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Rev. Bras. . vol.72 número2

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Academic year: 2018

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REVISTA BRASILEIRADE OTORRINOLARINGOLOGIA 72 (2) MARÇO/ABRIL 2006

http://www.rborl.org.br / e-mail: [email protected]

Pária da pós-graduação

EDITORIAL

A Residência Médica (RM) é sabidamente o melhor meio de formar o médico especialista. Como raramente o médico exerce a profissão sem uma especialidade e, mesmo numa época como a de hoje, em que se busca valorizar a formação do médico generalista, diversos pro-gramas de Residência em Medicina da Família já começam a despontar em todo o país, fica evidente que, de fato, a RM passa a ser um programa de pós-graduação quase que obrigatória para o médico.

Entretanto, a despeito da sua gigantesca importân-cia na nossa formação profissional, ela tem enfrentado problemas em todas as instituições em que existe, so-bretudo nas universitárias, decorrente de uma situação sui generis que ela ocupa no organograma das escolas médicas. Alegando que ela é um programa de formação profissionalizante, as universidades não conseguem en-quadrá-la como pós-graduação acadêmica e, apesar de estar vinculada às Pró-Reitorias de Pós-Graduação e de Pesquisa, a RM acaba sendo preterida em termos de at-enção em detrimento dos cursos de mestrado, doutorado e até mesmo de especialização, certamente por que se trata de um programa que existe exclusivamente na Medicina. Possivelmente também porque ela implica em custos, en-quanto que as outras modalidades não. Ela é deixada então à sorte dos hospitais universitários, que, dependentes do Sistema Único de Saúde, enfrentam notórias dificuldades financeiras históricas e já aparentemente intransponíveis. Dá a nítida impressão de que a RM funciona para a Uni-versidade como um intruso mal compreendido (sobretudo para os gestores não médicos, por quem ela passa a ser convenientemente ignorada).

Na carga horária oficial dos nossos docentes cos-tuma ser difícil incluir as atividades de RM. A não conta-bilização dessa carga horária acaba se refletindo nas de-cisões relativas à distribuição de vagas nos concursos para

docentes e de distribuição orçamentária. Os representantes não médicos (que não compreendem o significado da RM) nos órgãos colegiados das universidades são muito mais numerosos do que os médicos, o que faz o trabalho de valorização da RM uma tarefa hercúlea.

É verdade que a RM é um programa de formação profissional, mas está muito longe de ser só isso. É grande a carga de atividades didáticas e científicas que os médicos residentes cumprem. Neles está a maior força de trabalho em atividades de pesquisa na Medicina, uma vez que não são muitas as instituições que oferecem programas de pós-graduação stricto sensu amplos. Além disso, através dos seminários e do contato com alunos de graduação, eles têm na RM pelo menos parte da sua iniciação acadêmica. E o que é o Mestrado senão a iniciação acadêmica e científica do profissional? Basta dar uma olhada nos artigos publicados na maior parte das revistas médicas ou nos trabalhos apresentados nos congressos para logo perceber que dos residentes depende em grande parte a produção científica na área médica. Além disso, é indiscutível o papel do médico residente na prestação de assistência médica à comunidade.

Convém, portanto que nós médicos nos empenhe-mos junto comunidade científica e acadêmica no sentido da valorização da RM como programa de pós-graduação equivalente a Mestrado. É imperioso conscientizar os órgãos federais de ensino da necessidade e urgência de um programa de criação de novas vagas de RM em todo o país e de modernização contínua dos hospitais de ensino, para que possamos oferecer à sociedade profissionais mais qualificados e pesquisa clínica de ponta.

Referências

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