ENCHENTES:
ATÉ
QUANDO?
Jornal Laboratório
doCursodeComunicaçãoSocial Outubro 1983- UFSC
I
I
I
(
Como
I
í
reconstruir
I
I
vidas?
COMEÇAR
DE
NOVO
Zero,
paraosjornalistas,
éonúme roexperimental
de uma novapublica
ção. É
nozeroqueasrotinassilo testadas,
queasidéias,
postas emprática,
mostramSeresistem ou não. Manterotttulo
Zero,
nojornal-laboratório
dasdisciplinas
JornalismoGráfico
eTécnt ca deEdição
eIlustração
é manterocaráter de
experiência
que estejornal
efetivamente
tem.Feitocomoqualquer
jornal
queinicia,
construídocomtodaaseriedadee esforçonaoaetxaaeser, a cada
número,
um recomeço. Eesta a idéia que o titulo destejornal
contém. E é por isso que, nestesemestre,
a turma resolveu manter o mesmo
titulo doano
passado.
AS
ÁGUAS
DE JULHONeste número Zero
dedica-se,
comespecial
atenção,
àtragédia
que aindamantém Santa Catarinaumpou co assustada e semfôlego
parafazer
umaavaliação
serena do queaconte ceu. Osprojetos
dereconstrução
ocupam boa partedesta
edição:
épreciso
não apenas
reconstruir,
mas discutir quetipo
de reconstrução deve serfeita.
Entre várias outras matérias sobre o assunto, éimportante
chamara atenção para uma conversa, na
redação
deZero,
comalguns
dosjornalistas
que estiveram no interior,durante as
enchentes,
fazendo
acobertura para os mais diversos veículos de
comunicação.
Estaconver sa serviu como exerctcio de entrevistacom a vantagem de que,
depois,
osentrevistados
(todos repórteres),
fize
ram sua críticaaotrabalho dos alunos
entrevistadores. Esta critica também está at.
OS JORNALlSTAS DA UFSC No inicio desteano
(em fevereiro),
a UFSCformou
suaprimeira
turmadejornalistas.
E os 21recém-formados
parecem desmentir a existência deum mercado de trabalho saturado:
apenas um delesnão está trabalhando
ea maioriaatuanaárea daComunica
ção.
Um destes
formados
é Valmeron Luis deBona,
atualmente
repórter
"A" da Gazeta
Mercantil,
em SIloPaulo.
Valmeron,
com dois outroscolegas
do Curso(Maria
daGraça
SilvaeDoraciEngel),
foi
paraaGazetacomo resultado deum convênioentre
aauela emoresa e a UPSc.
Após
trêsmeses como
"trainee'',
foi
contratado.
-Trabalhar num
jornal
de umagrande
cidade é extremamenterecompensante.
Depois
de passarlongo
tem poouvindofalar
emgentecomoDelfim
Maluf,
Montoro e outros caras quefazem
parte da história de nossopats,
a gente se encontra com eles paraalgum
trabalho e, de repente,seperde
umpouco porque éo cara mes moqueestáali,
nanossafrente
e"eu" souoprofissional
que deveescutá-lo.Além destes três, que estãa em
São
Paulo,
Marcos Scotti também saiu: está emBrasüia,
trabalhandona
Emater,
do Ministério daAgricultu
ra, onde
faz
um programa de rádiopara
orientação
dosagricultores.
Outro que está
longe:
Idro Antonio.Prado Júnior trabalha em
Lima,
noPeru,
naquilo
que semprefoi
o seumaior
interesse,
num dosgrandes
centros de
Documentação
que existenaAméricaLatina.A
grande
maioria está mesmo naCapital. Apesar
dos baixossalários,
sem um
"piso"
profissional,
vamosencontrá-los,
já perfeitamente integra
dos ao ambiente
profissional
nas rádios,
TVseassessorias decomunicação
locais.
Valmeron
afirma
que "o Curso dábastante base para iniciarmos em
qualquer
empresa decomunicação.
Maior
experiência
ouseja,
experiência
como
profissional,
se obtémrapida
mente
quando
seatuanaárea.Oportunidades
surgem. A carga de conhecimentos tida durante o cursoé
grande
eissofacilita
o nossodesempenho
comoprofissionais".
A
SITUA-ÇÁOHOJE
Veja
onde estão os 21jornalistas
formados
pela
UFSCemfevereiro
desteano:
1) Aglair
Maria Bernardo: continuou
estudando,
cursaPôs-Graduação
emCiências
Sociais;
2)Ana
Maria Camboin: TVCatarinense;
3)
Beatriz Porto:Jornal de Santa Catarina;
4)
BentoSilvério: TVCatarinenseeAssembléia
Legislativa; 5)
DoraciEngel:
GazetaMercantil
(SP); 6)
Idro Prado Júnior:Icla(
Peru); 7)
ItamarAguiar:
Jornalde Santa
Catarina; 8)
Jarson Elberto Frank: Secretaria daAdministração;
9)
Joedna Cesâlia da Silva: Correio doPovo,
sucursal deFlorianópolis;
10)
Lúcia Helena Vieira da Silva: Tribunal deJustiça;
11)
ManoelMoacir Werner: Fucat;
12)
MárciaEstela Barentim da Costa: TV
Barriga
Verde·
13)
Márcio Dison da Silva:TV
B�mga
Verde e Correio doPovo;
14)
Marcos Humberto Scotti: Emater(DF);
15)
MariaAparecida
Velloso:Sunab; 16)
Sandra Carla Inácio:Rádio Diário da ManhãAM;·
17)
Valmeron Luis de Bona: Gazeta Mercantil(SP);
18)
Maria daGraça
Silva: GazetaMercantil
(SP)
19)
Maria Goretti de GambaProença:
nãotrabalha;
20)
Vanderlei Luts Rickem: Tribunal
de
Justiça
econtinuaaestudar,
fazen
do o Curso de Direito;
21)
Zenon Vitor Bonassis: Tribunalde Justiça.
Jornal-Laboratóriodo Curso de Cornuni
cação Social
-Jornalismo, daUniversidade Federal de Santa Catarina. Setembro de
1983.Tiragem:2milexemplares. Circulação:
Florianópolis.
DistribuiçãoGratuita.REDAÇÃO:
Alunos das disciplinas:Jor nalismoGráficoeTécnicadeEdição eIlustração, 6a. fase, repórteres, redatores, dia
gramadores, paginadores, arte-finalistas e
fotógrafos:
AdrianaFerreira Freitas, André Vicente da Silva Gouvea, Antoninha Santiago Silva, Antonio Afonso Felipe, Átila Sbruzzi, Cirley Virginia Ribeiro, Edison
Ronchi, Eloi Terezinha Paes, Esdras Pio
Antunes da Luz, Fabíola Souza de Olivei ra, Fernando Lehmukuhl Carneiro, Gio
vanna Kind1ein, Hermes Antonio Luiz da
Silva, Jaime Ambrósio, Jorge Luiz Massa
rolo,Jossane RosimarRistow,LeaniBudde, LourdesMaria Pereira,MariaLuciaSalguei
ro dos Santos, Marístela Amorim, Mirela Maria Vieira, Paulo Roberto Arenhart,
Paulo Silas Cruz Prado, Pedro Fernando de Oliveira, Rita de Cássia Luz Coelho,
Ronaldo dos Anjos, Rosangela TremeI
RosaeSandra Gentil.Hailton Pacheco
Composto e impresso na Imprensa ofi
cial do Estado de Santa Catarina(IOESC),
SacodosLimões,Florianópolis,SC.
2
DESVIO
DE
DONATIVOS.
/
.h.A·
..·.···
.. ·· IÀs
oitoemeia damanhã dequarta-feira,
dia24,
a esposa do vereador"Pitanga"
.Nirdo Artur Luz
-atendiao
telefone,
emPalhoça. Indagada
sobre adistribuição
dedonativos feita porseu
marido,
respondeu
que eleestavanobanho e
pediu
paraligar
maistarde.
Quarenta
e cinco minutosdepois
otelefone toca novamente na casado vereador. "Ele
já
saiu - informouaesposa. O que
deseja?"
Depois
de ouvir aidentificação
disse que todososdonativos
já
tinham sido distribuídos e acrescentou: "Mas... vocêjá
tememprego?"
Esta
ligação
e outra, feita pouco mais tarde para Santo Amaro daImperatriz,
confirmam asdenúncias dodeputado
estadual
Édison Andrino,
doPMDB,
de desvios de donativosàsvítimasdas enchentes. Des vio eaproveitamento,
porpolíticos
do PDS.Na Prefeitura de Santo
Amaro,
cidadeque não teve maiores
problemas
com asenchentes,
aSecretária Marli da Silvaaten diaaIízacãosupostamente vinda dogabine te deumdeputado pedessista. "Aqui
foramdescarregados
105 sacos desapatos
e cercade 400sacosde
roupas",
confirma Marli. Ainda naquarta-feira,
àtarde,
otelefone que tocava na casa do pastorJoão
Dil-.s 1J c: lO rn ., t N " rn
son Oteiro foi atendido por sua esposa.
"Nós
queríamos
confirmar a denúncia deextravio de donativos enviados
pela Igreja
deCampinas,
SãoPaulo",
perguntavaapes soanooutrolado dalinha,
queseidentificoucomosendo deuma
Igreja
de Horíanópolis.
"Quem
fez adenúncia?"quis
saberasenhora. Acertadosos
detalhes,
elaesclarece: "De
fato,
aIgreja
Presbiteriana de Campinas
envioualimentos, remédios,
roupase40cobertores à
Igreja
Presbiteriana de Joaçaba,
em remessanominalpela
Transbrasil. SóQueaté agora nadaapareceu".
_ Imediatamente
após
estaligação
uma ou traerafeita,
agoracom osetorde cargas da Transbrasil. De láo funcionário informava: "Todas asdoações
transportadas
pela
empresa foram entregues sob a
responsabili
dade do então
representante
do governoaqui
nosetor,oSr.Pacheco,
da Casa Ci vil". Procurado várias vezes na CasaCivil,
oSr. Pacheconãofoi encontrado.
E as denúnciasnãoparam aí.Iraí Zílio,
deputado
estadualpeemedebista,
citacida des que receberam donativossemnecessita rem, tais comoÁgua
Doce,BomRetiro eCatanduva. Em
Blumenau, segundo
comentários da
população,
umaIgreja
do BairroGarcia teria estocado acolchoadose cober
tores ,para rifá-los. - Hailton Pacheco
"É
POSSÍVEL
.-PREVER
AS
CHEIAS."
Se aságuas
recomeçarem a subir-como se teme e afirma - Santa Catarina
terá de recorrernovamenteàs
orações
e aoassistencialismo porque os técnicos terão
muito pouco a dizer: "uma verdadeira ditadura de
informações
impede
o acesso aosdados essenciais para analisaroproble
ma dascheias",
denuncia Daniel JoséSilva,
engenheiro
civil,
especialista
emHidrologia
e Recursos Hídricoseprofessor
da única
disciplina
noEstado,
que trata exatamente disso: cheias."Quem
tem osdados não dá e quem não os
têm,
nãoopina",
dizoprofessor
daUFSC.Mas
a dificuldade deobtenção
dosdados não é o único entrave encontrado para se avaliar o
problema
das enchentes queatingiram
o sul. Existem também difi culdades tecnocráticas ouburocráticas,
como comenta oprofessor:
"não existeurna
disposição
porparte
dos técnicosgovernamentais
de aceitar aparticipação
comunitária,
o que éimprescindível
paraque
qualquer
obrapública
seja
perfeita
mente viável e satisfatória". Ele entende
que uma
solução
parao drama acarretadopelas
cheias não surtiráefeitoalgum,
nemserá
compreendido
pelo
conjunto
das comunidadesatingidas,
sem que se conte com a suaparticipação,
além dos represen tantespolíticos
e dos técnicos habilitadosparaisso..
Criticando o
fato,
comum noBrasil,
de se começar
qualquer
obra deengenharia
sem o estudo de um
projeto
-dragagens
sem
projetos
dedragagens,
uma nova foz para o RioItajaí
sem estudos de geomorfologia
e assim por diante-o
especialista
afirma anecessidade de se fazeruma
polí
tica decondução
daprodução
técnica. Ele lembra que se acomunidade nãopar-ticipa
dosprojetos,
ela nãocolabora,
e aparticipação
éasaídapolítica.
Acontece que Daniel Silvanãose atém apenas a avaliare criticar o que está sendo
feito como
solução
para oproblema
dasenchentes no setor técnico-burocrático.
Que
tipo
de trabalho sepoderia
fazer para urnasolução
maisdiretaeeficaz?PLANOPILOTO
O
próprio professor,
juntamente
com umaequipe
-que inclui estudantes- está
elaborando um
projeto
denominado "Cam pusAproximado
da cidade de Rio doSul". Esteprojeto
consiste numplano-piloto
decontrole
emergencial
das enchentescom oauxílio da comunidade. "Nós
pretendemos,
inicialmente,
ensinar opessoal
a verificare prevero nível de subida da
água
dosrios,o que
pode
serfeitonumposté
deluzqual
quer. Assim opessoal pode
se preparar antesdainundação."
"Seriacomo o
Campus Avançado
de Sano.-tarém,
só queaqui
emSC",
explica.
Issopermitiria
que a Universidade colocassetodo seu
potencial
técnico aserviço
dapopulação,
não só na área deEngenharia,
mas em todas as outras
áreas
que fossenecessáriauma
colaboração.
Elaborar,
discutire executaresseplano
piloto,
semprejunto
com acomunidade-faz
questão
de reafirmar -,visando aumametodologia apropriada
eregional
quediminua sensivelmente os danos ao meio ambiente e aos meios de
produção
é oobjetivo
básico doprojeto.
ParaDaniel,
ainexistência de
metodologias apropriadas
nas
agências governamentais
provoca um vazionabusca desoluções.
Maria Lúcia
Salgueiro
"E
e
,possível
evitar
a
tragédia"
Participante
de muitos debatesrealizados a
respeito
do assunto, DanielSilva se tomou o maior
"especialista
em enchentes" da UFSC, talvez
pelo
fato de
conseguir
transmitircomclare za assuntos considerados técnicos ecomplicados.
E,
afinal,
o que é uma enchente?Em que seconstituem asobras conhe cidas como
dragagens,
barragens
ediques?
Exorcizandoteorizações
que só os técnicosentendem,
eleexplica
que asenchentesoucheiassãoresulta
dos da
formação
do quesechamaumaonda de cheia que caminha rio abaixo até
desaguar
nosoceanos ou emoutrosrios maiores. Uma onda de cheia por
sua vez,éformada porrazõesnaturais - excessodechuvas
-,ouartificiais
-rompimento
debarragens
oudiques.
As obras mais
freqüentemente
utili zadas neste caso servem apenas para atenuar a onda decheia,
reduzir seupico.
São elas asbarragens
que, com seus reservatóriosnaturais, acumulamparte
do volume da onda dechuva,
retardando-a;
diques
aolongo
doscursos
d'água, cuja função
é confmaraonda das cheias evitando a
inundação;
asdragagens
eretificações
dos cursosde
água
que aumentam será acapaci
dade de
transporte
e suavelocidade doescoamento; eas
derivações (ou
leitos dealívios)
que servem paraarmazenartemporariamente
certaquantidade
de chuva e também para desviarparte
daonda de cheia para
lagos
e rios quedeságuam
empontos
mais baixos dasáreasaserem
protegidas.
Tudo isso, entretanto,temnecessa
riamente queser feitocomacolabora
ção
eentendimentodapopulação.
De forma que asenchentes,
setratadas,
adequadamente
por ocasião da suaocorrência,
causariam pequenos danos materiaisedecididamenteumnúmeromínimo de
flagelados.
Ou,
comodizoprofessor:
"Senãopodemos
controlaras chuvas e o clima
particularmente,
podemos,
istosim,
controlarasalterações
nomeio ambiente dabacia hidrográfica,
eliminando ocomponente-sur
presa do
problema
dascheias". Ele vaialém,
concluindo: "se nãopodemos
evitar os
prejuízos
econômicos,pode
mos sim evitaro
flagelo,
odesamparo
e adestruição
do maior de todos os recursos, o humano. Garantindo este,podemos garantir qualquer
reconstrução
".- Maria LúciaSalgueiro.
No
Rádio,
Música.
Na
TV,
Pânico
e
Recados.
Nos
Jornais,
Dificuldades.
Durante asenchentes,
não sóórgãos
responsáveis pela
segurança civil estavamdesorganizados
edespreparados
paraatenderaurna
catástrofe,
mastambémosmeiosde
comunicação
locais. Isto é o que seconclui
após
entrevistarealizada,
no Curso de Jornalismo daUFSC,
com osrepórteres
Elaine
Borges
(O
Estado de SãoPaulo),
Rivaldo Souza(free-lancer),
Valdir Alves(O Globo)
eCelso Vicenzi(O
Estado).
Enquanto
o Estadãoconseguiu
semobilizar em dois
dias,
mandando umaequipe
de
jornalistas
paracá,oEstadolevouquase uma semana paraseorganizar
e oJornal de Santa Catarina parou de funcionar. O radiojornalismo
praticamente
nãoexistiueosflagelados,
que só tinhamconsigo
radínhos depilha,
passaram semanasouvindo músi ca. Atelevisão,
apesar doespaço dado aosacontecimentos,
pouco teve deverdadeiro trabalhojornalístico,
limitando-se a ouvir fontesoficiais,
lerrecadosepromovercampanhas
assistenciais, sem esquecer que asprimeiras
imagens
das cheiassó apareceram diasdepois
dasituação
estarem seupontocrítico.
Segundo
osentrevistados,
"o esquema para a TV era facilitadopelos organísmcs
oficiais,
que davampreferência
noshelicóp
terosmilitares,
obedecendo ordens que vinham docentro dopaís".
"Opessoal
da Globochegava
COmumesquema montado e, em poucos minutoseramtransportados
pelos
helicópteros,
enquanto
que osrepór
teres dejornais
tinham que esperar dias edias",
revelou Valdir.Asdificuldades deacesso aoslocais atin
gidos
e aprioridade
dada â TV paraodes locamento dopessoal
nas váriasregiões
inundadas,
exigiam
umesquema deorgani
zação
dosjornais
catarinenses,
que seper
deu na
burocracia,
naincompetência
e aténodesinteresse.
"O Estado
chegou
sempre atrasado e,geralmente,
recorria apenas a dados oficiais",
disseCelso Vicenzi. Aprópria
questão
do que seria efetivamentenotícia,
se tor noudifícil nomeio de todaestadesorgani
zação.
Soma-se a isto odespreparo
dosrepórteres,
tantonaTVquanto
nosjornais,
que tiveram
atuação
muitas vezesdesastrosa ao se defrontarem com olado humano da catástrofe. "Houve casos do
repórter
perguntar
a umflagelado
que estava chorando,
se ele estava muitotriste",
comen touCelso."A
preocupação
essencialera com atragédia
humana. Mostrar âs pessoas que lêemjornais
que estava acontecendo umacatás trofe. Erapreciso
sensibilizar aspessoas",
assinalou Elaine
Borges.
É
nesteponto
que otrabalho deumaequipe
jornalística pode
apoiar
o trabalhoindividual dorepórter,
e montar um esquema que sededique
integralmente
eexige
investimento das empresas ecooperação
administrativados donos dosjornais.
A infra-estrutura paraasreporta
gens é fundamental para que os meiosde
comunicação
cumpram com a suafunção,
principalmente
em ocasiões como está eistonãoexistenos
jomais
locais. O Estadãonãoestabeleceulimitedegastos.Nós tínha
mos
plenas condições
detransporte
no quediz
respeito
adinheiro,
podendo alugar
barcos,
carroças, parachegar
aoslocais de difícil acesso e para nossasobrevivência",
contouElaine,
mostrando que ocontrárioaconteceu, por
exemplo,
nojornal
OEsta-CRíTICA
Terminada acoletivacom os
quatro
repórteres
daenchente,aequipe
entrevistadora da sexta fase do
jornálismo
sentou no banco dos
réus,
e ouviuaopinião
crítica dosentrevistadosa respeito
do seudesempenho
- fato raroem
jornalismo
de laboratórioeinexis tentenoconvencional.Quietos
e nacomportada
posição
de
ouvintes,
osalunossouberamescu taraslições
doscolegas
maisexperien
tes que, unanimemente, ressaltaram afálta deumroteiro maisdetalhadoque
permitisse
fundamentar melhor sualinha de
raciocínio,
ouseja,
segurançapara
aproveitar
aomáximoosconheci mentosdos entrevistados.O
fotógrafo
Riwldo de Sousa achou que deveria ter sido feita umapesquisa
nosjornais
erevistasrecentespara que se montasse um álbum de
recortes sobre o assunto. "Desta ma
neiraseviria deencontroà máxima do
jornalismo
que é estar muito bemin formado antes deinformar",
frisou ele.Jáa
repórter
EIaineBorges,
de O Es tado deSãoPaulo,
salientouafalta deum representante aa teievísão, com
quem
poderia
serdiscutido tambémaquestão
do sensacionalismo daTV,
durante as enchentes.Elaine achoutam
bém quea conversateria sido mais rica
emtermosde
organização
de cobertura e dificuldades
encontradas,
semais chefes de reportagem tivessem sidoconvidados. "Isto
permitiria
inclusive que fossem estabelecidosparâmetros
parao
próprio desempenho
daimpren
sa",
afirmou ela..Na
opinião
de ValdirAlves, repór
terde UGlobo,ostemas deveriamter
sido divididos por área de interesse.
"Muita coisa que
poderia
tersido abordada ficou de
fora",
lamentouele.Seucolega
CelsoVicenzi,
de OEstado,
reforçou
aopinião
docompanheiro,
di zendo que:"pouco
sefalounasmaneiras de evitar novas
catástrofes,
ousobreatãofálada
reconstrução".
De
qualquer
maneira,
surpreendidos
com ainiciativados entrevistadoresem escutar sua
opinião,
os convidados acharam queogrupoconseguiu
levantar aspectos interessantes da
questão
dascheias.-Rosângela
Tremeijornalistasentrevistados
naredaçãodoZero
do. "Teve
repórter
que recebeu 20 mil para passaruma semana emcondições
precárias,
que não
possibilitava
aprópria
sobrevivên cia."A
contradição
deinformações,
afruta decompreensão
do lado oficialeatéaincompreensão
emrelação
aotrabalho dosrepór
teres,
exigia
o amparo que cabe âsempresas emrelação
aos seusprofissionais.
Dos
entrevistados,
o único que citou dificuldadesem
relação
â omissãoadministra-�va
�
â censura,fói
orepórter
Celso Vicen ZlCItando,
comoexemplo
aorientação
d�da
aosrepórteres
de que�enizassem
os numeras de mortosnasmatérias.Segundo
?s
outrosentrevistados,
noque dizrespeito
asgrandes
empresasjonalísticas
houve
total
apoio
para a cobertura das'enchentes.
Quanto
â censura,ElaineeValdir assegura
ram que não houve. "Nósenviávamosum
copião
das matérias e todas elas forampublicadas".
-MirelaMaria Vieira
AUTOCRíTICA
Depois
da entrevista feita com osquatro
jornalistas
que cobriram deperto
as" enchentes em nossoEstado,
com o
objetivo
de conhecerosbastidores não-reveladossobre o que aconte ceu
naquele período
-eu, como re
lembrou Kanitz dias
após:
"tentamosbuscar
sugestões
dereportagens
com osjomalistas"
- foiavezdos
próprios
entrevistadores do ãro se auto-avaliarem,
não
poupando
seusprimeiros
passos.
Houve aomeROSumconsensoentre os
repórteres
doZero querealizaramaentrevista: os
objetivos traçados
nãoforam
alcançados.
Ou,
apenasempar te.Alguns chegaram
a esta conclusãode umaforma
simples
edireta- comodiria Hailton "não
perguntamos
o quedesejávamos"
-e outros,comoMirela
e
Rita,
buscaramantesda entrevistaospossíveis
erros cometidos. "A distribuição
de tarefasatrapalhou"
concluíramelas. "Não tínhamos
tempo
para contatar outrosjornalistas
eisso acumulou trabalho". Para a
professora
Carmem, que
acompanhou
todaa entrevista apenas como
observadora,
asperguntas
foram todas centralizadasem apenas dois entrevistados. Além
disso,
asperguntas
não eramsuficientemente
objetivas.
"No entanto-disse ela - das
respostas
poderiam
terSKlo extraídasnovas
perguntas,
já
quehavia
revelações
interessantes"."Temos "deínsistir,
ir em'címa, não recear oentrevistado" comentou Kanitz. "Os
enírevistadoresê
queOmgem
aentrevista,devemassumi-ta",
Jaime, que também viu falta de
objetividade
nasperguntas
achou quepoderiam
teraprofundado
maiscertos assuntos. Fernando considerou as in...formações
dosquatro
jornalistas
dema siadamente "oficiais".Segundo
ele "não havia novidades nasrespostas".
"Nós nos
perdemos
emalgumas
perguntas
e não sabíamossepoderíamos
voltar a assuntos
já
comentados ounão",
afirmoul.eani.Dos
entrevistadores,
três fizeramcercade 70% das
perguntas,
enquanto
quatro
praticamente
nãoperg_untaram
nada. Em todo
caso,"
cómo ressaltaHailton,
"temos que dar desconto. Afinai,
há ainexperiência".
-Rosângela
Tremel.Briga política
atrasa
distribuição
de
remédios.
Fazendeiros cameavam
gado
mortopelas
águas
daenchenteaosflagelados.
Quilos
equilos
de medicamentos foram distribuídos por
leigos,
semnenhumcritério. Médicosrecusaram-se atrabalharemtempo
integral
eoutrosnegaram-se a fazer trabalho de sanea mento. Uma verdadeira guerra
pelo
poder
ficou estabelecida, com o PDS tentando centralizar as ações mesmo emmunicípios oposicionistas.
Estas são
algumas
das denúncias feitaspor membros das
Equipes
de Atuação Emergencial
que estiveram nasregiões alagadas.
Mas não foi apenasisso:
informações
desencontradas,falta deajuda
material e até, no início,boicote por parte de
alguns
chefes de Unidades Sanitárias da Secretaria deSaúde,
dão uma idéiado caosinstalado no estado nos momentos mais
críticos da enchente.
Algumas
famílias ficaram até 10dias semreceber alimentoseremédios.
A atividade
principal
destasequipes,
formadasprincipalmente
por estudantes de
Enfermagem
e Medicina daUFSC,
foiadesaneamentobásico. No entanto, não havia transportedisponível
para as zonas rurais, echegou
aservetadoo usode caminhõesparaaremoção deanimais mortosque
começavam a
apodrecer
epoderiam
gerarcontaminação.
REMÉDIOS
Lúcio
Botelho,
queé chefedo Departamento de Saúde Pública daUni
versidade eestá
preparando
umrelatório final sobre oassunto, declarou que
emBlumenau
"chegaram
82 toneladasde medicamentos que foram encami
nhadosa
hospitais
conveniadosenãoàSemanasdepoisdenonnalízadaasituaçãono
Vale do Itajal,surgemaindareSQulciosdatragé. dia: animaismortostrazidospelamaréinfestamo
litoral. Nas fotos, animais e entulhos naPraia.
Falta
de
apoio
Operação
Socórro
à
Uma denúncia foi feitasemanapas
sada
pelo
pessoal
do Veleiros da Ilha queparticipou
daajuda
aosflagelados
do Vale do
Itajaí:
faltouapoio
da Ma rinha. "Solicitamos que umhelicópte
ro transportasse barcos de borracha
paraos
municípios
donorteeoeste doEstado,
já
queesteacesso viaterrestre eraimpraticável,
contou MarceloRupp
que afirma ter conhecimento da exis tência do estoque de dezenas de em
barcações
destetipo
e quenão foram utilizadas. Marcelo acrescentou "nós do Veleirose do lateClube
de Florianópolis
tivemosque arriscarnosso materialcaroe
inapropriado
parasocorrerasvítimas".
Ainda,
assim, as 20embarcações
destesclubesque
participaram
daoperação-socorro, desde odia 9 de
julho,
conseguiram
salvar 300 pessoasemtrêsdias de luta. Cerca de 60
crianças
foram
abrigadas
emcolégios
egalpões
localizados nas partes mais altas das cidades.
"Enquanto
doávamos nossosesforços gratuitamente,
outrosproprie
tários de
embarcações
de Blumenaucobravam mil cruzeiros para
trafegar
flagelados
em-suasbateiras", afirmouMarcelo
Rupp.
EoExército? "Foi deuma presença
importantíssima",
confirma Marcelo, que acha,
porém,
ter sido pouco utilizado. "Se todoomaterial deque
dispõe
fosse realmenteempregado
teria sidomelhor",
afirma."Quando
o Exércitochegou",
relem bra ele, "três diasdepois
dejá
estar-moslá,oComandante da
guarnição
de Blumenauorganizou
oseupessoal
para controlar ofluxo de alimentoseevitarsaquesnascasas enocomércio". COMBOIO
Ocomboioquerumouparaa
região
alagada pelas
enchentesfoiorganizado
com a
ajuda
deamigos
e parentesdossócios destes clubes em atenção aos
.apelos
dasdiversasprefeituras
doEstado,quesolicitavamtransportesfluviais para removeros
flagelados.
"Tudo foifeito às
pressas".
disseRupp.
"O que estava aonosso alcancefoitransportado para
Gaspar".
Em
Gaspar
foi instaladaumaespé
cie deoficina,nagaragemda
prefeitu
ra para facilitar adistribuição
de alimentose amanutençãodos barcos. Se
gundo
osvelejadores,
"oprefeito
esta va totalmentedesamparado
edespre
parado.
Nenhumaguamição
dasforças
armadas estava lá. Nós mesmos não
tínhamos idéiado quefazer". Ea po
pulação?
"Ficamos impressionadoscoma
passividade
dapopulação
diantede nossos
esforços.
Creio que acausadesse comportamento
:
foi o trauma
que
passaram",
acrescentou Marcelo.No sábado à tarde, a CEVAL distri
buiuseuestoque de
frangos
e 10toneladas de alimentosvindos de Florianó
polis
echegavam
à cidade, evitandoque todos passassem fome. "Inclusive
nós, concluiu Marcelo
Rupp.
- Fer nandoCarneiroprefeitura",
como havia sido estabelecido. Lúcio afirmou que esses
hospi
tais comercializaram os
estoques
quesobraram,
utilizando os remédios daCampanha,
portanto,gratuitos,
paraos seuspacientes.
Osgastos commedicação
aos pacientessegurados
têmsubsídio do INAMPS. Esses fatos
ajudam
aconfirmar aquestão da
disputa
políti
ca
pelo
comando dasações, pois
certasprefeituras
doPMDB nãoconseguiram
coordenar a coleta edistribuição,
dos donativos.A
briga
política
maiorficou
porconta dos dois
partidos
hegemônicos
do estado. Emalgumas cidades,
comoé o caso de
Itajaí,
houve inclusiveprefeituras
paralelas
dopartido governis
ta, como revelou o
ex-presidente
doDCE/UFSC,
GeraldoSchuwiec,
quan do do relato desuaequipe
para voluntários que trabalhavam na
triagem
de donativos naUniversidade.
De ummodo
geral
aspessoas
que trabalharam nas enchentesperceberam
umadispu
ta
política
entre civisemilitares,
PDSe PMDB e entregrupos do
partido
deEsperidíão
Arnin entre si."Todos que riam serbons,
humanitários para osflagelados".
disse oestudante de Medi cinaClóvis Lima.Assim que as enchentes acabaram muitos
flagelados
relutavam emabandonaros
alojamentos-albergues,
mesmopressionados pelos organizadores.
É
que ali conseguiam se alimentar até
três vezespor
dia,
embora tenha havi do racionamentosesporádicos.
Erampessoas sem emprego e
condições
de subsistência que, provavelmente, faziam apenas uma
refeição
diária em suas casas - muitas demolidaspelas
c 'ti c lO cn ..
�
::I cnBLUMENAU
SE
ORGANIZA
SEM AJUDA
ESTADUAL.
Passados 45 dias da cheia que quase destruiu
Blumenau,
acidadeserecupe ra comnotávelrapidez,
notando-seumorgulho
dos cidadãos ao veremque ocomércio
já
funcionacom quase todasas
lojas
abertas e as ruas centraisjá
recuperadas.
AforaaRua das
Missões,
acessodocentro da cidade à
rodoviária,
que aindaapresenta
alguns
buracos,
observa-se umacidade que
já
nãoapresenta
nem sinais nem medo dequalquer
catástrofe.Dois
projetos
estãosendo desenvol vidos paraarecuperação
de Blumenau:O
projeto
NovaBlumenau,
desenvolvi dopela prefeitura
emconjunto
com acomunidade,
e oprojeto
Crise,
pela
FURBemconvêniocom aUFSC. O
projeto
NovaBlumenau foi insti tuído por decreto doprefeito
Dalto dosReis,depois
de decisão tomadanaAssembléia dos Cidadãos de Blume
nau.
Há 14 comissões que
compõem
oprojeto.
Asprincipais
são:organização
comunitária para defesa
civil,
que vaiseincumbirdo treinamento da
popula
ção
para que se defenda deumacheia;
reconstrução
de casaseterrenos, quefará a
demarcação
de postes e muros commedições
paraorientação
dapopulação,
além darecuperação
decasas eobraspúblicas.
Osterrenosconsegui
dos
pela
comissão serãofinanciados abaixo custo para' a
população
demenorrenda.
Para efeito
turístico,
foisugerido
que sepintassem
as casasatingidas
deuma cor até a marca da enchente e,
acima
desta,
deoutra. A idéia foiconsiderada ridícula
pelo
Secretário deTurismo,
Vilarino Wolff.O Secretário declarou ainda que
"BlumenaunãoVaicontarcom
ajuda
do Governo do Estado. Omunicípio
temde se virar sozinho". Para
isso,
o prefeito Dalto dos Reis
viajou,
dia25,
para a
Alemanha,
a fim deconseguir
do
"país-irmão"
recursos para a reconstrução
de Blumenau. CRISEO
projeto
Crise secompõe
de trêslinhas de
ação:
implantação
de umbanco de dados que colherá todas as
jnformações
acerca do nível do rio,ruase estradasque
podem
sertransita--
adubos,
fertilizantes-,para uma
rápida
recuperação
do solo. Entretan to, nada está definido.Mas,
acertezade queo Centro de CiênciasAgrárias
não sairá acampo simplesmente
para "remendar" oEstado,
é unânime. De acordocomopinião
expressadaem assembléia do
CCA,
atarefa de re construircabe aoestado,
nãoà Universida de.Contudo,
o medo deestaremsendousados para fins
políticos
eeconômicos,preocupa osestudantesde
Agronomia.
"Estare mosajudando
napromoção
pessoal
de políticos,
gruposeconômicos,grandes
latifundiários, ou ao pequeno
agricultor flagela
do?", perguntam
eles. Oprofessor
de Avicultura,
Antônio Carlos Machado daRosa,
explica:
"Nãoiremos acampo semtermos certeza de ondevamosatuarecomovamosatuar".
Enquanto
isso, uma comissão formada por alunoseprofessores
estaráfazendo
umlevantamento das
potencialidades
e viabili dades dosestudantes,
para atuarem nocampo oupara desenvolverem trabalhos de
baseno CCA.
-Jorge
Massarolodas dentroe forado
município;
levantamento de bacias
hidrográficas
daregião
e seucomportamento
durante umacheia;
auxílio aflagelados
etreinamento da
população,
que vaise in cumbir do ensino de remoenatação,
organização
de mutirões deajuda
durante uma
cheia;
um setordepesquisa
de sistemas decontenção
de cheias elevantamento de terrenos quepossam serfinanciadosabaixocusto.
Para o banco de
dados,
o maiorproblema
éafalta derecursosfinancei ros, pois tal implementoexige
apare-lhose
pessoal
capacitado
paraoensinodesua
operação.
Enquanto
osprojetos
de recuperação
são discutidos a níveloficial,
acomunidade blumenauenseserecupera
reabrindo
lojas,
firmas,
cobrindo de flores os canteiros destruídos. Nos bairros maispróximos
docentro,aindase
notam
as marcas nas poucas casasquenãoforam
pintadas
oulimpas
porfora.
Dia-a-dia,
Blumenau volta a sera "Cidade-Jardim" de sempre, apesar
de bastante danificada
pelas
últimas cheias. - André Gouveia.Agronomia
da UFSC
propõe
modificar
estrutura
agrícola.
"Nossa
prioridade
é amodificação
daestrutura
agrícola
daregião",
afirmou oprofessor
Luiz Carlos Pinheiro MachadoFilho,
do Centro de CiênciasAgrárias
eprincipal
articulador de uma proposta deatuação
direta do CCAnaRegião
do Alto Vale doItajaí,
ondeaschuvas forampiores
doqueascheias.
Deslizamento,
erosão, pastagens cobertas por
lama,
afundamento de terreno,foram os
principais
problemas
constatados porprofessores
ealunos,
que percorreram osmunicípios
de Rio do Oeste, Laurentino,
Agronômica, Aurora, Taió, Ituporanga,
Lontras e Rio do
Sul,
analisando 34 propriedades
rurais.A
idéia,
embora ainda não exista umplano
concreto, é dasequipes
trabalharemjunto
comoagricultor,
parapôr
emprática
novas técnicas alternativas no preparo da
terra como, por
exemplo,
autilização
dospróprios
recursos naturais. E, a fim deatender às necessidades imediatas do
agri
cultor,
incentivara cultura de subsistência.Basicamente,
estaproposta vai contraoComo
desencalhar
os
livros
que
o
catarinense
não
lê?
Aparen
temente destinados ànutrição
dos roedores que infestam asprateleiras
dos
depósitos
oficiais,os40 milexemplares
de livros de autorescatarinenses,queestãoencalhados há váriosmeses,terão um rumo maisnobre: serãoadotadosporváriasesco
las.
O
projeto
é daFundação
Catarinensede Cultura e tem apretensão
de resolver devez Q�"
problemas
dedistribuição
do estoque, desinteresse do
público
e falta de critério editorial.Os livrosserão
apresentados
nas escolas e o título que mais interessar aosprofessores
será adotado como livro texto. Os alunos destas escolasserão obrigados
aadquirir
oslivros."Anível de sistema,o
projeto
aindanãoestá
aprovado
paraadoção",
afirma Caetano
Fachini,
Superintendente-Adjunto
desAdmínístração
eFinanças
daFundação.
No entanto, Célio Morais que faz parte daequipe
devendagem,
desmente Fachini. Desde maio último ele temprocurado
asescolase
apresentado
oprojeto, conseguin
do apenas que o
Colégio
GetúlioVargas
adotasse o livro "Cavalo em
Chamas",
deSilveira de Souza.
Quanto
aoproblema
de encalhe doslivros,
Fachinitemumaexplicação
simples:
ano
passado
foram editadosmuitostítulos,
não dandotempodeseremabsorvidospelo
público
leitor.Para Salim
Miguel,
diretorda editora daUFSC,
esteprojeto
não passa de um"remendo,
umtapa buraco, pois
o maiorproblema
do encalhe está nadistribuição".
Salienta ainda que pequena editora da UFSC edita mais ou menos 50 títulos
anualmente e o esquema de
distribuição
fica maisdifícil
ainda,
urna vezque osdis tribuidoresnãotêm interessenumaeditorade poucos títulos.
Noa-Noa
Semosmesmosrecursosfinanceiros das editoras oficiais e
ocupando
uma pequenasalinhanocentro de
Florianópolis,
funcionaurna editora que deucerto,a Noa-Noa.
Para
Cléber,
dono,tipógrafo,
conselho edi torialedistribuidor,o que interessamesmo é aqualidade
enãoaquantidade.
Aeditora funcionaemesquemaartesanal,
desdea impressão
atéadistribuição.
Segundo Cléber,
as pequenas editoras artesanaisdependem
de
vendagem,
"então têmque fazeracoisacircular". Ele
próprio
vai às livrariasedeixa oexemplar
para servendido,
trabalhatambém com o
serviço
de reembolsopostal,
fazendo suasedições
circularem nacional mente. Foi assim queconquistou
seuespaço de
vendagem. "Vender", segundo
Cléber,"não interessa muitoà
Fundação, pois
vendendoounão, elesganham
seusalário". Afirma ainda que "eles não têm compro missocomacultura".Para Cléber, uma maneira de vencer o
problema
seriao de montar umacomissãode leitura competente e
honesta,
quefaça
a escolha de bons títulose que invistaemnovos autores.Disse ele queaprocura
pelo
seu trabalho é intensa,principalmente
poraqueles
que nãotêm acesso às editoras oficiais e
aqueles
que buscam uma linha de trabalho que dáprestígio.
"Existem obras que estão circulandopelo
Brasil,que forameditadas
pela
primeira
vezpormim. Entãoos autores que me procuram entram numa
listade
prestígio".
Cléber diz que é
procurado
por autoresque buscam a
preservação
dasensibilidadeartística e da
tipografia,
além do que "otrabalhonuma
máquina
tipográfica
de maisdecem anossetomaexóticonuma eraele trônica-comoanossa".
Jossane Ristow
Em
exposição,
a
-Cultura Catarinense.
Todosos
sábados,
das 09 às 17 horas, édia de Feirano
Largo
da Alfândega.
AFundação
Catarinense de CulturaeaPrefeitura
Municipal
deFlorianópolis
resolveram expor e vender acultura catarinense nas
imediações
doMuseu de Arte, na Rua Conselheiro Mafra.
Os feirantessão artesãos,escritores
e artistas em
geral
queexpõem
umavariedade de
produtos
que vai desdeoartesanato ao suco natural. Foi cons
truído um tablado onde os
músicos,
artistase
público dispõem
deaparelha
gem desomparasuasmanifestações.
Para o
ex-superintendente
da Fundação, professor
Miro Morais, aFeirarepresenta
umprojeto
prioritário
dentrodos
objetivos
de deselitizaracultu ra, mantendoum encontro permanen te entre osprodutores
de bens cultu raise opúblico.
Jáocríticodeartedojornal
OESTADO,
OsmarPisani,
nãoconcord*om
amaneira quevem sendo
realiz!Ma
afeira. Paraele,"a verda deira feira de culturapartiria
de umimen.ngenho,
tearesantigos, enfim,
de todas as referências culturais de Santa Catarina a
partir
da Ilha, Comoestá sendo feita
hoje,
seria a últimaetapa
deimplantação,
após
umagrande
divulgação
no Estadoeem todooBrasil".
lidas os feirantes acham uma exce
lente
iniciativa,
emboraalguns julguem
a infra-estrutura
precária,
como é ocaso da
expositora
MárciaFelipe.
Ela não fezainscrição
antecipada
no MuseudeArte efoi
impedida
de expor,oque acabou
fazendo,
graças à divisão de estante com umacompanheira.
Márcia acha também que
precisaria
de maisestantes nafeira, pois
há muitosobjetos frágeis
e valiososexpostos
nochão,
enquanto
outros mais rudesestão'
melhor instalados.Apesar
dealguns
preços absurdoscomo, por
exemplo,
odeuumpeque nolenço
de seda que estavaà venda por Cr$ 5mil,
ovolume de vendatemsido satisfatórioparaos
expositores.
Alguns
diasantesde deixarocargo,Miro Moraisnão
previa
umadata parao término da feira. De
início,
conti nuaráenquanto
vieratingindo
os seusobjetivos
eirá atéquando
tiverfôlego,
procurando
consagrar hábito de lazercultural dacomunidade.
Ronaldodos
Anjos
Em certo
trecho,
o texto diz o seguinte:"As dificuldades continuam basicamente
as mesmas.Não se temdinheiro e,
quando
muito, se conseguem acordos capengas
com a
administração
da Universidade".A
repercussão logo
se faz sentir. Elianafoi
remanejada
do cargo que ocupava noDAC.
Zuleika
Lenzi,
diretora do DACeprotagonista
doremanejo
deEliana,
justifica
sua atitude: "Além da
reportagem
não contar a verdadeiraparticipação
do DAC no Clube deCinema,
Eliana deveriaexpli
car o
significado
dos acordoscapengas".
Inquerida
se Eliana tinha sidodemitida,
Zuleika disse que "teria
sido,
se eu nãotivesse
pedido
que elafosse somenteremanejada
decargo".
O motivo,segundo
Zuleika,
"foi a falta decompatibilidade
com a
administração".
A
reação
da CA deComunicação
foi imediata: O Clube de Cinema findousuasprojeções.
"Oprojeto
morreuaqui.
Não temos maiscondições
decontinuarcomoDAC",
desabafou Eliana.Desdeaimpressãoatéadistribuição,aeditora deCléber
Comose nãobastasse o fim dameia-en
trada para
estudantes,
outraatividadecinematográfica
quepropiciou
ao universitárioa
exibição
de filmesinéditos, alguns
hápouco
tempo
liberados dasprateleiras
dacensura,acaba de sucumbir.
O Clube de Cinema da Universidade,
''Projeto Meia-Hora",
criadopelo'
CA deComunicação
com oapoio
doDAC,
parapreencher
um dos vazios culturaisdaUniversidade, encerrou suas atividades. Desde
abril,
oprojeto
vinha se destacando na comunidade universitáriapela exibição
de filmesmarginalizados
pelo
circuito comercial,
e, em muitas vezes,completados
por debatessobreaquestão cinematográfica.
Porém, o
DAC,
que atéentãoadministrava o auditório do Centro de
Convívên
cia, sentiu-se ofendido
quando
este foi tomadopelos
estudantes(DCE),
no dia 15 dejulho.
A crise culminou com o afasta mento da bolsista ElianaArndt,
autoradoartigo
"Clube deCinema, projetando
umtrabalho",
para ojornal
do DCE, queapontava as dificuldades para levar em
funcionaemesquemaartesanal.