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UNTVERSTDADETEDERAL DE .SANTA CATARINA .
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CENTRO DE CIENCIAS DA SAÚDE; `
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DEPARTAMENTO DE TocoG1NEcoLoG1A
-TOXOPLASMOSE MATERNA E FETAL
Autores: *RONY'KLAUS ISBERNER
_í._...___.._.
*MARCOS A. A. MACHADO
*Doutorandos da llê Fase do Curso de Medicina
Orientador: *DI. EDISON NATAL.FEDRIZZI
Aí
_*Professor auxiliar de ensino do Departamento de tocoginecologia
da UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA_CATARINÁ.
Florianópolis, fevereiro de 1993.
s U
M
Ã-R I O J RESUMO .;... . . . . . .. . . . . . . . . . . . .... . . . . . . .. INTRODUÇÃO ... . . . . . . . . . . . . .. PACIENTES E MÉTODOS . . . . . ... . . . . . . . . . . ..fl RESULTADOS .. . . ... . . . . . . . . . . . . ... . . . . _... DISCUSSÃO ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .... CONCLUSAO ... . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . .. ABSTRACTS . . . . . . ... . . . . ... . . . . . ... AGRADECIMENTOS . . . . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . .. BIBLIOGRAFIA . . . . ... . . . . . . . . . . .. › â›..
‹
RESUMO
-_
A Toxoplasmose ë uma infecçao-cosmopolita comum, cuja
transmissão congênita ocupa ainda hoje, uma posição de real- ' importancia. Os casos de transmissão transplacentäria durante a
fase aguda da doença, ou reagudização de uma infecção crônica
~ , ~ ~ ,
(imunodepressao) materna, podem levar a uma infecçao congenita com -
danos irreparáveis;-principalmente para o lado neuropsicomotor da
criança. Este fato nos obriga a manter uma vigilância durante o'
V pré-natal, visto que se trata de uma doença passível de tratamento
_ _ `
_
~ ~ ~ - ,
na gestaçao, possibilitando a prevençao da ' infecçao congenita. _ ~!
Foram analisadas sem critério de seleção, 150 _ _
‹ » ._ ,
sorologias para toxoplasmose pelo metodo de Jimunofluorescencia
indireta, sendo 75 amostras maternas e igual número de amostras do
cordão umbilical dos recém-nascidos, no período defjaneiro ã
fevereiro de 1993 na Maternidade Carmela Dutra, Florianõpolis(S.C.).
Das 75 gestantes, 44 apresentaram IF¬IgG soropositivas,
sendo que nenhuma apresentou títulos superiores ou iguais ã l:4096.
Nesta amostra não houve nenhum caso de IF-IgM»soropositivo¡'
Das 75 amostras dos recém-nascidos, 40 apresentaram IF-IÇG soropositivos (provavelmente de origem materna); e, nenhum
apresentou IFHIÇM soropositiva. _
INTRQDUÇÃOQ-'
Esta doença foi-descoberta em animais no início deste
século, mas somente em 1912 se percebeu que ela poderia ser
transmitida ao homem. A Toxoplasmose foi observada pela primeira vez
em 1900 por CHARLES LOUIS ALPHONSE LAVERAN (1845-1922), no sangue
de um pássaro Canoro Americano comum; o Triste-Pia (Dolichonyx
Oryzivorus). Em 1908, o Diretor do Instituto Pasteur de Tünis, `
CHARLES JULES HENRI NICOLLE (1866-1936) e seu colega LOUIS HERBERT MANCEAUX l865¬l943) encontraram o agente causador no roedor Africano
Cienodactylus Gondii e deram-lhe o nome de Toxoplasma Gondii.27 . _
`
\
A
._
-
A
infecção pelo toxoplasma Gondii ocorre em todo omundo, segundo resultados de inquéritos sorolõgicos. A maior parte
das infecções são_assintomãticas sendo a doença uma exceção no
homem.29 V
V '
A O homem pode ser contaminado por 3 vias:l'lg'24'29
l) Ingestão de cistos em carnes mal cDzidas;l4f18'20
2) Ingestão de oocistos7l4'2o'29 3) Via Transplacentâria.24'29: ". _ Ú Í _ _ _
O feto, corre risco de infecçao, somente se a
primo-infecção-materna ocorreu após a concepção ("durante a
gravidez“)%6'l7¡23'24'25 Weimann conceituou a possibilidade de mulheres com toxoplasmose latente, sofrerem exacerbaçoes
assintomãticas que levassem ã infecção do feto pelo parasita;
seguindo-se evidência de que esta invasão (quer na forma aguda quer
na latente) pudesse"ocorrer em qualquer época da gravidez. Estudos
prospectivos de mães de filhos com toxoplasmose congênita, levaram
ã conclusão de que o parasita somente invade o feto na fase aguda
de infecção materna.l6'20'25
O risco e a gravidade de infecção fetal, depende da
época da gestação em que a mãe adquiriu a infecção, A incidência ê
maior quando a infecção ê adquirida no terceiro trimestre; porém, a gravidade ë maior quando a infecção ocorre no primeiro
'-06- '
O diagnóstico de Toxoplasmose Congênita, se baseia na
presença de IÇM específica e no isolamento de parasitas via
. ~ 7 .
-
"
-~inoculaçao em ratos. '8 ,
- Na mãe, baseia-se na presença dos níveis de AC IÇG
anti-Toxoplasma Gondiif sendo que títulos altos indicam infecção aguda e títulos baixos infecção crônica ou infecção adquirida no
passado.l' V _ ' _ V ' ' 'A - ~ ø . ~ 4
Para a presença de infecçao toxoplasmica aguda, nao e
suficiente demonstrar a presença de anticorpos antitoxoplasma
..l0 - . . . - . - . _
Gondii , mas e imprescindivel avaliar seus niveis sericos atraves
de testes quantitativos.2'l9' _ _
.
A
presença de Anticorpos IGM não é necessariamenteindifiwfivãib infecção materna aguda por toxoplasmose.7
u
, Para identificação de AC antitoxoplasma Gondii, podem
ser usadas as seguintes técnicas: Reaçao de Sabin Feldmann; reaçao
de Hemoaglutinação passiva, reação de imunofluorescéncia indireta
para IgG e IgM; Enzima imuno ensaio (ELISA) e fixaçao de _-
complemento.2'3'19'29' p H A 6 Â `
O teste mais realizado é a Imunofluorescencia indireta para I§G_e IgM; Trata-se de um teste relativamente específico;
äontudo, algumas reações falso positivas tem sido encontradas em
pacientes com L.E.S.; devido ã presença de AC antinucleares.4'23
4 Estudos realizados com a Enzima imuno ensaio'com
automatização de micro-partículas para AC IÇG e IÊM anti-toxoplasma Gandii (meia), mostraram que o método diagnostica AC IgG, 15-45
dias após a infecção_ter ocorrido, e, auxilia na diferenciação de
AC IgM de fase aguda, de AC IÇM residuais nosxmø convalescente concluindo ser uma alternativa até mais rápida e precisa do que os
, , 25 ' ,. - _ - ensaios manuais. '-» ›
Como marcadores inespecíficos de infecçao aguda,
consideram-se: eosinofilia, plaquetopenia, aumento de enzimas.
hepâticas;7;8 e, dilatação do ventrículo cerebral do feto â
Ultrassonografia.ll ,
_ Recentemente Hohlfeld et al, comparando gestantes com
não gestantes comprovadamente com infecção toxoplásmica aguda,
observou que nas gestantes, havia um aumento nos níveis dos Linfõcitos T Supressor (CD8); e uma diminuição dos Linfõcitos T Helper (CD4); com diminuição da Relação CD4/CD8, ressaltando a ~ importância no futuro, do estudo das subpopulações de Linfõcitos T,
I
_ ,
T -07-
como instrumento diagnóstico para a prevenção de toxoplasmose -~; 12 '
congenita. A »
_ _
i¿~ O maior critério diagnóstico de toxoplasmose congênita,
é o isolamento do parasita em culturas de sangue fetal e do líquido
amniótico.8'l6` Embora o procedimento da coleta de sangue fetal
(cordocentese) seja seguro em parte, ele só pode ser feito no
segundo trimestre (por volta da décima nona semana); e os
resultados da inoculação em ratos só saem em quatro ou cinco
~ ~ .
-
semanas. Assim, FOULON et al; propoe a realizaçao de fnnniocentese
precoce e amostras de vilo coriónico, com culturas in vitro, o que possibilita o diagnóstico de toxoplasmose congênita no final do
. . . 7
primeiro trimestre.» .
'
-
Já STEPICK BIEK, propõe incluir na rotina sorológica,
a detecção de AC IÇA anti-toxoplasma Gondii; pois em seu trabalho; 8 de 9 recém-nascidos com infecção toxoplãsmica tinham AC IgA; mas, somente 4 dos 9 tinham AC IgM.28'
`
~ _' '
'
_ *Uma vez identificada a infecçao
aguda, as opçoes sao o
abortamento ou tratamento com antibióticos.7'18' O aborto só é« justificado quando é comprovado que a infecção foi adquirida antes
da décima semana de gestaçãoe; e que os estudos pré-natais (AC IQM,
Ultra-som e cultura de toxoplasma Gondii), realmente comprovam que
o feto está infectado.1l ~v fq. A
~
V _
-_
.Sendo feito o diagnóstico precoce, e a opçao por
¡ 1 P 1 _ 1 |
_ 1 vg
1 9
tratamento com antibiotico, esta indicado usar a espiramicina ; o
que evita a infecção fetal ou ao menos reduz a extensão da infecção.
4 21. ` z . . . V ` . z . ç . ~ . . .
'_ Quanto maior o intervalo entre o inicio da infecçao e o inicio
do tratamento, parece haver maior gravidade nas lesões fetais. Desmonts'e.Couvreur,.mostraram que 0 tratamento com espiramicina
durante a gravidez, reduz o risco de toxoplasmose fetal em mais da metade dos casos, pelo fato da droga retardar a transmissão
transp1acentãria;1;'29Í 4'
Durante o primeiro trimestre é usada somente
espiramicina 3 gr/dia, 3 a 4 vezes/dia até o final da gravidez, devido ã teratogenicidade da Pirimetamina. No segundo e terceiro
trimestre pode ser feito Sulfadiazine 3 gr/dia por 3 semanas
associado â Pirimetamina 50 mg/dia e.ãcido folínico, _'
alternativamente com 3 semanas de Espiramicina (3 gr/dia) até o
final da gestação.2l'25°
`
só
A toxoplasmose congênita é tratada com a combinaçao de
gz-G8¬
Sulfadiazine l00mg/Kg/dia em 2 doses, ácido folínico 5 mg 2/2 dias
e Espiramicina 100 mg/Kg/dia em 2 ou 3 doses/dia. Corticõides sao '
-
. . . - 21
usados no tratamento da coriorretinite ativa por no minimo 6 meses; mas ë discutível o uso isolado em recém-natos, sendo assim,_ `
, o
aconselhável associar também antibioticos.3o
'
A mudança de hábitos nao tem papel comprovado na _
- r . . ~ 8 16 -
'
. . .
“' --
prevençaofda infecçao '
; porem, programas regionais cuidadosamente
planejados para detectar e tratar mulheres que adquiriram infecçao
pelo toxoplasma durante a gravidez podem mostrar-se eficazes e
reduzir o sofrimento que hoje ocorre em relação a toxoplasmose
congênita.6 . .
as '
e~O objetivo deste trabalho ë analisar a prevalencia de
toxoplasmose_na mãe e no recëmfnato, em uma amostra populacional
que procura assistência na maternidade Carmela Dutra e correlacionar
possíveisimdídxkíes'epidemiológicos com intuito de alertar a g
comunidade médica sobre o problema; pois ë inadmissível que uma doença possível de prevenção e tratamento durante a gravidez possa
.-
ainda hoje ser transmitida congenitamente, levando a complicaçoes
severas no recém-nascido, inclusive ao óbito. '
- PACIENTES E -MÉTODOS
' Noáperíodo.de janeiro a fevereiro de 1993, foram
colhidas 150 amostras de sangue (75 gestantes e respectivos
Recém-natos) na Maternidade Carmela Dutra, Florianõpolis(SC). Não
_ _ _ ,
foi utilizado nenhum critério de seleçao para a amostragem.
A
análise sorolõgica, foi realizada pela têcnica_de 'Ílmunofluorescência indireta, com análise quantitativa pelo
- Departamento-Autônomo de Saúde Pública (DASP).
*Os critérios de positividade foram títulos para AC IÇG
e AC IgM, sendo considerado título materno com risco de transmissao
fetal quando I~gMÂera -positiva (qualquer título 21:16) e Ig~G;l:4096
Foi considerado toxoplasmose congênita a presença de IQM positiva
no cordao.umbilical. _i ~ _ _ .Í
'
i"
Concomitantemente,foi realizado um inquérito com dados
de identificação materna,antecedentes obstëtricos, presença de
animais domésticos e avaliação dos Recém-nascidos quanto à presença
~ .. ¬'
, .._ , _
.
de sinais de infecçao congen1ta:w“ ¿ u `
-
4 \ ' __ & ¬_>_.. ¬ :‹- `z.›.
RES-UL-rnnos
_ 'Na anãlise das 75 amostras maternas através da
imunofluorescência indireta, houve 31 (41,3%) casos de IF-IgG e
IF-IgM soronegativos; e, 44 (58,7%).casos de IF-IgG soropositivos;
com títulos que variaram entre 1:16 e l:1024, dispostos da seguinte
forma: 8 casos com 1:16 (l0,7%); 13 casos 1:64 (l7,3%); 17 casos
l:256 (22,7%) e 6 casos l:l024 (8,0%). Em nenhuma das amostras analisadas, encontramos IF-IgM positiva, (Ver Tabela I). _
` V
'
Na análise das amostras dos Recém-nascidos, através da
imunofluorescência indireta, houve 35 (46,7%) casos de IF-IgG e
IF-IQM soronegativos; e, 40 (53,3%) casos de IF-IgG soropositrvos dispostos da seguinte forma =V3 casos de 1:16 (4,0%); 16 casos 1:64
(2l,3%); 15 casos l:256 (20,0%);,5 casos l:lO24 (6,7%) e 1 caso com
título de 1:4000-(1,3%). Em nenhuma das amostras analisadas (0%)
encontramos IF~I§M.soropositiva. (Ver Tabela II); V
»
_ __
A A avaliação
percentual dos dados relativos a história
prévia de aborto, presença de animal doméstico e realização de '
Pré-natal foi estudada em 70 pacientes, cujos dados constavam no
protocolo.
-_
._
'
Verificamos que percentualmente, a incidencia de
mulheres que tiveram história de aborto prévio, e que reagiram â 1
IF-I§G, ê.bem maior que ãs que não reagiram. (Ver Tabela III).
'
No estudo, 38,7% das mu1heres_que realizaram pré-natal,
tiveram sorologia negativa. V
'
-1 Q . ø
1 Nao foi possivel
realizar nova sorologia do recem
nascido que apresentou o título de IgG de l:4000. ` '
»
As tabelas III; IV;
V
e VI mostram valores absolutose análise comparativa entre as variáveis_estabelecidas no protocolo:
\
TABELA I - Distribuiçao dos títulos de iimunofluorescência indireta
4
para IGG nas gestantes:
.IL
"
.~_-11-
TESTE _ TÍTULO". ABSOLUTO RELATIVO
% IF-IÇG 1:16 1á64_ l:256 l:1024 _naoreagentes ~ 8 10,7 13 .l7,3 17 A 22,7 õ 8,0 _ 31 41,3 TOTAL DE POSITIVOS TOTAL DE CASOS 44 58,7% 75 100,0% Fonte: D.A.S.P.
TABELA II - Distribuição dos títulos de imunofluorescência indireta
- - para IQG nos Recém-nascidos:
A _
` `
¿
TESTE TÍTULO ABSOLUTO RELATIVO %
IF-IgG 1:16 1:64 1z256 1z1o24 1z4ooo não reagentes J 3 4,0 16 21,3 15 `2o,o 5 6,7 1 1,3 35' 46.7 TOTAL DE POSITIVOS TOTAL DE-CASOS 40 53,3%« 75 100,0% Fonte: D.A.S.P..
°L
× -.z .,-
_12_
TABELA III -.Relação entre história materna de aborto(s) prêvio(s) ` e resultados de IF-IÇG: c -_ _ IF-Igs c _ ' NÃO REAGENTES ' REAGENTES 'TOTAL _ ABoRTos -A SIM. l' 3 4 NÃO 28 38' 66 TQTAL 29 - 41' vo
TABELA IV «- Relaçao entre contato com animal doméstico e resultados * 'J gde IF-1gG=' 2 ` 2 ¬ ,IF+1gs . - ` “ `
CONTATO .á - NÃo REAGENTES
REAGENTES TQTAL SIH_V 1 17 ' 21 ' 38 NÃÚ 12 _ 20 ' 32 -TomaL'- 2 29 41 V' 7o
-L K
_13_
TABELA V - Relação entre realização de prë+natal e resultados de
*
-
1F+1gsz _
»
IgG l
NÃO REAGENTES REAGENTES TOTAL
PRÉ NATAL . - SIM _24 38 _ 62 NÃo `5 ' 3 8, TQTAL À V 29 41 70
TABELA VI - Análise percentual entre as 3 variáveis:
~ ,.
- - ABQRTO PRÉVIO PRÉ-NATAL- -coNTATo Awnmu.
IF-1gs*REAGENTE ,"Ã 75% 61,3% 55,3%
.IF-Igs Não REAGENTE , 25%
. 38,7% 44,7%
TOTAL A
100% 100% 100%
x
D I S C U S S
Ã
O zA incidência de soropositividade¿para-AC IgG Anti-
Toxoplasma Gondii na gestação, nesta amostragem, foi de 58,7%.
Í É sabido que no Brasil a prevalência de soropositivflkfie
de AC IgG está entre 40 e 80%.5 ~â -
_Hyakutake et al, obtiveram 37,6% no município de Presidente Bernardes.23 ~
_
~
.-
E
Na França, 80% das gestantes tem evidência de infecçao
55%9, E;U.A. 4o%9 e Espanha 3s,9%l3.
O quadro abaixo compara os resultados obtidos por diversos autores da presença de AC antitoxoplasma gondii, em Í
diversas populações de gestantes.
'passada por toxoplasma. Em Londres, a prevalência ê de 20%18; Itália
QUADRO 1 - Presença de Anticorpos Antitoxoplâsmicos em populações de
,gestantes:
ANO TESTE N POSITIVO NEGATIVO
% DESMONTS et al (França) RUIZ et al , (Costa Rica) KIMBALL et al _ (E.U..A.) STRAY-PEDERSEN (Noruega) ` BROADBENT et al (Inglaterra) CACCIAPUOTI et al (Itália) MEIRELLES F9 (Brasil) PRESENTE ESTUDO (Brasil) 1965 1966 1971 1980 31981 1981 1982 1993 SF 14-828 fHE '1oo SF 4.048 SF' 8.043 IF 715 IF 1.413 .IF 3 131 IF 75 84 eo ' 31,7 - 12,9 24,2 39,7 77,1¡ - 58,7 16 40 68,3 87,1 75,8 60,3 22,9 41,3 SF = SABIN-FELDMAN HE = HEMAGLUTINAÇÃO IF = IMUNOFLUOREÊCÊNCIA INDIRETA Fonte: MEIRELLES F9; modificado. I
.¡(_
_15_
Deve-se ressaltar que esses resultados devem estar '
associamnsãs diferentes-populações examinadas,aos diferentes hábitos alimentares, às condições sõcio-econômicas de cada população e ãs
amostras e técnicas empregadas. z' A `
, '
De acordo com os resultados, nao foi encontrado I@M
.I ~ ._
positiva. 2
_
`.~
No Reino Unido, a incidência de infecção aguda por
toxoplasma na gravidez é de 2 para 1.000; baseado na detecçao de AC_
IgM no soro pré-natal, sendo fundamental avaliar a especifüfifiade do
teste utilizado. Se o teste tem 99,8% de especifibidade, então em
'uma amostra de 1.000, ele irá rotular.duas mulheres como positivas;
. l . incorretamente. 8 V ' - ' ¿
.. . Na Espanha, jaqueti et al; em 1221 gestantes acharam A
l5 mulheres positivas para IgMl3.
`
._
' `
'_ Em Bruxelas, a incidencia ê de 2 para l.000 positivas
para.I§M.8 J _" A' ' ' -
__
› OI , ø ,
_ j Cerca de 50% das mulheres com infecçao primaria
~
adquirida durante a gravidez, transmitem a infecçao para seus fetos;
sendo nestes detectada a IgM.9'25° ' ` ` -V. _ A '
. As estimativas de taxa de transmissão da mãe para o filho variam.em torno de 40%. _f '
`
. Esta taxa está relacionada â época da contaminaçao,
materna e aumenta em mais ou menos 15% no primeiro trimestre, até ~
60% no terceiro trimestre.l8 ç
A ` '-
Enquanto a infecção toxoplásmica no adulto ê -
geralmente subclínica, para o feto pode ser devastadora.
Aproximadamente 5 a 10% morrem in útero. Dos sobreviventes, 8 a 15%
tem sinais precoces de toxoplasmose congênita.(coriornfiimite,
catarata, cegueira e iútcroaefalia; hidrocefalia e retardo mental);
enquanto 19% desenvolvem sinais leves. Além disso, seguimentos
sugerem que 85% das crianças assintomáticas podem desenvolver
, , 9
-_ sequelas tardias, nos demais anos. Neste estudo,1Emhum Recem-
nascido apresentou sinais clínicos de Toxoplasmose Congënita. Aproximadamente 90% das crianças infectadas congenitamente, sao assintomãticasla, mas cerca de 50% podem desenvolver sequelas.8 'i
Quanto ã distribuição dos títulos de IgG, podemos
observar que a maior parte das gestantes ficou entre os títulos de
1:64 ã 1:256. . -.
'
'
Coutinho et al; analisando 1.032 recém-nascidos, verificou 63,5% de snxnreagentes entre 1:16 e “l2l024 na classe
.
I
zu
q .,. -16-
..
IgG; e, 15 destes eram também positivos para IgM.5
Não houve títulos de IgG 2=ÍLí4096 o que indicaria
toxoplasmose aguda nas maes. *
De acordo com os dados, há coincidência entre os títulos
de IgGda mae e dos Recém-Natos; justificando nestes,os títulos de
IÊG encontrados pela passagem transplacentãria.- ' '
-
'
Em relação ã soropositividade para IgG e a história de
abortos prévios, podemos concluir que 75% das gestantes na amostra qma
tiveram história positiva, reagiram para IF-IgG o que poderia indicar causa toxoplãsmica; mas para isso deveria se realizar estudo mais
completo. -
` '
i
Os casps pbservados, mostraram que nao houve relaçao entre as gestantes que possuem animais domésticos e títulos `
soropositivos. .
‹
.V Q -
_ “Baseado no protocolo, a tabela V demonstra que entre as
gestantes que realizaram pré-natal, 24 (38,7%) não reagiram â IF¬IÇG;
o que indica que essas gestantes são susceptíveis ã adquirir a
infecção durante a gravidez e transmitir aos seus fetos. Com relaçao
' -
. _ `.
â esse aspecto, abre-se uma polemica mundial com relaçao a
profilaxia, no que envolve a epidemiologia da toxoplasmose.
' - -
` ~
_.
~ :Foulon et al; relataram que nao houve reduçao
1- _ V
` ~ ~ ,
- significativa na taxa de soroconversao entre gestantes nao imunes
. . . 14 . -
que receberam profilaxia.. 'Para ser eficaz a prevençao,ela deve ser
feita antes da paciente engravidar.l4'l8° Na França onde a
prevalência ë alta, em termos de custo, um programa de educação em
- _. - _
-.
14-saude e menos caro que¿a.1nvestigaçao sorologica. V
i No Norte do Quebec onde ocorreu uma epidemia de
Toxoplasmose em gestantes que tinham hábitos e costumes de risco para
~ 4 ~
adquirir a infecçao, desenvolveu-se tambem um programa de educaçao
em mulheres jovens.22 ¿ .
'
* '
Já iA.W.L..JOSS, concluiu que sendo os custps da
investigação na maioria dos esquemas adotados em sua pesquisa,
menores do que os da prevenção, um programa de investigação deveria
ser adotado.l5 A '
Se os programas de investigação forem realizados em
II
conjunto com outras, infecçoes previsiveis", os custos serao menores
Q
. . . 6
e a eficacia maior. '_
Assim sendo, mulheres que nunca foram infectadas pelo
_17-
de 3 semanas durante toda a gravidezllõ
"
A profilaxia pode ser feita;da`seguinte maneira: evitar tocar a boca com dedos após manuseio de carne crua;. cozinhar bem a carne;
.
lavar bem as frutas e vegetais antes de_consumi-las;
. usar luvas quando limpar o jardim; . evitar-presença de moscas e baratas;
desinfetar caixas de gatos com água fervida, por no mínimo 5 A
. 6
minutos; a
^ A sorologia deve ser investigada como exame de rotina
na lê_consulta do pré-natal; se o resultado for negativo, a paciente
ê considerada susceptível e deve-se repetir imunofluorescência no
segundo e terceiro trimestre.25_
i
`
CQNCLUSÃO
A prevalência de infecção aguda na gestante e de
Toxoplasmose congênita foi de 0% na amostra. . V Cerca de 58,7% das mulheres apresentaram sorologia positiva
.-. -
para AC IÚG, que pode estar relacionado a forma cronica ou
infecção aguda no passado.
Não houve correlação da presença de animal doméstico (cão,
gato, - roedor . e ave) e história de aborto prévio nas pacientes
com sorologia positiva.
Uma percentagem significativa (38,7%) de gestantes`que`5\
realizaram pré-natal, não reagiu ã IF-IgG, o que significa
susceptibilidade ã adquirir a infecção.
_; _ z-
-
. ~
`
Os Itules¬de_IE=IgG-encontrados nos recem-nascidos sao
compatíveis aos apresentados pelas mães; o que sugere a
passagem transplacentária de AC IgG da mãe para o feto.
3°- I
-
.ABSTRACT
W
p Toxoplasmosis is a common cosmopolitan infection, whose congenital transmission has come to assume an important position at
present. Cases of transplacentary transmission during the acute
phase of the illness or during a period when the chronic infection relapses-into acuteness (maternal immunodepression), can lead to a congenital infection causing irreparable damage, mainly involving,
area, This fact demands of us a great deal of vigilance during the pre-natal period, inasmuch as we are
the child's neuropsychomotor
dealing with an illness than be treated during pregnancy, enabling
us to prevent congenital influences. = 4
`
150 serologies were analyzed at random foi toxophmmosis,
by the method of indirect immunofluoresence, with a total of 75
samples taken from the mothers and an equal number from the _
umbilical cord of the new-born babies, during january and february
of 1993 in the "Maternidade de Carmela Dutra" (Carmela Dutra
Maternity Hospital) in the city of Florianópolis (Santa Catarina
state). fin" '
:
›
Out of 75 pregnant women, 44 showed positive IF-IgG,
and nome of them reachedáa-ratio of@l:4096. In this sample, there was no case of_positive 1F-IgM. _
V '_
A
'- 'Of the 75 samples taken from the newborn babies 40
showed positive IF-IgG (probably coming from the mother); and none
showed positive IF-IgM. ›
'
=AGRADECIMENTOS
, Ao professor Edison Natal Fedrizzi, pela orientaçao
deste trabalho. VÁ V
i
Ao Departamento Autônomo de Saúde Pública (D.A.S.P.)
pelo fornecimento do material usado para a coleta e pelo empenho em realizar os exames sorolõgicos. i
_
. 'Ã Maternidade Carmela Dutra que dispôs o campo de
pesquisa. - ~
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