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A TRAJETÓRIA DE UM PROGRAMA QUE DIALOGA COM A BAIXADA FLUMINENSE 1

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Academic year: 2021

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1 A TRAJETÓRIA DE UM PROGRAMA QUE DIALOGA COM A BAIXADA FLUMINENSE1

Ana Laura Soares de Araújo2 Hozana Silva Evaristo3 Primeiras reflexões:

“[...] patrimônio é algo definido socialmente. Não é qualquer objeto que é visto pertencentes a nossa cultura, mas aqueles que socialmente ganham valor simbólico” (Pierre Nora)

Este estudo busca apresentar de maneira breve a criação do Programa Integrado de Pesquisa Cooperação Técnica da Baixada Fluminense (PINBA), dando ênfase aos aspectos teóricos que o norteiam , assim como descrever as atividades extensionistas desde a sua criação em 1992 aos dias atuais, mostrando a sua importância para a formação acadêmica dos seus alunos, dialogando com diferentes setores da região . Inclui uma concisa reflexão sobre a trajetória, a memória e luta pela permanência da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) unidade da UERJ em Duque de Caxias onde o PINBA é desenvolvido, contando com o apoio do colegiado do programa.

Utilizamos como referencial teórico o documento Ato Executivo de Decisão Administrativa (AEDA) e produções como Relatório do Programa junto ao Departamento de Extensão / SR2 UERJ (DEPEXT), monografias de graduação (MACHADO – 2010 e LIMA – 2015) e o blog onde se encontram as informações referentes ao Programa. Neste sentido entende-se que esse estudo fará parte do banco de dados, buscando ser referência de consulta sobre e para a Região da Baixada Fluminense. É uma proposta que parte das reflexões dos trabalhos anteriores, garantindo a continuidade de algumas ações.

Este texto está dividido em duas partes: na primeira é apresentado o Programa, alguns aspectos conceituais relativos interiorização e a caracterização da região em estudo. Na segunda: tem-se um pequeno histórico da FEBF, com toda a resistência para o crescimento dentro da Região.

O presente artigo é resultado de uma releitura sobre o Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica na Baixada Fluminense (PINBA) e a memória da Faculdade de Educação na Baixada Fluminense (FEBF/UERJ), espaço onde é desenvolvido o Programa, com o objetivo de compreender a criação de ambos, e acima de tudo compartilhar com outros os períodos importantes, os quais são fundamentais para uma reflexão sobre conquistas e lutas dessa trajetória.

1 Partes das informações referentes à história da FEBF e do PINBA foram retiradas no blog (pinba.

wordpress.com).

2Aluna do 8º período de Pedagogia da FEBF/UERJ – bolsista do PINBA.

3 Aluna do 6º período de Pedagogia da FEBF/UERJ – bolsista do PINBA.

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2 PINBA: sua identidade na Baixada

O Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica na Baixada Fluminense (PINBA), foi criado no dia 29 de maio de 1992, como programa institucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) do Maracanã, pelo ato Executivo de decisão administrativa nº 021/92, da esfera da Sub- Reitoria de Extensão e Cultura. Interrompeu suas atividades de1995 até 2000. Em maio desse ano foi transferido para Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), pela então reitora Nilcea Freire, sob a coordenação do professor Paulo Mainhard.

Foi criado na concepção da Política pública de Interiorização da Instituição. Brito (2014) em seu trabalho ‘A importância dos estudos sobre interiorização da universidade e reestruturação territorial’,destaca que foi na década de 1990 que a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), mais interiorizou e expandiu suas instalações. A política neoliberal do Governo Federal de desmonte do setor público foi a principal causa da não expansão das instituições federais em tal década algo que não aconteceu com a UERJ, ainda que o Estado do Rio de Janeiro estivesse nesse mesmo contexto.

Ao longo dos anos a sociedade brasileira passou por diversas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais. Umas das principais mudanças estão relacionadas ao ensino superior no país. E a UERJ é uma Universidade Pública Brasileira que na sua trajetória tem tido uma grande interação com a sociedade através dos seus inúmeros projetos extensionistas. De acordo com o Projeto Pedagógico Institucional:

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro tem como missão promover e disseminar o conhecimento da ciência e da tecnologia, da cultura e das artes, através do ensino, da pesquisa e da extensão, dentro de referenciais de excelência em todos os campos do saber, mantendo um ambiente de respeito à diversidade e ao livre debate das ideias, formando profissionais capazes de constante aprendizado critico, preparados para atuar com base nos princípios éticos e com vida ao exercício pleno da cidadania, contribuindo, assim, para o desenvolvimento sustentável da sociedade. (site UERJ)

Torna-se relevante destacar que “a função social do ensino, da pesquisa e da extensão deve estar fundamentada na cultura social e na autonomia do fazer universitário” (MELO e BARÃO, 2011, p.74). Esse pensamento vai ao encontro do preconizado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 394/96) quando no inciso IV do capitulo que trata da Educação Superior, vigora que a mesma tem por finalidade “promover a divulgação de conhecimentos culturais, [...] que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou outras formas de comunicação”. Ainda em seu artigo 43, que ao tratar sobre a finalidade da Educação Superior afirma que essa “deve promover a extensão, aberta à participação da população [...] além de estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo”.

Em 1999, o FORPROEX (Fórum de Pró-reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras) elaborou um documento chamado Plano Nacional de Extensão, onde estabelecia diretrizes para a Extensão Universitária em quatro eixos: impacto e transformação; interação dialógica;

interdisciplinaridade e indissociabilidade ensino, pesquisa, extensão. Falar do PINBA é falar também da Extensão Universitária, já que o programa articula pesquisa, extensão e ensino em suas atividades, e, ao mesmo tempo, contribuindo com a interlocução da universidade com os movimentos sociais e poder público na região da Baixada Fluminense.

Ainda identificamos que o então Reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Hesio Cordeiro, criou o PINBA como objetivo de implantar uma infraestrutura de produção cientifica e cultural

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3 da UERJ na Baixada Fluminense. Também promover estudo se pesquisas sobre estrutura socioeconômica e cultural da região, integrando as diversas áreas de conhecimento. Assim como assessorar órgãos da administração pública federal, estadual e municipal na formulação de políticas públicas para região. Formar um banco de dados sobre a região e realizar seminários, documentários, cursos e outros, que venham contribuir como crescimento cultural, social e educacional da Região.

Em 2009 o Programa foi reestruturado e organizado em Colegiado, passando à coordenação para Professora Icléa Lages de Melo e era composto por 6 (seis) professores, dos diferentes cursos de graduação da FEBF(Pedagogia,Geografia e Matemática). Seus públicos alvos são docentes, discentes, movimentos sociais, profissionais da educação da Rede Pública da Região e atores do movimento cultural da Baixada. Hoje a gestão colegiada, no seu trabalho construído no coletivo, tem a participação de 15 (quinze) professores orientadores. O Programa se organiza buscando discutir temáticas de pesquisa e Cooperação Técnica que se divide em três eixos: “Educação,política Publica e trabalho”;“Ambiente e Cultura”e“ História da educação e História Local”.

Tem apoio de professores e parcerias, como Fórum Cultural da Baixada Fluminense; Centro de Pesquisa, Memória e História da Educação da Cidade de Duque de Caxias e Baixada Fluminense (CEPEMEHD);Instituto de Pesquisa e análises Históricas em Ciências Sociais (IPAHB);Centro de referência Patrimonial e Histórico (CRPH);Sindicato Estadual dos profissionais da educação (SEPE) núcleo de Duque de Caxias; Centro de atividade (CAC) de São João de Meriti;Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira/Colégio de Aplicação da UERJ(CAP); Pet Baixada/InstitutoMultidisciplinarCampusNovaIguaçu(UFRRJ)eInstitutoHistórico de Duque de Caxias.

O relatório do Programa cadastrado no DEPEXT que trata da trajetória do PINBA, consta que as realizações estão concebidas a médio e longo prazo e o método para implementá-lo é um permanente processo de integração da UERJ com as necessidades identificadas na região, capaz de propiciar o estabelecimento de parcerias pela conjugação dos esforços da Universidade com os três níveis do Poder público ,as instituições da sociedade civil organizada e os movimentos sociais e culturais.

Aos estudantes que participam do programa é possibilitada a reflexão sobre as ações empreendidas pelo Poder público da região, uma vez que os diferentes Projetos que integram o programa apresentam-se como Pesquisa e Extensão, abrangendo os diferentes cursos ministrados pela FEBF. São oferecidas bolsas nas modalidades: Iniciação a Docência (ID); Estágio Interno Complementar (EIC); Monitoria e Extensão.

Dentre suas atividades é importante destacar a participação na elaboração e aprovação da Carta Cultural da Baixada Fluminense. A carta é um documento-síntese de todas as questões pertinentes às reivindicações levantadas nos debates ocorridos em diferentes eventos, como criação do Fórum Cultural da Baixada Fluminense, na criação do prêmio Baixada Cultural e na criação do Dia da Baixada Fluminense, que é comemorada no dia 30 de abril, celebrando os valores históricos, sociais e humanos da região. Essa data foi oficializada pela Lei nº 2233/2001 aprovada no dia

09/04/2003. Segundo Torres:

A data de 30 de abril refere-se a inauguração da primeira estrada de ferro construída no Brasil, que ligava o porto de Mauá– estação da guia de Pacopaíba à região de Fragoso. A estrada de ferro tornou-se um marco histórico,no ano de1854,da ocupação urbana, dando um novo perfil na ocupação do solo. Foi o fim dos portos fluviais, da navegação pelos rios e dos caminhos de tropeiros. (TORRES, 2003, P.112)

Entende-se que a região da baixada é composta por 13 municípios: Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquisa, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados,

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4 São João de Meriti, Seropédica. “No entanto, muitas outras obras e pesquisadores em seus recortes, consideram a região com uma composição de quatorze municípios.” (BRAZ, ALMEIDA, 2010, P.10) incluindo Mangaratiba.

Compreende-se que essa região é composta de aproximadamente 4 milhões e 500 mil habitantes, reúne cerca de 1/3 da população do Estado, exercendo importante papel político, econômico e social na região. A despeito de vasta tradição histórica (com valioso patrimônio cultural e variados grupos étnicos) e franca expansão econômica via indústria do petróleo, a região é considerada periférica, possuindo uma realidade marcada pela dívida social, cultural, educacional e humana. Torre contribui para o entendimento do ser “baixada” ao dizer que:

A topografia da Baixada Fluminense na área do entorno da Baia da Guanabara apresenta-se bastante diversificada, na realidade chamamos de baixada devido ao predomínio de terrenos com cotas bastante baixas em relação ao mar, no entanto longe de ser área abaixo do nível do mar [...] os municípios de Duque de Caxias e Mage, em toda extensão, o predomínio é de baixadas com algumas elevações perdidas ao longo do território que costeia a baia da Guanabara. (TORRES, 2008, p.11,12)

A criação da Carta Cultural da Baixada ocorreu no dia 09 de dezembro de 2000, na FEBF/UERJ, e faz uma reflexão dando um diagnóstico e apresentando um planejamento com diferentes necessidades para a região, dentre essas destacamos: o resgate do patrimônio histórico e cultural dos municípios que compõem a região; doações para formação do acervo histórico; fortalecimento nos municípios das feiras e dos espaços dedicados ao artesanato como fonte de produção cultural, dentre outros.

As temáticas que definem o perfil de trabalho do Programa são: Programação dos campos de ensino, pesquisa e de extensão contidos no projeto Político- pedagógico da FEBF;Banco de Dados e informações sobre a sociedade civil e as Políticas Públicas em educação da região;Parcerias, com os setores da sociedade civil e dos movimentos sociais;Cooperação com os governos municipais ,no âmbito das políticas públicas em Educação; Programação da História e Memória da educação e da Formação social da Baixada Fluminense;Participação dos discentes da FEBF na inserção de espaços públicos, nas organizações não governamentais e nos movimentos sociais;Cooperação com entidades que promovem divulgação e preservação do patrimônio material e imaterial da Baixada Fluminense; Política editorial o qual promove publicações do Programa.

No contexto das produções / publicações, registramos os eventos que são anualmente realizados pelo PINBA e FEBF/UERJ em comemoração ao Dia da Baixada Fluminense no CD ROM, onde este se encontra no terceiro volume, com a participação da FEBF/UERJ e outras instituições externas.:Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); Faculdade de Formação de Professores (FFP/ UERJ) ; Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO/FUNADESP); Universidade Salgado de Oliveira (PPGHB/UNIVERSO); Centro de Pesquisa Memória e História da Educação de Duque de Caxias e Baixada Fluminense ( CEPEMHED): Universidade Federal Fluminense (UFF);

Fundação Educacional de Duque de Caxias (FEUDUC) ; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias (SME) e Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu (SMED).

Os temas discutidos no evento acima citado são todos voltados para uma reflexão da própria Baixada, visto que há uma necessidade de diálogo com a mesma. Em 2010 discutiu-se a História da Baixada; 2011- Geografia da Baixada; 2012- Cultura na Baixada; 2013- Práticas Educativas; 2014- Políticas Públicas; 2015- Políticas Públicas; 2016- Terra e Sociedade; 2017- Baixada Fluminense em lutas.

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5 Hoje uma das preocupações do Programa é a divulgação da História da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense,apresentar para toda comunidade Acadêmica o surgimento,a luta pela incorporação da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a mudança para sua “casa própria”, atualmente na Vila São Luís. É relevante destacar algumas das atividades que são desenvolvidas pelos bolsistas, voluntários e demais participantes do programa, como: monografias que estão sendo elaboradas sobre essa temática; publicação de artigos em revistas acadêmicas; confecção e criação do cartão postal sobre o PINBA divulgado pelo CEPEHMEd; digitalização da trajetória e memória da FEBF e do Centro Acadêmico de Pedagogia para a criação do Espaço Museal; estudo da importância da história oral com base em Thompson (1992), participação nas edições da UERJ Sem Muros.

Destacarmos a parceria com o CEPEHMED que vem realizando nas escolas públicas grupos de estudos e conscientização patrimonial, o que constitui um espaço de pesquisa, memória, história e formação dos professores da Baixada Fluminense, ao estimular a pesquisa e divulgação do conhecimento sobre história da educação na cidade. O mesmo dialoga com as instituições educativas e sujeitos escolares, com as universidades e com os movimentos sociais e com instituições voltadas à preservação do patrimônio histórico. Nesse sentido, temos sido por eles orientados e assessorados nas diferentes atividades que o PINBA realiza.

FEBF (Faculdade de Educação da Baixada Fluminense) - Uma história de muitas lutas.

O PINBA (Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica na Baixada Fluminense) tem como uma das suas atividades/pesquisa o resgate da história e a memória da FEBF. Essa temática possibilitou com que alguns alunos e ex-professores se interessassem e procurasse a origem e a trajetória da primeira Faculdade de Educação pública na Baixada Fluminense. O primeiro a buscar essa importante história foi o professor Gelson Pereira Dalvi com o desenvolvimento da dissertação de mestrado (2002) e levando outros a seguirem os seus passos nesse caminho, como os ex-alunos Lilian de Oliveira Machado e Hugo Moreira Lima, nas suas monografias de graduação, respectivamente 2010 e 2015.

Na dissertação de Dalvi encontramos especificamente uma pesquisa que trata da trajetória baseada em consolidação oficial e documental da Faculdade. Na monografia de Machado e Lima a abordagem metodológica foi a partir da história oral através dos sujeitos que participaram ativamente desse movimento e viveram,lutaram, brigaram pelo reconhecimento, a incorporação pela UERJ sendo este o primeiro Curso de Pedagogia público na Baixada Fluminense, que mais tarde se tornaria a Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – FEBF – no município de Duque de Caxias. “Assim, tanto a história quanto a memória observadas o seu grau de utilização, servem como ferramentas conceituais para se tomar conhecimentos do passado.” (LIMA, 2015, p. 21).

Podemos dizer que a geração e o berço dessa faculdade aconteceram no IEGRG (Instituto de Educação Governador Roberto Silveira) no ano de 1962, onde se tornou um dos mais importantes estabelecimentos de ensino público da Baixada Fluminense, na época sob direção do professor Álvaro Lopes. Por este motivo acreditamos na importância de tais trabalhos que falam não só da criação, mas também das ações para que a faculdade permaneça e que possa atender a comunidade da Baixada entre outros.

Durante o ano de1965 surge o Curso de Formação de Professores para o Ensino Normal (CFPEN) no IEGRS, passando por sucessivas transformações até chegar o ano de1988 com a sua sede própria no bairro de Vila São Luís, como já citado.

É fundamental também entender que no ano de 1967 Foi criada a Faculdade de Educação através do Decreto Estadual nº12. 875de 28/01/1967que passa a funcionar nas instalações físicas do IEGRS, pois a instituição possuía instalações e capacidades próprias para esse curso, pois não

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6 devemos apagar a história de nossa Faculdade, deixando claro para os atuais alunos que ela não passou a existir a partir de sua vinda para Vila São Luis.

Em 1971 o CFPEN foi transformado em Curso de Pedagogia, oferecendo as habilitações em Magistério das matérias pedagógicas do 2º grau, Administração Escolar,Orientação Educacional e Supervisão Escolar Esse curso estava localizada no antigo Estado do Rio de Janeiro e integrava o Sistema de Ensino deste Estado.A incorporação do mesmo à UERJ se deu pela junção entre o Estado da Guanabara e o Estado do Rio de Janeiro.Antes da fusão dos Estados a UFF( Universidade Federal Fluminense) emitia os diplomas desse curso,ficando desobrigada dessa emissão a partir de1982 quando acontece a incorporação pela UERJ.

Entre muitas questões que nos mostram o quanto a luta foi necessária, destacamos a morosidade da UERJ em reconhecer a incorporação e emitir os diplomas o que provocou a mobilização de diferentes categorias locais como a comunidade do curso; SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação);Federação Municipal das Associações de Bairros de D. Caxias (MUB);Sindicato dos Petroleiros e outros.

Outro ponto que buscamos compreender são as reivindicações que foram feitas na época, tais como: Incorporação do quadro de docentes do Estado - que lá já atuavam – à UERJ ;Prédio próprio;Transformação do curso em Unidade Acadêmica e permanência do único curso superior público em Educação na Baixada Fluminense, uma grande referência para todos nós, que ainda continuamos numa luta.

Na realidade foi fundamental fazermos um cronograma, buscando as informações de cada época, para compreendermos, que foram décadas marcadas. Por exemplo, em fim no ano de 1988 acontece a conquista da Unidade Universitária-FEBF, mas ainda em funcionamento no IEGRS. E Até que em fim do ano de 1998, o Curso foi transferido para o prédio próprio, CIEP090–Vice Governador Sérgio Magalhães no município de Duque de Caxias, bairro de Vila São Luís, onde funciona até hoje. “ Observamos que neste espaço de 49 anos a nossa Faculdade passou por transformações significativas que permite-lhe ser o marco na história educacional da Baixada Fluminense- depoimento de um ex- diretor da FEBF” (LIMA, 2015,p. 69)

Atualmente na FEBF temos cursos de graduação em Licenciatura em Pedagogia, Matemática e Geografia e a Pós-graduação Lato Sensu:Especialização em Organização Curricular e Prática Docente na Educação Básica; Gestão dos Processos Educativos na Escola e o Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas.

AFEBF/UERJ indo ao encontro dos princípios básicos da universidade (pesquisa, ensino e extensão) no entendimento de Lima e Melo:

[...] no seu processo educativo, possui o olhar voltado para a formação crítica e nessa caminhada desenvolve diferentes projetos, programas e atividades, incluindo pesquisa e extensão, estágio de docência e gestão, monitoria, iniciação científica, biblioteca aberta á comunidade, diferentes modalidades de bolsas e muitas outras formas de participação na busca de interlocução com a comunidade. (LIMA, MELO, 2013, P.18)

Considerações finais

Não foi fácil a conquista de nossa faculdade, percebemos que os sujeitos a todo instante estavam atuando de forma persistente e animadora para que essa luta um dia se tornasse realidade e

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7 viesse a ser um motivo de muita alegria na formação acadêmica de cada discente. De pessoas que ainda sonham em t ornar a educação pública um orgulho e um lugar onde todos possam se sentir iguais diante dos direitos como cidadãos de uma nação.

O PINBA enquanto Programa extensionista tem buscado diminuir cada vez mais o distanciamento entre universidade, escola básica pública e sociedade, procurando dialogar com diferentes setores da região na tentativa de consolidar, discutir alternativas e traçar metas de resistência às políticas públicas que armam estratégias para fragilizar os espaços de lutas. Consolidar uma universidade que articule ensino pesquisa e extensão para garantir sua função social na região da Baixada Fluminense.

No entendimento de Gadotti, uma “faculdade de educação precisa caminhar em direção da sociedade, valorizar a educação que o povo faz atender as necessidades que ele manifesta [...] deixar que o povo manifeste suas necessidades educativas e procurar atendê-las.” (1981, p.71).

Enquanto alunas/bolsistas da FEBF, sentimos a necessidade de divulgar o trabalho que é feito pelos discentes e docentes e essa necessidade nos ajudou a entender o quanto é importante um programa dentro de uma universidade, e que a UERJ se destaca neste sentido por estar presente nela as pesquisas, evidenciando que a nossa luta permanecerá, não só para que as pesquisas continuem mas também que possamos ter uma universidade de qualidade, a palavra luta faz parte do corpo que habita a UERJ /FEBF.

Referências:

AEDA (Ato Executivo de Decisão Administrativa nº 021/92) , maio de1992 .

BARÃO, Gilcilene. MELO Icléa Lages de. FEBF: Ações, desafios extensionistas e suas articulações com a pesquisa e o ensino. Revista ADVIR, nº 26, junho de 2011.

BRASIL. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDBEN) nº 9394/96.

BRAZ, Antonio Augusto. ALMEIDA, Tania Maria A. de. De Meriti a Duque de Caxias: encontro com a história da cidade. Caxias: APPH-Clio, 2010.

BRITO, Leonardo de Chagas. A importância dos estudos sobre interiorização da Universidade e reestruturação territorial. Revista Brasileira de Geografia econômica, abril de 2014; ano II número 4.

Carta Cultural da Baixada Fluminense, dezembro de 2000.

DALVI, Gelson Pereira. Novos atores na cena universitária da UERJ: (re) construindo a história da FEBF. RJ, FSS/UERJ, dissertação de Mestrado, 2002.

GADOTTI, Moacir. A faculdade de educação e a interação universitária. São Paulo: Cortez editora, 1981

LIMA, Hugo Moreira. MELO, Icléa Lages de. Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ): Uma História, várias lutas. Revista Pilares da História– Duque de Caxias e Baixada Fluminense – ano 12– número 13 – maio de 2013.

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8 LIMA, Hugo Moreira. Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ) Entre o passado e presente: Memória e História de um legado educacional. Monografia de graduação. FEBF/UERJ, 2015.

MACHADO, Lilian de Oliveira. História e memória da FEBF. De sua origem à conquistada autonomia como unidade universidade da UERJ. Monografia de graduação, FEBF/UERJ2010.

Relatório do Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica na Baixada Fluminense – 2015/DEPEXT

THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

TORRES, Gênesis. Em busca da memória. Crônicas, registros e poesia. RJ: Editora Wak, 2003.

TORRES, Gênesis. O ambiente natural e os limites. IN: TORRES, Gênesis. ( org) Baixada Fluminense. A construção de uma história. RJ: INEPAC, 2008

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