OS COMITÉS DE EMPRÊSAS NA FRANÇA
M e s s i a s P e r e i r a D o n a t oSUMÁRIO. — Introdu;ão. PRIMEIRA PARTE : As experiências anteriores. 1 ) O»
delegado» do pessoal. 2 ) Os comités sociais de empresa. 3 ) Apreciação.
SE-GUNDA PARTE : Os comités de empresas : características gerais. 1)
Domí-nio de aplicação. 2 ) Composição e funcionamento. 3 ) Atribuições. 4 ) Apre-ciações sôbre os resultados. — Conclusão .
IN TR O D U Ç Ã O
N o regim e do salariado, o trabalhador é uma fô rç a quase mecânica na) engrenagem da em prêsa. É um estranho dentro desta. N ela não se integra, em bora dela possa v iv e r e tira r susten-to para os seus. Com mais p recisão: participa fisicam ente da em -prêsa, mas na ordem ju rídica é um ausente. É um forn eced or da fôrça de trabalho. É-lhe dado fix a r com o patrão as norm as do contrato de trabalho, não lhe é p erm itid o in terferir em uma série de condições que lhe possibilitam não só plena eficiên cia com o m aior satisfação no cum prim ento de suas obrigações. N a com uni-dade em que os dois se exercitam , há uma prestação — a do chefe da em prêsa— e Uma contra-prestação — a do trabalhador. T u d o o mais depende da com petência do em pregador. A êste, p róxim a ou re-motamente, cabem-lhe a direção, os riscos, as perdas, os b en efícios do negócio. O operário sente a consciência de sua fraqueza, o em -pregador aproveita o dom ínio de sua fôrça.
Não é de se adm irar que os frutos dessa colaboração apresen-tem inúm eros aspetos negativos. O trabalhador, sem estím ulo, cai na in d iferen ça da rotina. Despreocupase do desperdício de tem -po e de m ovim entos. A emprêsa representa-lhe o ganha-pão. N ão encontra nela um elem ento de afirm ação de sua personalidade. Ao contrário, nela vê uma resistência às possíveis m anifestações de sua capacidade. Sua alegria no trabalho é a que vem do instante em que ouve o toque de saída da usina. Sofre, em conseqüência, o n ível da produção. Rompe-se a possível harm onia entre as duas classes. Ressente-se igualmente a ordem social.
Não há dúvida que o problem a é considerado aqui em têrmos gerais. Não se pode subestimar, p or exemplo, o p apel dos sindicatos na am enização da gravidade de muitos problem as levan -tados nas relações entre o capital e o trabalho.
É de observar-se, porém, que o sindicato age, no que toca à emprêsa, de fo ra para dentro. N ã o poderia estar em contato d i-reto e d iário com a vida do atelier. N ão poderia con sid erar
cir-cunstâncias próp rias a cada usina. N a assinatura de uma conven-ção; coletiva, p o r exem plo, não seria dado ao sindicato, sozinho, velar pelo total e pleno cum prim ento das disposições nela exara-das.
Além disso, o círcu lo das reivin d icações dos trabalhadores não se fecha apenas com a obtenção dos direitos até agora alcança-dos através das convenções coletivas. Interessa-lhes tam bém a vida econôm ica da emprêsa. Far-se-ia mister, pois, a existên cia de elem entos que agissem dentro d ela . A êstes caberia zelar pela aplicação dos preceitos legais relativos ao trabalho, pela m elhoria das relações entre em pregadores e em pregados. Posteriorm ente, sua ação se estenderia sôbre o con trole da gestão patronal ou sôbre
a participação nos benefícios da em prêsa ou ainda sôbre a co- gestão.
Sob a pressão dessas idéias, surgiram sucessivamente na França os “ delegados do pessoal” , “ os com ités sociais de em prêsas” e os “ com ités de emprêsas” . Seriam êstes organism os perm anen-tes os fautores da fatura reform a da em prêsa capitalista.
REFO RM A D A EM PRÊSA
Tratar-se-ia, antes de tudo, de uma reform a de estrutura, que se processaria gradativam ente. Que objetivos a anim ariam ? P a -rece-nos p oderiam êles resumir-se nos três seguintes:
1. U ltrapassar o regim e do salariado;
2. Garantir plena eficiên cia do rendim ento da em prêsa; 3. C olocar a emprêsa a serviço do interêsse geral.
Para m uitos representantes sindicalistas os “ com ités de emprêsas” tenderiam ao coroam ento desta reforíma. Em bora, in ic i-almente, suas atribuições fôssem m ais de caráter social, a esperan-ça m aior con sistiria na penetração na órbita econôm ica da em p rê-sa. Para isso, os com ités deveriam valer-se da experiência ad qu iri-da pelos orgãos que os procederam -— os “ delegados do pessoal” e os “ com ités sociais de em prêsas” .
Cabe-nos, assim, fix a r prelim inarm ente os traços caracterís-ticos dessas duas últimas instituições. A posse dêsses elem entos será de grande interêsse para m elhor com preensão do estudo que nos propom os.
P R IM E IR A P A R T E — AS E X P E R IÊ N C IA S A N T E R IO R E S I — OS D ELEGADOS DO PE SSO AL
Datam de 1917. Criou-os Al b e r t T h o m a s, então m inistro do Arm am ento. A instituição era indiretam ente obrigatória,
uma vez que o m inistro con vidara a adotá-la os estabelecim entos sob suas ordens. Suas atribuições eram de duas esp écies:
1. Colmo intérpretes, incum biam -se, na esfera d o A telier, das reclam ações do pessoal;
2. Representavam elem entos de ligação entre seus camara-das e os chefes de atelier, em caso de desentendimentos mútuos.
A in icia tiva de 1917 estava fadada ao insucesso. Contra ela se opuseram a reação velada p elo lado dos patrões e o desinteres-se de gran de parte do operariado. Os prim eiros v ia m nos delega-dos um fo c o a mais de m alentendidelega-dos do que de apaziguam ento. Sòmentc uma sugestão em tem po de guerra poderia ocasionar a instituição dos delegados em 315 estabelecimentos dentre 341 que trabalhavam pela defesa nacional. O operariado, p o r sua vez, não com preendia a estreiteza de atribuições conferidas aos represen-tantes.
Acresceu igualmente o ciúm e das organizações sindicais dos trabalhadores em virtude da perspectiva de que a nova organiza-ção lhes fizesse som bra. Ou ainda o receio de que os patrões, atra-vés de pressão ou de meios escusos, viessem a utilizar-se dela com o arma contra o sindicalism o. P o r tudo isto, sua in flu ên cia fo i aos poucos desaparecendo.
Em 1936, a instituição reapareceu. Êste ano representa um marco sign ificativo nas revin dicações dos trabalhadores na França, em bora muitas vêzes se tenha exagerado o verd ad eiro alcance de suas conquistas. F o i a época de greves sucessivas. E greves com particularidades notáveis, porque acompanhadas da ocupação das usinas pelos grevistas. A “ C . G . T . ” (C onfédération Générale du T ra v a il) lutou duramente p ela satisfação de seu program a sindi-calista. D ois itens dêsse program a nos interessam sobrem odo. O p rim eiro se referia ao estabelecim ento de novas convenções cole-tivas, com alteração da lei 1919 que as regia. O segundo era rela-tivo ao controle da gestão das emprêsas pelos trabalhadores.
Os acordos Ma t i g n o n, de 1936, aparentem ente suprim iram as divergên cias entre o capital e o trabalho, com o predom ínio de numerosas proposições provenientes dêste últim o.
A pesar da fraqueza dem onstrada então p elo patronato fran-cês, os trabalhadores foram favorecidos apenas pela consecução das reivin d icações constantes do p rim eiro item. N ada alcançaram em relação ao segundo.
O controle da gesião das emprêsas não veio. Pretexto, aliás, para os comunistas que verberaram abertamente a tim id ez do go- vêrno do “ Front P opu laire” , então chefiado por L É O N B L U M .
O m u ito que os trabalhadores obtiveram fo i a restauração, em caráter não obrigatório, dos “ délégués du personnel” em tôdas as emprêsas com erciais e industriais que empregassem m ais de dez trabalhadores. A obrigatoriedade de sua instituição só apareceu em 1938. U m decreto-lei dêste ano, além de im p rim ir-lh es o cunho legal, determ inou :
a) que era de sua com petência a apresentação ao em prega-dor de reclaimações individuais e coletivas do pessoal;
b ) que os delegados deveriam representar um tra^o de união permanente entre os patrões e os trabalhadores.
O cerceam ento da liberdade, em virtude da segunda Gran-de Guerra, transtornou as esperanças Gran-depositadas na instituição. A instauração do regim e de V ich y, em seguida ao arm istício, pôs térm ino ao funcionam ento dos “ délégués du personnel” . P ara subs-titulos, a C H A R T E DU T R A V A IL (1941) criou os chamados “ c o m i-tés sociaux d ’en trep rise”.
2. — OS COMITÉS SO C IAIS DE EMPRÊSA
Constituíam organização de caráter perm anente. Aliás, acim a dêles deveriam funcionar os com ités locais, region ais e na-cionais, de poderes mais amplos. N a realidade, vin gou apenas a idéia relativa aos com ités sociais de em prêsa.
Eram organism os de caráter consultivo. A lei não lhes con-feriu nenhuma atribuição de ordem econôm ica, mas de ordem so-cial e profission al.
Os traços diferen ciais entre os delegados do pessoal e os com itês sociais de em prêsa são fixa d os a seguir. Assim :
1. Os com ités deveriam ser criados em tôdas as emprêsas de mais de cem salários. Os delegados do pessoal deveriam ex is-tir apenas em emprêsas industriais e com ercia is que possuíssem mais de dez trabalhadores.
2. Os com ités sociais foram constituídos sob um regim e cu-jos p rin cíp ios tendiam a transform ar as organizações p rofissio-nais em sin dicato único, a serviço do Estado. A s relações dos sin-dicatos com com ités eram delim itadas pelas exigências autoritá-rias dos poderes públicos. A p ró p ria L e i de 1941 deixara na pe-numbra a questão de se saber com o se processaria a eleiçã o dos
membros dos com ités.
Os delegados do pessoal foram reestabelecidos sob a pressão dos m ovim entos de 1936, d irigid o s pelos sindicatos trabalhistas. Dos prim eiros, aliás, m uito se valeram os últimos na propagação de
3. Os comités sociais tinham por fim a colaboração social e profissional entre empregadores e empregados. N o plano profis-sional, deviam tratar de questões concernentes a “ salários e con-venções coletivas, formação profissional, aprendizagem, aperfeiçoa-mento, reclassificação, escala de quadros, etc., elaboração de regu-lamentos relativos ao licenciam ento e à dispensa, estudo das m edi-das referentes à higiene e à segurança do trabalho.”
N a ordem social suas atribuições se referiam “ à luta con-tra o desemprêgo, à ajuda mútua e à assistência, à generalização e gestão dos seguros e aposentadorias, ao auxílio-fam ília e ao me-lhoramento das condições de vida.” (1 )
Os delegados do pessoal tinham por competência a apresen-tação de tôdas as reclamações individuais ou coletivas, concernen-tes às condições de trabalho.
4. Finalmente, as duas instituições nenhuma ingerência pos-suíam na vida econômica da emprêsa. Seus poderes eram de caráter
primacialmente social.
3. APRECIAÇÃO SÔBRE AS DUAS IN STITU IÇ Õ E S. Vimos que a instituição dos délégués da personnel, em sua prim eira fase de caráter convencional, teve contra si a indiferença de patrões c operários. Indiferença essa proveniente, no que toca aos prim ei-ros, pelo receio de interferência de elementos estranhos na gestão
da emprêsa. No que se refere aos segundos, pelo acanhamento das atribuições conferidas aos seus membros e pelo ciúme dos sindica tos dos trabalhadores zelosos de que sua fôrça não se ressentisse com o aparecimento dos novos representantes.
Na segunda fase, os delegados passaram por dois períodos. De 1936 a 1938, a instituição não teve sorte melhor do que a dos prim órdios. De criação ainda convencional, deviam restringir-se à apresentação de reclamações individuais. Acresce ainda que, em 1936, e pelo menos até o p rin cípio de 1937, a França passou por uma fase de grande agitação social. Os delegados, diante do atordoamento dos empregadores (que não saíram logo do pesadê- lo de M atignon), exorbitaram de suas funções. Tornaram -se, não poucas vêzes, elementos provocadores de distúrbios.
Só em fins de 1938 é que lhes fo i dado o cunho legal. E, com êle, o alargamento de suas atribuições, como já se viu. A super- veniência da guerra abriu-lhes, porém, um hiato nas atividades.
Os comités sociais de emprêsa deviam desaparecer junto com o ensaio de regime corporativista, forjado em Vichy. Deixa-ram vivos, no entanto, os traços de sua experiência. Sobretudo se fôrem consideradas as circunstâncias em que viveram . Trabalha-ram eficazm ente em prol da m elhoria da produção. PrestaTrabalha-ram re-
►
levante auxílio aos prisioneiros de guerra. Organizaram caixas de socorro aos trabalhadores, cantinas, “ créches” . “ O abastecimento constituiu seu principal objetivo. Donde o apelido de com ités b a
-ta -ta s." (1) f
Observe-se que os comités sociais estavam sujeitos ao con-trole de uma série de fatores que os impediam de desviar-se para assuntos alheios à profissão. Assim :
a) Como instrumento da política do Estado, dela não podi-am divergir, sob pena de deportação para a Alemanha;
b) Ain da sob a pressão do Estado, os representantes dos trabalhadores aos comités eram escolhidos dentre os mais escla-recidos, dentre os técnicos, o que perm itia a constituição de Uni corpo selecionado;
c) As organizações sindicais não dispunham de fôrça bas-tante para exercer sôbre os trabalhadores a ação dispersiva da multiplicidade de ideologias.
Dêste modo, embora tenham deixado sua experiência para a organização posterior dos comités de emprêsa, esta experiência deve ser tida em têrmos, porquanto os comités sociais viveram em ambiente totalmente diverso do atual.
Hoje, todos os direitos das classes trabalhadoras permane-cem intactos. As designações de seus representantes resultam do embate de eleições livres, sem a preocupação da escolha de técni-cos. As organizações sindicais se esforçam por garantir no seio da emprêsa o predom ínio de sua ideologia, sempre filiada ao pro-grama de um partido político.
Afora as observações das experiências realizadas no estran- jeiro , especialmente na Alemanha, na Inglaterra e nos Estados Uni-dos, o legislador francês já tinha assim, embora em menor escala, o exem plo de funcionamento dêsses organismos permanentes. Tudo isto representava um acliêgo de grande valia para a criação do mais importante dêsses organismos — os comités de emprêsas -— aue serão estudados a seguir.
SEGUNDA P A R T E — OS COMITÉS DE EMPRÊSAS
Foram instituídos pela ordenança de 22 de fevereiro de 1945. lin d a aqui o objetivo da disposição legal não fo i o de garantir a participação do pessoal na gestão da emprêsa. D i-lo textualmente a exposição de m otivos que a acompanhou. A o chefe da emprêsa, que
assume os riscos e ônus do negócio, a ordenança concede a autori-dade correspondente à sua responsabiliautori-dade. (1 )
Vejam os outras normas gerais peculiares à institu ição.
1. Na ordem econôm ica, os com ités não tem p o d e r de decisão. Sua com petência é de natureza puramente consultiva. São, no en-tanto, obrigatòriam ente consultados sôbre assuntos relativos à orga-nização, à gestão e à situação geral da emprêsa. N o âm bito social, asseguram ou controlam a gestão de tôdas as obras desta última.
2. N ão são organismos iparitários. Cada um se com põe do chefe da emprêsa ou de seu representante e de uma delegação do pessoal em proporção do número dos trabalhadores. Uma lei de 1946 reconheceu às organizações sindicais mais representativas e reconhecidas na emprêsa o d ireito de designar um delegado às sessões do co m ité .
3. N ão são organismos que possuam missão de reivindicação. Ao contrário, visam a criar uma atmosfera de cooperação entre sa-hiriados e empregadores. D eve dominá-los a preocupação de obra comum. Aos «délégués du personnel», posteriorm ente restabeleci-dos, seria conferida a tarefa de apresentar reclam ações individuais ou coletivas de seus representados.
4. A p artir de 1946, sobretudo, tornou-se e x p líc ito que os com ités teriam uma orientação intim am ente ligada à v id a do sindi-calismo.
5. N o que toca ao funcionamento e aos poderes dos comités, os dispositivos legais que os regem são de grande elasticidade. Nada im pede que, nesse sentido, se estabeleçam normas convencionais, resultantes de acordos coletivos ou de costumes.
1. DOM ÍNIO DE APLIC A Ç Ã O
N o regim e da ordonança de 1945, os comités deviam ser constituídos nas emprêsas com erciais e industriais que empregassem em um ou mais estabelecim entos cem salariados no m ínim o. P os-teriormente, foi-lhes am pliada a esfera de ação. De conform idade com a le i de 16 de março de 1946, é obrigatória a sua instituição em
( 1 ) V . sôbre o assunto especialmente : Em i l k s Ja m e s, “ Les comités
d’entre-prises” —• Paris — Librairie Générale de Droit — 1945. Ro g e r Pi c a b d, “ Le
con-trôle ouvrier sur la gestion des entreprises” — Paris — R ivière — 1922. PH.
Ba y a r d, “ Les Comités d’Entreprisc” — Paris — Rousseau — 1946. Pi e r r e
Ch a m b e i.l a n d, “ Les Comités d’Entreprise” — Rousseau — 1949. Ge o r g e s Le f r a n c,
“ Les Expériences Syndicales en France” — Paris — Aubier — 1950. M. Am i a u d,
“ Cours de Droit du Travail” — Paris — Les Cours de D roit — 1952. Pa u l
Du r a n d e R . Ja u s s a u d, “ Traité de D roit du T ravail” — 1.® vol. — Paris — Dalloz
— 1947. Réné Dr o u i l l a t e Ge o r g e s Ar a g o n — “ Le Code du T ra v a il Annoté” —
Paris — Recueil Sirey — 1959. V . igualmente as revistas “ Le Droit Social” e “Esprit” .
tôdas as em prêsas industriais e com erciais, nos ofícios públicos e m inisteriais, nas sociedades civis, nas profissões liberais, nos sindi-catos profissionais e associações, desde que em preguem de m odo habitual, no m ínim o, ciqüenta salariados.
Duas observações devem ser feitas a propósito dos termos grifados. A le i faz referências à em prêsa e estabelecim ento. Não os caracteriza, à semelhança do que fêz a «Charte du T ra v a il». A em -prêsa, todavia, é considerada pela unidade de direção, pela indepen-dência ju ríd ic a e finaceira. Pode ela ser constituída de um ou de vários estabelecim entos. H averá tantos com ités quantos fo rem os estabelecimentos em condições de os instituir. Construir-se-à, p or fim , o co m ité central da emprêsa, com posto de delegados dos com ités de estabelecim ento. Tais delegados, com igual número de suplentes, serão eleitos à base de um ou dois para cada estabelecim ento e o nú-mero total dos membros titulares não poderá ir além de doze.
A le i é omissa quanto ao caso de emprêsa que, em bora fo r-mada de dois ou m ais estabelecimentos, não possua em cada estabe-lecimento, considerado isoladamente, o número mínim o de salariados, ou seja 50.
O segundo com entário refere-se à expressão que a firm a de. Terem as em prêsas eimpregar de m od o habitual 50 salariados, no m ínim o. O o b jetivo é o de evita r a burla dos preceitos legais pelas emprêsas, que poderiam utilizar-se de ‘um pessoal de número variável, de tal m odo que só tem poràriam ente atingiria o m ínim o e x ig id o .
2. COMPOSIÇÃO E F U N C IO N A M E N TO
O c o m ité é p residido pelo ch efe da em prêsa ou seu represen-tante. O núfmero de salariados que o integram varia na seguinte p ro p o rçã o :
Núm ero de salariados Núm ero de membros que
na em prêsa form am o com ité
Titulares Suplentes 50 - 2 2 De 51 a 75 3 3 De 76 a 100
4
4
De 101 a 500 5 & De 501 a 1000 6 6 De 1001 a 2000 7 7 A cim a de 2000 8 8Os suplentes participam das sessões, com voz consultiva. Já fizem os alusão à faculdade que têm os sindicatos de designar
ura representante para tom ar parte nas sessões. Sua com petência é de caráter consultivo.
Os representantes do pessoal são eleitos pelos com ponentes de dois colégios. Um colégio é com posto de operários e em pregados; outro, de engenheiros, chefes de serviço, “ agents de m aitrise” e assimilados. A lei faz depender de acôrdo entre o ch efe da em -presa e as organizações sindicais as duas seguintes questões:
1
.
arepartição dos lugares nos colégios eleitorais entre as categorias do pessoal; 2. a distribuição do pessoal nos colégios eleitorais. Se o acôrdo não se concretizar, o In spetor division ário do traba-lho é com petente para d irim ir as divergencias entre as partes.
Nas eínprêsas que em pregam mais de 500 salariados é o b ri-gatória a eleição para m em bro do com ité de um titular represen-tativo dos engenheiros e chefes de serviço.
Os m em bros do com ité são eleitos pelo pessoal. Observe-se, porém , que as listas de candidatos para cada categoria do pessoal são estabelecidas pelas organizações sindicais mais representa*- tivas. (1 )
N acion ais e estrangeiros, dos dois sexos gozam de capacida-de eleitoral. A idacapacida-de m ínim a é capacida-de 18 anos com pletos. Dos nacio-nais exige-se que estejam em ativid ad e na empresa há seis meses, no m ínim o. Para os estrangeiros éste prazo é de cinco anos. Nos dois casos é condição essencial que o salariado esteja em gôzo de seus direitos civis e políticos. São elegíveis apenas os candidatos, dos dois sexos, de nacionalidade francêsa. A le i p rescreve ainda nêsse sentido, três requisitos: a ) que tenham 21 anos, no m ín im o; b ) que saibam lê r e escrever; c ) que trabalhem in in terru pta-mente na em prêsa há um ano, p elo anerços.
O processo da eleição dem onstra visivelm ente a influência que podem exercer os sindicatos no seio do com ité. O escrutínio se realiza em duas fases, com representação proporcional. N a p ri-m eira votação, o eleitor não pode escolher livreri-m ente seus candida-tos. Os nom es dêstes últimos são indicados prèviam ente em listas elaboradas pelas organizações sin dicais mais representativas. E fe-tuada a votação, faz-se mister v e r ific a r se o número de votantes é pelo menos igual à metade dos eleitores inscritos. Se fô r in fe rio * à metade dos eleitores inscritos, proceder-se-à, no prazo de quinze dias, à outra votação. Isto sign ifica que os eleitores, pela abstenção, se opõem a sufragar os nomes apontados pelos sindicatos. A in d «
(1) A fixação da característica de sindicato mais representativo é matéria <2« e n frn im *n to entre o cbefe da emorôsa e as orcanizacões sindicais. Uma Circnkir do M. do Trabalho, datada de 1945, estabeleceu o critério a ser adotado Destas
circunstâncias. Devem ser observados : a antigüidade do sindicato, seu efetivo,
sua independência, sua coesão, seu comportamento para com a resistência durante « ocupação do País pelas fôrças alemãs.
que alguns dêsses nomes tenham ob tid o o quociente eleitoral, sua eleição não se fará, uma vez que não houve o quorum p revisto em lei.
Na segunda votação, os eleitores darão p referên cia aos can-didatos in scritos em qualquer uma das listas apresentadas.
Se estas disposições revelam a dependência do co m ité para com o sindicato, outras tendem, ao contrário, a salientar certo grau de sua in dependência em relação aos patrões.
Assim, o chefe da emprêsa deve conceder aos m em bros ti-tulares ao co m ité o tem po necessário ao ex ercício de suas funções. Êsse p eríod o lhes é abonado com o tem po de trabalho, desde que não ultrapassem a vin te horas por imês. Tam bém o são as horas em que perm anecem nas sessões do c o m ité . A o chefe da em prêsa cabe forn ecer êste últim o local adequado para suas reuniões. Estas se realizam, no m ínim o, uma vez p o r mês, sob convocação do em pre-gador ou de seu representante; e no m áxim o duas, desde que, nesta hipótese, liaja convocação deliberada pela m aioria dos representan-tes. Em caso de falta do chefe da emprêsa, o com ité p o r decisão da metade, p elo menos, de seus m em bros, poderá reunir-se sob a presidência do inspetor do trabalho.
O m andato dos membros do c o m ité tem a duração de um ano, renovável. Suas funções cessam em virtude de m orte, dem is-são, rompiimento do contrato do trabalho ou por m otivo de conde-nação que acarrete a perda do d ire ito de elegibilidade. N o curso de seu mandato, podem ser destruídos m ediante proposição da o r-ganização sin dical que os indicou. Esta faculdade é con cedida ài organizações somente em relação àqueles m em bros que elas apre-sentaram. A in d a assim, faz-se m ister seja a proposta aprovada em vo*ação secreta pela m aioria do co lég io eleitoral de que p roviera m
representantes.
Para garantia do liv re ex ercício de suas funções, a le i cerca os m em bros do com ité de estatuto especial. Quer seja titu lar ou suplente, a dispensa pela emprêsa de « m dêsses m em bros é
condi-cionada à aprovação do co m ité . Se êste e o em pregador não se en-tenderem , a dispensa ficará na dependência de decisão do In spetor
do trabalho a que se acha ligado o estabelecim ento. Se o com ité e o Inspetoi do trabalho se opuserem, a dispensa do representante em questão não se fará.
3. A TR IB U IÇ Õ E S
Suas atribuições, pelo que se pode deduzir dos artigos 2 e 3 da L e i de 1946, são de três, espécies: técnica, sociais e eco-nôm icas.
No plano técnico, o c o m ité :
1. Estuda tôdas as sugestões aduzidas pela direção da emprêsa ou pelo pessoal, com o objetivo de aumentar a produ-ção e melhorar o rendimento da emprêsa e propõe a aplicaprodu-ção das sugestões que retiver. São questões, por exemplo, relativas ao bom em prêgo de mão-de-obra e de materiais, supressão de “ gaspillage’', aperfeiçoamento dos métodos de produção, m aior segurança no trabalho.
2. Propõe tôda recompensa que julgar devida aos traba-lhadores que, pelas iniciativas e pelas sugestões, tenham trazido uma colaboração especialmente útil à emprêsa.
3. Pod e manifestar-se sôbre a situação geral da emprêsa, sem que isto im plique qualquer obrigação por parte do empre-gador.
No plano socia l:
0 com ité coopara com a direção no melhoramento da« condições de trabalho e de vida do pessoal bem com o na ela-boração dos regulamentos correspondentes.
Cabe-nos aqui fazer ligeira referência aos delegados do pessoal. Examinamos-lhes a instituição até as vésperas da últi-ma guerra m undial. A L e i de 16 de abril de 1946 restabeleceu-os. Aos delegados cabe precipuamente a apresentação de
reclama-ções individuais e coletivas do pessoal.
A lei que dispõe sôbre os com ités fo i prudente ao usar o têr- mo coopera ao tratar das atribuições que lhes incumbiu no tópico há pouco citado. Seu intuito foi o de fix a r a esfera de com petência da» duas instituições.
Um D ecreto de 2 de novembro de 1945 definiu as atribuições dos com ités no campo social. A gestão das obras de caráter social abrange três modalidades. Assim:
1. O próprio com ité se encarrega da gestão das obras sociais não investidas de personalidade civil. P o r exemplo, previdência, jardins operários, cantinas, colônias de férias.
2. P articipa da gestão das obras que dispõem de personalida-de civil. É o caso, v. g., das obras esportivas e personalida-de auxilio sob a for-ma de associações, sociedades cooperativas de consumo.
3. E xerce controle de gestão das sociedades de socorro« mútuos, das caixas de seguros sociais.
4. Exerce vigilância sôbre as atividades do serviço médico e do serviço social da emprêsa e participa da designação do pessoal responsável pelo seu funcionamento.
O com ité necessita a fo rtio ri de recursos que o capacitem a desempenhar as funções que lhe são conferidas. Pode, para isto, lançar mão de vários expedientes. Sua receita vem, todavia,
pri-macialmente do empregador. Dentro dos meios de que pode valer-se
e eis os prin cip ais:
a) Da transferência dos bens do comité social criado pela “ Cliarte du T ra v a il” , a que já se fêz referência.
b ) Das cotizações facultativas do pessoal, de acôrdo com as condições estabelecidas pelo com ité.
c) Das subvenções concedidas pelas coletividades públicas ou pelas organizações sindicais.
d) Dos dons e legados.
e) Das rendas, dos bens móveis e. imóveis de que dispõe. f) Da contribuição anual da emprêsa.
O legislador tem vacilado na adoção de critério para a fixa-ção do total da contribuifixa-ção do empregador. Inicialmente, dispôs que esta última não podia ser in ferior ao valor das importâncias que a emprêsa destinara à manutenção das obras sociais nos últimos três anos. C ritério falho. 0 com ité não se beneficiaria do favor se o patrão pouco ou nada tivesse consagrado àquele fim no prazo previsto. Posteriortmente, ajuntou a essa norma uma outra, ou seja a de que a referida contribuição seria acrescida na proporção do au-mento dé salários. Com o que, aliás, não sanou a lacuna do dispo-sitivo legal anterior. P or fim , parece ter deixado às convenções co-letivas o encargo de estabelecimento do quantum da subvenção pa-tronal. (1)
Para o exercício das funções relativas às suas atividades no plano social, o com ité goza de personalidade jurídica. Com esta prerrogativa, pode assumir obrigações, adquirir, a título oneroso ou gratuito, bens móveis e imóveis, indispensáveis ao cumprimento de seu objetivo. Pode igualmente com parecer em juizo para a defêsa dos direitos concernentes a seu patrim ônio.
Atribuições de natureza econôm ica ■—• A euforia dos dias da Libertação e o exem plo dos comités de emprêsa convencionais, or-ganizados prim eiram ente em Alger e na região lioneza, despertaram nas organizações sindicais grandes esperanças neste campo. A or- donança de 1945 causou-lhes decepção ao estabelecer aqui várias restrições. A lei de 1946 estendeu-lhes a competência. Frisou, no entanto, que o comité não tem poder de decisão. Suas atribuições são de caráter puramente consultivo. Nesse sentido êle, é:
1. Obrigatoriamente consultado sôbre questões relativas à or-ganização, à gestão e à marcha geral' da emprêsa. A lei de m aio de 1946 foi além do disposto no texto legal p rim itivo. Neste se exarou que o comité era obrigatoriamente inform ado sôbre essas nuestões. A m odificação é bem expressiva.
2. O brigatoriam ente in form a d o sôbre os b en efícios realiza-dos pela em prêsa e pode fazer sugestões sôbre a ap licação que- devem ter. Êste p rivilégio era, anteriorm ente, restrito às socieda-des anônimas e às emprêsas que em pregassem mais de 500 trabalha-dores. O p rin cíp io em si representa grande avanço sôbre a facul-dade con ferid a ao patrão, no regim e capitalista, de p o d er g e rir li-vrem ente seu negócio. A generalização do p rin cíp io sign ifica larga concessão aos adeptos da expansão gradativa da com petência dos comités. A direção, de posse das propostas encam inhadas pelo co-mité, deve em itir a respeito decisão m otivada.
3. H abilitado a em itir p a recer sôbre os aumentos de préços. Além disso, o em pregador deve apresentar-lhe, no m ín im o, uma vez por ano, relatório referente ás atividades da emprêsa e aos seus planos para o ex ercício im ediato.
Gozam de poderes especiais os com ités organizados nas em prê-sas que assumem a form a de sociedade anônima. São concessões de alcance incontestável. A fora as prerrogativas que acabamos de
enunciar, a lei lhes confere os d ireitos seguintes. A d ireçã o é ob ri-gada a fornecer-lhes, antes de serem submetidos à assem bléia pera! dos acion istas: a) as contas de lucros e perdas; b ) o balanço anual; c ) o relatório dos com issários de contas; d ) todos os outros documentos a serem apresentados à referid a assem bléia. Para o exa-me dessa docuexa-mentação ao com ité é facultado convocar os comissá-rios e dêles obter tôdas as inform ações relativas à situação fin an cei-ra da em prêsa. De posse de todos êsses dados, o com ité pode elabo-ra r as observações que julgar úteis, a fim de serem levados à assem-b léia geral dos acionistas, ao m esm o tempo que o rela tó rio do con-selho de adm inistração.
A o com ité é perm itido fazer-se assistir de técnicos ao ensêjo da apreciação de tôda a documentação forn ecid a pelo em pregador. Vale-se para isto, de um contador, escolhido de uma lista elaborada pelo tribunal com petente e rem unerado às expensas da em prêsa.
Observe-se, por último, que dois de seus membros, sendo um da categoria de quadros e “ agente de m aîtrise” , outro da categoria de em pregados e operários assistem, com voz consultiva, a tôdas as sessões do conselho adm inistrativo.
4. A P R E C IA Ç Ã O SÔBRE OS R E S U LTA D O S DOS CO M ITÉS DE EM PR Ê SA
Tiveim os oportunidade de entrar em contato com numerosas experiên cias na França, com as quais se tentam con cretizar d iferen -tes projetos de reform a da emprêsa. Teríam os fatalm ente que inda-gar, exam inar, pesquisar muitos pontos a respeito da e fic iê n c ia dos
comités. N ã o existe, todavia, quulquer pretensão de origin alid ad e no o que se passa a exp or.
Muito se esperava dos com ités. Representariam poderosa fôrça de eq u ilíb rio nas relações entre patrões e em pregados. Espe-cialmente, através do controle da v id a econôm ica da em presa, pen-savam os representantes mais avançados dêstes últimos. A le i co r-tou-lhes a esperança, ao con ferir aos em pregadores ação liv re na adm inistração d e seu negócio.
Outra decepção para os trabalhadores: a ordonança de 1945 excluiu da com petência dos com itês a faculdade de discutir questões concernentes a salários. Somente em 1946 fo i abolida esta restri-ção.
0 legislador, por outro lado, ao generalizar a ob rigatorieda-de rigatorieda-de criação rigatorieda-de comités, uma vêz satisfeitas rigatorieda-determ inadas con d i-ções, não teve em conta particularidades de certas regiões. Nas em . prêsas onde o caráter m eio artisanal do am biente de trabalho fa v o -rece e estreita o contrato direto entre, patrões e empregados, é de pou-ca valia a in terferên cia de in térpretes. As questões são exam ina-das a tôda h ora que surgir, porque a todo instante as duas partes podeun entender-se.
Apesar dêsses im pecilios, apesar de certa reação da classe patronal (v.g . a fragm entação da ermprêsa em aieliers investidos
de total in d ep en d ên cia), havia na França, em 1948, 9.250 com ités. Dêstes, 6.200 funcionavam em em prêsas de mais de cem salariados.
E xam inem os o bilan de seus frutos, de acôrdo com o mesmo critério adotado na classificação de suas atribuições.
N o d om ín io técnico •— Muito se desejou realizar nesta esfe-ra. A falta de pessoal habilitado entravou, porém , enorm em ente o desenvolvim ento do program a das organizações sindicais. Para sa-nar esta lacuna, abriram-se numerosas escolas cujo o b jetivo é a preparação dos trabalhadores para o desem penho de suas íunções. Duas organizações, sobretudo, a C. G. T . (C onfédération Générale des T rava illeu rs) e a C. F . T . C. (C onfédération Française des Travalleurs C hrétiens) são as que m ais se têm esforçado na execução dessa tarefa.
A ativid ad e construtiva dos coimités se desenvolveu p rin c i-palmente no que se refere à segurança e à higiene dos locais de trabalho. Muitos projetos já se concretizaram visando à elevação do ren
dim ento no trabalho, à dim inuição da fatiga no serviço, fisses p ro -jetos são encam inhados à direção e resultam quer de sugestões do pessoal1, qu er de estudos de com issões e de sub-comissões, constituí-das p or in ic ia tiv a dos próprios com ités.
Outras sugestões dizem respeito ao m elhor aproveitam ento do tempo no serviço, ao aperfeiçoam ento na utilização dos instru-m entos de trabalho. Einstru-m certas einstru-m prêsas iinstru-m puserainstru-m a cron oinstru-m
etra-gem . Nos bancos de serviços de seguros procuram assegurar a m aior rapidez nas form ações e préstim os à clientela. Nas usinas Renault conseguiram realizar enormes econom ias, através da descoberta de novo processo de montagem. Trabalham no sentido de se evitar desperdício de m atéria prim a e de energia.
No d om ín io social — D ois obstáculos prin cipais dificultam a tarefa da m aioria dos com ités. P rim eiro , a carência de recursos, que provém na quase totalidade das subvenções da em presa. As so-mas gigantescas que alguns dêles recebem não condizem com as ver-bas lim itadas de que dispõe o m aior núm ero. A segunda dificu ld a-de consiste na reação natural do trabalhador françês contra o pa-ternalism o tra d icion a l dos patrões.
In icia tiva de real valor é constituída pela criação de canti-nas . Num erosas cooperativas possibilitam a venda de produtos de aquisição vantajosa não apenas p ela qualidade como p elo prêço. Patrocinam festivais, concertos, com petições esportivas, de cuja ren-da se u tilizam para o auxílio a viuvas, a com panheiros m ais neces-sitados. Colaboram no sentido de p rop orcion ar viagens, excursõe* aos colegas e m embros de suas fam ílias, durante as féria s. Organzam caixas de socorros mútuos (a u x ílio em casos de doença, velh i-ce, natalidade, e t c . ). Muitos com ités têm-se esforçado pela criação de bibliotecas, especialm ente nas em prêsas em que conseguem esta-belecer centro de aprendizagem e de aperfeiçoam ento.
N o d om ín io econôm ico — Grande número de fatores nega-tivos têm-se opôsto à ação dos com ités, neste dom ínio. Com o se não bastassem os dispositivos legais que lhes conferem cooiipetência puramente consultiva. Os em pregadores têm procurado desviar-lhes a atenção para as obras de caráter social. E o fazem com relativa íacilidade, uma vez que os recursos de que, dispõem os com ités são quase que de proveniência patronal. Outras vêzes a d ireção da cm- prêsa eleva os salários dos representantes mais exigentes, amoleceria (!o a fôrç.a de suas reivindicações . ..
A tais estratagemas acresce, por outra parte, a falta de capacidade do pessoal para lid a r com problem as de ordem econôm ica.
Não raro os comités se inclinam para as vantagens imediatas, de natureza pessoal de seus m em bros. Há casos em que se man-comunaram com os patrões; para d ificu lta r a ação de técnicos do go- vêrno, nos m omentos ingratos do após-guerra, para bu rlar a legis-lação relativa a salários.
Bem pouco têm realizado no que se refere à estabilidade dos preços e à vigilâ n cia na aplicação das nortnas legais e con ven cio-nais sôbre salários. Aliás seria e x ig ir muito desejar que viessem a exercer gran de influência na fixação dos preços. O p ró p rio gover-no não conseguiu fazer grandes progressos a respeito.
Algumas vêzes têm, no entanto, denunciado atitudes ilega is dos em pregadores. T êm acusado aquêles que sonegam produtos, com o fim de aumentar-lhes o prêço. Há casos em que têm revelado às au-toridades a existên cia de estoques clandestinos em poder de patrões inescrupulosos. Outras vêzes, conseguiram junto ao govêrn o a lib eração de m atérias primas, indispensáveis ao funcionam ento de in -dústrias.
Os resultados sob o aspécto econôm ico não convencem . A fo -ra os lim ites estreitos da atual legislação, é de se lamentar que ain-da ninguém deu sugestões sôbre a aplicação dos benefícios ain-da em-prêsa e sôbre as conclusões extraídas do exame dos relatórios que lhes são apresentados por aquelas que revestem a form a de sociedade
anônim a. Mais eficiên cia pode ser obtida na aplicação das normas legais e convencionais sôbre salários. Considerem-se, por exem plo, » antiguidade do trabalhador na emprêsa, sua especialização, o
esta-belecim ento de prim as na produção para se ver o que lhes é dado realizar. ,
Não há dúvida, pelo que se. expôs, que os comités exercem atividade construtora. O contrato perm anente entre o pessoal e a direção, a ilustração que lhes trazem os técnicos e o pessoal dos quadros, o funcionam ento de cursos especializados habilitam os trabalhadores ao ex ercício mais eficien te de suas funções. São ele-mentos de incontestável va lo r edu cativo.
CONCLUSÃO
Observe-se inicialm ente que, até 1949, os com ités se desen-volveram sob as dificuldades de adaptação do país às circunstân-cias do após-guerra. A inexistência de tais obstáculos p od eria íer- lhes facilitado o trabalho. Procurarem os, no entanto, nos lim ites desta conclusão, interessar-nos mais p elo que poderão rea liza r do que pelo ativo que possam ter apresentado até agora.
Possuem as organizações sin diciais grandes p rivilég io s na constituição e rto funcionam ento dos com ités. Nenhuma n ovid ad e nesse particu lar. Isso acontece em todos os países em que êles se exercitam ativam ente. (1 ) O que há de especial em relação à Fran-ça é o fato de sua mais forte organização sindical (C.. G. T . )
filiar-(1) V. nesse sentido na Inglaterra : “ Joint Production Comittees in Great
Britain** — I.L .O . — Montreal — 194 3 . I n s e e , uLes Administrations chargées de
L ’économine dirigée en Grande- Bretagne” — Presses Universitaires — 1948. Pi e r r e
W a l i n e , "Les Relations entre Patrons et Ouvriers dans L ’Angleterre d* Aujourd’hui" L i b . Marcel R ivière e Cie. — Paris — 1948. Nos Estados Unidos : Pie r r e
W a l i n e: “ Les Syndicats aux États-Unis** — Armand Colin — Paris — 1951. A . Ph i l i p, “ Le Problème Ouvrier aux États-Unis** — Alcan — Paris — 1927. Bi t,
se ao p a rtid o comunista. Durante o p eríod o esperançoso da L ib er-tação houve de fato interêsse sin cero dos sindicatos p elo destino da instituição, sob o aspecto p rofission al. A esperança acenava p or tô- da parte, coroada pela coligação dos partidos no d om ín io político, vieram, todavia, as greves de 1947. Sobreveio a cisão sin d ical (2 ) . Deu-se o afastamento do govêrn o dos m inistros com unistas.
Às greves de 1947, sucederam as do outono de 1948, às de fe- vereiro-m arço de 1950, as de 1951 e 1952, de proveitos nulos ou minguados para a classe trabalhadora. Em tôdas elas, a m elhoria de salários ocupou o p rim eiro plano. Ora, nesse particular o valor da ação dos com ités é de somenos. A fixação dos salários é obra dos dispositivos legais e das convenções coletivas.
A lém disso, no in íc io era-lhes vedado tratar dêsse problema, com o já se viu .
A C . G. T . aproveitou-se da situação para atrai-los para a órbita da id eologia p olítica . Aos p rin cíp ios de reform a social e eco-nômica, ela acrescentou a idéia de uma tranform ação p olítica rad i-cal. Sob esta última divisa, parece desejar que os com ités evoluam pela senda turbulenta que tom ara os conselhos de em prêsas alemãs de 1920. A liás, em 1921, votou-se no terceiro Congresso In tern acio-nal com unista uma resolução em que foram traçadas as diretivas que se d eviam im p rim ir às atividades dos comités de em prêsa, nos
países capitalistas. N ão deixa de ter interêsse a divulgação dêsse docum ento. Afigura-se-nos que a “ ConféÜération Générale du Tra- v a il” tem nêle a imagem fiel de sua orientação. Abrange seis itens. E i-lo s :
1. “ Seria um êrro tentar-se form ar êsses com ités sem a par-ticipação de trabalhadores partidários da ditadura do p roletariado.”
2. “ O P artid o Comunista deve cim entar na consciência das massas a certeza inabalável de que a restauração da v id a econôm i-ca sôbre a base i-capitalista é atualmente im p o ssível.”
3. “ A luta dos com ités de em prêsa contra o capitalism o lem p or ob jetivo im ediato a introdução do controle operário em todos os ramos da in d ú stria .”
4. “ A tarefa dos partidos comunistas consiste em lutar pelo controle da indústria, aproveitando para isso de tôdas as circuns-tâncias de cada dia, da penúria de com bustível, da desorganização dos tranportes, reunindo para o mesmo fim elementos isolados do proletariado, e atraindo para o seu lado os meios mais im portantes da
(2) A C .G .T . cindiu-se em C .G .T ., de orientação comunista e F .O . (Force
Ouvrière), dc tendência socialista. A despeito dos dados otimistas fornecidos por essas organizações, calcula-se que a prim eira deve contar hoje cêrca de 2.800.000 aderentes e a F .O . cêrca de 400.000 partidários.
pequena burguesia, que se proletariza dia a dia em núm ero cada vez m aior e sofre cruelmente da desorganização econôm ica” .
5. “ N ã o deve haver oposição mas divisão de trabalho entre os sindicatos e os com ités.” .
6. “ Os comunistas fazem dos sindicatos e dos com ités lima arma possante para a Revolução. Às organizações cabe ensinar às mesas operárias seu dever industrial, tranform ar em chefes em em- prêsas os operários mais evoluídos e organizar o controle técn ico dos especialistas” . (1 )
É in tu itivo que o em pregador se acautele contra os com ités animados de semelhantes prin cíp ios e se defenda isoladam ente ou através de suas associações de classe.
P or sua vez, os restantes m em bros dos com ités que não se f i -liem à C. G. T . (p o r exem plo os aderentes da F . O . e da C. F. T. C.) reagem e a luta aí se instala.
Êsse am biente de reivin dicação, o fracasso de greves suces-sivas, as lacunas da legislação, tudo isso concorreu para a rrefecer o ânimo das classes trabalhadoras e aumentar-lhes a desconfiança sôbrc a im portância dos comités.
É de se esperar que o trabalho da C. F . T . C. e da F . O. contrabalance o efeito da ação p olítica dos cegetistas. Acentue-se igualmente que a “ Confédération générale des cadres” , cujo efetivo se reforça continuam ente, tem com preendido a elevada fin alid ad e dos com ités. A atividade conjunta das três confederações representa poderosa fôrça capaz de im p rim ir a êsses organism os perm anentes u’a missão de colaboração e não de atrito entre o capital e o traba-lh o. Os patrões, por exem plo, parecem tem er menos a agitação pro-vocada pelo m ovim ento revolu cionário do que a atitude p o licia d o - ra e pertinente do pessoal dos quadros. Contra os responsáveis pela agitação p olítica existe a proteção da lei, há a vigilân cia dos poderes públicos e até dos próprios com panheiros ligados a organizações sindicais de orientação divergente. E m relação aos técnicos e ao pessoal dos quadros, a pressão de sua vigilân cia requer da em presa uma direção necessariam ente capaz e realizadora. N o p rim eiro caso, exigir-se-á habilidade do em pregador; no segundo, a êste requisito se junta o rela tivo à sua capacidade.
D ificilm en te se pode. falar aqui em realizações susceptíveis de garantir a reform a da em presa. Esta últim a é que parece represen-tar o fiel da balança do m aior ou m en or êxito do com ité. Êste ain-da se acha enleiado nas teias do paternalism o. Aliás, não p od ia ser
(1) “ Manifestes, Thèse et Révolutions des quatre premiers Congrès mondiaux é « l’Internationale Communiste” , 1919-1923. Lib rairie du Travail — 1934 — Paris.
de outro modo, em razão de sua competência restrita. Seus poderes nos planos de ordem técnica e social não podem garantir, sozinhos, a solidariedade da classe trabalhadora na obra da produção. Falta- lhe um móvel, um liame que é representado pelo interêsse. Falta-lhe, em suma, a participação na vida econômica da emprêsa. Sem o al-cance dêsse objetivo não se poderá pensar em reform a da emprêsa, na acepção em que foi enunciada no in ício do presente estudo. (1 )
(1) O alvo que nos propusemos fo i apenas o de examinar a tentativa, de âmbito legislativo, da reforma da emprêsa. Numerosas experiências de natureza privada, no entanto, se processam na França, visando a multiplicar, por escalas, células de um mundo novo.