• Nenhum resultado encontrado

PROEJAEMPROLDAEMANCIPAÇÃODOSSUJEITOSDAEJA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "PROEJAEMPROLDAEMANCIPAÇÃODOSSUJEITOSDAEJA"

Copied!
22
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO

ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA À

EDUCAÇÃO BÁSICA NA MODALIDADE DE EDUCAÇÃO DE JOVENS

E ADULTOS

PROEJA:

FORMAÇÃO BÁSICA INTEGRADA À

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM PROL DA

EMANCIPAÇÃO DOS SUJEITOS DA

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

ADRIANA KILLES BARCELOS BARBOSA

ORIENTADORA: Profª Ms PATRÍCIA SOUZA MARCHAND

(2)

FICHA CATALOGRÁFICA

___________________________________________________________________________

B238p Barbosa, Adriana Killes Barcelos

PROEJA: formação básica integrada à Educação Profissional em prol da emancipação dos sujeitos da Educação de Jovens e Adultos / Adriana Killes Barcelos Barbosa ; orientadora Patrícia Souza Marchand. – Porto Alegre, 2009.

22 f.

Trabalho de conclusão (Especialização) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Curso de Especialização em Educação Profissional integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, 2009, Porto Alegre, BR-RS.

1. Educação. 2. Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos. 3. PROEJA. 4. Educação profissional. 5. PROEJA – EJA – Evasão escolar – Emancipação do sujeito. 6. Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta – Viamão, RS. I. Marchand, Patrícia Souza. II. Título

CDU 374.7 _____________________________________________________________________________ CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação.

(3)

“ Como professor crítico, sou um “aventureiro” responsável, predisposto à mudança, à aceitação do diferente. Nada do que experimentei em minha atividade docente deve necessariamente repetir-se. Repito, porém, como inevitável, a franquia de mim mesmo, radical, diante dos outros e do mundo. Minha franquia ante os outros e o mundo mesmo é a maneira radical como me experimento enquanto ser cultural, histórico, inacabado e consciente do inacabamento.” (FREIRE, 1996)

(4)

1. RESUMO

Este artigo pretende explicitar a pesquisa realizada na Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta, a qual pertence à rede estadual do município de Viamão, apresentando como tema: “PROEJA: Formação Básica integrada à Educação Profissional em prol da Emancipação dos Sujeitos da Educação de Jovens e Adultos”. O principal objeto de estudo foi “a política do PROEJA como alternativa para a diminuição da evasão na Educação de Jovens e Adultos (EJA)”, tendo como problemática: “Como a instituição do PROEJA na Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta pode auxiliar na permanência dos educandos (alunos/trabalhadores) na EJA, na medida em que oferece uma formação para o trabalho? Sem a pretensão de encontrar dogmas para a problemática referida, pretende como objetivo propor uma reflexão crítica sobre os caminhos a serem percorridos para articular a educação básica à formação profissional na modalidade da Educação de Jovens e Adultos ao nível do Ensino Fundamental.

PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO BÁSICA – MODALIDADE DA EJA (EDUCAÇÃO

DE JOVENS E ADULTOS) – EVASÃO ESCOLAR - POLÍTICA DO PROEJA – EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - EMANCIPAÇÃO.

(5)

INTRODUÇÃO

A educação é um processo contínuo, permanente de integração, que tem início antes do nascimento do sujeito e, dura por toda a vida, desenvolvendo-se em instituições específicas e além delas. Porém, a realidade educacional e as instâncias que dela fazem parte, sempre foram uma problemática na nossa sociedade. Por vezes a vimos dando passos gigantescos no campo do conhecimento e da construção da cidadania e, no decorrer da história, também a vimos como um forte instrumento de grande eficácia para a manutenção da ideologia dominante e da exclusão social. Neste vastíssimo campo encontramos o fenômeno da educação intimamente ligado ao trabalho.

Elaborar um Projeto de Pesquisa durante o Curso de Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos representa um grande desafio em toda a minha caminhada no campo educacional. É muito mais do que apresentar um trabalho de conclusão de curso. É a possibilidade de refletir, analisar e aos poucos tentar mudar a realidade do contexto educacional em que estamos inseridos.

É importante ter claro que toda e qualquer construção científica é humana em sua natureza, uma vez que é resultante da atividade dos seres humanos o fato de estar, constantemente, em busca da compreensão da realidade, apesar de todas as dificuldades existentes. Mesmo que este esforço construtivo nem sempre torne tais certezas possíveis, a pesquisa torna-se inerente e necessária no cotidiano educacional.

Este artigo que apresenta como título: “PROEJA: formação básica integrada à educação profissional em prol da emancipação dos sujeitos da EJA da Escola Nísia Floresta” tem como objeto de estudo: a política do PROEJA como alternativa para a diminuição da evasão na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O ponto de vista sob o qual o assunto foi abordado foi a partir da temática de pesquisa, “Trabalho e Educação”, sendo possível investigar, de forma sistemática, a realidade do contexto escolar da Educação de Jovens e Adultos ao nível do Ensino Fundamental oferecida na Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta, localizada no Bairro Vila Elsa, no município de Viamão. No decorrer do processo foram considerados de

(6)

suma importância os aspectos históricos, políticos, culturais e sociais, pois a educação é flexível, adaptável aos novos tempos e depende fundamentalmente da realidade do homem.

Por um lado, a legislação atual permite que os educandos da EJA tenham acesso e permanência aos estudos a qualquer tempo do ano letivo.

O Parecer 750/2005 do Conselho Estadual de Educação manifesta-se sobre a certificação para alunos da Educação de Jovens e Adultos antes do término do período letivo. Aborda a questão do avanço, lembrando o que diz a Lei de Diretrizes e Bases - 9.394/96 de que o tempo é do aluno, individual e não coletivo, para não caracterizar suplência.

Por outro lado, na prática, o acesso a EJA realmente é dado ao educando, mas devido a diversos fatores, nem sempre é garantida a real permanência deste educando no contexto escolar.

Sendo assim, após participar do Seminário de Pesquisa PROEJA: preparação para o trabalho e para a vida, em Santa Maria/RS, decidi optar pela temática “Trabalho e Educação”, porque convivo no ambiente escolar, diariamente, com jovens e adultos que ingressam na EJA com muitas expectativas em relação ao mundo do trabalho, mas, infelizmente, no decorrer do ano, a maioria acaba desistindo de estudar.

Por isso, é importante fazermos o seguinte questionamento: “Como a instituição do PROEJA na Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta pode auxiliar na permanência dos educandos (alunos/trabalhadores) na EJA, na medida em que oferece uma formação para o trabalho?”

Uma das hipóteses de estudo observada, na prática, é que, na maioria das vezes um dos principais objetivos dos jovens e/ ou adultos retornarem aos estudos é a inserção no mercado de trabalho, ou seja, retornam aos bancos escolares em busca de uma certificação, a curto prazo, para inserir-se no mundo do trabalho ou progredir em sua carreira profissional. Porém, como os currículos da EJA e a prática observada no contexto escolar apresenta-se distante de sua realidade, acabam se desmotivando e, conseqüentemente, desistindo de concluir seus estudos.

Desse modo, o real propósito desta pesquisa educacional não é mostrar caminhos, dando respostas prontas, ao considerá-las verdades absolutas, mas sim, indicar

(7)

rotas que orientem a comunidade escolar, da qual faço parte, para que os caminhos sejam descobertos, construídos, refletidos e que tenham sentido.

Sem a pretensão de encontrar dogmas para a problemática referida neste projeto, pretende como objetivo propor uma reflexão crítica sobre os caminhos a serem percorridos para articular a educação básica à formação profissional na modalidade da Educação de Jovens e Adultos ao nível do Ensino Fundamental. (no inicio do texto já apresentastes um objeto e não é este. Opte pelo primeiro.)

Neste momento, ressalto como sendo muito importante a perspectiva desta pesquisa, pois adquire um significado amplo, porque enfatiza o processo de investigação como um ato de construção do conhecimento, tendo como sujeitos cognoscentes, de um lado, o pesquisador/educador; de outro, a comunidade escolar. A relação estabelecida entre o sujeito e o objeto foi dialógica e investigativa. A metodologia utilizada foi qualitativa.

Primeiramente foi realizada uma observação sobre a realidade da EJA no contexto da escola. A posterior foi feito um levantamento de dados estatísticos sobre a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos da Escola Nísia Floresta e das escolas que compõem a rede estadual da 28ª Coordenadoria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul.

Os instrumentos metodológicos utilizados foram entrevistas com a equipe diretiva (Diretor e vice-diretor), com cinco funcionários e onze professores que lecionam na EJA. Também foram aplicados questionários para os educandos das Totalidades 1, 2, 3, 4, 5 e 6, com a finalidade de traçar o perfil do jovem/adulto inserido no contexto escolar e suas perspectivas com relação à Educação de Jovens e Adultos.

3. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: ASPECTOS HISTÓRICOS

Para entendermos o que significa a EJA e sua finalidade é importante conhecermos o processo histórico desta modalidade de ensino da Educação Básica.

Embora a história da EJA tenha se dando desde o período do Brasil Colônia, de uma forma mais assistemática, as iniciativas governamentais no sentido de oferecer educação para os jovens e adultos são recentes.

(8)

No Brasil Colônia, a referência à população adulta era apenas de educação para a doutrinação religiosa, abrangendo um caráter muito mais religioso do que educacional.

No Brasil Império, começaram a acontecer algumas reformas educacionais e estas preconizavam a necessidade do ensino noturno para adultos analfabetos.

Em 1876, foi feito então, um relatório, pelo ministro José Bento da Cunha Figueiredo, apontando a existência de 200 mil alunos freqüentes às aulas noturnas. Durante muito tempo, portanto, as escolas noturnas eram a única forma de educação de adultos praticada no país. Segundo CUNHA (1999), com o desenvolvimento industrial, no início do século XX, inicia-se um processo lento, mas crescente, de valorização da educação de adultos. Porém, essa preocupação trazia pontos de vista diferentes em relação à educação de adultos, quais sejam: a valorização do domínio da língua falada e escrita, visando o domínio das técnicas de produção; a aquisição da leitura e da escrita como instrumento de ascensão social; a alfabetização de adultos vista como meio de progresso do país; a valorização da alfabetização de adultos para ampliação da base de votos.

A partir de 1940, começou-se a detectar altos índices de analfabetismo no país, o que acarretou a decisão do governo no sentido de criar um fundo destinado à alfabetização da população adulta analfabeta.

Em 1945, com o final da ditadura de Vargas, iniciou-se um movimento de fortalecimento dos princípios democráticos no país. Com a criação da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), ocorreu, então, por parte desta, a solicitação aos países integrantes (e entre eles, o Brasil) de se educar os adultos analfabetos. Devido a isso, em 1947, o governo lançou a 1ª Campanha de Educação de Adultos, propondo: alfabetização dos adultos analfabetos do país em três meses, oferecimento de um curso primário em duas tapas de sete meses, a capacitação profissional e o desenvolvimento comunitário. Abriu-se, então, a discussão sobre o analfabetismo e a educação de adultos no Brasil. Nessa época, o analfabetismo era visto como causa (e não como efeito) do escasso desenvolvimento. Além disso, o adulto era identificado como elemento incapaz e marginal psicológica e socialmente, submetido à menoridade econômica, política e jurídica, não podendo, então, votar ou ser votado (CUNHA, 1999).

Como resultado da 1ª Campanha, portanto, SOARES (1996) aponta a criação de uma estrutura mínima de atendimento, apesar da não valorização do magistério.

(9)

Ao final da década de 50 e início da década de 60, iniciou-se, então, uma intensa mobilização da sociedade civil em torno das reformas de base, o que contribuiu para a mudança das iniciativas públicas de educação de adultos. Uma nova visão sobre o problema do analfabetismo foi surgindo, junto à consolidação de uma nova pedagogia de alfabetização de adultos, que tinha como principal referência Paulo Freire. Surgiu um novo paradigma pedagógico – um novo entendimento da relação entre a problemática educacional e a problemática social. O analfabetismo, que antes era apontado como causa da pobreza e da marginalização, passou a ser, então, interpretado como efeito da pobreza gerada por uma estrutura social não igualitária (SOARES, 1996).

Em 1963, o Governo encerrou a 1ª Campanha e encarregou Freire de organizar e desenvolver um Programa Nacional de Alfabetização, já que a conscientização proposta por Freire passou a ser vista como ameaça à ordem instalada.

A partir daí, deu-se o exílio de Freire e o início da realização de programas de alfabetização de adultos assistencialistas e conservadores. Dentro desse contexto, em 1967, o Governo assumiu o controle da alfabetização de adultos, com a criação do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), voltado para a população de 15 a 30 anos, objetivando a alfabetização funcional – aquisição de técnicas elementares de leitura, escrita e cálculo. Com isso, as orientações metodológicas e os materiais didáticos esvaziaram-se de todo sentido crítico e problematizador proposto por Freire (CUNHA, 1999).

Na década de 70, ocorreu, então, a expansão do MOBRAL, em termos territoriais e de continuidade, iniciando-se uma proposta de educação integrada, que objetivava a conclusão do antigo curso primário. Paralelamente, porém, alguns grupos que atuavam na educação popular continuaram a alfabetização de adultos dentro da linha mais criativa.

Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação da Educação Nacional, LDB 5.692/71, implantou-se o Ensino Supletivo, sendo dedicado um capítulo específico para a EJA. Esta lei limitou o dever do Estado à faixa etária dos 7 aos 14 anos, mas reconheceu a educação de adultos como um direito de cidadania, o que pode ser considerado um avanço para a área da EJA no país.

Em 1974, o MEC propôs a implantação dos Centros de Estudos Supletivos (CES), que se organizavam com o trinômio tempo, custo e efetividade. Devido à época vivida pelo país, de inúmeros acordos entre MEC e USAID, estes cursos oferecidos foram fortemente

(10)

influenciados pelo tecnicismo, adotando-se os módulos instrucionais, o atendimento individualizado, a auto-instrução e a argüição em duas etapas – modular e semestral. Como conseqüências, ocorreram, então, a evasão, o individualismo, o pragmatismo e a certificação rápida e superficial (SOARES, 1996).

Nos anos 80, com a abertura política, as experiências paralelas de alfabetização, desenvolvidas dentro de um formato mais crítico, ganharam corpo. Surgiram os projetos de pós alfabetização, que propunham um avanço na linguagem escrita e nas operações matemáticas básicas.

Em 1985, o MOBRAL foi extinto e surgiu, em seu lugar, a Fundação EDUCAR, que abriu mão de executar diretamente os projetos e passou a apoiar financeiramente as iniciativas existentes. De acordo com CUNHA (1999), a década de 80 foi marcada pela difusão das pesquisas sobre língua escrita com reflexos positivos na alfabetização de adultos. Em 1988, foi promulgada a Constituição, que ampliou o dever do Estado para com a EJA, garantindo o ensino fundamental obrigatório e gratuito para todos.

Nos anos 90, o desafio da EJA passou a ser o estabelecimento de uma política e de metodologias criativas, com a universalização do ensino de qualidade. Em nível internacional, ocorreu um crescente reconhecimento da importância da EJA para o fortalecimento da cidadania e da formação cultural da população, devido às conferências organizadas pela UNESCO, criada pela ONU e responsabilizada por incrementar a educação nos países em desenvolvimento. Esta, então, chamou uma discussão nacional sobre o assunto, envolvendo delegações de todo o país.

A partir dessa mobilização nacional, foram organizados os Fóruns Estaduais de EJA, que vêm se expandindo em todo o país. Isso se deu da seguinte forma: em 1996, ocorreu uma intensa mobilização incentivada pelo MEC e pela UNESCO, como forma de preparação para a V CONFITEA. O MEC instituiu, então, uma Comissão Nacional de EJA, para incrementar essa mobilização. A recomendação dada foi que cada Estado realizasse um encontro para diagnosticar metas e ações de EJA.

Desde então, as instituições envolvidas decidiram dar prosseguimento a esses encontros. Em 1997, a UNESCO convidou SEEs, SMEs, Universidades e ONGs para a preparação da V CONFITEA, através da discussão e da elaboração de um documento

(11)

nacional com diagnóstico, princípios, compromissos e planos de ação. Estes eventos de intercâmbio marcaram o ressurgimento da área de EJA.

Em 1999, ocorreu o 1° ENEJA, no Rio de Janeiro, onde participaram os Fóruns do Rio, de Minas, do Espírito Santo, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Esse encontro acabou sendo um estímulo para o surgimento de outros Fóruns. O VI ENEJA ocorreu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com a participação de 22 Fóruns.

Na década de 90, o Governo se desobrigou de articular a política nacional de EJA, incumbindo os municípios disso. Surgem, então, nesse contexto, os Fóruns de EJA. O surgimento dos Fóruns se dá de forma diferente em cada Estado.

Com o surgimento dos Fóruns, então, a partir de 1997, a história da EJA passa a ser registrada num Boletim da Ação Educativa, que socializa uma agenda dos Fóruns e os relatórios dos ENEJAS.

De 1999 a 2000, então, os Fóruns passam a marcar presença nas audiências do Conselho Nacional de Educação para discutir as diretrizes curriculares para a EJA. Em alguns Estados, ainda, passaram a participar da elaboração das diretrizes estaduais e em alguns municípios, participaram da regulamentação municipal da EJA. Além disso, a Secretaria da Erradicação do Analfabetismo instituiu uma Comissão Nacional de Alfabetização e solicitou aos Fóruns uma representação. Os Fóruns, portanto, têm sido interlocutores da EJA no cenário nacional, contribuindo para a discussão e o aprofundamento do que seja a EJA no Brasil (SOARES, 2004).

A partir do ano de 2001 a preocupação com a EJA, em relação ao Poder Público, vem diminuindo cada vez mais. Percebo, na prática, que a idéia, através do pouco investimento em formação dos educadores, falta de estrutura física e material pedagógico adequado nas instituições de ensino, é extinguir esta modalidade de educação tão importante para a sociedade.

3.1. PROCESSO DE TRANSIÇÃO DO SUPLETIVO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA REDE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL

No final dos anos 60 e início dos anos 70, o Ensino Supletivo se instaura, no Rio Grande do Sul. Sua estrutura e organização foi pré-definida no Sistema de Ensino Estadual, desenvolvendo-se em escolas da rede Estadual e em Centros de Estudos Supletivos (CEEs).

(12)

O Ensino Supletivo foi expresso na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N° 5.692/71, no Parecer N° 699/1972, do Conselho Federal de Educação e na resolução 137/78 do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul.

No âmbito geral o Ensino Supletivo envolvia as funções de Suplência, Aprendizagem, Qualificação e Suprimento. Em qualquer uma dessas dimensões, este ensino pressupunha sua estratégia de ação na forma de cursos ou exames.

A Suplência exercia a função se suprir uma escolarização, com o oferecimento de oportunidades de conclusão do ensino de 1° e 2° graus, pelo jovem/adulto, no sistema educacional, em tempo reduzido ao ensino regular.

A Aprendizagem era uma formação metódica no trabalho, a encargo de empresas ou de instituições por estas criadas e mantidas.

A Qualificação era a profissionalização sem a preocupação de educação escolarizada. Esta capacitação visava à formação de mão-de-obra para os setores primário, secundário e terciário.

O Suprimento era a possibilidade oferecida pela escola em estudos continuados de aperfeiçoamento e atualização para os jovens/adultos que tenham seguido o ensino regular no todo ou em parte. Em sua execução encontramos os ensinos direto, indireto e semi-direto.

Desse modo, é possível perceber que a idéia do Ensino Supletivo apresentava como base uma prática dirigida ao auto-didatismo, tendo como principal objetivo a aceleração dos estudos, através da redução do tempo previsto para a conclusão do ensino. Levando em consideração as dificuldades de permanência dos jovens/adultos no ambiente escolar, eram oferecidas várias possibilidades de ensino, o qual, na maioria das vezes, era visto como uma educação de pouca qualidade.

O Ensino Supletivo, legalmente, permaneceu até 31 de dezembro do ano de 2001 no Estado do Rio Grande do Sul.

A partir do ano de 2002 começa a funcionar a modalidade da EJA (Educação de Jovens e Adultos) na rede Estadual do Rio Grande do Sul.

3.2 HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE VIAMÃO

(13)

Em novembro de 1998 iniciou-se no município de Viamão, o Projeto de Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA), convênio com a Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação, com MEC/FNDE, resgatando, com isto, parte da dívida educacional, o qual levou em conta o índice de analfabetismo do Município, de acordo com os dados do IBGE/1991.

A Secretaria Municipal de Educação colocou em prática junto aos professores envolvidos os princípios da Proposta Pedagógica Construtivista pós-piagetiana com assessoria inicial sistemática do GEEMPA (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação), baseado em pesquisas fundamentadas pelos seguintes autores: Jean Piaget, Vigotsk, Wallon, Paulo Freire, Gerard Vergnaud e outros, enfatizando a cultura e a cidadania e vinculando a questão sócio-antropológica.

O projeto teve como destaque a cultura relacionada com a aprendizagem em sala de aula, com conhecimento da história de vida de vários artistas e pintores, de diferentes épocas, acrescentando-se a isto a compra de quadros para exposição e estudo, oferecendo assessoria direta aos professores em relação aos conhecimentos construídos em sala de aula, bem como as intervenções didático-pedagógicas necessárias para a construção do conhecimento de cada aluno, visando a alfabetização. Para o enriquecimento do mesmo foram também fornecidos, além de materiais para os alunos, materiais de suporte para o professor como livros de fundamentação teórica da proposta, jogos, cadernos de atividades, etc.

O projeto desmembrou-se em três etapas no qual os alunos aprenderam a ler e escrever em três meses: 1ª etapa: novembro/1998 a janeiro/1999: 236 alfabetizados; 2ª etapa: março a junho/1999: 370 alfabetizados e 3ª etapa: julho a outubro/1999: 256 alfabetizados.

Este novo paradigma de qualidade de vida adquiridos por esses jovens e adultos, através do AJA (Alfabetização de Jovens e Adultos), fez com que os alunos alfabetizados solicitassem ao Prefeito Municipal a continuidade dos seus estudos.

Desta forma, em março de 2000 iniciou-se a EJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos) convênio com a Prefeitura Municipal e MEC/FNDE que teve como principal objetivo propiciar a continuidade de estudos de 1ª à 4ª série.

(14)

Frente a este estímulo tivemos no 1° semestre de 2001 uma média de 400 alunos cursando a 5ª série regular ou supletivo. A EJA, ainda no ano de 2000 atendeu alunos de alfabetização e de 2ª à 4ª série em turmas multisseriadas com 900 alunos matriculados, constituindo 51 turmas, envolvendo 46 escolas municipais da rede, uma ONG e uma escola estadual. Cada etapa, entre alfabetização e 4ª série compreendendo três meses, onde a cada término o aluno era promovido, havendo a mudança para a etapa seguinte.

A partir de 2002, com a implantação do novo regimento da rede municipal, a Educação de Jovens e Adultos passou a ser oferecida no Ensino Fundamental – modalidade EJA. Desta forma o atendimento da Educação de Jovens e Adultos tornou-se completo de 1ª à 8ª série, permitindo ao aluno “transitar em etapas”, podendo concluir o ensino fundamental de quatro a oito anos, isto é, respeitando o processo individual de cada aluno.

3.3- BREVE HISTÓRICO DA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO

NÍSIA FLORESTA

Em 30 de setembro de 1952, através do artigo nº 3.539 foi criada a Escola Isolada de Águas Belas, que só começou a funcionar no ano de 1957, na casa da família FEIJÓ. Foi nossa primeira diretora a professora Lúcia Xavier Pittas.

Quando a professora Albertina Campos Nunes, assumiu a direção em 1957, as aulas eram ministradas em uma sala de aula da casa da Dona Maria Feijó. Todos os alunos de 1ª à 4ª série conviviam na mesma sala, onde a diretora exercia a função de professora, orientadora, supervisora, secretária e outras.

Após algum tempo a escola funcionou com um anexo cedido pela prefeitura de Viamão, localizado na rua Floriana Medina Rodrigues, antiga rua “B”, onde existia mais duas salas de aula e uma pequena cozinha. Após conseguiu-se um terreno, onde estamos até hoje, no qual foi construído o primeiro prédio de nossa escola.

Este prédio contava com cinco salas, um gabinete, uma sala para a secretaria, cozinha, conjunto de banheiro e apartamento do zelador.

Nesta época, trabalhavam apenas uma servente e uma merendeira, onde os alunos e professores eram responsáveis pela conservação e limpeza de sua sala de aula e os pais

(15)

faziam a manutenção do prédio, gratuitamente. Com o esforço e a união de todos, novos prédios foram sendo construídos para minimizar as necessidades da comunidade.

Em 1978, novos professores foram contratados e foi criado o primeiro grau incompleto, onde o nome NÍSIA FLORESTA foi escolhido.

Desde então, muita coisa mudou. Em 1979, o Conselho Estadual de Educação autoriza com o Parecer nº 830/1979 o funcionamento da 6ª série. Em 1982, com o Parecer nº 99/1982, autoriza o funcionamento das 7ª e 8ª séries. Em 1982 e 1983, respectivamente, passa a ser Escola Estadual de 1º Grau Nísia Floresta.

Em 1987, o Conselho Estadual de Educação com o Parecer nº 713/1987, autoriza o funcionamento do Curso Supletivo em Nível de Primeiro Grau. Em 1993 com o Parecer nº 6/1993, autoriza a introdução do turno da noite na escola. Já em 30 de dezembro do ano de 1999, com o Parecer nº 850/1999, a escola foi transformada e denominada Escola Estadual de Ensino Médio Nísia Floresta. E com o Parecer nº 138/2000, em 26 de janeiro de 2000, começando a funcionar em 1º de março do mesmo ano, com as primeiras turmas de 1ª séries do Ensino Médio. No ano de 2002 houve a primeira formatura dos alunos concluintes do Ensino Médio, que foram os pioneiros, até então. Este ano teremos a oitava turma de formandos do ensino médio de nossa escola.

Hoje, com méritos, contamos com 20 salas de aula, secretaria, sala dos funcionários e professores, gabinete para direção e vice-direção, sala para a supervisão, sala para orientação, salão para eventos, sala de áudio-visual, sala de informática, depósito, despensa, cozinha, refeitório, banheiros, dois pátios, quadras de esporte, laboratório de ciências e biblioteca.

Atualmente temos mais de 1.500 alunos matriculados em 51 turmas, do 1º ano dos Anos Iniciais até a 3ª série do Ensino Médio, nos três turnos de funcionamento da escola, 56 professores e 12 funcionários.

Desde 2007, temos na escola o Projeto Piloto de Alfabetização do GEEMPA, sendo considerados referência e destaque na aplicação desta metodologia pela 28ª CRE.

Quanto ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM/2008), nossa escola obteve o 1º lugar entre as escolas estaduais de Viamão e entre as escolas estaduais da 28ª CRE / Gravataí e o 4º lugar geral em Viamão.

(16)

A escola participará pela terceira vez das Olimpíadas Brasileira de Matemática e pela primeira vez das Olimpíadas de Filosofia.

4. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UM DIREITO ADQUIRIDO De acordo com a legislação vigente devemos entender a Educação de Jovens e Adultos como uma modalidade da Educação Básica, a qual deve ser respeitada por considerar-se um direito adquirido pela sociedade e porque apresenta especificidades.

Como direito, a Educação Básica, significa um recorte universalista próprio de uma cidadania ampliada e ansiosa por encontros e reencontros com uma democracia civil, social, política e cultural.(...) A Educação Básica é um conceito mais do que inovador para um país que, por séculos, negou, de modo elitista e seletivo, a seus cidadãos, o direito ao conhecimento pela ação sistemática da organização escolar. (CURY, 2002, p. 294)

. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6°, diz que “são considerados direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados”.Portanto, educação e trabalho são direitos sociais, os quais devem vir em primeiro plano, ao se pensar em políticas públicas para a sociedade.

Se, “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” (Art. 205, CF\1988), é de suma importância que, tanto a família, quanto o Estado, promovam uma educação que, realmente, contribua para a cidadania e a formação para o trabalho.

Do dever, dever de Estado, nascem obrigações que devem ser respeitadas tanto da parte de quem tem a responsabilidade de efetivá-las, como os poderes constituídos, quanto da colaboração vinda da parte de outros sujeitos implicados nessas obrigações (CURY, 2002, p. 296)

(17)

É nessa inspiração, declarada e garantida na Constituição, que a Educação Escolar Básica é proclamada direito.

Dessa forma, “a lei estabelece o Plano Nacional de Educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; melhoria da qualidade do ensino; formação para o trabalho e promoção humanística, científica e tecnológica do País.” (Art. 214 da Const. Fed., 1988)

O conceito de Educação Básica também incorporou a si, na legislação, a diferença como direito. Por isso, os jovens e adultos que não tiveram oportunidades de se escolarizar na idade própria podem e devem ser sujeitos de um modelo pedagógico próprio e apoiados com recursos que os façam recomeçar sua escolaridade sem a sombra de um novo fracasso.(CURY, 2002, p.300)

Sendo assim, a LDBEN N° 9394/96 ao ressaltar que “a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de seus estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”, está explicitando o direito adquirido pelos jovens e/ou adultos, após muitas lutas sociais. Além disso, reforça que “os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames” e que “o Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si”.

4- EDUCAÇÃO X TRABALHO

Muitos estudiosos reforçam que a principal finalidade da educação é preparar para a vida. Acredito que, a verdadeira educação não somente “prepara para a vida”, mas “prepara na vida”, (explicar) porque a todo o momento é importante relacionar o ensino e as aprendizagens escolares a sua utilidade, na vida, ou seja, na prática, principalmente para a sobrevivência dos seres humanos. “Preparar para a vida” parece-me muito distante da realidade dos nossos jovens e/ou adultos, mas “preparar na vida”,

(18)

aproxima-se ao máximo de suas expectativas, pois os saberes, constantemente, são relacionados com a realidade.

O trabalho constitui-se, por ser elemento criador da vida humana, num dever e num direito. Um dever a ser aprendido, socializado, desde a infância. Trata-se de aprender que o ser humano – como ser natural – necessita elaborar a natureza, transformá-la, e pelo trabalho extrair dela bens úteis para satisfazer as suas necessidades vitais e socioculturais. Quando não se socializa este valor, a criança e o jovem tornam-se, no dizer de Gramsci, espécies de mamíferos de luxo, que acham natural viverem do trabalho e da exploração dos outros. Não se trata aqui de defender a exploração capitalista do trabalho infanto-juvenil, que mutila e degrada a vida da infância e da juventude. Trata-se de educar a criança e o jovem para participar das tarefas da produção, de cuidar da sua própria vida e da vida coletiva e para partilhar de tarefas compatíveis com sua idade.(FRIGOTTO, 2002, p. 14-15)

Na sociedade globalizada à qual pertencemos há de se investir na educação, tendo como principal objetivo o contínuo desenvolvimento de habilidades e competências para enfrentar o “mercado de trabalho” ou o “mundo do trabalho”, o qual é muito competitivo. Não basta ter formação, é preciso ter capacidade para realizar uma ampla leitura de mundo, conseqüentemente, a tomada de consciência e decisão perante os obstáculos que a vida nos oferece.

Os processos educativos e formativos, que ao mesmo tempo são constituídos e constituintes das relações sociais, no contexto acima indicado, passam por uma ressigniificação no campo das concepções e das políticas. Estreita-se ainda mais a compreensão do educativo, do formativo e da qualificação, desvinculando-os da dimensão ontológica do trabalho e da produção, reduzindo-os ao economicismo do emprego e, agora, da empregabilidade. Com efeito, no início da crise do modo de regulação social fordista (anos 50-60) a educação formal e a qualificação profissional apareciam como formadores de capital humano. Este conceito, mesmo sendo expressão de uma leitura economicista, engendrava uma perspectiva integradora vinculada à tese do pleno emprego. Difundia-se a ideologia que o investimento no capital humano permitiria aos países subdesenvolvidos desenvolverem-se e aos indivíduos a garantia de melhores empregos, maior produtividade e, por essa via, mobilidade e ascensão social. Hoje a educação formal e a qualificação são situadas como elementos da competitividade, reestruturação produtiva e da empregabilidade.” (FRIGOTTO, 1998, p.14-15)

Percebe-se, ao longo da história, que Educação e Trabalho são vistos como necessários ao desenvolvimento integral do sujeito.

(19)

Marx ressalta em seus escritos que o trabalho produz conhecimento.

O trabalho, como criador de valores de uso, como trabalho útil, é indispensável a existência do homem – quaisquer que sejam as formas de sociedade é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza, e, portanto, de manter a vida humana. (MARX, 1982, p. 50)

Por que, então, não integramos a Educação de Jovens e Adultos à Educação Profissional?

5 EVASÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - um estudo de caso

De acordo com o documento base do PROEJA, apesar do avanço significativo do número de matrículas, os problemas em relação ao ensino fundamental, denominado regular, são ampliados na EJA. Dessa forma, é ainda mais elevada a evasão no ensino fundamental, nessa modalidade.

No ano de 2007 a matrícula inicial na EJA (Totalidades Finais) na Escola Estadual Nísia Floresta era de 125 alunos. Ao final do ano letivo a matrícula aumentou para 153 alunos. Mas, na realidade, apenas a metade dos alunos freqüentou as aulas até o término do ano letivo.

No ano de 2008 a matrícula inicial na EJA (Totalidades Finais) era de 177 alunos. Ao final do ano letivo a matrícula aumentou para 182 alunos. Porém, novamente, o número real de alunos freqüentando as salas de aula diminuiu em torno de 50%.

Portanto, se analisarmos somente os registros relacionados às matrículas inicial e final, não temos como demonstrar o alto índice de evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos da escola, porque não podemos cancelar ou evadir o aluno, devido à especificidade do respeito ao tempo do aluno, e, que a qualquer momento do ano letivo pode retornar aos estudos. Sendo assim, podemos perceber esta constatação ao revisarmos os diários de classe, antigos cadernos de chamada, e calcularmos o número de presenças e faltas de cada um dos alunos.

Essa elevada evasão parece ter múltiplas razões. Muitas vezes é ocasionada pela inadequação escolar, outras pela necessidade de o estudante trabalhar, o que em geral, é mais urgente do que continuar os estudos.

(20)

Ao realizar o levantamento de dados, a partir das entrevistas foi possível conhecer melhor a realidade do contexto escolar da Educação de Jovens e Adultos da Escola Estadual Nísia Floresta.

O atual Diretor trabalha na escola há 9 anos e o vice-diretor há 1 ano. O tempo de trabalho dos professores na escola varia de 4 meses à 31 anos. Uma professora, a qual já esteve na Direção da escola, atualmente trabalha na biblioteca. O tempo de trabalho dos funcionários na escola varia entre 5 meses há 17 anos.

Sete educadores trabalham indiretamente com a EJA, nos setores da Direção, Secretaria, Biblioteca e Serviços Gerais. Onze educadores trabalham diretamente com a EJA, lecionando em sala de aula.

Em relação ao significado da EJA, no geral, as respostas foram semelhantes. Quase todos responderam que EJA significa Educação de Jovens e Adultos e, que a sua finalidade é proporcionar “oportunidade para as pessoas completar a sua escolaridade, muitas vezes abandonada em função do trabalho e repetidas reprovações”.(ENTREVISTADO N° 11)

A maioria não conhece o histórico da EJA, nos âmbitos federal, estadual e municipal. Apenas três professores descrevem como ocorreu o processo de transição do Supletivo para a EJA na escola, talvez porque trabalham na instituição há mais de quinze anos.

Ao serem questionados sobre quem são os sujeitos da EJA, grande parte dos entrevistados relata que ao longo dos tempos a caracterização dos estudantes da EJA vem se modificando constantemente. “O público é, na sua maioria, jovens (...) (ENTREVISTADO N° 14)”.(...) jovens com problemas de disciplina e fora da idade que a escola remete para a EJA.”(ENTREVISTADO N° 08)” (...) Tiveram acesso. São alunos que pararam de estudar e percebem a importância que tem o estudo. Às vezes, precisam trabalhar para se manter e aí percebem que sem o mínimo de estudo não vão poder trabalhar, por isso, eles retornam ... até, ás vezes, para crescer dentro da empresa que trabalham ou conseguir um cargo melhor fora da empresa que trabalham.” (ENTREVISTADO N° 09) “ Na verdade possui muitos alunos novos, transferidos do Ensino Regular diurno para a EJA noturno. Não cumpre sua verdadeira função.” (ENTREVISTADO N° 16)

(21)

Os entrevistados, no geral, ressaltam que não observam um interesse e preocupação com a modalidade de ensino da EJA, por parte da mantenedora. “(...) tem muito pouco apoio. Tem muita pouca assessoria, através de metodologias e recursos pedagógicos. Os professores deveriam ser bem melhores preparados para poder dar aula na EJA. Deveria ter mais recursos, mais material pedagógico pra gente poder fazer umas aulas mais preparadas”.(ENTREVISTADO N° 09)

3.4.A NECESSIDADE DE INTEGRAR A EDUCAÇÃO

PROFISSIONAL/FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA E O ENSINO FUNDAMENTAL NA MODALIDADE DA EDUCAÇÃO

DE JOVENS E ADULTOS

De acordo com Frigotto(2004), “a educação básica deve apresentar como eixo central a articulação entre a ciência, o conhecimento, a cultura e o trabalho. Neste caso, não pode, somente, estar definida por uma vinculação imediata e pragmática, nem com o “mercado de trabalho”, nem com o “treinamento” para o vestibular.(...) Por isso, é importante que haja a opção de um ensino integrado, possibilitando a formação técnico profissional, sem abrir mão de uma educação de qualidade.”

Dos entrevistados, apenas três pessoas responderam que não acreditam que há necessidade de integrar a Educação Profissional à Educação de Jovens e Adultos. “Por que acredito que a Educação Profissional prioriza a inserção do aluno no mercado de trabalho e a EJA remete à necessidade de atualização daqueles que há muito tempo não freqüentam os bancos escolares e apresentam déficit de cognição.” (ENTREVISTADO N° 01) “Não, porque tem várias entidades que fazem esse papel na sociedade como SESI, SESC e outras.” (ENTREVISTADO N° 08) “Não, porque, na verdade, o aluno vem procurar o ensino e não um curso profissionalizante.” (ENTREVISTADO N° 16)

O restante dos educadores responderam que é muito importante integrar a educação de jovens e adultos à educação profissional.

Por um lado, dez educadores já ouviram falar sobre o PROEJA. Por outro lado, oito educadores nunca ouviram falar sobre o PROEJA.

(22)

Quatorze educadores não têm compreensão nenhuma sobre o PROEJA e quatro professores responderam que têm compreensão sobre o PROEJA.“ É uma união da formação formal com a profissional no Ensino Médio e na EJA.” (ENTREVISTADO N° 08) “ É uma qualificação profissional aos alunos.” (ENTREVISTADO N° 10) “ É o EJA, aliado ao ensino técnico ou voltado para a área técnica.” ( ENTREVISTADO N° 14)

Apesar da maioria dos educadores demonstrar não compreender o PROEJA, grande parte acredita que a instituição do PROEJA na escola irá causar modificações positivas no contexto escolar da EJA.

Diante dessa realidade, a integração da Educação Profissional/formação inicial e continuada com o ensino fundamental na modalidade educação de jovens e adultos se faz necessária, porque visa contribuir para a melhoria das condições de inserção social, econômica, política e cultural dos jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental. Assim, essa nova possibilidade educativa considera as especificidades do mundo do trabalho, mas não se restringe a elas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa criou possibilidades para os sujeitos entenderem seus atos, sem julgamentos prévios, aproveitando-se do problema para refletir sobre suas ações, formando sua consciência crítica e compreendendo suas limitações.

Neste sentido, visa promover o homem (jovem e/ou adulto), inserido em uma sociedade em permanente transformação, a assumir o papel de sujeito do processo de formação integral e, conseqüentemente, contribuindo para a expansão de sua liberdade de expressão e inclusão social. Desta forma, o sujeito passa a adquirir mais responsabilidade para exercer coerentemente sua cidadania, promovendo ações que garantam a valorização de sua identidade em prol de sua emancipação.

Referências

Documentos relacionados

O objetivo do curso foi oportunizar aos participantes, um contato direto com as plantas nativas do Cerrado para identificação de espécies com potencial

5.2 Importante, então, salientar que a Egrégia Comissão Disciplinar, por maioria, considerou pela aplicação de penalidade disciplinar em desfavor do supramencionado Chefe

Box-plot dos valores de nitrogênio orgânico, íon amônio, nitrito e nitrato obtidos para os pontos P1(cinquenta metros a montante do ponto de descarga), P2 (descarga do

Em São Jerônimo da Serra foram identificadas rochas pertencentes à Formação Rio do Rasto (Grupo Passa Dois) e as formações Pirambóia, Botucatu e Serra Geral (Grupo São

O artigo tem por objetivos destacar a importância da Educação de Jovens e Adultos – EJA; o perfil dos estudantes dessa modalidade de ensino, que são: os

e dos grupos considerados. Fonte: MARTINS, Gilberto de Andrade; THEÓPHILO, Carlos Renato Esta pesquisa teve lugar em uma escola pública de ensino técnico localizada no bairro de

A pesquisa objetiva o estudo da Língua Inglesa, situando a pertinência do ensino de língua estrangeira nos currículos dos cursos superiores de tecnologia, mais especificamente da

Baseia-se em pesquisas dos processos de treinamento adotados pela Força Aérea e Exército Brasileiros, Polícias Inglesa e Americana, com dados coletados durante Curso de