T0
033
Çffíäã
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V
/
SEXUÀLIDADE
DA
MULHER
DU~E;
A
~
fiEsTAÇé
L ~ ~yzozvzmóøoms
zm
/GRACE
SERAFIM
CLARO
SEXUALIDADE
DA
MULHER
DURANTE
A
GESTAÇAO
Trabalho de Conclusão
do
Curso
de
Graduação
em
Medicina,
Centro
de
Ciênciasda
Saúde,
Departamento
de
Tocoginecologia,Universidade Federal de Santa Catarina
Orientador: Prof.
Ricardo
Nascimento
Florianópolis
1995
A
vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução individual,porém, só desaparece
com
a morte.~
Mira
y López
Íaøzadedckamedteózaäaléaàmúzáamãe
AGRADECIMENTOS
Sinto-me feliz
em
agradecer pelomenos
algumas das pessoasque
me
auxiliaramno
preparo deste trabalho.Dr. Alberto Trapani e Dr. Ricardo Nascimento, que leram partes
do
manuscrito e sugeriram revisões; Dr. Lúcio Botelho,
que
me
auxiliouna
parte estatistica; Dr. Paulo Roberto
da Cunha, Eduardo
César Ferreirada
Silva e, especialmente, à familia Mattar Valente, por terem
me
auxiliadoSUMÁRIO
RESUMO
INTRODUÇÃO
. . . . . . . . . . . . . .REVISÃO
DA
LITERATURA
. . . . . . . . . . . .SEXUALIDADE
NA
GRAVIDEZ
-CONSIDERAÇÕES
PSICOLÓGICAS
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .SEXUALIDADE
NA
GRAVIDEZ
-CONSIDERAÇÕES
SÓCIOCULTURAIS
. . . . . . . . . . . . . . . . . .REAÇÕES MASCULINAS
NA
GRAVIDEZ
. . . . . . . . .SEXUALIDADE
NA
GRAVIDEZ
-CONSIDERAÇÕES
ORGÃNICAS
. . . . . . . . . . . . . . . . . .ACONSELHAMÍENTO
SEXUAL
NA
GRAVIDEZ
. . _ . .MATERIAL
E
MÉTODOS
. . . . . . . . . . . . . .RESULTADOS
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .DISCUSSÃO
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .CONCLUSÕES
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .I
INTRODUÇÃO
-
É
sabidoque
a gestação,embora
não
se caracterizecomo
uma
doença,imprime ao organismo
matemo
várias alterações orgânicas eemocionais.
O
exercicioda
atividade sexual transcende, na espéciehumana,
os fatoresmeramente
biológicos, deixando de serum
instintoque
visa apenas a reproduçãoda
espécie para se tornaruma
complexa
resposta biopsicosocial,
dependendo da
culturana
qualo
individuo estáinserido.
Após
aconcepção de
uma
criança,em
especialo
primeirofilho,
o
casal se deparacom
urna necessidadede
ajustamentono
relacionamento conjugal
em
geral ena
vida sexual,em
particular.A
mãe
começa
a ajustar-se a essenovo
papel e tenta defini-lo especificamentepara si
mesma.
Vistoque
uma
parcela substancial de seu interesse eenergia é dirigida para esse papel, a
mãe
pode
terum
interesse sexualmuito
menor
,bem como
o
seu marido,embora,
ocasionalmente,o
inverso seja verdadeiro.
Nas
últimas décadas setem dado
especial importância `asexualidade
de
todos os pontos de vista.Porém,
tantas são as incertezas,tão grande
o desconhecimento da
fisiologiada
resposta sexual e tãopoderosas as forças culturais inibitórias
da
sexualidadeda
gestante,que
apesar deste interesse, a literatura cientifica e popular
não
tem
prestado a importância requerida aocomportamento
sexualda mulher
durante agravidez. Existe
na
atualidadeum
número
reduzido de publicações sobreo
tema, as quais coincidemque
a “gravidez éum
peiiodode
ajustena
2
O
objetivo deste estudo foi avaliar as possiveis alteraçõesno
comportamento
sexualda
mulher, principalmente,bem como
do
seuparceiro, durante a gestação.
Especificamente, nosso interesse foi estudar se existem
alterações
no
desejo sexual,na
frequênciade
relações sexuais ena
satisfação sexual
da
parceira.Além
disso, esses parâmetrosforam
cruzados
com
diferentes variáveis biopsicosociais. -Também
foinosso
objetivo constatar as diferentes causas para as possíveis alteraçõesdo comportamento
sexual. .Por
lim, tivemos particular interesseem
observar aexistência
de
orientação sexualadequada
pela partedo médico
pré-natalista à gestante.
3
REvisÃo
DA LITERATURA
O
componamento
sexualda
gravideznão tem
sidopesquisado
em
grau suficiente ede
maneira ampla, para estabelecerformas de respostas aceitáveis
como
básicas.Numa
tentativade
esclarecer esta grande lacuna
do
conhecimento,têm
sido conduzidosestudos
da
resposta sexualhumana,
limitados a alguns pontos objetivos esubjetivos. Vários dentre eles analisam
o problema
com
a ajuda deparâmetros quaiitificáveis
do
comportamento
sexual,como
desejo,frequência
de
relações enúmero
de
orgasmos.Alguns
destes estudos,com
seus resultados, serãocomentados
sucintamente a seguir. ` '_
William Masters e Virgínia .lohnsonq (1966)
foram
um
dos
primeiros a estudar as influências
do
ciclo grávido-puerperal sobre asexualidade
humana
de maneiraampla
e científica, avaliando desejosexual, excitação e orgasmo, frequência coital e posição coital
em
l()lmulheres durante todos os trimestres
da
gravidez eno
período pós-parto.Os
achados
sugeriramque o
graude
paridade eo
trimestreda
gravidezexercem
uma
grande infiuência sobreo
erotismo feminino.No
primeirotrimestre encontraram
uma
diminuiçãodo
desejo eda
tensão sexual eportanto
da
frequência coitalem
76%
das nulíparas,sendo que
muitasdessas mulheres sentiam náuseas, todas sentiam-se sonolentas e
com
sintomas de fadiga crônica e
além
disso,mais da
metade
delas referirammedo
de
maltrataro
concepto, afetando a liberdade de sua resposta fisicana
atividadedo
coito.Não
houveram
modificaçõesna
resposta sexualno
4
No
segundo
trimestre, Masters eJohnson
encontraramum
aumento
marcantedo
erotismo euma
resposta sexualmais
satisfatóriaque
antesda
gravidezem
80%
das mulheres, independenteda
paridade.Embora
fortemente influenciadas por restriçãomédica ao
coito,73%
dasmulheres relataram
que
perderamf' interesse pela atividade sexual duranteo
terceiro trimestre,sendo
que
uma
variedadede
queixas somáticastambém
influenciaramna
diminuiçãoda
frequência coital. Entrevistadasno
terceiromês
pós-parto,47
destas l0l mulheres descreveram níveisbaixos
ou
insignificantesde
sexualidade duranteo
puerpério, e a razãomais
frequentemente descrita para isto, erao temor
pessoalde
dano
fisicocom
o
coito realizado apóso
parto.Solberg e Cols7 (1973), interrogando 260., mulheres
no
pós-parto,
acharam
um
declínio gradual e persistentena
frequênciado
coito(28%
no
primeiro trimestre,44%
no segundo
trimestre e75%
no
terceirotrimestre), e' a
maior
parte das estudadas relatoumenor
frequência deorgasmo
duranteo
coito,embora
uma
pequena porcentagem comunicasse
sistematicamente a. ocorrência
de
um
aumento.Nos
dois primeirostrimestres, a maioria dos casais havia
usado
a posição superior masculinadurante
80%
do
tempo, jáno
último trimestre, a posição lateraltomou-se
a
mais
freqüente, e a posição de penetração por trás foiusada
muito maiscomumente do
que
antes.As
mulheresque
comunicaram alguma
alteração
em
seucomportamento ou
experiência sexual durante agravidez, atribuíram a responsabilidade por isso às\ seguintes razões:
desconforto fisico(40%),
medo
de causar-danosao
concepto(27%), perdade
interesse(23%), desajeitamento duranteo
coito(l7%),recomendação
5
atração
segundo
suas próprias fantasias(4%),recomendação
de outrapessoa
que não o
médico(l%)
e outras razões (15%).Os
dados de
Falicovw (1973) estãoem
consonânciacom
os de Solberg e Cols, verificando,além
disso,que
a frequênciado
coito e asexualidade geral, transcorridos sete
meses
apóso
parto, aindaeram
mais
baixas
do que
os níveis pré-gestação.Como
a maioria das mulheresinformou
que o
erotismo,o
desejo sexual e a capacidadede
excitar-se eatingir
o orgasmo haviam
retomado, Falicov concluiuque
a fadiga e astensões psicológicas
eram
responsáveis pelo decréscimona
frequênciacoital.
Viggianom
(1987), estudando as alteraçõesde 45
mulheresdo
inicio aofim
da
gestação observou diminuição globalda
respostasexual
no
evoluirda
gestação,com
acentuada diminuiçãoda
frequênciade
coitos para a maioria das pacientes,concordando
com
osdados de
Morris.
Vitielo e Colsló,
em
71976, encontraram disfunções sexuaisem
54,9%
de
gestantesque
referiram resposta sexualnonnal
antesda
gravidez.
Mais
recentemente,em
1988, estudando apenas grávidasadolescentes,
o
percentualde
disfunções encontrado foi de57,3%.
Da
mesma
forma, Cerqueira e Silva7 estudaram0
comportamento
sexualem
150 mulheres grávidas,com
distribuiçãoigualitária por trimestre
de
gestação,mostrando
um
declínioda
atividade,desejo e satisfação sexual, mais acentuados
no
terceiro trimestre; eMedvestzky
e Vestier7 estudaram64
mulheresno
último trimestreou
puérperas
de
até 4meses
e meio,observando
uma
diminuição progressiva6
i
`
V z
desejo e frequência coital,
no pouco
variadojogo
sexual eno
incrementodos transtomos sexuais. '
.
~
9
Reamy
e White4 (1985) eGerson Lopes7
(1993),encontraram resultados semelhantes aos
de
Masters e Johnson, evidenciandoum
aumento da
atividade sexual duranteo segundo
ediminuição durante
o
terceiro trimestre,bem como
Tolor e DiGrazia,que
ao
estudar 261 mulheres grávidas,observaram que
afiequência média de
coitos durante a gravidez foi mais alta
no segundo
trimestre,porém
com
acentuada diminuição
no
último trimestre.Femández
e Cols4 (1985) estudando 125 gestantesnão
encontraram
nenhuma
variaçãono
interesse pelo sexo nos dois primeirostrimestres,
porém
evidenciaramuma
importante diminuiçãodo
desejo eda
atividade sexualno
terceiro trimestre, associando esta resposta à idéiase crendices sobre a sexualidade
na
gravidezcomo
dano ao
feto e faltade
atenção por
pane
do
marido.Bogrenz (l99I)
num
estudo longitudinal entre ll2 casaisesperando seu primeiro filho, encontrou
uma
diminuiçãono
desejo sexualdas mulheres,
mais
comumente
no
terceiro trimestre (75%)_,devido àsmudanças
hormonais, fisiológicas e psicológicas sofridas pela gestante.Entre os
homens,
a diminuição foicomum
apenasno
terceiro trimestre(64%)
influenciada pelapreocupação
com
o dano ao
feto duranteo
1
intercurso sexual.
7
Barclay,
McDonald
e ()'Loughlin' (I994) estudando 25casais durante
o
pré-natal, encontraramum
declínio substancialdo
interesse sexual das mulheres,
que não
foi similar nos seus parceiros,porém
refletidonuma
marcante diminuiçãoda
frequênciade
atividadesexual. Outros
achados
foram que
a maioriados
casais(76%)
praticavam sexo oral regularmente e
12%
(3)dos
homens
praticavam frequentemente sexo anal.8
sExUAu1›Ama
NA
GRAvrm:z
-coNsrDr‹:RAÇÓ|:s
Ps1coLÓGrcAs
tQ _
Gostaria inicialmente
de
descrevero que
se passana
instância psíquica
da mulher
( edo marido
),uma
vez estando grávida.É
natural e lógicoque
estasmodificações
sejam mais intensasna
mulher.A
matemidade
pode
ser interpretadacomo uma
crisepsico-biológica,
comparável
àpuberdade ou
àmenopausa,
tantodo
fatoda
rapidez das transformações corporaiscomo, da
mudança
do
statussocial e familiar
que
ela provoca."A
mulher, aqui entendidano
sentidode
par conjugal , irá vivenciaruma
série de inseguranças, angústias ,questionarnentos, os sentirnentos das mulheres acerca
da
própria gravidezvariam de alegria a depressão.
Ao
longoda
gestação, urna sériede
fantasias estão operando,
umas
mais conscientes, outras,inconscientemente, e
algumas
delas, caracteristicas de determinadas fasesda
gestação. A“
Nem
sempre
estas fantasias são angustiosas,podendo,
i
muitas vezes,
a
gravidez ser vivenciadacomo
urna etapa rica e natural,como
um
prêmio,uma
expectativada
vindado
filhoquetanto desejam
.De
início,algumas
mulheres vivenciam maior sensualismo,um
abrir-separa
o
mundo,
semelhante a estarem apaixonadas. Elascomunicam
que
se
sentem
férteis, criativas e animadas. Para algumas, trata-seda
afinnação
últimada
sua feminilidade.À
medida que
a gravidez progride,algtunas mulheres
ficam
entusiasmadas e satisfeitas.Preocupam-se
particularmente
em
alimentar-sebem,
dormiro
bastante e cuidarbem
de
9
Na
realidade,algumas
mulheres.gostam
maisde
sexo assimque
sesabem
grávidas.Segundo
Marilene C.Vargas”,
elasacham
maisfácil entregar-se às suas sensações
quando
estão grávidas,porque
jánão
há o
riscode
engravidar. Para essas mulheres, toda a questãoda
anticoncepção está associada a “conter-se”, “ter cuidado”, “lembrar-se
de
tomar
as pílulas”, às preocupações sobreo
diafragma ( foicorretamente inserido?)
ou
seum
preservativonão
terá escorregadoquando o
homem
retirao
pênis.Preocupações
aindacom
o
registrodo
ciclo menstrual e ter relações sexuais
somente no
periodo seguro ou,mesmo,
com
essa espéciede jogo
do
azarque
é pressentiro
momento
em
que o
homem
deve
sair antes de ejacular.A
mulher
que
estáconstantemente apreensiva sobre a possibilidade
de
engravidar, descobreque
numa
gravidezpode
esquecer todas essas coisas, relaxare sentirprazer.
Um
fator importantenum
relacionamento, éque o
casalesteja consciente
do que
essa união representa.É com
a notíciada
gravidez que, muitas vezes,
o
casaltoma
consciência dasresponsabilidades
da
vida conjugal,como
as mudfançasnos
papéissociais, a renúncia
ao descompromisso da
vidade
solteiro, arecanalização
de
afetos e responsabilidade sexual e social paraum
companheiro,
com
o
qual se compartilharão todas as decisões futuras,importantes
ou
não. Eles sedão
contade
que
instiruíramde
fato os laçosfamiliares, pois tornar-se-á necessário prever a inclusão
de
maisum
membro
na
sua distribuiçãode
afeto,de
espaço fisico,dos
bens e atéda
alirnentação.
Em
todoo
futurodo
casal estará incluída a participaçãoto
eles
o de
perder a individualidade eo de
se sentir aprisionadanum
casamento
que, até ali, teria sido relativamente fácil terminar.› .
1
‹
_Baggio7,
em
seu artigo“Aspectos
psicanalíticosda
gravideze
do pano”,
relatacom
precisão este processo existencial, echama
aatenção porém, para a idealização
da
gravidez,que pode
ser patológica -“
Nosso
filho seráum
salvador,
que
irá resgatar nossas vidas das agruras,das dificuldades e das chatices
do
cotidiano, instalando-nos,definitivamente,
no
contatocom
o
Magnífico, o
Grandioso,o
Fantástico,enfim”
.A
atitude positivado companheiro
em
faceda
gravidez,interfere
grandemente
para a aceitaçãoda
mesma
pela gestante.A
atitude
do
parceirode
apatia, indiferença,de
rejeição, causa muitainsegurança, pois este desinteresse é interpretado
como
falta de afetopara
com
ela,além
disso, a responsabilidadeda
gravidez recai totalmentesobre ela.
A
Com
certeza , isso desenvolveuma
maior
ou
menor
aversãosexual pelo companheiro. _
-
_
_
g!
.
Da
mesma
forma,ocorrem
alterações rio relacionamentoafetivo e sexual nas gestantes
que não desejavam
a gravidez, eculpam o
parceiro por ela;
ou
ainda, consideram-nos responsáveis pelos “estragos”feitos
no
seu fisico. . 'A
gestantecostuma
passar porum
importante estadode
regressão emocional.
Dúvidas
sobre a capacidade própriade
gerarum
filho perfeito, insegurança sobre
o
afetodo
marido,temor de não
sercapaz de
cuidardo
fillio,medo
da
dor ede
morrerno
parto,medo
que o
marido
passe aamar
apenas a criança, e tantas outras, geradas pela||
da
gestante.A
labilidade emocionalpode
deixá-la , às vezes alegre eoutras vezes
em
depressão por motivos aparentemente banais,além
disso,muitas se
sentem
particularmente vulneráveis e dependentes .Na
gestação amulher
frequentemente se depreciacomo
parceira sexual, principalmente pelas alterações
de forma que
seu corpoexpen`menta. .Deixando de corresponder aos padrões usualmente aceitos
pela sociedade
de
beleza e atração sexual, a grávida passa a apresentarvergonha
do
seu corpo. Esse.. sentimento, muito diftmdido entre asgrávidas,
tem
profunda repercussão, sobreo
desempenho
sexual,principalmente
do segundo
trimestreem
diante,quando
as gestantes seauto-descrevem
como
deformadas,Outra
causade
desentendimentos, são as “novidades”que
por vezes
o
.parceiro quer introduzirna
atividade sexual,mais
especificamente
o
coito anal; as gestantes muitas vezesnão
aceitam eencaram
esta práticacomo uma
agressão,mesmo
aquelas que
sesubmetem
à vontadedo
marido.i .
Esses
comportamentos dos
parceirosum
paracom
o outro,contribuem para
o
aparecimento.de
desentendimentos, brigas e inibiçõesda
sexualidadeem
graus diversos;especificamente na
mulher,podemos
observar
desde o
desinteresse, até a frigidez e a aversão pela atividadesexual.
É
evidenteque
a importância relativade cada
um
desses fatoresvariará,
na
dependênciade
personalidade,do
tipode
educação,da
vivência prévia e
do
tipode
vinculo afetivodo
casall2
SEXUALIDADE
NA
GRAVIDEZ
-CONSIDERAÇÕES
A
SOCIOCULTURAIS
Fatores socioculturais
também
podem
interferircom
asexualidade
do
casal, ora baseando-se atravésda
esfera emocional, orabaseando-se em' preconceitosde
fimdo
orgânico.Culturalmente,
o
preconceitomais
difundido associa agestação a
uma
doença.não
podendo
a grávida praticar esportes,carregar peso, etc, pois é
uma
criatura debilitadafOutro
preconceito ,igualmente difundido, é de
que
a grávida sofreum
acentuado declínio,senão
uma
extinção total,de
seu impulso sexual. -Além
disso, amulher
trazuma
enorme bagagem
culturalinversa,
que
lhe ensina abster-sedo
contato sexual durante-a gravidez,proveniente das informações
que
a gestante recebedo
seumeio
ambientepróximo
( família, vizinhos, etc. ).Exemplos
desses tabus, sãoque o
sexo
pode
“machucar o
nenê”, duranteo
primeiro trimestrepode
provocaraborto,
no
terceiro trimestrepode romper
a bolsaou
propiciar trabalhode
parto prematuro, etc. z
_
O
medo
de aborto exerce acentuado efeito sobre a expressãofisica das sensações sexuais e até sobre a capacidade
de
excitaçãoda
mulher.
E
se ela já perdeuum
bebê
numa
gravidez anteriorou
tevealguma
hemorragiano
inícioda
atual,pode
sentir-se muito apreensiva e“apegar-se” obstinadamente a essa gravidez.~
O
resultado éque poderá
encarar
o
sexocomo
ameaça
diretaao bebê
e sentir-sedemasiado
tensal3
REAÇÕES
MASCULINAS
NA
GRAVIDEZ
A
paternidade, aindaque
não
tendo tradução biológica, étambém
perturbadano
plano psicológico.Como
partedo
seu trabalho de pesquisa sobre sexualidadehumana,
Masters e Jolmson9 entrevistaram79 maridos ao
finaldo
terceiromês
do
pós-partode
suas respectivas esposas. Trinta eum
doshomens
referiram
que
sehaviam
afastado lentamenteda
atividade sexual, porvolta
do
finaldo
segundo
trimestre, iníciodo
terceiro (20
das 31 esposasem
questão,observaram a
perdade
interessedo
parceiro ).Os
maridosnão
fomeceram
uma
razão consistente para essa perdade
interesse, àparte
o
medo
de
causardanos
fisicos ao feto e à esposa.Alguns
descreveram
os sinais evidentesda
gravidez (abdome
dilatado,pemas
mais grossas,etc.)
como
algo aque
faziam objeções pessoais.Dois
homens
observaram
a diminuiçãoda
higiene pessoal das respectivasesposas,
como
causada
sua perdade
interesse sexual.Doze
homens
confessaram
que haviam
tido relações extraconjugais,quando negada
a oportunidade conjugal por proibição médica, e três desses declararamque
era "pela primeira vez".Do
ponto de vista emocional,o
fator maiscomum
a exercerinfluência é
o temor de machucar o
filho,também
expresso pela mulher.O
medo
de
que a
penetração vaginal possa"machucar o
nenê", provocarum
abono
ou
desencadearum
parto prematuro é frequentemente manifestado pelos maridos,o que
pode
levar à diminuiçãoda
frequênciade
coitos. Essapreocupação pode
ter efeitos bons,porque
eles licammais
ponderados, mais solícitos e diferentesdo que
antes semostravam
a14
pode
recusar-se até a tocar a mulher.É
quasecomo
se sentissemque
o
fato
de serem comedidos
ajuda a gravideza
caminharbem
esem
percalços,
como
se seu autocontrole "protegessea
gravidez".Os
futuros pais queixam-se, às vezes,de
sintomassemelhantes aos
da
esposa grávida - náuseas, diarréia, constipação, dornas costas.
Alguns
homens
sentem. muita invejada
gestaçãoda
esposa eocasionalmente tentam lidar
com
essa invejanegando
porcompleto o
fatode que
amulher
está grávida, ou, altemativamente, tentando "fundir-se"com
a esposanuma
tentativa de vivenciar biologicamente a gravidez.A
rejeição à gravidez, já citadacomo
fator feminino,pode
atingir
também
aohomem.
Essa rejeição, conscienteou
inconscientemente é transferida à grávida,
o que
prejudicao
desempenho
sexual por diminuição
do
desejo.Meads, ao
estudar a triboMundugomor,
na
Nova
Guiné, relatauma
situação parecida nessa cultura.A
autoramenciona
que,quando
ocorria a gravidez,o
homem
irritava-secom
o
fato, dirigindo ofensas à mulher, amaldiçoando-a pelapouca
eficácia
de
sua"mágica
anticoncepcional", quanto a ela, a gravidez só lhecausava transtornos, pois era sinônimo de privação sexual, situação
que
adeixava a
mercê da
ira,do
repúdio eda
infidelidadedo
marido.Mesmo
em
nossa cultura, aindaeminentemente
machista,o
homem
se sente,em
grau
maior
ou
menor, responsável, interessado e influenciado pelagravidez de sua companheira,
o que pode
repercutirem
seudesempenho
15
s1:xuAunAnr.
NA
Grmvrnrzz
-coNsiur‹:RAÇÓEs
t
oRGÃN1cAs
V
Ocorrem, desde o
inicioda
gravidez,uma
série desintomas que,
na
óticado
pré-natalista, são destituidosde
importânciamaior;
do
pontode
vista do' exercícioda
sexualidade, entretanto, tais"pequenos" sintomas
podem
assumir relevância.Náuseas
e vômitosnos
primeiros trêsmeses
de
gravidezpodem
constituir-seem
esmorecimento
sexual.Muitas
mulheresnunca
experimentam
isso,mas
outraspodem
sentir-se enjoadasnão
sóao
despertar, pela
manhã,
mas também
no
inícioda
noite,ou
ainda, duranteo
dia inteiro.
_
Mesmo
que
amulher
se sinta bastantemelhor
quando
vai paraa cama,
as náuseas constantestomam
dificilque
ela se sinta erótica.Muitas
mulheres sentem-se incn'velmente sonolentasou
fatigadas, e isso está associado aos importantes ajustamentos
que
o
corpotodo realiza
no
inícioda
gestação.Ademais,
tudo isso está acontecendonuma
época
em
que
elapoderá
ter falado a muitopoucas
pessoas acercade
sua gravidez,de
modo
que
nenhuma
concessão é feitaquando
ela sesente
sob
certa pressão,no
trabalho por exemplo.A
congestãomamária
ea
dos Órgãos genitaispodem
levar aalterações
de
percepção, deixando esses órgãos frequentementede
serzonas
erógenas, etomando
o
tato desagradávelou
até doloroso.Umas
das primeiras
modificações que
demmciam
a gravidezocorrem
nos seios,que crescem
rapidamente durante o' pn`mei_ro trimestre, graçasao
aumento
significativo
na
rede vascular e glandular,tomando-os
muito sensíveis.Fisiologicamente,
ao
finaldo
primeiro trimestre, os seios tiveramum
ló
25%
), ocorreem
resposta à estimulação sexual, esobrepondo
essesvalores, entende-se facilmente por
que
a mulher, Êprincipalmente anulípara, se queixa de_
uma
grande sensibilidade nos seios durante aexcitação sexual,
no
inícioda
gravidez.‹
Quando
isso acontece, amulher
jánão
pode
pensarem
seusseios
como
objetos eróticos parao
seuhomem,
e qualquer can'ciadeve
ser feita
com-muita
suavidade. Duranteo segundo
e terceiro trimestres, há, quase sempre, redução dessa queixa, pois a excitação sexual jánão
provoca aumento
tão evidente dos seios já bastante túrgidos.O
estadode
gravidez aumenta,de
maneira acentuada, avasculaiização das vísceras pélvicas, e por volta
do
iníciodo
segtmdo
trimestre,
há
uma
acentuaçãodo
edemada
vulva e vagina, cujos tecidosficam
mais
espessos, hipertrofiados ecom
uma
maior
lubrificação.Qualquer
estimulação sexualaumenta
aindamais
essa vasocongestãopélvica maciça. Para Vitielo e
Conceição”,
essa intensa congestão alteraas sensações perceptivas,
tomando
diñceis a excitaçãoleo
orgasmo.A
penetração vaginalpode
chegar a ser dolorosa, principalmente seestiverem associadas varizes vulvovaginais.
Masters
e Johnson9 e Marilene Vargas,afirmam que
essacongestão
mantém
amulher
em
constante estadode
moderada
excitaçãosexual, levando a
um
aumento do
interesse sexual nessa faseda
gestação.Os
meses
intermediáriosda
gravidez,fonnariam
um
periodoem
que
asmulheres estariam mais ávidas por sexo.
A
Embora
algumas
mulheresgostem
realmente de sexo"furioso",
na
gravidez essaforma de
sexo frequentementenão
funciona, e. f
.
o
parceirodeve
mudar
o
modo
de
fazer amor,ou
a parceirapode
quererI7
No
terceiro trimestre,podem
retomar a sonolência e asnáuseas
do
primeiro trimestre, e os sintomas de irritabilidade e tensãopélvica
tomam-se
mais intensos,além de
queixas de indigestão e aziaque
podem
se constituirnum
problema
quando
amulher se
deita.O
volume abdominal
crescente, obrigao
casal a procurarposições altemativas para
o
coito,que
podem
não
ser tão satisfatóriascomo
asque
utilizavam antes.Na
última faseda
gravidez, osmovimentos
ativosdo
feto,bem como
a eliminaçãode
colostro,podem
inibir as manifestações de sexualidade.
Nessa
'fase ainda, tornam-sebem
sensíveis as contrações deBraxton~Hicks,
que
podem
assustaro
casal, temerosos de- desencadearum
trabalhode
parto prematuro.'A ^
l8
ACONSELHAMENTO
SEXUAL
DURANTE A
GRAVIDEZ
-
Da
mesma
forma que
a gravidez é evento fisiológico,também
o
éo
ato sexual.Deste
modo,
émais do que
evidente que,. . .
i - -
numa
gravidezque
evolui normalmente, as relações sexuaissejam
inofensivas. .
Não
há porque
proibi-lasem
qualquer alturado
trimestregestacional,
A
respeitando-se naturalmente
o
iníciodo
trabalho de parto.Ao
médico
cabe dissipar as dúvidasde
ambos
os cônjuges.Em
primeiro lugar, é preciso saber se a gestação' é normalou
possuialgum
fatorde
risco obstétrico.Quando
a gravidez evoluifugindo
dos
parâmetrosda
normalidade, é necessário discernimento eprudência
no
aconselhamento, evitando proibições indiscriminadas eincabiveis. E, se
não
há
contra-indicaçõesmédicas ao
coitoem
uma
gravidez normal, isto
não
quer dizerque
o parnão
seja esclarecido deque
devem
sertomados
alguns cuidados.Os
perigos potenciaisdo
coito durante a gravidezenvolvem
três áreas principais: fatores mecânicos, infecções e contrações uterinas.
Quanto
aos fatores mecânicos, muitos casaisafirmam que
seu principal
temor
está ligado aos possíveisdanos
causados pelo pênisdurante a penetração coital.
Os
possíveis efeitos deletéri.os incluemruptura
de membranas,
amnioniteou sangramento
placentário,porém, o
levantamento
da
literaturanão
comprova
a ocorrênciade
nenhum
dessesriscos potenciais.
O
fetofica
muitobem
protegido no.interiorda
bolsaamniótica e
não
sofre as pressõesextemas
do
ato sexual. Por outrolado, qualquer
sangramento
substancial constituiuma
contra-indicaçãoll)
abortamento, pois
pode
se tratarde
placenta prévia oii descolamento deplacenta. '
_
É
importante esclarecerque na
ameaça
de
aborto aproibição
não deve
se estender portempo
indeterminado. RicardoCavalcanti3 ,
concordando
com
Barros, afirrnaque
a proibiçãonão deva
se estender para
além de
duassemanas
após terem cessado as dores e/ouas perdas sanguíneas.
Na
mulherque
tem
incompetência istmo-cervical, rupturade
membranas,
ou
colo dilatadono
finalda
gestação,o
pênispode
facilitar amigração
de bactérias várias para os órgãos genitais superiores duranteo
coito,
devendo
este ser evitado.Na
gestaçãoque
evolui normalmente,não há
necessidadede
evitaro
coitona
última partedo
terceiro trimestre,uma
vez que o
tratamentocom
antibióticospoderá
resolver qualquerinfecção
que venha a
ser contraída. '_
Não
existem informações seguras i e conclusivascorrelacionando
o
coitocom
orgasmo
ao trabalho de parto prernaturol,visto
que
o
orgasmo pode
produzir contrações uterinas. Masters eJolmson9 citaram quatro mulheres,
não
participantesdo
seu trabalhode
pesquisa,
que acusaram
iníciodo
trabalho de parto imediatamenteapós
uma
experiência orgásmica. Parece razoável sugerir lirnitaçõesna
atividade sexual
que
leveao
orgasmo,em
mulherescom
história préviade
abortamento habitual
ou de
parto prematuro, durante aépoca
em
que
ocorreram as perdas dos conceptos. *
V
Pode-se
orientar
o
casal,que
certos ajustamentos nasposições
do
coito se farão necessários, àmedida
que
progredir agestação.
Existem
duas posiçõesque
trazemmaior
confortoao
casal.A
primeira é a lateral,
com
amulher de
costas parao
homem,
que
faz al 1
20
penetração vaginal por trás.
A
segunda
é a posiçãoem
que
amulher
fica
deitada
de
costas, joelhos dobrados, enquantoo
homem,
de
lado, coloca-se por baixo das pernas
da
companheira, introduzindoo
pênisna
vaginaem
posição lateral.que forma
ângulo retoem
relação à pelve.Estas posições
têm
avantagem
denão
exercer pressão sobreo
abdome
da
gestante. Talvezuma
frase sirva para orientar os casais:“tenham
muito amor,mas
pouco
entusiasmo”. _É
conveniente advenir os casais quanto a' certas práticassexuais particularmente perigosas para a gestante,
como
o
cunilingus,. 2
›
â
quando
algrmshomens
sopram
arno
interiorda
vagina.Algumas
mortesjá
foram
reIatadas.em consequência desta prática, por embolia aérea,sendo que o
ar havia penetrado no' Sistema vascularmatemo
atravésdo
canal endocervical dilatado.
Deve-se
informar aos casais, que, por diversas razões,muitos experimentarn diminuição
da
frequência sexual durante a gravidez,mas
mesmo
que
um
dos
parceirosnão
deseje a relação, as caríciasnão
precisam sofrer restrições.
2l
, t
MATERIAL
E
METODOS
`A
presente investigação foibaseada
num
estudo transversal,exploratório, individual e
sem
controle. Foi avaliadauma
amostra de50
mulheres,
no
puerpério imediato, intemadas nas enfermariasda
matemidade
do
Hospital Regional Dr.Homero
de Miranda
Gomes,
da
cidade
de
São
José eda
Matemidade
Carmela
Dutra,da
cidadede
Florianópolis,
no
periodode
fevereiro a abrilde
1995.A
amostra foi escolhida por conveniência,sendo
que foram
excluídas mulheres
com
história de gravidezde
risco, distúrbioda
libidoantes
da
gravidez e mulherescom
relacionamentos instáveis.A
cada
puérpera foi aplicada urna entrevista individual,semidirigida, por
meio de
um
questionário,com
pergimtascontendo
variáveis psico-sócio-epidemiológicas
como
idade, estado civil,escolaridade, paridade, intercorrências durante a gestação atual e
anteriores,
idadede
início .da primeira relação sexual,método
de
contracepção anterior, planejamento e aceitação
da
gravidez, relaçãoemocional
com
o
parceiro; 'conduta sexual antes e durante a gestaçãoem
cada
trimestre,medida
pelo desejo sexual, frequência coital e satisfaçãosexual; desejo sexual
do
parceiro antes e durante a gestação, causasda
diminuição
da
libido durante a gestação, orientação sexualmédica
e,por
fim,
mitos e tabusem
relação à sexualidade durante a gestação.Desejo
sexual foidefinido
como
desejo demanter
relaçãosexual e satisfação sexual definida
como
atingiro
orgasmo
durante arelação sexual.
_
22
SEXUALIDADE
NA
GESTAÇÃO
1-
IDENTIFICAÇÃO
nome: idade:
estado civil: E1 solteira Ú casada El outros
profissão: ela ele:
escolaridade: ela:
U
1° grauÚ
2° grau El 3° grauele: El 1° grau El 2° grau Cl 3° grau
2-
PARIDADE:
gesta: para:
intercorrências durante a gestação atual e anteriores:
3-
ATIVIDADE SEXUAL:
a) início da atividade sexual:
b) contracepção anterior: III tabelinha EI coito interrompido
U
ACO
U
condom El diafragma EDIU
c) gravidez planejada: EI sim E! não
d) gravidez desejada:
U
simE
nãoU
indiferente e) relação emocionalcom
o parceiro: El ruim El boaflttabfilë Dšvëflrl :T::z:í<›v lz se fl11r11¢:nt9wfi°°u is“f‹1l:,¢ut:€li¶!i99i9:t:)
desejo sexual: E sim EI não frequência coital: n°de relações/ sem
orgasmo: E nunca
U
algumas vezesI] sempre
desejo sexual do parceiro:
U
simU
não5-
CAUSAS
DA
D1M1NU1ÇÃo
DA
LIBIDO
I] náuseas e vômitos El aumento do volume abdominal
El fadiga CI contrações
El dor ao coito E movimentos fetais
I] dor ao toque mamário E colostro
E
alteração forma do corpo U outras6-
TABUS:.
a)A
gestação interfere na sexualidade?b)
A
relação sexual interfere na evolução da gestação?7-
RECEBEU ORIENTAÇÃO
SEXUAL MÉDICA?
Elnão Usim Elespontânea23
RESULTADOS
~Os
resultados. serão apresentadosesquematicamente
'segundo asvariáveis estudadas. .
i
1)
IDADE:
'_
A
figura
1 mostra a idade das mulheres entrevistadas,que
oscilouentre 17 e
38
anos,com
uma
média de
26.47 anos. Cinquenta e dois porcento das mulheres estão
compreendidas no grupo
etáriode
20
a26
31105. -
2)
ESTADO
CIVIL:
Todas
as entrevistadaseram
casadas,sendo que
incluímos nestacondição as mulheres
em
união consensual.A
. 3)
ESCOLARIDADE:
Quanto
à escolaridade osdados
referem-se aomais
alto graude
matricula relatada.
A
figura
2 mostrao
nívelde educação dos
parceiros,onde
entre as mulheres48%
cursaram apenaso
nível primário,40%
o
nível secundário e
12%
o
nivel superior ,e, entreos
homens
44%
cursaram
o
nível primário,38%
o
nível secundário el8%
o
nívelsuperior. `
4)PARlDAI)E:
_A
figura 3 rnostrao
núrnerode
gestações,com uma
variaçãode
la 5 ,sendo
que
44%
tiveram apenas l gestação,30%
tiveram 2 gestações24
IDADE
DAS ENTREVISTADAS
até20anos
20a24anos
IIl25a29anos
IIflDIacimade29anos
Figura 1. Idade das entrevistadas, divididas por faixa etária
ESOOLARIDADE
D(B
PARCElR(B
ela
Iele
1°g|au 2°grau 3°g|au
Figura 2. Nível de educação dos parceiros
PARIDADE
. .'I¡.11'.¿'€'.1"¡.- §:§:§: . .- 4° zzãã'¿'‹:=z:=E=z= -=E=Eà É -:›:~;~,:~:-:~:;1~:-:-: :-:›:~ .'ÃÚ.'Z'l'f'.'É~Z'Z' 'Iii -:~›:~›››:+:;:-: :-:-:- $:3I1"<¡:$I¡:¡:'‹3 1:35: ~ 30 .<z=z=z'<:=z›.=z=z.:= 1z¢z:z ,;f-::.:-.'..:.1:; Ç0$ .;.,;.¡.¡.;.¡.,,¢.¡ ¡.¿,¡. ° Í=Ê$¡¡É5-':¡É1Ê1:'¢: ÉIÊIÉI .<‹:~:1:-1-E4-:›:~:¬ -:-;-: êsúêzaâzzzêzzê-:êI
~ ›:~:-:-›:~:‹:-:›:~:~: :›:‹:~ E 20 =:§:=:1.€:3:=;¢;I:=.<: tizrzi '\':'Í%'¬*§~.\\'\" ~Í‹I~Í ~ .~.w.-.\-.‹.‹.- - .›.z,,,.-,,..›, ͧ:'Í'H':'Ê'1'Ê'$° 'Í'Í'Í " `-_.‹:~.‹:;=;.;:. =:E:I :›25
1
5)
INÍCIO
DA
ATIVIDADE
SEXUAL:
'
A
figura
4, mostrao
inícioda
atividade sexual,definido
como
aidade
de
inicioda
primeira relação sexual,que
variou de 14 a30
anos,com uma
média de
17.86 anos(desviopadrão de
2.8).l8%
das mulheresestäo
compreendidas
no grupo
de iníciode
atividade sexual antesdos
l5anos ,
72%
dos
l6 aos20
anos,8%
dos
2l aos25
anos e2%
dos 25 aos30
anos. V' - _
6)
METODO
CONT
RACEPTIVO
ANTERIOR:
O
método
anticonceptivo utilizado antesda
gestação estárepresentado
na figura
5,na
qual se observaque
54%
utilizavamanticoncepcionais orais,
12%
tabela deOgino-Knaus,
8%
coito‹
interrompido,
4%
coito interrompido associado- acondom,
2%
DIU
e20%
nenhum
método
contraceptivo.7)
_PLANEJAMENTO
E
ACEITAÇÃO
DA
GRAVIDEZ:
Como
mostra afigura
6, quanto ao planejamento,48%
dasmulheres
responderam que
sua
gravidez foi planejada, enquantoque
em
52%
dos
casos a gravideznão
foi planejada.Quanto
à aceitação,86%
das mulheresresponderam que
agravidez foi desejada,
ao
passoque
8%
referiuque
a gravidez foiindesejada, e
6%
semostraram
indiferentesem
relação a este aspecto.8)
RELAÇÃO EMOCIONAL
COM
O
PARCEIRO:
Noventa
e seis por cento das mulheres qualificaram a relaçãoemocional
com
seus parceiroscomo
sendo boa
e4%
como
sendo
ruim emocionalmente,porém
estável sexualmente.26
INÍCIO
DA
AT1vu)ADE
SEXUAL
ao _ _ . 7° _.-1.->.<$9'í9'9s`-" ' ›
3
até 15 anos W; 40 ~W
16 3 20 8ll(B 33 # 21 a 25 anos @I
acima de 25zum
1° iâiâãâiâëâãâãâãâ z O _..Ê͡͡`Í'ÂÍ¡Í~f‹:¡:¡:¡ Í ..‹.-:‹:-:3;I; .-.-:-ií:¡:í` .if
Figura 4. Idade de início da atividade sexual ( primeira relação sexual)
MÉTODO
ÇONTRACEPHVO
ANTERIOR
°° F
Aco
._.;.;.;.;.¡¡ ;. 50 z=5s=5;==s=z= zé ;¿zs;s;z¿;zê â;É
ngnhum -:-¬.;'¿:›z:;: :-. 40 :§= . tabela de Ogmo-Knaus (°/O 3° - - - fé; O lllll coito mterrompndo ,¡_.,._¡_¡_¡_¡ ¡_¡, . :. -.‹z:~_4.;.; É-Ez? Í: .... ._ §°°¡t° ¡”t°"°'“p¡d°+ O íl||||H|H||H|Í|¡L,..âzââêââêê' °°"d°m .IDIU
-Figura 5_.
Método
contraceptivo usado antes da gravidezPLANEJAMENTO
E
ACEIT
AÇÃO
DA
100 › _ O zu O O ' planejààz A °° l
@“ã°
Planeiada 0 ~ 1 Iifldifefwfe -__ __ «_._.._ _. __27
DESEJO
SEXUAL
DA
PARCEIRA
-`5;'.'.`i'.`.'
É
88888Uiflfllmdo
1TIim 2T!il'I1 3TI'lI'fl
Figura 7. Alterações no desejo sexual da parceira durante a gravidez,
em
relação ao estado pré-gravídico9)
DESEJO
SEXUAL
DA
PARCEIRA:
Com
respeito à conduta sexual antesda
gravidez,100%
dasentrevistadas referiram sentir desejo sexual, definido
como
desejo demanter
relação sexual, e qualificaram sua vida sexualcomo
boa.24%
das mulheres manifestaram terpermanecido
sem
alteraçãoalguma
seuinteresse sexual durante toda a gravidez,
12%
referiramum
aumento da
libido
em
algum
trimestre e72%
referiramuma
diminuiçãoda
libidoem
alguma época
.da gravidez. 'Como
podemos
ver 'nafigura
7,no
primeiro trimestreda
gravidez8%
das mulheres referiramum
aumento da
libido,60%
referirampermanecer
inalterada e32%
referiramuma
diminuiçãona
libidoquando
comparado
ao desejo sexual antesda
gravidez.Com
respeito aosegimdo
trimestre,
10%
disseram ter havidoum
aumento na
libido,56%
disseramque
não houve
alteração e.34%
disseram quehouve
uma
diminuiçãodo
desejo sexual,
quando comparado
a antesda
gravidez.Em
relação aoterceiro trimestre,
6%
das mulheres referiramaumento da
libido,28%
não
referirammudanças
e66%
disseram quehouve
uma
diminuiçãoda
28
10)
FREQUÊNCIA
co1TALz
Com
respeito à atividade sexual antesda
gravidez,10%
dasmulheres referiram ter pelo
menos
uma
relação sexual por semana,58%
das mulheres disseram ter relações sexuais pelo
menos
2 a 3 vezes .porsemana, enquanto
32%
expressaram tê-las 4ou
mais vezes porsemana
(figura
8A).Quando comparamos
ao estadonão
gravídico,no
primeirotrimestre de gravidez
6%
das entrevistadas referiramum
aumento na
frequência coital,
58%
.disseram terpennanecido
inalterada a frequênciade relações e
36%
referiramuma
diminuiçãona
frequência de relações.Durante o
segundo
trimestre10%
das mulheres referiramaumento na
frequência coital,
44%
referiramque
a frequêncianão
alterou e46%
disseram que a frequência
de
relações dirninuiu. Finahnente, duranteo
terceiro trimestre,
4%
das mulheres referiram aumento,12%
não
referiram alterações e
84%
disseramque
diminuiu a frequência derelações sexuais (
figura
8B
).`
FREQUÊNCIA
co1TAL
ANTES
DA
GRAVIDEZ
5°'/°
¿2%
I
pelo menos 1 vez/sem2 a 3 vezes/sem
4 ou mais vezes/sem
10%
29
1‹¬R1‹:QUÊNcIA
con¬AL
NA
GRAVIDEZ
I
aumentadainalterada
I
diminuídaFigura SB. Alterações da frequência coital do casal durante-a gravidez,
em
relação ao estado pré-gravídico1° Trim '
2° Trim 3° Trim
11)
SATISFAÇÃO sExUALz
g
A
satisfação sexual foi definidacomo
atingir oorgasmo
durante arelação sexual.
Como
sepode
verna figura 9A,
em
relação à satisfaçãosexual
da
mulher antesda
gravidez,6%
das entrevistadasnunca
atingiramo
orgasmo
,32%
das mulheres atingiamem
algumas relações sexuais e62%
atingiamo
orgasmo
frequentementeem
todas as relações sexuais.SATISFAÇÃO
SEXUAL
DA
PARCEIRA ANTES
DA
GRAVIDEZ
J sempre atmgiam M/ ,. . ,,,¡,,,_,/7,, 0l`gaSIll0 62% . . . .zzz=z . ...z=zzzz;=:=z:=^==z=='=' 32%algumsvafs
"¢€'zí*¿"r‹',..""“'<"-<f”%”.'./4z=**C4 ' _. - .ntmcaatmgam
6%orgmmo
Figura 9A. Satisfação sexual da mulher (presença de orgasmo) antes
da gravidez
30
2
sATrsFAÇÃo
SEXUAL
DA
PARCEIRA
_
I
aiunentadainalterada
E
diminuída1° Trim 2° Trim 3° Trim '
›
Figura 9B. Alterações na satisfação sexual (presença de orgasmo) da
parceira durante a gravidez,
em
relação ao estado pré-gravídicoDurante o primeiro trimestre, 1
mulher
referiuaumento
na
satisfação sexual, refletido
em
um
maior
número
de relações sexuaisem
que ela atingia
o
orgasmo, 41 mulheres(82%)
não
referirammudanças
na
satisfação sexual e 8 mulheres referiram diminuída sua satisfação
em
relação a antes
da
gravidez.No
segimdo
trimestre 2 mulheres referiramaumento,
36 (72%) não
referiram alterações e 12(24%)
disseram terdiminuído
o
seu prazer sexual.-No
terceiro trimestre 2 mulheres referiramaumento da
satisfação, sendoque
uma
delas experimentou pela primeiravez
em
sua vidao orgasmo
vaginal; 31 mulheres(62%) não
referirammudanças
e 17(34%)
referiram diminuiçãodo
prazer sexual refletidoem
um
menor número
de relaçõesem
que
atingiam orgasmo,quando
comparado
com
antesda
gravidez (figura
9B
).31
r
DESEJO
SEXUAL
DO
PARCEIRO
23
8888838I
aumentado inalterada diminuído 10 0 --_ím;__I
1° Trim 2° Trim 3° TrlmFigura 10. Desejo sexual do parceiro durante a gravidez, referido pela
parceira '
12)
DESEJO
SEXUAL
DO
PARCEIRO:
Segimdo
as entrevistadas,100%
dos seus parceirospossuíam
desejo sexual
em
relação à elas antesda
gravidez. _~Quando
comparamos
com
o estágionão
gravídicc,no
primeirotrimestre
16%
das mulheres referiramaumento da
libidodo
seu parceiro,80%
não notaram
mudanças
e4%
referiram diminuiçãodo
desejo sexualdo
parceiro.No
segimdo
trimestre,12%
das mulheres disseram teraumentado,
80%
não
referiram alterações e8%
disseram ter diminuído alibido
do
seu parceiro. Finalmente,no
terceiro trimestre12%
referiramaumento,
76%
inalteração e12%
diminuição ,dodesejo sexualdo
parceiro(figura
10 ).13)
CAUSAS
DA
DIMINUIÇÃO
DA
LIBIDO
NA
MULHER:
_
Como
fatores causadoresda
diminuiçãodo
seu desejo sexual (figura
11), as entrevistadas relataram a dor durante o coitoem
28%
doscasos,
o aumento do volume
abdominalem
26%,
as náuseas e os vômitosfreqüentes
em
20%,
a alteraçãoda forma do
corpo 'fazendocom
que
elas32
em
4%,
as contrações uterinasem
4%,
osmovimentos
fetaistambém
em
4%
e a dorao
toque dos seiosem
2%
dos
casos.16%
das mulheresnão
conseguiram
apontarnenhuma
causa consistente para a diminuiçãodo
seu desejo sexual, apenas disseram ter perdidoo
interesse eím sexosem
sabero
por quê. ~t
~ 1
14)
ORIENTAÇAO SEXUAL
MEDICA:
Quando
perguntadas sereceberam
orientaçãomédica
em
relaçãoà sexualidade durante
o
pré-natal, 2 mulheresresponderam
ter recebidoorientação
espontaneamente
por partedo
médico, 13 mulheres disseramter recebido orientação após equestionarem
o
assunto e34(68%)
não
receberam
orientação sexual (figura
12 ).1.5)
TABUS
E
MITOS
'SOBRE
SEXUALIDADE
NA
GRAVlDEZt_
~'z
'
Quando
pcrguntadas se a gestação influencia na sexualidadedo
casal e se arelação sexual
pode
interferir dealguma
maneirana
evoluçãode
uma
gravidez, 16 mulheres disseram termedo
de que
a relação 'sexualprejudicasse, ferisse
o
feto, 14 mulheres disseramque
seus parceirostinham
medo
de
feriro
feto durante a relação,uma
mulher
disse ter receioque
a relação sexual a levasse a entrarem
trabalho de parto prematuro euma
outraque
a levasse'ao
abortamento; urnamulher
ainda disseque
gestações
com
fetos masculinos diminui a libidoda
gestante, fazendo-a"enjoar"V
do
parceiro, acreditando ter sido esteo motivo
pelo qual ela"enjoou"
do
seu marido. l l33 Idoraoooito
Iaimentodovolume
abdomimll~
Ialtaaçãodafcnnado oq 15-um
Ifadiga Ioomaçõesutainas Irmvimeltosfetais Idoraotoquedosseios I‹:ausadesoo¡hecida Figura ll. Causas da diminuição do desejo sexual nas parceirasdurante a gestação 70
E
38888I
orientação espontâneaI
orientação após solicitaçãoI
não orientadas 10 oÉ 34
r
D1sCussÃo
No
nosso estudo, constatamos importantesmodificações no
erotismo
da mulher
grávida. VNossos achados
corroboram, nas diferentes variáveisanalisadas, os resultados obtidos por outros autores
que
indicamalterações
da
conduta sexualna
gravidez,como
Solberg,F
alicov, Vitielo,Cerqueira e Silva,
Medvestzky,
Fernández,Bogren
eBarclay
.Contudo, só
devem
generalizar-se à populaçãode
estudocom
as características já expostasna
seçãode
material e métodos,ou
seja, mulheres
sem
históriade
gravidezde
risco,sem
distúrbiosda
libidoantes
da
gravidez e mulherescom
relacionamentos estáveiscom
os seusparceiros.
-As
mulherescom
gravidez de risco anteriorou
atualforam
excluídas, pois este é
um
grande fator para a inibiçãoda
sexualidade,devido a fatores orgânicos
mesmo,
como
riscode
abortamentoou
partoprematuro, e
agravamento
destescom
a relação sexual.Mas,
principalmente, pelo
medo
do
casalde que
a atividade sexual interfirana
evolução
da
gravidez. '-
Na
nossa análise, as puérperas estudadasnão mostraram
nenhuma
variaçãono
desejo sexual,permanecendo
igualno
primeiro esegundo
trimestres,em
60%
e56%
dos
casos respectivamente,embora,
tenha havido
uma
diminuiçãodo
desejo sexual significativamente(p_<0,05)
no
terceiro trimestre,em
relação aos dois anteriores eao
estadonão
gravídico anterior,em
66%
das entrevistadas..