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PROJETO BÁSICO AMBIENTAL UHE TELES PIRES

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Academic year: 2021

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P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 1

PROJETO BÁSICO AMBIENTAL UHE TELES PIRES

Programa 23 – Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Relatório Semestral

EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL PELO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DO PROGRAMA

INTEGRANTES CONSELHO DE CLASSE CTF IBAMA ASSINATURA

Msc. Pablo Vinicius C. Mathias CRBio 44077/04-D 543020 Esp. Cláudio Veloso Mendonça CRBio 37585/04-D 629394 Dr. Fabiano Rodrigues de Melo CRBio 16286/4-D 206761 Ms. Michel Barros Faria CRBio 57790/04-D 4131635 Biol. Diego Afonso Silva CRBio 80323/04-D 2093249 Biol. Karen Adryanne Borges CRBio 87546/04-D 2093807 Biol. Renata Ferreira Dias CRBio 86209/04-D 5554894 Tiago Guimarães Junqueira CRBio 062336/04-D 2054181

Fevereiro – 2013

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P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 2 SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO ... 7

2. INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA ... 7

3. Objetivos ... 8

3.1. Objetivos específicos ... 9

4. METODOLOGIA ... 9

4.1. Área de estudo ... 9

4.1.1. Identificação das espécies de pequenos mamíferos ... 15

4.2. Médios e Grandes Mamíferos ... 15

5. RESULTADOS e Discussão ... 17

5.1. Pequenos mamíferos terrestres ... 17

5.1.1. Abundância e Riqueza de Espécies ... 17

5.1.2. Espécies bioindicadoras de qualidade ambiental ... 23

5.1.3. Eficiência das armadilhas ... 23

5.1.4. Comparação do estudo com outros também realizados na região de Teles Pires .. 25

5.1.5. Considerações importantes ... 26

5.2. Médios e Grandes Mamíferos ... 37

6. CONCLUSÃO ... 62

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 63

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P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 3 ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1. Módulos de coleta de dados para o estudo de mamíferos de pequeno, médio e grande porte. ... 10

Figura 2. Esquema de um Módulo RAPELD, foi obedecido no estudo (Modificado de: PPBio, 2012). ... 11

Figura 3. Abundância observada para as espécies de pequenos mamíferos terrestres para a segunda e terceira campanhas. Roedores apresentaram maior riqueza e foram mais abundantes. ... 19

Figura 4. Abundância das espécies de pequenos mamíferos terrestres considerando apenas a terceira campanha, registrados no estudo da UHE de Teles Pires. Foi considerado como base apenas o número absoluto de indivíduos capturados. ... 20

Figura 5. Abundância das espécies de pequenos mamíferos terrestres considerando a segunda e a terceira campanhas, registradas no estudo da UHE de Teles Pires, tendo como base apenas o número absoluto de indivíduos capturados. ... 20

Figura 6. Curva de suficiência amostral para pequenos mamíferos terrestres considerando a segunda e terceira campanhas do estudo da UHE de Teles Pires. ... 21

Figura 7. Dendograma mostrando o grau de similaridade entre os módulos estudados no estudo da UHE de Teles Pires considerando as campanhas 2 e 3... 22

Figura 8. Eficiência das armadilhas pitfall, sherman e gancho (tomahawk) para abundancia de espécies da segunda e terceira campanhas do estudo de monitoramento das espécies de pequenos mamíferos não voadores, UHE de Teles Pires. ... 24

Figura 9. Eficiência das armadilhas pitfall, sherman e gancho (tomahawk) para a riqueza de espécies da segunda e terceira campanhas do estudo de monitoramento das espécies de pequenos mamíferos não voadores, UHE de Teles Pires. ... 25

Figura 10. Riqueza de espécies representadas pelas ordens de mamíferos de médio e grande porte na UHE Teles Pires. ... 38

Figura 11. Diversidade de espécies por famílias de mamíferos de médio e grande porte encontrados durante o monitoramento da UHE Teles Pires. ... 38

Figura 12. Área de distribuição geográfica de Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira). As áreas em vermelho indica que a espécie foi possivelmente extinta. Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 44

Figura 13. Área de distribuição de Priodontes maximus (tatu-canastra). Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 45

Figura 14. Área de distribuição de Tapirus terrestris (anta). As áreas em vermelho indica que a espécie foi possivelmente extinta. Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 46

Figura 15. Área de distribuição de Tayassu pecari (queixada). As áreas em vermelho indica que a espécie foi possivelmente extinta. Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 47

Figura 16. Área de distribuição de Atelocynus microtis (cachorro-do-mato-de-orelha-curta). Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2... 48

Figura 17. Área de distribuição de Leopardus pardalis (jaguatirica). Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 49

Figura 18. Área de distribuição de Puma concolor (onça-parda). Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 50

Figura 19. Área de distribuição de Panthera onca (onça-pintada). Fonte: IUCN Red List Maps 2012.2. ... 51

Figura 20. Eficiência apresentada por método amostral para os cálculos de riqueza e abundância de mamíferos de médio e grande porte diagnosticados nos Módulos do monitoramento de fauna da UHE Teles Pires. ... 53

Figura 21. Abundância das espécies de mamíferos, expressa em termos de frequência absoluta (%), em ordem decrescente durante os censos realizados na UHE Teles Pires. ... 55

Figura 22. Abundância das espécies de mamíferos, expressa em termos de frequência absoluta (%), em ordem decrescente registrada a partir das armadilhas fotográfica. ... 56

Figura 23. Dendograma mostrando o grau de similaridade entre os seis Módulos da UHE Teles Pires, tendo como base sua fauna de mamíferos de médio e grande porte. ... 57

Figura 24. Curva de acúmulo de espécies de mamíferos de médio e grande porte, obtida a partir dos dados coletados conjuntamente nos seis módulos de monitoramento de fauna da UHE Teles Pires. ... 58

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P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 4 ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1. Descrição das parcelas onde foram instaladas as armadilhas para a captura de pequenos mamíferos não

voadores. ... 14

Quadro 2. Matriz de Similaridade entre os módulos estudados considerando as campanhas 2 e 3. ... 22

Quadro 3. Lista dos espécimes de pequenos mamíferos registrados nas áreas de influência da UHE Teles Pires, Paranaíta- MT e Jacareacanga-PA. NC (número de campo), Status (1=primeira captura; 2=recaptura), CE (idade), * (ausente de informação). Apesar de analisado neste documento somente a segunda e terceira campanha a tabela lista as espécies registradas em todas as capturas já obtidas no estudo. ... 27

Quadro 4. Lista de espécies de mamíferos de médio e grande porte registrados durante o monitoramento da UHE Teles Pires. ... 39

Quadro 5. Frequência relativa e absoluta das espécies de mamíferos de médio e grande porte registradas nas campanhas realizadas na UHE Teles Pires. ... 54

Quadro 6. Frequência relativa e absoluta das espécies de mamíferos de médio e grande porte registradas nas duas campanhas realizadas através de registro de armadilhas fotográfico. ... 55

Quadro 7. Grau de similaridade apresentada entre os seis Módulos amostrados na UHE Teles Pires para a comunidade de mamíferos de médio e grande porte. ... 56

ÍNDICE DE FOTOS Foto 1. Armadilhas tipo tomahawk: à esquerda e suspensa (Oecomys sp.; segunda campanha), de forma amostrar o dossel da vegetação; e à direita, disposta no chão (Micoureus demerarae; terceira campanha). ... 12

Foto 2. À esquerda, Marmosops bishopi capturado em armadilha do tipo pitfall (2ª campanha). À direita, Neacomys sp. (3ª campanha). ... 13

Foto 3. Caluromys philander solto após ter sido marcado com brinco (observe a marcação na orelha direita). Todas as espécies identificadas foram marcadas com um brinco numerado e tiveram seus espécimes devolvidos no exato local de captura. ... 15

Foto 4. Pegada de Tapirus terrestris (anta) registrada com o auxílio de um esquadro, neste caso, também utilizado como referência de escala. ... 17

Foto 5. Instalação de armadilhas fotográfica para o registro de animais de hábitos mais conspícuos. ... 17

Foto 6. Armadilha fotográfica instalada para a obtenção de registro de mamíferos de médio e grande porte. ... 17

Foto 7. Didelphis marsupialis (terceira campanha: TLP102). ... 34

Foto 8. Micoureus demerarae (segunda campanha: TLP043). ... 34

Foto 9. Espécime fêmea prenha, marcada com brinco e solta. ... 34

Foto 10. Micoureus demerarae (terceira campanha: TLP090). ... 34

Foto 11. Marmosops bishopi capturado na segunda campanha (TLP 046). ... 34

Foto 12. Marmosops bishopi capturado na terceira campanha (TLP098). ... 34

Foto 13. Monodelphis kunsi (segunda campanha: TLP 054). ... 35

Foto 14. Monodelphis kunsi (terceira campanha: TLP 113). ... 35

Foto 15. Hylaeamys megacephalus (terceira campanha: TLP 094). ... 35

Foto 16. Mesomys hispidus (terceira campanha: TLP 104). ... 35

Foto 17. Oligorizomys microtis (segunda campanha: TLP 056). ... 35

Foto 18. Oligorizomys microtis (terceira campanha: TLP 107). ... 35

Foto 19. Necromys lasiurus (segunda campanha: LTP048). ... 36

Foto 20. Necromys lasiurus (terceira campanha: LTP116). ... 36

Foto 21. Neacomys sp. (terceira campanha: LTP 131). ... 36

Foto 22. Oecomys sp. (terceira campanha: LTP091). ... 36

Foto 23. Rhipidomys sp. (segunda campanha: LTP 049). ... 36

Foto 24. Proechimys longicaudatus (segunda campanha: LTP 047). ... 36

Foto 25. Proechimys longicaudatus (filhote; terceira campanha: LTP 109). ... 37

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 5

Foto 26. Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira) registrado atravessando o rio Teles Pires próximo ao Módulo 2 durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 44 Foto 27. Forrageio de Priodontes maximus (tatu-canastra) registrado durante o monitoramento da UHE Teles Pires.. ... 45 Foto 28. Tapirus terrestris (anta) registrada através de armadilha fotográfica durante o monitoramento da UHE Teles Pires. ... 46 Foto 29. Bando de Tayassu pecari (queixada) registado através de armadilha fotográfica durante o monitoramento da UHE Teles Pires. ... 47 Foto 30. Pegada de Atelocynus microtis (cachorro-do-mato-de-orelha-curta) registrada através de rastro durante a primeira campanha do monitoramento da UHE Teles Pires. ... 48 Foto 31. Leopardus pardalis (jaguatirica) registrado através de armadilha fotográfica durante o monitoramento da UHE Teles Pires. ... 49 Foto 32. Puma concolor (onça-parda) registrada através de armadilha fotográfica durante o monitoramento da UHE Teles Pires. ... 50 Foto 33. Pegada de Panthera onca (onça-pintada) registrada durante a primeira e terceira campanha do monitoramento da UHE Teles Pires ... 51 Foto 34. Registros obtidos através de armadilha fotográfica. (A) Queixada (Tayassu pecari); (B) Veado-mateiro (Mazama americana); (C) Cateto (Pecari tajacu); (D) Quati (Nasua nasua); (E) Cutia (Dasyprocta azarae) e (F) Mão- pelada (Procyon cancrivorus). ... 52 Foto 35. Tamandua tetradactyla (tamanduá-mirim) com filhote registrado durante o monitoramento da terceira campanha de UHE Teles Pires. ... 60 Foto 36. Fezes de Puma concolor (onça-parda) registrada durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 60 Foto 37. Hydrochoerus hydrochaeris (capivara) registrada durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 60 Foto 38. Pegada de Tapirus terrestris (anta) registrada durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 60 Foto 39. Fezes de Pecari tajacu (cateto) registrado durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 61 Foto 40. Dasypus novemcinctus (tatu-galinha) registrado durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 61 Foto 41. Filhote de Eira barbara (irara) registrado durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 61 Foto 42. Pteronura brasiliensis (ariranha) registradas na ilha do Módulo 1 durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 61 Foto 43. Cerdocyon thous (cachorro-do-mato) atropelado na estrada que da acesso às obras da UHE Teles Pires, durante o monitoramento da terceira campanha. ... 62 Foto 44. Indivíduo de Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira) registrado atravessando o rio em direção a margem esquerda durante o monitoramento da terceira campanha da UHE Teles Pires. ... 62

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 6 LISTA DE SIGLAS

ADA – Área Diretamente Afetada

AID – Área de Influencia Direta

EIA – Estudo de Impacto Ambiental

ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

PBA - PLANO BÁSICO AMBIENTAL

PMP - Programa de Monitoramento de Primatas

RIMA – Relatório de Impacto Ambiental

UHE – Usina Hidrelétrica

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 7 1. APRESENTAÇÃO

Este documento se refere às atividades desenvolvidas do Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres da segunda e terceira campanhas, e está subdividido em dois grupos:

pequenos mamíferos terrestres e médios e grandes mamíferos. O referido programa está relacionado ao processo de licenciamento da Usina Hidrelétrica (UHE) Teles Pires, situada no rio Teles Pires, entre os municípios de Paranaíta/MT e Jacareacanga/PA. As atividades da segunda campanha ocorreram nos meses de setembro e outubro de 2012 e as atividades da terceira campanha ocorreram nos meses de dezembro de 2012 e janeiro de 2013.

2. INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA

A Amazônia abrange aproximadamente seis milhões de km² e dessa totalidade, 60% estão localizados no território brasileiro (ISA, 2001). Desses 60%, aproximadamente, 570 mil km² já foram desmatados (INPE, 2001). Isso se deve principalmente a abertura de vias de acesso que facilitaram práticas desregradas de atividades como a pecuária, a agricultura, a construção de hidrelétricas e a retirada ilegal de madeira de florestas (LAURENCE et al., 2007). A Amazônia é a maior área de formação vegetal brasileira, sendo considerada uma das regiões com maior riqueza de mamíferos (GRELLE, 2002). Devido à grande diversidade dentro do grupo, com representantes tanto em ambientes terrestres, quanto aquáticos, os mamíferos desempenham os mais variados papéis nos ecossistemas do qual fazem parte, sendo considerados importantes polinizadores, dispersores e predadores, regulando e mantendo o equilíbrio de populações a eles associadas e contribuindo diretamente para o funcionamento do ecossistema (GALETTI et al., 2001). Dessa forma, podem ser vistos como importantes agentes bioindicadores da qualidade do ambiente. Só no Brasil, estima-se que existam 701 espécies conhecidas e registradas, das quais aproximadamente 400 estejam presentes na Amazônia (PAGLIA et al., 2012).

Pequenos mamíferos não voadores são representados por marsupiais da família Didelphidae e por roedores das famílias Cricetidae e Echimyidae, apresentam tanto espécies com ampla distribuição quanto aquelas com distribuição restrita, e podem ter hábitos terrestres e arborícolas (WILSON & REEDER, 2005; BONVICINO et al., 2008a; GARDNER & CREIGTON, 2008).

Formam o grupo ecológico mais diversificado de mamíferos das florestas neotropicais, com mais de 70 espécies endêmicas para o bioma amazônico (OLIVEIRA & BONVICINO, 2006; ROSSI et al., 2006). Também são os vertebrados com maior dificuldade em se estabelecer uma boa taxonomia, devido à alta diversidade de espécies, aliada à inadequada amostragem em coleções zoológicas (VIVO, 1996).

Além da importância numérica, estudos recentes sobre a ecologia das espécies e das comunidades, mostram que este grupo exerce influência na dinâmica das florestas neotropicais e são bons indicadores tanto de alterações locais do hábitat como alterações da paisagem. A influência deste grupo na dinâmica florestal ocorre através de predação e, portanto, dispersão de sementes, plântulas e fungos micorrízicos (MANGAN & ADLER, 2000; SÁNCHEZ-CORDERO &

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 8 MARTÍNEZ-GALLARDO, 1998), ao passo que o uso de espécies como bioindicadoras está relacionado à especificidade das mesmas no uso de micro-habitats (VIEIRA & MONTEIRO-FILHO, 2003).

De acordo com a lista dos roedores do Brasil de Bonvicino et al. (2008b) e com o mais recente estudo que lista os marsupiais do Brasil (ROSSI et al., 2010), os roedores representam a maioria da fauna de pequenos mamíferos, com aproximadamente 72% do total das espécies. Ainda baseado nesses dois autores, os Biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica abrigam a grande maioria das espécies, sendo o bioma amazônico o mais rico, com ocorrência aproximada de 26% do total da fauna, seguido pelo Cerrado com 22%, a Mata Atlântica com 21%, o Pantanal com 8%, a Caatinga com 5,5% e por último os Campos Sulinos, representando 7% das espécies.

Do total de todas as espécies do Brasil, mais de 5% possuem área de ocorrência confirmada para a região de estudo onde se encontra a UHE de Teles Pires.

Essa rica fauna, por se distribuir em todos os biomas e ocupar os mais diferentes habitats, tem como principal ameaça a fragmentação e diminuição da vegetação que interrompe seu fluxo gênico, pois a grande maioria possui uma área de vida extremamente pequena e é incapaz de deslocar entre um fragmento e outro por menor que seja essa distância. Todos esses números fazem do conjunto das unidades amostrais da UHE de Teles Pires, um local de extrema importância para se estudar e conservar os marsupiais e roedores.

Na mesma linha de raciocínio, mamíferos de médio e grande porte (> 1 kg) são particularmente sensíveis a qualquer perturbação em seu habitat e se encontram em listas oficiais de espécies ameaçadas de extinção como a Lista Mundial para Conservação da Natureza (IUCN, 2012) e a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (MACHADO et al., 2008). Na Amazônia brasileira a porcentagem de espécies ameaçadas chega a 7 % (COSTA et al., 2005). As principais ameaças são a fragmentação e destruição dos hábitats e a caça que, por sua vez, pode ser particularmente favorecida por outros tipos de distúrbios, como a própria fragmentação florestal (COSTA et al., 2005). Esse fenômeno tem sido intenso nos últimos anos e tem sido apontado como um dos direcionadores do processo de extinção em massa a que se tem presenciado atualmente (SALA et al., 2000).

Neste sentido, o presente relatório contém os resultados agregados de duas campanhas, (segunda e terceira campanhas) do monitoramento da fauna de pequenos mamíferos terrestres e de médios e grandes mamíferos nas áreas de influência da UHE Teles Pires, municípios de Paranaíta (Mato Grosso) e Jacareacanga (Pará), com alguns resultados preliminares sobre a riqueza de espécies, composição das comunidades e abundâncias estimadas para estes dois grupos.

3. OBJETIVOS

O Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres tem como objetivo principal quantificar as áreas de uso pelas espécies de pequenos, médios e grandes mamíferos nas áreas

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 9 de influência direta do reservatório da UHE Teles Pires na sua fase de construção e operação.

Avaliar a alteração na estrutura populacional das espécies presentes nas áreas amostradas antes, durante e após a implantação do empreendimento.

3.1. Objetivos específicos

Consta como objetivos específicos do programa, inventariar e monitorar as espécies presentes na Área Diretamente Afetada (ADA), e nas Áreas de Influência Direta (AID) e Indireta (AII) do empreendimento.

- Fornecer informações sobre a abundância e riqueza de espécies nos módulos visitados;

- Comparar a eficiência dos diferentes métodos de captura para riqueza e abundância de pequenos mamíferos;

- Selecionar espécies bioindicadoras que possam ser utilizadas na identificação dos efeitos das atividades humanas na composição de espécies das comunidades de mamíferos;

- Fornecer informações do grau de ameaça de cada espécie;

- Propor medidas mitigadoras para o grupo em questão.

4. METODOLOGIA 4.1. Área de estudo

As áreas de estudo compreendem os seis módulos propostos pelo PBA, abrangendo a Área de Influência Direta (AID) e Área Diretamente Afetadas (ADA) pelo empreendimento UHE Teles Pires (Figura 1), localizado na divisa dos municípios de Paranaíta no Mato Grosso e Jacareacanga no Pará.

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 10

Figura 1. Módulos de coleta de dados para o estudo de mamíferos de pequeno, médio e grande porte.

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 11 4.2. Pequenos mamíferos terrestres

O estudo referente às 2ª e 3ª campanhas, nas áreas de influência da UHE Teles Pires, situadas nos municípios de Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA), foi realizado entre os meses de setembro e outubro de 2012 (2ª campanha) e dezembro 2012 e janeiro 2013 (3ª campanha).

Os espécimes foram inventariados através do Método RAPELD (MAGNUSSON et al., 2005), que utiliza parcelas de 0,1 ha como unidades amostrais individualizadas. Este método é apropriado para pesquisas de longa duração na Amazônia brasileira, mas também permite levantamentos rápidos, assim como estimativas não tendenciosas da distribuição e abundância das espécies (MAGNUSSON et al., 2005).

Em ambas as campanhas, foram implementados 6 (seis) Módulos, denominados de Módulo 1, Módulo 2 e assim, sucessivamente. Cada módulo é composto por uma trilha principal de acesso às parcelas e trilhas secundárias distando 1 km entre si, que se constituem as unidades amostrais, chamadas “parcelas” (Figura 2). Estas parcelas têm um comprimento de 250 m e seguem a curva de nível, para que variações de topografia e solo sejam minimizadas dentro das parcelas. Para os seis módulos estudados, utilizou-se a mesma metodologia de amostragem, contando com armadilhas convencionais dos tipos sherman e tomahawk, e de queda do tipo pitfall.

Particularmente na terceira campanha, não foram amostradas 4 parcelas devido ao acesso que foi interrompido. Assim, todas as análises foram realizadas considerando a diminuição do esforço destas parcelas.

Figura 2. Esquema de um Módulo RAPELD, foi obedecido no estudo (Modificado de: PPBio, 2012).

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 12 As armadilhas dos tipos sherman e gancho foram dispostas nas parcelas em estações de coleta.

Cada estação foi composta por duas armadilhas, uma de cada tipo, posicionadas de forma alternada: uma suspensa a aproximadamente 1,5m do solo e a outra no solo em meio à vegetação de forma a representar os mais diferentes lugares, como locais próximos a cursos d’água, áreas com gramíneas e dossel semiaberto, quando existiam (Foto 1). Cada parcela foi composta por 10 (dez) estações de coleta que distanciavam 25m entre si, resultando em uma trilha (parcela) com 250m de comprimento, obedecendo a um esforço amostral de cinco noites por Módulo.

A amostragem também foi representada através de conjuntos de armadilhas de queda, formadas por baldes de plástico (Foto 2). Estas consistem de recipientes enterrados no solo (pitfall) e interligados por cercas-guia (CORN, 1994). Quando um pequeno animal se depara com a cerca, geralmente a acompanha, até eventualmente cair no recipiente mais próximo.

Estas armadilhas são amplamente utilizadas para a amostragem de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos (WILLIAMS & BRAUN, 1983; MENGAK & GUYNN, 1987). Uma das vantagens do método é a captura de animais que raramente são amostrados através dos métodos tradicionais (CAMPBELL & CHRISTMAN, 1982). Ao final de cada parcela foi instalada uma estação de captura do tipo pitfall, formada por quatro baldes ligados entre si por cerca guia, dispostos em formato de “Y”.

A descrição das parcelas onde foram instaladas as armadilhas para a captura de pequenos mamíferos não voadores, assim como suas coordenadas geográficas, está descrita no Quadro 1.

Foto 1. Armadilhas tipo tomahawk: à esquerda e suspensa (Oecomys sp.; segunda campanha), de forma amostrar o dossel da vegetação; e à direita, disposta no chão (Micoureus demerarae; terceira

campanha).

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 13

Foto 2. À esquerda, Marmosops bishopi capturado em armadilha do tipo pitfall (2ª campanha). À direita, Neacomys sp. (3ª campanha).

Cada armadilha teve seu mecanismo de disparo conferido em campo e as consideradas defeituosas foram repostas. Abaixo, segue descrição e o número de parcelas e armadilhas de cada módulo:

Módulo 1: contendo sete parcelas: duas na margem direita do rio Teles Pires, sendo uma em pasto; duas parcelas em ilhas; três parcelas na margem esquerda do rio Teles Pires - total de 140 armadilhas convencionais e 28 baldes, somando-se 168 armadilhas;

Módulo 2: contendo sete parcelas, sendo duas em ilhas no rio Teles Pires e cinco na margem esquerda, totalizando 140 armadilhas convencionais e 28 baldes, somando-se 168 armadilhas;

Módulo 3: contendo cinco parcelas na margem esquerda do rio Teles Pires, totalizando 100 armadilhas convencionais e 20 baldes, somando-se 120 armadilhas;

Módulo 4: contendo cinco parcelas, sendo três na margem direita do rio Teles Pires e duas na margem esquerda, somando um total de 100 armadilhas convencionais e 20 baldes, somando-se 120 armadilhas. Neste módulo, ressaltamos que a parcela 5, durante a terceira campanha, não foi amostrada por causa da dificuldade de acesso. Assim, o módulo 4 foi amostrado por 80 armadilhas convencionais e 16 baldes.

Módulo 5: formado por cinco parcelas, sendo duas na margem direita do rio Paranaíta e três na margem esquerda, totalizando 100 armadilhas convencionais e 20 baldes, somando-se 120 armadilhas. Particularmente na terceira campanha, as parcelas 1, 2 e 3 não foram amostradas por causa da falta de acesso e o esforço foi de 40 armadilhas convencionais e 8 baldes, totalizando 48 armadilhas;

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 14

Módulo 6: localizado na margem esquerda do rio Paranaíta. Constituído por cinco parcelas, sendo duas no pasto, sendo 100 armadilhas convencionais e 20 baldes, totalizando 120 armadilhas.

Quadro 1. Descrição das parcelas onde foram instaladas as armadilhas para a captura de pequenos mamíferos não voadores.

Módulo Parcela Coordenadas UTM

E N

M1 P 1 557984,603 8956129,072

M1 P 2 557851,898 8955143,016

M1 P 3 558129,227 8954248,096

M1 P 4 558007,173 8953162,056

M1 P 5 557873,866 8952163,721

M1 P 6 557909,653 8951220,03

M1 P 7 557854,886 8950221,01

M2 P 1 548342,997 8961857

M2 P 2 548491,565 8960863,984

M2 P 3 548595,995 8959760

M2 P 4 548137,996 8958862,994

M2 P 5 547785,994 8957991,994

M2 P 6 547178,34 8957022,258

M2 P 7 546567,398 8956169,21

M3 P 1 567484,938 8951549,572

M3 P 2 567446,583 8950551,466

M3 P 3 567408,223 8949550,284

M3 P 4 567360,572 8948466,2

M3 P 5 567313,225 8947554,104

M4 P 1 521384,721 8971673,074

M4 P 2 522275,778 8972157,804

M4 P 3 523115,049 8972734,687

M4 P 4 524202,914 8972822,704

M4 P 5 525044,96 8973195,513

M5 P 1 532760,998 8944556

M5 P 2 532482,993 8943704,992

M5 P 3 532008,993 8941742,992

M5 P 4 531715,993 8940790,996

M5 P 5 531458,994 8939823,993

M6 P 1 527104,858 8943360,102

M6 P 2 526211,994 8942898,994

M6 P 3 525348,995 8942567,992

M6 P 4 524247,997 8941997,995

M6 P 5 523589,999 8941481,999

A checagem das armadilhas foi realizada todas as manhãs. Como isca, apenas para as armadilhas convencionais, foi utilizado um alimento à base de farinha de milho, amido de milho, banana, paçoca de amendoim, sardinhas e óleo de fígado de bacalhau, misturados em proporções suficientes para que formassem uma massa consistente.

(15)

P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 15 Os animais capturados tiveram sua biometria aferida: peso, sexo, idade, comprimento do corpo, comprimento da cauda, comprimento da orelha e comprimento do tarso. As espécies foram identificadas e fotografadas no local de captura. Após o término dos procedimentos, os espécimes identificados receberam brincos numerados em sua orelha direita e foram soltos (Foto 3).

Foto 3. Caluromys philander solto após ter sido marcado com brinco (observe a marcação na orelha direita). Todas as espécies identificadas foram marcadas com um brinco numerado e tiveram seus

espécimes devolvidos no exato local de captura.

4.1.1. Identificação das espécies de pequenos mamíferos

Os animais que não foram identificados no local da captura foram levados e fixados para identificação em nível de espécie. A identificação taxonômica até o momento foi realizada em campo, somente com base na morfologia externa de acordo com a taxonomia mais atual usada para os grupos (PATTON et al., 2000; BONVICINO et al., 2008; VOSS & JANSA, 2009). Desta forma, todos os espécimes coletados ainda serão analisados em museus para a confirmação taxonômica.

4.2. Médios e Grandes Mamíferos

A segunda campanha para o levantamento de mamíferos de médio e grande porte nas áreas de influência da UHE Teles Pires foi realizada entre os dias 09 a 23 de setembro de 2012, somando um total de 134:40 horas de esforço amostral e 146.076km percorridos em 15 dias de amostragem. Já a terceira ocorreu entre os dias 04 a 21 de dezembro de 2012, somando um total de 150:05 horas de esforço amostral e 222.421km percorridos em 18 dias de amostragem.

Considerou-se mamíferos de médio ou grande o conjunto de espécies que apresentam peso corporal igual ou superior a 1 kg quando adultos.

(16)

P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 16 As metodologias de amostragem utilizadas foram: censos diurnos e noturnos, instalação de armadilhas fotográficas e registro de vestígios, tais como rastros, fezes, vocalizações, carcaças e tocas. Ao diversificar as metodologias, esperou-se registrar um número maior de espécies de mamíferos de médio e grande porte nas áreas estudadas.

O censo permite o avistamento de animais, sendo realizado com um número reduzido de pessoas (máximo três), em silêncio, percorrendo a trilha com velocidade constante de 1 a 2 km/h, durante as primeiras horas do dia e ao anoitecer. Alguns dados básicos são coletados, como ponto, a distância percorrida, horário de início e fim de cada sessão do censo e km percorridos, entre outras observações consideradas pertinentes a respeito da espécie e do animal observado como a forma de registro, comportamento, hora do avistamento e números de indivíduos observados.

Os censos foram realizados no interior dos fragmentos dos seis módulos definidos através do Método RAPELD que utiliza parcelas de 0.1 ha como unidades amostrais individualizadas (MAGNUSSON et al., 2005), onde foram observados ainda, vestígios indiretos de presença (rastros, fezes, vocalizações, tocas e carcaças), sendo que os mesmos foram anotados em caderno de campo e feito um registro fotográfico com o auxilio de um esquadro com régua utilizada como referência para posterior identificação com o auxilio de guias específicos (BECKER & DALPONTE, 1999; EMMONS & FEER, 1997; MAMEDE & ALHO, 2008; BORGES &

TOMÁS, 2008) (Foto 4).

Armadilhas fotográficas foram instaladas nos módulos amostrados a cada km da trilha de acordo com sua extensão (módulos 1 e 2, sete armadilhas fotográficas e módulos 3, 4, 5 e 6 cinco armadilhas fotográficas). Essa metodologia tem sido muito utilizada em levantamentos faunísticos de médios e grandes mamíferos, pois permite o registro de espécies de hábitos mais conspícuos e por serem difíceis de registrar por outros métodos (SILVEIRA et al., 2003, SRBEK- ARAUJO & CHIARELLO, 2005). Isso se deve ao fato de que as armadilhas fotográficas são de característica não invasiva, permitindo o registro de qualquer espécie que locomova na sua frente, podendo funcionar 24 horas por dia. A armadilha fotográfica consiste em sensor de calor e movimento acoplado a uma máquina fotográfica, quando algum animal atravessa o raio de ação do sensor, a máquina dispara e fotografa a espécie que se desloca em frente à armadilha. Cada armadilha foi colocada presa a uma árvore numa altura de 40 cm em relação ao solo e em locais de possível movimentação de mamíferos, neste caso, trilhas pré- estabelecidas feitas pela movimentação dos próprios animais. A vegetação próxima foi eliminada, com a intenção de evitar disparos desencadeados pela ação do vento na vegetação.

Defronte as armadilhas fotográficas foram colocadas iscas (sardinha e sal) buscando atrair os animais pelo cheiro, facilitando assim o registro das espécies (Foto 5 e Foto 6).

Para a análise dos dados foi calculada a estimativa de riqueza utilizando o método do Jackknife I. O método faz uma estimativa baseada na frequência de espécies raras observadas na amostra (HELTSHE & FORRESTER, 1983). Para o cálculo da diversidade e similaridade foi utilizado o índice de Shannon-Wiener e Jaccard, respectivamente, computados através do

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 17 software PAST (HAMER et al., 2001). Foram realizados cálculos de abundância relativa através dos índices de frequência por espécie (n° de registros por espécie /n° de registros totais de espécies), que indica a frequência relativa de cada espécie na região, demonstrando as espécies que são mais fáceis de serem registradas ou mais abundantes nas áreas amostradas.

Foto 4. Pegada de Tapirus terrestris (anta) registrada com o auxílio de um esquadro, neste caso, também utilizado como referência de escala.

Foto 5. Instalação de armadilhas fotográfica para o registro de animais de hábitos mais conspícuos.

Foto 6. Armadilha fotográfica instalada para a obtenção de registro de mamíferos de médio e grande porte.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. Pequenos mamíferos terrestres

5.1.1. Abundância e Riqueza de Espécies

A necessidade humana em usar o meio ambiente para o estabelecimento de atividades diversas altera a cobertura florestal original dos recursos naturais, assim remanescentes de áreas

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 18 nativas tornam-se os únicos hábitats disponíveis para as espécies silvestres, tais remanescentes variam em tamanho, formato e grau de isolamento em relação a outros remanescentes e acabam contendo apenas um subconjunto alterado da comunidade original. A intervenção humana, por menor que seja gera o declínio ou o desaparecimento de espécies que, para manter populações viáveis em longo prazo, necessitam de áreas amplas ou de um gradiente de habitats. Com a preocupação de minimizar ao máximo os impactos antrópicos causados à fauna de roedores e marsupiais nas áreas de influência direta e indireta da UHE de Teles Pires, está sendo estudada a sua abundância e riqueza. A partir de diversas técnicas de estudo, foi capturado na segunda campanha um total de 53 espécimes, representantes de 4 espécies de marsupiais e 7 espécies de roedores. Na terceira campanha, foram capturados 50 espécimes, representantes de 7 espécies tanto para marsupiais quanto para roedores. Na segunda campanha, roedores apresentaram a maior riqueza e na terceira apresentaram a mesma riqueza que os marsupiais (Figura 3). Todos os espécimes (de ambas as campanhas) com seus respectivos dados de campo encontram-se listados no Quadro 3.

A soma dos seis módulos estudados na segunda campanha totalizou 792 armadilhas/noite. Este valor multiplicado pelo número de noites obedecidas (cinco) permitiu totalizar um esforço de captura de 3.960 armadilhas/noite, sendo o sucesso de captura de 1,33%. Com um esforço um pouco menor de 3600 armadilhas noite o sucesso de captura da terceira campanha foi de 1,38%. O valor de ambas as campanhas foi semelhante e ainda considerado baixo quando comparado ao sucesso de captura obtido em outros estudos (FONSECA & KIERULFF, 1989;

PAGLIA et al., 1995; VOSS & EMMONS, 1996). A soma do esforço das duas campanhas é de 7560 armadilhas/noite e um sucesso de 1,36%. Em florestas tropicais é comum a baixa taxa de captura para pequenos mamíferos, principalmente em levantamentos rápidos. O sucesso de captura não é homogêneo dentro do habitat e difere durante as distintas épocas do ano, podendo apresentar até mesmo variação no número amostral (ALHO, 2005). Diferentes trabalhos em áreas também de floresta tropical apresentaram resultados similares entre si e maiores que o nosso (PAGLIA et al., 1995; LESSA et al., 1999; BRIANI et al., 2001).

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Figura 3. Abundância observada para as espécies de pequenos mamíferos terrestres para a segunda e terceira campanhas. Roedores apresentaram maior riqueza e foram mais abundantes.

Através da análise da abundância é possível determinar o tamanho da população de uma espécie em um determinado habitat. Considerando as duas campanhas, as espécies mais abundantes foram os marsupiais Micoureus demerarae e Marmosops bishopi, ambos com 18 registros. Marmosps bishopi foi também muito abundante na terceira campanha, com 9 capturas, duas a menos que a espécie mais abundante, o roedor Neacomys spinosus. As espécies Caluromys philander, Gracilinanus agilis, Marmosa murina e Mesomys hispidus foram igualmente menos abundantes com apenas um registro. Dados sobre abundância e distribuição são importantes parâmetros para a determinação do status de conservação de um táxon, para as listas de espécies ameaçadas, porém, uma das dificuldades para esta avaliação no Brasil é a escassez de dados publicados sobre composição e abundância das espécies em níveis locais e regionais. Assim, este estudo constitui uma ferramenta importante, não só para o conhecimento científico da fauna na região, mas também no entendimento da extensão do impacto ambiental a ser gerado com a instalação e operação do empreendimento da UHE de Teles Pires. A abundância de todas as espécies, considerada com base no número absoluto de indivíduos capturados está ilustrada na Figura 4 (apenas terceira campanha) e Figura 5 (ambas as campanhas).

6 7 7 7 7 7 8 8 8

Roedor Marsupial

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 20

Figura 4. Abundância das espécies de pequenos mamíferos terrestres considerando apenas a terceira campanha, registrados no estudo da UHE de Teles Pires. Foi considerado como base apenas o número

absoluto de indivíduos capturados.

Figura 5. Abundância das espécies de pequenos mamíferos terrestres considerando a segunda e a terceira campanhas, registradas no estudo da UHE de Teles Pires, tendo como base apenas o número

absoluto de indivíduos capturados.

5.1.2. Curva acumulativa de espécies

Como previamente esperado, a curva acumulativa de espécies mostrou um crescimento no número de espécies (Figura 6), indicando que o esforço amostral empregado precisa ser aumentado para representar a comunidade local de mamíferos. A curva demonstra também

0 2 4 6 8 10 12

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 21 que, de 4 a 6 novas espécies podem ser adicionadas à medida que o esforço de coleta aumentar. A riqueza estimada pelo índice de Jackniffe demonstra que o esforço aplicado está aproximando do suficiente para amostrar o número de espécies existentes na região estudada.

O registro de espécies até agora alcançado, representa apenas uma pequena porcentagem da grande diversidade que o Bioma ‘Floresta Amazônica’ apresenta para pequenos mamíferos terrestres (PAGLIA et al., 2012). Espécies ainda não registradas em nosso estudo já foram encontradas na região de Teles Pires em estudos anteriores e/ou são de potencial ocorrência, como é o caso dos roedores Euryoryzomys nitidus (JGP consultoria e Participações Ltda, 2009), dos gêneros Calomys, Cerradomys, Euryoryzomys, Holochilus, Nectomys, Carterodon, Guerlinguetys (BONVICINO et al., 2008) e dos marsupiais Metachirus nudicaudatus e Thylamys karimii (ROSSI et al., 2010). Dessa forma, é provável que nas campanhas subsequentes possamos encontrar uma riqueza ainda maior que a estimada pelo Jackniffe (veja abaixo).

Figura 6. Curva de suficiência amostral para pequenos mamíferos terrestres considerando a segunda e terceira campanhas do estudo da UHE de Teles Pires.

Análise de Similaridade Faunística entre os seis módulos estudados

A similaridade registrada considerando os 6 módulos amostrados no estudo da UHE de Teles Pires com base na análise feita por Jaccard, revelou a fauna compartilhada entre todos os módulos, variando no mínimo de 5,8% de espécies (M4 com M6) e máximo de 51,1% (M2 com M6). Número bastante alto que pode refletir a semelhança estrutural da floresta entre os dois

1 319

637 955

1273 1591

1909 2227

2545 2863

3181 3499

3817 4135

4453 4771

5089 5407

5725 6043

6361 6679

6997 7315

7633 0

2 4 6 8 10 12 14 16 18 20

Riqueza Observada Riqueza Estimada

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 22 pontos que, consequentemente, pode abrigar uma mesma composição da fauna. De forma contrária, quando a similaridade é baixa, pode-se deduzir que existe grande diferença estrutural de floresta e/ou porque essas áreas não foram completamente bem amostradas. A Figura 7 ilustra a similaridade encontrada entre todos os módulos estudados e o Quadro 2 demonstra os valores reais em porcentagens.

As espécies Caluromys philander, Gracilinanus agilis, Marmosa murina, Mesomys hispidus ocorreram cada em apenas um módulo. Micoureus demerarae ocorreu em 5 dos 6 módulos estudados e foi a espécie que ocorreu no maior número de áreas. Muitas espécies foram registradas em um único módulo, mas são comuns, habitando áreas de vegetação primária e secundária. Nas próximas campanhas, informações adicionais serão incorporadas à medida que houver incremento no tamanho amostral, e certamente nos fornecerá variação na diversidade registrada e, consequentemente, observada entre os módulos. Esse conjunto de dados será essencial para nos permitir uma melhor compreensão das comunidades de pequenos mamíferos terrestres existentes na área de entorno da UHE de Teles Pires.

Figura 7. Dendograma mostrando o grau de similaridade entre os módulos estudados no estudo da UHE de Teles Pires considerando as campanhas 2 e 3.

Quadro 2. Matriz de Similaridade entre os módulos estudados considerando as campanhas 2 e 3.

M1 M2 M3 M4 M5 M6

M1 * 28,5714 29,4118 0 32,5581 35,7143

M2 * * 38,0952 0 46,6667 51,1628

M3 * * * 0 27,5862 38,0952

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 23

M1 M2 M3 M4 M5 M6

M4 * * * * 0 5,8824

M5 * * * * * 62,7451

M6 * * * * * *

5.1.2. Espécies bioindicadoras de qualidade ambiental

Na terceira campanha, registramos 3 novas espécies em comparação à campanha anterior, Caluromys philander, Gracilinanus agilis e Marmosa murina, reforçando a importância das campanhas subsequentes para entenderemos melhor a composição das populações de roedores e marsupiais nas áreas do estudo da UHE de Teles Pires. Cada campanha realizada nos permite ser mais pontual para poder inferir a(s) espécie(s) bioindicadora(s) de qualidade ambiental. Pequenos mamíferos, em geral, representam importantes bioindicadores, uma vez que as consequências para a estrutura da vegetação acabam por comprometer suas comunidades nestes ambientes (VIEIRA et al., 2003). Pensando em dados numéricos, dentre os mamíferos, os roedores e marsupiais somados aos morcegos, formam os dois maiores grupos em número de espécies (WILSON & REEDER, 2005; PAGLIA et al., 2012), porém esses grupos apresentam um baixo número de espécies ameaçadas, com apenas 17 alados e 9 terrestres (IUCN, 2012). Apesar de pouco preocupantes em relação ao seu grau de ameaça, roedores e marsupiais são de grande importância em estudos de impacto ambiental, pois os mesmos não possuem grande mobilidade, apresentam alta endemicidade, assim como alta substituição das espécies tanto no espaço quanto no tempo (BONVICINO et al., 2002). Essas características, associadas, acabam tornando esses animais bons indicadores ambientais.

O conhecimento da biologia dessas espécies tem colocado em evidência a importância dos mamíferos em uma série de processos nos ecossistemas florestais. Aparentemente, as espécies frugívoras e/ou herbívoras, neste caso podemos considerar também os mamíferos de médio e grande porte como antas, veados, porcos-do-mato, paca e capivaras, desempenham papel muito importante na manutenção da diversidade de árvores, através da dispersão e predação de sementes, ao passo que os carnívoros regulariam as populações de herbívoros e frugívoros.

A baixa densidade ou a extinção local de predadores de topo aparentemente leva ao aumento de densidade de espécies de médio porte de hábitos generalistas, o que pode causar alterações na comunidade de pequenos vertebrados e outros táxons como aves e répteis (PARDINI et al., 2003).

5.1.3. Eficiência das armadilhas

As armadilhas sherman, gancho e pitfall, somaram 53 capturas na terceira campanha de estudo do monitoramento de mamíferos terrestres da UHE Teles Pires. As armadilhas do tipo pitfall, foram responsáveis por 55% das capturas, seguidas das armadilhas tomahawk (gancho), com 23% e sherman com 22%, portanto, as menos eficientes (Figura 8). Algumas espécies foram capturadas em somente um tipo de armadilha, este resultado se mantém, mesmo quando se consideram as duas campanhas (vide Quadro 3). Apesar da grande diferença no sucesso das

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Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 24 pitfalls para as demais na abundância, o valor para a riqueza de espécies foi muito semelhante entre as três (Figura 9). Também várias espécies foram específicas de um determinado tipo de armadilha, demonstrando a importância de uso dos três diferentes tipos para uma amostragem mais eficiente da diversidade da fauna de pequenos mamíferos terrestres, possibilitando-nos chegar mais próximo da riqueza total esperada para o estudo. Embora o sucesso de um tipo de armadilha seja, em geral, maior do que de outro tipo, elas são complementares, por apresentarem especificidade a determinado tipo de espécie.

O pitfall é um método amplamente utilizado para a amostragem de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos (WILLIAMS & BRAUN, 1983) e apresenta a vantagem de capturar animais que raramente são registrados durante a procura visual (CAMPBELL & CHRISTMAN, 1982), além de se mostrar eficiente na captura de pequenos mamíferos terrestres de hábitos semifossoriais, os quais se orientam basicamente por sentidos não visuais (UMETSU et al., 2006). Faria et al.

(2005) mencionaram que o uso de armadilhas pitall é importante por capturar espécies que dificilmente serão registradas nas armadilhas do tipo sherman e gancho. O uso de pitfalls, portanto, favorece o estudo da diversidade e melhora os índices de abundância esperados para cada espécie de pequenos mamíferos não voadores potencialmente amostrados numa região.

Figura 8. Eficiência das armadilhas pitfall, sherman e gancho (tomahawk) para abundancia de espécies da segunda e terceira campanhas do estudo de monitoramento das espécies de pequenos mamíferos

não voadores, UHE de Teles Pires.

tomahawk 23%

sherman 22%

pitfall 55%

(25)

P.23 - Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres

Biota Projetos e consultoria Ambiental Ltda. 25 Figura 9. Eficiência das armadilhas pitfall, sherman e gancho (tomahawk) para a riqueza de espécies da segunda e terceira campanhas do estudo de monitoramento das espécies de pequenos mamíferos não

voadores, UHE de Teles Pires.

5.1.4. Comparação do estudo com outros também realizados na região de Teles Pires

De acordo com Estudo de Impacto Ambiental para o aproveitamento Hidrelétrico Colíder no Rio Teles Pires em Mato Grosso (JGP Consultoria e Participações Ltda, 2009), foram registradas 17 espécies de pequenos mamíferos, 10 de marsupiais (Didelphis marsupialis, Gracilinanus agilis, Marmosa murina, Marmosops bishopi, Marmosops parvidens, Marmosops sp., Micoureus demerarae, Monodelphis brevicaudata e Monodelphis kunsi) e 7 espécies de roedores (Neacomys spinosus; Oecomys bicolor; Oecomys cf. trinitatis; Oecomys roberti; Euryoryzomys nitidus; Hylaeamys megacephalus e Rhipidomys emiliae).

Em comparação com nosso estudo, JGP (2009) registrou duas espécies a mais do que no presente estudo, porém, considerando apenas as duas últimas campanhas. É importante ressaltar que a lista de espécies do EIA de 2009, apresenta táxons não identificados em nível de espécie, como é o caso de Marmosops sp., registrada como uma espécie da lista, mas que pode ser Marmosops bishopi ou M. parvidens (ambas também inseridas na lista). Observação parecida também é feita para o gênero Oecomys, representado na lista por 3 espécies das quais 1 (Oecomys cf. trinitatis) não é conhecida sua ocorrência para a região de estudo (BONVICINO et al., 2008).

Com as novas coletas, certamente haverá um entendimento mais aprimorado sobre a fauna de pequenos mamíferos existente no estudo de implementação da UHE de Teles Pires.

tomahawk 32%

sherman 32%

pitfall 36%

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