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BIOTECNOLOGIA Aspectos Legais e Regulatórios

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Academic year: 2021

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BIOTECNOLOGIA

Aspectos Legais e Regulatórios

Valter Matta

[email protected]

Elysangela Zorzo

[email protected]

(2)

Conceito, Aplicabilidade

e Evolução Histórica

Biotecnologia – Aspectos Legais e

Regulatórios

(3)

Biotecnologia – Conceituação

• Biotecnologia - Karl Ereky em 1917

“Biotecnologia engloba todas as técnicas que utilizam organismos vivos, em particular, animais, plantas ou microorganismos ou qualquer tipo de

material biológico que pode ser assimilado aos microorganismos ou parte dos mesmos, para provocar neles mudanças orgânicas.” (OMPI – Comissão de

Expertos em Invenções Tecnológicas)

Biotecnologia é um processo tecnológico que permite a utilização de material biológico para criação ou aperfeiçoamento de um produto ou um serviço

(4)

Biotecnologia – Conceituação

Áreas de

conhecimento:

microbiologia,

bioquímica, genética,

engenharia, química,

informática, etc.

Agentes biológicos:

microorganismos,

células, moléculas

(enzimas, anticorpos,

etc.)

(5)

Biotecnologia – Aplicabilidade

 Alguns exemplos de produtos e serviços biotecnológicos:

Antibióticos, hormônios, produtos farmacêuticos, vacinas, reagentes, testes para diagnóstico Saúde

Tratamento de lixo, purificação de água Meio Ambiente

Etanol, biogás, biodiesel Energia

Biosensores Eletrônica

Butanol, acetona, ácidos, enzimas Química

Queijos, pães, cerveja vinho, aditivos Alimentação

Fertilizantes, agrotóxicos, mudas, plantas transgênicas

Agricultura

Produtos e Serviços Setores

(6)

Biotecnologia – Evolução Histórica



Na Antiguidade

4000 A.C. – fermentação na produção de iogurtes e queijos

(Chineses)

1800 A.C. - fermento na panificação e produção de vinho e

(7)

Biotecnologia – Evolução Histórica



Séculos XVIII e XIX

1797: primeira vacina contra varíola

2ª Metade do Séc. XIX:

• melhoramento genético de plantas (milho, arroz, trigo, tomate, etc.) pelo cruzamento de diferentes variedades

• Pasteur descobre a origem da bactéria da fermentação (fim da Teoria da Geração Espontânea)

• fermentação industrial (produção de cerveja contribuía tanto para o PIB alemão quanto a produção de aço)

(8)

Biotecnologia – Evolução Histórica

 1ª Metade do Século XX:

1ª Guerra Mundial: necessidades industriais (alimentação animal,

insumos para explosivos, etc.)

Pós 1ª Guerra Mundial: fome generalizada (alimentação animal);

lei seca – Chicago (produção de bebidas não alcoólicas); criação do termo “Biotecnologia” por Karl Ereky (1917)

Década de 20: descoberta da

(9)

Biotecnologia – Evolução Histórica

 2ª Metade do Século XX :

Década de 50: sintetização do esteróide usado tecnologia de fermentação; James Watson e Francis Crick descrevem a estrutura do DNA

Década de 60: fome mundial – novos alimentos – “single-cell protein

(SCP) – Toprina; replicação de gene viral – sintetização da vida

Década de 70: crise energética - bio-combustível

(álcool); sintetização da insulina humana; regras de biossegurança; engenharia genética – técnica do DNA recombinante (câncer)

Décadas de 80 e 90: consolidação da Biotecnologia Industrial, engenharia genética na agricultura (tomate, soja, algodão, milho, etc.)

(10)

Biotecnologia – Evolução Histórica

(11)

Biotecnologia – Evolução Histórica

 Século XXI :

Expectativa de Vida: 76 anos (40 anos em 1900) – alimentação

e saúde

Investimentos: biotecnologia industrial já recebeu US$ 350

bilhões

Faturamento Anual: subiu de US$ 23 bilhões em 2000 para US$

50 bilhões em 2005, com destaque para América Latina

Engenharia Genética: forte crescimento de sua aplicação em

(12)

O Brasil e a Biotecnologia



Empresas do setor no Brasil: em 2007 totalizavam 181; em

2008 passaram a 253 (nos EUA são 3 mil empresas)

(13)

Questões Legais e Regulatórias

Biotecnologia – Aspectos Legais e

Regulatórios

(14)

Biotecnologia – Proteção Legal

Constituição Federal

MP 2.186-16/01 – Patrimônio Genético

Lei 11.105/05 e Decreto 5.591/05 – Biossegurança

Resolução 196/96 e outras do CNS – Pesquisas envolvendo

seres humanos

(15)

Aspectos Legais - Constituição Federal

A

rt. 225, § 1º, incisos II e V

 Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente

equilibrado (...), impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

• § 1º - (...), incumbe ao Poder Público:

o II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio

genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

o V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;

(16)

Aspectos Legais – Lei de Biossegurança

Lei 11.105/05

 Estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a

transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a

pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM

 Permite, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização

(17)

Aspectos Legais – Lei de Biossegurança

Lei 11.105/05

 Cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, vinculado à Presidência da República, para a formulação e implementação da Política Nacional de Biossegurança – PNB.

 Reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança –

(18)

Aspectos regulatórios - Comissão Técnica

Nacional de Biossegurança - CTNBio

• Instância colegiada multidisciplinar de caráter consultivo e deliberativo integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia.

• Tem como objetivo estabelecer normas para as pesquisas com OGM e seus derivados, autorizar a importação de OGM para atividades de pesquisas, autorizar a comercialização de OGM, dentre outras.

• Responsável pela emissão do Certificado de Qualidade em Biossegurança (“CQB”) para a instituição que pretenda realizar pesquisa em laboratório, regime de contenção ou campo, como parte do processo de obtenção de OGM ou de avaliação de biossegurança de OGM

(19)

Aspectos Legais – Acesso ao Patrimônio

Genético

MP 2.186-16, de 23 de agosto de 2001



Regulamenta o inciso II do § 1º e § 4º do Art. 225



Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o

acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de

benefícios e o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia

para sua conservação e utilização



Cria o CGEN - Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, no

âmbito do Ministério do Meio Ambiente

(20)

Aspectos regulatórios - Conselho de Gestão

do Patrimônio Genético - CGEN

Atribuições: Estabelecer os critérios e deliberar sobre as autorizações de

acesso e remessa ao patrimônio genético e a conhecimento tradicional associado.

Patrimônio Genético: Informação de origem genética, contida em

amostras do todo ou de parte de espécime vegetal, fúngico,

microbiano ou animal, na forma de moléculas e substâncias

provenientes do metabolismo destes seres vivos e de extratos obtidos destes organismos vivos ou mortos, encontrados em condições in situ, inclusive domesticados, ou mantidos em condições ex situ, desde que coletados in situ no território nacional, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva

(21)

Aspectos regulatórios - Acesso ao Patrimônio

Genético

 Necessária autorização para realização de atividade com o objetivo de isolar, identificar ou utilizar informação de origem genética ou moléculas e substâncias provenientes do metabolismo dos seres vivos e de

extratos obtidos destes organismos, para fins de pesquisa científica,

desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção, visando a sua

aplicação industrial ou de outra natureza.

CGEN – pesquisas que envolvam atividade de bioprospecção ou

desenvolvimento tecnológico

(22)

Pesquisas envolvendo seres humanos

-Resolução CNS 196/96

• Estabelece os quatro referenciais básicos da Bioética:

 Beneficência – fazer o bem

 Não maleficência – não causar danos

 Justiça – seleção sujeitos, nível individual e social, relevância social e

retorno da pesquisa

 Autonomia – consentimento, livre escolha

• Assegura os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado, estabelecendo, dentre outras:

 Regras para obtenção do TCLE

 Indenização por danos causados

(23)

Aspectos Regulatórios - Pesquisas

envolvendo seres humanos

Novos fármacos, medicamentos, vacinas e testes

diagnósticos – CEP, CONEP e ANVISA

Área de Reprodução humana - CEP, CONEP



Reprodução assistida



Manipulação de gametas, pré-embriões e feto



Medicina fetal

Área de Povos Indígenas – CEP, CONEP

(24)

Aspectos regulatórios – Registro de Produtos

– ANVISA

Medicamentos Biotecnológicos

 Medicamento biológico, tecnicamente obtido ou elaborado por

procedimentos biotecnológicos, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. (Resolução - RDC da ANVISA n.º 315/2005)

Alimentos de Origem Vegetal Industrializados, Aditivos

Alimentares e Embalagens

 Regras especiais de rotulagem para alimentos que contenham pelo menos 1% de OGM em sua formulação (Decreto 4.680/03 –

regulamenta o CDC – informação ao consumidor sobre produtos alimentares que contenham OGM)

(25)

Aspectos regulatórios – Registro de Produtos

– MAPA



Fertilizantes, Agrotóxicos, Variedades Vegetais (Sementes e

Mudas), transgênicas ou não



Alimentos de Origem Animal e Bebidas



Os estabelecimentos industriais de processamento de sêmen

animal e de embriões e os de comercialização são sujeitos a

registro no MAPA ou em instituição por este credenciada.

(26)

Propriedade Intelectual de Produtos

Biotecnológicos

Biotecnologia –Aspectos Legais e

Regulatórios

(27)

Biotecnologia e Propriedade Intelectual

Produtos biotecnológicos: relação direta com a

vida

É possível se ter propriedade intelectual sobre a

(28)

O que é biotecnologia para a Propriedade

Industrial

1984, OMPI: “todos os desenvolvimentos

tecnológicos referentes a organismos vivos e

outros materiais biológicos”

Finalidade econômica: produção de bens e

(29)

Tratados Internacionais



Convenção da União de Paris



TRIPs

“Os Membros podem considerar como não patenteáveis

invenções cuja exploração em seu território seja necessário

evitar para proteger a ordem pública ou a moralidade,

inclusive para proteger a vida ou a saúde humana, animal

ou vegetal ou para evitar sérios prejuízos ao meio

ambiente, desde que esta determinação não seja feita

(30)

Tratados Internacionais



TRIPs

“Os Membros também podem considerar como não

patenteáveis:

a) métodos diagnósticos, terapêuticos e cirúrgicos para o

tratamento de seres humanos ou de animais;

(31)

Tratados Internacionais



TRIPs

b) plantas e animais, exceto microorganismos e processos

essencialmente biológicos para a produção de plantas ou

animais, excetuando-se os processos não biológicos e

microbiológicos. Não obstante, os Membros concederão

proteção a variedades vegetais, seja por meio de patentes,

seja por meio de um sistema "sui generis" eficaz, seja por

uma combinação de ambos. O disposto neste subparágrafo

será revisto quatro anos após a entrada em vigor do

(32)

Constituição Federal



Não contém limites ao que pode ser protegido como

patente

(33)

Lei da Propriedade Industrial – requisitos

legais



Regra geral:

Novidade

Atividade inventiva

Aplicação industrial

(34)

Lei da Propriedade Industrial – o que não é

invenção

 Não se considera invenção:

• descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos

• concepções puramente abstratas

• as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética

• apresentação de informações

• técnicas e métodos operatórios, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal

• o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os

(35)

Lei da Propriedade Industrial –não é

patenteável



Não pode ser protegido como patente:

o que for contrário à moral, aos bons costumes e à

segurança, à ordem e à saúde públicas

substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de

qualquer espécie, bem como a modificação de suas

propriedades físico-químicas e os respectivos processos de

obtenção ou modificação, quando resultantes de

(36)

Lei da Propriedade Industrial –não é

patenteável

o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microorganismos

transgênicos que atendam aos três requisitos de

patenteabilidade e que não sejam mera descoberta



microorganismos transgênicos são organismos, exceto o

todo ou parte de plantas ou de animais, que expressem,

mediante intervenção humana direta em sua composição

genética, uma característica normalmente não alcançável

pela espécie em condições naturais

(37)

Patentes de microorganismos e elementos

infracelulares



Novidade



Criação humana



Propósito industrial



Atividade Inventiva

(38)

Patentes de microorganismos e elementos

infracelulares



Publicação

No caso de material biológico essencial à realização prática

do objeto do pedido, que não possa ser descrito na forma

deste artigo e que não estiver acessível ao público, o

relatório será suplementado por depósito do material em

instituição autorizada pelo INPI ou indicada em acordo

internacional

(39)

Patentes de animais e variedade de animais



Não são patenteáveis o todo ou parte dos seres vivos

Seria contrário à moral?

Há propósito industrial?



Objeto auto-duplicável: preservação do conteúdo

econômico

(40)

Patente humana



Não são patenteáveis o todo ou parte dos seres vivos



Seria contra a moralidade e os bons costumes?

(41)

Propriedade Intelectual - Exploração

econômica



Patentes

Produção comercial

Impedir utilização por terceiros

Licença

Cessão

(42)

Propriedade Intelectual - Exploração

econômica



Contratos e patentes de biotecnologia

Caso o produto biotecnológico tenha sido protegido

como patente é possível:



Ceder ou



Licenciar

INPI: averbação da licença ou anotação da cessão

(43)

Propriedade Intelectual - Exploração

econômica



Contratos e biotecnologia não protegida como

patente

Se a biotecnologia não for protegida como patente, é

possível celebrar contratos de transferência de

tecnologia.

Averbação pelo INPI

(44)

Propriedade Intelectual - Exploração

econômica



Contratos e biotecnologia não protegida como

patente

Se a biotecnologia contiver patrimônio genético, além

da legislação de propriedade intelectual, deve-se

obedecer a legislação relativa a patrimônio genético



Entre instituição nacional e instituição sediada no exterior

Exploração econômica de processo ou produto

derivado de uso de componente do patrimônio

genético

(45)

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