Relatório de Estágio apresentado para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Ciências da Comunicação – Especialização em Cinema e Televisão realizado sob a orientação científica do Prof. Dr. Francisco Rui
AGRADECIMENTOS
Começo por agradecer aos professores com quem fui travando conhecimento no meu percurso académico, quer durante a licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, quer durante o mestrado, cujos conhecimentos vastos na área da comunicação e a sua pronta disponibilidade para ajudar se revelaram fundamentais.
Aos profissionais da TVI, precisamente do Você na TV, que se esforçam todos os dias para proporcionar o melhor para os seus espectadores e que me trataram como se já há muito fizesse parte daquela equipa.
À minha “chefe” Teresa do Cabo, a alma da produção do Você na TV, pela paciência, pelo apoio, um exemplo de trabalho e de dedicação a seguir. À restante equipa de produção, Letícia, Ricardo, Susana e Rita pelos ensinamentos preciosos, por me terem ensinado a perceber como funciona este mundo, pela confiança depositada no meu trabalho.
Aos editores, Paula Ramos e Miguel Barros, pela ajuda, pelas piadas, pelas manhãs animadas passadas na régie. Aos jornalistas do programa, que mantêm a cabeça sempre erguida mesmo depois de uma crítica menos positiva, por serem um exemplo de trabalho e de afinco, pela sensibilidade e espírito de entreajuda.
Aos elementos da equipa técnica, pelos momentos passados em estúdio. Às minhas colegas estagiárias, Rute e Cheila, que comigo partilharam da melhor forma possível a experiência de poder trabalhar numa casa como a TVI.
A quem sempre me incentivou a nunca desistir dos meus sonhos, a olhar em frente e a aprender com cada erro cometido.
Aos meus pais, pelas palavras de apoio e de conforto, mesmo a quilómetros de distância, por todos os valores que me transmitiram e que fazem de mim a pessoa que hoje sou. Aos meus queridos avós, os meus pilares e porto de abrigo.
Aos meus amigos, bravos companheiros de aventuras e desventuras, pelos desabafos, pelos sorrisos, pelas lágrimas, pela partilha de experiências e ideias, por partilharem comigo a incerteza do futuro e por perceberem tão bem os tempos complicados que se adivinham para a nossa geração.
Por tudo isto e muito mais, o meu eterno obrigada.
Com este relatório, termina mais uma fase da minha vida. Advinha-se agora uma nova luta. Mas a aprendizagem nunca termina…
ÍNDICE
Resumo/Abstract 1
1. Introdução 3
2. A TVI - Televisão Independente 5 3. O programa “Você na TV” como veículo e vínculo de entretenimento 7 3.1 O Dispositivo Televisivo de Entretenimento 7
3.2Sobre o “Você na TV” 13
3.3 Organização interna e modo de funcionamento 19 4. Trabalho desenvolvido durante o estágio 25
5. Reflexão final 30
6. Referências bibliográficas 34
1 Relatório de Estágio do Mestrado em Ciências da Comunicação
Internship Dissertation of the Master in Communication Sciences
Maria Inês Soares Antunes
RESUMO
ABSTRACT
PALAVRAS-CHAVE: Televisão, Entretenimento, TVI, Você na TV, Audiências O relatório que se segue relata a minha experiência enquanto estagiária de produção, no programa de entretenimento “Você na TV” da TVI, Televisão Independente.
O estágio curricular teve a duração de 6 meses, com início a 19 de Setembro de 2012 e concluído a 18 de Março de 2013 e teve como principal objectivo a conclusão do Mestrado em Ciências da Comunicação – Cinema e Televisão, na Universidade Nova de Lisboa.
Durante o período de estágio, tive a oportunidade de trabalhar num dos programas pilares da estação, um dos mais dinâmicos e mais populares entre os espectadores portugueses. Uma experiência que me proporcionou aprender e aperfeiçoar todo o trabalho de produção para televisão no próprio terreno que, de outra forma, nunca conseguiria obter.
Este relatório, além de um relato da minha experiência na TVI, pretende ainda dar a conhecer um pouco mais deste programa e avaliar o seu impacto no público.
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KEYWORDS: Television, Entertainment, TVI, Você na TV, Viewership
The following paperwork is a description of my experience as a production trainee, at the entertainment show “Você na TV” at TVI, Independent television.
The internship took place for 6 months, starting at 19th September 2012, and finishing at 18th March 2013. Its main goal was to finish the Master in Communication Sciences – Cinema and Television.
During this internship I had the opportunity to work for one of the most significant TVI shows, one of the most dynamic e popular shows between the Portuguese viewers. A brand new experience, in which I learned and perfected all the television producing work on field, that otherwise would have been impossible to obtain.
This paperwork, besides being a report on my experience at TVI, is also meant to make this show a little bit more known and measure its impact on people.
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INTRODUÇÃO
A frequência de um Mestrado, já aplicado ao processo de Bolonha, tem por objectivo a aquisição de mais competências sobre uma determinada área profissional. Depois de uma Licenciatura de três anos em Ciências da Comunicação - Jornalismo, Assessoria ou Multimédia, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, senti uma grande necessidade de procurar uma formação extra que complementasse os conhecimentos adquiridos anteriormente e que ao mesmo tempo permitisse especializar-me dentro da minha área.
Desta forma, o Mestrado em Ciências da Comunicação – Especialização em Cinema e Televisão, da Universidade Nova de Lisboa pareceu-me ser a escolha ideal para completar a formação adquirida até ao momento e acrescentar mais conhecimentos a uma licenciatura que, mediante a sua adaptação aos padrões de Bolonha, se revelou algo insuficiente na preparação para as exigências do mercado de trabalho actual.
Com o fim do Mestrado já próximo, impunha-se passar da teoria à prática, ir para o terreno, aplicar os conhecimentos adquiridos durante a componente lectiva. Este relatório de estágio resulta de uma experiência de 6 meses de estágio na TVI.
Apesar do plano curricular deste Mestrado conter apenas uma cadeira leccionada pelo professor Manuel Tomaz, dedicada às especificidades da televisão e ao trabalho de produção televisiva, ainda assim, a minha opção acabou por recair nesta área, por uma questão de preferência pessoal.
A televisão, mais especificamente, todo o trabalho de bastidores associado a um programa televisivo, sempre me fascinaram. A vontade de querer saber mais, de querer viver e sentir o meio de perto era muita. Porque fazer televisão revela a importância de se ser e estar presente, mas sem nunca deixar de aprender com o passado e sempre com o “olhar” no futuro.
Assim sendo, por todos os relatos que chegam de quem por lá passou e porque as audiências mostram que a sua fórmula é bem aceite pelo seu público-alvo, a TVI desenhou-se, à partida, como a escolha mais acertada. Principalmente no que tocou à
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escolha do departamento onde estagiar, por norma deixada ao critério do estagiário. Deste modo, a preferência caiu sobre a área de produção no programa de entretenimento “Você na TV”, essencialmente pelas suas mais-valias e exigências num mundo tão imediato e competitivo como o televisivo. Num curso que primou pela versatilidade, por saber fazer um pouco de tudo, era interessante articular, na prática, todo esse “know-how” adquirido durante a componente lectiva com as rotinas de um programa tão polivalente como as que distinguem o “Você na TV”.
Foi também por esse motivo que a minha decisão teve também em conta a oportunidade que a TVI oferece aos estagiários de se confrontarem com situações reais no terreno, e de trabalharem dentro da sua área com bastante autonomia.
Este relatório de estágio consiste na descrição do meu dia-a-dia na produção do “Você na TV” assim como o processo de aprendizagem pelo qual passei ao longo destes 6 meses. Pretendo ainda dar a conhecer um pouco mais sobre o modo de funcionamento deste programa, mostrar como este foi criando ao longo dos anos um vínculo tão forte com o seu público, e perceber o que faz desta produção uma das mais populares do canal e líder de audiências no seu horário.
Por último, aproveito para fazer um balanço sobre aquilo que a TVI tem para oferecer a um estagiário em início de carreira assim como todas as mais valias que este estágio me proporcionou adquirir para o futuro.
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TVI – TELEVISÃO INDEPENDENTE
Hoje contando com 20 anos de “vida”, a TVI é um canal generalista privado que emite em canal aberto. Foi o segundo canal privado a ser lançado em Portugal (a 20 de Fevereiro de 1993), um ano depois de se terem iniciado as emissões da SIC. Teve como identidade inicial o número 4, dado ocupar o quarto lugar na grelha dos canais televisivos.
A estação era inicialmente controlada por empresas associadas à Igreja Católica como a Rádio Renascença, a Universidade Católica Portuguesa e a União das Misericórdias, pelo que os conteúdos religiosos acabaram por ter um peso considerável nas emissões. Até ao ano 2000, a TVI assumiu o papel de emissora alternativa no panorama televisivo português, dedicando parte do seu tempo a públicos-alvo distintos (parte da manhã dedicada às donas de casa e idosos, parte da tarde aos jovens). Nesta fase as audiências ficaram sempre aquém do esperado e a empresa entrou mesmo numa crise financeira.
Contudo, o início do milénio acabou por representar uma inversão no percurso da estação e uma forte alteração do panorama televisivo nacional: a crise da nova economia, onde o grupo proprietário da SIC investira grande parte dos lucros arrecadados com o canal; o início da crise financeira do Estado português, que obrigou a uma contenção de gastos na gestão da RTP; a compra da TVI, até aí na posse maioritária da Igreja Católica, pela Media Capital . A estes factores devem acrescentar-se as diferentes estratégias deacrescentar-senvolvidas, posteriormente, pelos canais, principalmente pela nova direcção da TVI que introduziu um novo conceito de televisão, com uma programação mais agressiva e direccionada para segmentos de públicos pré-identificados (CUNHA; BURNAY, 2006: 3). A TVI começou a apostar em programas de ficção nacional e em reality shows inovadores em Portugal, como foi o caso do “Big Brother”, tendo surgido também novos noticiários e uma estratégia editorial renovada - mudanças que se traduziram num aumento considerável das audiências do canal. José Eduardo Moniz assumiu a direcção de programas, tornando-se um dos grandes responsáveis pela reviravolta que levaria a estação à liderança do horário nobre em 2001. E em 2004, a TVI tornou-se mesmo líder de audiências no
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período all-day (7:00 – 2:00), pondo fim a dez anos consecutivos de domínio da SIC, dando início a uma acesa “guerra” de audiências entre os dois canais.
Por outro lado, os anos de 2000 e 2001 também marcaram um período conturbado no panorama dos quatro canais: enquanto a RTP se debatia com o agravamento da situação económica, provocada pela diminuição da quota de publicidade e das transferências directas do Estado, a SIC, mas sobretudo a TVI, estiveram no centro de acesas polémicas sobre a qualidade da programação e a necessidade de auto-regulação. Em causa estavam as novas grelhas de programação e os produtos exibidos, com destaque para os reality shows e a contaminação que estes exerceram sobre os noticiários televisivos da estação (CUNHA; BURNAY, 2006: 4).
Ainda no ano 2000, a TVI apostou na plataforma online e lançou o site TVI Online, actualizado diariamente com notícias, vídeos e outro tipo de conteúdos, e que recebe por dia, entre 85 e 95 mil visitas.
Actualmente sob a direcção-geral de Luís Cunha Velho, a TVI apresenta uma programação composta quase exclusivamente por conteúdos portugueses (noticiários, telenovelas, séries, reality shows, concursos), havendo ainda espaço para a emissão de filmes e séries internacionais. Os principais programas de entretenimento da estação são também líderes nos seus horários, seja nas manhã e tardes de 2ª a 6ª feira ou nos serões de domingo. Além disso, a sua diversidade de conteúdos televisivos foi-se alargando através da oferta de outros canais TVI: TVI 24, um canal dedicado à informação 24 horas por dia, TVI, (lançado em 2009, na sequência da abertura da SIC Notícias e da RTPN), TVI Internacional, TVI Ficção, que recuperou alguns dos conteúdos de ficção do canal, e ainda o + TVI, lançado em Janeiro de 2013 e mais vocacionado para um público adulto jovem.
Tudo isto evidencia a tentativa constante da estação em se modernizar e acompanhar as preferências de um público cada vez mais exigente. A sua estratégia de liderança assenta numa base de rentabilidade e independência e num compromisso com o desenvolvimento da informação, cultura e entretenimento em Portugal, tendo como referência os interesses e preferências dos espectadores.
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O PROGRAMA “VOCÊ NA TV” COMO VEÍCULO E VÍNCULO DE
ENTRETENIMENTO
O DISPOSITIVO TELEVISIVO DE ENTRETENIMENTO
Já não existem quaisquer dúvidas de como a televisão é parte integrante da vida dos portugueses. Desde as suas primeiras emissões a preto e branco, na década de 1950 que a televisão passou a ocupar os lares como principal veículo de informação, cultura e entretenimento, atingindo todas as faixas etárias, classes sociais, a qualquer horário e em qualquer lugar. Assume-se como o media mais rápido e imediato na oferta do seu produto, sem envolver qualquer esforço no seu consumo. De acordo com Marshall McLuhan, mais do que qualquer outro media, a televisão tem o poder de prender a atenção e de envolver o espectador, possibilitando uma interacção entre todos os sentidos (apud SERRA, 2006: 5). A televisão é, por excelência, “o meio preferido pelos cidadãos de todas as partes do mundo para ocuparem diariamente grande parte do seu tempo livre com os programas mais do seu agrado” (CÁDIMA, 1995: 9), preenchendo as horas de lazer e distracção de muitas famílias, chegando até a promover o convívio entre os seus membros.
Além disso, a televisão tem vindo a desempenhar um papel extremamente relevante enquanto interveniente da esfera social, na construção de opiniões e na formação educativa e cívica da população. Para Wolton (1996), a sua influência permite a criação de um «vínculo social» entre os indivíduos que simultaneamente a vêem, o que faz com que os espectadores que consomem os mesmos conteúdos se identifiquem enquanto parte de um todo.
A reconhecida importância da televisão foi-se manifestando cada vez mais na construção social da realidade das sociedades contemporâneas e na sua omnipresença na vida quotidiana dos indivíduos, o que por sua vez provocou um crescimento global da produção audiovisual. Se a televisão cresceu e alargou a sua oferta, foi porque a procura por parte do público assim o pediu.
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Contudo, nem tudo são vantagens e regalias para um meio de comunicação tão influente e poderoso que, como tal, precisa de assumir as suas responsabilidades para com o público muito seriamente. Ainda para mais numa altura em que a televisão, depois da abertura nos últimos anos à iniciativa privada, tem vindo a gerar grandes debates sobre a relevância da produção nacional e sobre a qualidade da sua programação e dos seus respectivos conteúdos. Actualmente, a televisão manifesta uma tendência para se desenvolver de uma forma cada vez mais monótona, sem se preocupar com as repercussões sociais que a sua actividade possa vir a gerar, sem olhar quase nunca a outro objectivo que não o seu próprio crescimento, lucro e afirmação no mercado das audiências. É, como tal necessário defender para o modelo audiovisual português uma produção nacional de qualidade, apoiada na variedade de programas e diversidade de géneros e formatos – culturais/formativos, informativos e de entretenimento – escolhidos pelo bom gosto e pelo bom senso, pela sua qualidade e não pela «ditadura das audiências» (CÁDIMA, 1995: 31).
Além disso, hoje em dia não podemos de nos deixar questionar sobre o que reservará o futuro para este meio. Já ninguém poderá negar a crescente “democratização dos media” que atravessa a sociedade actual. Hoje em dia, qualquer indivíduo pode proporcionar entretenimento às massas através da partilha de vídeos online, da mesma forma que as histórias de vida e as ideias das pessoas podem facilmente ser expressas e ouvidas em sites como o YouTube. Com a proliferação de oportunidades de acesso públicas em canais de cabo e a expansão da partilha de vídeo na Internet, haverá ainda espaço para o entretenimento televisivo tal como hoje ainda o conhecemos? Deverão as estações de televisão repensar as suas estratégias no sentido de as adaptar a uma maior interactividade com o seu público? Estará a televisão preparada para se confluir com o digital, sem no entanto perder aquilo que a distingue verdadeiramente dos outros media? Só o tempo poderá responder a todas estas dúvidas.
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Para o público em geral, “a história da televisão tem, no entanto, um significado aparentemente mais simples: é sobretudo um meio de entretenimento, onde, habitualmente, são os programas recreativos e o espectáculo que contam, na maior parte das vezes, com a preferência do grande público” (CÁDIMA, 1995:9). Deste modo, assiste-se cada vez mais a um avanço da oferta televisiva em relação ao domínio do privado, cujo objectivo prende-se mais em entreter e recrear, do que em formar ou instruir.
A função de entretenimento assume para Peter Vorderer três funcionalidades fundamentais: a “compensação”, isto é, uma forma de escape à realidade dos indivíduos; a “gratificação” através da qual há preenchimento das expectativas e desejos do público e por fim a “realização pessoal” que se pode traduzir por um enriquecimento e desenvolvimento da pessoa como ser humano. O entretenimento pode desta forma ser entendido como uma experiência que fornece ferramentas para lidar com a vida do quotidiano, uma forma de lidar com a própria realidade (apud ZAGALO; BRANCO; BARKER, 2001: 433).
A «televisão-companhia» do day time, na qual se encaixa o programa de entretenimento e respectivo local de estágio “Você na TV”, define-se pela sua componente acentuada de espectáculo e pela abordagem de temáticas centradas no domínio da esfera do privado. São programas mais orientados para um público tendencialmente feminino e com alguma idade, nomeadamente donas de casa e reformadas, aquele que procura encontrar “estórias de vida” que reflectissem percursos de outras mulheres, na expectativa de se identificarem com aquilo que lhes era dado a conhecer. Como o próprio nome indica, é uma forma de fazer televisão que se destaca, acima de tudo, por veicular elementos de distracção e de lazer para indivíduos que, tendo em conta o seu horário de emissão, se encontram inactivos, causando “divertimento”, “prazer” e “boa disposição” no telespectador (SERRA, 2008: 7). E é também a partir daqui que nasce o forte vínculo que une o espectador ao programa que assiste.
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Este tipo de programas de conversação em estúdio não deixa de ser um importante veículo de compreensão da sociedade, um lugar privilegiado de observação da realidade social, de pequenos fragmentos do quotidiano, dispersos, heterogéneos (LOPES, 2007: 2). E é precisamente através desses fragmentos da “vida tal como ela é” que o meio televisivo procura atrair o seu receptor.
São programas acessíveis a todos, que se destacam pela necessidade em manter uma forte proximidade com o seu vasto público, com capacidade para integrar diferentes temáticas e que dão a todos a ilusão, principalmente através da transmissão em directo, de que a mediação é praticamente inexistente. A recorrência deste tipo de programas ao directo proporciona uma sensação de acesso imediato a um acontecimento e um sentimento de partilha entre os telespectadores à distância nas suas salas de estar e a história contada. Baudrillard aponta a importância do “aqui e agora” como factor de mobilização da sociedade e de atribuição de credibilidade ao que é visto no ecrã (apud PICCININ, 2006: 4). No fundo, são ecrãs privilegiados que promovem a construção de um espaço comum partilhado entre os seus espectadores (2007: 2), e em que a encenação do espectáculo televisivo advém dessa relação social entre as pessoas, mediada por imagens (DEBORD, 1997: 14).
Deste modo, a televisão acaba por ser um espaço de contemplação coletiva, em que o poder mobilizador da imagem, segundo Guy Debord, faz com que a acção dê lugar à representação. Nesse contexto, a dimensão de espectáculo associada à televisão de entretenimento faz com que o espectador deixa de viver a sua vida para viver a sua representação (apud PICCININ, 2006: 3).
Por ser um meio que diariamente integra as rotinas de milhares de portugueses, a «televisão-companhia» possui ainda a capacidade de criar vínculos emocionais muito fortes com os seus receptores, há uma ampla comunhão de emoções e uma forte identificação emocional por parte do telespectador com os temas apresentados, com os convidados e as histórias partilhadas através da “caixinha mágica” (TORRES, 2005: 4).
Existem, por sua vez, estímulos muito específicos capazes de encorajar essa ligação entre o espectador e o dispositivo televisivo e que contribuem para activar reacções emocionais, na maior parte das vezes de forma não consciente, nos
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espetadores de um programa. Seja de um modo mais directo, isto é, através do tema ou da forma como este é apresentado (do tom de voz dos apresentadores, de um gesto mais familiar, etc…), seja através de elementos mais subtis como a música, a montagem, ou até o próprio enquadramento da câmara, a recorrência a um grande plano para captar um olhar mais emotivo do entrevistado ou até do próprio apresentador, a televisão faz uso da conjugação desses elementos para criar sentimentos de identificação e de empatia por parte do público em relação ao que vê no ecrã. A sua função é assegurar que a mensagem chega ao receptor através de um processo que funciona como regulador e condutor da emoção no espectador. Por exemplo, a divulgação de algumas histórias de vida mais trágicas assim como o seu tratamento por parte dos apresentadores e da equipa técnica vão criando tensões emocionais ao mesmo tempo que vão ofereendo resoluções sobre o que vai sendo apresentado. O programa acaba por ter um efeito algo catárquico, mediante a forte ligação emocional entre quem o faz e quem o acompanha, produzindo uma espécie de “imersão sensorial a que se torna muito difícil escapar: pela vista, fascina, atrai e prende irresistivelmente a alma do espectador; pelo ouvido encanta, envolve” (SERRA, 2008: 2). Por sua vez, os laços de empatia, preocupação e o sentimento de familiaridade possibilitam que o programa se torne também ele num veículo de escape.
Hoje em dia, um programa de televisão não sobrevive se estiver apoiado unicamente na escolha dos seus conteúdos e na qualidade técnica da produção, isso não chega para cativar o público. Num meio televisivo regulado pela guerra de audiências, chega-se facilmente à conclusão de que qualidade nem sempre está relacionada com popularidade. As estações de televisão têm vindo a optar “por uma lógica de programação fidelizadora, que apenas tem em vista as receitas que pode gerar e, portanto, a maximização da audiência” (Cádima, 1995: 29). Hoje em dia, a televisão já não serve para produzir programas mas sim para produzir públicos (1995: 107). Contrariamente ao que um dia Marshall Mcluhan afirmou, o meio já não é a mensagem, é o seu público.
Nada interessa em televisão se não conseguirmos captar e reter a atenção do espectador. Shakespeare já dizia que a chave para um bom drama estava em criar uma
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experiência emocional na audiência. E este acabou por se revelar um princípio
fundamental quando se pensa em fazer televisão de entretenimento, o princípio de criar um forte vínculo emocional com o espectador (WHITTAKER, 1993: 436).
O espectador reage emocionalmente ao que lhe é dado a ver num programa. Mesmo os segmentos de conteúdo mais lógico e educativo evocam, para melhor ou pior, uma resposta emocional. E embora seja possível para o público fazer uma avaliação lógica e racional da produção, é a sua reacção emocional que determina o primeiro impacto e envolvência com o programa (WHITTAKER, 1993: 47)
Em primeiro lugar, o ser humano interessa-se por outras pessoas, mais precisamente, gosta de experimentar as experiências de outras pessoas, de conhecer histórias de vida interessantes, românticas, perigosas, prestigiadas, dedicadas a alguma causa. Além desta componente mais pessoal, qualquer espectador gosta de estar informado e que lhe dêem a conhecer temas actuais, de interesse humano e social, que tenham impacto na sociedade, no fundo, que lhes possa permitir aprender coisas novas e conhecer diferentes visões do mundo. Por outro lado, as pessoas também gostam de ver programas que apoiem os seus pontos de vista e tendem a reagir negativamente quando é apresentada alguma ideia contrária às suas crenças. Ainda para mais se tivermos em conta que o público-alvo de um programa como o “Você na TV” ainda é maioritariamente mais velho e ainda um pouco conservador. Muitas pessoas chegavam a ligar para o programa descontentes com o que estavam a ouvir ou para contestar determinada afirmação proferida em directo por um convidado. Como tal, deve existir algum cuidado por parte da equipa do programa quanto à apresentação de assuntos polémicos que desafiem as crenças amplamente enraizadas. A questão é saber até onde se pode ir, sem nunca se distanciar da sua audiência (1993: 47). O objectivo de um bom programa consiste em procurar traduzir aquilo que se quer transmitir e “passar para o outro lado” numa experiência visual, auditiva e emocional por parte do espectador. Uma produção notável desafia-nos, informa-nos, faz-nos pensar, e chega a “mexer” connosco emocionalmente.
Convém nunca esquecer de que a vontade do público é soberana, este está constantemente a “votar” com o seu comando, como tal, tudo o que fazemos em televisão não deve fugir à necessidade de agradar ao espectador.
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É essencial que os media percebam que o seu público é inteligente, na medida que tem a capacidade de filtrar, seleccionar e rejeitar a informação que lhe é transmitida. Wolton defende que em lugar de criar um hábito, a repetição dos mesmos conteúdos e fórmulas poderá alertar para uma ultrapassagem dos limites do que é considerado aceitável para o espectador (apud CANAVILHAS, 2001: 10). Por sua vez, Adriano Duarte Rodrigues afirma que os media “tendem, a partir de um certo limiar de saturação, a converter as mensagens em puro espectáculo e a desmobilizar efectivamente as pessoas”(apud CANAVILHAS, 2001: 11).
Esta perspectiva contraria a visão largamente difundida que atribui aos mass
media um impacto directo e uniforme sobre a forma como as pessoas fabricam e
imaginam o mundo social (LOPES, 1998).Diane Crane refere que não existe apenas um modo de recepção televisiva, ao mesmo tempo que sublinha as dificuldades dos media em percepcionar correctamente a experiência de visualização de um programa por parte das suas audiências( apud LOPES, 1998). Os espectadores não percepcionam um programa da mesma forma entre si, como tal, torna-se mais desafiante para as estações televisivas tentar perceber os níveis de expectativa e de preferência da audiência face aos conteúdos transmitidos.
Ainda assim, o meio televisivo continua a deter um grande poder para disseminar ideias e influenciar a sociedade, através de um trabalho de bastidores que selecciona conteúdos e constrói realidades fictícias e fantasiosas (1998).
SOBRE O “VOCÊ NA TV”
O programa “Você na TV” foi-se transformando num espaço diversificado, acessível a todos, transmissor de conhecimento e impulsionador de novas formas de vida.
Apresentado por Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira, o “Você na TV” é um espaço de entretenimento que complementa a abordagem de histórias de vida e a discussão de temáticas da actualidade com a conversa e a cumplicidade com os telespectadores e o público presente em estúdio. As diversas rubricas são os
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elementos dinamizadores e que motivam grande envolvimento e participação das pessoas em casa e em estúdio com o programa.
Contando já com oito anos de emissão, o programa manteve-se quase sempre como líder incontestável de audiências no daytime da TVI face à concorrência mais directa da SIC e da RTP.
Este pode ser considerado um formato híbrido de entretenimento que conjuga em si uma diversidade de temáticas e de rubricas: conversas, actuações musicais, divulgação e promoção de novos produtos nacionais, abordagem de questões relevantes do panorama nacional (economia, política, crime, medicina), conteúdos de cariz mais humorístico e ainda rubricas que procuram mudar a vida de quem mais precisa (mudanças de visual e aspecto físico, promover o reencontro entre familiares, etc..).
Inicialmente pensado como um programa dirigido a um público mais idoso e reformado, os primeiros anos de emissão do programa abordavam temáticas e histórias de vida tendencialmente pesadas e tristes. Contudo, com o passar do tempo começou a sentir-se uma inversão nos gostos dos espectadores, acrescentando a isso o interesse em fazer chegar o programa a um público mais jovem, estudante ou desempregado, o que possibilitou conferir-lhe um tom mais ligeiro e bem disposto, mais adequado ao período do dia em que é emitido.
As entrevistas realizadas em estúdio são importantes pois conferem autenticidade e credibilidade ao testemunho do convidado, a informação é obtida directamente da fonte. Contudo, a menos que o entrevistado seja um orador talentoso, uma pessoa extremamente interessante ou esteja a relatar algo bastante comovente, as entrevistas devem ser divididas em segmentos curtos e pontuadas com material relacionado com o assunto apresentado.
Assim, os momentos de entrevista em estúdio são complementados com a transmissão de vt’s, de reportagens realizadas no exterior, uma forma estratégica de cortar a monotonia e imprimir mais ritmo ao programa. Embora seja muito mais fácil e menos dispendioso gravar em estúdio, já foi comprovado que o público prefere o cenário “real”, mais próximo de si. Desse modo, a equipa de jornalistas do programa
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procura sempre apresentar reportagens simultaneamente informativas e criativas, com uma grande variedade de imagens e sons, e que demonstrem uma abordagem original do tema, de forma a captar a atenção do público e fazendo com que este se envolva emocionalmente com aquilo que vê.
Sendo um programa de entretenimento, um dos seus objectivos principais na luta pelas audiências e na tentativa de ultrapassar a concorrência relaciona-se com a necessidade de dar a conhecer determinado conteúdo, convidado, história em primeira mão, embora não de uma forma extrema como no caso do jornalismo. A crescente velocidade com que a informação circula hoje em dia pelos indivíduos prova isso mesmo. De qualquer forma, o trabalho das equipas do “Você na TV” não está inteiramente subordinado e dependente dessa política. Instantaneidade e imediatismo, sim, mas com conta, peso e medida. A sua verdadeira acepção continua a ser chegar até ao público emocionalmente através de temas e histórias apelativos, resultado de uma intensa e rigorosa pesquisa.
Uma componente importante de um programa de entretenimento como o “Você na TV” assenta na forma como ao longo de oito anos de emissão este foi construindo um espaço de opinião público, embora de forma indirecta, junto dos seus fiéis telespectadores. Muitos são aqueles que procuram o Facebook ou procuram dar a sua opinião ligando para o número do programa numa tentativa de se fazerem ouvir, de dar o seu contributo ou até mesmo dar a conhecer a sua história de vida. Deste modo, o programa criou um forte espaço de partilha com os seus telespectadores, seja para divulgar um novo trabalho, ou para responder a desafios lançados pelos próprios apresentadores. A participação alargada em discussões sobre questões públicas ou problemáticas do domínio privado, mas de interesse público, sejam elas de preocupação maioritária ou minoritária era algo que não tinha grande espaço televisivo mas que com o crescimento das audiências fez com que se tornasse cada vez mais necessário arranjar métodos que concedessem uma voz ao seu público.
Com a crescente oferta de canais televisivos, a competição pelas audiências é cada vez mais feroz. Durante quase três horas de emissão, torna-se um desafio manter o interesse do espectador no programa e nunca em momento algum fazer com que este mude de canal. E sendo o ritmo um elemento fulcral em qualquer produção, a
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longa duração de um programa de entretenimento como o “Você na TV” não está livre desse risco. Mais difícil do que agarrar o interesse de uma audiência, é mantê-lo. Como tal, é necessário imprimir variedade ao programa, quer seja de ritmo, de conteúdos e de estilo de apresentação, oscilar entre momentos mais rápidos, ligeiros e de boa disposição com segmentos mais sérios e reflectivos. Períodos longos de acção rápida irão cansar e confundir a audiência da mesma forma que um programa lento e aborrecido levará o espectador a procurar outros canais.
No contexto do jogo de audiências, o início do programa acaba por se revelar o momento mais crítico, pois se este começar com um ritmo mais lento e pesado, o espectador rapidamente mudará de canal. É durante estes primeiros segundos de emissão que a audiência se sente mais tentada a ver o que está a acontecer nos canais da concorrência. É por isso, que os programas de televisão procuram apresentar os conteúdos principais daquele dia no início do programa ou no início de cada parte. Para atrair e manter a atenção da audiência, o programa deve procurar envolver o público o mais rápido possível. Da mesma forma que, imediatamente antes e depois dos intervalos, os apresentadores fazem “chamadas” anunciando os assuntos do próximo bloco, uma estratégia editorial muito utilizada de forma a criar “ganchos” para atrair o interesse (WHITTAKER, 1993: 360).
Por outro lado, se determinado tema ou conteúdo atingir o clímax cedo demais, o resto do programa poderá sofrer um arrasto e consequentemente fazer com que o espectador perca o vínculo criado até ao momento. Daí ser também necessário recorrer diariamente a vários temas e apresentar vários convidados de forma a preencher as três horas de emissão e para que o programa nunca perca o interesse até ao último minuto. Por sua vez, um final impactante deixará a audiência com uma impressão positiva sobre o programa.
A velocidade com que as ideias e os temas são apresentados nos programas tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Nomeadamente no “Você na TV”, em que todo o trabalho é feito a um ritmo impressionante, o que acaba por se reflectir no próprio estilo de apresentação do programa, rápido e dinâmico, em que há constantemente convidados a entrar e a sair do estúdio. Num total de 3 horas de programa, apenas 10 a 20 minutos de tempo médio de antena são concedidos a
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determinado tema, isto salvo algumas excepções. Hoje em dia, para poder atrair e envolver ainda mais o espectador, as produções têm vindo a recorrer a filmagens em locais exteriores, cortes rápidos, mudanças de plano emocionais mais frequentes e de maior impacto, conteúdos mais ricos e dinâmicos e temas mais polémicos.
Uma das mais valias do “Você na TV” reside na sua preocupação em percorrer e dar a conhecer um pouco de cada canto do país. Não sendo um programa com um cariz regional, ainda assim, existe uma tentativa de revitalização das tradições e diferenças que marcam os vários lugares representados. Deste modo, passa a existir uma maior ligação entre o programa e os habitantes da região nele retratada assim como uma maior proximidade entre os espectadores dos mais diversos pontos do país. Além da abordagem de temáticas mais universais e abrangentes, é importante não esquecer os valores regionais, a busca pelas raízes e as singularidades que cada terra pode oferecer a um público menos informado sobre o que o rodeia e que dessa forma também se pode sentir mais ligado e interessado em conhecer mais do seu país.
Os custos de produção de um programa de televisão são cada vez mais altos. A competitividade e a constante busca pela excelência assim o justificam. Ninguém irá investir tanto dinheiro num programa sem esperar obter algum retorno. Uma grande parte dos lucros do “Você na TV” provêm da comercialização de certos produtos, os chamados micro-espaços publicitários, gravados diariamente com os apresentadores e que vão sendo emitidos várias vezes ao longo do programa e do resto do dia; e também do retorno financeiro obtido através das chamadas telefónicas dos espectadores que ligam para participar nos passatempos do programa.
Por sua vez, uma empresa influente que visa a obtenção de lucros deve, acima de tudo, procurar assumir uma postura de responsabilidade social e de apoio à comunidade em que está inserida. Deste modo, tanto a TVI como o “Você na TV” encontraram uma forma de despertar a necessidade de intervenção e compromisso para com a sociedade que os rodeia, associando-se a causas sociais relevantes como é o caso da Missão Sorriso do Continente e de outros programas de Responsabilidade Social ou de Marketing Social.
Numa era em que as tecnologias da informação e da comunicação assumem um papel cada vez mais relevante na vida dos seus consumidores, é essencial que a
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televisão seja cada vez mais um espaço aberto ao público e que se preocupe cada vez mais com a qualidade da sua programação, existindo uma necessidade de reflexão por parte das próprias estações televisivas quanto ao tipo de conteúdos escolhidos. Uma estação de televisão que se preocupe com a qualidade do seu serviço deve ao mesmo tempo preocupar-se com o seu público e tentar estar o mais próxima dele possível. Deste modo, as redes sociais contribuem para que todos possam dar a sua contribuição, exprimir a sua opinião, ter uma palavra na esfera pública. Desta forma, a relevância dada às redes sociais, neste caso a articulação do “Você na TV” com o Facebook acaba por ser uma continuidade do próprio programa e um espaço dedicado ao telespectador.Desta forma, o público pode aceder facilmente a um espaço que é também seu e que lhe permite participar e exprimir as suas opiniões, criando uma maior dinâmica. Todos os dias a página oficial dos apresentadores do programa é consultada e dinamizada através da publicação de conteúdos, com mais frequência durante o seu horário de emissão, seja pela responsável pela administração da página como também pelos seus editores e apresentadores. Este é um forte exemplo de como a TVI aproveitou as potencialidades desta ferramenta, estreitando os laços e a interactividade entre quem faz o programa e quem o consome. Se por um lado permite aos canais televisivos uma maior proximidade com o público, o que pode ser benéfico para melhor conhecer os seus hábitos, gostos, interesses e opiniões, por sua vez faz com que a audiência tenha um papel mais activo no programa, o que lhe permite estar ainda mais próxima do que lhe é dado a ver todos os dias.
Com a sobrecarga de informação disseminada pela crescente oferta de canais televisivos, cada programa deve pensar muito bem na informação que quer transmitir ao espectador, procurando atraí-lo de uma forma diferente e criativa, para que o conceito desse mesmo programa se possa distinguir de todos os outros. O “Você na TV” destaca-se por saber a quem deve chegar e como chegar até cada pessoa. As suas metas e objectivos estão claramente definidos, embora nunca totalmente satisfeitos, isto é, a produção do programa procura dia após dia corresponder à promoção de um produto original, criativo, capaz de gerar reconhecimento por parte de quem o acompanha diariamente. Sem nunca perder a sua competitividade e mesmo através de um modelo que tenha como base a disputa por valores expressivos de audiência, é
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possível fazer com que o público se orgulhe da capacidade de se mostrar e se reconhecer amplamente através de um meio tão influente e poderoso como a televisão.
Convém ainda salientar como a visão algo estereotipada mantida em relação aos programas de entretenimento exibidos durante a manhã tem vindo a ser aos poucos alterada. Estes seis meses de estágio contribuíram para perceber isso mesmo: sem nunca perder o seu tom mais leve e a boa disposição na abordagem de certos temas, o “Você na TV” complementa essa faceta com uma postura mais séria e um tratamento mais rigoroso e informativo face a outras temáticas mais complexas.
ORGANIZAÇÃO INTERNA E MODO DE FUNCIONAMENTO
Um programa tão dinâmico como o “Você na TV” necessita do trabalho e da intervenção de muitos profissionais que englobam três tipos de equipa: a equipa de edição, a equipa de produção, onde fui integrada como estagiária, e a equipa técnica.
A equipa de edição é formada por dois editores e nove jornalistas. Os dois editores do programa são os responsáveis pela filtragem e selecção dos conteúdos a tratar no programa, pela atribuição dos serviços aos jornalistas, sendo que acaba por passar pelas suas mãos toda a gestão da produção de temáticas e conteúdos para o “Você na TV”. Para além disso, faz parte das suas funções acompanhar a evolução da emissão do programa em directo através da régie, escrever os oráculos e os leads relativos aos temas que vão surgindo pontualmente no ecrã, estar atento à duração dos segmentos caso seja necessário proceder a alterações de última hora: por exemplo, no caso do tempo ter sido excedido e ser necessário ir para intervalo, cabe ao editor decidir que vt’s não chegarão a ir para o ar ou comunicar com os apresentadores através da intercom de que é necessário “rematar” a conversa com o convidado por falta de tempo; por outro lado, também já ocorreram situações em que um convidado se sentiu mal ou em que uma entrevista terminou mais cedo do que o esperado e, como tal, foi necessário ir buscar vt’s que se encontravam de reserva com o intuito de preencher o tempo necessário até ao fim do programa. Finalmente,
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também é da responsabilidade dos editores a elaboração do alinhamento correspondente ao programa dia seguinte.
Aos jornalistas do programa compete fazer a pesquisa e a preparação da documentação necessária relativamente aos temas abordados no programa, elaborar folhas de texto para os apresentadores se informarem sobre o que devem saber e perguntar aos convidados do dia seguinte. Consoante o tema que lhes é atribuído pelos editores, cabe aos jornalistas procurar as fontes mais habilitadas para se pronunciarem sobre aquele assunto, seja em estúdio ou em reportagem, fazer uma pré-entrevista de modo a registar todos os factos que possam ser relevantes para contar a história para depois saírem em reportagem com o operador de câmara, de modo a obter um testemunho mais completo no próprio local. Terminada a reportagem e a entrevista, cabe aos jornalistas fazer uma pré-edição do material registado, fazer os cortes necessários de modo a seleccionar os planos e os depoimentos que pretendam usar, que depois serão reorganizados na pós-produção final juntamente com os técnicos da edição.
A meio da sala do “Você na TV” encontra-se um quadro correspondente à agenda da semana, com informações acerca dos serviços a realizar naquele dia, o nome do jornalista que sairá em reportagem, as horas e o local e ainda sobre os serviços de pós-produção de vídeo e pós produção de áudio, para que os jornalistas possam acompanhar a edição final das suas reportagens. Tendo em conta que esses serviços são previamente definidos pelos jornalistas e marcados pela produção junto dos departamentos responsáveis, torna-se mais fácil para a equipa ter uma base de orientação que possibilite uma melhor organização das suas tarefas. Os serviços de reportagem previamente definidos ocorrem quase a qualquer hora do dia, o que torna os deadlines apertados uma constante.
Relativamente à origem dos temas que compõem o “Você na TV”, os jornais diários e as revistas dão muitas vezes o mote para os conteúdos abordados, constituindo uma importante fonte de notícias. A leitura dos jornais do dia e de revistas é assim uma rotina enraizada no dia-a-dia da equipa de edição em busca de novas histórias e de temas originais que possam vir a interessar ao público do programa. Os contactos dos jornalistas e dos editores assumem também uma especial
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importância, sendo que, por vezes, lhes dão a conhecer eventos e factos noticiosos em primeira mão, as chamadas “cachas”. O mesmo se pode dizer das denúncias sociais, feitas por pessoas que telefonam para a sala ou para a régie durante a emissão do programa a queixar-se de dramas pessoais que atravessem ou de injustiças de que são vítimas. No entanto, em todos os exemplos referidos, é fundamental ter em consideração que as informações que são fornecidas pelas fontes têm sempre que ser rigorosamente confirmadas antes de darem origem a qualquer reportagem.
Várias reuniões de produção são necessárias para o planeamento e coordenação do trabalho da equipa. As equipas que compõem o programa reúnem-se duas vezes por dia: a primeira reunião tem início às 8 da manhã, duas horas antes do arranque do programa, na qual a editora lê e explica o alinhamento ponto por ponto e onde se aproveita para se esclarecer algumas dúvidas, pormenores técnicos e exigências relativas ao trabalho da produção e em que muitas vezes os apresentadores fazem algumas alterações relativamente à ordem das vt’s ou sugerem formas de acrescentar mais dinâmica ao programa daquele dia. A segunda reunião ocorre logo a seguir ao fim do programa, ou seja, pouco depois das 13 horas e tem como principal objectivo fazer uma reflexão sobre o que correu mal durante a manhã, apontar os erros cometidos e discutir os temas que serão abordados no dia seguinte.
Todos os dias é preparado um alinhamento do programa que possa servir de apoio e de orientação para o trabalho de todos os elementos da equipa. O alinhamento do “Você na TV” consiste numa lista ordenada e específica que contém os vários blocos do programa e a sua duração aproximada (sujeita a alterações por parte da emissão), os tópicos e assuntos que serão cobertos no programa, uma breve explicação do tema e do convidado, a indicação do set onde decorrerá a conversa no estúdio, requisitos técnicos relacionados com o áudio, e indicações de certas exigências destinadas à produção. Deste modo, o alinhamento ajuda a organizar e visualizar os principais elementos do programa: o conteúdo global, equilíbrio e ritmo podem ser imaginados, antes do início da produção. Qualquer pessoa que leia o alinhamento do programa, deve ser capaz de ter uma ideia clara de toda a produção, daí a sua leitura durante a primeira reunião entre as equipas ser importante para esclarecer alguns pormenores e fazer alterações, caso haja alguma discordância.Este
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tipo de planeamento do programa permite minimizar consideravelmente algumas surpresas desagradáveis. Qualquer falha ou descuido neste domínio pode inutilizar todos os esforços das várias equipas que compõem o programa. (Exemplo de alinhamento do “Você na TV” em anexo, a partir da página 37)
O alinhamento acaba por dar uma grande base de segurança para que toda a equipa possa fazer o trabalho sem sentir tão intensamente a pressão do directo. Contudo, ninguém está livre de cometer um erro que possa comprometer em maior ou menor dimensão o bom decorrer do programa. Uma produção em tempo real faz com que se ganhe numas coisas, nomeadamente na aproximação ao público e na garantia de uma sensação de instantaneidade e de risco, mas também se perca noutras: a duração do programa ou do segmento não pode ser abreviada ou alargada para se adaptar às necessidades da produção, erros por parte dos apresentadores ou da equipa não podem ser corrigidos. Um convidado pode recusar-se a entrar no ar, uma câmara pode perder o sinal ou um microfone falhar são situações que, caso não se tomem decisões correctas na hora, podem resultar no fracasso da produção. Todas estas condicionantes colocam uma grande pressão no realizador e no elenco da produção, que têm de providenciar, resolver e improvisar o mais rapidamente possível, pois o programa não pode parar.
A equipa deve ser capaz de controlar a sua própria tensão e ansiedade para que o programa não se ressinta disso e o público em casa não se aperceba de qualquer problema. Quem está sentado a assistir ao programa não pode imaginar que por detrás de uma câmara há um sem número de pessoas imersas em várias actividades, numa grande agitação, sempre a comunicar entre si para que nada falhe.
A equipa de produção é formada por uma produtora-executiva e por quatro assistentes de produção. A produtora-executiva organiza todos os trabalhos conducentes à execução material do programa, sendo responsável pelos aspectos financeiros e administrativos inerentes à produção e por assegurar os meios necessários à sua concretização: elabora o plano de trabalho, fazendo os estudos económicos necessários para tal, regula as verbas disponíveis para a produção dentro dos limites económicos pré-estabelecidos, nomeadamente encargos de pessoal técnico e artístico, autorias, operações técnicas, faz a gestão do orçamento
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predefinido para a produção e introduz as eventuais mudanças ou correcções necessárias, procura garantir a obtenção de colaborações, licenças e autorizações. Resumidamente, cabe à produtora supervisionar e assumir todas as responsabilidades técnicas e financeiras inerentes ao “Você na TV”. Todas as decisões de produção relacionadas com o programa passam pela sua aprovação.
Já os quatro assistentes que compõem a equipa de produção complementam e dão apoio ao trabalho da produtora executiva, dividindo o seu trabalho entre o estúdio e a sala do programa: durante a parte da manhã prestam assistência na preparação do programa, devem certificar-se que os convidados estão no estúdio prontos para entrar em directo, garantir os meios necessários à concretização técnica e artística do programa (desde o trabalho de grafismo até à realização dos passatempos), assegurar que todos os elementos estão a postos para o arranque da emissão e ainda proceder ao pagamento de todos os encargos financeiros relacionados com as despesas de transporte e alojamento dos convidados. Este trabalho mais agitado é depois complementado com funções mais burocráticas inerentes às rotinas de uma equipa de produção: proceder à marcação dos convidados que estarão no estúdio no dia seguinte, marcar as reportagens dos jornalistas e posteriormente as sessões de pós-produção, garantir alojamento para os convidados que venham de locais mais distantes, organizar todos os documentos técnicos necessários aos trabalhos em curso, tratar da manutenção dos arquivos, registos e contabilidade primária da produção. Além disso, é da responsabilidade da equipa de produção diligenciar para a obtenção de colaborações, serviços, licenças e autorizações necessárias para a realização do programa e das reportagens, assegurar a reunião de figurantes e de todo o tipo de adereços essenciais ao seu bom funcionamento e ainda coordenar o grafismo e toda a componente musical referente ao programa, desde a selecção dos artistas mais adequados para actuar em estúdio até à organização dos segmentos sonoros e musicais que compõem o “Você na TV”. Todas estas funções estão repartidas entre os quatro assistentes de produção.
A equipa técnica do programa é a única que não é fixa, os seus elementos trabalham por turnos e acabam por circular um pouco por todos os programas da TVI. Deste modo, foi interessante contactar com realizadores e assistentes de estúdio com
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perspectivas diferentes em relação ao programa e com formas de trabalho e personalidades distintas. Da equipa técnica fazem parte todos os elementos responsáveis pela concretização técnica e artística do programa: apresentadores, realizador, assistentes de estúdio, anotador, operadores de câmara, animador de público, operador de mistura de imagem, operador de controlo de imagem, iluminador, operador de som, equipa de maquilhagem, de cabelos e guarda-roupa. Nunca é demais referir o quão importante é o contributo de cada um destes profissionais para a viabilização de um programa tão dinâmico e exigente como o “Você na TV”. Quase poderíamos comparar um programa de televisão a um mosaico em que cada peça por si só se revelaria insuficiente, é a junção e a articulação de todos os elementos que acabam por compor a imagem final e criar um programa de qualidade e tão apelativo ao seu público.
Os momentos mais agitados são aqueles que antecedem o início do programa, todo o trabalho que implique a sua preparação e depois já durante a sua emissão, o que que implica estar sempre atento e pronto a reagir face a mudanças de última hora. A imprevisibilidade do meio televisivo, ainda mais se pensarmos na pressão que o directo acarreta sobre cada elemento da equipa, está no facto de tudo poder mudar a qualquer momento. Mas não deixou de ser interessante perceber como ao fim de anos de trabalho, nada parece assustar os profissionais que trabalham para o programa que reagem sempre de cabeça fria e com a máxima rapidez perante as adversidades que vão surgindo.
Por sua vez, os momentos de azáfama da manhã contrastam com momentos mais parados da parte da tarde, que consistem apenas na preparação do programa do dia seguinte, confirmar a presença dos convidados e da figuração, marcar as ENG’S, etc… O que não invalida que não possa surgir alguma ocorrência de última hora que implique a sua abordagem no programa do dia seguinte (caso da resignação de Bento XVI, a leitura da sentença do “violador de Telheiras”), ou até mesmo o cancelamento de um tema por motivos de força maior, o que implica uma reestruturação do programa, falar com novos convidados, desmarcar com os convidados previamente confirmados, é, por tudo isso, um trabalho bastante imprevisível e desafiador a todos os níveis.
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E depois da satisfação e do sentido de dever cumprido por mais um programa feito, é altura de preparar o programa do dia seguinte, como tal, o trabalho da equipa nunca pára, há sempre ainda muito que fazer.
TRABALHO DESENVOLVIDO DURANTE O ESTÁGIO
O fim da componente lectiva implicava passar da teoria à prática, ir para o terreno, aplicar os conhecimentos adquiridos anteriormente. Assim, por todos os relatos que chegam de quem por lá passou, a TVI desenhou-se, à partida, como a escolha mais acertada. Principalmente no que tocou à escolha da secção onde estagiar, por norma deixada ao critério do estagiário. Deste modo, a preferência caiu sobre a área de produção televisiva, essencialmente pelas suas mais-valias num mundo dominado pelos media audiovisuais, no qual se destaca a transmissão de programas de entretenimento tão apelativos às massas. Num curso que primou, acima de tudo, pelo saber pensar as ciências da comunicação, era interessante articular, na prática, todo esse know-how adquirido durante o primeiro ano de mestrado e nos três anos anteriores de licenciatura com as rotinas de uma equipa profissional como a que distingue a TVI, mais precisamente o programa da manhã “Você na TV”.
O estágio teve a duração de seis meses, tendo decorrido entre 19 de Setembro e 19 de Março. Embora inicialmente estivesse previsto um estágio de apenas três meses, acabou por ser proposto (e aceite) que se estendesse por mais três.
Embora o período de trabalho previamente estipulado na TVI fosse de nove horas diárias (entre as oito da manhã e as cinco da tarde), os estagiários poderiam deparar-se, na prática (à imagem do que acontece com os restantes elementos da equipa), com a falta de horários linearmente definidos, sendo que a hora de saída é sempre imprevisível. Uma situação que acaba por serextremamente proveitosa para o crescimento do estagiário. Os “novatos” enfrentam ainda a pressão do directo, uma vez que, o programa e todos os conteúdos e elementos que dele farão parte têm de
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estar prontos o mais depressa possível para que tudo corra na perfeição durante as três horas de emissão, situações que se revelam extremamente importantes na preparação de quem está prestes a entrar neste mercado de trabalho e terá que enfrentar estas realidades regularmente.
Quando se está prestes a terminar um curso, surge naturalmente a vontade de aplicar na prática todos os conhecimentos que foram adquiridos durante a componente lectiva e, talvez fruto da irreverência própria dos mais jovens, a vontade imediata é de partir para o terreno, travar conhecimento com o meio, mostrar trabalho.
No entanto, a primeira fase do estágio na TVI, em que os estagiários se limitam a acompanhar os produtores, revela-se fundamental no processo de aprendizagem dos recém-chegados e na sua formação. É nesta fase que os estagiários começam a dar-se conta dos procedimentos e das rotinas dos profissionais da casa mais experientes, quer em termos de preparação prévia, quer em termos de movimentação no terreno e das dificuldades que o trabalho de produção enfrenta no dia-a-dia.
Esta fase de acompanhamento, marcada pelo contacto com grandes profissionais, permitiu aprender a lidar com realidades diversificadas que se viriam a revelar importantes, quer para o resto do estágio na TVI, quer no percurso profissional que se avizinha e para adquirir autonomia suficiente para a resolução de problemas inerentes à produção do programa. Por um lado, foi essencial para aprender a lidar com convidados mais difíceis e exigentes e a saber contornar alguns obstáculos por eles colocados; também foi importante aperceber-me da pressão exigida por um programa em directo, em que tudo deve estar pronto e definido o quanto antes, e caso algo falhe, o produtor deve estar pronto para assegurar que existe sempre uma alternativa ao problema. No fundo, tem que se fazer as coisas depressa e… bem.
Nesse período inicial, ter todos estes aspectos em consideração não foi tão simples como à partida poderia parecer, é um trabalho que implica uma quota parte de responsabilidade e requer saber lidar com diferentes problemas ao mesmo tempo mas, à medida que o tempo foi passando e toda a mecânica do trabalho de produção foi sendo interiorizada, tudo acabaria por se tornar mais fácil, embora nunca menos
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desafiante e interessante. Muito pelo contrário, se há algo que este estágio despertou ainda mais foi a adrenalina e o bichinho de querer continuar a fazer televisão.
Ao fim de aproximadamente uma semana, iniciou-se uma nova (e decisiva) fase do estágio, uma fase que representa uma diferença abrupta relativamente àquela em que os recém-chegados se limitavam a acompanhar os elementos da equipa de produção, uma vez que, a partir deste momentos, são os estagiários que têm que prestar assistência na preparação do programa, saber como se movimentar no terreno, passando a desempenhar tarefas exclusivamente suas, a saber lidar com as situações com que se deparam e resolver os problemas que vão surgindo, gozando de quase total autonomia, embora nunca deixando de consultar os seus colegas de trabalho sempre que necessário.
Num estúdio, a equipa de trabalho já conhece a rotina associada à produção do programa e muitas vezes nem espera as ordens do realizador ou do produtor. É a partir desse momento que os estagiários assumem um estatuto semelhante ao dos restantes produtores da casa, uma vez que a autonomia é praticamente total. A melhoria em todos estes aspectos é claramente visível à medida que o tempo de estágio vai aumentando e se vai adquirindo mais prática e desenvoltura. Para isso, também foram valiosas as indicações e recomendações dos colegas de profissão. E à medida que o tempo vai passando, acabam por surgir novas dificuldades, acompanhadas por formas também elas novas de as contornar. Mas o trabalho de produção também é isso mesmo, evolução.
Ao longo de seis meses de estágio, foram várias as funções e actividades a desempenhar para o “Você na TV”. Em primeiro lugar, o trabalho a desempenhar quer na régie quer na sala de produção tiveram como base a importante ligação que deve ser mantida entre o programa e o espectador. Deste modo, durante o decorrer das três horas de emissão do programa, é da responsabilidade do estagiário anotar e posteriormente responder aos pedidos, sugestões ou recados dos espectadores que comunicarem com a produção durante o programa; proceder às marcações do público de casa que quer assistir ao programa ao vivo; tratar da recolha dos dados dos vencedores de passatempos pontuais do programa (por exemplo, oferta de livros ou de bilhetes para espectáculos), para depois proceder ao envio da informação para a
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editora ou para a sala de espectáculos responsável pelas ofertas ao público; proceder à recolha dos dados do vencedor do passatempo diário “Roda Você”, que serão posteriormente enviados para o departamento de Marketing da TVI. Ainda na régie, sempre que for necessário colocar uma chamada telefónica em directo no programa, é da responsabilidade do estagiário fazer a ligação dessa chamada da régie para o estúdio através de um híbrido digital e ainda proceder à ligação através do sinal em satélite para o local onde poderá ocorrer qualquer directo em exterior essencial ao programa. Por exemplo, num directo feito a partir do Barreiro foi necessário estabelecer a ligação para o local escolhido com alguma antecedência e ir comunicando frequentemente com o apresentador Manuel Luís Goucha para que este soubesse quando poderia iniciar o directo ou quanto mais tempo teria de aguardar. No entanto, situações como esta num programa de entretenimento são excepcionais tendo em conta os elevados custos que a preparação de um directo em exterior acarreta. Finalmente, o estagiário deve ainda registar os melhores momentos do programa e os segmentos em que estes ocorreram para serem, mais tarde, editados e emitidos no final de cada mês.
Na sala de produção, já depois do programa daquele dia ter terminado, é necessário ler e organizar diariamente o correio do programa pelos diferentes temas e motivos (sugestão de conteúdos, ajuda financeira, ajuda médica, mudanças de visual, ponto de encontro, cartas ou convites destinados aos apresentadores, etc…) e ainda ligar a confirmar as marcações das pessoas interessadas em fazer figuração no programa do dia seguinte. Com o tempo e após começar a adquirir alguma experiência, comecei a ajudar a equipa na realização de outros serviços de produção: entrar em contacto com os convidados do programa do dia seguinte para confirmar a sua presença, dar a informação das horas a que deve estar no estúdio, garantir que tem meios para se deslocar até às instalações da TVI, informar acerca das condições do alojamento, caso seja preciso, e ainda confirmar que tipo de meios poderão ser assegurados por parte da produção – mesas de apoio no caso do convidado trazer produtos para expor em estúdio, instrumentos no caso de actuações musicais ao vivo, etc… Caso o convidado necessite de um táxi para se deslocar para a TVI, é da
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responsabilidade da produção marcar com a central de táxis a hora e o local para onde este se deve dirigir.
Algumas vezes, seja por exigência dos apresentadores ou especificamente do tema a ser abordado no programa, foi necessário conseguir patrocínios especiais através do contacto com lojas e outro tipo de serviços que pudessem fornecer acessórios ou outro tipo de materiais para serem utilizados especialmente naquele dia. Por exemplo, para o tema “O bolo da minha vida” foi necessário contactar diversas confeitarias para pedir que confeccionassem dezenas de bolos para serem oferecidos à plateia do programa, em troca de uma nota de agradecimento na ficha técnica e de uma breve referência por parte dos apresentadores, uma forma de também dar visibilidade e ajudar a promover a empresa ou a marca junto de um público tão vasto como o do “Você na TV”.
Logo pela manhã, é o estagiário que recolhe toda a documentação essencial ao programa do dia (alinhamentos, lista dos convidados do programa com respectivos contactos e hora de chegada à TVI, folhas de texto destinadas à linguagem gestual, lista dos figurantes,) organiza-a e leva-a para a sala onde é feita a primeira reunião do dia, às 8 da manhã.
Outra das funções desempenhadas durante este estágio consiste em prestar todo o tipo de assistência necessária no estúdio, na preparação e no decorrer do programa. Neste contexto, foi essencial o contacto com as Relações Públicas da TVI, encarregues de receber os convidados, para assegurar que estes já chegaram e que estão no estúdio com algum tempo de antecedência, já maquilhados e penteados, prontos para entrar em directo.
O estagiário deve ainda prestar todo o tipo de apoio aos convidados e ajudar a providenciar os meios necessários à sua participação, caso precisem de expor produtos ou organizar desfiles de roupa, ajudando a colocar e a preparar tudo no set. É importante que o estagiário tenha o discernimento para perceber quando tem autonomia e capacidade para resolver algum problema menor e quando se torna necessário comunicar a situação aos produtores responsáveis, isto sempre que ocorrerem queixas, pedidos e exigências da parte dos convidados. Quando há actuações musicais com playback, deve-se entregar o cd com a faixa correspondente à