RELATÓRIO FINAL | CAROLINA MAIA NOGUEIRA 1
Mestrado Integrado em Medicina
Estágio Profissionalizante do 6º ano
Carolina Maia Nogueira
| 2014194
Aluna do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina
LISBOA, JULHO DE 2020
Nova Medical School | Universidade Nova
de Lisboa
RELATÓRIO
FINAL
RELATÓRIO FINAL | CAROLINA MAIA NOGUEIRA 2
Relatório Final do Estágio Profissionalizante
6º ano do Mestrado Integrado em Medicina
Ano letivo: 2019/2020
Orientador(a)
Mestre Catarina Maria Machado França Gouveia
Regente
Professor Doutor Rui Maio
Universidade Nova de Lisboa
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Agradecimentos
Agradeço,
À minha mãe e ao meu pai por todo o apoio incondicional na perseguição dos meus sonhos e por
todas as palavras reconfortantes;
À minha irmã, pelo constante desafio em fazer de mim uma pessoa mais paciente;
Às minhas amigas de Braga, por todas as aventuras, sorrisos e abraços partilhados;
Aos meus amigos de Lisboa, por se terem tornado família;
Aos profissionais de saúde que cruzaram o meu caminho, por se tornarem um exemplo a seguir;
Aos doentes que observei, pelas valiosas lições que me ensinaram.
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Índice
1. Introdução e Objetivos Gerais ... 5
2. Atividades desenvolvidas ... 6
A. Cirurgia Geral ... 6
B. Medicina Interna ... 7
C. Saúde Mental ... 7
D. Medicina Geral e Familiar ... 8
E. Pediatria ... 9
F. Ginecologia e Obstetrícia ... 9
G. Elementos valorativos ... 10
3. Reflexão crítica ... 10
4. Anexos ... 13
1. Cronograma do ano letivo de 2019/2020 ... 14
2. Atividades desenvolvidas em anos anteriores ... 15
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1. Introdução e Objetivos Gerais
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da NOVA Medical School (NMS) tem como base um caráter essencialmente profissionalizante, no sentido em que faz a ponte entre a formação pré-graduada e o início da carreira médica. Desta forma, a unidade curricular do estágio profissionalizante de medicina é constituída por 6 estágios parcelares em áreas diferentes, mas complementares da medicina, nomeadamente, Cirurgia Geral, Medicina Interna, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia. Pretende-se que neste último ano do MIM, tenha sido adquirida uma base de conhecimentos sólida e coerente, associada a um adequado conjunto de valores, atitudes e aptidões que permita ao estudante tornar-se um médico fortemente empenhado nas batornar-ses científicas da arte da Medicina, nos princípios éticos, na abordagem humanista que constituiu o fundamento da prática médica e no aperfeiçoamento ao longo da vida das suas próprias capacidades de modo a promover a saúde e o bem-estar das comunidades que servem1.
Para este ano letivo, defini como principais objetivos gerais: (1) Consolidação dos conhecimentos teóricos que fui adquirindo ao longo dos 6 anos do curso de medicina; (2) Adquirir, de forma progressiva e tutorada, mais autonomia que, juntamente com a integração e aquisição de conhecimentos teóricos e práticos, me permita realizar a colheita de uma anamnese dirigida, bem estruturada e completa; (3) Aperfeiçoar a realização de exame objetivo com maior destreza, aperfeiçoando as minhas capacidades de observação do doente e de raciocínio clínico; (4) Ser capaz de propor e interpretar exames complementares de diagnóstico adequados a cada situação e propor abordagens terapêuticas nas patologias mais frequentes ou de maior gravidade; (5)Ser capaz de identificar fatores de risco e tomar medidas de prevenção e educação para a saúde; (6) Ter uma postura proativa e tentar ser parte integrante da equipa em que estive inserida durante os estágios; (7) Comunicar e interagir eficazmente com os doentes e respetivas famílias, bem como com outros profissionais de saúde envolvidos na prestação dos cuidados.
O presente relatório tem como propósito descrever sucintamente e analisar criticamente as atividades realizadas nos estágios parcelares, bem como outras atividades que tiveram impacto significativo neste ano de pré-graduação. Sendo assim, começo por fazer uma introdução, onde traço os objetivos por mim definidos, relativos a este ano. Ainda, realizo um corpo de trabalho, onde faço uma descrição sucinta das atividades desenvolvidas em cada estágio parcelar e extracurricularmente. Por último, reflito sobre os objetivos que foram ou não cumpridos e faço uma introspeção sobre o MIM e o estágio profissionalizante. Em anexo, coloco um cronograma do presente ano letivo, bem como as atividades realizadas que contribuíram para a minha formação.
1 Victorino, Rui Manuel et al.; O Licenciado Médico em Portugal | Core Graduates Learning Outcomes Project; Faculdade de Medicina
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2. Atividades desenvolvidas
A. Cirurgia Geral
O estágio parcelar de Cirurgia Geral decorreu de dia 9 de setembro a dia 1 de novembro de 2019, no Hospital Beatriz Ângelo (HBA), sob a tutoria do Dr. Gonçalo Luz. Para este estágio estabeleci como principais objetivos: Aperfeiçoamento de técnicas de raciocínio clínico adequadas à semiologia cirúrgica; saber os princípios gerais de atuação conforme as patologias cirúrgicas mais frequentes, conseguindo ainda fazer a distinção entre as que se apresentam de forma urgente ou emergente; observar e ser capaz de realizar pequenos atos cirúrgicos.
Durante a primeira semana de estágio frequentei as sessões teórico-práticas lecionadas no HBA que funcionaram como ponte para a prática clínica. Ainda durante esta semana, tive a oportunidade de frequentar o curso TEAM – Trauma Evaluation and Management – acerca de conceitos básicos da abordagem a um doente politraumatizado. Durante 4 semanas acompanhei o meu tutor, Dr. Gonçalo Luz, nas suas atividades diárias. Na enfermaria, é feita a observação e acompanhamento de doentes em contexto de pré e pós-operatório. Aqui, efetuei a colheita de dados anamnésicos e o exame objetivo cuidado de vários pacientes. No bloco operatório acompanhei o meu tutor e os membros da sua equipa, onde assisti a várias cirurgias tendo participado como 2ª ajudante em 4, nomeadamente, 2 Colecistectomias por Via Laparoscópica (CVL), 1 Amputação pela coxa da perna esquerda e 1 Hernioplastia Inguinal Direita. Nestas, tive oportunidade de realizar também, gestos cirúrgicos simples. Sempre que possível, foram explicadas as etapas e técnicas cirúrgicas, bem como o processo de assepsia inerente à vivência no bloco operatório. A minha participação na consulta externa consistiu em observar as consultas prestadas pelo meu tutor. Aqui, eram observados doentes em contexto de primeira consulta e consultas de seguimento de doentes no pós-operatório. Em doentes no contexto pré-operatório eram avaliados os sinais e sintomas da patologia cirúrgica, era realizada a avaliação global do doente de modo a antever o risco cirúrgico e a sua gestão futura. Em consultas de seguimento pós-cirúrgico, era realizada a avaliação da ferida cirúrgica, assim como a evolução das queixas do doente. Frequentei, durante 1 semana, o Serviço de Urgência do HBA, onde fomos alocados, cada dia, em áreas diferentes, tendo eu realizado a seguinte ordem de rotação: pequena cirurgia; balcão de verdes/azuis; posto de observação rápida (POR), posto de estadia curta (PEC) e Serviço de Observação (SO). Por se tratar de um serviço de urgência tive a oportunidade de assistir a um vasto leque de patologias. Durante 2 semanas frequentei o estágio opcional de Anestesiologia, onde tive a possibilidade de participar em diversas atividades inseridas na sua prática, bem como testemunhar a sua colaboração com outras especialidades. Foi possível observar diversos procedimentos, e realizar outros, nomeadamente, a entubação orotraqueal. Por fim, no Minicongresso, apresentei um trabalho, com o meu grupo de estágio, intitulado de “A triste história de um estômago retardado”, que aborda um caso clínico de uma paciente com gastroparésia.
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B. Medicina Interna
O estágio de Medicina Interna ocorreu de dia 4 de novembro de 2019 a dia 10 de janeiro de 2020, na Unidade de Acidente Vascular Cerebral (UAVC), no Serviço de Medicina IV, do Hospital São Francisco de Xavier (HSFX), sob a orientação da Dr.ª. Teresa Mesquita. Estipulei como principais objetivos: Adquirir de forma progressiva e tutorada, mais responsabilidade e autonomia; aperfeiçoar as minhas capacidades de colheita de anamnese e exame objetivo; ser capaz de requisitar exames complementares de diagnóstico, bem como, propor a abordagem terapêutica correta; aprender a realizar notas de alta e notas de entrada.
O meu estágio consistiu, maioritariamente, na passagem pela enfermaria onde me eram atribuídos entre 1 a 4 doentes por dia. Num contexto geral, foram-me distribuídos os doentes das camas da UAVC e do serviço de internamento da Medicina IV, de forma a contactar com uma diversidade mais ampla de patologias. Ficou à minha responsabilidade observar e registar as vigilâncias e intercorrências, realizar anamnese e exame objetivo, elaborar os diários clínicos, verificar e registar os resultados dos exames auxiliares pedidos e a terapêutica prescrita, bem como, proceder ao contacto com outras especialidades, quando me solicitado. No âmbito da UAVC, tive oportunidade de aperfeiçoar a minha técnica de exame neurológico. Foi-me permitido realizar notas de alta e de entrada. No final do dia eram discutidos, em equipa, os doentes observados no internamento. Observei e acompanhei 7 vias verdes de AVC. Pude, ainda, pôr em prática alguns procedimentos básicos, como gasimetrias, punções venosas, e eletrocardiogramas. Observei a realização de ecodoppler dos vasos do pescoço, biópsia da gordura abdominal, colocação de cateter venosos centrais, realização de punção lombar e, ainda, uma manobra de ressuscitação. Participei ativamente, nas reuniões de serviço e visitas clínicas que eram realizadas em conjunto com a Neurologia na UAVC. Uma vez por semana, frequentei o Serviço de Urgência, sob a tutoria do Dr. Nuno Ferreira (médico assistente da UAVC). Nestas ocasiões, fiquei responsável pela avaliação de doentes, fazendo a respetiva anamnese, exame objetivo, requisição de exames complementares de diagnóstico, proposta terapêutica e gestão de cada caso, sempre discutindo com o assistente responsável. Acompanhei a Dr.ª. Teresa nas consultas externas de AVC, onde observei o seguimento de doentes com status pós-AVC e o manejo das comorbilidades presentes em cada paciente. Durante este estágio assisti ainda a 2
workshops lecionados na NMS. Frequentei as sessões teórico-práticas preparadas por médicos internos e as
sessões clínicas apresentadas pela equipa do Serviço de Medicina do HSFX, bem como pelos alunos do 6º ano. Neste âmbito apresentei um trabalho sobre “Sono e abordagem do doente no internamento com alterações do sono”.
C. Saúde Mental
O estágio, de 21 janeiro até a 14 de fevereiro de 2020, decorreu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) – Unidade de Psicogeriatria, sob a tutela do Dr. João Reis. Defini para este estágio os seguintes objetivos: Pôr em prática o modelo biopsicossocial, abrangendo a avaliação e o tratamento dos doentes e tendo em
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consideração as suas crenças sociais, culturais, atitudes e comportamentos; identificar situações individuais e sociais de risco; aprofundar o conhecimento de patologias neurodegenerativas e psiquiátricas no idoso.
O início do estágio foi marcado por duas aulas introdutórias lecionadas na NMS, uma referente a “Casos clínicos comuns em psiquiatria” e outra sobre “O estigma da doença mental”. Ao longo destas 4 semanas, participei ativamente no Serviço de internamento, onde estavam internados apenas doentes com mais de 65 anos por patologias psiquiátricas diversas, sendo, na sua maioria, alterações comportamentais no contexto de demência senil, ou então por perturbações psiquiátricas de início tardio. Neste contexto, eram realizadas entrevistas clínicas aos doentes internados, e seus familiares, sendo feita a discussão das hipóteses de diagnóstico e a gestão do doente. Durante este período, pude acompanhar alguns doentes, observando a sua evolução ao longo do internamento, com base na aplicação de sucessivos questionários de rastreio de demência - MMSE – Mini Mental State Examination e o MoCA- Montreal Cognitive Assessment. Acompanhei o processo de alta, realizando o plano terapêutico e de seguimento a longo prazo. Assisti, ainda, às reuniões de serviço bem como à apresentação do Journal Club, realizado por internos de Psiquiatria. Por duas vezes, frequentei o Serviço de Urgência no Hospital São José, onde observei diferentes patologias em diversas faixas etárias, bem como a abordagem clínica para cada um dos casos observados. Acompanhei o meu tutor nas Consultas de Psicogeriatria, onde eram seguidas pessoas com mais de 65 anos com patologia psiquiátrica. Adicionalmente, presenciei as Consultas Externas de Comportamentos de Adição, onde observei doentes com problemas comportamentais de dependência, nomeadamente, gambling e gaming. Assisti, complementarmente, a aulas lecionadas para os internos do CHPL e a aulas dirigidas para os alunos do 6ºano, pelo Dr. Pedro Rodrigues. Por último, colhi e realizei uma história clínica sobre uma doente internada na psicogeriatria.
D. Medicina Geral e Familiar
O meu estágio realizou-se de 17 de fevereiro a 13 de março de 2020, na Unidade de Saúde Familiar (USF) do Tejo, onde acompanhei o trabalho da Dr.ª. Diana Duarte. Os objetivos estipulados para este estágio foram: compreender a dinâmica de uma USF; aperfeiçoar a abordagem e gestão de doentes com multimorbilidades; identificar e gerir as patologias que mais comumente levam os doentes às consultas; perceber o papel do médico de família na medicina preventiva; desenvolver técnicas para realização da entrevista motivacional.
O dia-a-dia deste estágio consistiu em vários tipos de consulta - Consulta de Adultos, de Saúde Materna, de Planeamento Familiar, de Saúde Infantil, Consulta Aberta e de Intersubstituição - o que me permitiu observar diversos doentes, com patologias díspares, de diferentes faixas etárias e classe social.
No que concerne às Consultas de Adultos, tive a oportunidade de contactar, de uma forma mais próxima, com as principais patologias com seguimento em cuidados de saúde primária, podendo ainda observar a realização de procedimentos administrativos. Nas de Saúde Materna, assisti sobretudo a consultas de seguimento da gravidez. Assisti, ainda, a muitas consultas de Saúde Infantil, onde se fazia o devido
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acompanhamento infantojuvenil. Quanto às consultas de Planeamento Familiar, tive oportunidade de observar a execução de diversas citologias. Deixo para último a Consulta Aberta e a Consulta de Intersubstituição, por se caraterizarem por uma ampla diversidade de patologias, predominantemente de etiologia infeciosa e músculo-esquelética. Em todas as consultas observadas realizei o exame objetivo e tive, ainda, a oportunidade de efetuar algumas consultas, sempre com supervisão.
No contexto deste estágio, elaborei um trabalho, que apresentei aos médicos e enfermeiros da USF Tejo, intitulado de “Cervicalgia – Abordagem e tratamento.” e realizei um documento auxiliar aos profissionais de saúde sobre “Manejo da anticoagulação oral no período pré-operatório”.
E. Pediatria
De 16 de março a 17 de abril de 2020, realizei o meu estágio de pediatria em regime de confinamento social devido à pandemia. Os objetivos traçados para este estágio foram: Conhecer as principais patologias presentes na idade pediátrica; reconhecer as principais caraterísticas destas, modos de atuação e respetivos tratamentos; estar a par de critérios de gravidade na idade pediátrica.
Devido à situação em que nos encontramos foi necessário alterar os moldes do estágio que iria decorrer no Hospital Dona Estefânia, e realizá-lo à distância. Neste âmbito, assisti às sessões de casos clínicos de pediatria. Realizei, a par com os meus colegas, um trabalho intitulado “Abordagem à cefaleia em idade pediátrica”, onde abordamos um sintoma que consideramos comum nas urgências e nas consultas de pediatria geral. Elaborei ainda, a título individual, um artigo de revisão sobre o tema “Convulsões febris”, com base em 10 artigos, onde compilei a informação mais atualizada sobre o tema.
F. Ginecologia e Obstetrícia
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia ocorreu de 20 de abril a 15 de maio de 2020, e foi realizado em regime de confinamento social devido à pandemia. Os objetivos definidos para este estágio eram: Reconhecer as principais patologias ginecológicas e obstétricas e a gestão clínica das mesmas; adquirir prática no que concerne à colheita de anamnese destas valências; aperfeiçoar técnicas de exame objetivo, principalmente, o ginecológico; reconhecer situações de gravidez de risco.
Devido à situação em que nos encontramos, foi necessário alterar os moldes do estágio habitual, que iria decorrer no Hospital Beatriz Ângelo, e realizá-lo à distância. Deste modo, assisti às aulas virtuais disponibilizadas pela regente e respondi, juntamente com as minhas colegas, a questões que foram semanalmente fornecidas, acerca de patologias ginecológicas e obstétricas. Por último, realizei um trabalho de grupo, sobre o tema “Rastreio ecográfico na gravidez”.
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G. Elementos valorativos
Ao longo destes seis anos de MIM procurei participar em diversas atividades que considero irem ao encontro dos meus objetivos pessoais e profissionais. Em 2017, no 4º ano, fui membro da comissão organizadora, como coordenadora do departamento de Escolas, do projeto Hospital da Bonecada – entrei para este projeto com o objetivo de testar as minhas capacidades de liderança e de trabalho em equipa. Neste ano, também procurei entrar em ações de voluntariado - Voluntariado no Apoio aos sem abrigo – que considero terem tido um impacto significativo na forma como vejo o mundo. Durante o verão de 2018, participei num estágio opcional em Medicina Interna no Hospital de Guimarães. Escolhi este estágio pois idealizo o meu futuro na medicina como médica interna, e desta forma tive oportunidade de conhecer um serviço diferente num hospital que fica no Norte de Portugal onde pretendo seguir a minha carreira profissional. Ainda em 2018, no 5º ano, realizei o programa de mobilidade ERASMUS+ para a Eslováquia, em Martin, na Universidade: Jessenius
Faculty of Medicine in Martin, Comenius Universtiy in Bratislava. Decidi ingressar neste programa com o intuito
me desafiar quer a nível intelectual, aperfeiçoando uma nova língua e aprendendo novos métodos de trabalho, quer a nível pessoal, conhecendo novas culturas e pessoas às quais teria de me adaptar. Durante o período de confinamento social devido à COVID-19, não consegui ficar indiferente a esta situação, por isso, candidatei-me para trabalhar na Linha de Apoio ao SNS24 – que foi criada de forma a dar uma maior resposta às chamadas existentes. Aqui, realizei a triagem de doentes com sintomatologia típica de COVID-19 e respondia a perguntas relacionadas com saúde pública. Por último, ao longo deste ano participei e assisti a diversos workshops e palestras – vide em anexos.
3. Reflexão crítica
Dando quase por concluído o MIM e o ano profissionalizante, é necessário fazer uma reflexão sobre a minha evolução ao longo do mesmo, assim como adotar uma atitude crítica de forma a dar um parecer global sobre aquilo que foi experienciado.
Este, é um ano que considero ser imprescindível na integração de conhecimentos, consolidação de conhecimento clínico, aquisição de autonomia e responsabilidade, bem como desenvolvimento de atitudes e valores, que pautam a conduta de um profissional. As expetativas pelo cumprimento dos objetivos a que me propus eram altas e foram, de longe, superadas.
Acredito que, em todos os estágios do ano profissionalizante, tive a oportunidade de consolidar os conhecimentos teóricos que fui adquirindo ao longo deste curso. Procurei sempre estudar as patologias mais frequentes e referentes a cada especialidade, estar a par dos temas abordados, esforçando-me assim, dentro do possível, para pôr em prática o meu conhecimento. Quanto à aquisição de autonomia, de forma progressiva e tutorada, o estágio parcelar que mais contribuiu para o atingimento deste objetivo foi, sem dúvida, o de Medicina Interna. Aqui, ainda que de forma tutorada, foi-me dada responsabilidade para que avaliasse os
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doentes sozinha. Tal confiança depositada em mim, motivou-me a dar o meu melhor, sempre. A passagem pelo Serviço de Urgência e pela enfermaria levou a que aperfeiçoasse a minha técnica de anamnese, tornando-a mais estruturada e completa, aprimorasse o meu método de exame objetivo e otimizasse o meu raciocínio clínico. O mesmo objetivo foi conseguido, igualmente, ao longo do estágio de Cirurgia Geral e Medicina Geral e Familiar (MGF), onde tive a oportunidade de aperfeiçoar todas estas técnicas que fazem parte do dia-a-dia do profissional de saúde. No que diz respeito ao objetivo de ser capaz de propor e interpretar exames complementares de diagnóstico, adequados a cada situação, e propor abordagens terapêuticas nas patologias mais frequentes ou de maior gravidade, mais uma vez, ponho em destaque o estágio de Medicina Interna, bem como o de Cirurgia Geral. Foi mais um objetivo amplamente atingido, uma vez que, durante a vivência hospitalar, foi-me várias vezes incutida a responsabilidade de propor exames complementares, interpretação dos mesmos, bem como fazer a devida proposta terapêutica. No serviço de urgência, tive ainda oportunidade de lidar com patologias mais graves e, por isso, mais urgentes. Foi aqui que desenvolvi um raciocínio mais estruturado e uma técnica de avaliação mais dirigida. No que concerne ao ser capaz de identificar fatores de risco e tomar medidas de prevenção e educação para a saúde, o estágio que mais contribuiu para o cumprimento deste objetivo foi o de MGF. Durante a minha atividade prática e observacional na USF do Tejo, tive a oportunidade de observar doentes com multimorbilidades e necessidade de intervenção por parte da medicina preventiva. Com a Dr.ª. Diana aprendi a aplicar o modelo de entrevista aberto, identificando os fatores de risco, bem como as medidas preventivas adequadas a cada caso. Perante o objetivo de ter uma postura proativa e tentar ser parte integrante da equipa em que me acolheu durante os estágios, este foi, mais uma vez, superado no estágio de Medicina Interna. Neste, tive um papel ativo, observando os doentes de forma autónoma. No final do dia era realizada a discussão de cada caso, permitindo-me exprimir as dúvidas que iam surgindo e adquirir maior confiança, conhecimento e prática na sua abordagem. Esta discussão permitiu que todos os elementos da equipa estivessem a par do estado dos doentes. Por último, considero que o objetivo de comunicar e interagir eficazmente com os doentes e respetivas famílias, bem como com outros profissionais de saúde envolvidos na prestação dos cuidados, foi alcançado em todos os estágios clínicos que presenciei, este ano. No estágio de Cirurgia Geral, saliento a comunicação entre médico-doente, no qual assisti à prontidão no esclarecimento de dúvidas e na validação de medos e receios por parte do Dr. Gonçalo Luz. Este foi o contexto ideal para desenvolver técnicas de comunicação e de empatia, que nos ajudam a ter uma melhor prestação de cuidados. Igualmente, no estágio de Saúde Mental vi cumprido este objetivo, sendo notável a necessidade de uma boa relação médico-doente, para que haja um melhor acompanhamento e compliance terapêutica. Também no estágio de Medicina Interna tive o prazer de ver cumprido este objetivo. Aqui, evidencio a comunicação entre os diferentes profissionais de saúde, sendo esta fundamental para uma melhor abordagem do doente. Ressalvo, ainda, a quantidade de doentes sociais internados, e atento para a dificuldade que se encontra em lidar com estes casos, uma vez que requer uma articulação com serviços sociais e outras entidades,
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indo para além de uma intervenção puramente médica. O estágio de MGF atingiu, de igual forma, este objetivo, uma vez que pude averiguar que o sucesso terapêutico não se deve exclusivamente ao tratamento das queixas do doente, mas sim a abordagem do doente como um todo.
Tendo em conta esta situação excecional de pandemia, que nos impôs métodos de ensino à distância, não fui capaz de cumprir os objetivos a que me tinha proposto relativos aos estágios decorridos durante este período – Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia- apesar das tentativas de adaptação por parte da faculdade, para que tirássemos o melhor proveito. Contudo, reconheço o trabalho e esforço de todas as entidades responsáveis, na tentativa de se adaptarem a esta nova realidade.
Ao longo destes seis anos, participei em diversas atividades extracurriculares, que considero terem auxiliado o meu crescimento quer a nível pessoal quer profissional. A atividade que mais me marcou, tendo sido fundamental nesta etapa da minha vida, foi a realização do programa de mobilidade. Apesar de o ensino ser mais teórico, tive oportunidade de conhecer diferentes realidades, e ver a influência da cultura em áreas diversas como a medicina. Considero também que, a nível pessoal, foi enriquecedor, uma vez que pus à prova a minha capacidade de lidar com situações adversas, num país que não é o meu. Saliento ainda, o trabalho na linha de apoio no SNS24, uma vez que este me permitiu aprender a importância da articulação entre este serviço e diversas infraestruturas do Sistema Nacional de Saúde, bem como, aperfeiçoar as minhas capacidades de comunicação, esclarecendo dúvidas e tranquilizando os doentes, mesmo que à distância.
Gostaria de salientar o estágio de Medicina Interna e o de Cirurgia Geral, como aqueles que, a meu ver, mais contribuíram para a minha formação este ano. Creio que foi nestes que atingi a maioria dos meus objetivos, visto ter adquirido capacidades, que penso serem, cruciais nesta etapa final. Aproveito também para agradecer aos tutores que acompanhei nestes dois estágios – A Dr.ª. Teresa Mesquita e o Dr. Gonçalo Luz. À Dr.ª. Teresa pela disponibilidade com que fui acolhida na equipa da UAVC, sentindo-me parte integrante da mesma. Tudo isto motivou-me a aprender e a querer fazer mais e melhor. Ao Dr. Gonçalo, por me ter mostrado o lado humano da medicina, sendo para mim um exemplo a seguir.
Agradeço a todos os profissionais de saúde, com quem me fui cruzando ao longo destes 6 anos, que prontamente se disponibilizaram para me ajudar a tirar o máximo de proveito nos meus estágios.
Termino esta reflexão fazendo a ressalva de que não podia estar mais contente com a faculdade onde me torno mestre em medicina. É com orgulho e sensação de dever cumprido que termino a minha formação pré-graduada, levando comigo os exemplos de dedicação dos profissionais que acompanhei, o entusiasmo em busca de novos conhecimentos, e a vontade de superar sempre os meus objetivos.
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4. Anexos
1. Cronograma do ano letivo de 2019/2020
2. Atividades desenvolvidas em anos anteriores:
a. Comissão organizadora do Hospital da Bonecada (2017);
b. Voluntariado Apoio aos sem abrigo – AEFCM (2017);
c. Curso de Língua inglesa – nível B1.1 (2017);
d. Programa nacional de mobilidade – ERASMUS+ - Jessenius Faculty of Medicine in
Martin, Comenius Universtiy in Bratislava (2018)
3. Cursos e conferências frequentadas durante o presente ano letivo:
a.
Curso TEAM® (setembro 2019);
b.
Encontros da academia: Aritmologia para não electrofisiologistas – dúvidas do
dia-a-dia - Sociedade Portuguesa de Cardiologia (setembro 2019);
c.
II Jornadas de Medicina Geral e Familiar – Hospital CUF Descobertas (outubro
2019);
d.
Sessão clínica: Trauma (novembro 2019);
e.
Palestra: Burnout em Medicina – AEFCM (abril 2020);
f.
Palestra: Ser médico no hospital prisional – AEFCM (maio 2020);
g. Trabalho na linha de apoio do SNS24;
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1. Cronograma do ano letivo de 2019/2020
Estágio
Parcelar
Período
Local
Tutor(a)
designado
Trabalhos realizados
Cirurgia Geral
9 de setembro a dia 1 de novembro de 2019 Hospital BeatrizÂngelo Dr. Gonçalo Luz
Apresentação de um tema sobre gastroparésia: “A triste história
de um estômago retardado”
Medicina
Interna
4 de novembro de 2019 a dia 10 de janeiro de 2020 Unidade de AVCs – Hospital São Francisco de Xavier Dr.ª. Teresa Mesquita Apresentação de um trabalho de grupo: “Sono e abordagem do doente no internamento comalterações do sono”
Saúde Mental
20 de janeiro a 14 de fevereiro de 2020 Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) – Unidade de PsicogeriatriaDr. João Reis Colheita e elaboração de uma história clínica
Medicina
Geral e
Familiar
17 de fevereiro a 13 de março de 2020 Unidade de Saúde Familiar do Tejo Dr.ª. Diana Duarte Apresentação de um trabalho Cervicalgia – Abordagem e tratamento”; Realização de um documentoauxiliar aos profissionais de saúde: Manejo de anticoagulação
oral no período pré-operatório.
Pediatria
16 de março a 17 de abril de 2020Colocada no Hospital Dona Estefânia
- Substituição de estágio por atividades
online
Não se aplica
Apresentação de um trabalho de grupo: “Abordagem à cefaleia em
idade pediátrica”; Elaboração de um artigo de
revisão sobre o tema “Convulsões febris”
Ginecologia e
Obstetrícia
20 de abril a 15 de maio de 2020 Colocada no Hospital Beatriz Ângelo - Substituição de estágio por atividadesonline
Não se aplica
Apresentação de um trabalho de grupo: “Rastreio ecográfico
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2. Atividades desenvolvidas em anos anteriores
a.
Comissão organizadora do Hospital da Bonecada (2017);
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d. Programa nacional de mobilidade – ERASMUS - Jessenius Faculty of Medicine in
Martin, Comenius Universtiy in Bratislava (2018)
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3. Cursos e conferências frequentadas durante o presente ano letivo:
a. Curso TEAM® (setembro 2019);
b. Encontros da academia: Aritmologia para não electrofisiologistas – dúvidas do
dia-a-dia - Sociedade Portuguesa de Cardiologia (setembro 2019);
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