Todas as crianças têm o direito de
frequentar escolas com uma cultura
de melhoria da qualidade baseada
na sinergia entre os processos de
avaliação interna e externa.
Esta declaração está em consonância com a perspectiva europeia, segundo a qual todos podem viver e trabalhar em harmonia, respeitando os direitos e responsabilidades individuais. Em concreto, as melhorias na educação são vistas como tendo uma importância vital para garantir que cada criança desenvolva o seu talento e as suas capacidades, contribuindo, assim, para a Europa do futuro. A ava-liação em educação nas salas de aula, nas escolas, em regiões, e a nível nacional e Europeu, apoia e facilita as melhorias na Educação. Porém, as avaliações internas e externas podem e devem apoiar-se mutuamente e surgirem integradas. Ao desenvolver a sinergia entre os elementos interno e externo, em linha com as teses defendidas na presente declaração, a atenção deve estar claramente focalizada nas melhorias da educação e no desenvolvimento das crianças da Europa.
Todos têm o direito a participar
nos processos de avaliação,
partilhando as responsabilidades
com os outros.
Todas as avaliações são diferentes. O âmbito pode ser diferente – sala de aula, escola, região, nação; os propósitos podem ser diferentes; os regulamentos e as políticas que estão por detrás da avaliação podem variar; os participantes no processo podem ser apenas os professores da turma com os seus alunos ou pode tratar-se de um processo bem mais amplo, com uma grande diversidade de pessoas envolvidas. Qualquer que seja o contexto, é fundamental aceitar o direito de todos à co-responsabi-lização. Tal baseia-se nos princípios democráticos que sustentam os nossos sistemas, na União Euro-peia. Adicionalmente, promove o apoio mútuo, que desenvolve o conhecimento e o talento de todos os que participam no processo. Nas escolas, é essencial que os órgãos de gestão estruturem os processos de avaliação, para que todas as partes interessadas se envolvam adequadamente.
Todos os que estão envolvidos
num processo de avaliação,
devem partilhar a sua perspectiva
do mesmo.
Num processo que cria sinergia entre as avaliações interna e externa, participam diferentes elementos, pelo que é crucial que as perspectivas sejam partilhadas. As perspectivas dão uma orientação aos ob-jectivos da avaliação. Os participantes têm papéis diferentes e, consequentemente, as suas intenções podem divergir. Esta é uma das razões pelas quais perspectiva e objectivos devem ser definidos com abertura. É essencial dialogar para dar um sentido à visão e para delinear os objectivos. Todos os que estão envolvidos num determinado processo de avaliação devem ter uma perspectiva devidamente articulada do objectivo. Tal perspectiva deve emergir de um diálogo aberto.
A avaliação tem de ser aberta e
transparente e respeitar os direitos
de todos os que nela participam.
Para que a sinergia aconteça, os motivos que estão por detrás da avaliação, os mecanismos envolvidos e os critérios utilizados para fazer julgamentos, devem ser claros para todos. Porém, é necessário mais do que isto. A conduta do processo necessita de se apoiar em valores claros, que reconheçam a importância de todos os envolvidos e os seus direitos, como indivíduos, de serem ouvidos e de serem co-responsáveis pela avaliação e de terem os seus contributos reconhecidos, valorizados e utilizados de modo a influenciar os resultados finais. A sinergia entre as avaliações interna e externa requer que todas as partes se respeitem e va-lorizem mutuamente.
A avaliação deve conduzir
à melhoria da aprendizagem
e do ensino.
Acima de tudo, o objectivo da avaliação deve permitir que os professores melhorem as suas práticas e que as crianças melhorem as suas aprendizagens. Tal constitui a chave para melhorar a Educação por toda a Europa. O objectivo de todas as avaliações – interna e externa - deve dar enfoque à melhoria e ao desenvolvimento da aprendizagem e do ensino. Através da sinergia entre a avaliação interna e externa, o poder da avaliação pode facilitar mudanças reais e substanciais nas aprendizagens das crianças.
A avaliação é um processo
permanente que tem de se tornar
parte do quotidiano da escola.
“Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Por isso, a excelência não é um acto, mas sim um hábito:” (Aristóteles)
A avaliação é vista como sendo fundamental para a permanente melhoria da Educação e, por isso, é um aspecto vital para o desenvolvimento da excelência. Se a excelência for entendida como um nível permanente de desempenho, e não como um acto isolado, então é igualmente importante que a ava-liação seja também um processo permanente, enraizado e cooperativo, constituindo parte do trabalho regular de todos os que estão envolvidos com a escola. Nesta perspectiva, a melhoria é uma atitude e uma forma de estar. Quando tal se aplica a todos os níveis do sistema educativo, então já estão criadas algumas condições para que a sinergia aconteça, visto todos reconhecerem a importância da avaliação e do trabalho conjunto com vista à melhoria.
A sinergia em avaliação requer
que sejam planeadas oportunidades
para partilha de práticas e
construção de conhecimento.
Os processos de avaliação são bem sucedidos na melhoria do ensino e da aprendizagem, quando todos os agentes envolvidos estão trabalhando activa e cooperativamente. Por esse motivo, é necessário criar oportunidades estruturadas (plataformas, amigos críticos, redes, oficinas de formação) para jun-tar todas as partes e trabalhar em torno de objectivos comuns.
São aspectos fundamentais destas oportunidades estruturadas, que elas aconteçam com regularidade, que sejam uma componente sistemática da avaliação, e que façam parte da metodologia acordada. Isto é importante para todos os processos de avaliação e suporta o desenvolvimento da sinergia entre as avaliações interna e externa a todos os níveis.
A melhoria das escolas requer
o desenvolvimento profissional
permanente de todo o pessoal
docente e não docente.
Os processos de avaliação são parte integrante de um ciclo contínuo de melhoria, através do desen-volvimento profissional permanente.
A melhoria da qualidade relacionada com a avaliação contínua da escola tem de ser desenvolvida com um elevado nível de competências de avaliação. Tal implicará diferentes tipos de competências, dependendo do estatuto de cada um e das suas responsabilidades no processo de avaliação. As com-petências mais comuns têm a ver com a motivação pessoal e partilhada, o conhecimento das teorias da avaliação e dos métodos e processos de avaliação, a capacidade de comunicação, a capacidade de lidar com emoções, e a capacidade de liderança e de gestão.
Desenvolver e manter as competências esperadas constitui um desafio permanente, o que nos leva à necessidade de formar todos os que trabalham no sector da Educação. Tal tem de ser visto como uma parcela da aprendizagem ao longo da vida, e do seu desenvolvimento podem nascer novas ideias e teorias de avaliação, partilha de experiências com recurso a benchmarking, ou a promoção de expe-riências inovadoras para construir um novo conhecimento em avaliação.
Os resultados de estudos
compara-tivos nacionais e internacionais
devem ser apresentados em conjunto
com a avaliação interna, para que
a sinergia possa ocorrer.
Os estudos comparativos internacionais (PISA, TIMSS, etc.) servem o propósito de orientar os sistemas educativos nacionais, apesar de cada escola poder, a título individual, utilizar os dados de tais estudos, especialmente se coincidir com o facto de ser uma das escolas da amostra e tiver acesso ao conjunto de dados que lhe diz respeito.
A perspectiva externa ajuda cada escola a clarificar os seus próprios padrões de qualidade e a posicio-nar-se num contexto mais vasto. A comparação com outras escolas contribui para a identificação de critérios objectivos para a interpretação dos seus próprios dados.
O potencial de estudos comparativos nacionais ou internacionais pode ser totalmente utilizado se cada escola incluir os seus dados nas suas análises sobre o seu próprio desenvolvimento e combinar essa informação com os resultados da avaliação interna.
O papel de todos os que estão
envolvidos em processos de avaliação
tem de ser clarificado, desde o início,
para que a sinergia possa ocorrer.
Antes de iniciar a avaliação, é fundamental que todos os envol-vidos (alunos, pais, professores da escola, amigo crítico, gestão escolar, serviços de orientação pedagógica, inspecção, etc.) par-ticipem na clarificação dos seus papéis. Tal garante um ponto de partida consistente, visto significar que a avaliação é desenvol-vida com as pessoas e não apenas para as pessoas. Esta aborda-gem é uma das condições necessárias para o desenvolvimento da sinergia e apoia a aplicação prática de outros aspectos desta declaração, tais como abertura, confiança e, em particular, o de-senvolvimento da co-responsabilidade.A sinergia em avaliação exige
confiança, a confiança requer
diálogo, e o diálogo conduz-nos
a um entendimento partilhado.
A sinergia das avaliações interna e externa significa a integração do conhecimento e das experiências com origem em diferentes fontes e pessoas. Estar apto a partilhar o seu conhecimento e experiências implica confiança nos outros que também estão envolvidos. Por isso, a sinergia entre as avaliações interna e externa tem de se apoiar na confiança mútua, em valores partilhados e numa linguagem comum.
A confiança emerge numa atmosfera e cultura de diálogo democrático, que é muito mais do que o direito de falar e de ser ouvido. Efectivamente, trata-se mais de ouvir do que de falar. É importante dar poder aos outros e promover a justiça e a integridade dos processos de avaliação. Este diálogo permanente necessita de uma cultura onde esteja enraizado o hábito de reunir as pessoas para nego-ciar, discutir e partilhar ideias. Esta é uma forma de construir um entendimento partilhado para levar a cabo a avaliação.
Os resultados da avaliação
de um agente, não são mais
legítimos do que de qualquer
outro
Os parágrafos desta declaração indicam as condições necessárias para que a sinergia ocorra, bem como as condições necessárias para uma avaliação de elevada qualidade. Ambas as avaliações, interna e externa, contribuem para garantir e melhorar a quali-dade. Porém, nós acreditamos que a melhor e mais eficaz ava-liação resulta da sinergia das duas. Utilizando esta abordagem, torna-se óbvio que as avaliações interna e externa conduzem a padrões de qualidade mais elevados. Esta abordagem não hierar-quizada facilita e reforça o desenvolvimento da sinergia.
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Pädagogisches Institut für die deutsche Sprachgruppe
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