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ETAPA DA MUDANÇA DE HÁBITOS

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Academic year: 2021

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Faculdade Salesiana Dom Bosco de Piracicaba Curso de Administração

DISCIPLINA: INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO FINANCEIRA PROF. ELISSON DE ANDRADE

TEXTO 4

ETAPA DA MUDANÇA DE HÁBITOS

(PARTE 1)

Estrutura do texto

Introdução ... 1 

Construindo o Balanço Patrimonial ... 1 

Importância do fluxo de caixa ... 1 

Metodologia para elaboração do fluxo ... 1 

Planejando o futuro ... 1 

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1 Introdução

“Há uma grande diferença entre ser pobre e estar quebrado. Estar quebrado é algo temporário, ser pobre é algo eterno” Kiyosaki (Pai Rico, Pai Pobre, pg 62)

Imagine que uma pessoa não está se sentindo bem. Então, liga seu computador e manda um e-mail para seu médico, dizendo vagamente o que está acontecendo. Ao tomar ciência do que foi relatado, o doutor responde o e-mail e passa o medicamento a ser utilizado no tratamento. Você concorda que tal procedimento é perigoso? Sem um exame mais detalhado do problema (exame de sangue, pressão etc), corre-se um grande risco de o tratamento ser inadequado, certo?

Com as finanças pessoais é a mesma coisa. Não dá para resolver um problema financeiro se não se sabe de onde está vindo o dinheiro e, principalmente, para onde está fluindo. Se uma pessoa quer mudar de situação, é necessário um diagnóstico preciso sobre suas receitas e despesas. Veja algumas importantes perguntas que todos deveriam saber responder.

Você gasta mais do que ganha?

No mês, qual é essa diferença entre receitas e despesas? Quais os itens que mais contribuem para suas despesas? Qual o seu grau de endividamento?

Como está evoluindo seu patrimônio ao longo do tempo?

Essas são perguntas que devem ser respondidas com clareza, para só depois se propor alguma mudança. O intuito dessa nova etapa é não só PENSAR como uma pessoa rica, mas começar a AGIR como tal.

2 Construindo o Balanço Patrimonial

Se você conversar com um contador, e perguntar detalhes sobre a construção do balanço patrimonial de uma empresa, certamente surgirão tantos detalhes técnicos que parecerá muito trabalhoso construir o de suas finanças pessoais. Porém, vamos sugerir uma construção de balanço simples, como o elaborado na ETAPA 1, que servirá apenas para acompanhar a qualidade dos ativos (ativo bom e ruim), a situação dos seus

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passivos (como estão suas dívidas), além de verificar se ao longo do tempo o comportamento de seu patrimônio líquido (seu capital pessoal).

Em uma planilha eletrônica ou uma folha de papel, faça duas colunas: uma de ativo e outra de passivo, lembrando que dentro do passivo destacará um espaço para o patrimônio líquido, conforme a tabela a seguir.

Exemplo de Balanço Patrimonial Pessoal

Ativo R$ Passivo R$

Casa 50.000 Dívida cartão de crédito (8% a.m.) 1.000 Carro 20.000 Financiamento do carro (2% a.m.) 10.000 Móveis 3.000

Caderneta de Poupança 2.000

Patrimônio Líquido R$

Capital pessoal 64.000

Total do ativo 75.000 Total do Passivo 75.000

Para a elaboração do Balanço, relacione na coluna dos ativos todos os bens de valor que possui. Mas aí surge a pergunta: qual critério utilizar para essa escolha, dado que você possui uma quantidade enorme de bens dentro de casa? Isso é muito subjetivo. Quanto mais coisas desejar colocar, mais trabalho vai ter. Todavia, não colocar alguns ativos, pode atrapalhar, por exemplo, num processo de extinção de dívidas (isso porque se pode vender algumas coisas de valor, para sair do vermelho). Uma dica é inserir todos os ativos que você possui, com um valor relevante frente à sua receita mensal. Explico: para uma pessoa com receita mensal de R$4.000,00, relacionar um bem que pode ser vendido por R$80,00, pode não ser muito importante. Mas para uma que tenha renda de R$600,00 por mês, o referido valor pode ser uma soma de dinheiro importante.

Além de colocar os ativos que julgar terem algum valor relevante em suas finanças pessoais, eles devem ser colocados com seu valor de mercado. Ou seja, não é o valor que se gastou ao comprar o bem, mas o valor que ele possui hoje, caso você deseje vender esse ativo. Lembre que na ETAPA 2, os ativos que foram usados se resumiam a imóveis e veículos. Porém, existia sempre uma linha destinada a OUTROS, que nesta etapa precisa ser descrita mais detalhadamente, como por exemplo: computador, bicicleta, freezer, uma máquina que não usa mais etc. Veremos mais adiante que o nível de detalhamento será mais importante, conforme mais endividada esteja a pessoa. Outro critério importante é atentar principalmente aos bens de primeira necessidade (como

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uma geladeira, por exemplo), pois não será possível vendê-los sem precisar comprar outros.

Depois de descrito os ativos e seus valores de venda, relacione todas as suas dívidas, colocando no passivo o valor que ainda falta ser pago. Mas cabe uma observação importante nesse ponto: se a pessoa fez uma dívida de R$1.000,00 e já pagou duas parcelas de R$100,00, lembre que o que falta a ser pago não são R$800,00 (vai ser mais que isso). Isso porque parte do valor da parcela, uma parte, diminui a dívida, e outra parte paga juros. Se não souber qual o valor que ainda falta a ser pago, consulte seu credor e pergunte qual o valor do saldo devedor atual (em outras palavras, se quisesse quitar toda a dívida hoje, quanto deveria desembolsar). Importante também identificar a taxa de juros dessa dívida.

Com relação a quais dívidas colocar, as mais importantes são as advindas de empréstimos de dinheiro e financiamentos. Os exemplos mais comuns de passivos, nas finanças pessoais são: o quanto está devendo no cartão de crédito e cheque especial, ou o valor da dívida que ainda falta ser pagas no financiamento da casa, carro ou eletrodomésticos.

Com os ativos mais importantes definidos e as dívidas, a diferença entre esses valores é uma estimativa do capital pessoal, que deverá ser colocado no item patrimônio

líquido. Essa é uma forma de medir a riqueza de um indivíduo, que nada mais é do que

verificar quanto dinheiro sobraria para a pessoa, depois de pagas todas as dívidas.

Importante salientar que fazer o Balanço Patrimonial pode ser um bom instrumento de auxílio nas tomadas de decisões, se construído juntamente com o fluxo de caixa. Entender a quantas andam seus ativos e passivos ano a ano, por exemplo, mostra se está sendo positivo o resultado de seu comportamento financeiramente mais responsável.

3 Importância do fluxo de caixa

Uma atitude extremamente importante, principalmente para quem está com uma vida financeira instável, é a construção da planilha de fluxo de caixa. É ela que vai mostrar se está entrando ou saindo mais líquido da caixa d’água. É uma variável dinâmica que demonstra de onde vem seu dinheiro e, principalmente, para onde está indo. A idéia é anotar todas as receitas e despesas de um mês completo. Quando escrevo

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TODAS, significa que não se pode excluir nem um centavo gasto ou recebido, ao longo desse tempo. Já foi citada em capítulo anterior a palavra DISCIPLINA, sendo nesse momento, uma das coisas mais importantes. Muitos param sua caminhada rumo à estabilidade financeira neste ponto.

Diversos autores criaram diferentes modelos de planilhas de fluxo de caixa. Nos últimos anos de cursos de educação financeira, chegou-se a um formato que considero simples o suficiente para tirar boas conclusões e obter um diagnóstico satisfatório1. Os valores devem ser separados por categorias e deverão ser preenchidos dia-a-dia. Ao final do preenchimento da planilha, se faz uma consolidação das receitas e despesas, para posterior análise. Obviamente, com o tempo, se pode construir uma planilha personalizada, contendo os itens mais importantes. O que se quer aqui não é oferecer a melhor planilha para cada pessoa, mas mostrar a importância dessa ferramenta.

A planilha separa diversas modalidades de gastos, como pagamento de aluguel, supermercado, padaria, transportes, dívidas e por aí vai. Esse papel deve ser levado consigo a todo momento, juntamente com uma caneta ou lápis, a fim de anotar toda e qualquer despesa e receita obtida. É um trabalho de formiguinha, mas que pode salvar suas finanças pessoais no longo prazo. Lembre que é pouco confiável um médico receitar um medicamento fazendo exames apenas superficiais?

Temos que colocar o dedo na ferida e verificar sua parcela de culpa pelos problemas financeiros. E isso não é ruim, porque se não tivéssemos culpa alguma, sair de uma crise financeira não dependeria de nós. Aí as coisas se complicariam.

Depois de preencher a planilha, é necessário agrupar e consolidar os dados, como no exemplo2.

1

Faça down load da planilha no site www.eandrade.com.br

2

Tecnicamente, dá-se o nome a esse instrumento financeiro de DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS. Na ETAPA 2 havíamos dado o nome de fluxo de caixa por questão de simplicidade de exposição.

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RECEITAS R$ % Salário 2500 100% DESPESAS Aluguel 400 16% Luz e água 55 2% Supermercado 320 13% Vestuário 430 17% Dívidas 300 12% Telefone 110 4% Padaria 190 7% Transporte 400 16% Outros 350 14% Total Despesas 2555 100%

Primeiramente cabe salientar que o preenchimento da planilha deve corresponder às receitas e despesas de TODA A FAMÍLIA. Portanto, quando temos duas pessoas que convivem juntas, a planilha consolidada deve dizer respeito à casa, incluindo filhos. Fica extremamente difícil ter uma vida financeira saudável se um dos cônjuges ou os filhos não se comprometem em ajudar no novo projeto de vida.

Olhando para a tabela, a primeira coisa a se notar é que a receita, no mês em questão, não cobre todos os gastos da família (existe um déficit de R$55,00). A partir daí, é possível diagnosticar quais são os itens que mais pesam nas despesas da casa e que contribuem para o endividamento atual dessa família. No exemplo, cada grupo de despesas está com suas respectivas porcentagens, sendo os mais significativos, na ordem: vestuário, aluguel, lazer, outros e supermercado.

4 Metodologia para elaboração do fluxo

No capítulo anterior vimos a importância do fluxo de caixa para um bom diagnóstico da situação financeira pessoal. Mas da forma como foi exposto, isso ainda pode gerar problemas técnicos de as pessoas se perderem com a quantidade de números colhidos, além de restar uma pergunta crucial: quais gastos podem ser cortados? Do que

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é possível abrir mão? Martins (2004)3 nos apresenta uma classificação das despesas que podem ajudar na decisão de cortes. O autor explica que a tarefa de gerenciar gastos deve possuir algum método, não podendo se cortar despesas de qualquer forma. Veja a seguir a metodologia por ele proposta, com base na seguinte classificação:

Despesas obrigatórias fixas: são aquelas que não se pode eliminar nem reduzir. Ex: aluguel, IPTU, condomínio etc

Despesas obrigatórias e variáveis: são aquelas que não se pode eliminar, mas pode reduzir. Ex: Alimentação, vestuário, higiene, limpeza, energia, água, telefone, escola, combustível etc

Despesas não obrigatórias fixas: são aquelas que se pode eliminar, mas não reduzir. Ex: empregada doméstica, plano de saúde, assinatura de jornal e revistas, TV a cabo, serviço de Internet, seguro de carro, mensalidade de clube

Despesas não obrigatórias variáveis: são aquelas que se pode eliminar e também reduzir. Ex: celular, produtos de beleza, viagens, cinema, teatro, discos, livros

Resumidamente, veja a seguinte tabela:

OF

Despesas obrigatórias fixas

Aluguel, IPTU, IPVA, condomínio etc

OV

Despesas obrigatórias variáveis

Alimentação, vestuário, higiene, limpeza, energia, água, telefone, escola, remédios, combustíveis, manutenção de carro etc NOF

Despesas não obrigatórias fixas

Empregada, plano de saúde, assinatura de jornal e revistas, TV a cabo, mensalidade de clube, seguro de carro etc

NOV

Despesas não obrigatórias variáveis Celular, produtos de beleza, viagens, cinema, teatro, discos, livros

Compreendida tal classificação, a tabela a seguir mostra um exemplo do fechamento do fluxo de caixa de um dado mês fictício, mostrando como as contas podem ser organizadas.

3

MARTINS, J. P. Educação financeira ao alcance de todos. São Paulo: Editora Fundamento Educacional, 2004.

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RECEITAS  MÊS Salários, férias e décimo terceiro  10000 (‐) impostos  2000 RECEITA LÍQUIDA  8000    DESPESAS  OF  Aluguel  1000 Condomínio  600 Ônibus  300 IPTU  100 IPVA  100 TOTAL  2100    OV  Alimentação  1200 Vestuário  300 Higiene e Limpeza  400 Energia  240 Água  180 Telefone  150 Mensalidade Escolar  600 Remédios  180 Combustível  300 Manutenção de Carros 500 TOTAL  4050    NOF  Empregada  600 Plano de Saúde  300 Seguro do Carro  200 Seguro de Vida  120 Mensalidade do Clube 100 TV a Cabo  100 Assinatura de Jornais e Revistas  80 TOTAL  1500    NOV  Celular  140 Livros e Material Escolar  200 Presentes  100 Cinema  40 Produtos e serviços de Beleza  100 Viagens  400 TOTAL  980    DESPESAS TOTAIS  8630    RESULTADO OPERACIONAL  ‐630 (‐) pagamento de dívidas  400    FLUXO DE CAIXA LÍQUIDO  ‐1030

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Obviamente essa não é uma classificação consensual. O intuito é mostrar que com uma metodologia mais bem definida, pode ficar mais fácil de fazer cortes. Obviamente, as despesas não obrigatórias deveriam ser as primeiras a serem atacadas. É nessa classe de produtos e serviços que estão a maioria das dívidas e excessos que as pessoas cometem. Muito do consumismo e compras por impulso estão em itens que não são obrigatórios, necessariamente. É óbvio, por exemplo, que vestuário é um item obrigatório. Mas ele acaba virando uma fonte de altíssimo fluxo de caixa negativo à medida que muitas pessoas acabam comprando mais roupas do que realmente precisam.

Os cálculos aqui apresentados são simples contas de adição, subtração e cálculo de porcentagem. O uso de softwares como Excel podem ajudar na organização desses dados e agilizar o processo de análise. Mas tenham em mente: o mais importante é anotar todos os gastos do mês para que se possa fazer um claro diagnóstico de como anda o fluxo de caixa. É preciso, antes de qualquer coisa, conseguir gastar menos do que se ganha. Seja para acabar com as dívidas ou para começar a investir no futuro.

5 Planejando o futuro

Compreendida importância do Balanço Patrimonial (em que podemos calcular nosso patrimônio líquido e ver a “qualidade” de nossos ativos - bons e ruins) e do Fluxo de Caixa (em que é possível entender para onde está fluindo dinheiro), é preciso planejar o futuro. Em capítulo posterior trataremos sobre o tópico de como gastar menos e ganhar mais. Porém, vamos assumir que a família do exemplo do capítulo 3 (Importância do fluxo de caixa) resolve fazer cortes para o mês seguinte, nos itens vestuário, supermercado e lazer. Dessa forma, temos a seguinte situação

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RECEITAS R$ % Salário 2500 100% DESPESAS Aluguel 400 19% Luz e água 55 3% Supermercado 250 12% Vestuário 250 12% Dívidas 300 14% Telefone 110 5% Carro 190 9% Lazer 200 10% Outros 350 17% Total Despesas 2105 100%

É fácil verificar que a nova despesa total (R$2.105,00) é menor que a receita total advinda do salário. A nova situação prevê um superávit para o próximo mês de aproximadamente R$395,00.

Dá para perceber a importância de se fazer uma planilha de fluxo de caixa? Só compreendendo perfeitamente para onde está indo o dinheiro é que foi possível fazer mudanças. E essa mudança também passa pela percepção que devemos buscar ao máximo comprar ativos bons, em vez de ruins, ao longo da vida. E mais, também é possível fazer um planejamento para o mês seguinte, consciente, e muito próximo da realidade. A partir daí, será preciso traçar estratégias que façam conseguir atingir o objetivo de gastar apenas o planejado. Outra importância de se projetar um fluxo de caixa futuro, com base nos meses anteriores, é poder se preparar para gastos como Natal, festas de aniversário, viagens de final de ano, gastos com IPVA e seguro de carro, IPTU e dar uma destinação certa para o décimo terceiro salário.

Agora, com uma expectativa de sobra em vez de déficit, passamos para uma nova fase: o que fazer com o dinheiro que está sobrando? Por isso, é importante ter objetivos claros para que se possam cumprir o planejado.

Referências

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