Bruna de Souza Gasbarre
Exposição Fotográfica
ESTÁTICOS?
Memória do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia como requisito à obtenção do título de Bacharel em Comunicação, com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura, tendo como orientador o professor Umbelino Brasil.
“É duro ser estátua e ficar parado assim,
Vendo tanto ‘broto’ passar perto de mim,
Pombos na cabeça, o frio é de doer,
Na outra encarnação, gente eu quero ser...”
Música “É DURO SER ESTÁTUA” Erasmo Carlos e Roberto Carlos Do disco CONVITE PARA OUVIR – ERASMO CARLOS. Faixa 11 – RGE, 1989.
Agradecimentos
A todos que se envolveram com as melhores intenções, contribuindo para a realização deste projeto.
Ao meu Deus, por me dar força e coragem para correr atrás de meus objetivos e por não ter permitido que chovesse no dia da abertura da Exposição.
À minha família e amigos pela paciência nos muitos momentos em que esta me faltou.
A Fábio, sempre disposto a ouvir meus muitos questionamentos e dúvidas e achar que isso era uma coisa prazerosa e por ter comprado e deixado (sem receio) sob minha responsabilidade, seu equipamento digital.
A Daniele Canedo, minha assessora de imprensa favorita, por seu profissionalismo e por sua grande agenda de contatos!!!
A todas (e muitas) as gentilezas de Bruno Lunelli.
Aos professores Umbelino e Mamede, que tentaram colocar nos trilhos toda minha desorientação.
A Kalinca, Silvane e Ana Paula que sempre conseguem me emocionar com sua musicalidade.
A Felícia de Castro, por sua participação.
Às instituições envolvidas: Superintendência de Parques e Jardins, Secretaria de Serviços Públicos, Fundação Cultural do Estado – mais precisamente à sua Diretoria de Artes Visuais e Multimeios, DIMAS, apesar de toda a burocracia.
À ASSIM Comunicação e Objetiva Revelação Digital, por concretizarem minhas idéias.
À presteza das Tias Terezinha e Dulce, de Sérgio Sobreira, da Uranus 2, da equipe da SESP, Isabela e Wells, Júlio César, Leonardo Rattes, Wallace Mendonça e membros da Produtora Jr..
A todos aqueles que torceram contra, pois seu pessimismo apenas me instigou a provar que posso sempre muito mais do que eles imaginam.
Sumário:
1 - Resumo ... 5
2 - Apresentação ... 6
3 - Aliando teoria & prática ... 8
4 – E por que ‘Estáticos?’ ? ... 11
5 - A Fotografia em ‘Estáticos?’ ... 12
6 - Da organização à concretização ... 14
6.1 – Planejamento ... 14
6.2 – Execução ... 15
6.2.1 - Produção das fotos ... 15
6.2.2 - Concretização da exposição ... 19
7 - Enfim, Exposição ‘Estáticos?’ ... 25
8 – Conclusão ... 27
9- Referências bibliográficas ... 28
10- Bibliografia ... 29
11 – Anexos ... 31
1 -- Projeto de captação 2 – Modelo de cartaz / panfleto 3 – Banners utilizados (CD) 4 – Fotos (CD)
5 – Fotos: originais e manipuladas (CD) 6 – Gastos em geral (CD)
7 – Apoios / patrocínios (CD) 8 – Montagens (CD)
1 - Resumo
Esta é a memória descritiva da Exposição Fotográfica ‘Estáticos?’, resultado do Trabalho de Conclusão de Curso da Graduação em Comunicação, com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura.
‘Estáticos?’ questiona, através de imagens fotográficas, a imobilidade de
estátuas instaladas em praças e locais públicos de Salvador. Apresenta as alterações sofridas pelos monumentos através da intervenção do homem, da ação da natureza e do tempo, e por vezes, também, sua interação com o ambiente que os circunda.
A exposição foi montada na Praça Dois de Julho, Campo Grande, de 26 de novembro a 11 de dezembro de 2005. Acontecendo fora de galerias de arte ou espaços convencionais destinados a projetos deste caráter, ‘Estáticos?’ proporcionou uma nova observação do monumento público, abrangendo apreciadores diversificados, democratizando o contato com a linguagem fotográfica.
2 – Apresentação
A Exposição Fotográfica ‘Estáticos?’ concretizou-se como produto do meu Trabalho de Conclusão de Curso, visando aliar duas vertentes pelas quais demonstro grande interesse e elejo como paixões: a fotografia, por afinidade pessoal, e a Produção Cultural, campo de realização profissional. Acredito que o término da graduação é o momento oportuno para aplicar os conhecimentos adquiridos durante os cinco anos de minha caminhada na Faculdade de Comunicação, além de todas as experiências profissionais vividas até aqui.
‘Estáticos?, então, não é apenas um projeto voltado a experimentar, mas, acima
de tudo, realizar, fazer acontecer.
Experiências adquiridas em trabalhos ligados a projetos culturais na área de artes visuais foram de suma importância para a concepção e formatação do projeto aqui descrito e posto em análise. Ter participado da equipe de produção de feiras de arte, exposições fotográficas, mostras de vídeo-arte e artes plásticas possibilitou estabelecer os limites até onde eu deveria e poderia trilhar para por em prática meu próprio projeto.
A fotografia foi escolhida como suporte porque, como dito anteriormente, detenho grande interesse por esta linguagem expressiva e como bem definiu Borris Kossoy, as fotos são capazes de “tornar material a imagem fugaz das
coisas do mundo (...) uma expressão peculiar que, por possibilitar inúmeras representações / interpretações, realimenta o imaginário num processo sucessivo e interminável de construção e criação de novas realidades”. (Kossoy, 2002:26).
As imagens fotográficas produzidas e que compõem ‘Estáticos?’ buscam suscitar o questionamento acerca do estado de imobilidade das estátuas. As fotografias sugerem que intervenções do homem, bem como ações da natureza e do tempo, apresentam-se como agentes transformadores deste estado de inércia, estando os ‘modelos’ em constante mutação e estabelecendo interações com o ambiente que os circunda.
Foram fotografadas estátuas instaladas em praças e locais públicos de Salvador, bastante freqüentados e conhecidos, como a Praça Dois de Julho e o
Passeio Público, ambos no Campo Grande; Praça Visconde de Cayru, em frente ao Mercado Modelo; Praça Castro Alves, dentre outros.
Tornou-se ideal a realização do projeto de exposição do ensaio ‘Estáticos?’ num local também público – Praça Dois de Julho, Campo Grande - e de grande circulação, diversificando o aproveitamento de espaços abertos à população em geral, mostrando que os mesmos podem e devem servir como abrigo para manifestações das mais distintas formas de expressão artística e cultural. A idéia foi oferecer para o transeunte a oportunidade de estabelecer contato com um modelo de exposição que normalmente só se encontra em galerias de arte ou outros espaços convencionais destinados a projetos deste caráter.
A Exposição ‘Estáticos? ocorreu de 26 de novembro a 11 de dezembro de 2005, possibilitando que os convidados que compuseram a banca o apreciassem durante sua realização, o que tornou possível tecer um prévio julgamento do Projeto.
3 – Aliando teoria & prática
Unir os conhecimentos adquiridos em trabalhos executados em projetos de cunho cultural e em disciplinas cursadas na FACOM foi um desejo que me acompanhou desde o início da elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. Gostaria de fazer algo prático, que abrangesse minhas experiências e aptidões; que ao mesmo tempo detivesse viabilidade de execução e se enquadrasse dentro das minhas possibilidades financeiras – caso não conseguisse patrocínios e / ou apoios para sua realização; visando alcançar, obviamente, um resultado satisfatório.
Disciplinas como Marketing e Divulgação Cultural, Oficina de Análise de Públicos e Mercados, Oficina de Assessoria em Comunicação, Oficina de Gestão Cultural dentre outras, dispuseram ao meu alcance conteúdos interessantes voltados ao mercado ligado à Cultura e à prática da produção cultural. Outra importante disciplina cursada na graduação e que trouxe resultados positivos foi a Oficina de Planejamento e Elaboração de Projetos, na qual pudemos, demais colegas e eu, não só conceber, como organizar e por em prática o Projeto Sexta
Básica – Cultura e Ação Social1, sob orientação do professor Umbelino Brasil.
Voltadas ao campo da fotografia e da linguagem visual, cursei disciplinas como as Oficinas de Comunicação Audiovisual, Fotografia e Programação Visual, além de participar de palestras e cursos que proporcionaram um aprimoramento de técnicas e conhecimentos da área. Quando estagiária na Assessoria de Comunicação da UFBA, prestei serviços de cobertura fotográfica dos eventos e acontecimentos da Universidade.
Ainda no âmbito da Faculdade, desenvolvi a Exposição Fotográfica
“Bem-vindo a Barra Grande”2, com fotos de minha autoria, expondo as belezas naturais
1
O Projeto Sexta Básica – Cultura e Ação Social foi realizado no Teatro SESI, Rio Vermelho, durante as quatro sextas-feiras de setembro do ano de 2003. Parte da renda, obtida com shows de diversas bandas baianas, foi revertida em cestas básicas encaminhadas a instituições de caridade.
2
Fotos de uma viagem à Baía de Camamu se transformaram numa exposição montada no hall de entrada da FACOM. Ao todo foram expostas 20 fotografias, entre os dias 22 de maio a 13 de junho de 2003.
da Baía de Camamu3. “Bem-vindo a Barra Grande” começou como um trabalho despretensioso, mas surpreendentemente, obteve grande visitação do público composto principalmente por estudantes universitários, além de boa divulgação na mídia local. A fotografia é uma ferramenta, se posso chamá-la assim, que me oferece liberdade para mostrar ao mundo minhas maneiras de vê-lo e pensá-lo, não podendo deixar de recorrer ao velho clichê de que “uma imagem vale mais que mil palavras”.
Experiências profissionais junto a projetos ligados às artes visuais fora do meio acadêmico também foram de suma importância para a escolha do formato “exposição fotográfica” como concretização deste TCC. Trabalhei nas últimas três versões do Mercado Cultural4, primeiramente na FALA - Feira de Artes Latino-Americana, depois nas Conferências referentes a políticas culturais e discussões afins. No Vídeobrasil na Bahia -Itinerância do 14º Festival Internacional de Arte
Eletrônica5, participei diretamente de sua equipe de produção, mantendo contato com diversas linguagens artísticas: vídeo - como conteúdo principal da mostra, teatro e vídeo-arte - nas performances que participaram da Itinerância e também artes plásticas, com uma instalação do artista baiano Danillo Barata.
Sem dúvida, minha atuação mais importante no mercado da produção cultural foi a participação na realização da Mostra Pan-Africana de Arte
Contemporânea6. A Mostra, realizada no Museu de Arte Moderna da Bahia, no período de 18 de março a 17 de abril de 2005, foi uma oportunidade única de contribuir para que um projeto de tão grande importância cultural e complexidade
3
A Baía de Camamu está situada na Costa do Dendê, região do Baixo Sul da Bahia, abrigando uma variedade de ilhas de diversos tamanhos, além de praias, manguezais e florestas ainda bem preservados.
4
O Mercado Cultural é um evento voltado para a discussão de políticas públicas e privadas na área cultural. É uma iniciativa que amplia o engajamento e dá visibilidade à cultura, promove trabalhos artísticos, oferecendo oportunidades de intercâmbio cultural entre artistas e demais profissionais ligados à área, vindos de diversos países da Europa, Ásia, Américas e África. Em 2006, o Mercado Cultural realiza sua 6ª edição.
5
O Vídeobrasil é um importante e prestigiado festival de vídeo-arte eletrônica de nosso País. Acontecendo bienalmente em São Paulo, busca acompanhar a produção e reflexão das novas produções artísticas ligadas, sobretudo, ao vídeo. A Itinerância trouxe o material que compôs o 14º Festival para Salvador, situando a Bahia no eixo da experimentação de diversas expressões vanguardistas de arte e cultura contemporâneas.
6
“As transformações e hibridizações, a reflexão sobre a diáspora negra, o papel da arte sobre a própria
construção de uma identidade afro-descendente é o centro desta exposição.”(Solange Farkas, curadora da
Mostra). Reunindo atuantes pensadores e criadores de países como Brasil, Burkina Fasso, Cuba, Angola, Estados Unidos e Gana, a Mostra Pan Africana se tornou um fértil campo de discussão sobre questões que aproximam países tão diferentes.
técnica se tornasse realidade. O acompanhamento da pré-produção, execução e pós-produção possibilitou uma visão macro de todas as etapas necessárias para a concretização de um projeto de tal porte, sendo os momentos vivenciados de grande valor para atividades futuras.
Outros trabalhos ligadas à música, teatro e artes visuais poderiam ser aqui elencados, mas julgo ser desnecessário, pois a intenção deste apanhado de experiências foi apenas mostrar o caminho que venho percorrendo no campo da produção cultural e não trazer um currículo minucioso de minhas atividades em tal área. Concluo a graduação considerando-me com bagagem bastante diversificada, buscando tornar-me uma profissional apta a atuar no mercado voltado às áreas ligadas à reflexão, produção, organização e viabilização da Cultura. Sempre concordando com velhos ditados que pregam que o aprendizado se dá a cada instante e, como sabiamente minha Vó Nice cita São Tomaz de Aquino: “Só se aprende a fazer, fazendo”.
4 – E por que ‘Estáticos?’ ?
Como eventualmente faço, estava eu caminhando pela Praça do Terreiro de Jesus, Pelourinho, observando a quantidade de pombos que perambulam em torno da fonte instalada na referida praça. As imagens que compõem a fonte estavam com os pés totalmente cobertos por um limo branco, verde e avermelhado, pois tratavam-se justamente dos pontos em que a água caía com maior incidência.
Logo veio a idéia de registrar fotograficamente aquela imagem, pois a impressão que me veio à mente, a princípio, foi de um pé ferido, como se sofresse de hanseníase em estado avançado. Uma semana mais tarde, cheguei ao ‘Pelô’, máquina na mão, toda eufórica para fotografar. Quando, para meu espanto, a fonte tinha sido limpa, pintada, enfim, fora totalmente restaurada. Perderam-se todos os pés “leprosos”, mas a idéia do meu projeto de TCC surgia naquele momento.
Uma semana antes, eu tinha um monumento que me oferecia uma imagem estética e plástica o suficiente para se transformar numa bela fotografia. Agora, havia uma mutação do estado anterior do monumento, demonstrando as diversas alterações que tais obras podem sofrer ao longo dos anos. Imaginei quantas e quantas imagens poderia conseguir fotogrgafando monumentos espalhados pela cidade que sofreram também algum tipo de modificação.
O título veio também neste momento, fazendo o trocadilho entre a palavra
“estátuas “ e o estado em que estas se encontram: o estado de estaticidade, de imobilidade. Mas, que estaticidade é esta? Uma vez que de uma semana para
outra, ou num espaço menor ainda de tempo, pode-se mudar totalmente a maneira como as estátuas se apresentam? Logo, o Projeto nada mais poderia ser que uma indagação, um questionamento: ‘Estáticos?’.
5 - A Fotografia em ‘Estáticos?’
O Trabalho de Conclusão de Curso proposto neste projeto opta por utilizar a fotografia como meio de expressão, visando explorar suas diversas possibilidades, ressaltando-se formas, texturas, composição dos elementos enquadrados, além de tentar utilizar harmoniosamente volumes, cores, tons.
Ao fotógrafo é dado o poder de escolher os limites da imagem a ser captada, enquadrando, recortando, definindo a velocidade de exposição e a quantidade de luz absorvida pela objetiva. Assim, ele seleciona o que deve ser valorizado e o que pode ser descartado, fazendo uma triagem prévia do que será ou não observado pelo espectador. Barthes defende que fotografar é
“selecionar e destacar um campo significante e limitá-lo pelas bordas do quadro, isolá-lo da zona circunvizinha que é sua continuidade censurada”.
(1990: 35)
As fotografias que compõem ‘Estáticos?’ selecionam objetos que muitas vezes passam despercebidos pelos transeuntes. As estátuas são oferecidas ao olhar do espectador diariamente, compondo monumentos históricos, nas fachadas de casas e edifícios, nas ruas, praças e jardins. Porém, ao serem recortadas num quadro definido pela objetiva, têm sua presença destacada.
É como se os fragmentos visuais produzidos solicitassem que ao modelo fotografado se dê atenção, como a desprendida pelo fotógrafo, ao conceber tal imagem ou outros tipos de observação, uma vez que a fruição de imagens é aberta a interpretações diversificadas dos leitores, ficando “evidente que, sendo
a fotografia plural, as diferentes abordagens possíveis são igualmente múltiplas”
(Bauret, 1992:10).
A fotografia, por se tratar de um produto humano, “pode ser – também - o
espaço da criação de uma realidade que não existe nem fora dela, nem antes dela, mas precisamente nela. Não sendo apenas um registro simples da realidade, mas criadora da sua realidade” (Barthes, 1990: 84). As imagens se
As imagens possibilitam a criação de mundos que só existem nelas mesmas. Mundos, ou realidades, que podem ser experimentados de diversas formas, de acordo com a imaginação particular de cada receptor, respeitando suas escolhas próprias e exclusivas. Em ‘Estáticos?’, a fotografia se apresenta como meio de expressão, transcendendo seu uso como documentação histórica, detendo o poder de despertar consciências.
Em momento algum houve, por parte da fotógrafa, a utilização do que Arlindo Machado denomida “técnica de transfigurar o referente para aumentar o
poder de convicção de sua imagem”. (Machado, 1984:56). A transfiguração
aconteceu, mas ocorreu previamente, executada por vandalismo, pela erosão pluvial ou eólica. As imagens, já previamente modificadas, encontravam-se suficientemente convincentes para o clique considerado ideal.
6 - Da organização à concretização
6.1 – Planejamento
Após definir o que seria o produto final a ser atingido – neste caso, uma exposição de fotos sendo montada em local público, retratando estátuas que sofreram alterações - fez-se necessário definir etapas, limites de tempo, recursos financeiros, materiais e imateriais para a realização destas etapas. “O primeiro
atributo de um planejamento bem sucedido é a capacidade de identificar um resultado final desejável. (...) o planejamento é feito com base em informações, suposições e percepções, com criatividade e sensibilidade...”. (Natale, 2004).
Como mencionado anteriormente, experiências adquiridas em trabalhos em produção cultural ligados às artes visuais foram de fundamental importância, adequando as ações a serem executadas de acordo com as necessidades específicas deste projeto.
O planejamento em ‘Estáticos?’ buscou sinalizar em que ordem as tarefas deveriam ser desenvolvidas, quais seriam as prioridades de execução a fim de evitar desperdício de tempo e de recursos. Acredito que o tempo foi bem usado neste projeto, mas isso só aconteceu porque cronogramas foram constantemente atualizados e adequados às mudanças.
Providenciar tudo com antecedência também foi ponto de relevância, pois houve tempo para buscar outras alternativas para o que fugiu ao planejado. Imprevistos e mudanças no percurso são comuns em projetos dessa natureza, porém os transtornos decorrentes de tais mudanças podem ser minimizados quando se tem um “plano B” em mente, o que evita momentos de stress e desgaste emocional.
Durante o desenrolar do trabalho, tornou-se inevitável o acúmulo de funções, pois não houve verba suficiente para contratar pessoas aptas a estarem me auxiliando nesta empreitada. Sendo assim, acabei executando diversas tarefas simultaneamente, o que se configurou numa prática bastante exaustiva. Porém, se por um lado me senti sobrecarregada em alguns momentos, por outro,
detive o controle de todas as etapas do processo, podendo modificá-las e aprimorá-las o quanto antes quando as julgava inadequadas.
6.2 - Execução
Feitas as devidas considerações sobre formatação e possibilidades abarcadas pelo planejamento, era chegada a hora de executar, de fazer os pontos imaginados se tornarem realidade. Quando as idéias que ainda estavam no papel, como projeções para o futuro, começam a ser postas em prática; quando as intenções começam a virar ações.
Esta é a etapa que considero a mais agradável, apesar de ser a mais trabalhosa e que suga a maior parte do tempo disponível.
A realização da Exposição Fotográfica ‘Estáticos?’ pode ser dividida em duas partes:
1- Produção das fotos – monumentos escolhidos, locais de instalação, tipos de
equipamentos utilizados, edição do material, manipulação do material, etc;
2- Concretização da exposição – orçamento, busca por patrocínios e apoios,
autorizações, estratégia de comunicação, necessidades técnicas de montagem - iluminação, confecção e disposição das molduras, dentre outros.
Na verdade, esta divisão tornou-se necessária para melhor organização da presente memória, porém ambas as partes foram se desenvolvendo concomitantemente, com aspectos muito estreitos a separá-las e muitas vezes os acontecimentos de uma parte determinavam as decisões a serem tomadas para a viabilização da outra.
6.2.1 - Produção das fotos
Durante os últimos dois anos, infelizmente, estive bastante afastada dos estudos e práticas ligadas ao ato de fotografar e mais diretamente ligada ao campo da produção cultural. Ao decidir realizar um projeto cujo suporte seriam
fotos, foi sentida nitidamente a necessidade de rever bibliografia e reler manuais técnicos dos equipamentos.
Poderia afirmar que, em ‘Estáticos?’, a intuição suplantou a técnica.
Após muitos momentos de angústia e insegurança, meu co-orientador, Prof. José Mamede, me convenceu que o material obtido poderia perfeitamente compor uma exposição, nos moldes que eu já vinha planejando.
A definição prévia dos locais que deveriam ser fotografados facilitou bastante a busca pelas imagens, pois tendo uma espécie de roteiro de onde e o que fotografar, houve o que poderia chamar de pré-concepção do material a ser produzido. Claro que elementos inesperados foram encontrados ao longo do processo, mas isso foi apenas uma espécie de bônus para o que estava sendo procurado.
As estátuas normalmente apresentam-se monocromáticas, em tons de cinza, preto e, às vezes, branco devido ao material utilizado – bronze, granito, porcelana. Logo, foram produzidas fotografias coloridas, podendo enfatizar, por exemplo, as cores existentes nos elementos depositados sobre os monumentos, ou a cor do céu criando um pano de fundo. Na fotografia colorida é possível explorar melhor as variações de intensidade da luz e das sombras. A combinação da cor com nuances claras e escuras possibilitou a percepção de detalhes mínimos que compõem a imagem.
Não foi dado título a nenhuma das fotos. As fotos que compõem o projeto no ANEXO 2.
1- Monumentos escolhidos e locais de instalação.
Primeiramente, foi feita uma listagem de monumentos localizados em bairros diversificados de Salvador, abrangendo desde a Cidade Baixa e o Centro Histórico até a Av. Paralela e Itapuã. Porém, no decorrer da realização das fotos, verificou-se que o material produzido nas áreas do centro da cidade era suficiente para compor o projeto, além do deslocamento pra áreas mais distantes se tornar inviável por estar trabalhando sem dispor de carro próprio.
Foram fotografadas estátuas, em sua maioria, muito conhecidas pelos transeuntes e instaladas em locais de abundante circulação popular: Praça Dois de Julho, Passeio Público, Palácio da Aclamação – no Campo Grande; Antiga Faculdade de Medicina, Pelourinho; Praça Visconde de Cayru, em frente ao Mercado Modelo; Largo da Mariquita, Rio Vermelho e Praça Castro Alves.
A coleta de dados históricos – como data de instalação, autor da obra, nome da obra, alterações de local de instalação no decorrer do tempo, etc – não se deu de maneira satisfatória. Não foram encontradas fontes com informações detalhadas em bibliotecas de instituições ligadas aos patrimônios públicos, como a Fundação Gregório de Matos ou o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia - IPAC. A greve dos servidores da UFBA impediu o acesso às bibliotecas dos cursos de Arquitetura e Belas Artes, que poderiam deter informações importantes para a complementação do trabalho.
Para que o público não ficasse sem referências sobre as imagens, foi inserido no rodapé de cada moldura, posteriormente à abertura da exposição, uma tarja contendo o local onde os monumentos estão instalados e, em alguns casos, outras informações adquiridas também foram disponibilizadas.
2- Equipamentos utilizados
Analógico:
- Câmera Canon EOS 500 N
- Objetiva Canon EOS AF-MF Zoom 28/90 f:4.5 - Teleobjetiva Sigma AF-MF Zoom 100/300 f: 4.5-6.7 - Filtro UV Kenko 58mm
Digital:
- Câmera Fujifilm S5000
- Objetiva Fujinom Zoom 37/370 f: 2.8-8
Também foi utilizado um tripé e em uma única foto, a da Praça Castro Alves, a lente dos óculos de sol serviram como um filtro para enfatizar a cor alaranjada do céu no instante em que a imagem foi registrada.
Foi utilizado apenas um rolo de filme Fuji, ISO 100, do qual foram escolhidas 3 fotos para a exposição.
Logo no início da produção das fotos, houve a desistência pelo uso do equipamento analógico. Primeiro, porque o equipamento apresentou pequenas falhas de funcionamento, não apresentando uma abertura perfeita do diafragma e adequada resolução focal. Altos custos com a compra e revelação de filmes foi outro fator. Além disso, o resultado das fotos produzidas por meio analógico só pode ser avaliado após a revelação do filme. Isso demanda tempo, item bastante escasso na realização deste projeto.
Sendo assim, decidi utilizar o equipamento digital por quase todo o período da produção das fotos, uma vez que o mesmo poderia ficar sob minha responsabilidade (a câmera digital pertence a Fábio, meu namorado). Além disso, a tecnologia digital de captação de imagens oferece uma visualização instantânea do resultado obtido, mostrando se é necessário ou não prosseguir em busca de uma melhor imagem, o que facilitou bastante meu trabalho.
3- Edição e ampliação das fotos
Como mencionado anteriormente, houve uma espécie de pré-concepção das fotos desejadas, consistindo a edição do material apenas em escolher a melhor imagem de cada monumento fotografado.
Inicialmente, 12 fotos iriam compor a exposição, porém, por falta de tempo para refazer duas das imagens que estariam presentes, foram ampliadas apenas 10. O tamanho 30cm X 40cm foi considerado suficiente para atender às necessidades, pois a montagem da exposição permitiu que os observadores circulassem bem próximos às molduras.
O serviço de manipulação e ampliação do material foi executado pela empresa Objetiva Revelação Digital, considerada por profissionais da área a melhor no ramo fotográfico em Salvador.
4 – Manipulação
O equipamento digital utilizado detém boa qualidade em relação à resolução das imagens e outros recursos, como zoom e iluminação. Porém, a profundidade de campo desejada em algumas fotos não foi alcançada. Em outras,
elementos considerados desnecessários precisaram ser removidos do quadro, ou ainda o contaste das cores e a iluminação precisaram ser enfatizadas.
“As possibilidades de o fotógrafo interferir na imagem – e portanto na configuração própria do assunto no contexto da realidade – existem desde a invenção da fotografia. Dramatizando ou valorizando esteticamente os cenários, deformando a aparência de seus retratos, alterando o realismo físico da natureza e das coisas, omitindo ou introduzindo detalhes, o fotógrafo sempre manipulou seus temas de alguma forma (...) Entre o assunto e sua imagem materializada ocorreu uma sucessão de interferências ao nível da expressão que alteraram a informação primeira.” (Kossoy, 2002:30)
A manipulação foi executada no Laboratório Digital da empresa Objetiva. A imagem original e o seu resultado após as alterações podem ser comparadas no
ANEXO 5.
6.2.2 - Concretização da exposição
1 – Orçamento e gastos em geral
Depois que o planejamento definiu como as etapas seriam conduzidas, ficou fácil visualizar quais as necessidades financeiras para executá-las. O orçamento foi feito em, ao menos, três empresas / fornecedores de cada item.
Tentei dividir os gastos por grupos de necessidades: - Fotos – filmes e ampliações;
- Papelaria – tinta impressora, envelopes, mídias virgens , etc;
- Transporte – corridas de táxi, motoboy e gasolina (o uso de automóvel ocorreu no final durante a realização do projeto);
- Material gráfico – desenvolvimento lay out, impressão peças gráficas – cartazes, panfletos e banners;
- Material para montagem – massa corrida das molduras, arame, correntes, nylon, alicate, etc;
- Registro da abertura – fitas MINI DV e pilhas AA; - Assessoria de imprensa – contratação de profissional.
O valor total para a realização do projeto foi de R$ 5637,06. Sendo que cerca de 69%, R$ 3872,00, foram obtidos sob forma de patrocínio e apoios e
31%, R$ 1765,06 , foram arcados por mim.
A planilha de gastos em geral pode ser observada no ANEXO 6.
2- Projeto de captação
O projeto de captação foi elaborado de maneira sucinta, objetiva, oferecendo as principais informações sobre a exposição e ao mesmo tempo, mostrando-se graficamente interessante para os possíveis patrocinadores / apoiadores.
Formulei a concepção e elaboração, além de redigir e formatar graficamente o projeto de captação de recursos. Utilizei como base projetos de eventos anteriores, fazendo as devidas adequações à minha proposta e, às vezes, adequando-o de acordo com as necessidades específicas solicitadas ao possível patrocinador / apoiador.
O projeto foi composto basicamente de APRESENTAÇÃO, OBJETIVOS, INFORMAÇÕES GERAIS, DIVULGAÇÃO, PATROCÍNIO / APOIO, CONTRA PARTIDA, MONTAGEM e DADOS SOBRE A PROPONENTE.
Tem-se uma cópia do projeto de captação em sua versão completa no
AXEXO 1.
3- Busca por patrocínios e apoios
No projeto de captação de recursos, no item referente ao patrocínio, foram estipuladas cotas variando de ¼ do valor total até 100% do valor total do Projeto, onde as rubricas de PATROCÍNIO ou APOIO CULTURAL seriam concedidas de acordo com a parcela disponibilizada pela empresa / instituição.
Foi elaborada uma lista com nomes de possíveis patrocinadores e apoiadores que poderiam se interessar pelo Projeto. Os nomes foram escolhidos
levando-se em consideração a área de atuação das empresas / instituições a serem procuradas, as quais poderiam mostrar afinidades com a proposta da
Exposição ‘ Estáticos?’.
Dentre as instituições públicas municipais e estaduais, estão: Prefeitura Municipal, Superintendência de Parques e Jardins, Secretaria de Cultura, Secretaria de Serviços Públicos, Fundação Cultural do Estado, Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia – IPAC, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e Fundação Gregório de Matos.
A Pró-Reitoria de Extensão da UFBA também foi contatada, devido a sua simpatia a eventos culturais de alguma forma ligados à Instituição. Porém, o afastamento do então Pró-Reitor, professor Manoel José de Carvalho, por motivos de saúde e a greve dos servidores que se iniciou justamente no período de execução do Projeto ‘Estáticos?’ atrapalharam o possível apoio da UFBA à exposição.
Empresas particulares que poderiam ceder algum tipo de material – ampliação das fotos, material gráfico, etc - também foram procuradas. Todos os apoios conseguidos podem ser observados no ANEXO 7.
4- Autorizações
Uma das primeiras providências que foram tomadas no início da execução do Projeto foi a busca por todas as autorizações necessárias à realização da exposição em local público. Para minha surpresa, foi muito fácil adquirir o consentimento da Superintendência de Parques e Jardins7 para que ‘Estáticos?’ pudesse acontecer na Praça Dois de Julho.
O chefe de gabinete da SPJ, Sr. Gildásio Nascimento, se mostrou bastante interessado em executar projetos desse teor, onde a população em geral pode estabelecer contato com linguagens culturais diversas. Além do projeto não apresentar riscos de degradação ao patrimônio público, como ocorre, por exemplo, normalmente em shows musicais.
7
A Superintendência de Parques e Jardins é o órgão da Prefeitura Municipal que administra, rege e cuida das praças, jardins e parques municipais em Salvador.
As únicas exigências da SPJ consistiram em: não ser cobrada taxa para a visitação da exposição, assim como não haver venda de qualquer tipo de material durante o evento, além do comprometimento em custear possíveis despesas provenientes de danos causados ao patrimônio público, caso isso acontecesse.
5- Montagem – iluminação e molduras
Por se tratar de um espaço aberto, foi extinta a idéia inicial de montar uma iluminação direcionada como ocorre em galerias de arte. Outro motivo que levou à desistência dessa alternativa é que em Salvador não existe uma empresa com equipamentos adequados para este tipo de iluminação; tudo precisa ser alugado no Rio de Janeiro ou São Paulo quando há necessidade. Logo, se tornou inviável devido ao alto custo.
Então, lâmpadas comuns foram instaladas no estilo gambiarra, priorizando as áreas que deveriam ser iluminadas – áreas mais próximas das fotografias e do banner contendo o conceito da exposição. A montagem da iluminação ficou por conta da Secretaria de Serviços Públicos8 - SESP, e o consumo de energia foi pago pela Prefeitura Municipal, como acontece normalmente em eventos situados em locais públicos.
As fotos foram dispostas em placas de foamboard, material sintético parecido com isopor, porém mais resistente. Sobre as fotos foi inserida uma película ao mesmo tempo impermeabilizante e com filtro UV, protegendo as imagens dos respingos d’água, umidade do ar e impressões digitais e também contra o desbotamento provocado pelo Sol. As placas mediam 52cm X 62cm, dessa forma foi possível deixar um passe-partout de 6cm e ainda confeccionar uma moldura de mais 5cm, que se estendeu até a borda de todo o quadro.
A própria estrutura do Jardim Suspenso serviu de suporte, onde as molduras foram penduradas com correntes metálicas. A princípio, a disposição das molduras pendendo das vigas parecia a melhor maneira de expor as fotos, porém, por conta do forte vento no local foi necessário desmontar toda a
8
A Secretaria de Serviços Públicos controla a iluminação, reformas, limpeza e outros serviços voltados aos espaços públicos da cidade. Neste órgão municipal existe um setor específico para dar o suporte necessário aos eventos que ocorrem em praças, parques, vias e espaços públicos em geral de nossa cidade.
exposição no dia 26/11, refazer algumas das molduras que acabaram quebrando com o impacto das rajadas de vento e remontá-la no dia após sua abertura (27/11), desta vez não só utilizando as correntes presas ao teto, mas também as molduras presas às pilastras do local.
A segunda montagem se apresentou muito mais funcional e agradável para a observação do público, pois as imagens ficaram paradas, podendo ser apreciadas com mais calma. As fotos do local montado das duas formas podem ser vistas no ANEXO 8.
3- Estratégia de Comunicação
“Todo fenômeno cultural para se efetivar, na atual sociedade de massas, necessita ser divulgado, condição essencial à formação de públicos”.
(Miranda, 2005:79)
A divulgação do projeto foi feita da seguinte maneira:
Mídia impressa:
300 (trezentos) cartazes e 5000 (cinco mil) panfletos distribuídos em faculdades, escolas, teatros, galerias de arte, restaurantes e outros espaços da cidade. A distribuição das peças ficou por conta da Produtora Jr. da FACOM, que entrou no projeto como APOIO CULTURAL.
4 (quatro) banners dispostos no local da exposição, contendo o conceito do projeto, divulgando o mesmo e exibindo as logomarcas das empresas e / ou instituições patrocinadoras, apoiadoras e parceiras.
Mídia eletrônica:
Envio, via Internet, de banner eletrônico para um mailing estimado em cerca de 5000 (cinco mil) endereços. Este número pôde ser alcançado porque a Diretoria de Artes Visuais e Multimeios – DIMAS, divulgou o projeto em sua lista
de contatos, além do envio para listas de discussão e endereços de amigos que também encaminharam o banner eletrônico para todos os seus contatos.
Assessoria de Imprensa:
Este foi um dos poucos pontos do projeto, senão o único, em que contei com uma efetiva ajuda de outra pessoa. Daniele Canedo, encarregou-se por fazer a triagem dos veículos de comunicação que deveriam receber o press release, entrando em contato com os responsáveis pelo setor de cultura de cada órgão.
Dessa maneira, a assessora tentou conseguir matérias jornalísticas, “notinhas” e até entrevistas na conhecida mídia espontânea, aquela que não se dá como um espaço publicitário, em emissoras de TV, rádio, jornal impresso e boletins culturais.
Foram desenvolvidos e enviados três releases: o primeiro, na semana que antecedeu o evento – convidando para a abertura do mesmo e dando maiores explicações sobre a exposição; o segundo durante o evento – ressaltando a abertura e falando da continuidade do projeto, e o último, após o encerramento – agradecendo à mídia local pela cobertura e oferecendo dados sobre a visitação e repercussão do projeto e suas conquistas.
Foi desenvolvido um press kit para a entrega do release, onde o mesmo seguiu numa embalagem de DVD com capa desenvolvida seguindo o lay out geral da exposição, contendo o texto impresso e um CD com o mesmo texto digitalizado e as fotos com boa qualidade (300 DPI) para serem usadas na divulgação.
É de praxe, que, ao término do evento, a assessoria de imprensa entregue um clipping contendo todas as reportagens, notas, comentários e críticas que foram veiculados pela imprensa - televisiva, impressa ou digital – a respeito do projeto cultural em questão. Especificamente em ‘Estáticos?’, a coleta e compilação de tais dados foram feitas tanto pela assessora quanto pela proponente, visto que não se tratou de uma relação de contratação de serviços, mas sim de amizade. A repercussão da Exposição será mencionada no próximo tópico.
7 - Enfim, Exposição ‘Estáticos?’:
A abertura de ‘Estáticos?’ ocorreu em 26 de novembro, sábado, às 11h, sendo visitada até 11 de dezembro. O horário de visitação foi o mesmo de funcionamento da Praça: diariamente das 05h às 22h.
No dia da abertura houve a participação da cantora Silvane Elle, vocalista da Banda Axé, que deu início às atividades do evento com um repertório diversificado, variando da música clássica à MPB.
Dando continuidade, houve a apresentação de uma performance teatral intitulada "PERFORMANCE-INSTALADA", COMO PEGAR NA VOZ DE UM
PEIXE - OS DESLIMITES DO SER, com atuação da atriz Felícia de Castro. A
performance constituiu-se em uma estátua viva contendo fragmentos de poesias de Manoel de Barros escritos sobre o corpo.
Durante toda a manhã da abertura houve ameaça de chuva, o que acredito ter dispersado o público que normalmente freqüenta o local. Aqueles que não tiveram medo de tomar um pouquinho de chuvisco marcaram presença: percebendo o movimento do local, passavam, olhavam e seguiam seus caminhos. Acho que esta será a dinâmica de visitação até o término do projeto.
A Praça Dois de Julho, no Campo Grande, apresentou-se como local ideal para abrigar o Projeto por diversas razões:
- Possuir estrutura física adequada para a montagem da Exposição, com
uma cobertura onde foi possível pendurar as molduras, sendo estas protegidas da chuva moderada e do sereno, além desta cobertura ser de acrílico transparente, permitindo iluminação suave no local durante o dia;
- Segundo a Superintendência de Parques e Jardins, a Dois de Julho é a praça de nossa cidade que apresenta o segundo maior índice de circulação de público, formado por pessoas de diferentes classes sociais e poder aquisitivo, viabilizando também o contato de apreciadores diversificados com a linguagem fotográfica;
- Duas das fotos que compuseram a mostra são de estátuas localizadas nesta praça; logo, as mesmas puderam ser observadas tanto nas fotos como ao vivo, em seu local de instalação.
Ao todo, foram escolhidas 10 fotos, pois este número foi considerado suficiente para retratar o conceito da mostra, além do valor de sua produção estar dentro dos limites de custos;
As ampliações foram feitas no tamanho 30cm X 40cm, pois sendo as mesmas observadas de perto pelos apreciadores, não se mostrou necessário um tamanho maior;
Foi contratado um monitor para acompanhar a exposição diariamente, cuidando da manutenção do material exposto, dando maiores informações aos visitantes mais interessados, zelando pelo livro de assinaturas que não pôde ficar em tempo integral disponível para os espectadores, devido à possível ação de vândalos.
‘Estáticos?’ conseguiu uma boa repercussão na mídia local; foram
concedidas entrevistas para as TVs Aratu, Itapuã e TVE, sendo as matérias exibidas mais de uma vez em telejornais de cada emissora. Também foram veiculadas matérias nos jornais impressos Correio da Bahia e A Tarde, além da divulgação no encarte municipal de cultura Bahia Cultural, editado pela FUNCEB.
Imagens da abertura e do decorrer do evento podem ser vistas no ANEXO 9.
8 – Conclusão
Acredito ter atingido os objetivos propostos por ‘Estáticos?’:
- Agregar fotografia e produção cultural para a realização do meu Trabalho de Conclusão de Curso;
- Conceber integralmente o Projeto, planejando e executando cada uma de suas etapas; levando adiante o que dava certo e vislumbrando alternativas para contornar as dificuldades;
- Obter boa repercussão na mídia local, recebendo críticas positivas em relação ao Projeto;
- Surpreender o observador, ao mostrá-lo que algo tão acessível como os monumentos públicos podem, através da fotografia, ganhar nova leitura;
- Despertar o senso de preservação dos monumentos de nossa cidade;
- Saber que pessoas das mais distintas classes sociais e graus de instrução podem interpretar à sua maneira esta tão formidável manifestação artística que é a fotografia.
Quando feitos muito trabalhosos são realizados alcançando seus objetivos, a satisfação vence o cansaço.
9- Referências Bibliográficas
BARTHES, Roland. “A câmara clara: nota sobre a fotografia”. 3ª ed.. Tradução: Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1984;
BARTHES, Roland. “A mensagem fotográfica”. In O Óbvio e o Obtuso. 2ª ed., Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1990.
BAURET, Gabriel. “A Fotografia. História, estilos, tendências, aplicações.” Tradução: J. Espadeiro Martins. Lisboa, Portugal: Edições 70, Lda. 1992.
KOSSOY, Boris. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 3ª edição, Cotia, São Paulo: Ateliê Editorial. 2002.
MACHADO, Arlindo. A Ilusão Espetacular. 5ª ed, São Paulo: Editora Brasiliense,1984.
MIRANDA, Nadja. Organização e Produção da Cultura. Salvador: EDUFBA; FACOM / CULT, 2005.
NATALE, Edson – Olivieri, Cristiane. Guia Brasileiro de Produção Cultural 2004. São Paulo: Editora Zé do Livro, 2003.
10 – Bibliografia
BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. 3ª ed.. Tradução: Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1984;
BARTHES, Roland. “A mensagem fotográfica”. In O Obvio e o Obtuso. 2ª ed., Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1990.
BAURET, Gabriel. “A Fotografia. História, estilos, tendências, aplicações.”. Tradução: J. Espadeiro Martins. Lisboa, Portugal: Edições 70, Lda. 1992.
BENJAMIN, Walter. Pequena história da fotografia. In: Obras escolhidas – volume 1, 3ª ed. Tradução de Sérgio Paulo Ruanet. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987. DUBOIS, Philip. O ato fotográfico. Tradução de Marina Appenzeller. São Paulo: Editora Papirus, 1994.
KOSSOY, Boris. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 3ª edição, Cotia, São Paulo: Editora Ateliê Editorial. 2002.
LIFE Library of Photography - FOTOGRAFIA – Manual completo de arte e técnica. Tradução de Alberto Gambirasio. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1978.
LIMA, Ivan. A fotografia e a sua linguagem. 1ª ed., Rio de Janeiro: Editora Espaço e Tempo,1988.
MACHADO, Arlindo. A Ilusão Espetacular. 5ª ed, São Paulo: Editora Brasiliense,1984.
NATALE, Edson – Olivieri, Cristiane. Guia Brasileiro de Produção Cultural 2004. São Paulo: Editora Zé do Livro, 2003.
RUBIM, Linda [et al.] Organização e Produção da Cultura. Salvador: EDUFBA; FACOM / CULT, 2005.
SONTAG, Susan. Ensaios sobre fotografia. 2ª ed. Tradução de Joaquim Paiva. Rio de Janeiro: Editora Universitária.
WOLFFLIN, Heinrich. A Arte Clássica. São Paulo, SP: Livraria Martins Fontes Editora LTDA, 1990.
ZUANETTI, Roze – Real, Elizabeth – Martins, Nelson [et al.] Fotógrafo – O olhar, a
técnica e o trabalho. Rio de Janeiro: Editora SENAC nacional, 2004.
Sites da WEB:
http://www.marketingcultural.com.br http://www.facom.ufba.br/revistacompos/ http://www.estatuashumanas.com/archivos
11 – Anexos
ANEXO 1
Projeto de captação.
ANEXO 2
Modelo de cartaz e panfleto utilizados para a divulgação do Projeto. Ambos tiveram o mesmo lay out, sendo o cartaz tamanho A3 e o panfleto tamanho cartão postal, como segue abaixo:
ANEXOS 3 a 9 – encontram-se no CD que segue abaixo, tratando
respectivamente:
3 – Modelo dos banners utilizados para sinalização e divulgação do Projeto no
local onde a exposição foi montada.
4 – Fotos que compuseram a exposição.
5– Fotos: originais e manipuladas. Modificações efetuadas para alcançar o
resultado desejado.
6 – Gastos em geral - planilha detalhada.
7 – Apoios / patrocínios – instituições e suas colaborações.
8 – Montagens da exposição – as duas maneiras como ‘Estáticos?’ foi montada. 9 -- Exposição ‘Estáticos?’ – notas sobre a abertura e desenrolar da exposição.