PONTOS
D A D O SP E L AF A C U L D A D E D E M E D I C I N A D OR I O D E J A N E I R O. « SCIEXCIAS MEDICAS
.
DO BBISiGiPI ® NEBLVOSO .
SCIENCIAS ACCESSORIAS
.
S&PS
<
S&SS 3D31 &SJPIEnrS
£S&CONSIDERADAS DEBAIXO DOPONTO DEVISTA MEDICO-LEGAL.
SCIENCIAS CIRÚRGICAS
.
DETERMINAR DIAL É A MELHOR CLASSIFICAÇÃ O MUSCULAR ,
SEAEXISTENTE ÉDEFEITUOSA,EQUAESAS CONDIÇÕES DA HEFORMi
.
[
T H E S E
ApreientadaáFaculdade dc MedicinadoRio de Janeiro,e perante ella suitentada.
em9de Dezembrodc1851 ron
FRANCISCOFERREIRADE SIQUEIRA
DOUTOR EM MEDICINA PELA MESMA FACULDADE Socio honorário da Sociedade Emula ção Philosophie«
Naturalda%illa d« Ma;r( K» od«Janriro) FILHOLEGITIMO DB
LUIZ ANTONIO DE SIQUEIRA,
ll-jI UM-t4<tfiAtcntini»nsUmnlKt|M.Iil«OMiMnrftlrn’<oi«<rli«Bprtraoi(U H t H t l.•m;)
BE JANEIRO
TÏPOGRAPIIIA UNIVERSAL DE LAEMMERT
Rua dos Inválidos, 01 R 1851
FACULDADE DE MEDICINA Dll 1110 DE JANEIRO ,
à
DIRECTOR.Os*.ConsBUtsiao Da
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JOSÉ MARTINS DACRUZ JOBIM.
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SECRETARIO.
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FERREIRADBABREU,Da.LUIZCARLOSDAFONSECA
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It.
AFaculdadenioapprovenemreprovaasopiniões emittidas nasThesesque lhoslo apresentadas.A IE Ü PREZADO PAI
O Sn. LllZ A
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MOMO DE SIQUEIRA.
Lischegado omomentode verdescoroados vossos desvelos,empregadosnaminha educação
.
(Juantoosentimentode filialidade tem de nobre,desublime , de divino,euexperimentona maiorintensidade ao traçar estas linhas,quevos consagro comoumtestemunhodeminha eternagratidão.Acoitai pois,meuPai,estecordial testemunho;epraza a Deos possao futuro,queora se meabre,serparavós umapcrennefonte de prazeresemcompensaçãode vossa paternalsollicitude.
AOS MANES
BK ill VIU SEIIIMiE ADOBADA ! l \ l .
Tributo da mais viva dôr eeterna saudade!
Francisco.
*ERT,
Ä S MIMIAS QllERIDAS IRAI Ä AS
AS SENHORAS
0
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itlaria Angelica bc Siqueira lieis. D.<
£milia fui?a be Siqueira.
E
Provadeamorfraternal.
A S A U M lA S C l i\I lA D A S
AS SENHORAS
D
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ittaria Carolina île Jflagalljäes Siqueira.
D
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rtlarianna ba fowssca òe 3breu Siqueira.
COM MUTA ESPECIALIDADE A MINHA COMADRE
3.Sra. D
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dntonia Puartc Siqueira.Testemunhode cordialamizadeegratidão.
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-
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4 mm $ : m
Signal de estima« * ® m
eamizadei . 4 » m
AO MI ITO DIfiXO PRESIDENTE DESTA THESE
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m0SR.
DR.
TCEttMASMïœ BC3OÄCTQS
.
Homenagemaosaber eaomérito!
AOMEU MESTRE DE PHILOSOPHE!
O I L L
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m0S R.MANOEL FERREIRA DA CRUZ GÜAPY.
Signal deamizadee gratidão do vosso discípulo.
A ILL
.
** EEX.“* SUA. l>.RRIGIDA LEOPOLDIAA DE OLIVEffiA COSTA.
Respeito econsideração.
ST<
^
A. TODOS QS W & m AMIGOS
,Testemunhode minha amizade.
\ MEMORIA DE MEU AMIGO E COLLEGA
O SR. JOÃO CARLOS VIEGAS TOURINHO
.
Saudosa recordaç&o
.
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QSSEEDS 4JKIG0S DE ISiE
ÂISGM
OS SRS.
JOAQUIM DE OLIVEIRA GARCIA
.
PADRE ANTONIO SILVANO DASCHAGAS RAR ACHO.
Signal de nossanunca interrompida amizade.
2
. CS
1C3TJZ
ÁlfJLGOZ 3COH
îS -
ASOSSRS. DOUTORES
JOAO RIREIRO DEALMEIDA
.
EUGENIO CARLOS DEPAIVA
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JOSÉ FIRMING VELLEZ
.
FRANCISCO XAVIER DA VEIGA
.
CARLOS FERREIRA DE SOUZA FERNANDES. MANOEL FRANCISCO POVOAS FERREIRA.
JOSÉ MARIA RODRIGUES REGADAS
.
FRANCISCO DE PAULA MEDEIROS GOMES
.
THOMAZ JOSÉ DA PORCIUNCULA
.
JOSÉ TIIEODORO DA SILVA AZAMRUJA. JOÃO NOGUEIRA PENIDO
.
LUIZ ANTONIO MOREIRA DECARVALHO
.
PEDRO RETIM PAES LEME. LUTZAUGUSTO PINTO
.
CÂNDIDO JOAQUIM CARDOSO
.
PEDRO MARIADA FONSECA
.
Amizadocsympathia.
Aos meus muito particulares Amigos
OS SUS. DOI TOHES
DENTO MARIA DA COSTA
.
LUIZ PIRES GARCIA.
« Q u e le livre lui soil dédié»
«Commele cœ ur luiestdévoué.»
ADVERT
ÊNCIA .
Muitos e talvez enormes defeitos terá oleitor denotar nestathese,o primeiro trabalho denossapennaquedamos aopublico;masesperamos desuabenignidade quesedignedeattender ás circumstancias em que foi cilaescripta, eparticularmente a desvantagem da posiçãodoautor
.
Afalta detalento e illustração sufliciente parahem tratar asmatérias sobreque ella versa;afalta tambémde habitodeescrtfrcrparaopublico,epor conse-
guintea timidez e acanhamentoque dahi resulta,comgrande obstáculoá enunciação do pensamento de modoque agrade, accresceuumadesvan
-
tagem, que , ainda na hypothèse de haver no escriptor as maiores habilitações, seria razão bastante para mal desempenhar sua tarefa: queremos fallar da falta da liberdade
.
Pelo regulamento da Escolade Medicina ocandidatonão temaescolha do assumpto sobre que escrevea sua these, masantes ó obrigadoa tratar oque lhedáaEscola emtrcs pontos tiradosásorte.Isto posto , fòra eilender o bom sensodoleitorodemorarmo
-
nosinsistir na petição de uma desculpaaosdefeitos deste nosso trabalbo : contamos poiscom asua indulgência, certo de que saberá attender á desvantagemde nossaposição
.
em
went
.
9= * 3 »
PRIMEIRO PONTO .
SG ïEISî G ï &S BfiE®BG
Äg
DO PRINCIPIONERVOSO
.
L'homme connnii tout ,exceptélacause de tout. AZAIS
.
De todosos elementosqueentrãonaconstituição ilocorpohumanoé0
systema nervosoaquelleque , porcausa de sua influencia cm todasas fuucçõesda economiaanimal,temmerecidonos physiologistasoottribuir-
Jheuinasortedepreemineneia sobre todos os outros systemas: e esta opiniãoacha
-
se justificadapeloresultado de estudoscada dia mais pro-fundos de quesehonraaphysiologianostemposmodernos.
Com efleito,áespecialidadedeorganisação do systema nervosodeveo homem todas as sensações,todos os prazeresedoresphysicas de queé capazporsua natureza;porquantoénoseiodestesystemaquese cxecutão, porpartedoorganismo, as acçõesoccasionnesdelodososphenomenosde consciência.Nelle iguahncntese originão asdiversas manifestações do pensamento ,asdiversas manifestaçõesde lodo0sentimento, de toda a nlíocçâo;n incitaçãoque fazconlrahir
-
sea ílbramuscular,sejadebaixodaacçãoda vontade,sejaindependentedesta neção,acontractilidadepro-
priamente dita, tomaasua origemnosapparellios deinnervação
.
Aindamais;osystemanervoso tem debaixo dc suadependencia assimosomno como avigilia ,os phenomenos respiratórios , considerados debaixo da
.>r.«T
.
I—
2—
relarão de actosmusculares ,os
-
Iacirculaçãoconsideradosnocoração,nas artérias,nasveias , e aténosvasos capillares.
A caloriíicaçãoanimal absorpção, a secreçãoglandular,atranspiração, a exhalação pulmonar ecutanea,afaculdade dedecomporoalimento paraoconverter emchymo e emchylo,anutrição, osphcnomenosda reproducção, dependem dos agentes de innorvaçãoousercsentcmde sua influencia. Emíiin,éincon-testávelqueporintermédio dosradiamcntos doscentros nervososé que seeflcctuaa transmissãodosphcnomenossympathicos
.
Se taléainfluencia do svstema nervosonaeconomiaanimal,éevidente quãoimportantesejaoseuestudo:doseuconhecimentodependeasolução ile umgrandenumero dequestõesinteressantesá scienciadohomem , já debaixo doponto devistaphysico,já do moral ; c nestasrelaçõesaarte de curar ohomem,enão menos a deoeducar,seligãopor umanotável dependenciaá physiologia , pois delia recebemosmaispreciososauxilios.
\ãobastaporémsaberoque éo svstemanervosoemsuaconstituição anatómica, não basta mesmo conhecer suas funeções, seu importante ollieiona economia animal: descobrir o segredodesteollicio nismo pelo qualelle seexerce , é um desideratum dos mais dignos do espirito humano; preenchò-loó umtitulodegloria para o sábio , para o interpretedacreação:oestesegredo ,estemysteriöseesforçáo os physio- logistasadescobrir:
—
ellesindogão qualé o principioaclivo dos nervos. Hypothesessobre hypotheses,tentativasumas apósoutras, experiências contraexperiences,não tem atébojeconseguidoasolução doproblema: entretanto oespirito humano,sempre aclivo,sempre progressivo,obe-decendo á sua lei,nãodesespera ,emarcha
.
Desta marcha, noque toca áquestão doprincipio nervoso,éque nos vamos occupai-
nesta partedenossathese,queasorte nosdesignou.
» a
omeca-
Aimportânciadosnervosna vida derelação,querpara transmiltirao cerebroasimpressões recebidas nos apparelhos sensorios particulares,quer para pôremacção osystcma muscularsubmettido ávontade, tem dado occasiàoa indagar
-
se qual sejaa natureza do principioaclivo dosnervos.
Noeurso desta indagaçãogrande numero dohypothesestemapparecido
.
—
3—
nenhuma porém suffioiente á explicaçãodosphenomenos aervosos , nem por conseguinteú soluçãoque scdesejo
.
Assim, l
.
°,tem-
se consideradoosnervoscomolio;tensos,interpostos aocerebro eáspartes situadasna outraextremidadedoraio, suseeptiveis de vibrar á maneira de uma corda deinstrumento, e de transmitlir , segundoopontode partidadavibração,já asimpressões, júa incitação motriz :—
2.
°, teiu-seditoqueasfibrasdos nervos erãoconlorneadasem espiraes, suseeptiveis de distender-
seedecncolber-
se; que formavão pregassuseeptiveisdedesfazer-
se erenovar-
secmvirtude de ummovi-mentoderetracçào:
—
3.
°, queotecidodos nervosorarepresentadopor pequenas espheras globulosas,dispostas emserieslineares,que propagavão osimpulsosdavontade e os doscorposexteriores,comoo ar propagaos movimentosquelheimprimeumtimbremetallico:—
i.°,tem seaffirmadoque osnervos representáo canaesoutubosaecominodadosá circulaçãodi
-
urnamateria liquida,quescmovia emsentido inverso,segundooimpulso lheeracoromunicado na origem,ounaterminaçãodocordãonervoso:
—
5
.
°,tem-
se discutidoparasesuberseesteliquidoeradenaturezaaquosa, albuininosa,sepossuiaqualidadesproprias, osemereciaonome demicro-
nervoso:
—
(>.°,tem-
secinfimquestionado ,seosinterstícios do tecido dos nervos erão ounãooccupadosporum lluidosubtil egazoso;se estefluido erade naturezaetliérea; sesedeviacompara-
loaoaratmospherico,ao calorico,áluz, á eleetricidade, aomagnetismo;seellepossuia umaessencia distinct« ,eseeracom fundamentoqueos pliilosophosantigos tinlião suppostoaexistência deespiritos nervososouaiiimaes.
1
.
* Contra atheoria queattribue a transmissão das impressões e da incitaçãomuscularaummovimento vibratório,ésufiicienlenotarqueos nervossãomollesemsuasextremidades, nãoisolados,nem tensosemseu trajecto;cquedevendo asvibraçõescommunicar-
seaos ramoseramús-culos,impossívelé explicarosmovimentosparciaes
.
2.°Os nervosnãopossuem fibrasconlorneadas,nemsãodobradosno sentidodoseucomprimento; não podem conscquentementeterlugara distensão e oencolhimento suppostos: demais,examinando o que se passaemumnervoquese tem isolado, e emquanto recebe impressões ouobedece áincitação cerebral, não se nota alguma alteraçãoemseu comprimento
.
A hypothèse, portanto , queattribueaacçãodosnervosa umeIVeitodeelaslerio,não offerece probabilidadecm seu favor.—
k—
3/ Outro tantoso deve dizer da supposiçáo de que ntransmissãoé devidaa ummovimentooscillatoriodepequenas espheras ,formando canacsnervososumacadèasensivelã menorpercussão
,
á menoiincitação local ;hypothèseestaquefazsuppòrquetaes espherassãolivres no inte-
rior dostubos,cqueseucontactonunca soffre interrupção
.
Comefleito,queos nervospossuáoglobulososcillantes,isentos deadherencioscujas relaeões decontiguidade nuncasealterem,nãopassade umasupposiçáo gratuita.
4
.
®A circulaçãodeumliquidonosnervosnãoexplicariaaremittencia dosphenomenosdetransmissão,salvo suppondo queesteliquidooflere-
cesseperiodosderepouso;nestahypothèseporém,como conceberqueeste liquido, tornadoimmovcl,possarecomeçar seumovimento com a instan
-
taneidade e rapidez que exige a transmissãode uma impressãoou da incitaçãomotriz?
5
.
°Muitasoutrasobjecçõesigualmenteseoppoemáhypothèsedo movi-
mento circulatório deum sueco nervoso: qualquerqueellefosse estaria sujeito áscondições da materia ponderável; comoporém conciliar-secom estascondiçõesarapidezinstantanea datransmissão?
G.°A hypothèsede um fluidoerainentementesubtil cimponderável temachado grande numero desectários entro osphysiologistasmodernos, c,segundoelles,tal tinidoéaeleclricidade
.
Destanosoccuparemosmaisparticularmente
.
Depois quesetornarãoobjectode serio estudooseflfeitos da electricida
-
deporatlrito,easleisdesuapropagação, muitosmedicosacharãoque
.
comparando os nervosaapparelhoselectricos ,tornavãomais precisa sua maneirade conceberaacçãodestesorgãos
.
Masnãofoi , senãodepoisda descobertadogalvanismo, quesechegouapoderfazer uma exactaapre-
ciação destahypothèseedeoutrasanalogas
.
Entãomuitosphysicos,nota-
velmente Aldini, Galvnni,Humboldt, suspeitarão c procurarão dos phenomenos galvanicos numa forçaanimal atéentão ignorada:ao contrarioPfafV,Volta eMonro,osattribuiràoaumaelectricidado inteira
-
menteindependentedo concursodosorgãos animaes,osomente excitada pela1em ção dosDicta?scdahumidade
.
Mas\ollademonstrouatéáevidencia a natureza electrica do agente, «pieneste caso sedesenvolve:cquando cmtim sedescobrirãophenomenos galvanicosem outros corpos sema cooperaçãodeparlesanimaes,nenhumaduvidarestousobreaopiniãode nosa causa
—
5—
Volta.Monro tinha já, em virtude do suasproprias experiências,susten
-
tadoqueofluidogalvanico queexcitaosnervos , éelectrico, diíTeretotal
-
mentoda forca nervosa,enãoobra senãocomoexcitantedesta força ;de sortequeasconvulsões observadasnasexperiencias galvanicassótem sua origem immediate noprincipionervoso, embora tenhãonaelectricidadea occasional.Humboldtconcluiotambém dc muitasexperienciasqueos nervos sãocircumdados deumaatmospheredesensibilidade ,porque,no casode duas pontasnervosasquesenão tocão,oagentegalvanicosaltadeumaa outra,atravessandooespaçoqueassepara;hojeporémsabe
-
sequeestees-paçoécheiosómente deumvapor aquoso conductor ,eque aquilloquea Humboldt parecera uma atmosphcrasensível,não é maisque uma massa dcvapores,atravézdosquaessepropagaaelectricidade
.
E precisamente nisto mesmo quese mostra adistinceno daelectricidadee doprincipionervoso; porquantooprincipionervoso não obraatravézdeum nervoligado ou cortado;entretanto estenervo continuaa sertão bom conductor da elec- tricidade comod’antes,quandoopontodasecçãoouda ligadura se acha comprehendidoentreduasarmaduras.Posto que esteja hojefóra deduvida queogalvanismonão é umaelec-
tricidadeanimal, algunsmedicosegrandesphysicosnão temcessadode acreditar entrea electiicidade eaforçanervosa umaanalogiaque, hem analysada,vemadesapparecer inteiramente paradarlugara umadiffe- rença dasmaisnotáveis
.
Tema isso dadopincipalmotivo asfalsas inter-
pretaçõesdasexperiencias deIre edeWilson
.
ExperiênciadeEre :
—
lire galvanisouocorpo de um supplieiado uma horadepoisda morte.
Elle pózemcontactocom um conductorinetallico a medullaallongada ,e com ooutroo nervoscialico: depois fez unir os dous conductors porumapilhade270 parese notouoseguinte:« Todos«osmuseulosdo troncoentrarãoem movimento ,como em umapessoa
«acommettida de umviolentocalafi l ormada acadéa entre onervo
«phrenicoco diaphragma,estemusculo apresentou
contractes
,cada«vez
'10
.
queacadea erafechada;efazendo passaroconductor em diversas
«direcçõessobreopolo ,notou-se quesobrevinhaosuccessivas agitações, casode umarespiraçãodiíficil:acontracçãododiaphragmae
«aremissão destemovimento determinarãoumaelevaçãoeabaixamento
«alternaliNOSdoventre,como seavida sereanimassenocadaver
.
Os«eidos da face,tendo sido comprchendidos no circulo da cadca,fizerão
«como no
mus
-
—
6—
«medonhosmovimentos,quese assemelharão aosqueexcitãoaspaixões
.
» Estas experiencesi como bemnotaMuller,nadatemqueas façadistin- guir das experiences galvanieasmais ordinárias , excepto oteremsido feitas nocorpo humano.
Comoacausadaagitaçãodaface 6acontracção dos seus musculos , deve-
se necessariamente determinarespeciesdeca-rantonhas, todas as vezes quo se excita artificial menteestesmusculos, que aliás podem serpostoscmmovimento por uma irritação mecânica sobre osnervos
.
Aapparcnciadarespiração, quando se fecha periodica-mente acadèa ,depoisde ternellacomprehendidoodiaphragma,também nada temde admiravel
.
Experiênciade Wilson
. —
« Estephysiologiste acreditouque ,cortando« o nervo do par vagoemummamifero vivo,efazendopassarumacor
-
« rentegalvanicapela extremidade que vaiganharoestomago ,estacor-
« rente contribuo ao complemento da digestão ,comopoderia fazero
<< nervo mesmoemsuaintegridade
.
» Suppondo verdadeiro o facto , seu valor quanto á questãodaanalogiaentreoprincipionervosoeaelectrici-
dadeé nulle ; elle a nãoprova, pois«pie nocaso dcpraticar
-
se a secçãotransversal donervo,aextremidade opposta ao cerebro conserva ainda a propriedadedepreencheraté um certopontosuas funeçõesordinárias, quandosechegaairrita-lo
.
Accresce(pieasexperiências de Wilsonnão são exactas:Muller e Dieckhotfastemrepetido semresultado algumque autorise aconclusãopretendida.
« Se fosseaelectricidade, diz Muller, oque obranosnervos,nãopo-
« deria ella limitar
-
sea estes,poisqueonevrilemeéhúmido ,easpartes« circumvizinhaso sãotambém. Tem
-
seadmitlido por hypothèsequeos« nervos gozãode um poderisolador. Fechner os compara a fiosmetali-
« cosconductores , envoltosemseda.Masonevrilemeéprecisamenteum
« excellente conductor do galvanisme , e os nervos nãosãomelhores
« conductores da electricidade que outras partes animaes húmidas ;
« porquantoacorrentegalvanica nãosegue necessariamentesuasramiíi
-
« cações,como aconteceaoprincipionervoso,pois queesta corrente obra
« comigual facilidadesobre aspartesvizinhas, quando estas lheoftere
-
« cemmais curtocaminho parapassar donervo ao outropolo
.
Emíim,« uma ligadura applicadaaumtronconervoso obstaapassagemdoprin-
« cipionervoso ,effeitoeste que nãoproduz sobrea correntegalvanica.
« Reconhece
-
seaelectricidade noscorposque aisolão, e nos que a« propagão: Inossãoosseus unicoscoracteres
.
Ora ,oprincipio nervoso« dilTere daelectricidade precisamenle debaixodesta relação
.
Nãnpóde electricidade.
« poisoprincipio nervoso sera
Aesta demonstração,que consideramos irrefragavel
,
nospudéramos limitar; mas corroboremos ainda a dislincçãoque ella estabelece algumasprovasfornecidospelas qualidades mesmasdoprincipionervoso bojeconhecidas:deMullerastomaremos nuordemseguinte:1. Quando se arma umnervocom os douapolos,ousefazpassar uma correntegalvanica atravózde sua espessura , o musculo emque elleter
-
mina entra cmconvulsões , não porquoogalvanismeobreatésobre elle , mosporqueacorrente transversaldestelluidoexcitaapotência motriz do nervo, aquoi sómente obra segundoadirecção do seusramos, abso
-
lutamento«la mesma maneiraque se determina convulsões , queimando onervo , cautorisando-o ouferindo
-
o.
2. Se não óonervomesmooquecominunicacom osdous polos, mas sómente um destes é postoemrelaçãocom elle,cooutrocom omusculo, produz
-
seumacorrentegalvanica , não só atravózdaespessuratio nervo, mas ainda do nervo ao musculo ,entre os douspolos;e então oelíoito é exactamentcsemelhanteaoquoacontecequandosegalvanisaomesmo musculo.
com
3. Dabi procedeque nãohajaconvulsõesqnando,depoisde se haver contundidoou ligado um nervo , é estoposto em relaçãocom os dous polos acima do ponto contuso ou ligado
.
Aquiogalvonismopassa bem atravóz da espessura do nervo,como noprimeirocaso, mas aforça ner-
vosacessa de obraratravózdopontocontusoouligado
.
4
.
Entretantoonervo contuso ou ligadoé perfeitamcnleaptoacondu-
zirogalvanismo,comlanlo sómente quo asarmadurassejão applieudas acima eabaixodoponto lesado : acorrentegalvanica atravessaeste ponto cprovoca convulsões,porqueaporçãosãadonervocomprehendidaentre aferidac omusculosoacha estimulada
.
•»•Osnervos, aindnquandoseachão inteiramente mortos, continuào bonsconduclores dogalvanismo , ú maneira do todas ns partes
animaestrne húmidas,entretanto quetem perdido aaptidão aprovocar con
-
çõesnosmusculos
.
6
.
Em(lm , os experiences do Muller c de Sticher demonslrão que , quando a iutliicncia viva dos nervos sobre osmusculos se acha desde a ser—
8—
longotempoabolida, airritaçãogalvanicadasimples cadèamesma cessa de obrar sobre osmusculosede dar lugaraconvulsões.
Adescoberta do electro
-
magnetismo tem feitoconhecer instrumentos galvanometricos muito sensiveis.
VavasseureBeraudidizem terobservado queagulhas implantadasnosnervos de um animal vivotornão-
semagné-
ticas ,eattrabema limalhadeferro ;mas estasexperienciasforãorepeli-
daspor Muller , eestedeclara quenão apercebeu nasagulhasomenor indicio demagnetismo
.
David publicou em 1830 experiencias cujo resultado seria quefios conductores, implantados emum musculodescoberto ,obrassemsobreo galvanometronomomento cmqueoanimalse movesse
.
Segundo elle,quandoseintroduz aagulha emumnervoseparadodamedullaespinhal, se sepõeosconductores em communicação com estaagulha, ogalvano-
metrofica emrepouso; e,pelocontrario , todasasvezesquese obra sobre os nervos,quetemficadoem relação com ocentronervoso ,o instrumen
-
to dáindíciosdcclectricidade.J.Muller nunca obteve taesresultados , e Person, empregando osmais convenientes instrumentos , nuncadesco- brioelectricidade nos nervos
.
PrévosteDumas tem imaginadourna theoria electrica do movimento muscular
.
A explicaçãoqueelles dãodaconlracçãodosmusculos basèa-
se nasupposiçãode que as libras nervosas, que marchão transversal
-
mentesobreosfeixes musculares , seattrahem,eassim encolhem estes feixes. Esta hypothèse,comonota Muller ,émuito pouco provável, pois forçaria a considerarasinnumeras fibras musculares como reduzidas a umpapelpuramentepassivo.Que aelectricidade sejaa causadaattracção mutua dosnervosnosmusculos ,nãopassa deuma supposição
.
Parade-
monstrar com ogalvanometro a existência de correnteselectricas nos nervos,convém nãoapplicar os fios deste instrumentoaonervo musculoaomesmo tempo; porquantoumacadèadesubstancias hetero
-
geneas,taes como nervo, musculo cmetal, sendo jã sulficienle para
excitaraelectricidade, ogalvanometro descobriria, na cxperiencia de quesetrata,nãoaelectricidade que obranosnervos ,mas sim a queé produzida pelacadèa
.
Em consequência , para quesenão produza elec- tricidadepela uniãodogalvanometro com o nervoeomusculo, é neces-
sárioapplicarosfios conductoresaum nervo unico , e verse estenervo, cujacommunicação comocerobro temsidorespeitada, determina oseil-
eao
—
9—
laçóesda agulha magnética,durante os movimentos voluntários: se isto acontecesse ,podcr
-
se-
hia1er acerteza «leque a innervação partida doeerebroé umacorrenteelectrica
.
MasPrévost e Dumas confcssâo que, quandoseopera deste modo,não seobservaomenor desvio «laagulha.
Idlestemexaminadocomogalvanomètre oparvagoem animaessãos, e oplexus seinticoem umtetânico,oaagulha nunca deu o menor indicio deelectricidade
.
Nanecessidadedeexplicarestainsensibilidade do galvanometro, Provost e Dumastentarãooutrahypolhese
.
Suppuzerãonos nervosduas correntes galvanicasque,neutralisando-
se ,tirão todaapossibilidadede arçãosobre aagulha imantada.
Compararãoestasduascorrenteshvpotheticasáscor-renteselectricasquc percorrememsentidos inversososbraços do galvano
-
metro ,e seencontrãonomultiplicadorounasvoltas«losfiosconductores
.
Segundoelles,aagulhaimantada assemelha
-
seaomusculo,que,comoella,experimentaainllucnciadecorrentesoppostas
.
Mas , responde-
se-
lhes, ogalvanometro reage durante a acção «las correntesoppostas; porque poisnão ha rcacçáocomasduascorrentes«piea hypothèse attribue aos nervos?
Tambémpretendèrãoellesprovar queofogo, quando produz convul
-
sões, influindo sobre osnervos, ofazpelaelectricidade. Para este fim fixarão«lous fiosde platina semelhantesnas extremidades dos conductores
«lo galvanometro, mergulharão um nosmusculos«leuma rãa,epuzerão o outro cnyermclhecido pelo fogo em contacto com os nervos
.
ComeíFeilo sobrevierãoasconvulsões, caagulha foi declinada; porém duas peças«lemetal,dasquaesumacaquecida,estãono caso«lemctaeshete-
rogéneos,c portantonadaprovaestaexpcriencia
.
Outrotanto acontecea respeito«laexpcriencia que fizerãoparamostrar quoaelectricidadeprocede«laacção dos irritantes chimicos
.
Fixarão emumdos conductores do galvanometro um pedaço de platina impregnado dechloruretode antimonioou«leacido azotico,e nooutroumfragmento do nervo ,demusculooude eerebro, e virão que,cada vezquese fe-
chavaacadéa , aagulhasollria umadeclinação
.
Ora, neste caso, ainda melhorque nos precedentes, achão-sc estabelecidas pela heterogenei- dade«las substanciasascondições geraes«laexcitaçãodo fluido electrico: segue-sedahiaidentida«lc dosprincípios electricoenervoso?person repeliotodosos trabalhos feitos como fim de acharesta iden
-
WKRT
.
—
10—
tidade
.
Receiosodequeogalvanometronãopudesseexactainenteindicar ascorrentesdesenvolvidaspara as contracções , recorreuaoutro instru-
mento muito sensível assim ús correctes successives,como ás instantâ
-
neas ; nunca deste instrumento obteve resultado que demonstrasse a hypothèse em questão
.
Xotoumaisque,para excitar contracções muscu- lares , não6 preciso queumacorrentegalvanica percorra todoocompri-
mentodosnervos :queestemesmoefíeito se dá , por pequeno que seja opontodonervo que acorrenteatravessa para ir deum polo aoutro
.
Do queficaexpendido parece-nos bempoder-seconcluir que , durante avida ,etantoquanto ha irritabilidade em um nervo de movimento,este nervo seacha em tal estado , que tudo oque produzuma repentina mu- dança nadisposiçãode suas moléculas , excita acontracçãodo musculo situado em sua extremidadeperipherica, e que as excitaçõeselectricas, chimicas e mecanicas obrão , debaixo desta relação ,domesmo modo.
Nãoprevalece também o argumento de analogia suggerido pela exis
-
tência depeixeselectricos. Estesanimaestemorgãosconstruídosamodo de umapilha galvanica;ora, seaelectricidadefosseoagente dos nervos, não vemos razãopor que nãopudessea naturezadispensar nellesosnppa
-
relhosparticulares
.
«Mas,dirá alguémcom Rolando, ocerebelloé um apparelhoelectro-motor.
» Quid inde ? Nãose póde bem sustentar que o fluido electrico sómente obre como excitantedo principio nervoso ?Emconclusão
.
1
.
“ Continua sem demonstração a bypothese que attribue correntes electricas aos nervos,durante qualquer acçãovital.2.°Oprincipionervoso eaelectricidade apresentão caracteres(pie os diílerençãoessencialmente.
3." Noestado actual da sciencia nãoconhecemospositivamente a natu
-
rezadoprincipionervoso.
SEGINDO POMO .
iGESStf ë E â S ACMBM 8 QKKA 8 .
Diversas especies de Asphyxia consideradas debaixo do ponto de vista medico- legal .
«Amedicinalegal eajurisprudênciasãoosdous olhos da justiça:semambos,cilanãomove o passo;semumdélies, ou comambos anuvia
-
dos,cila vacilla,tropeça,enuncasemprejuízo dos direitosdo homem
.
»**Entendemos pela palavraAsphyxia
,
que, segundo suaetymologiagrega , designaaausência de pulso , asuspensãoprimitivada respiração,capa/, dedeterminarada circulação,econseguinlementea cessação completa dasfuneçoes,eamorte.Dá-seasphyxia,sempre queo aratmosphericonãopóde chegar aos pulmões,ouquenãopenetracmquantidadesufficiente para lorneceros princípios necessáriospara ahematose
.
Ha portanto asphyxia , quando obstáculos collocadosfóra dasviasaéreas , comprimindo-as, eoppondo-
seá sua dilatação ,ou noseuinterior , obstruindo
-
asmaisoumenoscomple-
tamente,ouainda tendo por sédeasuaespessura ,impedemapassagem
—
12—
«io arparao interiordas vesículas pulmonares
.
Assim,umaduplaferida penetrante«lopeitocomderramamentode ar napleura,umduploliydro-
thorax, uma forçamecanica , que ,comprimindoothorax , destruaaacção dos musculos inspiradores, umtumoraneurismal, um phlegmon, um corpo estranhonoesophago, corposdequalquer.naturezaaccidentalmentc introduzidos nos orgãosrespiratórios,odesenvolvimentoenorme ,«piesão
susceptiveisdeadquirirasamygdalas ,oedemadaglotte,polypos Ac
.
,dão lugar áasphyxia,lia aindaasphyxia, logo queumalesão da medulla espinhal ,dos nervosphrenicos
aparalysia«los orgãos da respiração oudasparedeslhoracieas;outambém
«|uandoo aré muito rarefeito
.
Finalmente,épelaasphyxiaque sobrevem a morte, quandoo indivíduo ésubmergidoemummeio nãorespirável , oudemoradonovacuo.
Nãosedeve attribuir áasphyxiaomorte, quetem lugar ,quando ,em vezdear respirável ,sãogazes deletereos , que penetrãonas viasrespira
-
tórias.Entretantotem
-
seconfundidoemquasi todososcasosoenvenena-mentocomaasphyxia
.
Se umanimalsuccumbe , logo«piedemisturacom oaratmosphericoellerespiraumapequena porçãode hydrogenio phospho-
retado,acausa desuamortenãoócertamenteaasphyxia,porquantooar introduzido nosorgãos respiratórioscontinha o oxygenioco azotoem quantidadee nasproporçõesconvenientespara alimentar a respiração; porémum venenogazosotemaomesmo tempo sido absorvido,edeter-
minadoamorte
.
0mesmoacontecerá , quando forohydrogenioarseniado, nproloxydodeazoto, oacido carbonieoAc.,que tiversidorespiradocom«>ar.Seporém, em lugar desermisturadoscom o ar,estesgazesforem respiradospuros,o«piemuito raras vezes poderá acontecer,então haverá aomesmo tempoasphyxiae envenenamento.Aesta variedadedeaspliv-
xia tem
-
sedado o nome depositiva,lia outrosgazes, taescomooazoto, ohydrogenio,Ac.
, « pie nãoparecemgozar dealguma propriedadedele-tereo: estes,misturadosempequenaquantidade comoaratmospherico,
não causarãoaccidentes alguns,ese,quandosãorespirados puros,ouquasi puros , sobrevemaasphyxia ,óunicamente porquesãoimpróprios paraa respiração:a morte édevida, nãoásua presença, masá ausênciad o a r atmospherico
.
E a asphyxia negativa dealguns autores, e a gazosadc outros.
De todasestasespecies de asphyxiaqueacabamosdeindicar ,sótrata
-
dos do oitavopar,temdeterminado ou
—
13—
remos das que se achãocomprchendidasdebaixodopontodevistamedico- legal.Assimoccupar-nos
-
hemosein primeirolugarda submersão,depoisda cstrangulaçãoesuspensão.Antes porémdeentrarmosnoseu estudo,
exporemos resumidamenteoqueseobservanosaspbyxiadosem geral. Phcnomrnos gemesdaasphyxia.
—
Oprimeiroeffeitodetodaaespeciedeasphyxiaó aperturbaçãoda respiração quesemanifesta pelosbocejos, pelospandiculações, pelosesforçosda tosse, porumestadodeagoniae deoppressão. Depoissobrevém umpeso de cabeça,vertigens,umafraqueza nos membros , um enfraquecimentodasfaculdades intellectuaes, uma anciedade precordial;oindivíduo cabe emsyncope
.
Apezarda diminuição darespiração,acirculaçãopersiste;afaceé vultuosa,sua pelleseinjecta, depois torna-severmelhaquece,earespiraçãocessa inteiramente
.
Asuperficiedocorpoapresenta manchasvermelhas maisoumenosnumerosas,mais ou menoscarregadas.Opulsodesapparececmtotalidade ,eparadistinguirocorpo deum cada-
versórestaa presença de calùrea ausência darigidez cadavérica. Lesões cadavéricas.
—
Seaasphyxiase terminapela morte,eisoestadoemquese encontrãoosorgãos:osolhossão brilhantesesalientes ,ostegu-
mentos apresentãoordinariamente manchas decôrrosacea, ou de um vermelho maisou menosvivo, segundo quearegiãoemqueseobserva recebe maisou menos vasoscapillares.Para não confundirestacórparti-
culareestasmanchascom a lividez cadavérica, releva notar-seque as primeirasseachãopor todasas parles ,sobretudo nas maiselevadas«lo corpo ,entretanto« piealividez,que é devida ástase dosangue ,eásua descidaparaaspartes declives ,sóseencontra naspartesinferiores,ena- quellas quepodemser comprimidasoucontundidasnasdiversasposições emqueestivercollocadoocadaver duranteoseuresfriamento;de mais estaélimitada aotecido mucosodapelle,eaquellas temsua séde em todaaespessura«lo derma,sãouma verdadeira injecçãodoscapillares
.
\a caixa craneana os vasosvenosos eseiossãoengorgilados: a sub
-
stanciacerebralapresenta pontosinjectados;asmembranasserosas pouco engorgitadas;podendovariavelmenteocontrarioterlugar : assimsendo raphiaa morte,aconteceoprimeirocaso ,esendodemoradaosegundo
.
Amucosadolaryngé,da epiglolle e«Ia trachéa-arteriaé rubra; superficie seencontra umamatériaespumosa esanguinolenta
.
Ospuh sãomuito Volumosose apresentãò-
seengorgilados;suacór é violacca ouHEBT
.
mesmoviolacca :emfimopulsoseenfra-
ou
na sua noes
&
—
ill—
:fazendo
-
se-lheincisões,vô-
so o seuparenchymadeumvermelhonegra
azulado , e delle correr um sangue espesso e negro. 0volume destes orgãosvariaconforme ogenerodeasphyxia: se , porexemplo,ella teve obstáculo mecânico ú entrada do ar , elles nãosedeprimem porcausaum
quandose abre o thorax ; eçntáoctal oseu tamanho , que cobremoperi- cárdio ,c , chegandoa romper o incdiastino ,seus bordos cavalgàoum sobre ooutro:nestecasoellesnãocrepitão,e não tem muitosangueeu»
parenchyma
.
Quandoaasphyxia tem lugar por laltade arno meio ambiente , os pulmõespodem deprimir-
se,enãocrepitar.
Nãolianestecasoengorgitamento sangu í neo ,porquealentidão da causa permitteque estesorgãos sedesembaracem do sangue, que vai quasi todo para o systema vascular
.
Asoutras vísceras ,oligado ,obaço, os rins,oestomago,apre- sentãoestacòrazulada ,esta pletora venosa.
0 lado direito do coração, bemcomo asveias cavas,é distendido por um sanguenegro, muitas vezes espesso ,c rarasvezescoogulavel ; pelo contrario,ascavidadesesquerdase asveiaspulmonares,comtodoo systema arterial, são vasios ou contém pequenaquantidadede sangue.
Osangueé fluidoenegro,emcontacto porém comoar torna-
se vermelho, ealgumas vezes coagulavel : existe sempre em maior quantidade nas veias do quenasartérias.
Theoriada asphyxia
. —
Trèssãoasprincipaes theoriesquetemapparecido paraaexplicaçãodos phenomenosdaasphyxia :ade Haller,adeGoodwin eadeBichat.ConformeHaller,a staseda circulação temprimitivamente lugar nos pulmões ;elle consideraasuspensãoda respiraçãocomo deter-
minando umacompressãono tecido pulmonar , em virtude da qual os respectivosvasos,tornando
-
sesinuosos, nãodeixàomaisatravessarosangue. Entãoas cavidades direitasdocoração, os troncos venosos,systema capillarseengorgitão; as cavidades esquerdaseasartérias conti-
nuãoa obrarsobreoliquido que ellascontém,atéque
No sentirdeGoodwin,osangue arterialó oexcitantenecessário da traeçãodas cavidades esquerdas do coração; a hematose pulmonar tendomaislugar por falta de renovaçãodoar, estascavidadestornão
-
seinertes, e dahientão resulta uma seu
asveias eo seesvaziem
.
con
-
,nao stase dacirculação no coração, e por consequência nos pulmões
.
Atheoria de Bichat éamais seguida pelosmodernos
.
Segundoeste sabiophysiologista,a morte temlugar ,nãoporqueacirculaçãoparce osorgãos cessemdereceber sangue, como queriãoHallereGoodwin, mas porquo
—
15—
estesorgãos recebem , em vez de sangue vivificante, um sangue que
onãoé , em vezdesanguoarterial ,queó oestimulodavida,um sangue que pelo contrario óiraproprioparaesta vida
.
Assimo sangue e neste venoso,privado dooxygenio, privadodahematose ,continua venoso, estado chega aocoraçãoesquerdo;este, conformesuasfuneções, nutre
-
secom elle, e demaiso envia a todo o organismo, inclusive o mesmo pulmão, que lhoenviou assim; essesanguenasuapassagem pelo systema capillar geralsobre-carrega-so de tudo o que noestado physiologico o tornavade arterialemvenoso;porahifaça-soidéadoestado,emquedepois deseucurso volta elleaocoração:esteorgãopois se entorpece,suasfune
-
çõesseexercem mal
.
Ao mesmo tempo que o 6angue nãovivificado se distribuenosorgãospelaaorta,estaartéria o envia aocerebro; dahias cephalalgias, aperturbaçãodasideas ,aperdade conhecimento.
O cerebro pela acçáonervosaque exerce sobreo coração, reage porsua vezcontra esseorgão, e apressaa sua paralysia:iníluenciundo-
se reciprocamente estes phenomenos.
e a cada momento em maisalto grão, um profundo estadodo mal seapoderado organismo ,eavida,abandonando as suas principaesposições,ondeé tão violentamenteatacada , vai refugiar-senas partesremotas,ondepor algum tempo tentaresistiráscausasdeletereas queaameação;aindaalgum calorahi persiste ,até que, apertadadetodos oslados, ellacede, e vencida abandona esse outroratheatro de seu§ movimentos.
DA SUBMERSÃO
.
CAPITULO I
.
Apalavra
—
Submersão—
tomadaemsuaverdadeiraaccepçãotãosómentedenotaaacçãodemergulharumcorpo emumliquido;osmedicos porém designãocomellaoestudodos phenomenos physiologicosepathologicos, quesemanifeslãoquandoumanimalderespiraçãoaéreaé mergulhado emummeioliquidoqueinterceptetodaacommunicação entreseusorgãos respiratórios e a atmosphera
.
Phenomenosda submersão,e osdiversosmodos, scfjundo osquaesamorle sobrevém
. —
Poucosinstantes depois de submergido,esforços voluntários,—
IG—
omovimentosdesconcertadosde todos osmembrosfazemsurgiroinfelizá flòrdaagua,oliquidovai-seintroduzindo pelabocca,econductosaéreos:
nesteponto extrema atllicçãopesa sobre o desgraçado ,eoliquido,inter
-
postonasviasaéreas,impedeo livreingressodo ar, começando deste momento ospbenomenosdaasphyxia,ou, emlinguagempathologiea, seus svmptomas
.
Necessidadeimperiosaderespirar,quemostrahaverdifficul-
dade de exercer-se esta das mais importantes funeções «lo organismo, obriga-oagrandesesforçosinspiratorios;cada vez«jue sua cabeça surge acimadaagua elleprocurarespirar,porémcomoaraspiraoliquido,que
osuflbea;succédéprolongadaexpiração, cmque sabe aguaear ; sobre
-
vindo logo grandes anciedades e tosse violenta, causada pelairritação
« juenolarvngeproduzo liquido:anecessidade de respirareosesforços para consegui-lovão crescendoá medidaque oar se torna insufliciente paraahematose;cephalalgia, peso de cabeçaeperturbaçãodasfaculdades intellectuaesatacão o individu«): finalmente , «piando mais não póde
«onservar-senasuperficiedaagua,precipita
-
seaofundo,omlcpor algumlempo luta, continuamlo os esforçospara respirar,avista se lhe escurece, ellefaz movimentos convulsivos , sente grande susurro nos ouvidos, suas forçasvãoseesgotando ,e nãopodcmlomais lutar,dcsfallece quasi oucompletamenteasphyxiado.
Emalguns casosoindividuonomomento«lecaliirnaaguaé susccptivel
«lesotfrerumaemoção, umterror,umsobrcsaltotal, que liqueprivado detodas as suas facul«la«les, seja acommetlido de umasvncope ;entãoo seucorpovai ao fundo daaguasem executaralgummovimento,eoindi
-
viduo p«xlesuccumbirnesteestado
.
Amortesobrevém porsyncope porasphyxia.
Póde ainda acontecerque,na occasiãoda quéda,aimpressão do frio e osesforços « pie o individuo faz para lutar contra determinem umacongestãocerebral,umaapoplexia,tanto mais seellefór pletorico; «pietambémseja accommetido «lo uma eommocào cerebral,quando ao cahir soflra alguma violenta pancada sobre a cabeça; e «pie estachegueatéadeterminarafracturados ossos«Io craneo.Einfim,muitas vezesamorte dosafoga«losédevidaa umestado mixto, em queasfuneções dos pulmões,do cerebro e «lo coraçãosão suspensasquasi ao mesmo tempo
.
Assimpois,umimmergidopóde succumbir adifferentesgenerös,
1emorte: á asphyxia ,Úsyncope , á apoplexia,ácommoção cerebral,oua to«las ao mesmotempo.
,enao o perigo