PRESCRIÇÃO NO DIREITO DO
TRABALHO
PRESCRIÇÃO CONCEITO NATUREZA JURÍDICA PRAZOS INÍCIO e TÉRMINO DO PRAZO TOTAL E PARCIAL ATO ÚNICO
CLÁSSICO (Teoria inamentista da ação = ação é reflexo do direito lesado ou reação deste à sua violação)
Prescrição é a extinção de uma ação ajuizável em virtude da inércia de seu titular durante um certo lapso de tempo, na ausência de causas preclusivas de seu curso (Câmara Leal = Prescrição e Decadência).
PRESCRIÇÃO : CONCEITO
A ação como direito subjetivo público, abstrato e autônomo não prescreve! A ação independe do direito material
invocado.
Na processualística científica, o direito de poder exigir de outrem um ação ou omissão denomina-se PRETENSÃO!
Art. 189 do Código Civil: Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos
prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
CCB = Art. 189
CONCEITO: prescrição é a perda da prerrogativa de exigir o cumprimento de uma obrigação, por não tê-lo feito o credor no prazo fixado em lei. OU: prescrição é a perda da
eficácia da pretensão, por não ter sido exercida no prazo legal (Ari Pedro Lorenzetti)
Diz o autor que “a prescrição não é fato gerador de outros efeitos senão o próprio efeito, que consiste no desaparecimento de um atributo do crédito, qual seja, a
DE outra forma:
Prescrição : objeto
OBRIGAÇÃO
dívida = vínculo subjetivo
O direito sobrevive sem atributo da EXIGIBILIDADE
<>
cumprida a obrigação
voluntariamente, não há direito à repetição do pagamento responsabilidade = vínculo objetivo P R E S C R I Ç Ã O Com a prescrição o cumprimento da obrigação depende da vontade exclusiva do devedor
Caracteriza-se a prescrição como a perda da eficácia da pretensão. Não afeta a existência da pretensão nem a
validade do crédito, apenas sua eficácia
Natureza jurídica
Não decorre apenas do decurso do tempo, mas da inércia do credor durante o prazo legal. Depende de dois
requisitos:
inércia injustificável do credor
exigência do crédito
Os efeitos da inércia (= perda da eficácia da pretensão) decorrem de lei e independem da vontade
A PRESCRIÇÃO se vincula a uma regra de PAZ e
SEGURANÇA SOCIAL
Fundamento
<> Pontes de Miranda <>
“(...) os prazos prescricionais servem à paz social e à segurança jurídica. Não destroem o direito, que é; não cancelam, não apagam pretensões; apenas, encobrindo a eficácia da pretensão, atendem à conveniência de que não
perdure por demasiado tempo a exigibilidade ou a acionalidade”
E o caráter alimentar do crédito trabalhista?
Fundamento: CLT
A prescrição beneficia a parte mais forte na relação jurídica de trabalho. Mas o Art. 8º da CLT diz que nenhum interesse
de classe ou particular deve prevalecer sobre o interesse público (Arion Sayão Romita). Há um interesse jurídico-social na
SEGURANÇA JURÍDICA!
Art. 8º CLT - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência,
por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e
costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.
Artigo 11 da CLT, que vigorou entre 10.11.1943 até 05.10.1988: “Não havendo disposição especial em contrário nessa Consolidação, prescreve em dois anos o direito de pleitear a reparação de qualquer ato infringente de dispositivo nela contido”
Com a CF/88, o Artigo 11 da CLT foi modificado (mas pela Lei 9.658, de 5.6.1998), adequando-se à CF;
Os rurais foram inicialmente excluídos da previsão do Art. 11 da CLT. O Decreto n. 1.237/39 previa apenas a prescrição após o término do contrato, o que foi mantido pelo Art. 10 da Lei 5.889/73 (Lei do Trabalhador Rural)
Havia uma presunção de que o trabalhador rural, se
ajuizasse ação em face do empregador, no curso do contrato, seria imediatamente despedido, porque, ao contrário do trabalhador urbano não foi contemplado com estabilidade decenal;
Na Assembléia Nacional Constituinte, enquanto os empresários se preocupavam em acabar com a estabilidade decenal, os trabalhadores conseguiram inserir no texto aprovado na Comissão de Sistematização um dispositivo que estendia a todos os empregados, sem distinção (só dos rurícolas) de que o prazo prescricional não fluiria na vigência do contrato de trabalho.
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
No Plenário, a disposição causou impasse e houve entendimento político, para a construção do inciso XXIX da CF/88 (dois prazos);
Redação original da CF/88 foi a seguinte: PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
Art. 7º -XXIX CF- ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de a)cinco anos para os trabalhadores urbano, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; b) até dois anos após a extinção do contrato, para o
trabalhador rural
Em relação ao trabalhador rural a regra permaneceu a mesma (prescrição 2 anos após o término do contrato), até a
EC 28, de 25.5.2000, que unificou as regras da prescrição para trabalhadores urbanos e rurais.
Houve nova redação da alínea “a” e supressão da
alínea “b”
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA – Emenda
Constitucional 28 , de 25/05/2008 – 18 anos após
Art. 7º -XXIX CF- ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
a) Revogado pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000
O período do prazo trabalhista não é desfavorável, frente às previsões do Código Civil Brasileiro (Art. 206 = prazo prazo 10 anos)? O que justifica a diferença desses
prazos
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
Crédito trabalhista possui natureza alimentar, então sua
fixação deveria ser em lapso maior
PRAZO X INTERESSE SOCIAL
PRESSÃO EMPREGADORES= empresa não pode ficar à mercê de demandas perturbadoras de
seu funcionamento (Ex.: reintegração após 15 anos) DIFICULDADE DE PROVA =
desaparecimento de meios necessários a demonstrar o
DECADÊNCIA é a perda da oportunidade de
implementar um direito, pelo transcurso do prazo
dentro do qual poderia ter sido exercitado.
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
DECADÊNCIA
DECADÊNCIA
PRAZO ESTABELECIDO PARA O IMPLEMENTO DE UM
DIREITO
PRESCRIÇÃO
PRAZO ESTABELECIDO PARA EXIGIR O CUMPRIMENTO DE
UMA OBRIGAÇÃO
Observa-se apenas o transcurso do prazo, sem consideração de
sua causa determinante
O transcurso do prazo somente é causa eficiente, se houver
DECADÊNCIA afeta os direitos potestativos ou
formativos = faculdade de criar, modificar ou extinguir
uma relação jurídica unilateralmente, sem a
colaboração ou concorrrência da outra parte, que sofre os efeitos decorrentes desse exercício.
Há o perecimento de um direito potestativo: o direito potestativo perde sua eficácia, pelo transcurso do tempo em que poderia ter sido exercitado
DOIS FATORES DISTINTIVOS ENTRE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
OS DIREITOS POTESTATIVOS são direitos sem pretensão, pois são insuscetíveis de violação, já
que a eles não se opõe um dever de quem quer
que seja, mas uma simples SUJEIÇÃO (José Carlos Barbosa Moreira)
Exemplo figurativo: compara-se a decadência (de
direitos potestativos) a produtos perecíveis : vencido o “prazo de validade” tornam-se impróprios para o
consumo, uma vez que perdem suas propriedades (. DECADÊNCIA
Os Artigos 208 e 178, I e III do CCB não contrariam a natureza jurídica da decadência?
DECADÊNCIA não FLUI =
ABSOLUTAMENTE INCAPAZES ATOS PRATICADOS SOB COAÇÃO ou RELATIVAMENTE INCAPAZES
Hipóteses que constituem exceção à própria DECADÊNCIA
e não um tipo de
Exemplos de direitos potestativos de natureza decadencial no Direito do Trabalho = (1) rescisão do vínculo (sem efeito prático porque nas modalidades de dispensa, mesmo de justa causa, não há fixação de prazo para o legislador); (2) Art. 853 da CLT= prazo de 30 dias para
instauração de inquérito judicial para apuração de falta grave
(com efeito prático). Ver Art. 474 da CLT que diz que a suspensão
do contrato por mais de 30 dias, importa rescisão injusta do contrato; (3) prazo para requerer a conversão de 1/3 de férias em abono pecuniário = 15 dias antes do término do período aquisitivo.
DOIS FATORES DISTINTIVOS ENTRE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
Na prescrição o TEMPO é FATOR OPERANTE ( já que é a inércia que é determinante); na decadência
o TRANSCURSO DO TEMPO é CAUSA
O PRAZO do Art. 7º, XXIX da CF/88 é de prescrição ou decadência?
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
Não é de decadência. Porque não nasce direitos com a extinção do contrato para o trabalhador. Ele pré-existe a esse momento:
Ex1 =aviso prévio proporcional/multa fundiária.
Ex 2 =mesmo no caso de indenização do PDV = previsão contratual ou coletiva
A rescisão não é fator DETERMINANTE (decadência) de um DIREITO!!
Rescisão é marco inicial do prazo para EXIGIR o direito.
Existem dois 2 prazos para a prescrição trabalhista (5 e 2 anos)?
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
NÃO!!!
Há um concurso de prazos prescricionais e não dois tipos diferentes de prazos: inicialmente tem-se
o prazo de 5 anos; uma vez extinto o contrato, o prazo passa a ser de 2 anos
INICIO DO PRAZO PRESCRICIONAL = actio nata
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
Prescrição quinquenal contada a partir do dia imediato à violação do direito
(exigibilidade do crédito)
Na extinção contratual: conta-se a prescrição bienal a partir do dia imediato (Exs.: aviso prévio/data afastamento)
É a data da lesão:
vencimento obrigação
Antes disto não se pode exigir o cumprimento da obrigação. EX.: gratificação natalina = pagamento em 20/12
CRÉDITO DO EMPREGADOR E PRESCRIÇÃO
Aplica-se o prazo previsto no art. 7º. XXIX DA CF ao empregador?
Artigo 7º, XXIX da CF?
Se o crédito é de natureza trabalhista, sim.
Tanto o artigo 7º, inciso XXIX da CF como o art. 11 da CLT relacionam a prescrição com créditos resultantes das
CRÉDITO DO EMPREGADOR E PRESCRIÇÃO
EXEMPLOS DE RELAÇÃO DE TRABALHO E RELAÇÃO CIVIL e respectivas ações para o EMPREGADOR
Artigo 7º, XXIX da CF?
Ex. 1 = ação de reparação civil do empregador quanto ao valor objeto de apropriação indébita realizada por empregador, gestor da empresa, com competência da JT
Ex. 2 = ação de retomada do imóvel em relação a comodato realizada entre a empresa e determinado empregado = Justiça Comum Estadual
No exemplo 2 pode haver discussão acerca da competência, sob o argumento de que o comodato foi firmado em decorrência de
PRESCRIÇÃO TOTAL ou PARCIAL
Ex 1 = prescrição do AVISO PRÉVIO = é total, pelo prazo bienal que se inicia após a extinção do contrato de trabalho;
Ex2 = prescrição de HORAS EXTRAS = é parcial, porque o trabalhador adquire o direito a cada vez que cumpre horário estendido. Pelo prazo de 5 anos, até o limite
de 2 após a rescisão.
Ex3 = supressão de AUXÍLIO ODONTOLOGICO concedido contratualmente = é total a partir da data da supressão, pelo prazo de 5 anos, até o limite de 2 após a rescisão
contratual
A PRESCRIÇÃO é TOTAL quando o direito não se renova, periodicamente
Prescrição total quando alcança todos os créditos decorrentes emergente de um DIREITO de igual NATUREZA.
A prescrição total pode ocorrer pelo prazo BIENAL ou QUINQUENAL
PRESCRIÇÃO PARCIAL
REGRA : ACTIO NATA
Súmula 06, IX do TST - Na ação de equiparação salarial, a prescrição é parcial e só
alcança as diferenças salariais vencidas no período de 5 (cinco) anos que precedeu o ajuizamento. (ex-Súmula nº 274 – alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003);
Súmula275 - Prescrição. Desvio de função e reenquadramento. I - Na ação que objetive corrigir desvio funcional, a prescrição só alcança as diferenças salariais vencidas no período de 5 (cinco) anos que precedeu o ajuizamento.
O DIREITO se renova gerando o direito à PRESTAÇÃO, e uma nova pretensão no seu respecitvo vencimento EX.: he
PRESCRIÇÃO TOTAL ou PARCIAL
OJ 175 - Comissões. Alteração ou supressão. Prescrição total. (Inserida em 08.11.2000. Nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 248 da
SBDI-1, DJ 22.11.2005)
A supressão das comissões, ou a alteração quanto à forma ou ao percentual, em prejuízo do empregado, é suscetível de operar a prescrição total da ação, nos termos da Súmula nº 294
do TST, em virtude de cuidar-se de parcela não assegurada por preceito de lei.
PRESCRIÇÃO TOTAL ou PARCIAL
COMISSÕES
A prescrição de comissão pode ocorrer tanto pelo prazo quinquenal, durante o contrato, como pelo bienal, após a extinção do pacto laboral;
Pode resultar tanto da omissão do credor no prazo de 2 anos após a cessação do contrato de trabalho; como do transcurso de 5 anos durante o contrato (é sempre TOTAL);
Normalmente, a prescrição total se relaciona ao prazo bienal; mas há prescrição total por prazo quinquenal;
Outros exemplos de prescrição total com
prazo quinquenal
Súmula 275, II do TST – correção enquadramento funcional;
OJ 243 da SDI-1 – reajustes salariais que deveriam ser concedidos em data
PRESCRIÇÃO POR ATO ÚNICO Súmula 294 do TST/Arts. 468 e 444
da CLT
Súmula 294 do TST - Prescrição. Alteração contratual. Trabalhador urbano (Cancela as Súmulas nºs 168 e 198 -Res. 4/1989, DJ 14.04.1989) Tratando-se de ação que envolva pedido de prestações sucessivas decorrente de alteração do pactuado, a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado por preceito de lei.
A comissão não está estabelecida na lei como direito decorrente do contrato. Mas a irredutibilidade salarial está nos Artigos 7º, VI da CF e decorre do Art. 468 da CLT? Não é direito assegurado por lei?
PRESCRIÇÃO POR ATO ÚNICO EXCEÇÃO: ORIGEM DO DIREITO
A Súmula 294 do TST trata de prescrição quanto à ALTERAÇÃO DO PACTUADO, e exclui a incidência da prescrição total (pelo prazo bienal ou quinquenal) quando a origem do direito seja a lei.
Exemplo = ATS x redução salarial
A ORIGEM do ATS é previsão contratual. Há supressão. Então
pode pedir a nulidade da ALTERAÇÃO CONTRATUAL. Com base no quê? No Art. 468 da CLT. Passou 5 anos no curso do contrato ou 2 anos após sua extinção, não se discute mais a
NULIDADE DA ALTERAÇÃO CONTRATUAL. O Art. 468 da CLT
não estabelece a origem do direito (ATS), mas a imutabilidade objetiva do contrato
SÚMULA 294 DO TST
DIREITO GARANTIDO POR LEI
Por quê em relação a direito garantido por lei não incide a PRESCRIÇÃO TOTAL na ALTERAÇÃO DO PACTUADO?
Porque quando o direito tem origem na LEI, é cláusula obrigatória do CONTRATO DE EMPREGO, nos termos do
Art. 444 da CLT. Não há possibilidade de se discutir a legalidade da alteração. É SEMPRE ilegal qualquer
SÚMULA 294 DO TST
DIREITO GARANTIDO POR LEI
Se o empregador deixa de pagar o adicional previsto em lei, estará descumprindo o contrato, porque as normas coletivas e a lei a ele se incorporam.
Ex.: adicional de insalubridade/periculosidade/transferência
Direitos que não possuem como fonte primária o contrato de trabalho, por este não podem ser suprimidos ou
SÚMULA 294 DO TST
DIREITO GARANTIDO POR LEI