DEPARTAMENTO
DE
SERVIÇO SOCIAL
ALCOOLISMO
X
TRABALHO:
UMA
SITUAÇÃO SÓCIO-OPERATIVA
nos
tFUNc1oNÁR1os
DA
ECT/DR-sc
I
Trabalho
de
Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Serviço Social da Universidade Federalde
Santa Catarina paraobtenção do título de Assistente Social,
pela acadêmica:
Graziela
da
Rosa
VieiraÍfl
DEPARTAMENTO
DE
SERVIÇO SOCIAL
Trabalho
de Conclusão de
Curso
elaborado por:<>zg,,¬¬a›,d@~.
ê?>\O€s\9›€'>
Cha?/ašbo veçzãn T"š3ã°
í CSE/UFSC epto. de Serviço Social
GRAZIELA
'DA
ROSA
VIEIRA
Krystyna Mattys Costa
(Presidente)Adriana Zanqueta
WilbertFlorianópolis,
setembro de
1998.i
Ana
ClaudiaMoraes
mais
uma
etapade
minha
vida.Sou
o
príncipede
todas as alegrias,companheiro de
todos os prazeresmudanos, o mensageiro
da
morte:o
príncipeque governa o mundo.
Eu
estoupresente
em
todas as partes,em
todas as cerimônias,em
todas as reuniões.Fabrico
adultérios,faço
nascernos
coraçõespensamentos negros
e cerímonias;a
jovens e adultos osfaço morais
e os contemplos satisfeito;sou
pai
da
corrupção
eda
desgraça,enveneno
a
raça, sujo os lares, «tragoo
envelhecimento e
a
depravação,a
loucura,o
crime,o
suicídio.Eu
estoucom a
família,
degenerando
e extinguindopor
completoa
raça,ocasionando
osconflitos e
desgraça nos
lares;faço
nascer crianças raquíticas, retardadas,idiotas; coloco
um
véu sobre os olhos ea
consciência,fazendo parecer o
crimecomo
vingança,o
martíriocomo
passatempo,o
adultério ea
imoralidadecomo
entretinimento.
Eu
sou
a
causa das doenças
e desgraçasmais
repugnantes,dolorosas e incuráveis;
a
tuberculose,o
câncer,a
sifilis, úlceras,tumores
emuitas outras.
Minha
aspiração é convertero
mundo
em
um
hospital,em
um
manicômio
eem
presídios.Eu
nasço
em
todas as partes;conheço
todas asregiões
do mundo;
tenhominha
origem
na
uva,na
cana,no
Trigo,na
cevada,etc.
Minha
pátria éa
terra,meus
escravossão
os homens,quem
me
envia éo
diabo.
Eu
sou
vosso rei.Eu
sou
sua
majestade,o
álcool.Bárbara Musuneci
Soares
INTRODUÇÃO
... .. 061 -
ALCOOLISMO
E
SUAS
REALIDADES
... ._ 091.1
A
Droga
conhecidacomo
Álcool ... .. 091.2 Reconstrução Histórica - do Alcoolismo ... 21
1.3 Alcoolismo - da Diversões aos seus Problemas ... .. 37
1.4 Alcoolismo
no
Trabalho ... ._ 442 -A
UMA
EXPERIÊNCIA
DE
ESTÁGIO
JUNTO A
EMPRESA
BRASILEI
-RA
DE
CORREIOS E
TELÉGRAI‹¬Os/DR-sc
... .. 512.1 Apresentação do
Módulo
39 -Documento
Nonnatizador do Programa naEmpresa
... .. 512.2 Reconstrução Histórica do Programa de Prevenção e Tratamento dos
Problemas do
Uso
do Álcool e outras Drogas ... .. 602.3 Reposicionamento
-
Uma
nova linha de trabalho do Serviço Social naECT
... .... .'. ... .. 76 2.4 Apresentação da Pesquisa ... _. 80c\ONsInERAÇõEs
FINAIS
... .. 93BIBLIOGRAFIA
... .. 97ANEXOS
... .. V 100Hoje,
mais do que
em
qualquer época, écomum
nos depararrnoscom
manchetes
do
tipo:“Da
Cervejinhaao
Alcoolismo”, "A
OrganizaçãoMundial
da
Saúde
adverte:maconha
émenos
prejudicialdoque
o
álcool eo
tabaco. 'Com
uma
freqüência rassustadora, estestemas
entramem
nossos lares através de revistas, jornais, televisão,computador
(internet) eem
muitos
casos,constatamos
que
um
membro
da
família,um
amigo
é afetado pela doença.No
Brasil,segundo
osdados
do
Ministérioda
Fazenda, a arrecadaçãodo
govemo
em
bebidas alcoólicaschegou
a 1,8 bilhões de reais -mais
do
que
o
lucro líquido
em
1995da
Petrobrás, Telebrás eVale
do
Rio
Doce
somados.
O
consumo
de bebidas por parte dos adolescentes estásendo
mais
constante
em
nossa sociedade.Embora
muitos paisnão
achem
o
álcool tão assustador quanto as outras drogas, os especialistas alertam parao
perigo dessatendência e
sugerem novas
maneiras de interferir. Poisna
classificação»drogas é
que
é permitidapor
lei e aceita socialmente.Tomando
o
número
de
internações
em
clínicas especializadas cadavez
maior.Pelo fato de ser aprovada socialmente,
o
adolescente ingere a bebidaacreditando
que nada
irá acontecercom
ele e assimsem
medir
as conseqüências.~
O
interesseem
estarbuscando
uma
maior compreensao
sobreo
alcoolismo,
onde o
mesmo vem
apresentandoproblemas na
atualidade, foio
que
nos levou a escolher estetema
para estudo.Além,
do que
constatamos esseproblema na
Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos -ECT
onde
realizamos nossa prática de estágio
no
períodode
96.1 à 97.1.A
escolha deste assunto setomou
forteno
momento
em
que
começamos
a
acompanhar
os casosde
alcoolismona
empresa,como
também
a criaçãodo
Grupo
Sensibilização.Para
melhor
compreensão
deste trabalho dividimosem
2 capítulos,onde
o
primeiro abordaráum
breve histórico sobreo
álcool parapodermos
entendercomo
esta drogavem
se infiltrandona
sociedade deforma
a se estruturar nasmalhas da
cultura dospovos
até adentrarem
"nossos lares",empresas
e,por
que
não,em
"nossas vidas"._
O
segundo
capítulo relata nossa prática de estágio vivenciadanuma
empresa
publica -ECT,
ecomo
os profissionaisvem
se aprimorando para darconta de
um
tema que
causa polêmica, exigecompromisso
profissional e1.1
A
DROGA
CQNHECIDA
coMo
ÁLCOOL
Com
o intuito decompreendermos
a influênciaque
o álcooltêm
sobre as pessoas, necessário se faz adentrarmosna
história edesvendarmos
os seus significados. Para tanto, reservaremos a este capítulodotrabalho
um
espaço
para observar as multifacetas desta substância.
i
A
origem da
palavra álcoolvem
do
árabe "l<uhl", "kohl"ou
"kohol"que
traduzindo significa
pó
muito fino. Posteriormente passou a sechamar
"essência - sutil partedo
vinho" e a partir de então foi utilizada a expressão"álcool vini"
que
se entendiacomo
o
"espíritodo
vinho".Percebemos
até entãoque há
um
certo misticismoque
envolve este tema.A
cadamomento
histórico seu significadoassume
performancesde
suaTomando
entãoo caminho da
histórianos baseamos
em
Mansur
citadopor Junkes (1997, p.54-55):
"a noção de que álcool era
uma
substância divina é encontrado namitologia de povos iletradas, sendo que água, leite e vinho se
tornaram símbolos de rituais, com significado de fonte, da
vida. Acrescenta-se a isto, a visão simbólica da equivalência do
álcool com sangue, que transparece nos rituais da Igreja Católica,
que passaram a simbolizar a vida e a morte " (bl/INS
UR
citado porJ
UNKES, p. 54-55).Há
indícios de probabilidades deque o
álcool tenhaassumido
perfilde
drogas psicotrópicas pelos traços simbólicos
que
vem
desenhando
desde aantigüidade e difundindo-se
no
âmago
dascomunidades de maneira
lentamas
progressiva.Vale salientar alguns acontecimento
que
marcaram
a época,como
podemos
encontrarna
Bíblia,com
várias alusões à culturado
vinho e citandocomo
exemplo
clássico Gênesis (9:20 - 21, p.24-5):" Noé, que era -agricultor -começou a lavrar a terra e plantou a
primeira vinha. Tendo bebido o vinho, embriagou-se e despiu-se
dentro da sua tenda "
(GENISE
9:20 - 21, p. 24 -5). `Eis
que
cenas parecidascom
esta sereproduzem
até os dias de hoje,mudando
apenas o cenário e os atores.Chega
ser impressionante amagia
que
envolve
o
homem
proveniente desta essênciaque
permiteque
um
ser inibidoenfrente
uma
praça pública e discursecom
palavras atraentes,porém,
muitasvezes,
com
uma
postura duvidosa.Ainda
nos calcandoem
Mansur
(1978, p.534)percebemos
que-1"
O
fato das bebidas alcoólicas passarem a predominarnos rituais transformando-se
no
símbolo por excelêncialiberar as inibições, produzir
uma
sensação de poder ede confiança
E
oportuno lembrar que as bebidasalcoólicas destiladas
foram
inicialmente conhecidascomo
água vital, sendo que a palavra uísque deriva dotermo gálico uisquebaugh que significa "água da vida"
(AMNSUR,
1978, p.534).O
álcool etílicoou
etanol éum
excremento de
leveduraque
podemos
encontrarno
mel, nas frutas nos cereais eem
outroscomponentes que
seconvertem
em
açúcar -Dióxido
deCarbono
(CO2)
e 'álcool(CH3
CH2
OH).
Este processo
denomina-se
fermentação.A
levedura continua a alimentar-sede
açúcar até que, literalmente
morre
de intoxicação alcoólicaaguda
- a verdadeiraprimeira' vítima
da
embriaguez.Em
estudos desenvolvidos porMILAN
(1983, p.27)vemos
que
numa
fermentação natural a concentração
do
álcoolchega
a 13ou 14%.
O
processode fermentação
pode
ser cessado deforma
artificialou
pelo processo inverso,quando
a levedura terminao
seu papelna
fasede
fermentação eo
homem
assume
esta função, destaforma o
álcoolpode
alcançaruma
concentraçãode
até
75%,
considerado álcool puro.A
porcentagem de
álcoolem
bebidas destiladas écomumente
expressaem
graus de prova,medida
norte americana.No
Brasilmedimos
as bebidasalcoólicas
em
graus"Gay
- Lussac" (0GL)
que
é equivalente ápercentagem de
álcool puro. Esta
medida
desenvolveu-sedo costume
inglêsdo
séculoXVII
de
provar
que
uma
bebida alcoólica erade
vigor suficiente, misturando-acom
percentagem do
álcool puro.Por
conseqüência,um
uísque deprova
100
contém
50%
de
álcool puro;um
uísquede prova 86
é43%
de álcoolAo
ingerir bebida alcoólica,um
serhumano
direciona esta substânciaque
segue rapidamente parao
estômago,onde
cerca de20%
imediatamentepassa através das paredes estomacais para corrente sangüínea, os
80%
restantesão transferidas
do estômago
parao
intestino delgado,onde
serão, então,absorvidos
na
corrente sangüínea.A
concentração de álcoolno
sangue
ésimplesmente
uma
medida
depercentagem de
álcoolque 0
sangue suporta,tomando-se
atémesmo
curiosoem
-saberque
seuma
pessoa ingerirmais
álcooldo
que
seu corpo possa suportar elepode
eliminar imediatamente.O
nível de álcoolno
sanguepode
ter influência dos seguintes fatores:-
O
peso: a pessoa maispesada
possuimais água no
corpo para diluiro
álcool;
--
O
sexo: as mulheresao
ingerirem álcoolaumentam
o
NAS
mais
rapidamente,
porque
menos
água no
corpo emais
tecido adiposo (gorduras);-
A
alimentação:um
estômago
vazionão
tem
outros alimentoscom
osquais diluir
o
álcool e diminuir seu ritmos de absorçãona
corrente sangüínea.A
seguinte tabela mostra, a relação entre alcoolemia e seus efeitosem
Níveis (mg/100ml) Bebedores Esporádicos Bebedores Crônicos 50 (inicial) Euforia adequada Nenhum efeito
75 Loquacidade Freqüentemente nenhum
efeito
100 Incoordenação motora Sinais mínimos de incoordenação motora
125 - 150 Impulsividade inadequada
descontrole
Agradável euforia início da
incoordenação motora 200 - 250 Redução do nivel de consciência
à letargia
Esforço para manter controle
motor e emocional
300 - 350
Do
estupor ao coma Sonolência lentidãoAcima - 500 Pode ocorrer a morte Coma
FONTE- MNISTÉRIÓ DA SAÚDE (1994, pró)
Uma
vez que o
álcool entrana
corrente sangüínea é distribuído pelocorpo através de
uma
simples difusão.Sua
estrutura molecular,pequena
erelativamente simples permite
que
ele passe atravésdas
membranas
celulares ese misture
no
conteúdo todo deágua
no
corpo. Encéfalo, figado, coração, pâncreas, pulmoes, rins e cadaum
dos outros órgãos e tecidos são infiltrados pelo álcool, minutos depoisde
ele ter passado paraa
corrente sangüínea.Os
efeitosno
encéfalo pelo álcool são incomuns. Pelo fatode
ser protegido de químicas e drogas porum
sistemade
filtro eletroquímicoconhecido
como
a barreira sangue, encéfalo, pennitindoque
sópassem
Em
relação às células cerebrais,o
álcoolprovoca
um
efeito depressivodepois
de
um
certotempo
de uso,sendo
esseo motivo
pelo qualo
mesmo
-éutilizado.
Podendo
causar depressão irrecuperávelou permanente
do
tecido cerebral, resultandoem
danos
irreversíveis ao cérebro se seu uso for excessivoou
prolongado.O
álcool altera o psiquismo eo
sistema nervoso central,modificando
o
comportamento do
homem. Quando
o
álcool for ingeridoem
doses baixas, estimula as células encefálicas fazendocom
que o bebedor
fique
feliz, falador, cheio de energias e eufórico.i
Para fazermos
um
gancho
entre álcool e drogas, vale enfatizaralgumas
características
do
álcool: líquido incolor, de cheiro caraterístico, inflamável,volátil
(PE
7 8°C)
eproduz
efeito intoxicantequando
ingeridoem
maior
içiantidade.
Segundo
aOrganização Mundial da Saúde
-OMS
\\ ` "Drogas são produtos que produzem
na
maioria dos usuáriosuma
necessidade irresistível dela,um
aumentoda tolerância para seus efeitos e dependência fisica
desta, manifestada através de sintomas sérios e
dolorosas quando ela é suprimida (MILAN, 1983, p. 35.)
E
ainda:Há um
aumento da tolerância do tecido à droga,uma
dependência física
com
sintomas físicos, síndrome deabstinência e
uma
necessidade irresistível da drogaquando ela é suprimida HWILAN, 1983, p. 35).
Desta
forma,o
álcool e consideradouma
drogaporque
causadependência,
uma
dasmais consumidas provavelmente
foi legalizada eRetomando
o
percursoda
história e analisando os diversos estudos sobrea
origem do
álcool, constatamosque
o hábitode
beber éum
costume muito
antigo.
Ao
longoda
históriada humanidade, o
homem
produzia e ingeria álcoolou
etanol, aindaque
em
estágio bastante primitivo.Tomando como
base os estudos de Fortes (1991, p.01):"Provavelmente, o Pithecantropus Erectus, ou
um
serancestral, os antropóides, já se familíarizara
com
osabor das bebidas alcoólicas, ingerindo os sucos de frutos maduros, caídos das árvores; fermentados por
exposição a ƒermentos acrotransportados e ao calor
solar.
Como
se sabe, na natureza, para ocorrer ofenômeno
da fermentação exigem-se só quatrocondições: açúcar, água, fermento e calor. Santo -
Domingo
refereo
provável uso ocasional de algumabebida alcoólica, o absinto, por exemplo, pelo
Homus
Erectushá
aproximadamente 250. 000 anos; considera a existência possível deum
consumo alimentar ritualnos períodos paleolíticos tardias 30.000 a
C
e,com
certeza, o
consumo
a partir do período neolítico 8. 000a10.000 a
C
"(FORTES,
1991, p. 01). _Alfaro
em
seu livroOs
Seguidores deBaco,
relata a históriade
Baco
nome
dado
pelosromanos
ao deusdo
vinho (a primeira bebida a ser descoberta).Conta
a MitologiaGrega que
Dionisio(nome
dado
pelos gregos)descobriu a vinha, celta vez, ao colher alguns cachos de uva,
espremeu
osfrutos
em
taçasde
ouro ebebeu
com
seus amigos. -O
deusdo
vinhonão
era só conhecido pelonome
de Dionísionem
tãopouco
de Baco,
pois recebeu múltiplasdenominações nos
lugares.E
nem
exclusivo
da
cultura grega.Encontramos
antecedentesem
antigas lendas índio-européia e
em
outras culturas, poisem
toda partehouve
uma
assimilaçãodo
Dionisio era considerado
como
um
deus-touro,um
deusmoribundo,
um
deus-menino,
um
deusabandonado
pelamãe,
tendoum
duplo nascimento.Em
Creta,
moedas
de Cidôniamostram-nos
um
Dionisiojovem;
em
Polírêmia,um
Dionisio cornudo;
em
Sibrita,um
Dionisio barbudo.Como
vimos
o deusdo
vinho possuía aspectos diversificadoscomo
foirelatado
no
parágrafo acima.Em
todas as religiõesonde o
misticismo e os contatoscom
o
sobrenatural, representam
um
papel importante, constatamosum
caráter sagrado, relacionado auma
bebida embriagante.A
tradição das bebidassagradas
em
rituais estácomprovada
em
todas as antigas civilizações.Pontuando
Capana
(1990, p.l33):"A maioria das mitologias a respeito da origem do
álcool tem pelo
menos
um
pontoem
comum:
a sua gênese divina. Diante dos efeitos psicotrópicos doálcool, a mente primitiva recorreu à vida mística para
explicar a sua origem "
(CAPANA,
1990, p. 133).Foi a partir dessa
origem que o
álcool se temporalizou,mantendo
sualigação
com
os deuses e passou a fazer parte dos rituaismais
solenes,como
forma
de colocar as pessoasem
contatocom
os deusesou
como
representação,a corporificação
do
próprio deus.Temos
como
exemplo na
nossa culturada
consagração
da
missaRomana,
da
Santa Ceia, dos rituais Protestantes,da
De
acordocom
Fo1tes( 1991, p.0l-02):"Guebaly e Guebaly postulam que o hábito de beber se
teria originado
não
uma
única vez,mas
várias vezesna
história,
em
diferentes regiões geográficas quechegaram alcançar maior desenvolvimento agrícola.
A
cerveja, proveniente da cultura do arroz
na
Índia ouda levada cultivada
no
velho Egito, foi provavelmente, a primeira bebida alcoólica elaborada pelohomem
em
grande escala.Os
hábitos de beber existentena
América do Sul teriam resultado da influência
indireta do grande desenvolvimento agrícola
alcançado pelos povos maias, na América do Norte e
na
América Central. Aparentemente, esses diferentesnúcleos de difusão de bebidas alcoólicas teriam surgido aproximadamente na
mesma
épocaem
pontos geográficos muito distantes uns dos outros"(FORTES,
1991, p. 01-02).Com
aperfeiçoamento dosmétodos
de produção, conservação, transportee distribuição dos etílicos,
com
também
avenda
deles nas tabemas, os preçosdiminuíram
para osconsumidores
e contribuiramcom
o seu comércio.Ocasionando
a primeiraonda
de alcoolizaçãoda humanidade, na época
dasGrandes
Culturas Clássicas,na
qualenvolveu o
Mediterrâneo Oriental eo
Oriente
Médio.
O
transporte, através das caravanas, e a distribuição, pormeio
dasprimeiras tabernas instaladas nas cidades
em
formação, fezcom
que
as bebidasindustrializadas
fossem
divulgadas.De
acordocom
Fortes (1991, p.02-03):"Pouco a pouco, o
consumo
de alcoólicas foi crescendonas diferentes classes sociais, incluindo os militares, os
estudantes inclusive estudantes de medicina.
Era
hábito oferece a eles, juntocom
a alimentação,uma
porção de cerveja.
As
mulheres, sobretudo as de classespapiros episódios de embriaguez de senhoras da
sociedade"
(FORTES,
1991, p. 02-03).O
abusodo
álcool era visto pelos Antigos egípcioscomo
uma
fontede
prazer.
Mas
com
otempo
essa idéia foimudando
em
amplas
camadas
da
população.
No
inicio, tratava-se deuma
atitude discreta, cujamotivação maior
era de natureza moral,
que
foi transformadoem uma
hostilidade aos ~consumidores.
Os
tabus religiosos tornaram-se regidosem
relaçao aoconsumo
de
bebidas alcoólicas.A
Itáliaconheceu
a videira antes dos gregos.Sendo o
vinhouma
mercadoria
muito
preciosa para os italianosque não conheciam
outra bebidafennentada.
A
culturada uva
começou
a se expandirno
século II a C. a partirda
desvalorizaçãodo
preço dosGrãos
etambém
com
a introduçãodo
pão
na
alimentação, criando
o
hábito decomer
e beber.Os
romanos
até essaépoca
bebiam
água, oscamponeses o
sucode
uva; eo
vinhomuito
raro era proibidopara as mulheres.
Os
impostos sobre as bebidas alcoólicasforam
aumentando
cercade
200
anos antes
do
nascimento de Cristo, por causado aumento do
consumo
de
vinho pela população e a transformação das bacanais
em
grandes festaspopulares.
Com
aexpansão
da uva
eda produção de
vinhona
Itáliao
consumo
local foi favorecido tornando-se
um
negócio lucrativo, sobretudo apóso
iníciode
sua exportação."Á
medida queRoma
se alcoolizava cada vez mais,celebrizando-se pelos grandes ƒestins populares regados a vinho, as bacanais, surgem as críticas aos excessos
alcoólicas, responsabilizando o álcool pelos mais
diversos conseqüências conseqüências, até ao exagero,
como
veio acontecercom
os historiadores do séculoXDQ
que chegaram a apontá-locomo
um
dosresponsáveis pela decadência do Império Romano.Pura
conjectura, dado que não dispomos
nem
mesmo
aproximadamente, deuma
nação quantitativa do vinhoque se consumia
na
Itália naquela época, paracomparar
com
dados mais objetivos da atualidade"(FORTES,
1991, p. 05).Com
a proliferação dos pontos devenda
de vinho e cerveja (os destilados aindanão
se tinham difundido nesse pais), de tabemas, e de bares, anunciando evendendo
livremente as bebidas, resultou para a Inglaterra,no
século XVIII,um
grandeaumento de
alcoolizaçãoda
população.Foram
fixadas
normas
restritivas à
venda
de bebidas alcoólicas, leisadequadas
para coibir os abusospelos setores mais responsáveis
da
sociedade, contribuindocom
a diminuiçãode
alcoolizaçãodo
país.A
Suíça, por sua vez,no
séculoXIX,
passou pelamesma
experiência.Esse país,
não
sendo católico enão
estando envolvido nos interesses comerciaisligados à
produção do
vinho,demonstrou
inicialmentemais
vacilação faceao
grave
problema
de saúde públicaque
se alastrava por toda a Europa.Influenciada pelo grave
problemas
médico
- social e, sob a liderançade
Magnus-Huss,
médico
suecoque
seaprofundou
no
estudo de tema, adotoumedidas
de controle e prevençãodo
alcoolismoque
serviram demodelo
para os paises vizinhos.No
Brasil, os primeiros portuguesesque
aquichegaram
logo sedeparam
com
o
cauim,do
tupi Ka'wi, bebida fermentada preparada pelos índios a partirda
mandioca
cozidaou
de sucos de frutos,como
o
cajuou 0
milho, mastigadose depois misturados e postos a ferver
em
vasilhame especial de cerâmica que, posteriormente, enteiravamno chão
por alguns dias.Hons
Standen,que
esteveno
Brasilem
meados
de 1500, foi aprisionado pelos tupinambás,em
seusrelatos, referiu-se ao cauim, ingerido
em
festas belicosasou
religiosas, nasquais muitos deles se
embríagavam
ecometiam
atos desatinados. _Em
1557
ao visitar o Brasil,Léiy
destacaque
a preparaçãodo
cauim
era exclusiva das mulheres eque
os tupinambás só seembríagavam
nas grandes~ ~ ~
comemoraçoes, não
ingerindo bebidas por ocasiao das refeiçoes.O
conquistador português,que
chegou
no
Brasil, trouxe vinhos ecervejas, aguardentes e outros destilados,
que
os índiosnão
conheciam,de
altagraduação alcoólica, susceptível de se incandescer.
A
prática de lançar fogo ao álcool,água
de fogo, frenteao
olharatemorizado dos gentios
que
suponham
tratar-se dealguma
manifestaçãosobrenatural, tornou-se freqüente pois,
com
isso,o
conquistador seimpunha
ainda
mais
nas terrasrecém
descobertas e podia, até, fazerameaças
aos nativosde
queimar
seus rios.Com
a instalação dos primeiros engenhos, logono
começo
da
Janeiro e
São
Paulo, favoreceu as populaçõesmais
simples,como
os índios eescravos tivessem oportunidade
de
se embriagarcom
bebidas nacionais.A
cachaça era obtida da fermentação e destilação
da
borrado
melaço. Estábebida era oferecida pelos fazendeiros aos escravos
como
medicamento,
oferecida nas festas religiosas e feriados.
Os
portugueses preferiam as bebidaseuropéias, os
famosos
vinhos franceses e portugueses, sendoque
com
o
passardos anos
passaram
também
a constunir a cachaça, bebida -que setomou
cada
vez
mais
popular e procurada. ~Pela sua popularidade alcançada
em
todoo
país e pelo preço acessível, acachaça contribuiu
com
o agravamento da
alcoolizaçãoda
população brasileira.Após
esse relato,concluímosque o
consumo
de bebidas alcoólicas é algomarcante
em
todas civilizações e classes sociais.1.2
RECONSTRUÇÃO
HISTÓRICA
-
DO
ALCOOLISMO
Como
vimos
nos relatos anteriores,o
álcool nas civilizações antigas eravisto
como uma
coisa boa, associado aos deuses deixando de herança paraatualidade a dificuldade
de
conceituaro
alcoolismo. Resultandonuma
divisãoda
sociedadeem
relaçãoao que
vem
a ser alcoolismo, se éuma
doença
ou
~
No
ano
de 1804, já existiauma
preocupaçao
com
o
beber excessivo,como
nos revela a literatura.No
mesmo
ano,um
médico
deEdimburgo,
Thomas
Trotter escreveuum
trabalhono
qual declarouque
aembriaguez
habitual era
uma
doença,provocando
uma
controvérsia explosivaque
continuaaté hoje.
De
acordocom
Milan
(1986, p.133):"Em
linguagem médica, considero a embriaguez,estritamente falando,
uma
doença, produzida poruma
causa remota e dando origem a ações e movimentosno
corpo que desordenam as funções da saúde"
ÚWILAN,
1986, p. 133).
Desafiando
com
suaafirmação
o
códigomoral da
sociedade,ameaçou
um
princípio básicoda
Igreja Cristã etambém
questionou a tradicional faltade
~
envolvimento
da
profissaomédica
com
o
alcoolista (naépoca
tratado porébrio).
As
contestaçõesda
Igreja ao trabalho de Trotterbaseavam-se
em
diversos pontos.Ao
caracterizar aembriaguez
habitualcomo
doença, insistiaque
a vítimanão
era responsável por suas ações.O
códigomoral ao
qual aIgreja era guardiã foi
ameaçado, porque
atravésda
históriao
ébrio eraconsiderado criatura pecadora.
Uma
criaturaque
preferiao
vício à virtude, responsável por muitosde
seus
problemas que
causava piedade.Assim, o bebedor
habitualnão
poderiaser responsabilizado por suas ações e
ficava
protegidoda condenaçao
e dosReforçaremos
esta pontuação pelas palavras deMILAN
- "aembriaguez
é
má;
amoderação
é boa.Os
ébriosdevem
receber piedade e ser desprezados;os abstêmios são virtuosos e admiráveis -
proclama
o
código moral".A
profissãomédica
também
foi afetada,porque
Trotter sugeriaque
adoença
era de sua responsabilidade. Suas funçõeseram
até então, era tratar dascomplicações fisicas, executar autópsias e conceder certidões de óbito.
O
conceitonão
perdurou pormuito tempo,
pelo fato denenhrun
seguimento
da
sociedade aprovar.Ao
tentar tratar pela primeiravez o
alcoolismo
como
uma
doença, enão
como
uma
aberração mentalou
social,encontrou oposição cerrada.
Eli
Todd,
superintendentemédico do
Retiro Martford para os indianos, vinte e cinco anos depois, quaseum
quarto de século, sugeriuque
talvez fossemelhor
dar aos ébriosum
retiro separado,em
vez
de tratá-los juntocom
os insanos ementalmente
incapazes.Mas
foi forçado aabandonar
sua idéia pelaindignação de seus colegas. '
`
Uma
outra sugestão foidada
pela SociedadeMédica
do
Estadode
Connecticut, dois anos
mais
tarde, amesma
era semelhante a de EliTodd,
sendo
rejeitada por todos.Quando
foi inaugurada aWashington
Home
em
Boston
em
1841,uma
portas abertas.
Os
sessenta anos seguintestestemunharam
uma
época de
esclarecimento
no
estudo e tratamento de ébrios.Mais
de cinqüenta instalações públicas e privadastinham
sido abertasno
ano de
1900, tendocomo
único propósitode
tratar os ébrios.A
AssociaçãoAmericana
paraCura
dos Inebriados /que
logo se chamaria Associação parao
Estudo da
Embriaguez,no ano
de1870
foifundada
porum
grupo demédicos
e superintendentes de asilo de ébrios, estimulando a pesquisa e a discussão,publicando centenas de artigos sobre assuntos relacionados
ao
alcoolismo.O
povo,mesmo com
os progressos nessa área continuava a ver os ébrioscomo
degenerados morais enão
como
vítimas deuma
moléstia.A
Igreja,continuava insistindo
que o
ébrio crônico era responsável por seu estado infelize precisava
de
orientaçãomoral
eclesiástica para ser reformado.As
atitudes morais e religiosas paracom
osbêbados
e aembriaguez
tornaram-se até mais intensas e intolerantes,
cem
anos depois das idéiasde
Trotter. Pelo final
do
séculoXIX,
o
florescentemovimento
'daTemperança
organizou nos Estados
Unidos
uma
cruzada contrao
álcoolem
nível nacional,lançando ataques ao público
com
Bíbliasna
mão
e hinos de salvaçãoque
desencadeavam
uma
grandemassa
de seguidores.Em
1919
nos EstadosUnidos
a lei Volstead, estabelecendo a ProibiçãoNacional, ofuscou efetivamente
o
estadodo
alcoolismocomo
uma
doença.A
aparente sobre
o
alcoolismo e, assim, errouo
alvo.Como
sempre
aconteceucom
tentativasmal
dirigidas de legislar moralidade,não
solucionouo
problema,
como
ainda criou outros: a fabricação clandestina e os saques.Em
1933,com
o
cancelamentoda
proibição, suscitou possibilidades parao
eventoque
colocariao
alcoolismocomo
um
assunto digno de interessecientífico. Foi criada a
Irmandade de
AlcoólicosAnônimos (A
A),em
Ohio no
ano de
1935, iniciativade
doishomens
consideradosbêbados
irreversíveispor
seus médicos.
Perrnaneceram sóbrios e
passaram
a auxiliar milharesde
outrosalcoolistas a se recuperarem
em
um
programa que
confia
em
princípios espirituais simples,na compaixão,
entendimento ena
troca de experiências entrecompanheiros
sofredores, paraconseguirem completa
abstinênciado
álcool tendo
como
slogan: "Se vocêquer beber 0
problema
é seuSe
vocêquer parar de
beber 0problema
é nosso".Os
AlcoólicosAnônimos
provaram que
os alcoolistasem
número
significativopodiam
se recuperar e voltar à vida produtiva, útil,provando que
ao
permanecerem
sóbrios eram. seres decentes e normais.É
uma
irmandade de
homens
e mulheresque
seajudam
mutuamente
amanter
a sobriedade eque
sedispõem a
compartilhar livremente suaexperiência de recuperação
com
qualquerum
que
possa terproblemas
com
aEstima-se
que
quase2
milhões de alcoolistas se recuperaram desde a suafundação.
Hoje
se calculaque
existeem
136 países, possuindoum
número
de
48
grupos. Possuicomo
características a informalidade e trocade experiências,propondo
a abstinência por24h
e apoiando-senos
12 passos e nas 12 tradições.O
método
utilizado éo
de fazer dos própriosmembros
terapeutas,compartilhando entre si das experiências semelhantes
no
sofrimento ena
recuperação
do
alcoolista.O
único requisito para setomar
membro
éo
desejosincero de parar
de
beber.A
programação do
AlcoólicosAnônimos
constituide dois eixos indíssociáveis: os 12 passos e as 12 tradições.
O
primeiro refere-se à recuperação individual, e osegundo
à constituiçãodo
próprio grupo.Os
alcoolistas,no
momento
em
que decidem
fazer partedo
AlcoólicosAnônimos,
estãodando
um
passomuito
grande.Assim,
quebram
um
obstáculoimportante para
o
tratamentoque
é a negação. Ingressamno
AlcoólicosAnônimos
por livre e espontânea vontade,tomando
consciênciade
suadoença
e de seus atos.
Nos
12 passosdo
AlcoólicosAnônimos
em
que
os alcoolistas apoiam-se,observamos
claramente a crençaem
Deus, na forma
em
que cada
um
o
concebe, e assim segue o seu tratamento.
Percebemos
a presença deDeus,
em
6 dos
12 passosdo
AlcoólicosAnônimos.
Para resistirem a abstinênciaTomando
Deus
como
ponto
de apoio, admitindo seus erros, as faltas, osproblemas
e se prontificando a redimiro
mal
que causaram
e transmitir suas experiências a todos osque
precisam, contando-assem
o
menor
constrangimento, pois
possuem
como
,orgulhomaior o não
estar bebendo, estavitória faz
com
que
osmesmos
não
voltem à vidaque tinham quando
eram
alcoolistas ativos.
Uma
das primeiras mulheres a fazer partedo
AlcoólicosAnônimos
fundou
a Organização Voluntária que,mais
tarde, passou a chamar-seConselho
Nacional
do Alcoolismo
(CNA),
que
tem
ajudado a disseminar a idéiade que
o
alcoolismo é
uma
doença
suscetível de tratamento.Eles estão organizados
em
grupos emantêm
tanto reimiões abertas,como
reuniões fechadassomente
para alcoolistas.O
sucesso desta iniciativa, reconhecido nacionalmente e internacionalmente,motivou não
apenasa
disseminaçãoda
experiência pelomundo
todo, mas,da
mesma
forma, a criaçãode novas
modalidadesde
gruposanônimos. Surgiram assim, os
Grupos
de Familiares eAmigos
de
Alcoólicos(AL
ANON),
dos Filhos Adolescentesde
Alcoólicos(AL
ATEEN),
de
Narcóticos
Anônimos (N
AR
ANON),
entre outros.Os
movimentos foram
fortes, fazendocom
que
osmédicos
mudassem
suas posições, 140 anos depois das constataçõesdo
médico
Trotter.Em
relaçãoao reconhecimento
do
alcoolismocomo
doença
por parte das Igrejas, aPresbiteriana foi a primeira.
Em
1956,o
alcoolismo foi reconhecidocomo
doença, passandomais de
dez
anos, atéque
a AssociaçãoMédica Americana
(AMA)
o
reconhece-se.Apesar
desse reconhecimento por parteda
AMA,
muitosmédicos
aindaviam
o
alcoolismo
como
uma
inadequação psicológica subjacente.Muitos
cientistas e profissionais derrotam seus próprios propósitosde
trabalhar
o
alcoolismo, pois acreditamque
é causado pela bebidaem
excesso.Não
poralgum
defeito genético, psicológico, socialou
culturaldo
bebedor.Fazendo
com
que
antigos mitos e concepções errôneas e os estigmamantenha
vivo. .
Segundo Milan
(1986, p.139):"A falha
em
reconhecer e eliminar esta raiz concerosaresulta
em uma
infinidade de conflitos. Já que as partesno
conflito não estão tratando do problema real,elas terminam brigando e argumentando a respeito de
questões superficiais ou irrelevantes. Assim,
mesmo
quando as causas fisiológicas hereditárias do
alcoolismo, as atitudes profissionais continuam
estagnadas e atoladas
em
mito e concepções errônea"(MILAN, 1986, p. 139).
A
OrganizaçãoMundial
deSaúde
(OMS)
tem desempenhado
um
papelimportante
na formação de
defmições de saúde pública referenteao
alcoolismocomissões de especialistas para discutir
temas
relativos à classificação enomenclatura
do
alcoolismo.E
assim se posiciona:“ Alcoolismo - síndrome de dependência do álcool que resulta do estado psíquico e flsico conseqüente da
ingestão de álcool, caracterizado por reações e
alterações de comportamento, e outras que sempre incluem
uma
compulsão para a ingestão de álcool deforma
contínua ou periódica, a fim de experimentar seus efeitos psíquicos ou evitar o desconforto de suafalta, a tolerância, ao
mesmo
podendo ounão
estarpresente... "
(FORTES,
1975, p.03).Ao
analisar as definiçõesda
OrganizaçãoMundial
deSaúde
sobre alcoolismo, Niscatri destacouque
a primeira definição considerava osalcoolistas bebedores excessivos, cuja dependência
do
álcool alcançouum
grau talque provocava
distúrbio mental perceptívelou
uma
interferênciaem
suasaúde fisica e mental, 'suas relações interpessoais,
ou
seufuncionamento
sociale
econômico
adequados;ou
aquelesque
demonstram
sinaisprodômicos de
tal desenvolvimento.Posteriormente, os bebedores excessivos
foram definidos
em
termos de
qualquer
forma
de beberque
vaialém do
uso costumeiroou conformidade
com
os
costumes
sociais de beberda
comunidade do
indivíduo,definição
que
enfatiza os aspectos sociais e
não
levaem
conta os aspectos fisicosde
dependência.
Em
1955, aComissão
de Especialistasem
Álcool e Alcoolismo, porfisicos, especificando que:
"O
alcoolismo éuma
doença crônica, caracterizada porum
distúrbio do sistema nervoso que se manifesta,em
nível comportamental, porum
estado de dependênciafi'sica" (OMS, In:
MINISTERIO
DA
SAÚDE,
1987,p. 42).
Eles estão organizados
em
grupos emantêm
tanto reuniões abertas,como
reuniões fechadassomente
para alcoolistas.O
sucesso desta iniciativa, reconhecido nacionalmente eintemacionalmente,
motivou não
apenas a disseminaçãoda
experiência pelomundo
todo, mas,da
mesma
forma, a criação denovas
modalidadesde
gmpos
anônimos.
Surgiram
assim, osGrupos de
Familiares eAmigos
de Alcoólicos(ALANON),
dos filhos Adolescentes de Alcoólicos(ALTEEN),
de
NarcóticosAnônimos
(NARANON),
entre outros. _Os
movimentos
foram
fortes fazendocom
que
osmédicos
mudassem
suas posições, 140 anos depois das constatações
do médico
Trotter.Em
relaçãoao reconhecimento
do
alcoolismocomo
doença
por parte das Igrejas, aPresbiteriana foi a primeira.
Em
1956,o
alcoolismo foi reconhecidocomo
doença, passandomais de
dez
anos, atéque
a AssociaçãoMédica Americana
(AMA)
o reconhece-se.Apesar
desse reconhecimento por parteda
AMA,
muitosmédicos
aindaviam
o
Muitos
.cientistas e profissionaisdenotam
seus próprios propósitosde
trabalhar
o
alcoolismo, pois acreditamque
é causado pela bebidaem
excesso.Não
poralgum
defeito genético, psicológico, socialou
culturaldo
bebedor.Fazendo
com
que
antigos mitos econcepções
errôneas e os 'estigmamantenha
vivo.
Segundo
Milan
(1986, p.l39):"A falha
em
reconhecer e eliminar esta raiz concerosaresulta
em
uma
infinidade de conflitos. Já que as partesno
conflitonão
estão tratando do problema real,elas terminam brigando e argumentando a respeito de questões superficiais. ou irrelevantes. Assim,
mesmo
quando as causas fisiológicas hereditárias do
alcoolismo, as atitudes profissionais continuam estagnadas e atoladas
em
mito e concepções errônea"ÚWILAN,
1986, p. 139).l
A
OrganizaçãoMundial da Saúde
tem desempenhado
um
papelimportante
na formação de
definições de saúde pública referenteao
alcoolismodesde sua criação.
Foram
assim organizadas a partirda década
de 50, váriascomissões de especialistas para discutir
temas
relativos à classificação enomenclatura
do
alcoolismo.E
assim se posiciona:,Alcoolismo - síndrome de dependência do álcool que resulta do estado psíquico e físico conseqüente da
ingestão de álcool, caracterizado por reações e
alterações de comportamento, e outras que sempre incluem
uma
compulsão para a ingestão de álcool deforma
.contínua ou periódica, afim
de experimentar seus efeitos psíquicos ou evitaro
desconforto de suafalta, a tolerância, ao
mesmo
podendo ounão
estarpresente... "
(FORTES,
1975, p. 03).As
principais formas desta dependência são: a incapacidade de pararde
o uso
do
álcoolem
razãodo
aparecimento recorrente de sintomasde
abstinência.
Após
uma
sériede
estudos e constatações, a OrganizaçãoMundial
de
Saúde,
em
1952, passou a consideraro
alcoolismouma
doença que não
escolhesexo, idade, classe social.
Doença
esta irreversível e incurável,mas
que
pode
ser tratada.Segundo
Niscatri,um
marco
nas definiçõesda
OrganizaçãoMtmdial
de
Saúde
foi a inclusãodo
alcoolismo(Cod
303
-
Síndrome
deDependência do
Álcool)
na
8” Revisãoda
Classificação Intemacional dasDoenças (CID
-
8).Onde
o
álcool foi considerado;"Um
estado de dependência fisico ou emocional,com
um
consumo
de álcool regular ou periódico, intenso edescontrolado, durante o qual o indivíduo experimenta
uma
compulsão para beber;com
a interrupção doconsumo
de álcoolhá
sintomas de abstinência, quepodzm
serzzvzms
(OMS, 1zz.-MINISTÉRIO
DA
SAÚDE,
1987, p.43).Ainda
classificado entre os distúrbios mentaisnão
psicóticos, aCID
-
9
apresentou
algumas
mudanças
na definição do
alcoolismo:"Um
estado psíquico e usualmentetambém
fisico, resultantedo
consumo
do álcool, caracterizado por comportamentos e outras respostas que sempre incluemuma
compulsão paraconsumir o álcool de
uma
forma
contínua ou periódicacom
a intenção de experimentar seus efeitos psíquicos e, algumasvezes, Para evitar o desconforto de sua ausência; tolerância
pode estar presente ou não" (OMS, In:
MINISTÉRIO
DA
SAUDE,
1987, p.43).Na
década
de 70,o
.conceito deSíndrome
deDependência que
aindaMundial
deSaúde
este conceito foimuito
importante para aabordagem
em
relação ao alcoolismo, pelo fato de -deixar claro
que o
conceito deSíndrome de
Dependência
seria distinto das incapacitações relacionadaao
álcool.A
Síndrome de
Abstinência,segimdo
a
Organização Mundial de Saúde
seria
um
agregado de sintomas cognitivos,comportamentais
e fisiológicos inter-relacionados. Já as incapacitações geradas pelo álcool, constituem disfunções fisicas, psicológicas e sociais,que decorrem
diretaou
indiretamentedo
beber -excessivoou
da
dependência.Constatamos que
desde as primeiras definições utilizadas, pelaOrganização Mundial de
Saúde,em
1950,no que
se refereao termo
unitárioalcoolismo
houve
uma
mudança, onde
sepassou a
utilizarum
termo
heterogêneo,
englobando
aspectos fisicos, sociais, psicológicos, culturais e ambientais.Em
relação aos termos e definições relacionados aoconsumo
de drogas,houve
também
uma
evolução.Sendo
recomendado
pelaComissão
de
Especialista
em
Drogas
Produtorasde
Dependência da
OrganizaçãoMundial de
Saúde,
em
1964
com
a
substituiçãodo termo
“vício”por
“dependência” a suaatenção foi
em
relação a diferença entre a dependência fisica e a dependênciapsíquica
na
CID -
10,ambos
os aspectos fisicos e psíquicos,foram
utilizadossob a definição
de
dependência de drogas.Atualmente,
segtmdo
Niscatri, aCID
-
19define
.Síndromede
Dependência
por substâncias psicoativascomo
um
conjunto defenômenos
em
que o
uso deuma
substânciaou
classe de substâncias alcançauma
propriedademuito maior
paraum
determinado indivíduodo que
outroscomportamentos,
que
antestinham
um
maior
valor. Constituiuma
característica fundamental:o
desejo forte
ou
irresistível deconsumir
substâncias psicoativas.A
OrganizaçãoMundial
deSaúde
fornece as seguintes diretrizes paradiagnósticos de tais dependências:
a) forte desejo
ou
compulsão
paraconsumir
substância;b) dificuldade
em
controlaro
comportamento
de consumir;c) estado de abstinência fisiológico
quando o
usoda
substância foireduzido
ou
cortado;d) evidência de tolerância, doses crescentes
de
tais substâncias sãonecessárias para alcançar os efeitos originais;
e)
abandono
progressivode
prazeresou
interesses alternativosem
favordo uso da
substância;f) persistência
do
usoda
substância,mesmo
com
clara evidênciade
As
características básicasacima
são constatadasem
todas as pessoasque
ingerem
algum
tipo de droga.Necessitam
ser observados e analisadosna
história de qualquer dependência, pois assim teremos
um
bom
tratamento.No
Jomal
Brasileirode
Psiquiatriade 1995
volume
44, Silva destacaque
historicamente,
segundo
Marllat eCumings,
houve
trêsmodelos
para explicar aetiologia
da
dependência química, os quais se destacaram eacompanharam
diferentes gerações; são eles:A
0
O
Modelo
Moral:o
qual a dependênciade
drogas, sobretudoem
relaçãoao
álcool, era encaradacomo
depravaçãomoral
onde
os indivíduosdependentes
eram
encarcerados,não
submetidos a tratamento e tidoscomo
irrecuperáveis. Este
modelo
prevaleceu durante todoo
séculoXIX,
e aindahoje existem pessoas
que
encaram o
alcoolismocomo
uma
falta de moral.,0
Modelo
Doença:
estecomeçou
a ser investigado cientificamentena
metade
deste século, etomou
força a partirdo
livro“A
Concepção
deDoença
do
Alcoolismo”, de Jullinek,o
qual conceitua a dependênciacomo
doença,sugerindo a hipótese de
que
existiria nos indivíduos vulnerabilidade biológicaque
os levariam a setomar
dependentes, e osmesmos
não
teriam controlevolitivo sobre a ingestão
de
álcool.0
O
Modelo
Aprendizado
Social (emergiu na década
de 70, dentre outrosmodelos
altemativos):Bandura
enfatiza a importânciado
.aprendizadorisco.
Neste
modelo
a dependência é encaradacomo
uma
desordem
do
comportamento
aprendido,que
pode
sercompreendido
emodificado,
sobretudo ~com
a participaçao ativado
indivíduo.A
recaída éum
processo de transição entreo
uso problemático e amanutenção do
novo
comportamento.
Atualmente, os diversos autores
que
trabalhamcom
a
questãodo
alcoolismo
possuem
sua conceituação.Algims
possuem
pontosem
comum,
eoutros totalmente divergentes. V
Dentre os diversos autores classificamos
Dractu
eAraújo
(1985, p.263-268), os quais
definem
o
alcoolismocomo
uma
doença porque
implica perdada
capacidade de optar, instalando-se
em
indivíduosque
habituaram-seao uso
excessivo
do
álcool portempo
prolongado, sob a influência de fatorescomo
afamília, sociedade e cultura, caracterizado por
uma
ingestãocompulsiva
e repetida.Outro conceito importante bastante difundido é
o da
Associação dosAlcoólicos
Anônimos, onde o
alcoolismo é encaradocomo
urnadoença
progressiva, fatal e incurável.
O
dependentesempre
será alcoólico, assimmuitos pesquisadores e estudiosos
no
assunto acreditamque o
alcoolistadeve
manter-se distante
da
bebida, porque bastaráuma
gota dela para por a perder aUm
ponto bastantepolêmico no que
se refere a abstinência eo
bebercontrolado, insiste-se
que
antesdo
primeiro goleo
alcoolista aindatem
controleda
sua situação, depoisdo
primeiro gole perdeo
controle completamente.Outra
questão bastantepolêmica
no
alcoolismo é a hereditariedade.Em
Alfaro (l993;78)
podemos
destacar a pesquisade
Goodwin
que
possui provasacumuladas
indicandoque o
alcoolismo é hereditário, passando de pais parafilhos por intermédio de genes. Através de
um
estudoque
separava filhosde
alcoolista
ao
nascer dos pais verdadeiros, constatou-seque
estestêm
realmenteum
risco mais elevado de tornarem-se alcoolistas.A
questãoda
hereditariedadecomo
causa importantedo
alcoolismo aindamuitas vezes os profissionais e pesquisadores relutam
em
aceitar.Concluímos que
_não
podemos
formular explicações universais,sejam
elas biológicas, psicológicasou
sociais, sobre a etiologiado
alcoolismo.Todas
as afirmações e discussões referentes
ao
alcoolismopossuem
sua parcelade
significação
na
tentativade
compreender
o fenômeno.
1.3.
ALCOOLISMO
-DAS DIVERSÕES
AOS
SEUS
PROBLEMAS
O
alcoolismo éuma
doença que
se instalaem
indivíduosque
sehabituam
como:
a família, a sociedade, a cultura, por sua ingestãocompulsiva
erepetitiva.
Em
relação as diferenças entreum
alcoolista eum
não-alcoolista,constatamos
que
os autores sãounânimes ao
afirmarem
que
não
existenenhuma
diferença entre os dois.Ambos
bebem
do
mesmo modo
e pelasmesmas
razões.Bebem
paraconseguirem
os efeitosdo
álcool,como
a euforia,relaxamento, e assim
acomodar
suas frustrações,ficar
debom
humor
etambém
melhorar seu
desempenho
sexual,o que
éum
grande mito, pois,passando
algum
tempo, estas pessoas ficarão impotentes sobo
efeitodo
álcool.Com
o
passardo
tempo, os doisvão
se diferenciando, pois o alcoolistapassa a beber
mais
ecom
maior
freqüência, tendocomeçado
elenão
quermais
parar.
Segundo
a OrganizaçãoMundial
de Saúde, todas as pessoascomeçam
abeber socialmente. Assim,
30%
passam
a beber regularmenteaumentando
aquantidade e a freqüência
do consumo, tomando-se
bebedoresmoderados.
E
os
10%
seguramenteum
dia tomar-se-ão alcoolistas.A
doença no
estágio inicial é de dificil reconhecimento por partedo
alcoolista e seus amigos,nem
sedesconfia que
este está sofrendode
uma
doença
progressiva e, muitas vezes, fatal. Pelo fato de seus sintomasserem
sutis e facilmente confundidoscom
reaçõesnormais do
álcool.A
partirdo
momento
em
que o bebedor
sofrecom
a bebida, inicia-seo
alcoolismo,o
mesmo
não consegue mais
controlaro
seuconsumo,
e assimdesenvolve
uma
crescente resistência fisica aos efeitosdo
álcool, inicia-se afase
da
tolerância.A
tolerância se desenvolve durante períodos indeterminados,dependendo
de cada
indivíduo.Alguns
alcoolistas apresentamuma
mudança
sutil, gradualem
relação ao bebernormal
paraum
padrão de freqüência crescente eem
quantidades cada vez maiores
ao
longo deum
período de muitos anos, tendo acapacidade de beber
mais
do que
seusamigos
e acarretarmenos
prejuízos.O
diagnósticodo
alcoolismonão
é feito pela quantidade de ingestãoque
se faz, pois cada pessoa possui
um
organismo
diferente, e sim pelo fatode
reagirem de
forma
diversa a tudoque
ingere. Existe duas característicasbásicas
do
alcoolista:)›<
mudança
decomportamento:
queixasde
irritação, descontrole,ansiedade e depressão, freqüentemente
sem
uma
causa aque
atribui-las,refletem o
humor
e inconsciente relacionado à percepção deuma
realidadeigualmente
sem
finneza.
\(ø\'\dependência:
o
alcoolista necessita beberporque
suas células estãofisicamente
dependentesdo
álcool.Seu organismo
adaptou-se à presençada
liberdade, sendo esta sua principal fonte de energia e estimulação.
Um
dependente é