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1. Principais Indicadores do CA Silves

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Academic year: 2022

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CA Silves – Relatório e Contas 2017

Índice

1. Principais Indicadores do CA Silves…………...2

2. Relatório da Administração: 2.1. Mensagem da Administração – Introdução ao Relatório de Gestão...3

2.2. Enquadramento Macroeconómico e Mercado Bancário...10

2.3. Grupo Crédito Agrícola – Evolução Recente e Perspetivas...28

2.4. Actividade do CA Silves – Apreciação Global: 2.4.1. Resumo da Actividade por áreas funcionais...37

2.4.2. Estrutura Patrimonial...42

2.4.3. Aplicações do Activo...43

2.4.4. Recursos...47

2.4.5. Empresas do Grupo C.A. e “cross-selling”...47

2.4.6. Capital Subscrito e Movimento de Associados...49

2.4.7. Solvabilidade e Situação Líquida...50

2.4.8. Evolução da Conta de Exploração...51

2.4.9. Resultado Após Impostos...57

2.4.10. Resumo dos principais Rácios...59

3. Proposta da Aplicação dos Resultados Líquidos...60

4. Documentos Financeiros: 4.1. Balanço e Demonstrações Financeiras...61

4.2. Notas Explicativas Anexas às Contas...66

5. Estrutura e práticas de governo societário da CA Silves………..………...118

6. Parecer do Conselho Fiscal...128

7. Certificação Legal de Contas...129

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 2

1. Principais Indicadores do CA Silves

VALOR %

ACTIVO BRUTO 166 987 284 € 191 096 543 € 24 109 259 € 14,4%

ACTIVO LÍQUIDO 158 015 179 € 181 523 418 € 23 508 239 € 14,9%

APLICAÇÕES em INSTITUIÇÕES de CRÉDITO 47 813 509 € 62 216 731 € 14 403 222 € 30,1%

CRÉDITO BRUTO 97 210 673 € 105 726 313 € 8 515 640 € 8,8%

CRÉDITO LÍQUIDO 92 401 901 € 100 661 295 € 8 259 394 € 8,9%

CRÉDITO em RISCO (Instrução nº 24/2012 do BdP) 7 623 065 € 7 834 483 € 211 418 € 2,8%

CRÉDITO VENCIDO 4 845 573 € 4 765 844 € -79 729 € -1,6%

IMPARIDADES ACUMULADAS para CRÉDITO 4 808 772 € 5 065 018 € 256 246 € 5,3%

ACTIVOS NÃO CORRENTES DETIDOS para VENDA (valor líquido) 3 672 285 € 2 612 285 € -1 060 000 € -28,9%

RECURSOS 134 535 347 € 154 851 807 € 20 316 460 € 15,1%

SITUAÇÃO LÍQUIDA 12 162 580 € 13 652 622 € 1 490 041 € 12,3%

VALOR %

RESULTADO LÍQUIDO 213 069 € 757 489 € 544 419 € 255,5%

MARGEM FINANCEIRA 3 077 070 € 2 923 333 € -153 736 € -5,0%

COMISSÕES LÍQUIDAS 1 570 561 € 1 762 432 € 191 871 € 12,2%

PRODUTO BANCÁRIO 4 961 820 € 4 914 444 € -47 376 € -1,0%

GASTOS OPERACIONAIS de ESTRUTURA 3 295 069 € 3 269 245 € -25 824 € -0,8%

IMPARIDADES para CRÉDITO (líquidas) 184 355 € 255 660 € 71 304 € 38,7%

OUTRAS IMPARIDADES e PROVISÕES 1 098 316 € 609 214 € -489 102 € -44,5%

RÁCIOS de ESTRUTURA 2016 2017 RECOMENDAÇÃO CAIXA CENTRAL

MÉDIA das CCAM'S (*) Refª 2017

Rácio de Solvabilidade global 14,3% 14,2% - N/D

Rácio Common Equity Tier I 13,8% 14,2% > 13% N/D

Rácio de Transformação (Crédito/Depósitos) 72,4% 69,6% <= 85% 69,3%

Rácio de crédito em risco (Instrução nº 24/2012 do BdP) 7,8% 7,4% - N/D

Rácio de crédito em incumprimento (Instrução nº 24/2012 do BdP) 4,9% 4,6% - N/D

Rácio de Crédito Vencido 5,0% 4,5% < 5% 5,7%

Rácio de Crédito Vencido Liquido 1,0% 2,0% < 3% 2,3%

Crédito com garantias reais ou financeiras / Crédito Total 88,2% 89,2% > 65% 75,6%

RÁCIOS de RENTABILIDADE 2016 2017 RECOMENDAÇÃO CAIXA CENTRAL

MÉDIA das CCAM'S (*) Refª 2017

Comissões Líquidas / Produto bancário 31,7% 35,9% > 20% 31,7%

Rácio de Eficiência 66,4% 66,5% < 70% 68,1%

Nº colaboradores 40 40 - -

Activo Líquido Ajustado (**) por Empregado bancário 4 654 955 € 5 225 446 € > 4.000.000 € 5 595 677 € Produto Bancário por Empregado bancário 127 226 € 126 011 € > 110.000 € 134 215 € Custo com Orgãos Sociais e Pessoal / Activo Líquido 1,15% 1,05% < 1,10% 1,05%

Gastos gerais Administrativos / Activo Líquido 0,77% 0,68% < 0,80% 0,75%

Rendibilidade do Activo Liquido Médio (ROA) 0,14% 0,44% - 0,63%

Rendibilidade dos Capitais Próprios (ROE) 1,59% 5,55% > 5% 6,35%

(*) - Fonte: Caixa Central - DASonline

(**) - Inclui as aplicações de clientes em Seguros de Capitalização e Fundos de Investimento colocados junto da CA Vida e CA Gest, respectivamente

EVOLUÇÃO dos PRINCIPAIS INDICADORES

RESULTADOS / CONTA de EXPLORAÇÃO BALANÇO

2016

2016 2017

2017 VARIAÇÃO

VARIAÇÃO

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 3

2. Relatório da Administração

2.1. Mensagem da Administração - Introdução ao Relatório de Gestão Para dar cumprimento à Lei e aos Estatutos da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Silves C.R.L.

(CA Silves) vem o Conselho de Administração apresentar à Assembleia Geral, o Relatório, Balanço e Contas, bem como a proposta de aplicação de resultados, e ainda a Estrutura e práticas de governo societário da CA Silves, referentes ao ano de 2017.

Poderíamos resumir o exercício de 2017 do CA Silves, nos seguintes aspetos: superamos todos os nossos objectivos não só nas rubricas de Balanço, mas também na Conta de Exploração.

É de registar não só cumprimento material das normas prudenciais, cada vez mais exigentes (de elevado consumo em tempo e dinheiro), como também destacamos o aumento do Crédito e dos Recursos, ou o crescimento das carteiras de seguros. Realçamos ainda a melhoria dos excedentes de liquidez do CA Silves, bem como a manutenção de um elevado rácio de solvabilidade. É com agrado que verificamos igualmente uma evolução em linha com os nossos pares no que respeita à Margem Financeira e ao Produto Bancário. Por outro lado o CA Silves superou o SICAM, no que respeita ao crescimento do Crédito e Recursos, bem como na redução dos Gastos de Estrutura, já que o SICAM volta a verificar um novo aumento de gastos.

O contexto sócio-económico do país ajudou a esta dinâmica, pois foi positivo, em termos globais. Mas em termos particulares da nossa actividade, continua adverso, na medida em que as Euribor continuaram negativas todo o exercício, bem como a nova regulação aumentou a exigência de elevados níveis de imparidades, o que estende a crise bancária para o seu 10º exercício, levando o esforço de todos ao limite.

Do ponto de vista macro-económico 2017 mostrou uma clara melhoria face aos últimos anos,

consubstanciada num crescimento do PIB em torno dos 2,7%, apoiado no crescimento do

investimento, do consumo privado e das exportações. Num contexto de recuperação das

condições no mercado de trabalho e de redução dos níveis de endividamento das famílias, a

evolução do consumo espelha a aquisição de bens não duradouros, de onde se destacam as

viaturas automóveis. Já a aceleração do investimento verificou-se em todas as suas

componentes, mas não podemos deixar de sublinhar que reflete, em larga medida, o aumento

do investimento em construção, após as quedas contínuas observadas entre [2009-2014]. A

redução profunda e prolongada do investimento no período da crise condicionou a evolução

do stock de capital, o que constitui, uma restrição ao dinamismo da atividade económica, até

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 4

porque os atuais níveis de investimento continuam muito abaixo do nível verificado antes da crise de 2008.

Sem a recuperação estrutural do investimento empresarial, reprodutivo, será muito difícil a Portugal e ao Algarve verificarem crescimentos sustentados a médio prazo.

Neste âmbito urge resolver o problema do elevado endividamento privado e público, da nossa economia. Apesar de se verificar uma trajetória descendente, os rácios de endividamento em Portugal continuam elevados e superiores aos níveis médios da área do euro. Assim, mantém- se a necessidade de redução dos rácios de endividamento de empresas e particulares, de modo a que este facto não constitua uma restrição ativa nas decisões de consumo e investimento dos agentes económicos.

Se temos constatado que o endividamento privado está em queda clara há vários anos, já para a dívida pública o cenário é o contrário, em termos nominais. Verificar controlo e redução da dívida do Estado permanecerá como um dos grandes desafios atuais, e que se manterá por muitos anos futuros. Apenas o cumprimento dos compromissos das autoridades nacionais no âmbito das regras orçamentais europeias (tratado orçamental) permitirá assegurar uma diminuição sustentada do atual nível de dívida pública, que constitui uma enorme vulnerabilidade latente da economia portuguesa.

Se a redução da dívida face ao PIB é um importante e positivo facto de 2017, o mesmo não se poderá dizer do crescimento nominal do endividamento público, bem como a consequente reduzida melhoria do rating da Republica. Fatores que afetam muito a actividade da Banca.

O processo de ajustamento da Troika trouxe inúmeras consequências para a Banca. Duas das principais respeitam à redução da concessão de crédito (processo de desalavancagem) e ao crescimento do crédito vencido, no que se refere a Sociedades não financeiras e Famílias.

O CA Silves ao longo dos últimos anos tem apresentado, nestas duas rubricas,

comportamentos muito melhores do que o mercado nacional.

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 5

No que respeita ao Crédito Vencido em 2017, temos a comunicar que a CA Silves apenas conseguiu uma ligeira diminuição de aproximadamente 80.000 € (-1,6%). O que, em conjunto com a subida da carteira de Crédito, se consubstanciou numa diminuição do rácio de crédito vencido bruto para 4,51%. É uma melhoria muito significativa, sendo de realçar, que continuamos a cumprir com a recomendação da Caixa Central (<5%), pelo segundo ano consecutivo, algo que não conseguimos verificar durante 8 exercícios, entre 2008 e 2015. Este cumprimento do rácio de crédito vencido, é portanto um excelente indicador mantido em 2017, cuja tendência que conseguimos inverter em 2016.

Já o rácio de Crédito Vencido Líquido (muito mais relevante para análise) ficou confortavelmente em 2%, claramente abaixo do objetivo e recomendação de 3%.

Não obstante esta boa evolução, continuamos a constatar que se mantêm condições muito adversas à melhoria significativa do crédito vencido. Não podemos deixar de referir que a

“reforma do mapa judiciário”, implementada pelo ministério da Justiça no Verão de 2014, continua a prejudicar fortemente o bom andamento desta rubrica no CA Silves. Os problemas operacionais associados a esta reforma continuam a adiar o avanço material das decisões nos processos judiciais, pelo menos no que respeita ao CA Silves. Por esta via, a capacidade em recuperar provisões e imparidades de crédito continuou fortemente condicionada, em 2017.

Em 2017 o CA Silves voltou a verificar uma significativa subida da carteira de crédito bruto.

Um dado em claro contraciclo com a concorrência, tanto mais positivo, se comparando com o facto do Crédito nacional a Particulares e Empresas ter continuado a diminuir, cerca de 2,2%.

Já no CA Silves, o aumento muito significativo do Crédito ascendeu a +8,8%, num valor aproximado de 8.500.000 €, superando claramente o objetivo orçamentado de crescer 2%. É igualmente uma prestação em linha com a boa

evolução que as CCAM’s congéneres obtiveram, cujo crédito bruto subiu 9%. Também nos comparamos muito bem com a evolução do mercado algarvio que cresceu apenas 1,8%, conforma informação da Caixa Central, analisada no ponto 2.2.C..

Esta evolução muito positiva na carteira de crédito não será alheia ao forte ativismo que o CA

Silves tem manifestado na procura de crédito novo e que traduz o forte empenho que

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colocamos no apoio ao financiamento da economia local. E que se consubstanciou num significativo aumento da concessão de crédito novo, que ascendeu a 32.000.000 €, em 2017.

Vivendo uma contínua contração do crédito na Zona Euro, a política ultra-expansionista do BCE foi intensificada novamente em Março de 2016, através de medidas menos convencionais, devido à reduzida inflação e à persistência de alguma (menor) fragmentação financeira na zona euro, que tem imposto fortes restrições à eficaz transmissão dos mecanismos da política monetária. As medidas menos ortodoxas colocadas no terreno pelo BCE, vão desde as Targeted Long Term Refinancing Operations (TLTRO), operações de refinanciamento com termo em Março de 2021 (a que o SICAM e o CA Silves têm recorrido), bem como a redução da sua taxa diretora para 0%, ou ainda a cobrança de 0,4% de juros aos bancos, pelos depósitos mantidos junto do Banco Central. Adicionalmente, há a decorrer um programa aquisição de Asset-backed securities e de Covered bonds , ou seja, dívida titularizada. Daqui tem resultado uma forte redução das taxas euribor , em todos os prazos, de onde destacamos a de 6 meses que continuou a cair em 2017 para mínimos históricos, negativos, de -0,28%.

Neste contexto imposto pelo BCE, e não obstante o aludido crescimento da carteira de crédito, registamos uma significativa redução de 190.000 € nos proveitos com juros, resultado direto não só da nova quebra das taxas Euribor , para valores negativos, como também da maior concorrência pelo crédito novo, com a qual tivemos de voltar a lidar, desde meados de 2014.

A carteira de Recursos detida pelos nossos clientes também verifica um óptimo crescimento de mais de 20.000.000 €. Uma prova clara da confiança que o mercado mantém no CA Silves.

Conseguimos superar largamente o objetivo de defesa da carteira de Recursos, apesar da continuada competição. Esta, não tendo desaparecido, está a um nível muito mais estável, não obstante permanecer em valores muito acima das Euribor . Estes factos são de realçar, não só pelo cumprimento do valor orçamentado para os custos com os juros, como também pela elevada carteira que os nossos clientes mantém no Grupo CA, em aplicações no CA Vida e CA Gest.

Desta evolução de Crédito vs Recursos resultou uma redução do rácio de transformação de 72,4% para 69,6%. Uma diminuição inesperada, consequência direta do excelente crescimento da carteira de Recursos.

O CA Silves continua a apresentar uma posição largamente excedentária de liquidez,

consubstanciada nos mais de 62.000.000 € em depósitos a prazo colocados na Caixa Central,

com que se fechou o ano de 2017. Esta é uma significativa subida homóloga de 30,1%, de

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 7

aproximadamente de 14.400.000 €. Entendemos que este excedente tem sido umas das principais forças estruturais, para a superação da crise financeira da última década. Um excedente que importa preservar apesar da enorme redução de proveitos, que o corte das taxas de juro pagos pela Caixa Central tem representado para a nossa CCAM, conforme veremos no ponto 2.4.8..

Fica clara a grande pressão sobre os ganhos, a que o CA Silves foi sujeito. Tendo sido possível mitigar a redução da margem financeira, apenas por via da forte redução dos custos dos juros pagos a clientes, em linha com o orçamentado, dada a evolução negativa que verificaram os juros recebidos do Crédito e da Caixa Central, apesar dos aumentos significativos das respetivas carteiras destas rúbricas.

Conjugando estes efeitos na conta de exploração, registamos uma redução da Margem Financeira de aproximadamente 150.000 € (-5,0%).

Já o Produto Bancário superou largamente o objetivo orçamentado de 4.637.000 €, em cerca de 300.000 €, já que terminou 2017 aproximadamente nos 4.915.000 €. Ainda que tenha verificado uma ligeira redução de 50.000 € (-1,0%) face a 2016, vemos esta evolução de forma muito positiva se atendermos ao facto de, em 2017, não se ter auferido o elevado nível de Outros Resultados de Exploração extraordinários, não recorrentes, de que havíamos beneficiado em 2015 e 2016. O que significa que a actividade recorrente de 2017 conseguiu mais receitas recorrentes, conforme será pormenorizado no ponto 2.4.8.

Passando à análise dos gastos de estrutura há a destacar que o CA Silves cumpriu com o Orçamento, mantendo controlados os gastos operacionais, na medida em que tiveram

uma nova redução de 25.000 € (-0,8%). Tal como previsto no Plano de Atividades para 2017, a Administração do CA Silves procurou agir sobre as variáveis que controla diretamente, sempre no sentido de minorar os impactos impostos por condicionantes exógenas à CA Silves, acompanhando mudanças, de modo a precaver o futuro.

Desde 2009, que são reduzidos sucessivamente os custos operacionais, apesar dos elevados

gastos incorridos, todos os anos, por imposições legais (seja o Acordo Coletivo de Trabalho,

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 8

Caixa Central, seja do Regulador ou do Estado). Quando comparamos 2017 com o “pico” dos gastos atingido em 2009, verifica-se uma significativa redução de gastos operacionais de 9,5%. As poupanças conseguidas ascendem a 345.000 €/ano, com base nos valores alcançados em 2017.

As poupanças “acumuladas”

desde 2009 elevam-se a mais de 1.500.000€.

O CA Silves terá de continuar fortemente empenhado, neste domínio, dado que é das poucas variáveis que controla minimamente. Pelo que, é das que pode usar para fazer face às elevadas quedas do Produto Bancário já incorridas em exercícios anteriores a 2015. Algo que poderemos voltar a incorrer, com elevada probabilidade, se não for mantida a subida regular da carteira de Crédito e/ou o BCE resfriar a sua política monetária ultra-expansionista.

O CA Silves não esquece o seu papel social, como agente de apoio ao desenvolvimento local, bem como a manutenção de uma política de proximidade a clientes e associados. Assim sendo, não se deixou de apoiar sempre que possível, a comunidade local dos dois concelhos em que desenvolve a sua actividade, dando inúmeros apoios em géneros, patrocínios e donativos aproximadamente a 15 entidades locais, num montante que ascendeu a cerca de 27.000 €.

Esta é uma política de responsabilidade social com impacto financeiro muito significativo nos resultados, que o CA Silves nunca deixou de fazer ao longo dos últimos anos, apesar da crise que o sector bancário atravessa desde 2008.

Conforme fica patente no quadro anexo.

Como fator muito positivo de 2017, é de sublinhar a melhoria da Situação Líquida para um novo máximo histórico de mais de 13.500.000 €. Um dos aspetos mais positivos da estratégia de prudência que temos seguido reside no facto de mantermos um dos melhores rácios de solvabilidade da Banca nacional, superior a 14%.

No âmbito da solvabilidade, nunca é demais relembrar que nem o CA Silves nem o Crédito

Agrícola tiveram de recorrer ao Estado para reforçar o seu capital próprio, ao contrário de

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 9

alguns dos maiores bancos em Portugal. Essa fragilidade estrutural que a banca comercial verifica, é algo que não sofremos. O que nos tem permitido continuar a apoiar todos os nossos clientes e sócios, que desta forma nunca tiveram os seus pedidos de crédito cortados por razões meramente administrativas/regulamentares.

Estes são factos muito positivos, para todos sócios e clientes que confiam no CA Silves.

Face ao exposto estamos muito agradados com a evolução do Resultado Líquido, que ascendeu a cerca de 750.000 €. Na medida em que não só supera o valor orçamentado no Plano de Actividade para 2017, mas também eleva tal rubrica para um nível alinhado com o expectável da dimensão do Balanço do CA Silves (ROE> 5%). Um objetivo que perseguíamos desde 2009. Não poderemos deixar de continuar a implementar todas medidas operacionais necessárias para manter este nível de Resultados, evitando a tendência de baixos resultados verificados após 2008 (indissociável do contexto bancário que vivemos nos últimos 9 exercícios), e que poderão voltar num futuro próximo. Um futuro para o qual procuraremos estar devidamente preparados.

Manifestamos o nosso reconhecimento a todos os colaboradores, pelo empenho, dedicação e sentido de profissionalismo que demonstraram na execução das funções atribuídas, e do esforço desenvolvido para a concretização das metas traçadas. Agradecemos igualmente aos membros da Mesa da Assembleia-Geral, Revisor Oficial de Contas, e aos elementos do Conselho Fiscal, pela colaboração e acompanhamento prestados.

Dando cumprimento à Lei e aos Estatutos da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Silves C.R.L.

vem a Administração apresentar e solicitar a aprovação pela Assembleia-Geral, do Relatório e Contas elaborado, a respectiva aplicação de resultados e anexos, referentes ao ano de 2017, constantes no presente documento.

O Conselho de Administração José Manuel Guerreiro Estiveira Gonçalves

Diogo Manuel Calvário Cabrita Manuel António da Conceição Nunes

O Adjunto do Conselho de Administração

João Pedro Rodrigues Gonçalves

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 10

2.2. Enquadramento Macroeconómico e Mercado Bancário Enquadramento Macroeconómico

A. Economia Mundial

A economia internacional registou um desempenho robusto em 2017, beneficiando da atenuação de alguns factores de risco de ordem política, de condições financeiras acomodatícias nos principais blocos desenvolvidos e da retoma do comércio internacional.

Destacaram-se pela positiva as economias europeias – desenvolvidas e emergentes – e também os países asiáticos, regiões onde o crescimento esperado para 2017 tem sido revisto genericamente em alta. O ritmo de crescimento dos preços tem vindo a aumentar nos países desenvolvidos, mas aquém do desejado pelas autoridades monetárias. O Banco Mundial elevou as suas estimativas de crescimento do PIB Mundial para 3% em 2017.

Em 2017, a economia da Zona Euro manteve-se robusta, apoiada pela manutenção das condições financeiras acomodatícias, baixo preço dos bens energéticos, recuperação da confiança entre os agentes económicos e redução dos riscos políticos. Ao longo de 2017, a economia ganhou ímpeto à medida que alguns receios que limitavam o crescimento e optimismo se foram dissipando, sendo que a procura interna continuou a ser o principal impulsionador do crescimento, mas a recuperação das exportações, graças à retoma da economia a nível global, permitiu que o contributo da procura externa fosse igualmente positivo. É de salientar, no campo político, a expectativa gorada dos que esperavam que o sentimento populista que conduziu à vitória do “Sim” no Brexit e à eleição de Donald Trump nos EUA os levasse a ganhar as eleições em França e na Holanda, o que acabou por não acontecer.

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 11

Os 19 países que compõem a Zona Euro fecharam o ano de 2017 a crescer ao ritmo mais forte em quase sete anos, ficando o crescimento real do PIB acima dos 2% no conjunto dos países da Área do Euro. O investimento de capital também apresentou um forte crescimento em resposta à manutenção das políticas acomodatícias do Banco Central Europeu.

Com as condições económicas favoráveis na Zona Euro, a taxa de desemprego diminuiu, tendo ficado no final do ano nos 8,7%, valor que não se registava desde Janeiro de 2009. No entanto, a recuperação do emprego não foi acompanhado por um acréscimo nos salários. Assim, a variação anual dos preços ao consumidor manteve-se entre 1% e 2% ao longo do ano, tendo encerrado 2017 em 1,4%, valor que se situa ainda abaixo da meta do BCE.

O BCE decidiu manter as principais taxas directoras inalteradas ao longo de todo o ano, em 0% no caso da taxa principal de refinanciamento, em -0,4% no caso da taxa dos depósitos, e em 0,25% no caso da taxa de cedência de fundos. Relativamente ao plano de compra de activos, em Abril, os montantes das compras mensais foram reduzidas para 60 mil milhões de euros, menos 20 mil milhões do que anteriormente. Em Outubro, em resposta às condições económicas favoráveis, o BCE decidiu cortar o seu programa de compras de obrigações para metade, i.e., 30 mil milhões de euros mensais a partir de Janeiro de 2018, tendo ficado expresso que este nível seria mantido até Setembro de 2018.

A economia americana acabou o ano de 2017 num ritmo forte, sendo estimado um crescimento de 2,3% do PIB, aproveitando a continuação de uma dinâmica positiva registada no segundo e terceiro trimestres do ano, com os números dos mercados de capitais, confiança dos consumidores e de emprego a apresentarem os melhores resultados dos últimos anos – em alguns casos, de sempre.

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 12

A taxa de desemprego ficou nos 4,1% perto do final do ano, sendo este o valor mais baixo em quase 17 anos. Os ganhos no mercado de trabalho foram consistentes e os empregadores estiveram activamente a recrutar para preencher as vagas em todo o país. Esta dinâmica de recuperação do mercado de trabalho suportou o consumo privado. Num ambiente de maior confiança quanto à evolução da procura interna e externa assistiu-se também à recuperação do investimento que, numa primeira fase, se focou no sector energético, estendendo-se depois a outros sectores, nomeadamente à actividade industrial.

Em Dezembro, a inflação nos EUA registou a maior subida em 11 meses, com a inflação subjacente a subir para os 1,8% em termos homólogos, impulsionada pelo sector automóvel, imobiliário e de transportes.

Já a encerrar o ano, a aprovação da reforma fiscal veio dar suporte à permanência de um cenário de crescimento em 2018. Os objectivos do plano são estabelecer um conjunto de cortes permanentes de impostos para empresas e indivíduos e simplificar o regime de deduções e créditos concedidos às famílias e empresas, eliminando ou reduzindo algumas das deduções agora previstas como forma de financiar a redução de impostos.

A Reserva Federal Americana subiu a sua taxa de benchmark 3 vezes ao longo de 2017, estando esta actualmente no intervalo entre 1,25 e 1,50%. Donald Trump nomeou Jerome Powell para o cargo de Governador da Reserva Federal, que sucedeu a Presidente Janet Yellen em Fevereiro de 2018. Apesar desta mudança na liderança do banco central americano, não são esperadas grandes alterações na actual política de normalização das taxas de juro americanas.

B. ECONOMIA NACIONAL

A economia portuguesa, em 2017, cresceu mais do que o conjunto dos países da Zona Euro (2,60% versus 2,40%), algo que já não acontecia desde 1999, beneficiando do fortalecimento da procura interna e do desempenho favorável das exportações associado ao bom momento económico dos principais parceiros comerciais.

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 13

Na procura interna, o consumo privado beneficiou da recuperação do emprego e do rendimento disponível, tendo registado um crescimento médio anual de 2,2%. Já o investimento beneficiou da permanência dos baixos custos de financiamento e do fortalecimento da procura global que contribuiu para a recuperação da capacidade produtiva instalada, a qual se situava em 81,8% no 3º trimestre de 2017, valor acima dos 80,6% da média de longo prazo. Assim, o investimento registou um crescimento médio anual de 10,3%

nos três primeiros trimestres do ano, depois de, durante o mesmo período de 2016, ter estagnado, tirando partido do investimento realizado pelo sector privado. O contributo da procura externa foi positivo, com as exportações nacionais a ficarem acima das importações.

As exportações nacionais atingiram os 42% do Produto Interno Bruto em 2017 (que compara com 39,9% do PIB em 2016), um sinal da resiliência da economia nacional face a uma evolução na política monetária europeia.

Os principais indicadores económicos divulgados, no que se refere ao último trimestre do ano, sugerem um crescimento sólido e superior à Zona Euro que contribui para a redução do gap de riqueza por habitante entre Portugal e a região da moeda única.

A taxa de desemprego nacional registou um das descidas mais acentuadas entre os países da Europa, situando-se no final de 2017 perto dos 9,1% (11,0% em 2016).

O ritmo de crescimento dos preços ao consumidor registou, ao longo do ano, um movimento de gradual aceleração. Esta dinâmica foi particularmente alimentada pela subida dos preços dos bens energéticos, cujo contributo para a taxa de inflação média anual foi ganhando importância ao longo do ano. O assinalável dinamismo registado no turismo teve impacto nos preços praticados no sector hoteleiro e, consequentemente, contribuiu para a aceleração da inflação durante o ano. Contudo, em Dezembro, a taxa estabilizou em 1,5% (1,2% de

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

(14)

CA Silves – Relatório e Contas 2017 14

excluirmos energia e alimentação), tendo-se verificado maior agravamento de preços nos transportes, restaurantes e hotéis (mais de 3% face ao mesmo período do ano anterior).

Indicadores macroeconómicos (2015-2017)

2015 2016 2017

Procura Externa tav 3,8 2,0

EUR/USD Taxa de Câmbio 1,09 1,05 1,20

Preço do Petróleo (Brent, USD por barril) 51,2 58,5 66,4

Produto Interno Bruto tav 1,6 1,5 2,6

Consumo Privado tav 2,6 2,1 2,2

Consumo Público tav 0,8 0,6 0,1

Formação Bruta de Capital Fixo tav 4,5 1,6 8,3

Exportações tav 6,1 4,1 7,7

Importações tav 8,2 4,1 7,5

Índice Harmonizado de Preços no Consumidor tav 0,5 0,6 1,6

Taxa de Poupança (%) vma 7,0 5,0 4,4

Taxa de Emprego % 57,5 59,1 61,0

Taxa de Desemprego % 12,4 11,0 9,1

Remunerações por Trabalhador (sector privado) tav 0,4 2,1 2,0

Balança Corrente e de Capital (%PIB) tav 1,7 1,7 1,5

Balança de Bens e Serviços (%PIB) tav 1,8 2,2 1,8

Taxa de referência do BCE (média) % 0,05 0,00 0,00

Euribor 3 meses (média) % 0,00 -0,27 -0,33

Yield das OT Alemãs 10 anos (média) % 0,63 0,20 0,35

Yield das OT Portuguesas 10 anos (média) % 2,52 3,76 1,94

Fonte: Banco de Portugal (Dezembro 2017), Banco Central Europeu (Dezembro 2017) e Bloomberg (Janeiro 2018) tav: Taxa anual de variação; vma: variação média anual

Fonte: Banco de Portugal, Janeiro 2018

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 15

O défice do conjunto das Administrações Públicas fechou o ano de 2017 em 2.574 milhões de euros, o que se traduziu numa melhoria de 1.607 milhões de euros face a 2016. Apesar da redução do défice em contabilidade pública entre 2016 e 2017, o seu valor em termos brutos ficou 104 milhões de euros acima da meta traçada. Em Outubro, aquando da actualização das estimativas para o ano de 2017 (O. E. 2018), o Governo fixou a meta do défice para 2017 em 1,4%. Posteriormente, o Governo tem vindo a apontar para objectivos mais ambiciosos, com o primeiro-ministro, António Costa, a adiantar que o défice do ano de 2017 terá ficado em torno de 1,2% do PIB.

C. MERCADO BANCÁRIO NACIONAL

O ano de 2017 ficou marcado pela conclusão de vários processos de reforço de capital e de reestruturação em alguns dos principais bancos a operar no mercado nacional, realçando-se mudanças na gestão e nas estruturas de controlo accionista. Em termos sucintos, temos: a operação de aumento de capital no BCP (1,3 mil milhões de euros) com a entrada de um novo accionista ( Fosun ); a conclusão da 2ª fase do plano de recapitalização da CGD, com a injecção de 2,5 mil milhões de euros no capital do banco público; a conclusão da oferta pública de aquisição lançado pelo CaixaBank sobre o capital do BPI (adquirindo uma posição maioritária de 84,52%); a conclusão da alienação de 75% do capital do Novo Banco ao Fundo Lone Star, mantendo-se os restantes 25% como propriedade do Fundo de Resolução; e o processo de integração do Banco Popular Portugal no Santander Totta, resultado do processo de resolução e venda do Banco Popular ao Banco Santander.

Evolução do mercado nacional de depósitos (Dezembro 2012 – Dezembro 2017)

(16)

CA Silves – Relatório e Contas 2017 16

Segundo a informação mais recente disponibilizada pelo Banco de Portugal, o volume de depósitos aumentou 2,8% em 2017 face a Dezembro de 2016. Para essa evolução contribuiu o acentuado crescimento dos depósitos de empresas em 14,9% (+5,9 p.p. que em 2016), sendo que nos particulares ocorreu uma estagnação no volume de depósitos 0,0% (-1,0 p.p.

que em 2016).

Evolução do mercado nacional de crédito (Dezembro 2012 – Dezembro 2017)

Ao invés, o crédito bruto total concedido a clientes registou um decréscimo de 2,8% em Dezembro de 2017 face ao registado no final de 2016, em parte justificado pela alienação de carteiras de crédito não produtivo (NPL) verificada em várias instituições do sector bancário.

A quebra mais significativa verificou-se no crédito a empresas (-5,5%), mas também foi assinalada uma redução no crédito a particulares (-1,0%), ambos face a Dezembro de 2016.

De acordo com a informação divulgada pelo Banco de Portugal, entre Dez.2016 e Dez.2017,

o crédito total reduziu 2,8% com uma quebra percentual mais expressiva (de dois dígitos) no

segmento das empresas nos distritos de Portalegre, Guarda e Castelo Branco. Em Lisboa, o

crédito a empresas caiu 4,5 mil milhões de euros e, em sentido inverso, no distrito do Porto a

concessão de crédito aumentou 0,7 mil milhões de euros, sendo que no país foi registada uma

quebra no crédito a empresas global de 4,2 mil milhões de euros.

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 17

Analisando detalhadamente o crédito a particulares, verifica-se que o decréscimo se deveu essencialmente à diminuição do crédito à habitação (-1,4% em Dezembro de 2017 face a Dezembro de 2016) que representa 81,3% do total do crédito a particulares. Relativamente ao crédito vencido de clientes particulares, este situou-se nos 3,8%, agravado, principalmente, pelo crédito a outros fins que, ainda assim, tem vindo a perder peso no agregado de crédito (-13,0% em Dezembro de 2017 face a Dezembro de 2016).

No caso do crédito a empresas, o decréscimo de 5,5% deveu-se principalmente à redução do crédito a empresas do sector do transporte e armazenagem, construção, e energia. Nos

Valores em milhões de euros

Evolução do crédito total por região - Dez.2017

Particulares Empresas Total Particulares Empresas Total

Aveiro 5.592 2.816 8.408 4,5% 0,0% -0,6% -0,2%

Beja 1.335 409 1.744 0,9% 3,6% -7,3% 0,8%

Braga 6.272 3.430 9.702 5,2% -0,3% -0,7% -0,4%

Bragança 953 237 1.190 0,6% 5,5% -10,2% 2,0%

Castelo Branco 1.451 296 1.747 0,9% 1,0% -26,4% -5,0%

Coimbra 3.856 1.232 5.088 2,7% 0,7% -2,4% -0,1%

Évora 1.725 959 2.684 1,4% 3,0% 7,4% 4,6%

Faro 4.702 1.815 6.517 3,5% 0,9% 4,1% 1,8%

Guarda 916 191 1.107 0,6% 4,2% -29,0% -3,6%

Leiria 4.075 2.394 6.469 3,4% -1,1% -3,3% -1,9%

Lisboa 41.417 38.669 80.086 42,7% -3,0% -10,4% -6,7%

Portalegre 874 198 1.072 0,6% 0,6% -26,4% -5,8%

Porto 17.108 12.917 30.025 16,0% -0,3% 5,7% 2,2%

Santarém 4.017 1.529 5.546 3,0% 0,0% 2,0% 0,5%

Setúbal 9.228 1.741 10.969 5,8% -1,1% -0,6% -1,0%

Viana do Castelo 1.674 524 2.198 1,2% 2,1% 7,4% 3,3%

Vila Real 1.318 301 1.619 0,9% -1,3% -12,2% -3,6%

Viseu 2.582 1.116 3.698 2,0% 2,1% 3,1% 2,4%

Reg. Autónoma Açores 2.721 1.044 3.765 2,0% 4,2% -1,9% 2,4%

Reg. Autónoma Madeira 2.874 1.196 4.070 2,2% -1,9% -9,6% -4,3%

Total 114.689 73.015 187.704 100% -1,0% -5,5% -2,8%

Fonte: Banco de Portugal

Crédito Peso total

%

Var. Homóloga

Evolução do mercado de crédito a particulares por tipologia - Dez.2017

Tipologia Volume de crédito (M€) Var. Homóloga Peso total % Crédito vencido %

Habitação 93.216 -1,4% 81,3% 2,1%

Consumo 13.857 11,1% 12,1% 4,6%

Outros fins 7.616 -13,0% 6,6% 22,4%

Total 114.689 -1,0% 100% 3,8%

Fonte: Banco de Portugal

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 18

sectores da agricultura e pescas, indústrias extractivas, alojamento e restauração e actividades imobiliárias foi possível verificar um aumento do crédito concedido (3,0%, 7,8%, 1,4% e 4,3%, respectivamente).

Relativamente ao crédito vencido a empresas, este situou-se nos 12,7%, sendo que os sectores com maior incumprimento continuam a ser o da construção, das actividades imobiliárias e do comércio, que mantêm elevada representatividade no total do crédito a empresas.

D. ANÁLISE COMPETITIVA DO SECTOR BANCÁRIO

Desempenho comparativo do Crédito Agrícola com referência a Junho 2017

Olhando à última data de referência disponível para a presente analise, 30 de Junho de 2016, há a referir que o Crédito Agrícola, a par com o Santander, neste caso por via da aquisição do Banif, apresentou uma evolução favorável relativamente aos restantes principais concorrentes, tendo registado um crescimento no crédito bruto total de 4,1% em Junho de 2016 face ao período homólogo.

O Crédito Agrícola apresentou uma evolução favorável contrariando a tendência de mercado, tendo registado um crescimento no crédito bruto total de 5,7% em Junho de 2017 face ao período homólogo.

No que se refere aos recursos de clientes no balanço do Crédito Agrícola, estes cresceram 3,4%, consubstanciado a sua posição de banco credível e de refúgio para as poupanças dos

Actividade económica Var. Homóloga Total Crédito Peso % % Crédito Vencido

Agricultura e Pescas 3,0% 2.357 3,2% 4,4%

Indústrias Extractivas 7,8% 278 0,4% 10,8%

Indústrias Transformadoras -1,0% 12.385 17,0% 7,8%

Energia -18,8% 2.897 4,0% 0,0%

Água e Saneamento -19,2% 1.112 1,5% 2,1%

Construção -7,1% 10.030 13,7% 32,4%

Comércio -2,4% 11.753 16,1% 10,1%

Transporte e Armazenagem -14,0% 5.980 8,2% 4,1%

Alojamento e Restauração 1,4% 4.630 6,3% 9,2%

Actividades Imobiliárias 4,3% 9.573 13,1% 20,6%

Saúde e Apoio Social 2,2% 1.309 1,8% 4,8%

Outros -13,7% 10.711 14,7% 9,2%

Total -5,5% 73.015 100,0% 12,7%

Fonte: Banco de Portugal

Valores em milhões de euros

Evolução do mercado de crédito a empresas por CAE - Dez.2017

(19)

CA Silves – Relatório e Contas 2017 19

portugueses. O BPI, o BCP e o Santander apresentaram igualmente variações positivas nesta rubrica, sendo de destacar pela negativa o Montepio que, devido aos problemas económico- financeiros anunciados publicamente, viu o nível de depósitos reduzir em 5,5%, a CGD e o Novo Banco.

O Crédito Agrícola foi o único banco que registou um aumento do crédito em ambos os segmentos, particulares (+2,6%) e empresas (+8,1%), demonstrando a cada vez maior confiança que os agentes económicos depositam no banco. Este comportamento permitiu atingir uma quota de mercado 4,8% em Junho de 2017, que compara com os 4,3% verificados em Junho de 2016.

Fonte: Informação disponibilizada nos sites dos diversos Bancos. Nos casos do Montepio, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco, os valores são consolidados e nos casos do BPI, BCP e Santander referem-se à actividade em Portugal.

O BPI, por sua vez, registou o maior aumento no crédito a empresas, apesar da evolução negativa no crédito a particulares. As quebras de 10,0% no Novo Banco e de 18,6% na CGD ao nível do crédito a empresas reflectem os processos de limpeza dos balanços (venda de activos não produtivos e write offs ) e de desalavancagem financeira, associada a uma maior restrição na concessão de crédito.

Fonte: Informação

disponibilizada nos sites dos diversos Bancos. Nos casos do Montepio, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco, os valores são consolidados e nos casos do BPI, BCP e Santander referem-se à actividade em Portugal.

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 20

Evolução do crédito nacional vs. SICAM por distrito a Junho 2017 (mil milhões €)

Analisando o crédito concedido por geografia, verifica-se que, no primeiro semestre de 2017, o mercado nacional sofreu uma contracção de 1,5% face a Dezembro de 2016, contribuindo o distrito de Lisboa com uma quebra de 3,1% (de notar que o distrito de Lisboa representa 44% do crédito nacional). Em sentido oposto, embora de menor proporção, Beja registou um aumento de 2,4% em Junho de 2017, face a Dezembro de 2016.

Fonte: PIN Mercado

O Crédito Agrícola apresentou um desempenho acima do mercado, registando evoluções positivas do crédito concedido em todos os distritos de Portugal Continental e nas Regiões Autónomas. Assim, os distritos com maior crescimento verificado no 1º semestre de 2017 foram os de Braga, Aveiro e Faro, com taxas de crescimento na ordem dos 6,0%.

Evolução do crédito vencido a Junho de 2017

Com referência aos dados de Junho de 2017, o rácio de crédito vencido a empresas tem vindo a seguir uma trajectória descendente no mercado desde Novembro de 2016 (com excepção do mês de Fevereiro de 2017), efeito também verificado no comportamento da carteira do Crédito Agrícola (6,8% em Junho 2017 versus 8,4% em Novembro de 2016).

Conjuntamente, o crédito vencido a particulares no mercado sofreu uma redução face ao período homólogo, situando-se nos 2,5% em Junho de 2017 face aos 4,3% em Junho de 2016.

No Crédito Agrícola o rácio de crédito vencido de particulares acompanhou essa tendência de

quebra (5,0% em Junho 2017 versus 6,0% em Junho 2016).

(21)

CA Silves – Relatório e Contas 2017 21

Apesar da quebra verificada no país, a região de Lisboa viu o crédito vencido de empresas aumentar de 17,4% em Dezembro de 2016 para 18,1% em Junho de 2017, embora seja na região do Algarve que se verifica o rácio de crédito vencido mais elevado (25,0%). Nos últimos 5 anos, o rácio total de crédito vencido de empresas aumentou 5,2 p.p., passando de 9,6%

(Junho de 2012) para 14,8% (Junho de 2017).

O arquipélago dos Açores constitui a região onde o aumento do crédito vencido a empresas tem sido menos acentuado e com menor expressão, cifrando-se em 7,2% em Junho de 2017.

As taxas de juro do crédito na generalidade têm vindo a reduzir como consequência da persistência das Euribor negativas, da quebra nos custos de funding (ex. programa do BCE, depósitos de clientes) e do efeito concorrencial entre bancos.

CV Total CA (Jun-17) 6,0%

Fonte: Banco de Portugal, Portal de informação de negócio CV Total Banca (Jun-17) 7,3%

Rácio de Crédito Vencido - Empresas vs Particulares

4,33% 4,30% 4,29% 4,25% 4,12% 4,13% 3,87% 3,63% 3,62% 3,84%

2,49% 2,51% 2,51%

16,22% 16,32% 16,48% 16,27% 16,49% 16,42%

15,70% 15,31% 15,35% 15,02% 14,79% 14,84% 14,84%

5,98% 5,94% 5,91% 5,84% 5,83% 5,72%

5,18% 5,17% 5,20% 5,10% 5,10% 5,05% 5,04%

8,92% 8,84% 8,77% 8,64% 8,65% 8,40%

6,93% 7,14% 7,14% 7,04% 6,96% 6,85% 6,77%

jun-16 jul-16 ago-16 set-16 out-16 nov-16 dez-16 jan-17 feb-17 mar-17 abr-17 mai-17 jun-17

Banca-Particulares Banca-Empresas CA-Particulares CA-Empresas

2017

Jun Dez Jun Dez Jun Dez Jun Dez Jun Dez Jun

Norte 8,9 9,8 11,2 11,5 12,7 12,9 13,4 13,5 13,4 12,6 11,6

Centro 8,9 9,4 11,5 11,8 12,2 12,3 12,6 12,4 13,0 12,3 12,4

Lisboa 9,1 10,6 12,8 14,4 15,4 16,5 17,9 16,8 18,0 17,4 18,1

Alentejo 8,6 8,7 10,6 11,3 11,9 13,2 16,3 15,5 16,1 14,5 10,5

Algarve 18,9 18,6 24,5 25,3 25,4 25,6 27,4 29,9 29,2 25,2 25,0

Açores 8,2 8,3 9,0 8,4 8,7 8,2 8,7 7,4 8,4 7,8 7,2

Madeira 11,6 13,7 14,3 15,8 19,5 21,7 20,6 19,4 19,9 18,9 18,0

Total 9,6 10,5 12,6 13,5 14,4 15,1 16,0 15,5 16,1 15,2 14,8

Fonte: Banco de Portugal, Boletim Estatístico (dados a Agosto 2017)

Regiões 2012 2013 2014 2015 2016

RÁCIO DE CRÉDITO VENCIDO DE EMPRESAS (%) POR REGIÃO

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 22

Analisando os principais indicadores dos 7 maiores bancos em Portugal é possível aferir que:

Apesar da quebra verificada no custo do funding , apenas o Crédito Agrícola, a CGD, o BCP e o Montepio registaram variações positivas da margem financeira. A acentuada redução verificada no Novo Banco (-19,6%) deve-se, em larga medida, à quebra da taxa de juro média do crédito a clientes.

A CGD, o Santander e o BCP, registaram, em Junho de 2017, níveis de cost-to–income iguais ou inferiores a 50%, tendo o Crédito Agrícola atingido os 67%, o que representa o valor mais elevado do sector;

No que respeita aos resultados do exercício, o Novo Banco assume o destaque pela negativa, com um prejuízo de 290 milhões de euros, muito por conta do ainda em curso provisionamento da carteira de crédito. No sentido oposto, o Santander apresentou um lucro do exercício de 233 milhões de euros e o BPI que, não fossem os gastos incorridos com o programa de rescisões e a venda da participação do BPA, teria atingido um lucro de 188 milhões de euros.

No que concerne à qualidade do crédito, o rácio de crédito em risco oscila entre os 3,8% do BPI e os 15,1% do Montepio, sendo, neste caso, ainda de destacar a reduzida cobertura de crédito vencido.

O Crédito Agrícola destaca-se por apresentar o menor rácio de transformação do sistema bancário nacional (69,1%), o que comporta uma forte pressão sobre a margem financeira. Todos os restantes bancos do sector apresentaram a Junho de 2017 um rácio de transformação superior a 85% e inferior aos 120% recomendados pelo regulador.

Indicadores Jun.2017 SICAM CGD Novo Banco Santander BPI BCP Montepio

Total de crédito bruto 9.083 65.366 32.229 33.082 23.494 51.684 14.890

Variação homóloga Margem Financeira 8,4% 18,2% -19,6% -8,6% -1,4% 9,0% 21,8%

Variação homóloga Produto Bancário -2,1% 57,0% -2,2% -9,5% -21,0% -1,1% 49,2%

Cost-to-income 66,6% 50,0% 60,7% 49,3% 65,0% 45,2% 55,2%

Resultado líquido Portugal 43,6 -169,5 n.d. 233,0 n.d. 1,9 13,0

Resultado líquido Total 43,6 -50,0 -290,3 233,0 -101,7 89,9 13,0

Rácio de crédito em Risco 9,1% 9,8% 11,3% 7,7% 3,8% 10,1% 15,1%

Rácio de crédito vencido >90 dias 5,9% 7,2% 17,7% n.d n.d 6,4% 9,2%

Rácio de cobertura >90 dias 122,5% 103,9% 93,0% n.d n.d. 110,1% 86,9%

Rácio de transformação 69,1% 87,0% 106,0% 99,6% 106,0% 95,0% 117,9%

CET 1 13,1% 12,7% 10,8% 15,7% 11,9% 13,0% 12,6%

Nº de agências em Portugal 670 657 449 600 528 596 325

Fonte: Informação disponibilizada nos sites dos diversos Bancos. No caso do Montepio, BPI, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco, os valores são consolidados.

Nota: No caso do Santander refere-se a NPL por ausência de informação relativamente ao rácio de crédito em risco

Outros indicadores dos 7 principais bancos em Portugal [Jun. 2017]

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 23

Os sete maiores bancos do sistema bancário nacional apresentaram em Junho de 2017 um rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) acima de 10%.

Em Junho de 2017, o Crédito Agrícola com 670 agências, é o banco a operar em Portugal com o maior número de agências, após as significativas reduções efectuadas pelo Santander e CGD (134 e 76 agências encerradas, respectivamente entre Junho de 2016 e Junho de 2017). A diminuição da rede de agências tem sido tendência transversal a todo o sector bancário, em resposta à pressão imposta pela dificuldade de defesa da rentabilidade nas operações comerciais e pelas crescentes exigências regulamentares, sobretudo ao nível dos rácios de capital exigíveis.

O nível de créditos problemáticos ( non-performing loans ) dos bancos portugueses é muito elevado e constitui atualmente o maior desafio que o sector enfrenta, pois afecta os níveis de consumo de capital e a rendibilidade dos bancos, sendo igualmente apontado pelas agências de rating como o principal entrave à saída do nível de lixo da República.

MERCADOS FINANCEIROS Mercados accionistas

O mercado de acções americano fixou sucessivos máximos históricos ao longo de 2017, com o Dow Jones a bater pela primeira vez os 20.000 pontos em Janeiro, 21.000 em Março, 22.000 em Agosto e finalmente 24.000 no último dia de Novembro, tendo terminado o ano nos 24.719,22 pontos. Já o S&P 500 arrecadou uns impressionantes 62 novos recordes em 2017, encerrando o ano nos 2.673 pontos. Os níveis de confiança das empresas e dos consumidores mantiveram-se em níveis elevados ao longo do ano. Os líderes deste crescimento foram sem dúvida os grandes nomes do sector tecnológico como a Amazon, Facebook, Apple, Microsoft e Alphabet.

Com desenvolvimentos políticos favoráveis e dados económicos fortes, o mercado de capitais na Europa também se valorizou.

Os investidores ficaram aliviados em Maio quando Emmanuel Macron ganhou as

eleições francesas, no entanto,

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

(24)

CA Silves – Relatório e Contas 2017 24

mais tarde, as preocupações voltaram com a incerteza política na Alemanha e em Espanha. O Stoxx 600 encerrou o ano a avançar 7,68%. Na Alemanha, apesar da incerteza política na segunda metade do ano, o DAX ganhou 12,51%. Nos periféricos, o PSI 20 encerrou o ano a subir 15,15% e a Borsa Italiana 13,61%. O IBEX 35 teve uma performance inferior, penalizado pela crise da Catalunha tendo, ainda assim, registado uma valorização de 7,4%.

Mercados monetários - Taxas de câmbio e taxas de juro de referência

No que diz respeito às principais moedas, o ano de 2017 foi um ano de valorização do euro relativamente às moedas rivais. Ao longo do ano, o euro registou uma apreciação acumulada de 14,15% face ao dólar, 9,16% face ao franco suíço, 10% face ao iene japonês e 4% face à libra esterlina. No início do ano com o EUR/USD nos 1,052 dólares, referia-se como provável a paridade entre as duas moedas. No entanto, o par fechou o ano a 1,20 dólares, valor que não era verificado desde 2015. Efectivamente, as expectativas quanto à solidez do crescimento da Zona Euro e quanto à remoção das medidas monetárias não convencionais levaram à maior procura do euro contra as restantes moedas.

Segundo o Bank of International Settlements , o dólar continua a ser a moeda dominante em mais de 80% das transacções cambiais. Com as expectativas de maior suporte ao crescimento por parte das políticas da nova Administração a desvanecerem-se à medida que o tempo ia passando, nomeadamente com o adiamento dos planos de obras públicas e de introdução de um novo pacote fiscal, a moeda norte americana foi perdendo força ao longo do ano. Em termos políticos, foi igualmente significativa a forte oposição do Congresso às medidas prometidas em campanha eleitoral, como o fim imediato do programa conhecido por Obamacare . Quanto à política monetária, a Fed prosseguiu o ciclo de subida das taxas de juro que, embora tenha ampliado o diferencial de juros para o euro, não trouxe uma significativa apreciação da moeda, visto que os movimentos já tinham sido antecipados pelos mercados e tornaram-se num não-evento.

Apesar do iene japonês se ter desvalorizado em relação ao euro, manteve grande firmeza face ao dólar. Na maior parte do ano o par

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

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USD/JPY variou dentro do intervalo largo compreendido entre 107 e 116, sem tendência. O Banco Central Nipónico defendeu sempre uma maior estabilidade da moeda, nunca hesitando em fazer intervenções no mercado de forma a evitar movimentos de apreciação da sua moeda.

A libra acabou por ter um comportamento de maior estabilização no segundo semestre do ano, depois do movimento de depreciação que ocorreu entre Maio e Agosto. Ao longo de 2017, o comportamento da libra foi condicionado pelo Brexit e os avanços e recuos decorrentes de todo o processo. Até à data de Março de 2019, data final para o divórcio definitivo do Reino Unido da EU, será sempre um dos principais factores de mercado.

No mercado monetário, a taxa Euribor a 1 mês apresentou uma tendência de subida encerrando o ano de 2017 a -0,368% e a Euribor a 1 ano desceu, fechando o ano em -0,186%.

Matérias-primas

O mercado do petróleo teve alguns factores relevantes que condicionaram de forma significativa a sua evolução ao longo de 2017. Do lado dos produtores, esteve a preocupação para com um maior equilíbrio entre a oferta e a procura, uma vez que o desfasamento existente estaria a

colocar em risco a evolução dos preços. O petróleo iniciou o ano perto dos $60, com fortes expectativas de retoma e reforço do consumo ao longo do ano de 2017. No entanto, o ciclo de crescimento em curso nos vários blocos não iria trazer acréscimos significativos da procura, havendo até, durante algum tempo, dúvidas em relação ao crescimento da actividade na China. Face à possibilidade de ocorrer um abrandamento mais expressivo do crescimento chinês, surgiram reacções negativas nos mercados de commodities . O petróleo chegou a registar um mínimo de $44 no final de Junho. Na segunda metade do ano houve uma recuperação dos preços do petróleo, com a maior visibilidade nos cortes de produção na OPEP e com a perspectiva de um aumento do consumo no ano seguinte. Assim, a tendência de subida dos preços foi surgindo de forma consistente e sistemática, levando o petróleo a encerrar o ano em torno dos $66.

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 26

O ouro negociou durante a maior parte do ano dentro do intervalo dos $1.200-$1.300 e encerrou o ano a valorizar mais de 13% nos $1.302,8. Embora a Fed tenha continuado com o seu processo de normalização das taxas de juro e dos mercados accionistas terem acelerado, a performance do ouro foi assinalável.

Mercado obrigacionista

O mercado obrigacionista continuou condicionado pela permanência de políticas monetárias acomodatícias e baixos níveis de inflação. Estes factores limitaram o movimento de subida das yields dos principais benchmarks na Zona Euro e EUA que, embora tenham recuperado dos mínimos registados no ano anterior, se mantiveram em níveis historicamente muito baixos.

Já entre os países da periferia da região da moeda única, foram verificados movimentos mais significativos, nomeadamente no caso da dívida pública nacional, que beneficiou do facto de duas agências de notação financeira terem elevado a avaliação do risco, voltando a colocar Portugal na classe de investimento. Nos 10 anos a yield portuguesa desceu dos 3,76% para os 1,94%, com o spread face à dívida alemã no mesmo prazo a cair para os 152 pontos.

Contrariamente, Espanha e Itália viram as suas yields subir face ao seu valor de fecho de 2016, tendo as yields fechado 2017 a 1,56% e 2,29%, respectivamente, no prazo dos 10 anos.

Em Espanha, a instabilidade política decorrente da situação da Catalunha e os receios quanto às consequências económicas prejudicaram as yields espanholas. Em Itália, os receios concentraram-se em torno das próximas eleições nacionais onde o Movimento 5 Estrelas tem aparecido bem posicionado nas sondagens.

A yield do Bund alemão a 10 anos transaccionou num intervalo entre 0,18 e 0,60%, continuando condicionado pelo programa de compra de activos do BCE e também pelo baixo nível de oferta, reflexo da sua saudável situação fiscal.

Fonte: Bloomberg, Janeiro 2018

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CA Silves – Relatório e Contas 2017 27 E. PRINCIPAIS RISCOS E INCERTEZAS PARA 2018

Para 2018, a maior fonte de incerteza está relacionada com o impacto da reversão das políticas monetárias acomodatícias dos Bancos Centrais na economia mundial e nos índices de confiança dos agentes económicos, nomeadamente relacionado com a indecisão em torno do término do programa de compra de activos do Banco Central Europeu e no aumento das taxas de juro da Reserva Federal. Acresce que a instabilidade geopolítica (oriunda do Brexit e da crise na Catalunha, do resultado das próximas eleições em Itália, e dos efeitos que poderão advir da nova política expansionista e da reforma fiscal de Donald Trump) pode constituir um factor determinante em 2018, particularmente tendo em consideração a crescente tensão entre EUA e China. O panorama do comércio mundial poderá sofrer alterações em 2018, permanecendo incertos os movimentos no mercado cambial, após a queda registada no início de 2018 do dólar, a valorização do euro face a uma expectável retoma das economias europeias, e o interesse potencial de alguns players mundiais na classificação do Renminbi como a primeira moeda no comércio de petróleo.

Em 2018, o papel da regulação e supervisão adquire uma relevância elevada no sector financeiro, no panorama europeu, através do Banco Central Europeu e da Autoridade Bancária Europeia, como também no sistema bancário nacional por intermédio do Banco de Portugal.

Esta atuação mais rigorosa é justificada não apenas pela tentativa de garantir maior resiliência das instituições financeiras face a futuras crises, mas também pela necessidade de regular o surgimento de novos players (ex. fintechs ) no mercado bancário europeu.

Os maiores desafios da banca nacional para 2018 estão relacionados com:

1) a melhoria da rentabilidade do negócio bancário, por via:

(i) do aumento da eficiência operacional e controlo de custos, nomeadamente através do esforço de digitalização e robotização das operações;

(ii) da resolução adequada dos stocks de crédito não produtivo;

(iii) da revisão da oferta e dos serviços prestados aos clientes.

2) a pressão sobre o capital e liquidez, por via:

(i) da dificuldade na captação de capital privado (apesar dos resultados

positivos apresentados pela banca nacional e a capacidade de geração de

resultados via capital interno) e da dificuldade de implementar, com

sucesso, os investimentos e parcerias necessárias para operar numa

indústria com ameaças e em permanente mutação (ex. digital, regulação);

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(ii) de compliance , com novas exigências relacionadas com os requisitos de absorção de risco (ex. Basel IV, MREL), de alavancagem e de liquidez (ex.

LCR, NSFR).

3) a adaptação às novas exigências regulatórias e assegurar a sua observância, os demais requisitos requeridos às instituições financeiras visam não só a maior defesa dos direitos do consumidor (ex. GDPR, PSD2, DMIF2), como também assegurar maior prudência e segurança na condução da actividade bancária (ex. IFRS9, PBC/FT);

4) a revisão dos modelos de negócio, ajustando-os às novas exigências dos consumidores (ex. mobile banking, serviço 24/7, procedimento de abertura de conta e concessão de crédito online) e às alterações de contexto (ex. surgimento das fintechs no contexto do open banking).

2.3. Grupo Crédito Agrícola – Evolução Recente e Perspetivas

A. Análise Financeira do Negócio Bancário do Grupo CA (SICAM)

Nota: Os dados económico-financeiros apresentados para o SICAM (Caixa Central e Caixas Associadas), referentes ao exercício de 2017, constituem valores provisórios e não auditados.

Referências

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