Agravo nº 831.548-4/01, de Curitiba, 1ª Vara da Fazenda Pública,
Falências e Recuperação Judicial
Agravante : Herdeira e Sucessora de Flora Gomes Silva
Agravada : Banco do Estado do Paraná e outro
Relator : Desembargador Jucimar Novochadlo
AGRAVO. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU
SEGUIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO (ART.
557, DO CPC). AGRAVO INTERNO. ART. 183, DO CPC.
DEVOLUÇÃO
DE
PRAZO.
COMPROVAÇÃO DA JUSTA CAUSA EM TEMPO
RAZOÁVEL.
É remansosa a jurisprudência no sentido de que a
parte prejudicada deve requerer e comprovar a justa
causa
no
prazo
legal
para
a
prática
do
ato ou em lapso temporal razoável, assim entendido
até cinco dias após cessado o impedimento, sob pena
de preclusão, consoante previsão do art. 185, do CPC.
Agravo interno não provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo
831548-4/01, de Curitiba, 1ª Vara da Fazenda Pública, Falências e
Recuperação Judicial, em que figuram como Agravante Herdeira e
Sucessora de Flora Gomes Silva e Agravado Banco do Estado do Paraná e
outro.
1.
Trata-se de agravo interno interposto por Herdeira e
Sucessora de Flora Gomes Silva, em face da decisão unipessoal que negou
provimento ao agravo de instrumento, mantendo a decisão de primeiro grau que
determinou a reabertura do prazo.
Inconformado com a decisão, o agravante sustentou que a
questão não poderia ser decidida de forma monocrática. Ainda, defendeu, em
Agravo interno nº 831548-4/01
síntese, que o pedido do banco de restituição do prazo é extemporâneo, tendo
em vista que formulado após o transcurso do prazo que lhe era reservado para a
interposição de recurso (27.09.2010).
2.
O recurso não merece provimento, devendo ser mantida a
decisão por seus próprios fundamentos, uma vez que atende o disposto no
artigo 557, caput, do Código de Processo Civil.
“É certo que não tendo sido encontrado os autos no
cartório, estando em curso prazo para a parte, fica caracterizado o obstáculo
judicial, ensejando a devolução do prazo para prática do ato, conforme exegese
do § 2º do art. 183 do CPC.
E. D. Moniz de Aragão
1, diante da lacuna no que se refere
ao tempo para se postular pela devolução do prazo, assevera que:
"O Código não disciplina o procedimento a seguir para a
comprovação da causa de impedimento. Há necessidade de
procurar preencher o vazio.
Desde logo, cumpre ter em conta que, de regra, enquanto durar
o impedimento do interessado poderá não estar em condições
de diligenciar no sentido de alegá-lo. Mas, e cessado o
impedimento?
Neste caso, parece que a alegação terá de ser produzida
incontinenti. A míngua de qualquer outro prazo, dever-se-á
observar o do art.185. Logo, cessado o impedimento terá o
interessado cinco dias para ir pleitear o reconhecimento de ter
havido justa causa e a correspondente devolução do prazo. É
preciso considerar, ainda, que o impedimento para a prática de
qualquer ato pode constituir justa causa até determinado
momento, deixando de sê-lo daí por diante."
No mesmo sentido a jurisprudência:
“`PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO
ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. ART. 183, DO CPC.
DEVOLUÇÃO
DE
PRAZO.
COMPROVAÇÃO DA JUSTA CAUSA EM TEMPO RAZOÁVEL.
IMPOSSIBILIDADE.
1. A restituição do prazo processual por justa causa, prevista na
norma insculpida no art. 183, do CPC, permite, à parte
impedida de praticar o ato, denunciar o fato e requerer a
1 In Comentário ao código de processo civil, Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, vol. II: arts. 154 a 269, 10ª ed. ver. Atual.,
Agravo interno nº 831548-4/01
restituição ou prorrogação do prazo, sendo certo que, quanto
ao momento de fazê-lo, é cediço na doutrina clássica que: `O
Código não disciplina o procedimento a seguir para a
comprovação da causa do impedimento. Há necessidade de
procurar preencher o vazio. Desde logo, cumpre ter em mente
que, de regra, enquanto durar o impedimento o interessado
poderá não estar em condições de diligenciar no sentido de
alegá- lo. Mas, e cessado o impedimento? Nesse caso, parece
que a alegação terá de ser produzida incontinenti. À míngua de
qualquer outro prazo, dever-se-á observar o do art. 185. Logo,
cessado o impedimento terá o interessado cinco dias para ir
pleitear o reconhecimento de ter havido justa causa e a
correspondente devolução do prazo. É preciso considerar,
ainda que, impedimento para a prática de qualquer ato pode
constituir justa causa até determinado momento, deixando de
sê-lo daí por diante. ` (grifou-se) (Moniz de Aragão,
Comentários ao Código de Processo Civil, Vol. II, pág.
142/143). 2. A ofensa ao art. 535 do CPC pressupõe que o
Tribunal de origem não tenha, nem sucintamente, se
pronunciado de forma clara e suficiente sobre a questão posta
nos autos. Isto porque o magistrado não está obrigado a
rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde
que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para
embasar
a
decisão.
Inexistência
de
violação.
3.
A jurisprudência desta Corte Superior é remansosa no sentido
de que a parte prejudicada deve requerer e comprovar a justa
causa
no
prazo
legal
para
a
prática
do
ato ou em lapso temporal razoável, assim entendido até cinco
dias após cessado o impedimento, sob pena de preclusão,
consoante
previsão do
art.
185,
do CPC. (...)
4.
In casu, a juntada do mandado de citação e intimação da
Fazenda Nacional se deu em 10/11/2003 e o pedido de
devolução de prazo somente ocorreu em 08/01/2004, após o
decurso do prazo legal e dos 5 dias posteriores ao cessamento
do impedimento, o qual se deu em 16/12/2003, uma vez que os
autos foram restituídos ao cartório. 5. Recurso especial
desprovido'. (REsp 732.048/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/10/2006, DJ 09/11/2006 p.
256).
PROCESSO CIVIL. AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL.
OCORRÊNCIA
DE
JUSTA
CAUSA
A
IMPEDIR
A
INTERPOSIÇÃO DO
RECURSO
NO
PRAZO
LEGAL.
DOENÇA DO ADVOGADO. CARACTERIZAÇÃO COMO
JUSTA CAUSA. RESTITUIÇÃO DE PRAZO. ART. 183 DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA
DOS FATOS. QUESTÃO DE DIREITO. VIABILIDADE DA
ANÁLISE NO RECURSO ESPECIAL.
Agravo interno nº 831548-4/01
- O transcurso do prazo para a prática do ato conduz a
preclusão do direito, salvo a exceção da ocorrência da justa
causa prevista no parágrafo primeiro do artigo 183, do
CPC, que exige a coexistência de evento imprevisto, alheio à
vontade da parte e que a tenha impedido de praticar o ato por
si ou por mandatário.
- O art. 183 do CPC refere-se à restituição de prazo e não à
suspensão ou à interrupção de prazo. Na ausência de fixação
judicial sobre a restituição do prazo, é aplicável o disposto no
art. 185 do CPC.
- A doença do advogado pode constituir justa causa para os
efeitos do art. 183, § 1º do CPC, principalmente quando ele for
o único procurador constituído nos autos.
- A comprovação da justa causa deve ser realizada durante a
vigência do prazo ou até cinco dias após cessado o
impedimento,
sob
pena
de
preclusão.
- A qualificação jurídica dos fatos constitui questão de direito,
viabilizadora da análise do recurso especial. O controle de
legalidade da qualificação jurídica dos fatos está afeto à
competência do STJ, em âmbito de recurso especial. A
qualificação jurídica dos fatos feita pelo Tribunal a quo não
vincula a qualificação jurídica dos mesmos fatos pelo STJ.
Agravo no recurso especial improvido. (STJ, 3.ª Turma, AgRg
no REsp 533852-RJ, unânime, rel. min. Nancy Andrighi, j.
21/6/2005, in DJU 5/9/2005, p. 398)
AGRAVO
INTERNO.
AGRAVO
DE
INSTRUMENTO.
DEVOLUÇÃO DE PRAZO PARA RECURSO. AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO DA JUSTA CAUSA EM PRAZO RAZOÁVEL.
PRECLUSÃO.
DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL
NÃO
COMPROVADO.
I – A justa causa impeditiva de prática de ato pela parte deve
ser alegada no devido tempo, ou em interstício razoável, não
podendo valer-se de requerimento de prorrogação ou de nova
publicação da decisão após dois anos da certidão do trânsito
em julgado. (...) Agravo interno a que se nega provimento
2.
No caso em apreço, a decisão que rejeitou a alegação de
prescrição foi publicada em 15/09/2010, iniciando-se o prazo no dia 16/09/2010
(fl. 115/TJ).
Em 27/09/2010, último dia do prazo para a interposição de
recurso, a Serventia certificou não ter localizado os autos em Cartório
(fl.117/TJ).
2STJ. AgRg no Ag 468043/PR, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 08/05/2006
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