Direito Comercial I - 4º Bimestre
Representação das marcas:•Nominativas: as constituídas por uma ou mais palavras e/ou combinações de palavras, sem grafia especial (proteção do nome) •Figurativas: as constituídas por desenhos, imagens, emblemas, algarismos, letras e outros sinais gráficos; (proteção a figura) •Mistas: as formadas por uma parte nominativa e outra figurativa (desenhos + palavras e logotipos em geral) com ou sem cores; (proteção do nome e a imagem)
• Tridimensionais: consistem na forma do produto ou de seu invólucro (ex.: garrafa da Coca-Cola). Cria uma embalagem diferente para identificar o produto.
Natureza:
Marca de produto ou serviço : distingue produto ou serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa. Marca de certificação: atestar a conformidade de um produto/serviço com determinadas normas ou especificações técnicas,
notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado, metodologia empregada; Ex: marca do Inmetro.
Marca Coletiva : identifica produtos ou serviços provindos de membros de uma mesma entidade. Ex: marca de cooperativa Marca Notória: Possui um prestígio tão grande que ultrapassa os limites de seu mercado, sua proteção vai além da sua
classe/atividade, a marca notória é protegida em todas as classes.
Territorialidade é no Brasil, se perder a proteção geral fica somente na classe.
Marca de Alto Renome : Mais famosa que a marca notória, possui proteção nacional e internacional, em todas as classes de atividades e independente de registro prévio;
Territorialidade dentro e fora do Brasil. Violações: Penalidade diferente.
1. Contrafação : Cópia idêntica ao produto/marca verdadeiro, de difícil identificação; (se refere a toda propriedade industrial) 2. Imitação : Cópia grosseira/ordinária do produto/marca, facilmente perceptível;
Vigência:10 anos – PRORROGÁVEIS; Extinção:
1. Encerramento do prazo de proteção, sem renovação; 2. Renúncia, é expresso.
3. Caducidade, não uso da marca.
INVENÇÃO, MODELOSDEUTILIDADEEDESENHOINDUSTRIAL
Conceitos:
1. Modelo de utilidade: toda forma ou dispositivo novo obtido ou introduzido em objetos conhecidos, desde que tenham alguma funcionalidade prática e melhora a utilidade.
2. Invenção: solução técnica para um problema da natureza com a finalidade industrial, sucesso na ação ou processo de busca para inventar, criar algo distinto do existente, é uma inovação no estado da técnica.
3. Desenho industrial: Toda forma plástica ornamental de um objeto ou conjunto de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando um resultado visual novo e original na sua configuração externa e que tenha um modo de produção industrial.
Patente só para invenção e modelo de utilidade Registro serve ao desenho industrial
Requisitos:
1. Originalidade: feito sem referencia ou modelo, sem antecedente ou precedente. 2. Novidade relativa: não foi registrado ou patenteado, deve estar disponível. 3. Licitude: deve ser licita, não ofender a moral e os bons costumes.
4. Industriabilidade: aplicação industrial ou econômica
Podem ser objeto de cessão (cede-se a marca a terceiro) transferência (por prazo determinado) ou licença paga (utilização juntamente com o titular, a qual incidirá o pagamento de royalties, retribuição econômica)
Licença compulsória: A patente é um direito exclusivo, porem, exige a devida exploração econômica, sem a qual ocorrerá a licença compulsória, que é a transferência a terceiro para a exploração da patente.
Cede o direito obrigatoriamente a terceiro, sem exclusividade, em razão da não utilização ou utilização abusiva. Vigência e extinção
Invenção Modelo de utilidade Desenho industrial
Vigência 20 15 15
Extinção
(aplicável a todos)
1. Renuncia 2. Caducidade
3. Encerramento do prazo de proteção. 4. Licença compulsória
ESTABELECIMENTOCOMERCIAL:
Art. 1.142 do CC/02 Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.
Conceito: Estabelecimento é o meio pelo qual se desenvolve e se organiza a atividade, é a projeção patrimonial da empresa ou o complexo de bens destinados pelo empresário ao exercício da sua atividade (organismo técnico econômico mediante o qual atua). O estabelecimento é um conjunto de bens intencionalmente unidos/afetados para viabilização da atividade e de seus fins, o empresário instrumentaliza o estabelecimento para essa finalidade.
O estabelecimento é uma UNIDADE composta de bens:
o Corpóreos: as mercadorias, maquinas, instalações, equipamentos. o Incorpóreos: os direitos, obrigações, patentes, invenções, o ponto.
O estabelecimento é Instrumentalizado intencionalmente: é resultado de união premeditada, que persiste enquanto instrumentalizada para o resultado visado.
O estabelecimento é bem MÓVEL e INCORPÓREO.
O imóvel integra o estabelecimento ou o patrimônio do titular do estabelecimento?
O prédio integra o patrimônio do titular e não propriamente o conjunto de bens que formam o estabelecimento. 1. O estabelecimento é incorpóreo, pode se localizar em imóvel emprestado/alugado.
2. NÃO se exige a ocorrência de um prédio próprio do titular.
3. O estabelecimento, localizado no prédio do titular, pode ser continuado em um prédio alugado, permanecendo o titular com o prédio de sua titularidade, pois este integra seu patrimônio.
O prédio não se confunde com o PONTO, que integra o estabelecimento e se origina do direito que se tem de permanecer ou não naquele local.
Esse aspecto do ponto ajuda a compreensão da indagação no tocante a situação do prédio, o prédio não integra o estabelecimento mas integra o patrimônio da pessoa.
Dependendo do tipo de estabelecimento, sua localização é determinante.
Direito a renovatória: Essa ideia foi acentuada depois das grandes guerras, pois o direito do proprietário de exigir o imóvel de volta tornava-se abusivo. O inquilino não desejava devolver o imóvel em local em que seu comercio se tornou conhecido. O direito a renovatória dá ao inquilino o direito de permanecer com o imóvel mesmo contra a vontade do proprietário (poderia inclusive ser passado a terceiro, quem suceder o inquilino) desde que atendidas certas condições (estabelecidas na Lei 8.245) Ex: Contrato escrito, permanecer 3 anos na mesma atividade.
Natureza do estabelecimento: que é conjunto de bens corpóreos e incorpóreos, afetados e instrumentalizados intencionalmente. O estabelecimento é unidade formada de outras unidades (reunião de coisas distintas sob uma única unidade) que passa a ser objeto de relação jurídica, ensejando tratamento único.
Universalidade:
1. De direito: definida e disciplinada pela lei. Ex: herança, massa falida. 2. De fato: provocada pela situação em si e assim considerada.
a. Apesar do art. 1.142 do CC o tratamento legal não atinge todas as relações decorrentes do estabelecimento, é uma unidade em razão da praticidade em que ele é visto no meio obrigacional.
Características:
1. Aviamento: atributo ou modo de ser do estabelecimento e que influencia na capacidade deste de produzir lucro e atrair a clientela. É o diferencial com relação a mesma atividade desenvolvida por outras pessoas.
a. Ex: disposição da vitrine, disposição interna do estabelecimento, qualidade da mercadoria, capacitação dos funcionários.
b. É algo imaterial, imperceptível mas que agrega.
2. Clientela: A clientela são as pessoas que se utilizam dos bens e serviços oferecidos pelo estabelecimento, pessoas que se vinculam aos bens e serviços do estabelecimento são divididos em dois grupos:
a. Propriamente dita: Clientela são aqueles clientes permanentes do estabelecimento e se identificam com o estabelecimento, valorizam os predicados do estabelecimento e assim, se tornam fieis a uma relação de fidelidade e confiança com os bens e serviços do estabelecimento.
b. Freguesia: são usuários do estabelecimento ou bens e serviços oferecidos por este, que não possuem nenhuma identidade, não se preocupam com o predicados dos estabelecimento e simplesmente com sua facilidade, conforto e necessidades. A freguesia não é permanente ou fiel, não tem relação de constância com o estabelecimento. Clausula de não concorrência: Quem vende um estabelecimento pode subscrever uma clausula de não concorrência, em que se compromete a não exercer a mesma atividade durante um certo período.
O código no Art. 1147 limita o tempo dessa clausula em até 5 anos:
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência.
Titulo do estabelecimento: sinal externo identificativo do estabelecimento e não do empresário, é insígnia, desenho emblema ou composição que identifica o estabelecimento.
Deixou de ter disciplina legal especifica , a lei atual de propriedade industrial não o disciplina.
Requisitos: Ao contrario do nome comercial, a formação do titulo de estabelecimento é livre, não há necessidade de observar o principio da veracidade, pode ser um nome abstrato.
Natureza: O titulo de estabelecimento é bem incorpóreo, seu regime é o dos bens móveis. Se adquire pela criação, ocupação, apropriação, apoderação.
Perda: Perde-se o titulo de estabelecimento pela venda, renuncia, abandono, alienação. Exclusividade : há reivindicação de quem injustamente o detiver.
Transferência : pode ser feita independentemente da alienação do estabelecimento. Este direito é transferível, tanto o titulo como o estabelecimento podem ser transferidos separadamente, pois tratam-se de bens moveis.
BOLSADEVALORES: dentro do sistema financeiro nacional:
1. As instituições bancárias são integradas pelos bancos comerciais, caixa econômica federal, caixas estaduais e por cooperativas de crédito.
Submetem-se a comissão de valores mobiliários
O que as separa é a atuação no credito no varejo, através da conta corrente e concessão de credito pessoal.
2. As instituições não bancarias são os bancos de investimento, sociedades de crédito e investimento, sociedade de investimento de capital estrangeiro, sociedades de arrendamento mercantil, sociedade de credito imobiliário
Não atuam no varejo, mas sim em outros tipos de relações, por exemplo, arrendamento, financiamento etc. 3. Agentes especiais: são o banco de desenvolvimento econômico e social, banco do nordeste, banco da Amazônia e o banco
do Brasil.
4. O sistema distribuidor de títulos e valores mobiliários: composto pelas bolsas de valores, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades corretoras de cambio, sociedade de compensação e liquidação de compensações. pelas caixa de registro e liquidação,
Instituições que atuam com a circulação de valores mobiliários (papeis que representam créditos, valores circuláveis no mercado)
BOLSADEVALORES:
Bolsas de valores são a instrumentalização oferecida para a negociação dirigida a determinados segmentos negociais. A bolsa oferece a estrutura negocial, o mercado a utiliza para comprar e vender. Ex: Bovespa (voltada para a compra e venda de ações), bolsa de mercadoria de futuros (compra e venda commodities e índices), bolsa de ações e futuros.
a bolsa é composta por corretores que promovem a intermediação de compra e venda desses valores. Todas as operações lá feitas são remetidas a compensação.
Para que um ganhe o outro tem que perder. As especulações influenciam no mercado
Constituição da bolsa: sob a forma de uma sociedade anônima, tem-se uma sociedade anônima voltada a compensação de ações, alem de outra sociedade de supervisão de mercado que fiscaliza os intervenientes em bolsas ou interessados de agirem de acordo com os regulamentos previamente estabelecidos.
A BOVESPA supervisão de mercado administra um fundo garantidor, atualmente chamado de MRP (mecanismo de ressarcimento de prejuízos) garantia e celeridade as operações na bolsa, os adquirentes sabem que se a parte não cumprir o fundo cumpre aquela obrigação, isso dá grande segurança ao mercado, isso é supervisionado pela comissão de valores mobiliários.
Organização: A bolsa dá ao mercado uma estrutura negocial, as pessoas que a usam compra e vendem de acordo com esse mecanismos por meio de corretores.
A forma de negociação oferecida é previamente estabelecidas, os mercados e tipos de negociação constam no regulamento da BOVESPA, a atuação do autores em bolsa deve se ater ao figurino desenhado no regulamento.
Os Bovespa podia inclusive aplicar penalidades
As negociações mais freqüentes e fundamentais são de três formas:
1. A vista: (regra geral) aquele que envolve um vinculo, obrigação real e imediata, com efetiva aquisição de um ativo, essa negociação corresponde a uma compra e venda a vista.
a. A formação da compra e venda se dá pelo consenso entre as pessoas sobre a coisa e o preço. a entrega do preço ou coisa corresponde ao ato de tradição, são atos de execução do vinculo existente.
b. Na negociação a vista em bolsa a compra e venda está feita imediatamente no pregão, 3 a 4 dias a vista.
2. A termo: operação na bolsa que corresponde a compra e venda a prazo, o comprador tem um tempo para pagar. Ele deve receber as ações subseqüentemente e paga posteriormente. Permite o surgimento de um vinculo real e efetivo para aquisição de um ativo real.
3. Através de opção e futuro: o que se oferece ao mercado é um direito de aquisição ou de venda no qual compra-se esse direito no dia do vencimento (chamado de dia de exercício), o titular do direito adquirido pode exercer esse direito ou não, o não exercício acarreta a perda do premio já pago anteriormente.
a. Para quem compra o vinculo é facultativo mas para quem oferece ao mercado uma opção (lançador) a oferta é obrigatória, ele não pode desistir da oferta, aquele que adquire o direito deve pagar o premio mas pode desistir na data do exercício, ou seja, não exercer o direito adquirido.
CONTRATO
Conceito: O contrato é espécie obrigacional, é o acordo entre duas ou mais vontades em conformidade com a ordem jurídica destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas.
A obrigação é um vinculo entre um sujeito que satisfaz o interesse de outro (há um credor e um devedor) Podem ter origem na lei ou na vontade das partes.
Nas obrigações que decorrem da lei pode-se citar a obrigação de indenizar em razão do prejuízo, representação do filho pelos pais.
São requisitos
1. Subjetivos : Duas ou mais pessoas (direitos e obrigações recíprocas), capacidade (exigida para os atos da vida em geral), legitimação (algo que se acrescenta a capacidade, a lei exige para uma situação ou relação jurídica. Ex: cônjuge não pode dar
2. Objetivo : Licitude (não pode envolver aspectos ou objetivos ilícitos, ofensivos a moral e os bons costumes), forma, determinação do objeto.
Principio dos contratos:
Autonomia da vontade: principio nuclear do direito privado,conjunto de regras que disciplina os particulares, ninguém é obrigado a contratar (dolo, simulação, coação etc são vícios do consentimento).
Obrigatoriedade dos contratos: as obrigações contratadas devem ser cumpridas. Em principio o contrato somente obriga as partes, mas estende direitos a terceiros em algumas hipóteses.
Relatividade dos efeitos No inicio a autonomia a autonomia era absoluta (o contratado devia ser cumprido sempre), ele ainda persiste mas de forma mitigada pois no curso do desenvolvimento do vínculo obrigacional se verificou que as partes podem contratar mas não estão em igualdade de condições (Ex: revisão do contrato pela teoria da onerosidade excessiva, teoria da imprevisão que alteram as condições iniciais de contratação etc)
As clausulas abusivas não podem ser contratadas, ainda que subscrita pelas partes. Igualdade formal
Consensualismo: as obrigações devem ser legitimamente consentidas.
As partes devem observar a boa-fé é objetiva, que é aferida pelo cumprimento ou não dos deveres das obrigações assumidas, a boa-fé objetiva é a lealdade, informação, veracidade e a transparência.
Revisão dos contratos:
o Clausula rebus sic estantibus: as obrigações contratadas não puderem ser cumpridas ou não puderem subsistir devido a alteração das condições econômicas ou fáticas em relação ao momento da conclusão do negócio (alteração significativa)
o Teoria da Imprevisão: nos contratos de trato sucessivo ou prolongados no tempo, se houver modificação superveniente de forma imprevisível (ausência de condições de estabelecer a conseqüência futura, tornando a obrigação onerosa)
o Teoria da Onerosidade excessiva (Art. 480 e 478) exige que as obrigações se tornem mais gravosas no momento de seu cumprimento do que se poderia esperar no momento da celebração (é suficiente o desequilíbrio, mas o CC fala de imprevisibilidade e extraordinariedade)
CLASSIFICAÇÃO
1. Típico e atípico: com ou sem previsão especial (segue a parte geral dos contratos) 2. Nominado e inominado: típico são contratos nominados, são específicos. 3. Civil, comercial, de consumo, administrativo.
4. Quanto a pessoa: pessoais (intuito personae em razão das pessoas escolhidas como na alienação de cotas) ou impessoais (contrato feito sem importância da pessoa como nas sociedade anônimas a pessoa do sócio não interessa)
5. Segundo as obrigações: Bilateral ou unilateral
6. Aleatório ou comutativo: quando há risco ou comutativo quando as obrigações tem correspondência entre si. 7. Quanto à Autonomia: de adesão ou paritário (quando as pessoas escolhem os direitos e obrigações)
8. Quanto a forma: pode ser solene ou não solene (informal) 9. Quanto a prazo: determinado ou indeterminado.
10. Quanto a Execução: diferida ou de cumprimento imediato.
11. Quanto a Consenso: consensual (basta apenas a vontade) ou real (como no deposito, que exige a entrega da coisa) 12. Quanto a Acessoriedade: pode ser principal ou acessório.
Os contratos constituem-se por meio de proposta e aceitação, que são denominadas de tratativas, entre ausentes ou presentes (por telefone é entre presentes), entre ausente vale a partir da sua expedição e aceitação.
Termina com o cumprimento ou se resolver por inadimplemento.
São também causas de anulação (capacidade, erro dolo coação) e a nulidade (requisitos essencial, agente capaz, objeto licito, forma prescrita ou não defesa em lei). O contrato pode ser resilido (distrato, contrato que torna sem efeito o contrato anterior).