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Revista Eletrônica de Biologia

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REB Volume 1 (1): 16-35, 2008.

Revista Eletrônica de Biologia Revista Eletrônica de Biologia Revista Eletrônica de Biologia Revista Eletrônica de Biologia

___________________________________________________________________

Peixes da Serra de Paranapiacaba Abílio Gabriel Martins e Walter Barrella*

Departamento de Ciências do Ambiente. Centro de Ciências Médicas e Biológicas. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Campus Sorocaba.

e-mail: [email protected]

Resumo

A Serra de Paranapiacaba, localizada na Região Sul do Estado de São Paulo (Brasil), abriga um conjunto de unidades de conservação (PE Intervales, PE Carlos Botelho, PE Turístico do Alto Ribeira e a Estação Ecológica Xitué), que juntas compõe o “continuum” ecológico de Paranapiacaba, um corredor de Mata Atlântica, com cerca de 120.000ha. A parte alta da Serra de Paranapiacaba varia entre as cotas altimetricas de 800 a 1.086m, atuando assim como divisor d’águas das bacias do Rio Paranapanema e do Rio Ribeira de Iguape. Devido ao relevo escarpado, a região da serra, abriga poucos rios, havendo uma predominância de filetes d’água, riachos e alagados, onde são encontradas poucas espécies de peixes, em geral pequenos e de distribuição restrita. O objetivo deste projeto foi o de estudar as comunidades de peixes ocorrentes nos diferentes hábitats de cabeceiras, da região divisora d’águas da Serra de Paranapiacaba. Ao todo foram amostrados 47 pontos de coleta sendo 22 na bacia do Alto Paranapanema e 25 na do Ribeira de Iguape. Os peixes capturados por meio de redes malhadeiras, e peneira, fixados em formol 10% e transportados, para o Laboratório de Ecossistemas Aquáticos da PUC SP Campus Sorocaba, onde foram, conservados em álcool 70%. Após a identificação prévia os mesmo foram encaminhados para o Museu de Zoologia da USP, para confirmação das espécies. Ao todo foram amostrados 1307 indivíduos (833 no Ribeira de Iguape e 475 no Alto- Paranapanema), sendo registradas 29 espécies (25 no Ribeira de Iguape e 29 no Paranapanema), pertencentes a 5 ordens, 11 famílias, 32 gêneros e 49 espécies. A ordem com maior número de espécies, foi a dos Siluriformes, seguida pela Ordem Characiformes, sendo ainda encontradas duas espécies exóticas: a tilápia (Oreocrhomis niloticus) e a carpa (Cyprinus carpio). As comunidades ictías demonstraram distintos padrões de distribuição, característicos de cada ambiente, agrupando estes, segundo a composição das espécies em três tipos de ambientes:

riachos de corredeiras, riachos de remanso e os represamentos.

Palavras-chaves: Peixe, Cabeceira, Mata Atlântica, Paranapiacaba, Paranapanema, Ribeira de Iguape.

(2)

Abstract

The Paranapiacaba Mountain range, located in the South Region of the São Paulo State (Brazil), shelters a set of units of conservation (PE Intervales, PE Carlos Botelho, PE Tourist of the High Ribeira and the Ecological Station Xitué), that together it composes "continuum" ecological of Paranapiacaba, a corridor of Atlantic Forest, with about 120.000ha. The high part of the Paranapiacaba Mountain range varies enters 800 to 1.086m, acting as well as the border between Paranapanema River and Ribeira de Iguape River basins. Had to the scarped relief, the region of the mountain range, shelters few rivers, having a flooded predominance of streams, where few species of fish are found, in general small and restricted distribution. The objective of this project was to study the fish communities in different habitats of headboards of the Paranapiacaba Mountain range. To 47 points of collection being 22 in the High Paranapanema basin and 25 in the Ribeira de Iguape basin had been all showed. The fish captured by gillnets and sieves, fixed in formol 10% and carried, to the Aquatic Ecosystem Laboratory of PUC-SP in Sorocaba Campus, where they had been, conserved in alcohol 70%. After the previous identification the fishes had been directed for the Museum of Zoology of the USP, for confirmation of the species.

To 1307 individuals had been all showed (833 in the Ribeira de Iguape and 475 in Alto-Paranapanema), being registered 29 species (25 in the Ribeira de Iguape and 29 in the Paranapanema), pertaining the 5 orders, 11 families, 32 sorts and 49 species. The order with bigger number of species, was of the Siluriformes, followed for the Characiformes Order, being still found two exotic species: the tilápia (Oreocrhomis niloticus) and the carp (carpio Cyprinus). The fish communities had demonstrated distinct standards of distribution, characteristic of each environment, grouping these, according to composition of the species in three types of environments: streams of rapids, streams of backwater and dams.

Keywords Fish, Headstreams, Atlantic Forest, Paranapiacaba, Paranapanema, Ribeira de Iguape.

1) Introdução

A fauna de peixes de água doce do continente sul-americano é considerada como uma das mais rica em espécies do planeta. No Brasil a maior parte das bacias hidrográficas falta informações sobre suas composições ictiofaunísticas, principalmente nos trechos superiores, atualmente no Estado de São Paulo algumas dessas espécies, vem sendo descritas por especialistas (e.g. Langeani, 1990;

Oyakawa, 1993; Garutti & Britski, 2000; Oyakawa, 2000; Casatti, et alli, 2001 e Castro, 2001).

Diante da degradação ambiental, existe uma prioridade na identificação de áreas para a conservação, por este motivo o número de trabalhos referentes a seleção e delimitação geográfica de áreas prioritárias vem crescendo (e. g. SMA, 1997; MMA, 2000; Oyakawa, 2000; Menezes, 2001 e Castro, 2001).

(3)

Aproximadamente 70% das sub-bacias do Alto Paraná, localizadas no Estado de São Paulo não estão devidamente estudadas, entre estas, a sub-bacia do Alto Paranapanema, considerada por Castro (2001) como uma das seis sub-bacias

“pobremente amostrada” dentro do sistema Alto Paraná, o que dificulta a identificação e determinação da real distribuição das espécies de peixes.

As áreas remanescentes de mata, localizadas em regiões mais altas (i.e.

divisores d’água), abrigam ambientes naturais de cabeceiras (e.g. nascentes, alagados e riachos), onde são encontrados peixes de pequeno porte e de distribuição geográfica restrita (Böhlke et alii, 1978; Caramaschi, 1986; Langeani- Neto, 1989; Rosa & Menezes, 1996; Lowe-McConnel, 1999; Oyakawa, 2000; Castro, 2000 e Casatti, et alii, 2001).

Em riachos que cruzam áreas de floresta, a relação mata–rio é complexa e necessária para a manutenção da diversidade dos organismos aquáticos. Nesses ambientes, as matas possuem funções ecológicas: proteção estrutural; estabilidade do sistema (fluxo de água, abrigos e sombra) e fornecimento de alimentos de origem vegetal e animal que caem na água (Barrella et alii, 2000).

Para os peixes a vegetação viva, os troncos caídos e as pedras acumuladas no leito dos rios oferecem proteção contra predadores (aves, mamíferos e outros peixes) e também dificultam a utilização de aparelhos de pesca (Uieda, 1995 e Barrella et alii, 2000). Conseqüentemente, estes locais apresentam uma ictiofauna diversificada e servem não apenas como refúgios, mas também como dispersores de espécies para outros ambientes (Amaral, 1993).

O presente trabalho tem como objetivo realizar uma análise das comunidades de peixes ocorrentes nos diferentes hábitats das cabeceiras do Alto-Paranapanema e Ribeira de Iguape, na Serra de Paranapiacaba SP.

Objetivos específicos:

• Analisar os padrões de distribuição e composição das espécies íctias.

• Verificar relações com as condições ambientais da região.

2) Materiais e Métodos

A Serra de Paranapiacaba é o divisor d’águas de duas importantes bacias hidrográficas: Bacia do Rio Ribeira do Iguape e a Bacia do Alto-Paranapanema.

Localizada na Região Sul do Estado de São Paulo, entre a Baixada do Ribeira e o Planalto Cristalino (i.e. Planalto Atlântico), na Província da Serrania Costeira, se estende do estado do Paraná (ao norte da cidade de Curitiba) até o Alto-Tiête e a Barra do Ribeira, seguindo um traçado na direção ENE, paralelo ao litoral (Almeida, 1964 e Almeida et alii, 1981). A Serra apresenta uma cobertura florestal densa, genericamente definida como Mata Atlântica, a mesma reúne um conjunto de unidades de conservação (Parque Estadual Intervales, Parque Estadual Carlos Botelho, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira e a Estação Ecológica de Xitué), que juntas compõe o “continuum” ecológico de Paranapiacaba (figura 1), um corredor de Mata Atlântica, com cerca de 120.000ha de área (Fundação Florestal, 1997).

(4)

A Bacia do Rio Ribeira do Iguape, por está localizada na Província Costeira recebe influencia direta do mar, a vegetação de cobertura é a Floresta Ombrófila Densa. Enquanto que a Bacia do Alto-Paranapanema tem sua origem na região do Planalto Atlântico, apresentando uma vegetação classificada como Floresta Estacional Semidecidual, com drenagem em direção ao interior do Estado de São Paulo (Fundação Florestal, 1997).

Figura 1: A região tracejada corresponde a localização do trecho estudado na Serra de Paranapiacaba, junto ao divisor d’água e o “Continuum” ecológico de Mata Atlântica. As áreas verdes são as unidades de conservação do Estado de São Paulo (Fonte Sinbiota).

A formação geológica e o clima determinam o tipo de ambiente físico e conseqüentemente os organismos e as formações vegetais que se desenvolveram.

De modo geral, o clima da Bacia do Ribeira de Iguape pode ser classificado como Tropical Úmido, com ligeira variação entre as zonas costeiras e o alto da Serra de Paranapiacaba. No lado voltado para o continente a região do Planalto Atlântico (Bacia do Alto-Paranapanema) o clima predominante é do tipo Temperado, mais frio devido a menor influência oceânica e maior influência continental (Crestana, 1993).

No início do trabalho foram levantadas as principais características ambientais da área, por meio de exame das cartas cartográficas: Ribeirão Itacolomi, Capão Bonito, Iporanga e Guapiara (1:50.000) do IBGE e de mapas geomorfológicos, hidrológicos e vegetacionais, editados pelo Instituto Geológico e o Instituto Florestal.

Em cada local de coleta, foram registradas as seguintes informações ambientais: Data e hora: A distribuição das espécies de peixes pode variar sazonal e/ou circadianamente apresentando algumas espécies, atividade somente um período do dia. Para comparar as diferenças entre as amostras foram registradas

(5)

informações abióticas e abióticas como: dia, ano, hora, bacia hidrográfica, nome do Rio, Caracterização do Corpo d’água, Altitude, Vegetação, Velocidade da água.

No levantamento das espécies de peixes, procurou-se utilizar o maior número de métodos de captura possível para cada hábitat, mantendo sempre o mesmo esforço, para cada aparelho, desta maneira, maximizando a captura de diferentes espécies e diminuindo a seletividade das mesmas (Malabarba & Reis, 1987; Barrella, 1989; Uieda & Castro, 1999 e Oyakawa 2002). Os aparelhos de pesca utilizados para captura dos peixes foram:

Peneira: Composta por uma armação de madeira ou metálica, retangular ou circular, tendo no centro uma tela de arame. As peneiras são usadas para capturar pequenos peixes junto à vegetação das margens, sendo mais eficiente quando o coletor pode entrar dentro d’água. O uso deste apetrecho ficou padronizado, do seguinte modo: duas pessoas durante um período de 20 minutos em um trecho de aproximadamente 20 metros.

Redes de Espera ou Malhadeiras: São redes de nylon, de tamanho e malha variável. Neste trabalho foram utilizadas baterias de redes com malhas de 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11,12cm entre nós opostos, com 10 e 20 metros de comprimento cada. Empregadas na captura de peixes com alta atividade natatória, em locais de pouca correnteza e de preferência à noite (das 17:00 as 07:00hs).

Os peixes coletados em cada ponto foram separados em sacos plásticos, relacionados com a ficha de campo, por meio de informações da coleta e em seguida fixados em formol 10% e transportados para o Laboratório de Ecossistemas Aquáticos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) Campus Sorocaba onde foi realizada a identificação prévia das espécies.

Em seguida, os peixes foram encaminhados para o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, onde foram confirmadas as identificações, tendo alguns exemplares, separados e depositados como testemunho na seção de ictiologia do MZUSP, (o material coletado na saída a campo do mês de agosto de 2001 foi encaminhado, diretamente ao MZUSP). Têm-se inicio a preparação de uma coleção cientifica, a qual permanecerá no Laboratório de Ecossistemas Aquáticos da Pontifícia Universidade Católica como coleção de referência.

Para análise estrutural da ictiofauna nas diferentes bacias, foram utilizadas as seguintes fórmulas matemáticas:

Índice de Diversidade de Shannon (H’):

onde (pi = ni / N) pi é o número de indivíduos da espécie i dividido pelo total de indivíduos (N) da amostra

= pi pi

H ' log

(6)

Os índices de riqueza consideram apenas o número total de espécies presentes na comunidade. Algumas comunidades são constituídas por poucas espécies que são facilmente identificadas e contatadas. Nesses casos os índices de riqueza fornecem uma medida de diversidade extremamente simples e útil para os estudos comparativos (Barrella, 2003).

Os dados foram organizados em gráficos de abundância (em escala logarítmica) das espécies amostradas, em ordem decrescente da mais comum para a mais rara (Whittaker plot), mostrando uma progressão dos padrões de diversidade encontrados na Natureza. As comunidades que possuem o padrão da série geométrica apresentam poucas espécies dominantes e muitas espécies raras.

A baixa diversidade encontrada nessas comunidades normalmente deve-se a presença de fatores estressantes (naturais ou antropogênicos). Já as comunidades cujas espécies distribuem-se nos modelos da série logarítmica ou log-normal, apresentam maiores contribuições de espécies com abundâncias intermediárias (Barrella, 2003).

3) Resultados

Os dados registrados neste projeto foram inseridos e compartilhados em um banco de dados, referentes ao projeto temático do Programa Biota/Fapesp “Peixes e a Pesca na Mata Atlântico na Região Sul do Estado de São Paulo” nº 1999/04529-7 sob coordenação do Prof. Dr. Walter Barrella.

As informações descritas são referentes às saídas a campo realizadas no período de 2000 a 2003, na Serra de Paranapiacaba, sendo selecionados os pontos mais altos da serra, variando as cotas entre 915 a 434m, totalizando 44 pontos de coleta (22 do Alto Paranapanema e 23 do Ribeira de Iguape).

Dentre os diferentes tipos de ambientes aquáticos amostrados, foram registros 31 riachos (tributário até 4 ordem), 6 rios (tributários acima de 4 ordem), 6 represas, 1 alagado e 1 lagoa marginal, distribuídos em 17 municípios do Estado de São Paulo.

Sendo 16 riachos pertencentes ao Alto-Paranapanema e 15 do Ribeira de Iguape, os rios tiveram 2 no Alto-Paranapanema e 4 no Ribeira de Iguape, o número de represas foi igual para as duas bacias, o alagado foi amostrado um somente no Alto-Paranapanema, enquanto que no Ribeira de Iguape apresentou uma lagoa marginal as margens do riacho Bocaina do Lageado, um ambiente raro, devido ao processo assoreamento.

Tabela 1: Pontos de coleta e tipos de hábitats.

Bacia Município Localidade

especifica Nome do

corpo d'água Altit. m Amb. Aquát.

AP Apiaí estr. p/ Rib.

Branco rio Taquari-

Guaçu 915 riacho

AP Apiaí estr. p/ bairro

Araçaíba

rio Apiaí- Guaçu

897 riacho

AP Guapiara PEI / base

Pedra de riacho

Pinheiro 870 riacho

(7)

Fogo Nunes

AP Ribeirão

Grande

bairro Boa Vista

córrego das Pedras

847 riacho

AP Ribeirão

Grande bairro Boa

Vista córrego

Carioca 842 riacho

AP Ribeirão

Grande bairro Boa

Vista córrego do

Jabaquara 837 riacho

AP Ribeirão

Branco

Faz. São Miguel

córrego do Capote

837 riacho

AP Ribeirão

Grande PEI / sede

administrativo riacho Cidreira, represa Antiga

830 represa

AP Ribeirão

Grande PEI / sede

administrativo riacho Cidreira, represa Nova

830 represa

AP Ribeirão

Grande Companhia

Cimento Ribeirão Grande

rio das Almas 785 rio

AP Ribeirão

Grande CCRG / estr.

p/ PEI alagado

Leiteria 784 alagado

AP Ribeirão

Grande CCRG / mina

limeira córrego do

Chapéu 780 riacho

AP Ribeirão

Grande Base Barra Grande do PEI

Barra Grande 770 riacho

AP Guapiara estr. SP 250

bairro Pinheiro

córrego São

Pedro 762 riacho

AP Ribeirão

Grande CCRG /

boituva I córrego

Boituva I 740 riacho

AP Ribeirão

Grande CCRG /

boituva II córrego

Boituva II 728 riacho

AP Pilar do Sul estr. SP 264 ribeirão dos

Rodrigues 725 riacho

AP São Miguel do

Arcanjo estr. p/ Capão

Bonito ribeirão São

Miguel 718 riacho

AP Ribeirão

Grande

CCRG / bairro Barro Branco

riacho Barro Branco

713 represa

AP Piedade estr. SP 250 ribeirão

Grande 712 riacho

AP Guapiara estr. SP 250 ribeirão

Alegre 710 riacho

AP Capão Bonito bairro Faxinal rio

Paranapanem a

660 rio

RI Apiaí estr. p/

Iporanga córrego

Passa Vinte 897 riacho

RI Tapiraí Estr. rep.

Fumaça riacho

Turvinho 894 riacho

RI Iporanga PEI / 1º

represa antes gruta dos Paivas

riacho Bocaina do Lageado

865 represa

RI Iporanga PEI / 2º

represa antes gruta dos Paivas

riacho Bocaina do Lageado

865 represa

(8)

RI Apiaí bairro Palmital / sitio Sr.

Mauro

ribeirão

Palmital 834 riacho

RI Apiaí estr. p/ Apiaí rio Preto 826 riacho

RI Apiaí estr. p/ Apiaí riacho

Palmital

824 riacho

RI Apiaí estr. p/ Apiaí rio Cotas

Altas 823 riacho

RI Barra do

Chapéu centro urbano rio Cotas

Altas 794 riacho

RI Iporanga PEI / gruta

dos Paivas lag. Marg.

Bocaina do Lageado

740 lagoa

RI Tapiraí chácara seu

Antonio riacho Alecrim 740 riacho

RI Ibiúna estr. p/

Juquitiba rio laranjeiras 695 riacho

RI São Lourenço

da Serra estr. BR 116 /

ponte rio São

Lourenço 685 rio

RI Juquitiba estr. Camp

Chicamp rio Juquiá 681 rio

RI Ibiúna estr Ibiúna /

Juquitiba

rio laranjeiras 675 riacho

RI Tapiraí estr.

cachoeira do Alecrim

riacho Alecrim 675 riacho

RI Itapirapuã

Paulista estr.

cachoeira do Alecrim

riacho

Cachoeira 658 riacho

RI Ribeira bairro

Antunes riacho das

Palmeiras 658 riacho

RI Ibiúna estr. p/

Juquitiba

rio laranjeiras 650 represa

RI Barra do

Chapéu bairro Chapéu riacho

Chapéu 660 riacho

RI Iporanga estr. p/ Base

do Carmo, PEI

riacho Água

Comprida 600 riacho

RI Iporanga PEI / base do

Carmo rio do Carmo 495 rio

RI Tapiraí estr. Juquiá /

Tapiraí km 17 rio Coruja 438 rio

Legenda: AP = Alto-Paranapanema, RI = Ribeira de Iguape. Espécies capturadas

Foram coletados 1307 indivíduos (833 do Ribeira de Iguape e 474 do Alto Paranapanema), pertencentes a 5 ordens, 11 famílias, 32 gêneros e 49 espécies, tendo registrado duas espécies exóticas introduzidas, a tilápia (Oreocrhomis niloticus) no Alto-Paranapanema e a carpa (Cyprinus carpio) no Ribeira de Iguape.

Entre as espécies capturadas, o cará (Geophagus brasiliensis) foi a que apresentou maior abundância (19.9%), em segundo foi o cascudo (Isbrueckerichtys alipionis com 16.9%), seguido respectivamente pelas seguintes espécies guarú (Phalloceros caudimaculatus com 14.3%), mocinha 2 (Characidium sp 2 com 7.8%), tambiú (Astyanax sp 2 com 7.7%), cascudo maria-joana (Kronichthys sp com 6.4%), entre outros. Em contra-partida as espécies com menor número de indivíduos capturados, foram, lambari (Bryconamericus stramineus), cará-verde (Ciclasoma facetum),

(9)

piquira (Cheirodon sp), saicanga (Oligosarcus sp), canivete (Apareiodon sp), cascudo (Hypostomus sp 1), cascudo (Hypostomus interruptus) e o bagre-cobra (Trychomycterus sp), todos com um indivíduo (0.1%) capturado.

A ordem com maior número de espécies registradas nas cabeceiras das duas bacias foi a dos Siluriformes e seguida pelos Characiformes, correspondendo as respectivas famílias Loricariidae e Characidae, tanto a presença das espécies quanto a abundância dos indivíduos.

Lista taxonômica das espécies capturadas na Serra de Paranapiacaba:

Ordem CHARACIFORMES Família Erythrinidae

Hoplias malabaricus (Bloch, 1794) Família Characidae

Astyanax sp 1 Astyanax sp 2 Astyanax sp 3 Astyanax sp 4

Astyanax cf. fasciatus (Cuvier, 1817) Astyanax janeiroensis Eigenmann, 1908 Deuterodon iguape Eigenmann, 1908 Cheirodon sp

Bryconamericus stramineus Eigenmann, 1908 Piabina sp

Oligosarcus sp

Oligosarcus hepsetus (Curvier, 1829) Família Parodontidae

Parodon sp Apareiodon sp

Família Crenuchidae

Characidium lanei Travassos, 1967 Characidium sp 2

Characidium sp 3

Ordem SILURIFORMES Família Loricariidae

Neoplecostomus ribeirensis (Langeani, 1990) Neoplecostomus cf. paranaensis (Langeani, 1990) Isbrueckerichtys alipionis (Gosline, 1947)

(10)

Isbrueckerichtys duseni (Miranda Ribeiro, 1907) Kronichthys sp

Harttia kronei (Ribeiro, 1908) Hisonotus sp

Hypostomus sp 1 Hypostomus sp 2 Hypostomus sp 3

Hypostomus interruptus (Miranda Ribeiro, 1918) Hypostomus ancistroides (Von Ihering, 1911) Rineloricaria sp 1

Rineloricaria sp 2

Parotocinclus maculicauda (Steindachner, 1877) Ancistrus brevipinnis (Regan, 1904)

Família Callichthydae

Corydoras barbatus (Quoy & Gaimard, 1824) Família Pimelodidae

Imparfinis sp Pimelodella sp

Phenacorhamdia tenebrosa (Schubart, 1964) Rhamdia quelen (Quoy & Gaimard, 1824)

Família Trichomycteridae Trichomycterus sp

Trichomycterus davisi (Haseman, 1911) Ituglanis proops (Miranda Ribeiro, 1908)

Ordem PERCIFORMES Família Cichlidae

Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) Cichlasoma facetum (Jenyns, 1842)

Oreocrhomis niloticus (Linnaeus, 1758)

Ordem CYPRINODONTIFORMES Família Poeciliidae

Poecilia vivipara Schneider, 1801

Phalloceros caudimaculatus (Hensel, 1868) Ordem CYPRINIFORMES Família Cyprinidae

Cyprinus carpio Linnaeus, 1758

(11)

Peixes do Alto-Paranapanema

No Alto-Paranapanema foram capturadas ao todo 29 espécies (474 indivíduos), pertencentes 4 ordens, 8 famílias e 23 gêneros, onde se destacam entre as mais abundantes, as espécies: mocinha 2 (Characidium sp 2) com 102 indivíduos (21.5%), tambiú 2 (Astyanax sp 2) com Indivíduos 100 (21.1%), guarú (Phalloceros caudimaculatus) com 80 indivíduos (16.9%), cará (Geophagus brasiliensis) com 60 indivíduos (12.7%), traíra (Hoplias malabaricus) com 21 indivíduos (4.4%), mocinha 3 (Characidium sp 3) com 17 indivíduos (3.6%), cascudo (Neoplecostomus cf.

paranaensis) com 13 indivíduos (2.7%), bagre-gato (Imparfinis sp) com 12 indivíduos (2.5%), tambiú 3 (Astyanax sp 3) com 9 indivíduos (1.9%), bagre (Phenacorhamdia tenebrosa) com 9 indivíduos (1.9%), entre outras.

As espécies mais raras no total das capturas realizadas na vertente do Alto- Paranapanema foram: o lambari (Bryconamericus stramineus), cara-verde (Ciclasoma facetum), piquira (Cheirodon sp), saicanga (Oligosarcus sp), canivete (Apareiodon sp) e (Isbrueckerichtys alipionis), todos com apenas um indivíduo capturado.A distribuição das espécies nas amostras demonstrou que algumas espécies são de ocorrência restritas a bacia do Alto-Paranapanema (i.e. que não ocorrerão na bacia do Ribeira de Iguape), entre estas espécies: mocinhas (Characidium sp 2 e sp 3), tambiús (Astyanax sp 2, A. sp 3 e A. cf. fasciatus), lambari (Bryconamericus stramineus), piaba (Piabina sp), piquira (Cheirodon sp), saicanga (Oligosarcus sp), bananinha (Parodon sp), canivete (Apareiodon sp), bagre-gato (Imparfinis sp), bagre (Phenacorhamdia tenebrosa), cascudos (Neoplecostomus cf. Paranaenses, Hisonotus sp, Hypostomus sp 2, Hypostomus sp 3, Hypostomus ancistroides e Rineloricaria sp 2), barrigudinho (Poecilia vivípara), tilápia (Oreocrhomis cf. niloticus) e o cará-verde (Cichlasoma facetum), ao todo 22 espécies.

Algumas espécies como, Oreocrhomis cf. niloticus, Astyanax sp, Hisonotus sp, Cichlasoma facetum, Impartinis sp e Hypostomus ancistroides, apesar de não apresentarem registro nas amostras analisadas, estas espécies são citadas por Amaral & Barrella (2003) também como ocorrentes nas cabeceiras das bacias do Alto–Paranapanema, Tiête-Sorocaba e Ribeira de Iguape.

(12)

0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 5,00

Characidium sp P. H. malabaricus N. paranaensis Astyanax sp 3 H. ancistroides O. niloticus I. duseni Hypostomus sp Rineloricaria sp Pimelodella sp B. stramineus Cheirodon sp Apareiodon sp

LN(n+1)

Figura 2: Curva de importância das espécies capturadas na vertente do Alto- Paranapanema.

Ao contrário do foi observado no total das capturas das duas bacias, as cabeceiras do Alto-Paranapanema apresentaram uma dominância de espécies e indivíduos da Ordem Characiformes, onde se destacaram as famílias Crenuchidae e Characidae, seguido pela Ordem Siluriformes, destacando as famílias Pimellodidae e Loricariidae.

Peixes do Ribeira de Iguape

Da Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape foram capturados 833 indivíduos, pertencentes à 25 espécies, distribuídas em 5 ordens 10 famílias e 20 gêneros, onde se destacam entre as mais abundantes, as espécies: cascudo (Isbrueckerichtys alipionis) com 220 indivíduos (26.4%), o cará (Geophagus brasiliensis) com 200 indivíduos (24%), guarú (Phalloceros caudimaculatus) com 107 indivíduos (24%), cascudo maria-joana (Kronichthys sp) com 83 indivíduos (10%), tambiú (Astyanax sp 1) com 32 indivíduos (3.8%), cascudo (Harttia kronei) com 27 indivíduos (3.2%), tambiú (Astyanax sp 4) com 26 indivíduos (3.1%), coridoras (Corydoras barbatus) com 23 indivíduos (2.8%) e mocinha (Characidium lanei) com 19 indivíduos (2.3%).

Entre as espécies com poucos indivíduos no total das capturas na vertente do Ribeira de Iguape foram: a traíra (Hoplias malabaricus), bagre-cobra (Trichomycterus sp), cascudo (Hypostomus sp 1) e cascudo (Hypostomus interruptus).

No total das espécies capturas na vertente do Rio Ribeira de Iguape, ocorreu uma predominância da Ordem Siluriformes, destacando entre esta, a Família Loricariidae e em segundo a Ordem Characiformes, destacando a Família Characidae. Entre as espécies capturadas, 20 tiveram sua ocorrência registrada

(13)

apenas no Ribeira de Iguape: Characidium lanei, Astyanax sp 1, Astyanax janeiroensis, Astyanax sp 4, Deuterodon Iguape, Oligosarcus hepsetus, Rhamdia quelen, Trichomycterus sp, Trichomycterus davisi, Ituglanis proops, Corydoras barbatus, Neoplecostomus ribeirensis, Hypostomus sp 1, Hypostomus interruptus, Rineloricaria sp 2, Ancistrus brevipinnis e Cyprinus carpio.

0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00

I. alipionis P. caudimaculatus Astyanax sp 1 A. aff. janeiroensis C. lanei C. carpio P. maculicauda A. brevipinnis D. iguape I. duseni O. hepsetus Trichomycterus sp H. interruptus

LN(n+1)

Figura 3: Curva de importância das espécies capturadas na vertente do Ribeira de Iguape.

Espécies de Distribuição Comum nas duas Bacias

Entre as espécies comuns as duas bacias foram registradas 5 espécies, sendo estas: o cará (G. brasiliensis), o cascudo (I. alipionis), guarú (P.

caudimaculatus), traíra (H. malabaricus) e o cascudo (I. duseni), sendo o cará a espécie mais abundante seguida pelo cascudo (I. alipionis), e em terceiro o guarú, a traíra e o cascudo (I. duseni) tiveram poucos indivíduos capturados.

Das cinco espécies duas são da Ordem Siluriformes, as outras com apenas uma espécie de cada Ordem Characiformes, Perciformes e Cypriniformes, representados respectivamente pelas espécies traíra (H. malabaricus), cará (G.

brasiliensis) e guarú (P.caudimaculatus).

O cará (G. brasiliensis) se apresentou como a espécie de maior ocorrência nas duas bacias, o cascudo (I. alipionis) teve sua distribuição irregular nas amostras sendo a espécie mais abundante na coletas na Bacia do Ribeira de Iguape, enquanto que nas coletas no Alto-Paranapanema a mesma se apresenta com poucos indivíduos, no entanto a mesmo é muito comum nos ambientes de riachos de cabeceiras (i.e. pontos de coleta acima de 600m altitudes), o guarú apresentou

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com maior número de indivíduos nas coletas realizadas nas vertentes do Ribeira de Iguape, apresentando uma certa proporção entre as bacias, o cascudo (I. duseni), teve o número de indivíduos igual nas duas bacias, enquanto que a traíra teve uma maior ocorrência na bacia do Alto-Paranapanema.

Na tabela 2 é possível comparar a riqueza e abundância das espécies entre as duas bacias, onde a vertente do Ribeira de Iguape apresenta uma maior abundância das espécies, enquanto que a vertente do Alto-Paranapanema, demonstra um número maior (riqueza) de espécies (i.e. quatro a mais).

O índice de diversidade de Shannon se apresentou maior para as cabeceiras do Ribeira de Iguape 1.02, enquanto que no Alto-Paranapanema este índice foi de 0.97 significando uma distribuição mais uniforme para as espécies das cabeceiras do Ribeira de Iguape.

Apesar de uma maior riqueza e abundâncias das espécies, as cabeceiras do Alto-Paranapanema demonstraram um numero maior de ambientas represados, o que favorece a dominâncias de algumas espécies e significa maior influencia antrópica, enquanto que nas cabeceiras do Ribeira de Iguape, mesmo com ambientes aquáticos menores (i.e. mais rasos e estreitos), apresenta-se melhor conservado, pois se suas cabeceiras se encontram dentro das unidades de conservação do “continuum” ecológico de Paranapiacaba.

Tabela 2: Lista das espécies e suas abundancias distribuída entre as bacias.

Nome cientifico Nome

popular Ribeira de

Iguape Alto-

Paranapanema Total

Hoplias malabaricus Traíra 1 21 22

Characidium lanei Mocinha 19 0 19

Characidium sp 2 Mocinha 0 102 102

Characidium sp 3 Mocinha 0 17 17

Astyanax sp 1 Tambiú 32 0 32

Astyanax sp 2 Tambiú 0 100 100

Astyanax sp 3 Tambiú 0 9 9

Astyanax janeiroensis Tambiú 5 0 5

Astyanax sp 4 Tambiú 26 0 26

Astyanax cf. fasciatus Tambiú 0 4 4

Bryconamericus stramineus

Lambari 0 1 1

Deuterodon Iguape Lambari 4 0 4

Piabina sp Piabina 0 2 2

Cheirodon sp Piquira 0 1 1

Oligosarcus sp Saicanga 0 1 1

Oligosarcus hepsetus Saicanga 2 0 2

Parodon sp Canivete 0 3 3

Apareiodon sp Canivete 0 1 1

Imparfinis sp bagre-gato 0 12 12

Pimelodella sp mandi-chorão 0 2 2

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Rhamdia quelen Juñida 4 0 4 Phenacorhamdia

tenebrosa

Bagre 0 9 9

Trichomycterus sp bagre-cobra 1 0 1

Trichomycterus davisi bagre-cobra 7 0 7

Ituglanis props. bagre-cobra 2 0 2

Corydoras barbatus Coridora 23 0 23

Neoplecostomus cf.

Paranaenses

Cascudo 0 13 13

Neoplecostomus ribeirensis

Cascudo 13 0 13

Isbrueckerichthys alipionis

Cascudo 220 1 221

Isbrueckerichthys duseni Cascudo 4 4 8

Hisonotus sp limpa-vidro 0 4 4

Hypostomus sp 1 Cascudo 1 0 1

Hypostomus sp 2 Cascudo 0 3 3

Hypostomus sp 3 Cascudo 0 2 2

Hypostomus interruptus Cascudo 1 0 1

Hypostomus ancistroides

Cascudo 0 7 7

Kronichthys sp maira-joana 83 0 83

Parotocinclus maculicauda

Cascudo 12 0 12

Harttia kronei Cascudo 27 0 27

Rineloricaria sp 1 Pituva 19 0 19

Rineloricaria sp 2 Pituva 0 3 3

Ancistrus brevipinnis Cascudo 6 0 6

Poecilia vivípara Barrigudinho 0 7 7

Phalloceros caudimaculatus

Guarú 107 80 187

Geophagus brasiliensis Cara 200 60 260

Cichlasoma facetum cara-verde 0 1 1

Oreocrhomis niloticus Tilápia 0 4 4

Cyprinus carpio Carpa 14 0 14

Total de indivíduos 833 474 1307

Total de espécies 25 spp 29 spp 49

spp

Índice de Shannon 0,97 1,02

4) Discussão e Conclusão

A ictiofauna encontrada em ambientes aquáticos lóticos, como riachos, córregos, ribeirões, etc, costumam apresentar uma composição faunística distinta, da encontrada em ambientes lêntico (Buckup, 1999), como nos represamentos, Lago Novo, Lago Antigo, represa do Barro Branco, represa Bocaina do Lageado 1 e

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a represa Bocaina do Lageado 2, apresentaram uma composição faunística com poucas espécies, e em geral muito semelhantes, composta por espécies nativas como a traíra (H. malabaricus), o cara (G. brasiliensis) e tambiú (Astyanax sp) e exóticas como a tilápia (O. nilótica), e a carpa (C. carpio).

Estes represamentos por terem sido construídos e estarem situados em cabeceiras de riachos, apresentam naturalmente uma baixa riqueza de espécies nativas, capazes de colonizar estes novos ambientes, sendo propícia a introdução de espécies, como meio de incremento alimentar para os moradores locais (Castro

& Arcifa, 1987 e Smith & Marciano, 2000).

A introdução de espécies exóticas em sistemas aquáticos de águas continentais é considerada como uma das principais causas da perda de riqueza de espécies de peixes no mundo (Latini, 2001). No presente trabalho foram encontradas duas espécies exóticas, a carpa (C. carpio) e a tilápia (O. niloticus), em 3 pontos de coleta, rep. Bocaina do Lageado, Lago Antigo e no Lago Novo, sendo estes situados dentro de uma unidade de conservação (i.e. Parque Estadual Intervales). O Lago Antigo e o Lago Novo, pertencentes a vertente do Alto- Paranapanema, apresentaram uma semelhança, na composição das espécies (H.

malabaricus, G. brasilensis e O. niloticus), provavelmente pela proximidade entres eles e por pertencerem ao mesmo, sistema aquático. Na represa Bocaina do Lageado, localizada na vertente do Ribeira de Iguape, foi capturada apenas uma única espécie (C. carpio), possivelmente devido a sua altitude 865m, (o mais entre os represamentos amostrados neste trabalho), conseqüência está, da baixa riqueza de espécies dos riachos de cabeceira.

No trabalho realizado por Castro & Arcifa (1987) em represamentos, as espécies de distribuição mais ampla foram as mesmas encontradas, H.

malabaricus, G. brasiliensis, O. niloticus e Astyanax sp, o que demonstra uma grande facilidade de dispersão dessas espécies, principalmente em ambientes lênticos.

Os divisores d’água entre bacias são limites extremos de distribuição geográfica das espécies de peixes de água doce, em geral de porte relativamente pequeno, quando comparados com os rios de planície. A composição ictiofaunítica de rios e riachos tende as influencias do gradiente altitudinal, o qual determina a velocidade de correnteza, entre outras variáveis, de maneira que quanto maior o desnível menor o número de espécies (Buckup, 1999).

Ocorreu um grupo de 5 espécies comum nas duas bacias: traíra (H.

malabaricus), cascudo (I. duseni e I. alipionis), cará (G. brasiliensis) e guarú (P.

caudimaculatus). Estas apresentaram uma característica em comum, a tolerância na variação dos ambientes, de modo que bem provável este seja o motivo de tal dispersão através das bacias, situações como enchentes e enxurradas, podem ocasionar um encontro entre corpos d’água de bacias opostas, fenômeno semelhante ao ocorrido nas lagoas marginais nos rios de planície.

Quando comparamos o gradiente altitudinal dos pontos de coleta, das cabeceiras do Ribeira de Iguape com a do Alto-Paranapanema, nota-se que as cabeceiras da vertente do Ribeira de Iguape, tem um desnível mais acentuado,

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enquanto que no Alto-Paranapanema o desnível do relevo se apresenta mais ameno (Almeida, 1964). Estes fatores ocasionam uma serie de diferenças, como na formação dos corpos d’água, de modo que os riachos no lado voltado para o Alto- Paranapanema são mais sinuosos, em geral sem correnteza (remansos) e com uma coluna d’água mais alta (devido a um maior acumulo de água), ao contrario o relevo escarpado, das cabeceiras do Ribeira de Iguape, abriga poucos rios, havendo uma predominância de filetes d’água, riachos rasos e alagados, onde são encontradas poucas espécies de peixes, em geral pequenos e de distribuição restrita, provavelmente por este motivo que espécies como a traíra (Hoplias malabaricus), de porte relativamente grande, teve apenas um registro nos riachos das cabeceiras do Ribeira de Iguape.

Entre os peixes capturados, obsevou-se que as espécies da família Crenuchidae e Loricariidae, tiveram uma distribuição ampla nos rios e riachos, onde as espécies do gênero Characidium sp, em geral presente desde os riachos de 2º e 3º ordem, até os rios, como o das Almas, Carmo e São Lourenço, sendo a única espécie capturada no riacho Francisca Gomes, onde a coluna d’água é baixa (i. e.

0.20cm), de velocidade relativamente rápida e com substrato pedregoso, localizado a 870m na vertente do Alto-Paranapanema.

Segundo Buckup (1999) o gênero characidium sp, apresenta uma grande variedade de formas distribuídas alopatricamente em riachos de encostas montanhosas. Exemplo a trabalho sobre a distribuição das espécies do gênero characidium sp, realizado na Serra do Mar (no divisor d’águas entre o Alto-Paraná e o Paraíba do Sul, RJ), onde Buckup (1997) descreve casos de confinamentos de populações, onde a alternância dos ambientes aquáticas ocasionado pelo relevo da serra se apresenta como um obstáculo na dispersão destas populações, não sendo um caso de endemismo da bacia, mas resultado de um processo de dispersão e vicariância.

Algumas espécies tiveram apenas um indivíduo capturado, como o lambari (B. stramineus), cara-verde (C. facetum), piquira (Cheirodon sp), saicanga (Oligosarcus sp), canivete (Apareiodon sp), cascudo (Hypostomus sp 1), cascudo (H. interruptus) e o bagre-cobra (Trychomycterus sp). Esta última tem sua ocorrência muito restrita ao meio de seixos e areia próximo às margens dos riachos, sendo encontrada neste trabalho apenas nos Rios do Carmo.

Das espécies capturadas, algumas tiveram sua distribuição, relacionada as bacias, exemplo os cascudos H. kronei e o N. ribeirensis espécies endêmicas da Bacia do Ribeira de Iguape (Osvaldo Takeshi Oyakawa com. pess.) e de distribuição restrita aos rios e riachos de Mata Atlântica do Sudeste (Sazima et al., 2001), outros gêneros como Apareiodon e Parodon de ocorrência comum em riachos, estiveram ausentes nos riachos costeiros da bacia do Ribeira de Iguape. Outros gêneros demonstraram preferência por determinadas condições ambientais, como exemplos Neoplecostomus, Kronichthys, Harttia, Rineloricaria, Hisonotus, Parotocinclus e Ancistrus, muito freqüentes em rios de corredeiras, ainda rasos. Outros ainda demonstraram menor preferência, tolerando as variações ambientais, como por exemplo, os Hypostomus e Isbrueckerichtys.

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Entre os diferentes pontos de coleta, se destacam os rios das Almas, Carmo e São Lourenço, sendo este último, o de maior abundância nas espécies, o mesmo localiza-se na vertente do Ribeira de Iguape, numa altitude de 685m, o rio das Almas apresentou a maior riqueza de espécies (20 ssp), sendo entre os rio de grande porte o de posição altimétirca mais alta (784m), localizado na vertente do Alto-Paranapanema.

Entre as espécies de ocorrência comum as cabeceiras das duas vertentes, destacam-se as Ordens dos Siluriformes e Characiformes, pelo número de espécies e gêneros comuns as duas cabeceiras, diversos trabalhos citam os Siluriformes e Characiformes como predominantes em numero de espécies e até mesmo em abundancia de indivíduos, pode se dizer estes são capazes de dispersarem através das cabeceiras e colonizarem assim outras bacias. Segundo Futuyama (1992) os processos de vicariância, são causados pela descontinuidade de uma população, sendo muito comum casos de especiação alopátrica (Castro, 1999).

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