das (UNFPA).
RESULTADOS
Os dados foram coleta- das através de uma pesquisa on- line realizada com mulheres ne- gras de diversas classes sociais e graus de instrução, entre os dias 19/05/2021 e 02/06/2021.
DADOS DAS RESPONDENTES
Das 57 pesquisas respondidas, temos que:
Grau de escolaridade das Mulheres Negras em cargo de liderança (Líderes) x Mulheres Negras que almejam cargo de liderança (Não Líderes):
Líderes
Mestrado (4,8%) Pós Graduação (42,9%) Superior Completo (42,9%) Superior Incompleto (4,8%) Ensino Médio Completo (4,8%)
Não Líderes
Pós Graduação (30,6%) Superior Completo (33,3%) Superior Incompleto (13,9%) Ensino Médio Completo (16,7%) Ensino Médio Incompleto (2,8%) Ensino Fundamental II (2,8%) NÃO ocupa cargo de liderança atualmente.
OCUPA cargo de liderança atualmente.
17 ISSN: 2675-7451
Vol. 03 - n 03 - ano 2022 Editora Acadêmica Periodicojs Grau de escolaridade das Mulheres Negras em cargo de liderança (Líderes) x Mulheres Negras que almejam cargo de liderança (Não Líderes):
Líderes
Mestrado (4,8%) Pós Graduação (42,9%) Superior Completo (42,9%) Superior Incompleto (4,8%) Ensino Médio Completo (4,8%)
Não Líderes
Pós Graduação (30,6%) Superior Completo (33,3%) Superior Incompleto (13,9%) Ensino Médio Completo (16,7%) Ensino Médio Incompleto (2,8%) Ensino Fundamental II (2,8%) NÃO ocupa cargo de liderança atualmente.
OCUPA cargo de liderança atualmente.
Postos de liderança ocupados por mulheres negras
Mulheres Negras que ocupam cargo de liderança:
As 36,8% que ocupam cargo de liderança estão distribuídas entre os seguintes postos:
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
Superintendência Direção Gerência Supervisão Coordenação Outros
16
18 Sobre terem alcançado o
posto almejado:
- 95% acredita que au- toconhecimento e determinação contribuiram
- 85,7% acredita que sua formação foi fundamental para alcançar o posto atual
Sobre os obstáculos en- frentados para atingir o posto atual, destacam-se:
- Discriminação racial (ser negra)
- Discriminação de gê- nero (ser mulher)
- Dificuldades financei- ras para atender à qualificação exigida
- Falta de oportunidade - 47,6% delas acredita que enfrentou maiores dificulda- des por ser negra, enquanto que 33,3% não acredita e 19% não tem certeza.
Sobre os obstáculos en-
frentados, uma das respondentes, comenta: “A aceitação das pesso- as de que uma mulher negra pode ser competente” (Silvana Cotrim, maio/2021)
Dentre os passos ne- cessários para alcançar um posto acima do posto atual, destacam- -se:
- Estudo
- Determinação - Autoconfiança - Foco
- Estrutura emocional - Indicação
- Aceitação social
19
Postos de liderança almejados por mulheres negras
Mulheres Negras que buscam um cargo de liderança:
Os cargos mais almejados pelas 63,2% que buscam um cargo de liderança são:
45,00%
40,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
Direção Gerência Supervisão Coordenação Outros
Sobre o que elas acredi- tam ser necessário para atingir o posto almejado destacam-se:
- Estudo - Dedicação - Disciplina - Indicação - Planejamento
Além disso 69,4% acre- dita que autoconhecimento e de- terminação ajudariam a conquis- tar o posto almejado.
Sobre os obstáculos que elas imaginam enfrentar para al- cançar a liderança, destacam-se:
- Discriminação racial (ser negra)
- Discriminação de gê- nero (ser mulher)
- Idade
- Falta de oportunidade - Falta de autoconfiança - Posição social atual - Dificuldades financei- ras para atender à qualificação 18
20 exigida
- 52,8% delas acredita que enfrentará maiores dificulda- des por ser negra, enquanto que 11,1% não acredita e 36,1% não tem certeza.
ANÁLISE DOS DADOS:
Avaliando os dados for- necidos acima, podemos tirar al- gumas conclusões que, inclusive, são bastante evidenciadas pela mídia atualmente:
- Existe uma maior difi- culdade em se ocupar postos de liderança por ser mulher;
- A dificuldade aumenta quando estamos falando de mu- lher negra;
- A questão social é um fator que agrava ainda mais a si- tuação, dificultando o acesso de mulheres negras à capacitação;
- A aceitação social, conforme mencionado oportuna-
mente acima, é um fator gritante que leva à reflexão: “como é pos- sível uma mulher negra ocupar tal posição”.
Segundo dados de pes- quisa realizada pelo Instituto Ethos (Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empre- sas do Brasil e suas ações afirma- tivas – maio/2016) em parceria com Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a ONU, mais de 40% das mulheres negras es- tão em empregos de baixa qua- lificação, enquanto que apenas 1,6% são gerentes.
Segundo relatos de Cida Bento, ativista na luta contra a desigualdade racial, em entrevis- ta concedida à Carta Capital (no- vembro/2017), os programas de equidade de gênero são bem su- cedidos em promover a inclusão de mulheres brancas, enquanto que as negras acabam sendo des- favorecidas.
21 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através dos dados le- vantados podemos concluir que:
- Tanto para aquelas que já ocupam cargo de liderança, quanto par aquelas que ainda não ocupam, existe um sentimento de dificuldade em alcançar cargos de gestão pela questão racial;
- Além da questão ra- cial, existe a questão de gênero (mulher negra) e a aceitação so- cial.
Esses fatores enfraque- cem a autoconfiança e deter- minação da maioria que deseja ocupar cargos mais elevados e, assim, ocupar o merecido espaço na sociedade.
Percebemos que boa parte das mulheres respondentes, possui ensino superior e, uma outra parte significativa, possui
pós gradução. Ou seja, em teoria, a escolaridade não seria um obs- táculo ou, pelo menos, não pode- ria ser utlizada como argumento para que tais mulheres não alcan- çem o posto almejado.
Fazendo a pesquisa para a realização deste trabalho, senti falta de encontrar políticas mais sólidas implantadas pelas empre- sas, para inclusão de mulheres negras nos cargos de liderança, assim como há para projetos de sustentabilidade, por exemplo!
REFERÊNCIAS BIBLIO- GRÁFICAS
ALMEIDA, Raíssa. Diversida- de nas Empresas. Blog Eureca, 28 jun. 2021. Disponível em: ht- tps://blog.eureca.me/diversidade- -nas-empresas/. Acesso em: 06 jul.2021.
22 CERIBELI, H. B.; ROCHA, G.;
PEREIRA, M. Mulheres em car- gos de chefia: desafios e percep- ções. UnilaSalle Editora, Canoas, v. 36, p. 9–24, 2017.
Entrevista de Cida Bento, conce- dida à Carta Capital: “O grande desafio é ampliar a presença de mulheres negras nas empresas”, novembro/2017 - https://fopir.org.
br/o-grande-desafio-e-ampliar- -presenca-de-mulheres-negras- nas-empresas
GOMES, Nilma L. O Movimen- to Negro Educador. Editora Vo- zes, Petrópolis, 2019.
LOTT, Fernanda. Enegrecendo na Prática. Blog Eureca, 16 nov.
2020. Disponível em: https://
blog.eureca.me/enegrecendo-na- -pratica/. Acesso: em 06 jul. 2021.
ONU Brasil, Artigo: Profissionais negras demandam mais políticas afirmativas no mercado corpora- tivo brasileiro, março/2018 - https://www.ethos.org.br/cedoc/
profissionais-negras-demandam- -mais-politicas- afirmativas-no- -mercado-corporativo-brasileiro/
Relatório da Pesquisa realiza- da pelo Instituto Ethos - Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Bra- sil e suas ações afirmativas, maio/2016 - em parceria com Or- ganização Internacional do Tra- balho (OIT) e a ONU. Disponível em: https://issuu.com/instituto- ethos/docs/perfil_social_tacial_
genero_500empr . Acesso em: 05 jul. 2021
23
TRÂMITE NO BRASIL
OBSTETRIC VIOLENCE: ANALYSIS FROM THE PERSPECTIVE OF CYBERFEMINISM AND THE PROJECTS OF LAW IN PROGRESS IN BRAZIL
Amanda Letícia Demétrio1 Alessandra Brustolin2
1 Acadêmica do curso de direito do Centro Universitário Univel.
2 Mestra em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Especialista. Professora do Curso de Direito do Cen- tro Universitário Univel.
Resumo: O trabalho aborda a carência legislativa para regula- mentar atos de violência obsté- trica. A análise é realizada sob a ótica das exigências do movi- mento ciberfeminista no Brasil.
Diante disso, a pesquisa consis- te em verificar se os Projetos de Lei em trâmite no Brasil desde 2015 a 2021, atendem as exi- gências do ciberfeminismo. Para a análise, foram estabelecidos
critérios específicos, com base na compreensão do movimento.
As exigências apresentadas pelo ciberfeminismo apontam para a necessidade de uma conceitua- ção de violência obstétrica, em documentos legais que a definam e criminalizem, que auxiliará na identificação e responsabilização do condutor, além de políticas públicas em prol da coibição.
Diante disso, foi possível cons- 22
24 tatar que a maioria dos Projetos
atendem parcialmente as exigên- cias do ciberfeminismo, sendo possível notar que o Projeto de Lei n° 878/2019 é o que se ade- qua melhor as especificidades do movimento.
Palavras chaves: Escassez le- gislativa. Políticas Públicas. Exi- gências.
Abstract: The work approaches the lack of legislation to regula- te acts of obstetric violence. The analysis is carried out from the perspective of the demands of the cyberfeminist movement in Brazil. Therefore, the research consists of verifying whether the Bills in Process in Brazil from 2015 to 2021 meet the require- ments of cyberfeminism. For the analysis, specific criteria were determined, based on the unders- tanding of the movement. The
demands of cyberfeminism point to the need for a conception of obstetric violence, in legal docu- ments that define and criminalize it, which will help in identifying and holding the driver responsib- le, in addition to public policies in favor of restraint. Therefore, it was possible to see that most of the Projects partially meet the requirements of cyberfeminism, and it is possible to note that law project No. 878/2019 is the one that best suits the specificities of the movement.
Keywords: Legislative Shorta- ge. Public policy. Requirements.
INTRODUÇÃO
A Violência Obstétrica (VO) é uma forma de violência que ocorre estritamente a mulhe- res em seu estado puerperal, po-
25 dendo acontecer durante a gravi-
dez ou logo após. Essa violência é muito comum no Brasil, porém, ainda pouco discutida, mesmo tendo, as mulheres, ganhado voz nos últimos tempos por meio dos movimentos sociais voltados a defesa dos direitos das mulheres.
A primeira vez em que foi usada a terminologia VO foi em 2000 com os movimentos fe- ministas. Esses movimentos são de extrema importância à socie- dade feminina brasileira, pois, visam buscar e garantir direitos inerentes às mulheres, por meio de manifestações, passeatas, po- líticas públicas e pelo ciberespa- ço, como por exemplo, o ciberfe- minismo.
O ciberfeminismo é o movimento feminista inserido no ciberespaço, ou seja, na internet, o meio de divulgação mais prá- tico e rápido e com maiores re- sultado, tendo em vista que não
há necessidade da presença física para constituir a comunicação entre usuários, e no caso, defen- sores das causas feministas.
Esse movimento, em específico, já conquistou diver- sos direitos e garantias individu- ais às mulheres, tendo em vista que, tem como intuito descre- ver as filosofias da comunidade contemporânea feminina, abran- gendo um número maior e mais relevante de pessoas, visto que, a internet não é apenas um meio de recepção de informações, mas também possibilita o comparti- lhamento.
Dessa forma, ao inserir a temática da VO na pauta ciber- feminista é provável que se ob- tenha um resultado mais expres- sivo em termos de tutela destes direitos, considerando que uma das características do ciberfemi- nismo é o alargamento da visibi- lidade de determinadas temáticas
26 relacionadas aos direitos das mu-
lheres.
Com isso, analisar se ciberfeminismo pode influenciar na tutela legislativa das mulhe- res no que diz respeito à VO, é avaliar a existência de um diálo- go que se alinha às exigências de determinados grupos da socieda- de e das instituições, em prol da tutela de direitos.
A pesquisa trata de uma questão jurídica que envolve di- retamente a dignidade da mulher ligada o direito de um parto dig- no, justo e satisfatório acrescen- tando ao ordenamento brasileiro amplitude em termos de regu- lamentação e visando profunda defesa dos direitos humanos e fundamentais, exclusivo das mu- lheres, nesse período de vulnera- bilidade.
Atualmente, existem diversos projetos de lei sobre o tema em tramitação no Brasil.
Assim, a análise se restringe aos Projetos em trâmite desde 2015 a 2021, que serão avaliados com base em critérios específicos, que levam em conta as exigências do movimento ciberfeminista. O objetivo é verificar se os proje- tos de lei em tramitação no Es- tado Federativo cumprem com as exigências pré-estabelecidas do movimento ciberfeminista e qual desses projetos melhor se enqua- dra em tais requisições.
Dentre as exigências do movimento estão aquelas relacio- nadas ao parto humanizado, ao tratamento respeitoso das mulhe- res no processo parturitivo, direi- to reprodutivo, a criação de po- líticas públicas e mecanismos de conscientização e a autonomia da mulher sobre seu próprio corpo.
O artigo encontra-se di- vido em 3 (três) seções. Na pri- meira, tem-se como objetivo a revisão da literatura sobre a VO,
27 apresentando sua definição, as
condutas que são consideradas VO e seus momento de ocorrên- cia, além de demonstrar alguns relatos de experiências de mulhe- res que sofreram VO, com o obje- tivo de apresentar as falhas exis- tentes no ordenamento jurídico sobre o tema. Na segunda, pro- move-se uma análise geral dos movimentos sociais, com foco específico no ciberfeminismo, buscando explicar o movimento e a sua relação com a VO.
Por fim, diante das fa- lhas da legislação atualmente aplicada aos casos de VO e da carência de uma legislação espe- cífica, far-se-á uma análise dos projetos de lei em trâmite visan- do apresentar a solução para a problemática proposta. O méto- do utilizado para a realização do estudo será o dedutivo. Busca-se relacionar a análise da literatura e legislativa sobre o tema.
A VIOLÊNCIA OBSTÉTRI- CA NO BRASIL
A VO é a violência que ocorre contra a mulher grávida e/
ou seus nascituros, em qualquer fase da gravidez: pré-natal, parto ou pós-parto imediato. Segundo Silva e Spacov (2019, p.3), tra- ta-se de uma violência que pode ocorrer de forma física, psico- lógica e moralmente, através de atos médicos indesejados pela vítima e até mesmo antiéticos, restringindo qualquer tipo de li- berdade de escolha que a pacien- te porventura tivesse.
A VO não está definida por lei. Assim, não há definição legal exata de quais atos caracte- rizam este tipo de violência. Não obstante, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o abuso, desrespeito e maus tratos ocorridos durante o parto como 26
28 um tipo de violência que “[...]
não apenas viola os direitos das mulheres ao cuidado respeitoso, mas também ameaça o direito à vida, à saúde, à integridade físi- ca e à não-discriminação” (OMS, 2014). De acordo com a OMS essa situação “[...] convoca maior ação, diálogo, pesquisa e mobili- zação sobre este importante tema de saúde pública e direitos huma- nos” (OMS, 2014).
A fim de compreender a VO é pertinente conhecer a de- finição de violência em si. Para isso, será utilizada a definição de violência de Nascimento et al.
(2017, p. 2015), que definem um ato violento enquanto aquele que ocorre a partir do momento em que transformamos aquilo que é diferença em desigualdade, ou quando nos aproveitamos de po- sições hierárquicas para oprimir aqueles que dentro desta hierar- quia se encontram abaixo da nos-
sa posição, usando por exemplo, de força e coação para com o ou- tro.
Andrade et al. (2016, p.
30), caracterizam como VO qual- quer ato infringido sobre a mu- lher grávida ou parturiente que a viole físicamente, emocional- mente ou sexualmente, e também pela discriminação social reali- zada por profissional da equipe médica, funcionário da institui- ção e, inclusive parentes e pesso- as próximas.
Aguiar (2011, p.84), em análise a casos por meio de en- trevista à mulheres, acrescentam que a negligência no atendimento é mais uma forma de violência.
A autora chega a essa conclusão por meio da análise de entrevis- tas, chamada de “Taís” pela auto- ra segue adiante.
Você já tá ali numa si- tuação constrangedo- ra, né, e assim, a pes- soa falar grosso com
29 você, falar grossa, de
repente por ela estar com raiva de alguma coisa, ela vim te apli- car uma injeção e te aplicar de qualquer jeito. Eu acho que isso é uma violência, entendeu, dentro da saúde. (AGUIAR, 2011, p.134)
Segundo Cardoso e Barbosa (2012), os fatores que ensejam a VO estão ligeiramente envolvidos com a desigualdade de gêneros e a imposição da obri- gação da mulher em sofrer as do- res de um parto, ou seja, trazendo para a sociedade a ideia de que a mulher é submissa às escolhas do homem, neste caso, o médi- co. Além disso, Cardoso e Bar- bosa (2012), sustenta-se também apoiada na ideia de que o corpo feminino é carente de interven- ções por ser um corpo imprevisí- vel, principalmente no momento
do parto.
Santos e Pereira (2011) também consideram a imposição da dor, assim como os demais autores. Ponderam que apesar de esta ser uma situação enfrentada somente pelas mulheres, ocorre às vistas das equipes que acom- panham a realização do parto, destacando-se o seu descaso. Em sua pesquisa eles notaram que os profissionais de saúde, segundo as mulheres entrevistadas naque- le momento, não atendem ao seu dever, deixando-as sozinhas e com dores, o que é compreendido como descaso e abandono.
Como se pode observar nos relatos a seguir feitos pela pesquisa original de Santos e Pereira (2011), onde a entrevista tinha por finalidade investigar a vivência de puérperas sobre a atenção recebida no processo parturitivo. Os dados foram co- letados em 2010, as participantes
30 da entrevista assinaram termo de
consentimento e foram selecio- nadas por requisitos como: puér- peras que estiverem internadas no alojamento conjunto para par- to vaginal; puérperas com idade superior a 19 anos; puérperas de parto simples natural em vértice e puérperas com feto nativivo.
A entrevista se deu da seguinte forma: cada uma delas recebeu uma folha A4 em bran- co e lápis coloridos e foram so- licitadas a desenhar algo que re- presentasse sua experiência com o parto. Após isso, foi pedido a elas que contassem como foi o processo de seu parto, momento em que foi gravado e descrito na íntegra pelos autores. No total fo- ram 19 desenhos e elas tiveram a identificação realizada por có- digos númericos sequenciais de entrevistas, por questões éticas e em acordo a Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde
(1996), para que fosse possível manter o anonimato. A seguir o relato da “entrevistada n. 10” que é identificada como “E10” por Santos e Pereira (2011):
Você chama alguém e não aparece nin- guém, se você de- mora pra parir, vão apagando as luzes dos corredores to- dos e largam você lá na sala de parto. Eu sei que acaba sendo chato gritar bastante, mas tem que ter dor e não existe dor que você suporte calada, principalmente uma dor de parto. É terrí- vel! (SANTOS; PE- REIRA, 2011, p.7).
Além de impor à mulher a obrigação de suportar a dor do parto, trata-la mal e não atender a suas solicitações de alívio é inadmissível, sendo possível no- tar nas falas dessas mulheres o descontentamento com a equipe.
31 Ainda sobre a pesquisa de San-
tos e Pereira (2011) o relato da
“entrevistada n. 19”, identificada como “E19”: “Você fica chaman- do, não tem ninguém, e eu fiquei no desespero que eu achava até que a criança não ia sair, pedia ajuda: ‘gente, fica comigo! Tá tudo bem?’ eles respondiam: ‘só depende de você’! É complicado, entendeu?” (SANTOS; PEREI- RA, 2011, p.7).
Há um movimento em algumas instituições que discor- re sobre a banalização da dor da parturiente. Rangel e Camargo Jr (2016, p. 1296) expõem ao des- creverem a rotina de admissão e assistência às gestantes em uma instituição de saúde. Apontam que, quando a mulher gestante chega ao hospital alegando estar em trabalho de parto, ela imedia- tamente passa pelo cadastramen- to, onde faz uma ficha com seus dados e depois é encaminhada
para uma enfermeira que fará a avaliação de seu caso.
Mesmo que ela chegue ao hospital relatando sentir uma dor aguda, a ordem do proce- dimento não é alterada. Caso a enfermeira constate que a mu- lher está de fato em trabalho de parto, ela a encaminha para as etapas seguintes do serviço, não tendo sido mencionado nenhum procedimento ou movimento de atenção à dor que ela relata sentir (RANGEL; CAMARGO, 2016, p.1297).
Em casos em que a di- latação não corresponde ao que a enfermeira compreende como trabalho de parto, a mulher não é admitida na instituição e mes- mo que relate dor, não é acolhi- da, tendo que partir para uma peregrinação onde passará por diferentes maternidades até que durante o percurso sua dilata- ção aumente e ela seja finalmen- 30
32 te admitida em alguma delas
(RANGEL; CAMARGO, 2016, p. 1298).
A desigualdade de gêne- ro e imposição da dor, como pode ser notado não só atinge direitos básicos da mulher como o de de- cidir sobre o seu próprio corpo e o de ser cuidada e acolhida com dignidade, mas também sustenta situações recorrentes sem emba- samento científico como abando- no e não administração de medi- cação para o alívio da dor.
Essas atitudes e condu- tas contra a mulher não possuem consequências apenas com rela- ção a uma violação social e de direitos, mas a expõe a risco de vida. Segundo Gonçalves, Cruz e Narchi (2013, p.1060) nenhu- ma das situações médicas que expõem os homens a riscos de morte se comparam em questão de amplitude com a mortalidade materna, cuja causa em 70% dos
casos no Brasil está diretamente associada a questões obstétricas.
A desigualdade social é bastante pautada na fala de Gonçalves, Cruz e Narchi (2013, p.1060) como sustentada pelas vítimas da VO, embora possa ser relacionada com a desigual- dade de gênero, a questão social aparece principalmente para de- monstrar que a violência ocorre mesmo quando a relação se dá entre gêneros iguais, e também que os tratamentos dispensados a mulher são influenciados, ain- da que de modo velado pela sua condição social e ou econômica.
Com isso, Aguiar e D’Oliveira (2011, p. 87) apontam para o primeiro fator de análise: a violência entre mulheres. As au- toras afirmam que mesmo quan- do o profissional também é uma mulher, há na relação médica/pa- ciente uma desigualdade que as separa e que dá à médica a “per-
33 missão” de exercer o poder sobre
o corpo da parturiente e essa de- sigualdade geralmente se dá pela diferença da posição social entre elas, isto é, entre a mulher médi- ca (aquela que sabe) e a mulher parturiente (aquela que necessita de intervenções).
A VO também pode emergir da negligência e impe- rícia médica, uma vez que, al- gumas lesões ou mortes do nas- cituro são causadas por médicos impacientes e incapacitados na hora do parto.
A responsabilidade, leia-se consequência pelo descumprimen- to total ou parcial da obrigação preceden- te, varia conforme a natureza da norma violada, podendo ser ética, civil, criminal (penal) ou adminis- trativa, podendo, de regra, serem exigidas de forma autônoma e independente entre si. [...] (BARROS
JUNIOR, 2011, p.
45).
Sendo assim, os artigos presentes no Código de Ética Médico (2009), trazem um rol de danos aos pacientes que são vedados aos médicos, como por exemplo, a ação ou omissão que caracterizem imperícia, impru- dência ou negligência, também, a prática de atos desnecessários, proibidos ou sem o consentimen- to do paciente e, ainda, tratá-lo desrespeitosamente, sem huma- nidade, ferindo sua dignidade ou deixando de garanti-lo o poder de escolha sobre si mesmo.
Apesar das definições médicas, a legislação brasileira abre lacunas para várias situa- ções que envolvem a VO. Assim, pode-se dizer que há uma ausên- cia de lei específica para lidar com todas as complexidades que o tema exige, ou seja, há um va- 32
34 zio existente no ordenamento ju-
rídico.
Não existe previsão le- gal específica sobre a VO em âm- bito nacional. Sendo assim, Paes (2018), traz que para situações que envolvam essa natureza de violência aplica-se o Código Pe- nal Brasileiro (1940), sendo que podem caracterizar fatos típicos e antijurídicos, já previstos no Código Penal, no tocante à le- são corporal, conduta culposa ou dolosa, negligência, imperícia e imprudência e o Código de Ética Médico (2009), ou seja, penalida- de em âmbito administrativo ao médico e o pagamento de danos morais à paciente.
Nesse sentido, Sena e Tesser (2017, p. 217), encontram meios de manifestos que visam à coibição da VO, como por exem- plo, o ciberfeminismo. Esse mo- vimento, nada mais é que o femi- nismo no ciberespaço, ou seja, a
defesa dos direitos das mulheres na internet. Quando se coloca alguma temática nesse meio, a repercussão se torna mais ampla e como consequência, abrange maior número de pessoas.
Sena e Tesser (2017, p.
213), trazem que quando a VO foi inserida nesse veículo de trans- missão, houve um compartilha- mento e recebimento de infor- mações muito maior pelo fato da facilidade de transmissão. Esse advento contribuiu e ainda con- tribui em vários aspectos, visto que, alcançou maior número de mulheres e mães, produzindo a conscientização de que tal con- duta pode ser ofensiva e caracte- rizada como VO.
Com isso, Donna Ha- raway (2014) aponta que o ciber- feminismo surgiu dentro da VO, ou vice-versa, por meio de pes- quisas de autores onde foi possí- vel esclarecer melhor do que se
35 trata, como acontece, onde acon-
tece, por quem, além disso, pôde se expor, com a coleta de infor- mações numéricas, o percentual de mulheres que sofrem essa vio- lência no processo parturitivo e, ainda, relatos de mães sobre suas experiências no parto.
O QUE O CIBERFEMINIS- MO ESPERA DO PODER PÚ- BLICO QUANTO À RESPOS- TAS PARA A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA SOFRIDA POR MULHERES?
O Ciberfeminismo, que tem seu maior período de atua- ção na década de 1990 e início dos anos 2000, pretendeu ques- tionar as relações das mulheres com a tecnologia e as estruturas de gênero na cultura eletrônica do mesmo modo que os feminis- mos da década de 1960 busca- vam questionar as estruturas de
gênero em outras estruturas mais básicas. No caso do Ciberfemi- nismo o ponto de partida questio- nado são as tecnologias de infor- mação, seu mercado de trabalho, ambos controlados pela ordem patriarcal (LEMOS, 2009, p. 36)
Assim como os movi- mentos sociais visam transmitir conhecimento e defender direi- tos perante a sociedade, os mo- vimentos feministas vêm com o mesmo intuito, mas relacionado a temas estritamente ligados as mulheres, tendo elas como as principais protagonistas onde tem ganhado voz com o decor- rer dos anos, ainda mais quando foram jogados na internet como forma de divulgação.
O Ciberfeminismo se usurpou da Internet e outras re- des tecnológicas, seguindo a in- dicação de diferentes teorias do movimento, de que a Internet seria um sistema de conversação 34
36 alternativo que favoreceria a ma-
nifestação de discursos múltiplos e descentralizados.
Essa nova tecnologia de comunicação possibilita um novo posicionamento dos modos de organização de inúmeros movi- mentos sociais como, por exem- plo, o feminismo que, a partir da propagação de redes eletrônicas de comunicação, apresenta uma nova prática denominada ciber- feminismo.
O termo ciberfemi- nismo surgiu na dé- cada de 1990, em um contexto de expansão de tecnologias digi- tais e de inserção da internet na esfera pú- blica. Apesar de não possuir uma defini- ção única e oficial, o conceito está ligado à aplicação de ideais provenientes do mo- vimento feminista ao recém criado ci- berespaço (PASSOS, 2019, p.1).
Como Lemos (2009), traz, o termo ciberfeminismo possui origens diferentes, ca- racterísticas fragmentadas e a apropriação de redes eletrônicas, tornando possível, assim, a sua organização de forma reticular, tendo como objetivo, além da pulverização do movimento em inúmeras redes eletrônicas em diferentes partes do mundo, tam- bém as práticas culturais do que vem a ser o feminismo e sua rela- ção com as tecnologias de comu- nicação.
O ciberfeminismo é o método que foi encontrado como ferramenta de quebra de invisi- bilidade e mobilização dos mo- vimentos feministas na internet.
O movimento feminista quando colocado nesse veículo de trans- missão ganhou grande visibilida- de, inclusive quando se fala em VO, visto que, a internet não é
37 apenas um meio de recepção de
informações, mas também, pos- sibilita o compartilhamento dela.
Lemos (2009), aponta que a tecnologia permite a rede- finição de novos modelos organi- zacional de muitos movimentos sociais, como o feminismo. Isto é, a construção de novas subje- tividades na contemporaneida- de está interligada, diretamente, com o avanço tecnológico de co- municação que surgiram nos úl- timos dois séculos.
Esse método tem como responsável por sua origem a es- critora Donna Haraway (2014) onde citou o termo em seu artigo Manifesto Ciborgue: ciência, tec- nologia e feminismo-socialista no final do século XX.
Ainda com aborda- gem predominante- mente artística, nos anos 1990 surgiu o que pode ser cha- mado de cybergr- rl-ismo: atitude de
mulheres nas redes que produzia zines sci-fi, cyberpunk e femporn, formavam conversas por lis- tas de e-mail apenas para mulheres, orga- nizavam redes para serviços de emprego e encontros, projetos antidiscriminação e que jogavam na rede temas como experi- mentação transgê- nera e separatismo lésbico, por exem- plo. (AZZELLINI;
MARTINO, 2017, p.
6, grifo do autor).
A internet, principal Tecnologia da Informação e Co- municação (TIC) utilizada, pos- sibilitou uma forma mais rápida e dinâmica de intercâmbio de ideias entre diferentes concep- ções de feminismos e se conso- lidou como um veículo de produ- ção de conteúdo e diálogo com os mais diversos setores da socieda-
38 de sobre as problemáticas dos fe-
minismos contemporâneos. Des- se modo, é pertinente ressaltar que a web militância feminista pode incitar diversificados deba- tes e reflexões sobre as mulheres, gênero, sexualidade e cultura.
A Internet, instru- mento basal do ci- berfeminismo, é uma força poderosa para conectar e dividir, o conhecimento e as fontes. Mas tam- bém, é a tecnologia que originalmente pretendia a domina- ção global e militar.
Há muitos benefí- cios, desde que te- nhamos em mente o uso consciente e o conhecimento histó- rico de seu contexto.
Crítica é a resistência à imersão total na tecnologia que resul- ta no destacamento do mundo ao invés do engajamento com este, e também, um dos pressupostos
para que o movimen- to feminista como um todo mantenha sua força diante das discussões sobre gê- nero e tecnologia.
(LEMOS; OLIVEI- RA; PINTO, 2016, p.
388).
O Ciberfeminismo, em suas várias vertentes, buscava a inserção da mulher em profissões ligadas às novas tecnologias, sua ocupação nas redes eletrônicas e pelo esforço da palavra pública e sua circulação; a importância de estabelecer uma rede de comuni- cação entre as mulheres. (MAR- TÍNEZ e NAVARRETE, 2006)
Os novos movimentos sociais tiveram uma relação di- reta com o desconceituamento das identidades porque através de sua crítica social, questiona- ram a noção de que os homens e mulheres eram parte de uma mesma identidade, a “humanida-
39 de”, substituindo-a pela questão
do “dentro” e do “fora”. (HALL, 2001, p.63)
O reconhecimento à in- dividualidade da mulher e a per- cepção de suas necessidades fa- zem parte da ação humanizada e geram relações menos desiguais e autoritárias. O ciberfeminismo busca receber do poder público o mínimo para a efetivação da pe- nalização da VO, sendo que visa, ao menos, trazer a conceituação exata desse gênero de violência.
O ciberfeminismo, como fenômeno social e político, é um ativismo online vinculado à tercei- ra onda feminista, a partir da concepção de que as TIC po- deriam transformar a sociedade, os pró- prios meios tecnoló- gicos e as posições de gênero conven- cionais. (OLIVEI- RA; PINTO, 2016, p.
386)
De modo geral, o ci- berfeminismo busca ampliar a divulgação de informações rela- cionadas ao movimento feminis- ta com intuito de maior participa- ção de mulheres que têm acesso ao Ciberespaço, ou seja, nasce para fortalecer a aliança entre mulheres em busca de maior em- poderamento feminino.
O feminismo da In- ternet se baseia na ideia de que, combinada com a tecnologia, as mulheres podem estabelecer sua identidade da maneira que qui- serem. Além de estabelecer uma identidade, a tecnologia e a in- formação também proporcionam cada vez mais liberdade às mu- lheres. Essa libertação depende da construção de uma consciên- cia da histórica opressão das mu- lheres (REIS, 2018, p. 1).
O laço entre o ciberfe- minismo e a VO é mantido pela
40 disseminação de informações de
forma rápida e prática pela inter- net. Esse meio faz com que um maior número de mulheres tenha acesso as condutas que são consi- deradas VO, meios de prevenção e direitos inerentes a elas, assim como movimentos de coibição como as políticas públicas.
A internet promoveu de forma inclusiva o alargamento do acesso aos espaços de debates por parte das mulheres, antes res- tritos pelo caráter elitista. Com o surgimento do ciberfeminismo, as pautas feministas defendidas são democraticamente dissemi- nadas a um número maior de mu- lheres. Mesmo aquelas que se en- contram a margem da sociedade, pois conseguem acessar o mate- rial disponibilizado na internet por feministas, o que ganhou ain- da mais força com o surgimento das mídias sociais, especialmen- te o Facebook, e com a facilidade
e baixo custo de acesso às tecno- logias móveis (SANTOS, 2018, p.
44).
Assim, a relação entre o ciberfeminismo e a VO consiste na busca pela prevenção da úl- tima, uma vez que o ciberfemi- nismo está voltado tão somente à luta pelos direitos das mulheres e, além disso, pela força que o ci- berespaço oferece ao movimento feminista, busca-se alcançar e igualar esses direitos, tendo como base, nesse contexto, a coibição da VO, exigindo dos condutores um parto humanizado, bom tra- tamento das gestantes, agir de acordo com a sua vontade, con- duta respeitosa, conservação do direito reprodutivo e a autonomia da mulher sobre seu corpo e, ain- da, a criação de medidas de inter- venção e conscientização, como por exemplo, politicas púbicas.
Segundo Lemos (2009), o ciberfeminismo surgiu no iní-
41 cio da década de 1990 junto com
o aparecimento das primeiras redes de computadores. O mo- vimento teve origens pontuais em diferentes partes do mundo, em especial, em alguns países da Europa, América do Norte, e principalmente na Austrália com o grupo VNS Matrix (1991).
Mesmo a VO sendo um assunto que surgiu há muitos anos, só teve reconhecimento em 2000 com o surgimento dos movimentos sociais em prol da defesa dos direitos das mulhe- res, segundo Haraway (2014).
Em 2014, foi reconhecida pela OMS (2014), como uma questão de saúde pública que afeta direta- mente as mulheres e seus bebês.
Mesmo assim, até hoje inexiste dispositivo legal em âmbito fe- deral que atenda as exigências do movimento ciberfeminista com relação a VO.
Apesar disso, existem
projetos de lei em tramitação des- de 2015 com o intuito de propor normativas e, posteriormente, produzir uma lei que seja voltada a tipificação penal da VO, dis- pondo da temática voltada para a proteção das mulheres e seus nascituros, onde serão analisados adiante com base nas exigências trazidas pelo movimento ciber- feminista, a fim de identificar se eles atendem as necessidades que o movimento apresenta como es- senciais para a coibição da mes- ma.
ANÁLISE DO PROJETO DE LEI SOBRE A GARANTIA DAS EXIGÊNCIAS
Foram localizados 5 (cinco) Projetos de Lei (PL) que objetivam a regulamentação da VO no Brasil: PL nº 304/2021, PL nº 878/2019, PL nº 7867/2017, PL nº 8219/2017, PL nº 2589/2015.
42 Busca-se analisar se o
projeto atende às exigências do movimento ciberfeminista. Por- tanto, foram estabelecidos cri- térios de análise, a fim de veri- ficar se o projeto: leva em conta a autonomia da mulher, contro- le sobre o seu corpo e o direito reprodutivo? Prevê a criação de políticas públicas e outros instru- mentos que efetivem e protejam os direitos das mulheres, promo- vam a conscientização e quebrem a invisibilidade da VO? Eviden- cia um tratamento respeitoso e individual como parte de uma as- sistência humanizada? Apresenta uma definição precisa da VO?
Verificou-se que o PL nº 2589/2015 de Pr. Marco Feliciano (PSC/SP em 11/08/2015) se vol- ta diretamente a conceituação e exemplificação das condutas que são consideradas VO, sendo que, deixa de lado os demais quesitos ainda que mencionando-os de
forma indireta.
O PL nº 7867/2017 de Jô Moraes (PCdoB/MG em 13/06/2017), consta vagamen- te com a autonomia da mulher, controle sobre o corpo e o direito reprodutivo e a conceituação pre- cisa do que é a VO, mas, em con- trapartida observa a importância de novas políticas públicas e ou- tros instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulhe- res, promovam a conscientização e quebrem a invisibilidade da VO e traz o tratamento respeitoso, individual como parte de uma as- sistência humanizada, ambos de forma detalhada.
Já o PL nº 8219/2017 de Francisco Floriano (DEM/RJ em 09/08/2017) elabora indiretamen- te sobre a autonomia da mulher controle sobre o corpo e o direito reprodutivo e sobre o tratamento respeitoso, individual como parte de uma assistência humanizada,
43 mas visa a conceituação e o esta-
belecimento de um rol de condu- tas que são consideradas VO.
Pelo PL nº 878/2019 de Talíria Petrone (PSOL/RJ);
Áurea Carolina (PSOL/MG);
Fernanda Melchionna (PSOL/
RS), Sâmia Bomfim (PSOL/SP) e David Miranda (PSOL/RJ em 19/02/2019) dispõe sobre a auto- nomia da mulher quando traz a garantia à gestante nas escolhas dos procedimentos que propi- ciem maior conforto e segurança.
Apresenta, além disso, a penali- zação civil, criminal e adminis- trativa do agressor juntamente com a exposição de cartazes como forma de política pública e conscientização. Também, ex- põe sobre o tratamento respei- toso e individual como parte de uma assistência humanizada pelo estabelecimento de direitos ine- rentes à mulher. E, ainda, traz a conceituação das condutas que
são consideradas VO.
Em análise ao PL nº 304/2021 proposto por Celina Leão (PP/DF em 08/02/2021) en- contra-se a presença do quesito da criação de instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulheres pela inserção de matérias específicas no curso de formação dos profissionais de segurança pública e como forma de conscientização no que diz respeito a inclusão nos editais de seleção de servidores públicos e nos cursos de formação.
Com base nos critérios de análise pré-estabelecidos, ela- borou-se a tabela abaixo, a fim de exemplificar a avaliação dos Pro- jetos de Lei, diante dos critérios estabelecidos.
42
44
Critério de
Análise Projeto de Lei n°
2589/201 5
Projeto de Lei
n° 7867/2017 Projeto de
Lei n°
8219/2017
Projeto de Lei
n° 878/2019 Projeto de Lei n° 304/2021
Leva em conta a autonomia da mulher,
controle sobre o seu corpo e o direito
reprodutivo?
Sem
previsão Indiretamente. Sem previsão Dispõe sobre a autonomia da mulher quando menciona a garantia à gestante nas escolhas dos procedimentos que propiciem maior conforto e segurança.
Sem previsão
Prevê a criação de políticas públicas e outros
instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulheres, promovam a conscientizaçã o e quebrem a invisibilidade da VO?
Sem
previsão Observa a importância de novas políticas públicas e outros
instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulheres, promovam a conscientizaçã o e quebrem a invisibilidade da VO.
Sem previsão Penalização civil, criminal e administrativa do agressor juntamente com a exposição de cartazes como
forma de
política pública e
conscientização .
Há presença desse quesito pela inserção de matérias específicas no curso de formação dos profissionais de segurança pública e como forma de conscientizaçã o no que diz respeito a inclusão nos editais de seleção de servidores públicos e nos cursos de formação.
Evidencia um tratamento respeitoso e individual como parte de uma assistência humanizada?
Sem
previsão Considera o tratamento respeitoso, individual como parte de uma assistência humanizada, ambos de forma
detalhada.
Indiretamente
. Expõe sobre o
tratamento respeitoso e individual como parte de uma assistência humanizada pelo
estabeleciment o de direitos inerentes à mulher.
Sem previsão
45 ISSN: 2675-7451
Vol. 03 - n 03 - ano 2022 Editora Acadêmica Periodicojs
Leva em conta a autonomia da mulher,
controle sobre o seu corpo e o direito
reprodutivo?
Sem
previsão Indiretamente. Sem previsão Dispõe sobre a autonomia da mulher quando menciona a garantia à gestante nas escolhas dos procedimentos que propiciem maior conforto e segurança.
Sem previsão
Prevê a criação de políticas públicas e outros
instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulheres, promovam a conscientizaçã o e quebrem a invisibilidade da VO?
Sem
previsão Observa a importância de novas políticas públicas e outros
instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulheres, promovam a conscientizaçã o e quebrem a invisibilidade da VO.
Sem previsão Penalização civil, criminal e administrativa do agressor juntamente com a exposição de cartazes como
forma de
política pública e
conscientização .
Há presença desse quesito pela inserção de matérias específicas no curso de formação dos profissionais de segurança pública e como forma de conscientizaçã o no que diz respeito a inclusão nos editais de seleção de servidores públicos e nos cursos de formação.
Evidencia um tratamento respeitoso e individual como parte de uma assistência humanizada?
Sem previsão Considera o tratamento respeitoso, individual como parte de uma assistência humanizada, ambos de forma
detalhada.
Indiretamente
. Expõe sobre o
tratamento respeitoso e individual como parte de uma assistência humanizada pelo
estabeleciment o de direitos inerentes à mulher.
Sem previsão
Apresenta uma conceituação precisa do que é a VO?
Volta-se somente a conceituação
da VO
trazendo um conjunto de condutas consideradas condenáveis por parte dos profissionais de saúde como
responsáveis pelo bem estar da mãe e do bebê.
Vagamente. Visa
conceituar a VO como práticas diversas elencando inúmeras ações que serão
consideradas lesivas.
Traz a
conceituação das condutas
que são
consideradas VO.
Sem previsão
Feita a análise, é possí- vel observar que a maioria dos projetos não atende por comple- to as exigências trazidas pelo movimento. Entretanto, é possí- vel identificar o alinhamento do Projeto de Lei n° 878/2019 com as especificidades trazidas pelo ciberfeminismo.
Com isso, pela falta de legislação pertinente a VO e pelo ordenamento brasileiro ser falho
e vago nesse âmbito, faz-se ne- cessário a criação de leis especí- ficas para tipificação da VO, uma vez que, o Ciberfeminismo busca alcançar com suas exigências o mínimo necessário, apontando para a necessidade de conceitu- ação que a definam e criminali- zem.
Nesse sentido, pode-se notar que o Projeto de Lei que mais chega perto ao amparo das
46 exigências do movimento é o
Projeto de Lei nº 878/2019, onde leva em conta a autonomia da mulher, controle sobre o seu cor- po e o direito reprodutivo, evi- dencia um tratamento respeitoso e individual como parte de uma assistência humanizada, prevê a criação de políticas públicas e outros instrumentos que efetivem e protejam os direitos das mulhe- res, promovam a conscientização e quebrem a invisibilidade da VO e apresenta uma conceituação precisa do que é a VO.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, po- de-se concluir que a VO teve sua incidência cada vez mais nota- da diante da institucionalização do parto e das práticas médicas, pois foi a partir desse momento que este deixou de ser um even- to unicamente feminino e natural
e passou a sofrer intervenções diante do entendimento que os atos naturais do trabalho de parto podem ser caracterizados como perigosos para gestante e para o bebê. Neste liame é que as vio- lações dos direitos fundamentais inerentes às gestantes e partu- rientes acontecem, e da sua vio- lação é que se extrai a conduta que hoje é conhecida como VO.
Ainda que doutrinado- res e pesquisadores apresentem na sua definição um rol exem- plificativo e extenso de condu- tas julgadas, por eles, ofensivas as mulheres e seus bebês, a VO não encontra definição legislativa única e exata. Assim, a existência de uma lei específica para regu- lamentação, provavelmente auxi- liaria na definição deste tipo de violência nos casos específicos.
A construção teórica sobre o tema indica que um dos maiores problemas na tutela dos