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O problema da habitação

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Academic year: 2021

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As Grandes Cidades e a

Problemática da Habitação

Caso de Estudo: L

Dissertação Teórica para a obtenção do Grau de Mestre em Arquite

As Grandes Cidades e a

Problemática da Habitação

Caso de Estudo: LONDRES

Dissertação Teórica para a obtenção do Grau de Mestre em Arquite na área de especialização em Urbanismo

Vanessa Nunes Rodrigues Martins da Silva

Orientadora científica Doutora Maria Manuela da Fonte

Lisboa, FA ULisboa, Dezembro

1

As Grandes Cidades e a

Problemática da Habitação

ONDRES

Dissertação Teórica para a obtenção do Grau de Mestre em Arquitectura, área de especialização em Urbanismo

Candidata Vanessa Nunes Rodrigues Martins da Silva

Orientadora científica Doutora Maria Manuela da Fonte

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2

Figura de capa: Extracto de Plano de Londres e envolvente, da autoria de John Rocque, 1746. WHITFIELD, Peter. London – A Life in Maps. British Library Publishing, Itália, 2006. P.7.

Nota: O presente trabalho de mestrado apresenta-se redigido sem Acordo Ortográfico.

O texto é composto por 37 153 palavras no total, sendo o corpo do trabalho constituído por cerca de 31 876 palavras, excluindo resumo, abstract, índices, referências bibliográficas e anexo.

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3 RESUMO

O planeamento e gestão das cidades apresentaram desde sempre diversos desafios, nomeadamente relativo à questão habitacional, adequada às necessidades da população, quer seja em termos de procura e oferta, níveis de qualidade e preços praticados. Neste sentido, vários estudos têm sido desenvolvidos de forma a garantir que são respondidas necessidades como a carência no acesso a habitação, os preços praticados, as tipologias ou localização disponíveis.

A questão das falhas no mercado habitacional tem maior impacto nas grandes cidades, onde a população atinge números mais elevados e onde se evidenciam as necessidades, carências e expectativas de todos aqueles que nela vivem, desde o público geral aos governantes, políticos, investidores, entre outros.

Na Europa, especialmente nas grandes capitais e cidades, esta problemática tem vindo a acentuar-se, quer seja pela pressão sobre o uso do solo e consequente falta de solo disponível sobretudo nos centros históricos, ou pelos elevados fluxos de população que vivem nestas cidades e que a elas afluem no sentido de procurar melhores condições de vida.

Particularmente, neste trabalho, incide-se sobre a cidade de Londres, reflectindo-se sobre a problemática em causa e abordando algumas das soluções e medidas que têm sido desenvolvidas, bem como noutras cidades europeias, tais Paris e Berlim. Assim, abordar-se-á algumas ideias, conceitos e propostas que têm sido desenvolvidas, desde propostas de regeneração urbana de partes da cidade, criação de novos empreendimentos, reabilitação de edificado existente, desenvolvimento de conceitos tais como o co-housing ou outros, que visam a criação de formas de habitar a cidade. Sendo abordados três casos de estudo, a reabilitação do edifício Great Arthur House, no Bairro de Golden Lane; a proposta de regeneração do bairro de Marlowe Road Estate; e a proposta para o empreendimento de Battersea Power Station.

Palavras-chave: Habitação, falta de habitação, habitação acessível, grandes cidades, Londres, fluxo populacional, arrendamento, aquisição, reabilitação, regeneração, novos empreendimentos.

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4 ABSTRACT

The planning and management of cities has had challenges since always, especially in terms of housing, which is still one of the greatest questions nowadays, in particular the lack of housing and how the population have their needs and expectations matched, considering that there are different sectors on the housing market and different conditions regarding the housing access and affordability.

Housing is one of the greatest human needs, and throughout the time several studies and proposals have been developed in order to deliver and answer the needs of our cities and in particular the population. However, there are still questions that need to be answered such as the market prices, the population’s needs and the available house types and the location regarding work, commercial and cultural areas.

The lack housing has a great impact on several cities across the world, in particular in Europe, considering the historic city centers and the market pressure on these areas with high prices being applied. In order to answer these questions and deliver more housing, several ideas and different concepts have been developed and proposed in a few cities, such as Paris and Berlin, which will be briefly presented in this text in order to bring more ideas to the current discussion and in particular to the London reality. A few case studies proposed for London will be presented, such as the rehabilitation of the Great Arthur House building, on the Golden Lane Estate, the regeneration of the Marlowe Road Estate and the development of the Battersea Power Station, in order to understand what has been done and the impact that each of them have in the city and how it answers the housing market, in terms of affordability, renting or property acquisition, and the population needs.

Key-words: Housing, lack of housing, affordable housing, great cities, London, population flow, rent and acquisition, rehabilitation, regeneration, new developments.

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5 Aos meus pais, mana, avós e Tiago.

(6)

6 ÍNDICE DE FIGURAS

Figuras 1: Fotografia aérea do complexo habitacional de Spreefeld, do grupo Baugruppe.………….……….

Figuras 2, 3, 4 e 5: Fotografias do complexo habitacional de Spreefeld, do grupo Baugruppe……….………

Figuras 6: Diagrama de funcionamento e distribuição das áreas comuns do complexo de

Spreefeld……….…..…

Figuras 7, 8, 9 e 10: Imagens do projecto de “casas parasitas”, gabinete Stéphane Malka

Architecture…….……….………...….

Figura 11: Mapa de Londres e da destruição causada pelo Incêndio de 1666……….……

Figura 12: Mapa do plano da reconstrução de Londres após o Grande Incêndio de 1666………. Figura 13: Primeiro levantamento cartográfico da cidade de Londres, realizado em 1676

por John Ogilby e William Morgan………..

Figura 14: Pessoas a falar à porta de uma casa de condenados………

Figura 15: Fotografia no Parque de Clapham Common ………

Figura 16: Colocação de anúncios de rua……….

Figura 17: Vendedor de rua……….

Figura 18: Mulher pobre sentada na rua………

Figura 19: Motorista de carruagem………

Figura 20: Criança e adultos sentados no pub……….……

Figura 21: Criança a trabalhar como engraxador de sapatos na rua……….

Figura 22: Mapa dos concelhos de Londres em 1895……….…...

Figura 23: Mapa relativo aos níveis de pobreza em Londres (Booth's London Poverty Map)

de 1889 a 1903, por Charles Booth……….

Figura 24: Mapa do Metro de Londres de 1908……….…..

Figura 25: Mapa do Metro de Londres desenhado por Harry Beck em 1931……….……

Figura 26: O plano Abercrombie após a II Guerra Mundial………...

Figura 27: Mapa com a área reservada a zona verde, designada como “Green Belt”……….. 22 29 31 33 33 33 34 34 34 34 38 35 44 47 45 33 48 22 23 24 27

(7)

7

Figura 28: Mapa que mostra a localização de todas as bombas lançadas sobre Londres

durante os Blitz, na II Guerra Mundial……….

Figura 29: Mapa com a área metropolitana de Londres, os limites das várias regiões e o limite de área

verde no perímetro da área metropolitana………..……

Figura 30: Mapa com os vários concelhos que formam a área metropolitana de Londres

na actualidade………

Figura 31: Mapa regional com localização do Crossrail………..………

Figura 32: Esquema da nova linha Crossrail……….……

Figura 33: Estimativa Populacional em meio do ano 2014………..

Figura 34: População estimada no Reino Unido no período de 1971 a 2014……….

Figura 35: População estimada em Inglaterra no período entre 1971 e 2014……….

Figura 36: Número total de movimentações entre concelhos/ autoridades locais entre Inglaterra

e o País de Gales, entre o período de Junho 2012 e Junho 2014………

Figura 37: Mapa com representação da diversidade étnica de Londres………

Figura 38: Mapa que mostra a distribuição das línguas mais faladas nas várias zonas de Londres……

Figura 39: Gráfico com os valores referentes ao registo nos serviços sociais ………..…….

Figura 40: Gráfico com os valores referentes ao registo nos serviços sociais………

Figura 41: Gráfico com valores referentes ao registo para número social, por país de origem e para

Londres nos anos de 2014-2015………..

Figura 42: Gráfico com dados referentes à imigração de comunidades do Sul da Europa,

com número acentuado após a crise económica de 2008……….……….………

Figura 43: Média anual da migração líquida no Reino Unido, de 1911 a 2011………

Figura 44: Tabela com preço relativo da habitação por regiões, de 1994-2004………..….

Figura 45: Mapa representativo da mudança no fluxo de população por área entre 2001-2011…….…

Figura 46: Preços das habitações em Londres e Inglaterra, entre 1999 e 2006……….……… 50 55 56 57 57 66 67 69 69 71 72 73 72 73 77 75 78 67 70

(8)

8

Figura 47: Os custos da habitação conforme o arrendamento no mercado privado

público ou a aquisição, entre 1996 e 2005………..……

Figura 48: População prevista e histórica de Londres entre 1801 a 2031………..……

Figura 49: Gráficos com o impacto e resultado da política do “Right to Buy”, no que diz respeito à privatização das propriedades e promoção da aquisição de propriedade………..………… Figura 50: Esquema com conceito de habitação modular desenvolvido pelo gabinete Stride

Treglown……….………....…

Figura 51: Imagens 3D da proposta de casas flutuantes no rio Tamisa

proposto pelo gabinete Baca...

Figura 52 e 53: Imagens do projecto de “Container City”……….

Figuras 54: Planta de piso tipo do edifício da Great Arthur House………. Figura 55: A proposta ganha por Chamberlin, Powell & Bon’s……….

Figura 56: Fotografia do edifício em estudo.………. Figuras 57 e 58: Imagens do revestimento de fachada a ser substituído………

Figura 59: Cortes estruturais do sistema de fachada existente e porposto.……….……….….

Figura 60: Sistema de fachada existente e proposto……….………..….….

Figura 61: Maquete da nova fachada……….……….….

Figura 62: Imagem 3D da proposta do plano geral do bairro. ………..……...

Figura 63 e 64: Imagens computorizadas de ambientes de rua propostos………..

Figura 65: Alçados e composições de fachada propostas. ……….……….

Figura 66: Imagens da maquete da proposta………..

Figura 67: Construção do edifício da Battersea Power Station……….

Figura 68: Construção de uma das torres da estação eléctrica………

Figura 69: Vista da estação de Battersea a partir do rio………

Figura 70: Imagem do plano geral de Battersea……….

Figura 71: Imagem computorizada do empreendimento e do contexto envolvente………..

Figura 72 e 73: Imagena computorizadas do empreendimento e do contexto envolvente……….. 81 89 99 100 100 103 105 105 106 110 111 112 112 114 115 115 117 116 78 104 106 107 118

(9)

9

Figura 74 e 75: Imagens 3D de ambientes exteriores propostos………...……..

Figura 76: Imagens esquemáticas do plano geral mostrando as fases do empreendimento………... 119

(10)

10 ÍNDICE Resumo………. Abstract……….. Agradecimentos……… Índice de Figuras……….. Índice Geral….………. Introdução……… PARTE I

CAPÍTULO 1 – A PROBLEMÁTICA DA HABITAÇÃO E AS METRÓPOLES

1.1 A Habitação – A sua importância, evolução e contextualização histórica…. 1.2 A falta de habitação – Breve exemplo de algumas cidades europeias

e a sua abordagem ao problema……….……….

CAPÍTULO 2 – A LONDRES ACTUAL E O CRESCIMENTO POPULACIONAL

2.1 História e Contextualização do seu desenvolvimento……….…. 2.2 Análise Geral e Contextualização da cidade de Londres na actualidade…... 2.3 Caracterização político-económica e importância da cidade no contexto

internacional……….………. 2.4 Enquadramento e caracterização de fluxos populacionais e migratórios –

O Impacto no mercado imobiliário……….……...

PARTE II

CAPÍTULO 3 – A PROBLEMÁTICA DA HABITAÇÃO EM LONDRES

3.1 A evolução da cidade e da Habitação – a sua adaptação ao crescimento populacional……… 3.2 A falta de habitação acessível a todos. O conceito de Gentrificação e o

esvaziamento do centro da cidade………. 3.3 Análise e Avaliação do custo do solo/ o custo da habitação.

O arrendamento vs. Aquisição……….……….…. 3 4 5 6 12 16 19 26 52 58 63 77 90 94 10

(11)

11 CAPÍTULO 4 - O PROCESSO DE CRIAÇÃO DE HABITAÇÃO ATRAVÉS DA REGENERAÇÃO E REABILITAÇÃO DE PARTES DA CIDADE

4.1 A transformação de Londres através da criação de empreendimentos de pequena e grande escala – os conceitos de regeneração, reabilitação e reconversão……….….…… 4.2 Estratégias e intervenções para a criação de Habitação……….…….

CAPÍTULO 5 - CASOS DE ESTUDO: O EMPREENDIMENTO BATTERSEA POWER STATION, A REGENERAÇÃO DE MARLOWE ROAD ESTATE e A REABILITAÇÃO DA GREAT ARTHUR HOUSE

5.1 Caracterização dos projectos………..….

CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS……….……..…

FONTES E BIBLIOGARFIA……….……

ANEXOS

1. Imagens e tabelas extra……..………..… 2. Questionários - Guião orientador de questionário/ entrevistas a

residentes e respostas recolhidas….……….…….……….………… 96 97 101 123 127 133 142

(12)

12 INTRODUÇÃO

Objecto de Estudo, Enquadramento e Justificação do Tema

A temática da Habitação é um tema recorrente e que tem sido alvo de diversos estudos, sobretudo quando associada ao crescimento e expansão das cidades. As grandes cidades com falhas em termos habitacionais é um problema actual e pertinente, sobretudo quando associado à expansão e desenvolvimento de áreas suburbanas com densidades populacionais bastante acentuadas.

O estudo desta questão tem sido desenvolvido ao longo do tempo e por diferentes autores, com o intuito de reestruturar a cidade e propor novas soluções de organização espacial, de forma a garantir que a cidade seja para todos um espaço habitável e com as condições necessárias à boa qualidade de vida.

Neste contexto, enquadra-se aquele que é o objecto de estudo do presente trabalho, de perceber a realidade da cidade de Londres, o problema actual existente relativo à habitação e que tipo de soluções tem sido propostas. Deste modo, serão abordados três exemplos de intervenção no espaço da cidade, a acção de renovação do complexo existente da Battersea Power Station em Londres, o processo de regeneração do bairro comunitário Marlowe Road Estate e a reabilitação do edifício Great Arthur House, de forma a perceber como respondem à questão em causa; serão ainda abordados alguns exemplos habitacionais praticados noutras cidades europeias com Berlim e Paris.

Na actualidade, a cidade de Londres enfrenta o desafio de dar resposta a uma população de, aproximadamente, 8 milhões de residentes e de 13 milhões de pessoas que diariamente se deslocam na cidade, sendo este um desafio para as entidades governamentais, no sentido de encontrar as melhores soluções em termos de planeamento e gestão, para criação do número necessário de unidades habitacionais. Assim, no decorrer dos últimos anos, várias medidas têm sido propostas, sendo abordadas algumas delas de forma a compreender o impacto que têm na cidade e na população.

De referir, que a escolha deste tema é o resultado do interesse pelo estudo da evolução do espaço da cidade no geral, e como a mesma poderá ser organizada no sentido de dar resposta às necessidades da população e aos desafios colocados ao longo do tempo; bem como da experiência e vivência pessoal da cidade de Londres.

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13 Objectivos e questões de Trabalho

Como referido, o objecto de estudo deste trabalho é o de perceber a realidade da cidade de Londres, o problema actual existente relativo às falhas na habitação e que tipo de soluções tem sido propostas.

Assim, procurar-se-á analisar e responder as seguintes questões:

- Perceber algumas das soluções apresentadas, nomeadamente em outras grandes cidades europeias e a sua contribuição para o caso de estudo de Londres;

- Perceber como Londres tem respondido ao problema e compreender que tipo de respostas têm sido desenvolvidas para criar mais unidades habitacionais na cidade;

- Perceber os diferentes tipos de intervenção, de pequena, média e grande escala, como cada solução contribui para a questão em causa e qual o melhor tipo de intervenção;

- Abordar os projectos do empreendimento de Battersea Power Station, o processo de regeneração do bairro comunitário Marlowe Road Estate e a reabilitação do edifício Great Arthur House, e perceber como estes irão contribuir para o aumento de unidades habitacionais, quais as vantagens e mais-valias trarão para a população e o seu papel na vivência e organização da cidade.

Metodologia Proposta:

No sentido de procurar respostas aos objectivos estabelecidos, pretende-se desenvolver este estudo com base ao recurso e análise a referências teóricas e bibliografia que permitam o suporte e o desenvolvimento do corpo do trabalho; serão abordados conceitos fundamentais que permitiram contextualizar o estudo, tais como fluxos demográficos, habitação, esvaziamento do centro da cidade, reabilitação, regeneração e reconversão; analisar e comparar, de forma geral, com outros casos de estudo – Berlim e Paris, e analisar as soluções abordadas; pesquisar as bases bibliográficas sobre a cidade de Londres, nomeadamente sobre o desenvolvimento e expansão da cidade e como a questão da habitação foi abordada ao longo dos anos; analisar as propostas que têm sido implementadas pelos privados e pelas entidades públicas e governamentais; efectuar breve análise do mercado imobiliário, no sentido de perceber os preços praticados e a oferta de habitação disponível, bem como as áreas com maior procura; efectuar breve estudo demográfico, com base na informação

(14)

14 disponível ao nível dos census e recenseamento populacional; e realizar uma abordagem a elementos da população in situ, com a realização de conversas informais a fim de perceber expectativas, dificuldades e possibilidades para solucionar os desafios relativos à habitação.

Como elemento principal do estudo, destaca-se a análise urbanística e arquitectónica dos casos de estudo da Battersea Power Station, do processo de regeneração do bairro comunitário Marlowe Road Estate e da reabilitação do edifício Great Arthur House, a fim de perceber as motivações, estratégias e soluções apresentadas. Os referidos projectos foram selecionados devido às suas diferentes estratégias e conceitos de intervenção; ao número de unidades que oferecem; à população a que se destinam; e ao impacto que têm na cidade, sendo dois dos projectos de carácter local e de bairro e o terceiro um marco e símbolo da cidade, redefinindo a organização e imagem da zona da cidade em que se insere.

Assim, procurar-se-á reflectir sobre as soluções e estratégias que estão a ser abordadas, nomeadamente a regeneração, reabilitação e/ou reconversão de partes da cidade, e analisar os impactos que estas intervenções têm na organização e vivência da cidade; nas condições que a mesma oferece à população; e como a cidade se está a adaptar ao fluxo populacional e as respostas que oferece.

Estrutura e Organização do Trabalho:

A presente dissertação inicia-se com um texto introdutório e organiza-se em duas partes distintas, a primeira de contextualização do trabalho, e a segunda parte de desenvolvimento e análise do tema em causa, a falta de habitação em Londres, incidindo na análise de três casos de estudo, no sentido de perceber que estratégias têm sido seguidas e como estas têm respondido à problemática.

A primeira parte é organizada num primeiro capítulo de contextualização, de definição de conceitos e de introdução ao objecto de estudo com a análise geral algumas intervenções nas cidades de Berlim e Paris; e incidindo sobre a cidade de Londres, o seu contexto histórico e actual, bem como uma breve caracterização populacional e de fluxos demográficos.

Assim, no segundo capítulo da primeira parte será feita uma análise e contextualização de Londres, de como a cidade se desenvolveu ao longo do tempo, a

(15)

15 importância e papel que representa em termos económico-financeiros na actualidade, o enquadramento da população e a caracterização do fluxo populacional.

Neste capítulo pretende-se efectuar uma análise e caracterização da cidade, da sua importância político-económica e qual o seu papel no contexto internacional; perceber como a cidade se desenvolveu e expandiu ao longo dos anos, e concretamente como respondeu à questão da habitação em épocas específicas da sua história, nomeadamente durante a Revolução Industrial e após a II Guerra Mundial; efectuar o enquadramento e caracterização da população; perceber e analisar a problemática de falta de habitação na cidade; por fim, pretende-se efectuar uma breve análise ao mercado imobiliário, no sentido de perceber o custo de propriedade e de aquisição de habitação e a relação entre arrendamento vs. aquisição.

A segunda parte da dissertação organiza-se em três capítulos, o primeiro será o desenvolvimento do estudo da falta de habitação em Londres e o impacto que tem na população e na cidade. O segundo capítulo incide sobre conceitos como reabilitação, regeneração e reconversão, e neste caso pretende-se analisar as várias estratégias que têm sido seguidas para criar Habitação, nomeadamente a o estudo e comparação de intervenções que visam a criação de empreendimentos de raiz em oposição a intervenções que visam a reutilização e reconversão de edificado existente.

Por fim, no último capítulo desta segunda parte, pretende-se apresentar e analisar os três casos de estudo: o projecto de desenvolvimento da estação de Battersea, o processo de regeneração do bairro comunitário Marlowe Road Estate e a reabilitação do edifício Great Arthur House, no sentido de reflectir como estes respondem à falta de habitação, que soluções trazem e qual apresenta ser a melhor solução.

Com a análise destes casos de estudo, pretende-se perceber que intervenções são opções viáveis para a resposta à problemática, e como devem estas operações serem abordadas no sentido de futuras intervenções. Pretende-se perceber que tipo empreendimentos são estes, quais foram as preocupações iniciais dos projectos, o impacto que têm na cidade, as unidades e tipologias habitacionais que irão oferecer, o público-alvo/ população que será abrangida, e que tipo de respostas concederão à problemática.

Por fim, serão apresentadas a conclusão e considerações finais, refletindo a análise do trabalho desenvolvido.

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16 PARTE I

CAPÍTULO 1 – A PROBLEMÁTICA DA HABITAÇÃO E AS METRÓPOLES

1.1 A Habitação – A sua importância, evolução e contextualização histórica

A Habitação é uma das necessidades básicas do ser humano e foi desde sempre uma preocupação quer seja em termos individuais ou da sociedade no geral.

A cidade europeia teve uma reestruturação importante no séc. XIX, exemplos disso são Londres, Paris e Berlim, em que as autoridades políticas e governamentais da época procuraram impedir o acontecimento de revoluções e organizaram a cidade de forma a mostrar a sua grandiosidade como símbolo do imperialismo e respondendo, a questões tais como o crescimento populacional. Em Berlim, os conselheiros do urbanismo James Hobrecht e Martin Wagner nos finais do séc. XIX e início do séc. XX, planearam e coordenaram a realização de construção residencial, e organizaram o trânsito e a infra-estrutura restante. Nos períodos de 1880 a 1900, a população de Paris cresceu de 2,2 milhões para 3 milhões, em Londres passou de 3,8 milhões para 7,2 milhões e em Berlim de 1,8 milhões para 3,4 milhões. (GEGNER,2006:754-766)1 A habitação nas grandes cidades europeias foi evoluindo conforme a evolução da sociedade e dos modos de vida. Conforme a alteração dos papéis sociais, por exemplo da Mulher e das funções que esta passou a assumir na sociedade, mas também devido às alterações introduzidas pela industrialização. Desta forma, a habitação deixou de ter o carácter rural que tinha anteriormente, desenhada à medida da vida doméstica e da habitação como o centro da vida quotidiana. (TRAMONTANO, 1997)2

Assim, a história e tipologia da habitação coincide com as diferentes rotinas de vida adoptadas conforme as transformações económicas, culturais e sociais. A concentração da população em pólos industriais e a introdução de valores sociais e económicos diferentes, fez com que a própria estrutura familiar e doméstica se alterasse, transformando os papéis dos elementos do agregado e consequentemente a organização e estrutura da habitação – como espelho da vida pessoal e familiar.

1

GEGNER, Martin. “A decandência da cidade europeia: tendência social ou repetição de uma figura retórica?”. Sociedade e Estado, Brasília, v.21, p.753-770, set./ dez. 2006)

2

TRAMONTANO, Marcelo. Habitações, metrópoles e modos de vida. Por uma reflexão sobre o espaço doméstico contemporâneo. 3º Prémio Jovens Arquitectos, categoria “Ensaio Crítico”. São Paulo: Instituto dos Arquitectos do Brasil/ Museu da Casa Brasileira, 1997. 210mm x 297mm. 10 p.ilustr. Disponível em: http://www.nomads.usp.br/site/livraria/livraria.html

(17)

17 Estas transformações aconteceram, sobretudo, nos séculos XVIII e XIX, aquando das transformações da produção artesanal para a produção industrial. Posteriormente, já no séc. XX e após a II Guerra Mundial, foram introduzidos novos valores e conceitos na sociedade europeia, tendo sido adoptado a cultura norte-americana com um novo referencial de costumes, que se transpôs para a forma de habitar. Em Paris tem-se verificado o chamado efeito “doughnut”, que traduz um diminuição da densidade populacional no centro da cidade, e consequentemente o aumento de população na periferia. No entanto, verifica-se que parte da população é composta por jovens profissionais, solteiros, que preferem arrendar alojamento na zona central da cidade, com áreas bastante reduzidas, mas ainda assim perto das principais áreas comerciais, culturais e de lazer e de serviços, e com fácil e rápido acesso de transporte. (TRAMONTANO, 1997)3

A cidade de Paris recebe anualmente entre 16 e 18 milhões de turistas, rivalizando com Londres. O alojamento é um problema para quem habita na cidade, sendo que apenas 4% dos habitantes estão satisfeitos com a oferta de imóveis na cidade. De acordo com pesquisas do centro de estatísticas da União Europeia (Eurostat), apenas 33% dos parisienses possuem casa própria e a alta demanda por habitação tem obrigado os governantes a focarem-se em várias soluções. Em 2010, a cidade passou a limitar por lei o arrendamento de residências para turistas por um período inferior a um ano, o que atingiu um mercado de 1,3 milhões de residências. Em Julho de 2014, uma nova medida legal iniciada pela Câmara de Paris, obriga proprietários a administradores de imóveis comerciais a cederem e transformarem espaços antes destinados a escritórios e transformar para futuros ocupantes residenciais. As multas para espaços não alugados ou colocados no mercado serão de 20% do valor da propriedade no primeiro ano, 30% no segundo ano e 40% no terceiro. As novas medidas e legislação tem fortes opositores em alguns grupos políticos franceses, os quais consideram que a transformação dos imóveis comerciais podem ser até 25% mais caro do que construir de raiz. Actualmente cerca de 7% dos 18 milhões de metros quadrados dos imóveis comerciais de Paris estão vagos e a cidade planeia para os próximos anos, libertar cerca de 200 000 metros quadrados para habitação social. Segundo o vice-presidente da Habitação e Alojamento de Paris, criar 10.000 novos residências por ano na cidade, é uma forma de a cidade se tornar competitiva com outras grandes cidades como Londres, Berlim ou Nova Iorque. Na revisão de

3

TRAMONTANO, Marcelo. Habitações, metrópoles e modos de vida. Por uma reflexão sobre o espaço doméstico contemporâneo. 3º Prémio Jovens Arquitectos, categoria “Ensaio Crítico”. São Paulo: Instituto dos Arquitectos do Brasil/ Museu da Casa Brasileira, 1997. 210mm x 297mm. 10. Disponível em: http://www.nomads.usp.br/site/livraria/livraria.html

(18)

18 PDM feita até final de 2015, uma das preocupações foi melhorar a densidade, de forma a aproveitar mais o restante espaço. Com este objectivo, a cidade viu ser feita uma revisão à política de estacionamento, sendo que em áreas destinadas apenas ao estacionamento automóvel, passou a ser possível construir 2000 novas unidades habitacionais. Assim será incentivado a utilização de outros meios de acesso, que não o transporte automóvel privado, sendo promovida a construção.4

De referir, que as cidades europeias estão a mudar, sendo que vários profissionais estão a mudar-se para os bairros centrais e por sua vez, grupos como os imigrantes no geral reúnem-se em comunidades fechadas em enclaves suburbano, o que resulta em segregação social, desequilíbrios sociais e aumento de violência. Com base nestes indicadores, a cidade que mais sofreu o aumento da segregação foi Madrid, devido sobretudo à falta de habitação a preços acessíveis, o que fez com que parte da camada jovem da população continuasse a residir com os pais. Também em Paris, a segregação social tem sido notória, tendo-se registado significantes acontecimentos como os riots de 2005, os quais foram considerados como protesto contra a desigualdade e a crescente segregação da população em muito devido às suas condições sociais e às condições que lhes são disponibilizadas.

Segundo vários estudos e com base na experiência social diária, outro factor que veio afectar o problema da habitação nas cidades europeias, foi a crise económica de 2008, a qual veio aumentar a divisão nas cidades e provocar maior desigualdade entre a população e no acesso à aquisição ou arrendamento de habitação. Para além disso a crise económica veio colocar pressão também no orçamento dos governos, de forma a condicionar taxas de juro e outros índices, o que passou a condicionar a aquisição por parte de novos proprietários, mas também trouxe desafios na oferta da habitação a preços acessíveis.

De forma geral, entende-se que a habitação está imediatamente ligada à população e vice-versa, marcando um ritmo social e económico, e que se deverá traduzir nas estratégias de habitação e políticas da cidade, existindo assim a necessidade de melhor perceber as consequências sociais e económicas do mercado habitacional. (IFHP, 2015)5

4

LAMAS, Julio. “Paris contra o déficit de habitação”. Planeta Sustentável. 04/08/2014. http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/urbanidades/paris-contra-o-deficit-de-habitacao/

5

“The road to finding affordable housing solutions”. Ifhp.

(19)

19 1.2 A falta de habitação – Breve exemplo de algumas cidades europeias e a sua

abordagem ao problema

O agrupamento em sociedade e a criação de cidades surgiu da necessidade de albergar uma determinada população de forma segura e estável, gerando igualmente outro tipo de actividades, como comércio, indústria e serviços, e outras actividades económicas de apoio à sobrevivência humana.

O processo e desenvolvimento da Revolução Industrial trouxe como consequência o crescimento e expansão das cidades, sendo a Inglaterra o primeiro país onde se verificou este desenvolvimento, e Londres sido a primeira cidade a atingir 1 milhão de habitantes em 1800, seguindo-se Paris com cerca de 500 000 habitantes. (Vários autores, 2013:31)6

Na história das cidades, muito há para dizer acerca da forma como estas se desenvolveram, como se expandiram a partir de núcleos centrais e as diferentes zonas que as compõem. Sobretudo no Continente Europeu, as cidades desenvolveram-se de forma muito própria e de certa forma semelhante entre si, nomeadamente as grandes metrópoles europeias. Com uma base histórica idêntica, as cidades de Londres, Paris e Berlim, desenvolveram-se ao longo dos séculos com forte presença do império romano, influência da época medieval, a marca das várias revoluções que marcaram este território, tais como a Revolução Industrial, a Revolução Francesa, as guerras mundiais e outros acontecimentos sociais e culturais, tendo o território das cidades sido moldado por várias fases da História.

Estas metrópoles continuam até hoje sujeitas a uma enorme transformação sendo o reflexo dos acontecimentos que ocorreram no continente europeu e também no contexto mundial. A migração populacional, o contexto e desenvolvimento económico, e a evolução das tecnologias de informação e de transportes, trazem forte transformação ao território das cidades. A pressão sobre o território e o seu uso aumenta exponencialmente, e com isso aumenta o valor do preço do solo, o que afecta fortemente as políticas de ordenamento e (re) organização da cidade.

No contexto actual de grandes cidades, como Londres, existem problemáticas semelhantes às do passado, e a procura de respostas a estas situações continua a ser um desafio.

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EXENBERGER, Andreas; STROBL, Philipp; BISCHOF, Günter; MOKHIBER, James. “Globalization and the City - Two Connected Phenomena in Past and Present”. Universität Innsbruck. 2013.

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20 A falta de habitação adequada a toda a população continua a ser um grave problema e a procura de soluções é uma tendência que se tem acentuado na realidade de Londres. Muitas têm sido as políticas e medidas tomadas, e muito tem sido feito de forma a criar mais unidades de alojamento na capital inglesa, observando-se a cada dia o surgimento de novos empreendimentos e projectos.

Contudo, a população continua a sofrer com a falta de alojamento a preços acessíveis, sendo que a ocupação do edificado nem sempre é feito da melhor forma, verificando-se que as condições de adaptabilidade estão muitas vezes em causa, por exemplo devido à sobrelotação dos espaços. Outra questão pertinente é a falta de habitação acessível à maioria da população, ou seja, a considerada classe média e trabalhadora. A cidade de Londres, especialmente nas coroas centrais, tem ao dispor unidades residenciais, contudo estas destinam-se sobretudo ao sector médio/ alto ou de luxo, o que restringe o acesso a uma grande parte da população. Esta questão reflecte aquela que tem sido também uma forte preocupação na actualidade londrina, e que se prende com os preços demasiado altos da habitação na cidade.

Estas problemáticas da cidade de Londres são também realidade de outras grandes cidades europeias. Por isso, torna-se interessante observar resumidamente os contextos de Berlim e Paris, e perceber como foi abordada a questão da habitação, nomeadamente com a criação de algumas propostas implementadas.

No caso de Berlim, é de salientar as medidas e estratégias de co-habitação que têm vindo a ser desenvolvidas no sentido de colmatar a lacuna da habitação e a reduzida oferta de habitação a preços acessíveis. Este conceito de co-habitação baseia-se na criação de comunidades que lideram os seus próprios projectos como alternativa à tradicional habitação social. Com base neste princípio, têm sido igualmente criados vários grupos em distintas cidades, como Barcelona e Amesterdão. Em Berlim foi criado o grupo the Baugruppe, um grupo de pessoas que formam uma cooperativa e cujas preocupações passam pelo design, as finanças, bem como a construção de um ou vários edifícios de habitação, este modelo tornou-se muito popular em Berlim, sendo que em 1000 edifícios e grupos de co-housing têm sido desenvolvidos nos últimos 40 anos. (PEBORDE, 2016)7

Em Berlim, e até muito recentemente, a disponilidade e possibilidade de aquisição de propriedade com o intuito de construir habitação permitiu experimentar novas formas

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“Michael LaFond – Co-Housing in Europe #3: The Case of Berlin”, Ines Peborde, 20 May 2016. Berlin. https://citiesintransition.eu/interview/co-housing-3-the-case-of-berlin

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21 de habitação. Devido a acontecimentos passados, a cidade apresenta ainda na actualidade diversos aspectos a trabalhar e desafios que têm sido abordados, sendo a habitação um tema fulcral. Assim, e após a destruição do muro de Berlim, várias comunidades auto-organizadas tomaram parcelas de terreno desocupado, bem como antigos edifícios, e formaram cooperativas de habitação, comunidades de estudantes e outras que passaram a co-habitar. Estas experiências fizeram com que surgissem projectos alternativos, os quais vieram lançar as bases para a cultura de co-housing e vieram acentuar a tradição das cooperativas de habitação.

Desta forma, em Berlim, cerca de 200 000 apartamentos são parte de cooperativas de habitação, o que representa 10% da oferta de habitação, sendo que estes reforçam o conceito de cooperativas de habitação, que desde a década de 1990 viram reforçado os valores de comunidade, participação e poder de compra.8

Nas últimas décadas o conceito de co-habitação tem vindo a ser desenvolvido, sendo que há cerca de 30 anos atrás o tradicional projecto desenvolvido consistia na construção ou renovação de edifícios com 30 ou 40 apartamentos, servindo um total de 50 pessoas. Contudo, nos últimos 5 anos, registou-se o desenvolvimento de projectos maiores, o que em muito de deveu à crescente vaga de profissionais a trabalhar nestas cooperativas, os quais têm uma visão própria e entendimento de como explorar novas formas de participação e de desenvolvimento de novos projectos. Um bom exemplo do trabalho que tem sido desenvolvido é o complexo Spreefeld, um projecto de Baugruppe que tem 64 apartamentos, localizado no centro de Berlim e permite criar várias oportunidades de auto-organização, vida em comunidade, ecologia, entre outros, sendo não só um local agradável para viver, mas que faz a integração da comunidade através de actividades como a jardinagem, trabalho em comunidade, co-working, entre outras.

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Fig. 1 – Fotografia áerea do complexo Spreefeld.

https://citiesintransition.eu/interview/co-housing-3-the-case-of-berlin

http://www.archdaily.com/587590/coop-housing-project-at-the-river-spreefeld-carpaneto-architekten-fatkoehl-architekten-bararchitekten/54b733c0e58ecee5db000029-detail

Fig. 2 e 3 – Imagens do complexo Spreefeld.

Fonte: https://citiesintransition.eu/interview/co-housing-3-the-case-of-berlin

Fig. 4 e 5 – Imagens do complexo Spreefeld.

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Fig. 6 – Diagrama de funcionamento e distribuição das áreas comuns no complexo Spreefeld. Fonte: https://citiesintransition.eu/interview/co-housing-3-the-case-of-berlin

Assim, por co-habitação entende-se as comunidades auto-organizadas, orientadas para a comunidade e que criam formas de habitação sustentável. Não só em Berlim, mas por todo o mundo, este conceito tem tido bastante popularidade e é representativo da diversidade regional e cultural da habitação. Com base em princípios de interesse como cooperação e espirito de participação em comunidade, este conceito é aberto à comunidade e motivado pela procura e objectivo de criar habitações baseadas nos aspectos ecológico, económico e social, reflectindo uma forma de ocupação e utilização do espaço. (PEBORDE, 2016)9

No caso de Paris, e como referido também, a falta de habitação tem sido uma preocupação que tem vindo a ser abordada por várias entidades. Desta forma, têm sido implementadas várias soluções para responder a esta lacuna, nomeadamente a construção das designadas “casas parasitas” desenvolvido pelo gabinete Stéphane Malka Architecture e que consiste numa alternativa de habitação para quando não existe área suficiente para construção. Sendo que o problema de algumas cidades é a

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“Michael LaFond – Co-Housing in Europe #3: The Case of Berlin”, Ines Peborde, 20 May 2016. Berlin. https://citiesintransition.eu/interview/co-housing-3-the-case-of-berlin

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24 construção em altura ou a falta de áreas para construção, como referido, esta solução apresenta uma alternativa na criação de unidades residenciais anexas a edifícios existentes, quer seja na cobertura ou empenas, espaços estes que são cedidos pelos proprietários dos edifícios existentes, e que tendo como retorno a realização de obras de reforma nos edifícios, quer seja em tratamento de fachadas e zonas comuns de acesso, como elevadores e escadas de acesso. (ALVES, 2016)10

Fig. 7 e 8 – Imagens de projecto de “casas parasitas” proposto.

Fonte: gabinete Stéphane Malka Architecture. https://www.hometeka.com.br/f5/casas-parasitas-nova-solucao-habitacional-em-paris/

Fig. 9 e 10 – Imagens de projecto de “casas parasitas” proposto.

Fonte: gabinete Stéphane Malka Architecture. https://www.hometeka.com.br/f5/casas-parasitas-nova-solucao-habitacional-em-paris/

Os exemplos acima referidos fazem parte de algumas das soluções em análise e a ser desenvolvidas para responder à problemática da falta de habitação, questão pertinente em várias cidades europeias. Para além da criação de habitação para o mercado privado, observa-se, igualmente que a criação de habitação económica e social é um aspecto importante, no sentido de responder às necessidades de todos os segmentos

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“Casas parasitas: a nova solução habitacional em Paris”. Nadine Alves. 27 Abril 2016. https://www.hometeka.com.br/f5/casas-parasitas-nova-solucao-habitacional-em-paris/

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25 da população, sendo por isso necessário desenvolver soluções que incorporem esta questão. A criação de mais unidades residenciais é uma preocupação crescente, quer seja através do desenvolvimento de novas formas de intervenção ou através da reabilitação e regeneração urbanas.

Nos capítulos seguintes será feita uma breve resenha histórica de Londres, bem como uma caracterização actual da cidade em termos populacionais e da procura e oferta da habitação. Posteriormente, serão abordadas medidas propostas para a resolução do problema de falta de habitação, bem como a apresentação de três diferentes casos de estudo.

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26 CAPÍTULO 2 – A LONDRES ACTUAL E O CRESCIMENTO POPULACIONAL

2.1 História e Contextualização do seu desenvolvimento

A cidade de Londres começou por se definir séculos atrás; desde a época romana que a cidade foi um importante centro de trocas comerciais e gerador de actividade económica. Contudo, foi no período medieval que se deu o grande desenvolvimento de Londres e a sua importância na rota comercial tornou-se notória (BLACK, 2009:10-23,82)11. A cidade assumiu, desde sempre, um carácter de pólo magnético, atraindo população vinda de vilas nos arredores ou do outro lado do mundo, em busca de melhores condições de vida. Londres foi sempre o cenário para quem pretendia uma vida melhor, mais trabalho, mais dinheiro e riqueza. (WHITFIELD, 2006:113)12

Ao longo da sua história e devido à acentuada procura, a cidade deparou-se com problemas de governação e organização, de gestão do espaço e de necessidade de criação de infraestruturas que permitissem a melhoria das condições de vida da população. Assim, as transformações físicas, sociais e culturais que a cidade foi registando ao longo do tempo foram o reflexo da chegada de nova população, resultando da resposta e adaptação da cidade a este crescimento. Ainda durante a época Tudor, antes do Grande Incêndio de 1666, foram implementadas medidas para evitar a expansão da cidade, contendo-a entre as muralhas existentes, como forma de controlar a construção, mas também a pobreza e a doença (WHITFIELD, 2006:13-14)13.

Como é conhecido, existem vários marcos relevantes na história de Londres e que proporcionaram à cidade desenvolver-se tal como hoje a conhecemos, definindo o seu traçado, estilo e vivência.

De forma a perceber como a cidade se expandiu e como respondeu às questões e desafios colocados por esse desenvolvimento será feita uma breve resenha histórica por alguns dos principais períodos na história da cidade, tais como o Grande Incêndio de 1666, a Era Vitoriana, a Revolução Industrial, o século XX e a II Guerra Mundial, com o desenvolvimento de novas zonas e alargamento da área metropolitana de Londres.

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BLACK, Jeremy. London: A History. Carnegie Publishing Ltd, Malta, 2009.

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WHITFIELD, Peter. London – A Life in Maps. British Library Publishing, Itália, 2006

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27 O Grande Incêndio

O grande incêndio de Londres foi um dos eventos mais marcantes na história da cidade, tendo sido um dos momentos de viragem na configuração e espaço da cidade. Tendo começado na madrugada de Domingo de 02 de Setembro de 1666 e durou três dias. O fogo deflagrou na zona de Pudding Lane na zona Norte-Este de London Bridge e rapidamente espalhou-se para Oeste e Norte, pelos telhados e construções de madeira da cidade. Em três dias o fogo ameaçou e consumiu toda a zona central da cidade, fazendo grande parte da população abandonar as suas residências e mover-se para a zona de Whitehall. Como medida para travar o avanço das chamas, o Rei decretou a medida de demolição de várias edificações, contudo não foi possível extinguir o fogo, tendo este causado sobretudo danos materiais, deixando grande parte da cidade a necessitar de reconstrução (INWOOD,1998:241-243)14.

Fig. 11 - Mapa da destruição causada pelo Incêndio de 1666 e a respectiva área destruída.

Fonte:http://www.buzzfeed.com/tomchivers/beautiful-and-weird-maps-that-will-change-how-you-think-a#.lup7wPZGQ

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28 A grande prioridade do governo, após o incêndio, foi prevenir a desordem, ajudar os sem-abrigo e retomar os negócios e gestão da cidade. A cidade foi limpa em quatro dias, tendo sido posteriormente iniciados os planos da sua reconstrução, que vieram adaptar a cidade ao seu papel central de metrópole. Nos planos de reconstrução da cidade foram considerados aspectos como os problemas de congestão de trânsito, a sobrepopulação, e as construções e instalações nas margens do Tamisa, que não apresentavam condições. Um dos primeiros planos propostos foi apresentado por personalidades como Sir Christopher Wren, John Evelyn, Robert Hooke e outros, e propunha o redesenho da cidade, com largas avenidas e grandes praças, representando uma cidade grandiosa. Contudo, este plano racional e contemporâneo não foi escolhido, tendo o Rei e o parlamento concordado que seria de difícil implementação, devido a aspectos financeiros e práticos, uma vez que não garantia o cadastro e direitos das propriedades existentes. Desta forma, foi designada uma comissão de membros desde professores a oficiais, arquitectos e locais, tais como Sir Christopher Wren, Hugh May, Roger Pratt, Robert Hooke, Edward Jerman e Peter Mills, para elaborar o plano dos trabalhos para a reconstrução da cidade. As sugestões tomadas por esta comissão, pelo Rei e parlamento, resultaram na base daquele que foi o primeiro decreto ou legislação criada para regular a intervenção na cidade – 1st Rebuilding Act. (INWOOD,1998:245)15

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Fig. 12 – Mapa do plano da reconstrução de Londres após o Grande Incêndio, tal como proposto por Sir Christopher Wren’s. Fonte:http://www.buzzfeed.com/tomchivers/beautiful-and-weird-maps-that-will-change-how-you-think-a#.lup7wPZGQ

Este decreto foi lançado no sentido de estabelecer princípios para a reconstrução da cidade, tais como economia, desenvolvimento, simplicidade e rapidez. No referido regulamento foram estabelecidos parâmetros como: os de estilos de casa a edificar (que seriam três); a altura e número de pisos (até quatro pisos); e as espessura de paredes. Esta legislação veio, igualmente, simplificar contratos; reduzir desentendimentos entre vizinhos; e permitir que senhorios e/ou inquilinos pudessem reconstruir conforme a sua disponibilidade financeira. Foi, ainda, criado um tribunal específico para regular as acções de reconstrução entre senhorios e inquilinos e foram estabelecidas medidas que beneficiavam e auxiliavam neste processo. Após a produção desta legislação, outros documentos foram criados, como o Act 1667, produzido um ano após o incêndio, com o intuito de garantir o bom fornecimento de materiais para a reconstrução, a preços moderados e por um período de sete anos, podendo ser vitalício para aqueles que trabalhavam na reconstrução da cidade. (INWOOD,1998:245-247)16

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30 Assim, as ruas foram redesenhadas e novos quarteirões definidos; os materiais a usar nos novos edifícios foram também uma novidade, com a introdução da utilização do tijolo e da pedra, tendo a madeira deixado de ser utilizada como material dominante. Desta forma, o incêndio proporcionou o desenvolvimento de uma cidade mais elegante e racional, onde os quarteirões e edifícios seguiam o novo estilo georgiano, as estradas e avenidas passaram a ser mais largas e estruturadas, e foram criadas largas praças e construídos novos monumentos. Com o processo de reconstrução foram lançadas as bases da escala urbana e estrutura de cidade tal como a conhecemos. A reconstrução de Londres foi um empreendimento grandioso e recorreu ao uso de mão-de-obra e de materiais em vasta escala.

Nesta época foi desenvolvida a indústria do tijolo, com o surgimento de fábricas na zona Norte e Este de Londres, sendo que a construção tornou-se a principal actividade da cidade, tornando-se mesmo o motor da economia de Londres, com especial relevância para o trabalho de arquitectos, construtores e senhorios.

Porém e apesar da sua reconstrução, a cidade registou uma perda de população, a qual se moveu para os subúrbios, nomeadamente para a zona Oeste (West End), actualmente a zona de Regent Street, pois os mais carenciados não conseguiam suportar as rendas dos novos edifícios de pedra e tijolo, sendo que os census de 1673 mostram que 3423 casas na cidade estavam desocupadas.

Assim, enquanto a zona central era reconstruída, registou-se uma expansão para os subúrbios nas zonas Norte, Oeste, Este e também Sul, e o crescimento de Londres espalhou-se ao longo de novas vias e acessos.

Com a ocorrência do incêndio e a destruição que este causou, houve a necessidade, pela primeira vez, de fazer o levantamento da cidade, no sentido de identificar estratégias de actuação e reconstrução. Desta forma, foram elaborados os primeiros planos rigorosos e à escala de John Ogilby e William Morgan em 1676, de John Rocque em 1740, e Richard Horwood em 1799 e 1813. (INWOOD,1998:251-257)17

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Fig. 13 – O primeiro levantamento da cidade de Londres, realizado em 1676 por John Ogilby and William Morgan, à escala de 100 pés por polegada.

A Era Vitoriana

A época de governação da Rainha Vitória, entre 1876 e 1901, foi um período marcante e de forte desenvolvimento económico, social e cultural com impacto em todo o país e em particular na cidade de Londres. Esta monarca inglesa foi uma importante personalidade que devido ao seu carácter e valores introduziu transformações profundas na vivência da população e na sociedade inglesa em geral.

Nesta época foram introduzidas importantes transformações nas actividades económicas e laborais, tendo o surgimento da máquina a vapor e do motor sido um factor desencadeante. A construção tornou-se uma das principais actividades da economia de Londres e de todo o país, e veio desencadear a expansão da cidade, juntamente com o desenvolvimento dos meios de transporte, como o caminho-de-ferro e o comboio subterrâneo ou metropolitano, também designado Underground ou Tube. (WHITFIELD,2006:60)18

A expansão da cidade representou um impacto de grande escala, e veio desencadear aquela que foi uma acentuada explosão demográfica, o que por sua vez obrigou que a cidade tivesse que ser pensada e planeada de forma a torna-se sustentável e a dar resposta a toda população que a procurava. Assim a cidade de Londres começou a

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32 ser governada e dirigida como nunca tinha sido anteriormente, não só em termos económicos e sociais, mas também industrial, arquitectónico, moral, político e cultural.

A explosão populacional registou entre 1881 e 1911 um crescimento de 4,5 milhões para 7 milhões de habitantes. Os números relativos à imigração registaram em 1860 um aumento considerável, nomeadamente quanto à população vinda da Irlanda, Escócia e continente europeu. Entre o período de 1800 a 1911 a cidade, particularmente na zona de Westminster, registou um aumento populacional de 1 milhão para 7 milhões. Nesta altura, começaram a fazer-se sentir as consequências da demanda populacional, sobretudo no que referia à sobrelotação dos espaços e às más condições de habitabilidade, à elevada competitividade laboral e aos baixos salários praticados. Devido às más condições de vida e de trabalho da população, a cidade começou a reflectir problemas relacionados com crime, doença, prostituição, desordem e desacatos. (WHITFIELD,2006:106-107)19

Uma das grandes questões colocada na sociedade londrina vitoriana foi como seria possível conciliar e equilibrar a oferta e as oportunidades de forma a abranger todas as camadas sociais, sobretudo a população que vivia em níveis de pobreza elevados. Questões como alcançar a estabilidade social e igualdade, ou o ideal de sociedade cristã, foram estudadas por vários e conhecidas personalidades na época, tendo sido desenvolvidos vários estudos e teorias. Neste sentido, várias estratégias foram desenvolvidas e aplicadas na cidade, com base na filantropia privada e na reforma social, o intuito foi de humanizar a cidade e de trazer medidas de ordem e justiça para equilibrar as desigualdades e reconciliar os cidadãos. (WHITFIELD,2006:107-108)20 Foram, igualmente, melhoradas as vias de comunicação, com a criação de novos eixos rodoviários, os quais visavam reduzir o tráfego automóvel; registou-se a construção da primeira linha de caminho-de-ferro entre London Bridge e Greenwich em 1830, o que veio encurtar a distância entre estas duas partes da cidade de 1 hora para 10 minutos, e criar uma nova zona de subúrbios. Este novo meio de transporte atraiu cerca de 5000 passageiros por dia, e foram construídos terminais de caminhos-de-ferro que permitiram ligar Londres a outras cidades inglesas, tais como a primeira grande estação ferroviária de Euston Station em 1838, que ligava Londres a

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WHITFIELD, Peter. London – A Life in Maps. British Library Publishing, Itália, 2006

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33 Birmingham, e em 1848 a estação de Waterloo que fazia a ligação para Sul, até Southampton. (WHITFIELD,2006:133-135)21

Fig. 14 e 15 – Pessoas a falar à porta de uma casa de condenados; Fotografia no Parque de Clapham Common Fonte: http://gipsy.ninja/35-unique-photos-that-show-the-daily-life-back-in-victorian-london/

Fig. 16 e 17 - Colocação de anúncios de rua; Vendedor de rua.

Fonte: http://gipsy.ninja/35-unique-photos-that-show-the-daily-life-back-in-victorian-london/

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Fig. 18 e 19 – Mulher pobre sentada na rua; Motorista de carruagem.

Fonte: http://gipsy.ninja/35-unique-photos-that-show-the-daily-life-back-in-victorian-london/

Fig 20 e 21 –Criança e adultos sentados no pub; Criança a trabalhar como engraxador de sapatos na rua. Fonte: http://gipsy.ninja/35-unique-photos-that-show-the-daily-life-back-in-victorian-london/

Com o desenvolvimento deste novo meio de comunicação - o caminho-de-ferro, foram criadas novas linhas de ligação da cidade e com isso surgiu a expansão e criação de novos bairros, a partir de vilas existentes, tais como Battersea, Wandsworth e Lewisham na margem sul do rio; e Acton, Holloway, Leyton e Stratford na margem norte. Posteriormente surgiram as áreas de Hayes, Ruislip, Finchley, Edmonton, Romford na margem norte; e Beckenham e Morden na zona sul.

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35 Assim, a criação e expansão da rede de transportes foi fundamental para o desenvolvimento da cidade, pois com esta inovação proporcionou-se a expansão do perímetro da cidade e novas zonas começaram a surgir. Como referido, o desenvolvimento do caminho-de-ferro, iniciado em 1830, juntamente com o metro subterrâneo (Tube ou Underground) datado de 1863, foram uma forte e importante influência na ligação das várias partes da cidade, tendo ainda actualmente um papel fundamental na conexão de diferentes pontos de Londres, sendo um dos meios de transportes preferidos. Esta forma de ligar o território fez questionar os novos limites da cidade e permitiu encurtar distâncias.

Fig. 22 – Mapa dos concelhos de Londres em 1895.

Fonte:http://www.buzzfeed.com/tomchivers/beautiful-and-weird-maps-that-will-change-how-you-think a#.lup7wPZGQ

Para além da expansão dos meios de transportes, um dos grandes desafios foi a construção e melhoria das infraestruturas viárias e vias públicas, bem como a construção de zonas pedonais ribeirinhas – os embankments - isto é aterros que transformaram as margens em novas ruas e zonas pedonais. Esta intervenção nas margens do Tamisa foi realizada entre 1868 e 1874, pelo Eng. Sir. Joseph Bazalgette,

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36 o responsável pela modernização do sistema de esgotos de Londres. (WHITFIELD,2006:155)22

Para além da melhoria da acessibilidade na cidade e entre esta e os arredores, foram também melhoradas as condições de habitabilidade, tendo entidades públicas e investidores privados, tido um papel fundamental na gestão dos problemas relacionados com a habitação, com a demolição dos bairros pobres (“slums”) e na construção de novas habitações e realojamento da população. Foram, igualmente, criadas linhas de abastecimento de água para as zonas residenciais; e foi criado o sistema de esgotos que levava os dejectos para fora da área de Londres, permitindo reduzir a poluição do rio. (WHITFIELD,2006:110)23

A par da expansão da cidade e da criação de novos bairros, nesta época, foram implementadas importantes medidas que vieram a definir a imagem da cidade tal como a conhecemos e o sistema de leasing ou arrendamento das propriedades ainda vigente na actualidade. Assim, aquando da necessidade de criação de novos bairros, muitos aristocratas cederam parte das suas propriedades e iniciaram o arrendamento do solo por vários anos. Contudo, exigiam medidas rigorosas a aplicar à estética dos edifícios e dos arruamentos no sentido de preservar a boa vivência dos espaços, a manter a qualidade e os bons parâmetros da habitabilidade das novas partes de cidade, preservando o próprio investimento. Um dos pontos fortes do sistema de leasehold era que o proprietário da terra era capaz de gerir e controlar os edifícios a construir e os arrendatários por um longo período de tempo, e de assegurar que ambos eram mantidos em altos níveis standard, o que era essencial para o sucesso do negócio que estes se mantivessem espaços desejáveis para viver, e atrair arrendatários capazes da pagar as altas rendas.

Para além das transformações em termos habitacionais e de infraestruturas, foram também introduzidas melhorias em termos de espaço público, com a criação de zonas públicas de importante carácter, como é o caso de Trafalgar Square que foi o primeiro espaço público projectado na cidade e construída por fases, entre 1830 e 1860, e foi a primeira intervenção de Londres em termos de monumento histórico e de comemoração militar e orgulho nacional, e que surgiu como resposta ao Arco do Triunfo em Paris. (WHITFIELD,2006:137)24

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WHITFIELD, Peter. London – A Life in Maps. British Library Publishing, Itália, 2006

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WHITFIELD, idem.

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37 Outra importante criação e legado vitoriano é o conceito de parque, do qual resultou a criação de muitos parques pela cidade, sendo que esta necessidade surgiu do facto de vários reformadores sociais terem pensado que a população, sobretudo dos subúrbios e dos bairros mais pobres, necessitava de zonas de lazer para além dos tradicionais pubs e tabernas. Desta forma, foram criados o Victoria Park em Hackney no norte de Londres, planeado em 1841 e aberto em 1848; e o Battersea Park de 1858, desenhado por Pennethone, composto por 80 hectares aproximadamente, foi transformado de terrenos baldios a zona de convívio, formada por vários campos de cricket. Anos mais tarde, o Battersea Park, veio a tornar-se o centro para ciclistas como circuitos seguros e apropriados para esta actividade. (WHITFIELD,2006:149)25 Com todas as transformações na cidade, esta sofreu uma dramática mudança social, espacial e cultural, e novas actividades económicas e comerciais foram sediadas em Londres, tendo a cidade continuado a desenvolver o seu papel marcante no mercado e mundo dos negócios. Assim, é registado o surgimento do centro financeiro, com serviços como bancos, seguradoras e diferentes ramos de negócios. A cidade passou a ser mais organizada, planeada e de forma geral mais cosmopolita e civilizada, reflexo da conjugação da reforma implementada e do investimento realizado. E com as fortes transformações sociais observadas, a sociedade começou a dividir-se em classes cada vez mais acentuadas pelas diferenças que as distinguiam desde riqueza a saúde.

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Fig. 23 - Mapa da pobreza em Londres (Booth's London Poverty Map), de 1889 a 1903, por Charles Booth. Fonte: ( http://www.bl.uk/romantics-and-victorians/articles/duality-in-robert-louis-stevensons-strange-case-of-dr-jekyll-and-mr-hyde)

No estudo “Life and Labour of the people in London 1889-1903”, Charles Booth revelou o importante documento “The Booth Map – Wealth and Poverty Map”, que reflectia como a população vivia e qual era a classificação e estrutura das classes sociais em Londres. Este estudo veio revelar os níveis de pobreza, e comprovar que mesmo com todos os progressos da era vitoriana, ainda 10% da população (350 000 habitantes em 4 milhões) viviam em condições de extrema pobreza. (WHITFIELD,2006:169)26

Apesar dos custos sociais serem elevados, o desenvolvimento ocorrido durante estes anos trouxe grande inovação à cidade preparando-a para as décadas vindouras e, de certa forma, trouxe a melhoria das condições de vida para parte da população, não só à aristocracia e burguesia, mas também a parte da classe trabalhadora e classe média que começou a deter maior poder de compra e com isso melhor qualidade de vida.

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39 A cidade de Londres, durante a era Vitoriana, adquiriu uma consciência moderna de si mesma, da sua complexidade e do facto de que o crescimento e mudança estarem em todo o lado. Esta consciência foi celebrada pela grande celebração pública que foi a Grande Exposição de 1851. Este evento foi realizado com o objectivo de mostrar Londres ao mundo e demonstrar a centralidade desta metrópole no mundo moderno.

Desta exposição resultou o pavilhão de Crystal Palace, símbolo desta época, que caracterizava-se por ser uma construção em ferro e vidro, foi implantado no Hyde Park e posteriormente movido para Penge, no sul de Londres, tendo desaparecido em 1936 aquando de um incêndio que o destruiu. (WHITFIELD,2006:111,161)27

A época vitoriana foi, como referido anteriormente, um marco fundamental na história da cidade de Londres, e também no seu desenvolvimento, tendo trazido uma evolução sem precedência, não só em termos físicos e de organização da cidade, mas também em termos culturais e de transformação da mentalidade e valores. Esta transformação e desenvolvimento atraíram população e fez com que em duas gerações a densidade populacional aumentasse de 2 para 6 milhões. (WHITFIELD,2006:179)28

Revolução Industrial

A Revolução Industrial (RI), como defendida por vários autores, foi um dos eventos mais marcantes da nossa civilização, e iniciou-se na segunda metade do século XVIII em pleno reinado da Rainha Vitória, com a invenção da máquina a vapor e das máquinas destinadas a processar o algodão. (ENGELS, 2008:45)29

Como defendido por alguns autores, este acontecimento, embora tenha acontecido inicialmente na Grã-Bretanha, esteve relacionado com o acontecimento da Revolução Francesa, nomeadamente como as transformações em termos económicos e sociais.30

As criações do motor e da máquina a vapor vieram transformar o meio laboral e introduzir profundas alterações sociais, nomeadamente na classe burguesa, na designada classe média, e na classe operária e mais carenciada. Assim, este acontecimento caracteriza-se por ter sido a transição do processo de produção

27

WHITFIELD, Peter. London – A Life in Maps. British Library Publishing, Itália, 2006

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WHITFIELD, idem.

29

ENGELS, Friedrich. A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra. Boitempo Editorial. 1ª Edição, São Paulo, 2008.

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Imagem

Fig. 6 – Diagrama de funcionamento e distribuição das áreas comuns no complexo Spreefeld
Fig. 11 - Mapa da destruição causada pelo Incêndio de 1666 e a respectiva área destruída
Fig. 13 – O primeiro levantamento da cidade de Londres, realizado em 1676 por John Ogilby and William Morgan, à  escala de 100 pés por polegada
Fig 20 e 21 –Criança e adultos sentados no pub; Criança a trabalhar como engraxador de sapatos na rua
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Referências

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