MINISTÉRIO DA FAZENDA
Secretaria do Tesouro Nacional – STN
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE
TRANSFERÊNCIAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS
IOF-Ouro
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1 APRESENTAÇÃO
Esta publicação tem por objetivo forne-cer informações básicas sobre as parcelas dos impostos federais recolhidos aos cofres do Tesouro Nacional que, por força de dispo-sitivos constitucionais e legais, são transferi-das da União para Estados, Distrito Federal e Municípios.
Abordaram-se neste texto as transferên-cias relativas ao imposto sobre operações relativas ao metal ouro como ativo financeiro – o IOF-Ouro, no qual se procurou imprimir uma estrutura simples para responder, de forma clara e direta, às principais indagações de todos os interessados pelo assunto.
2 IOF-OURO
Embasamento Legal
O imposto sobre operações financeiras ligadas ao ouro, o IOF-Ouro, é de competên-cia da União e foi instituído pela Constituição Federal de 1988 em seu art. 153, inciso V, parágrafo 5º, tendo sido regulamentado pela Lei 7.766, de 11 de maio de 1989.
Esta lei define o ouro como ativo finan-ceiro quando destinado ao mercado financei-ro ou à execução da política cambial do País, em operações realizadas com a interveniên-cia de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, na forma e condições autorizadas pelo Banco Central, ficando, nes-te caso, sujeito exclusivamennes-te à incidência
do IOF. Assim, a aquisição inicial do ouro ativo financeiro só pode ser feita por pessoa jurídica, e esta é responsável por caracterizar nas notas fiscais correspondentes, e em ou-tros documentos que identifiquem a opera-ção, essa destinação para o metal, assim como a Unidade da Federação e o Município de origem (Lei 7.766/89, arts. 3º, 7º e 12).
A transferência do montante da arreca-dação do IOF-Ouro para Estados, Distrito Federal e Municípios foi determinada pela própria Constituição de 1988 no art. 153, conforme a origem do ouro ativo financeiro. Do total da arrecadação, 30% são destinados à Unidade da Federação e 70% ao Município. O IOF-Ouro começou a ser distribuído em novembro de 1989.
Pela Lei 7.766/1989, Art. 4º, parágrafo único, atualmente a alíquota do IOF-Ouro é de 1%.
É importante notar que, como o repasse do IOF-Ouro é o total arrecadado do mesmo, o montante transferido a cada período é dire-tamente proporcional ao desempenho da arrecadação líquida desse imposto no perío-do anterior.
A Figura 1 ilustra o acima exposto numa linha de tempo, enquanto a Figura 2 mostra a inter-relação entre os diversos documentos legais.
Fig. 1 – Histórico da legislação sobre transferências IOF-Ouro.
Fig. 2 – Inter-relação entre a legislação sobre transferências IOF-Ouro. 1989 nov mar out 1988 1989 CF L 7766 IOF, IOF-Ouro transferência IOF-Ouro - criação - 100% arrec regulamenta IOF-Ouro transferência IOF-Ouro - início -
CF 88
Art. 153, V Cria o IOF Art. 153, § 5º Caracteriza o IOF-Ouro e cria o repasse L 7.766/89 Regulamentação3 FLUXO DE RECURSOS
Os contribuintes IOF-Ouro recolhem re-gularmente esse imposto na rede bancária, de acordo com a legislação pertinente. O montante dessa arrecadação é transferido por cada instituição financeira, conforme previsão contratual entre o banco e a Receita Federal do Brasil – RFB, para a Conta Única do Tesouro Nacional – CTU. Os bancos re-passam as informações relativas ao recolhi-mento efetuado para a RFB. Decendialmente, por meio de processamento eletrônico, a RFB classifica o montante da arrecadação bruta de tributos relativa ao período e das dedu-ções correspondentes (restituidedu-ções, retifica-ções e compensaretifica-ções), se houverem, apu-rando, desta forma, a arrecadação líquida do período. Tais informações são registradas no
Sistema Integrado de Administração Finan-ceira do Governo Federal – SIAFI.
Pelo menos mensalmente, a Secretaria do Tesouro Nacional – STN – consulta no SIAFI as informações do período anterior e transfere ao Banco do Brasil o valor global a ser repassado que, no caso do IOF-Ouro, corresponde a 100% da arrecadação líquida. O Banco do Brasil, por sua vez, credita nas contas correntes dos Entes Federativos os respectivos valores que lhes cabem, segundo informações da RFB fornecidas com base nos documentos de arrecadação do imposto. A RFB é também responsável por enviar men-salmente ao Departamento Nacional de Pro-dução Mineral cópias dos documentos de arrecadação (Lei 7.766, Art. 11, parágrafo único).
A Figura 3 ilustra o exposto acima.
Fig. 3 – Fluxo de recursos das transferências IOF-Ouro. 4 PERGUNTAS FREQUENTES
4.1 QUAL A PERIODICIDADE DAS TRANSFERÊNCIAS DO IOF-OURO?
A periodicidade máxima dos repasses é mensal (Lei 7.766, Art. 11, parágrafo único), mediante crédito em conta corrente no Ban-co do Brasil. O valor transferido toma por base a arrecadação do IOF-Ouro do período anterior.
4.2 O IOF-OURO PODE SER CREDITADO EM QUALQUER BANCO?
Não, atualmente ele pode ser creditado somente no Banco do Brasil, em agência de livre escolha do Ente Federativo.
4.3 QUAIS OS CRITÉRIOS PARA A DIS-TRIBUIÇÃO DO IOF-OURO?
O IOF-Ouro é distribuído para o Municí-pio e Estado ou Distrito Federal onde o ouro foi produzido ou, em caso de origem no exte-rior, nos Entes Federativos de ingresso no país. A identificação é feita na documentação fiscal da operação, cuja compilação e envio de informações às instituições competentes cabe à RFB. informam
CTU
STN
100% líquido (mensalmente)RFB
informa valores E, DF, M Contribuinte do IOF-Ouro Bancos (periodica- mente)RFB
(decendial- mente)SIAFI
BB
70% contas individuais M 30% contas individuais E/DF recolhe depositam classifica credita transfere3/7
4.4 COMO SEI QUAL O VALOR DO RE-PASSE DO IOF-OURO PARA MINHA UNI-DADE FEDERATIVA?
Existem duas formas distintas de realizar essa consulta. Acesse a página “Prefeituras e Governos Estaduais” da Secretaria do Tesou-ro Nacional, no link:
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/prefeitur as
Na seção “Dados Consolidados” escolha a opção “Transferências” e, em seguida, cli-que no link “Transferências Constitucionais Legais”. Em seguida, na seção “Dados Con-solidados”, embaixo do título “Liberações Mensais por Tipo de Transferência – Série Histórica, exceto Fundeb”, clique no link “IOF-Ouro-Estados”. Faça a sua escolha, en-tre “Abrir” e “Salvar”, e você terá acesso a uma planilha Excel com várias abas.
Faça a sua escolha, entre “Abrir” e “Sal-var”, e você terá acesso a uma planilha Excel com várias abas, uma para cada ano. Caso você queira saber os valores repassados a um Estado, vá à aba do ano escolhido e você terá diretamente as quantias creditadas mês a mês no ano selecionado. Por exemplo, em setembro de 2009 foram transferidos, a títu-lo de IOF-Ouro, R$ 150,40 para o Estado da Paraíba e R$ 61.299,31 para o Estado do Pará.
Caso você queira saber os valores repas-sados aos Municípios de um Estado, clique no link “IOF-Ouro-Municípios” e obtenha a plani-lha de municípios. Por exemplo, no ano de 2009 foram transferidos, a título de IOF-Ouro, um total de R$ 45,20 para os Municí-pios do Estado de Tocantins e R$ 1.930.019,56 para os Municípios do Estado do Pará.
Para saber valores transferidos para um Município específico, vá ao link:
http
://www3.tesouro.gov.br/estados_municip ios/transferencias_constitucionais_novosite.a spNa seção “Municípios”, selecione na caixa correspondente o Estado de seu Município (por exemplo, São Paulo), que na caixa logo abaixo será aberta uma lista com todos os Municípios daquele Estado; em seguida, se-lecione o Município desejado (por exemplo, Santos), marque a transferência em questão na caixa superior direita (no caso, “IOF-Ouro”), selecione o ano desejado (digamos, 2010) e, enfim, o mês (este pode ser deixa-do em branco); escolha o formato desejadeixa-do para o resultado da pesquisa (por exemplo, “XLS”) e clique em “Consultar”: abrir-se-á
uma janela perguntando se você quer abrir ou salvar o arquivo. Salve-o em seu compu-tador e, em seguida, abra-o, que será mos-trada uma planilha com as informações soli-citadas. No exemplo em questão, o Município de Santos, SP, recebeu em 2010, a título de IOF-Ouro, R$ 2.647,89 em janeiro e R$ 1.648,79 em fevereiro, e nada mais durante aquele ano.
Cabe ressaltar que, com a planilha salva em seu computador, você poderá fazer tota-lizações, comparações, projeções, criar histó-ricos e realizar qualquer tipo de cálculo e trabalho com dados, empregando os recur-sos do Excel.
Navegue pela página da Secretaria do Tesouro Nacional, que você descobrirá inú-meras outras possíveis consultas.
4.5 QUAIS DESCONTOS E RETENÇÕES INCIDEM SOBRE O IOF-OURO?
Somente o desconto de 1% referente ao PASEP, que vale tanto para as transferências para Estados e DF como para Municípios. 4.6 PORQUE NÃO HÁ RETENÇÃO DO FUNDEB SOBRE O IOF-OURO?
O Fundo de Manutenção e Desenvolvi-mento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB – foi instituído pela Emenda Constitucional 53, de 19 de dezembro de 2006, e regulamenta-do pela Medida Provisória 339, de 28 de de-zembro do mesmo ano, convertida na Lei 11.494, de 20 de junho de 2007, tendo sido iniciada a sua implantação em 1º de janeiro de 2007.
A Medida Provisória, depois transforma-da em Lei, que criou o FUNDEB nomina um a um os fundos e tributos que o compõem, quais sejam:
Fundo de Participação dos Esta-dos – FPE;
Fundo de Participação dos Municí-pios – FPM (parcela de 22,5%); Imposto sobre Circulação de
Mer-cadorias e Serviços – ICMS; Imposto sobre Produtos
Indus-trializados proporcional às expor-tações – IPI-Exportação;
Desoneração de Exportações (Lei Complementar 87/1996);
Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações – ITCMD;
Imposto sobre Propriedade de Ve-ículos Automotores – IPVA;
Quota Parte de 50% do Imposto Territorial Rural devida aos Muni-cípios – ITR – ou 100% do valor
do imposto, caso seja arrecadado pelo próprio Município; e
Receitas da dívida ativa e de juros e multas, incidentes sobre as fon-tes acima relacionadas.
Como o IOF-Ouro não está nessa lista, não incide sobre ele a retenção do FUNDEB. 4.7 COMO TÊM EVOLUÍDO OS REPAS-SES DO IOF-OURO?
Ao contrário de outras transferências in-tergovernamentais da União, como o FPM e o FPE que beneficiam todos os Entes Federati-vos, o IOF-Ouro impacta um número reduzi-do de Estareduzi-dos e Municípios. A Tabela I
apre-senta a quantidade de Municípios que rece-beram esses repasses no período 2003-2012 e a Figura 4, o gráfico correspondente.
Cabe ressaltar que o total no período não corresponde à soma das quantidades anuais: vários Municípios receberam repasses do IOF-Ouro por dois, três ou mais anos (Porto Velho, Manaus e Altamira, por exemplo, ceberam em todos os anos do período), re-sultando num valor global menor que a soma dos números anuais. Um dado comparativo é a quantidade total de Municípios no Brasil, que era de 5.560 em 2003 e 5.565 em 2012.
Tabela I – Evolução anual da quantidade de Municípios que receberam IOF-Ouro. 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 TOTAL
55 48 56 83 85 81 63 66 68 114 285
Fonte: SIAFI
Fig. 4 – Evolução anual da quantidade de Municípios que receberam IOF-Ouro.
Como comentado anteriormente, as transferências a título de IOF-Ouro iniciaram-se em novembro de 1989, há mais de 20 anos. Para esta publicação, levantaram-se dados referentes à década de 2003 a 2012,
que são apresentados na Tabela II e ilustra-dos pela Figura 5. A Figura 6, por sua vez, mostra a distribuição dos recursos por região geográfica. 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Quan ti d ade
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Tabela II – Transferências intergovernamentais do IOF-Ouro para Estados, DF e Municípios
R$ milhões
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 TOTAL Corrente* 7,5 3,0 3,5 4,0 4,4 5,1 4,3 6,9 10,8 11,5 60,9 Constante** 12,3 4,7 5,1 5,6 5,9 6,5 5,2 7,9 11,7 11,7 76,7
* Fonte: SIAFI ** IPCA, dez/2013
Fig. 5 – Evolução anual das transferências intergovernamentais do IOF-Ouro para Estados, DF e Municípios. 0 2 4 6 8 10 12 14 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
R
$
m
ilh
ões
Fig. 6 – Distribuição regional dos recursos do IOF-Ouro no período 2004 a 2013. Para se ter uma ideia do volume de
re-cursos envolvidos nessa transferência inter-governamental da União para Estados e Mu-nicípios, apresentam-se a seguir as Tabelas III e IV com a colocação dos Entes Federati-vos mais agraciados com os repasses, na década avaliada; neste período, o Distrito Federal e o Espírito Santo não receberam transferências do IOF-Ouro (se bem que Sergipe recebeu R$ 33,92 em dezembro de 2012, nada mais na década).
Outro indicador relevante é a razão entre os valores repassados a título de IOF-Ouro e aqueles correspondentes aos fundos FPE e
FPM (que se constituem em receitas signifi-cativas dos Entes Federativos): foi feito esse levantamento, e as Tabelas V e VI apresen-tam os Entes mais bem colocados nesse as-pecto. Delas, pode-se inferir que o IOF-Ouro tem pouca significância para as finanças dos Municípios – somente os três com maiores percentuais relativos ao FPM apresentam números acima de 5%, enquanto que para os Estados as quantias são irrisórias – para Mato Grosso, o de maior percentual, esta receita representa cerca de seis centésimos por cento daquela proveniente do FPE.
Tabela III – Estados melhores colocados em transferências IOF-Ouro, em volume de recursos, total no período 2004-2013 (valores constantes a dezembro/2013).
Os 6 mais
Estado
R$ (IPCA dez/2013)
Pará
7.161.161,74
Mato Grosso 6.108.106,58
Rondônia
1.813.669,02
Amapá
1.527.652,26
Rio de Janeiro 583.988,05
São Paulo
433.992,86
62,03% 30,92% 5,93% 0,99% 0,13% N CO SE NE STotal de repasses no período: R$ 77.630 milhões valor constante, IPCA dez/2013
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Tabela IV – Municípios melhores colocados em transferências IOF-Ouro, em volume de recursos, total no período 2004-2013 (valores constantes a dezembro/2013).
Os 12 mais
Município
R$ (IPCA dez/2013)
Município
R$ (IPCA dez/2013)
Itaituba, PA
13.741.835,81 Rio de Janeiro, RJ
1.763.475,84
Porto Velho, RO
5.876.661,90 Novo Progresso, PA
1.374.113,99
Poconé, MT
4.266.966,22 Almeirim, PA
1.040.907,38
Peixoto de Azevedo, MT
3.858.127,78 Macapá, AP
977.921,40
Oiapoque, AP
3.801.763,90 Calçoene, AP
840.025,74
Alta Floresta, MT
2.297.114,62 Senador José Porfírio, PA
816.397,80
Tabela V – Estados melhores colocados quanto ao quociente IOF-Ouro/FPE, em percentual, total no período 2004-2013.
Os 6 mais
Estado
IOF-Ouro/FPE (%)
Mato Grosso
0,0596
Pará
0,0310
Rondônia
0,0223
Amapá
0,0169
São Paulo
0,0127
Rio de Janeiro
0,0117
Tabela VI – Municípios melhores colocados quanto ao quociente IOF-Ouro/FPM, em percentual, total no período 2004-2013.
Os 12 mais
Município
IOF-Ouro/FPM (%)
Município
IOF-Ouro/FPM (%)
Oiapoque, AP
11,81 Amajari, RR
2,72
Itaituba, PA
6,68 Alta Floresta, MT
2,05
Peixoto de Azevedo, MT
5,07 Matupá, MT
1,70
Poconé, MT
4,78 Novo Progresso, PA
1,66
Calçoene, AP
3,48 N. Sra. do Livramento, MT
1,58
Salmourão, SP
2,77 Senador José Porfírio, PA
1,51
4.8 COMO DEVEM SER APLICADOS OS RECURSOS DO IOF-OURO?
Não há vinculação específica para a apli-cação desses recursos.
4.9 OS RECURSOS DO IOF-OURO PO-DEM SER RETIDOS?
Não: pelo texto constitucional (art. 153, § 5º), não há previsão para tanto.
4.10 O QUE ACONTECE COM OS RECUR-SOS BLOQUEADOS?
Não se tem notícias de retenção até hoje de recursos do IOF-Ouro.
4.11 OS RECURSOS DO IOF-OURO PO-DEM SER CONTINGENCIADOS?
Não, a União não pode contingenciar re-cursos das transferências constitucionais e legais.