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Rev. Col. Bras. Cir. vol.31 número6

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Academic year: 2018

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Tratamento do Megaesôfago Chagásico

344

Valezi et al. Rev. Col. Bras. Cir.

Editorial

Vol. 31 - Nº 6: 344, Nov. / Dez. 2004 Rev. Col. Bras. Cir.

A Classe Médica está sujeita a responder em dois Tribunais: Justiça Comum e Conselho de Medicina. E mais, na Justiça Comum poderá responder por responsabilidade civil médica e responsabilidade penal.

O Conselho de Medicina, órgão que fiscaliza a pro-fissão, pode iniciar um processo ético profissional, a partir de denúncia formulada por um Conselheiro, pelo próprio doente ou ainda através de Comissão de Ética Médica. É o Código de Ética Médica que rege o julgamento. É instaurada uma sindicância, quando se avalia se existem elementos suficien-tes para que se abra um processo ético profissional. Uma vez aberto um processo, este terminará com absolvição ou con-denação do médico acusado. Conforme a gravidade do “erro médico”, as condenações variam: advertência confidencial, censura confidencial, censura publica, suspensão até 30 dias e cassação do diploma médico.

O Colégio Brasileiro de Cirurgiões apesar de enten-der que o julgamento do Conselho de Medicina é justo e a pena imposta ao réu é isenta de qualquer outro sentimento, senão o da justiça. Nesta situação, estão envolvidos médicos competentes (julgadores) que possuem discernimento claro, entre o erro médico verdadeiro e o chamado erro profissional (complicações, resposta inesperada do organismo etc.).

No processo criminal, é na Delegacia que tudo co-meça. É realizado um boletim de ocorrência (BO) e daí o inqu-érito policial. O delegado de polícia julgará se é caso ou não de crime. Caso haja indícios de crime, o julgamento se fará na Justiça Criminal, sob o manto do Código Penal; nesta situa-ção, o acusador será o Promotor Público e, havendo culpa, as condenações possíveis serão: penas privativas de liberdade, prestação de serviço à comunidade e multas.

O Colégio Brasileiro de Cirurgiões entende que, mui-to embora alguns julgamenmui-tos poderão ser falhos em decor-rência da definição correta do que seja realmente um “erro médico”, não teme este Tribunal. São poucas as ocorrências e a experiência tem mostrado que são os casos que beiram à criminalidade, aqueles que aqui encontram guarida.

No processo civil, o advogado do autor (doente) é o acusador. Em se constatando “erro médico”, requer o advo-gado indenização por danos morais e materiais. Os Códigos Civil e do Consumidor são invocados para nortear o julga-mento. No caso de “Culpa”, fica a critério do juiz estabelecer um montante em dinheiro que o réu deverá pagar ao autor.

O Colégio Brasileiro de Cirurgiões entende que, nes-te Fórum, muito há que se nes-temer. Inicialmennes-te é importannes-te ressaltar que a pena a ser aplicada é pagamento em dinheiro para o autor. Este fato é um grande incentivador de

proces-sos. Tanto o doente como o seu advogado (não todos) acre-ditam que ficarão ricos. Normalmente o autor consegue a cha-mada justiça gratuita e, com este instrumento, o doente pede valores altos, porque nada tem a perder. Se ganhar o proces-so, leva uma soma razoável de dinheiro, caso contrário, nada perde, isto é, pode arriscar a vontade, pois nunca perderá. O Julgador, via de regra, considera o doente (acusador) hipossuficiente e vítima, o que de certa forma deixa o médico em desvantagem. Não bastassem estes fatos, há ainda que se discutir sobre a definição de “erro médico”. O doente afirma que o médico errou, o advogado procura por todos os meios provar estes “erros” e o juiz, como se comporta? A infeliz verdade é reconhecer que o Julgador não estudou medicina, pior do que isto: não sabe diferenciar um “erro verdadeiro” de um “erro profissional”, como então julgar?

Vamos a um exemplo:

Supondo que um indivíduo esteja com a perna amar-rada em uma linha de trem. O trem vem chegando e o maqui-nista tem duas opções, pois ali há um desvio: a primeira é seguir o caminho que não passa sobre o trilho onde está amarrado o pobre indivíduo; a segunda, é exatamente passar sobre o infeliz. Um observador (médico) verifica que se o ma-quinista optar pela primeira possibilidade nada acontecerá com o homem da nossa história; caso escolha a segunda op-ção, ele (doente) morrerá. Qual a conduta que o observador deverá escolher?

1 - Amputar a perna do “doente” para livrá-lo da possível morte?

2 - Deixar o “doente” à própria sorte?

Caso o observador (médico) escolha por amputar a perna do cidadão e retirá-lo do perigo e o maquinista passe justamente onde estava localizado a vítima, todos gritaremos que o observador é um GRANDE HERÓI, pois salvou o ho-mem. Mas se o observador (médico) amputou a perna do infeliz e o maquinista optou pelo caminho no qual ele não estava amarrado, de Herói o nosso observador passa a BAN-DIDO!

Esta história evidencia de forma dramática o que pode estar ocorrendo nos julgamentos dos assim chamados “erros médicos”, talvez enganos e injustiças!

A problemática de caracterização do Erro em Medici-na não se restringe às fronteiras da Ciência, mas as extravasa para o domínio da arte e do imponderável.

O Colégio Brasileiro de Cirurgiões não está inerte quanto a estes fatos e vem trabalhando junto à Frente Parla-mentar da Saúde e outras Instituições com o objetivo de res-gatar estas verdades.

O COLÉGIO BRASILEIRO DE CIRURGIÕES E A RESPONSABILIDADE CIVIL

THE BRAZILIAN COLLEGE OF SURGEONS AND THE DAMAGE LIABILITY

Dr. Roberto Saad Junior Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Referências

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