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Vision e o laringoscópio Macintosh: um ensaio clínico prospectivo randomizado e controlado

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Academic year: 2019

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Comparac

¸ão

entre

o

videolaringoscópio

King

Vision

e

o

laringoscópio

Macintosh:

um

ensaio

clínico

prospectivo

randomizado

e

controlado

Basar

Erdivanli

,

Ahmet

Sen,

Sule

Batcik,

Tolga

Koyuncu

e

Hizir

Kazdal

RecepTayyipErdoganUniversity,SchoolofMedicine,DepartmentofAnesthesiologyandReanimation,Rize,Turquia

Recebidoem23deagostode2017;aceitoem16deabrilde2018 DisponívelnaInternetem10dejulhode2018

PALAVRAS-CHAVE Manejodevias aéreas;

Laringoscopiadireta; Intubac¸ão

endotraqueal; Anestesiageral; Videolaringoscopia

Resumo

Justificativaeobjetivos: ComparamosaeficiênciadovideolaringoscópioKingVisionedo larin-goscópioMacintosh,quandousadosporanestesiologistasexperientesempacientesadultoscom diferentescondic¸õesdeintubac¸ão,emumestudoclínicoprospectivorandomizadoecontrolado. Métodos: Foram selecionados 388 pacientes com estado físico ASA I ou II (de acordo com a classificac¸ão da AmericanSociety of Anesthesiologists---ASA), programados para aneste-sia geral comintubac¸ãotraqueal. Cadapaciente foi intubado comambos oslaringoscópios sucessivamente, em uma ordem aleatória. A taxade sucesso daintubac¸ão, otempo até a melhorvisibilizac¸ãodaglote,otempodeintubac¸ão,otempodeventilac¸ão,aclassificac¸ão deCormack-Lehane(graus)eascomplicac¸õesrelacionadasàlaringoscopiaeintubac¸ãoforam analisados.

Resultadoseconclusões: Astaxasdesucessonaintubac¸ãonaprimeiratentativaforam simi-laresparaoKingVisioneoMacintosh(96,6%vs.94,3%,respectivamente,p>0,05).Asmédias dos temposatéamelhor visibilizac¸ãoda glote(IC95% 0,5---1,4s,p<0,001)e deintubac¸ão (IC95%3---4,6s,p<0,001)forammaioresnoKingVision.Adiferenc¸anotempodeintubac¸ãofoi semelhantequandoastentativasmalsucedidasdeintubac¸ãoforamexcluídas(IC95%2,8---4,4s, p<0,001).Combasenaclassificac¸ãodeMallampatimodificadanaconsultapré-operatória,o KingVisionmelhorousignificativamenteavisibilizac¸ãodagloteemmaispacientes(220 paci-entes,56,7%)emcomparac¸ãocomoMacintosh(180pacientes,46,4%)(p<0,001).Nenhumdos pacientesapresentoudessaturac¸ãoperiféricadeoxigênioabaixode94%.Osanestesiologistas experientespodemobtertaxassemelhantesdesucessonaprimeiratentativadeintubac¸ãoede traumasdasviasaéreascomambososlaringoscópios.OKingVisionrequertemposmaislongos atéavisibilizac¸ãodagloteedeintubac¸ãotraqueal,masnãocausadessaturac¸ãoadicional. ©2018SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigo OpenAccess sobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](B.Erdivanli).

https://doi.org/10.1016/j.bjan.2018.04.003

(2)

KEYWORDS Airwaymanagement; Directlaryngoscopy; Endotracheal intubation;

Generalanesthesia; Videolaryngoscopy

ComparisonofKingVisionvideolaryngoscopeandMacintoshlaryngoscope: aprospectiverandomizedcontrolledclinicaltrial

Abstract

Backgroundandobjectives: WecomparedtheefficiencyoftheKingVisionvideolaryngoscope andtheMacintoshlaryngoscope,whenusedbyexperiencedanesthesiologistsonadultpatients withvaryingintubatingconditions,inaprospectiverandomizedcontrolledclinicaltrial. Methods:Atotalof388patientswithanAmericanSocietyofAnesthesiologistsphysicalstatus ofIorII,scheduled for generalanesthesiawith endotrachealintubation. Eachpatient was intubatedwithbothlaryngoscopessuccessively,inarandomizedorder.Intubationsuccessrate, timetobestglotticview,timetointubation,timetoventilation,Cormack---Lehanelaryngoscopy grades,andcomplicationsrelatedtothelaryngoscopyandintubationwereanalyzed.

Resultsandconclusions: First pass intubationsuccessrates were similar for theKing Vision andtheMacintosh (96.6% vs.94.3%, respectively,p>0.05). KingVision resultedinalonger average time to glottic view (95% CI 0.5---1.4s, p<0.001), and time to intubation (95% CI 3---4.6s,p<0.001).Thedifferenceintime tointubationwassimilar whenunsuccessful intu-bationattemptswereexcluded(95%CI2.8---4.4s,p<0.001).BasedonthemodifiedMallampati classatthepreoperativevisit,theKingVisionimprovedtheglotticviewinsignificantlymore patients(220patients,56.7%)comparedwiththeMacintosh(180patients,46.4%)(p<0.001). Noneofthepatientshadperipheraloxygendesaturationbelow94%.Experienced anesthesio-logistsmayobtainsimilarratesoffirstpassintubationsuccessandairwaytraumawithboth laryngoscopes.KingVision requireslongertimestovisualizethe glottisandtointubatethe trachea,butdoesnotcauseadditionaldesaturation.

©2018SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Protegerasviasaéreas dopaciente éessencialna aneste-sia geral. Os problemas relacionados ao manejo das vias aéreas constituem 17%das alegac¸ões finais em anestesia, aintubac¸ãodifíciléamaiscomum,comumataxade5%.1 Problemascomointubac¸ãotardia,tubo traquealmal colo-cado outraumascausadosàs viasaéreas são encontrados comfrequênciaempacientesambulatoriaisepodemcausar morteoulesãocerebralhipóxica.2,3

Avideolaringoscopiamostrouserútilparaintubac¸ãode pacientescomviaaéreadifícil.4Comumacâmeraefonte deluz na ponta desua lâmina, o videolaringoscópio King Vision(VLKV)forneceumavisãoindiretadaglotesem pre-cisaralinharoseixos(oral,faríngeoetraqueal).Issopermite considerarcircunstânciasquecausemmenosdanosaos teci-dosdurante alaringoscopia,leva aousobem-sucedido do VLKVemintubac¸ãocomopacienteacordado.5Vários estu-dosrelataramqueoVLKVproporcionouvistasmelhoresda glote em comparac¸ão com outros laringoscópios, quando usadoporaprendizesouemestudoscommanequins simu-landocenários devia aérea difícil.6---8 Contudo,ainda não estáclaroseessesresultadospodemsetraduzirem taxas mais altas de intubac¸ão bem-sucedida ou em tempo de intubac¸ão menor quandoo VLKV é usadopor anestesiolo-gistasexperientes.9,10

Este estudo teve como objetivo comparar a eficiência do uso de um VLKV com lâminas canalizadas de tama-nho3padrãoversusousodeumlaringoscópioMacintosh,em pacientesadultoscomdiferentescondic¸õesdeintubac¸ão,

programadosparaanestesiageral.Noscasosemqueouso dalâmina canalizadadoVLKVnãoobtevesucesso,o larin-goscópioMacintoshfoientãocomparadocomoVLKVcomo usodeumalâminanãocanalizada.

Material

e

métodos

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Local (n◦ 2014/109)e registradonoClinicalTrials.gov (Identifica-dor:NCT02482870).Todosospacientesassinaramotermode consentimentoinformadoantesdesuainclusãonoestudo.

Todosospacientesagendados paraanestesiageral com intubac¸ãoendotraquealemumhospitaluniversitárioforam incluídosnoestudo.Oscritériosdeexclusãoforam:cirurgia deemergência;idadeinferiora18ousuperiora60anos; dis-tânciainterincisivos<2cm;classificac¸ãoASAII;anquilose; osteoartrite degenerativa; massa glótica ou supraglótica (comotireoidelingualouhipertrofiatonsilar);massas medi-astinais;anomaliadaorofaringe(comoestenosesubglótica) eserportadordeTreacher-Collins,PierreRobinousíndrome deDown.Ospacientestambémforamexcluídossetivessem históriadecirurgia,oucirurgiaprogramadaparaqualquer umadessascondic¸ões.

Nodiadacirurgia,ospacientesalocadosforamlevados para a sala de cirurgia e pré-medicados com midazolam intravenoso (0,04mg.kg−1), antes da avaliac¸ão de suas

(3)

Inscrição Avaliados para elegibilidade (n = 409)

Randomizados (n = 388)

Excluídos (n = 21)

♦ Não atenderam os critérios de

inscrição (n = 0)

♦Recusaram participar (n = 21)

♦ Outras razões (n = 0)

♦ Receberam intervenção alocados (n = 388)

♦ Não receberam intervenção alocados (n = 0)

♦ Receberam intervenção alocados (n = 388)

♦ Não receberam intervenção alocados (n = 0)

Alocados para intervenção (n = 388)

Descontinuaram a intervenção (n = 0) Descontinuaram a intervenção (n = 0)

Perdidos para seguimento (n = 0)

Analisados (n = 388) Analisados (n = 388)

Perdidos para seguimento (n = 0) Alocados para intervenção (n = 388)

♦Excluídos da análise (n = 0)

♦Excluídos da análise (n = 0)

Alocação

Seguimento

Análise

Figura1 DiagramadefluxodoestudoConsort.

fentanil(2mcg.kg−1)epropofol(2mg.kg−1),erocurônioIV

(1mg.kg−1)foiadministradoparaorelaxamentomuscular.

Após a ventilac¸ão com máscara por 3min, aneste-siologistas experientes em videolaringoscopia fizeram as laringoscopiascomousotanto dolaringoscópio Macintosh quanto do VLKV com lâminas canalizadas de tamanho3, sequencialmente.Osanestesiologistasnãotinham conheci-mentodaavaliac¸ãopré-operatóriadasviasaéreas,inclusive qualquer história de intubac¸ão difícil, e determinaram a ordem dos laringoscópios ao lanc¸ar uma moeda (cara ou coroa)duranteoperíododepré-oxigenac¸ão.Noscasosem queaintubac¸ãocomalâmina canalizadadoVLKV nãofoi bem-sucedida,usou-seumalâminanãocanalizada.Lâminas canalizadasenãocanalizadasdetamanho3padrãoestavam disponíveisparaoVLKV, masolaringoscopistaestavalivre paraescolherumalâmina adequada dequalquertamanho parao laringoscópio Macintosh.Havia cinco laringoscopis-tas,comumamédiade9,8±3,3anosdeexperiênciacom laringoscópioMacintoshe1,2±0,4anocomoVLKV.

Osdesfechosprimáriosforamosucessodaintubac¸ãona primeira tentativa e o tempode intubac¸ão. Osdesfechos secundáriosforamotempodemelhorvisibilizac¸ãodaglote, tempo de ventilac¸ão, graus de Cormack-Lehane obtidos porcadalaringoscópioecomplicac¸õesrelacionadasà larin-goscopiae intubac¸ão. Tais complicac¸õesincluíram cortes, sangramento,danosaosdentes,laringoespasmo, broncoes-pasmo, dessaturac¸ão abaixo de 90% e condic¸õesde ‘‘não podeintubar’’ou‘‘nãopodeintubar,nãopodeventilar’’.

O tamanhodaamostrafoicalculado deacordocom os primeiros60pacientesqueobtiveramtaxasdesucessode intubac¸ãode91,7%e96,7%comolaringoscópioMacintosh eoVLKV,respectivamente.Foramnecessários378 pacien-tesparaobterumpoderde90%comumerroalfade0,05,

mas388pacientesforamincluídosparacompensarpossíveis desistênciasdevidoaerrosderegistroouadministrativos.

OsdadosforamanalisadoscomoprogramaRversão3.2.5 (RFoundationforStatisticalComputing,Viena,Áustria).O testede Levene foi usado para testar a normalidade das distribuic¸ões. Os dados paramétricos (tempos de melhor visibilizac¸ãodaglote,deintubac¸ãoedeventilac¸ão)foram expressos em média (desvio-padrão) e analisados com o testetdeStudentparaduasamostras.Osdadosnão para-métricos (idade, altura, peso, índice de massa corporal, distânciatireomentoniana,distância esternomentoniana e distânciainterincisivos)foramexpressosem mediana (IQR [intervalo])eanalisadoscomotestedospostossinalizados deWilcoxon,quetambémfoiusadoparaanalisara melho-ria na visibilizac¸ão da glote. Os dados categóricos (sexo, presenc¸adeapneiaobstrutivadosonoeronco,estadoASA, classedeMallampati modificada,grau devisibilizac¸ão em laringoscopiaeocorrênciasdecomplicac¸ões)foram expres-sosemnúmeros(porcentagem)eanalisadoscomotestedo qui-quadradoem tabela decontingência. Acorrelac¸ãodo graudevisibilizac¸ãocomasvariáveissexo,índicedemassa corporal,distânciatireomentoniana,distância esternomen-tonianaedistânciainterincisivosfoianalisadapormeiode regressão logística multivariada. Um valor de p<0,05 foi consideradoestatisticamentesignificativo.

Resultados

(4)

Tabela1 Característicasbasaisevariáveisantropométricasdospacientes

Idade(anos) 48,5(37---55[18---60])

Sexo(n)

Masculino 230(59,3%)

Feminino 158(40,7%)

Altura(cm) 171(165---175[149---185])

Peso(cm) 80(70---88[42---108])

IMC(kg.m2) 26,9(24,3---30,9[15,8---50,8])

Históriadeapneiaobstrutivadosono 96(24,7%)

Históriaderonco 142(36,6%)

Classificac¸ãodeMallampatimodificada

0 0(0%)

1 79(20,4%)

2 113(29,1%)

3 107(27,6%)

4 89(22,9%)

Distânciatireomentoniana(cm) 6,2(5,3---7,3[4,1---10,3])

Distânciaesternomentoniana(cm) 10,9(9,6---12,3[8,4---14,9])

Distânciainterincisivos(cm) 3,3(2,7---4,1[2---5,1])

Estadofísico

ASAI 192(49,5%)

ASAII 196(50,5%)

Valoresexpressosemmediana(IQR[intervalo])ounúmeros;ASA,AmericanSocietyofAnesthesiologists.

Intubac¸ãobem-sucedidanaprimeiratentativa

Atabela2mostraastaxasdesucessodaintubac¸ãona pri-meiratentativa.Resumidamente,adiferenc¸aentreastaxas deinsucesso dos laringoscópiosdurante a primeira tenta-tivanãofoi estatisticamentesignificativa. Osdados sobre ospacientesque nãopuderam serintubadoscom o larin-goscópioMacintosh ouo VLKV com lâmina canalizada são apresentados na tabela 3. Resumidamente, em casos de insucessona intubac¸ão,o tempomédio deintubac¸ãocom alâmina não canalizadafoi significativamente menor, em comparac¸ão tantocom alâmina canalizadaquanto como laringoscópioMacintosh(p<0,001emambososcasos).Não houveimpossibilidadedeintubac¸ãoemqualquerdos paci-entescompelomenosumdoslaringoscópios.

Temposdemelhorvisibilizac¸ãodaglote, deintubac¸ãoedeventilac¸ão

Ostemposde melhor visibilizac¸ão daglote,de intubac¸ão e de ventilac¸ão (período apneico total) sãoapresentados na tabela 2. Para o laringoscópio Macintosh, o tempode visibilizac¸ãodaglotefoimenorem250(64,4%)de388 paci-entes,otempode intubac¸ão foimenor em 288pacientes (74,2%)eadurac¸ãodaapneiafoimenorem286pacientes (73,7%),com umperíodo apneico totalsignificativamente menoremcomparac¸ãocomoVLKV.Nenhumpaciente per-maneceuemapneiapormaisde107s.Quandoastentativas malsucedidas de intubac¸ão com ambos os laringoscópios foramexcluídas,otempodeintubac¸ãocomambosos larin-goscópiosfoisemelhante(tabela2)(p=0,068).

Grausdevisibilizac¸ãonalaringoscopiaobtidospara cadalaringoscópio

As figuras 2 e 3 mostram as melhorias na visibilizac¸ão da glote com o laringoscópio Macintosh e o VLKV, res-pectivamente. Com o laringoscópio Macintosh, o grau de visibilizac¸ão melhorou para a maioria dos pacientes com Mallampati modificado classes I e II, mas permaneceu o mesmoparaamaioriadaquelescomclassesIIIeIV(fig.2). Com o VLKV, noentanto, a maioria dos pacientes melho-rou o grau de visibilizac¸ão (fig. 3). Uma comparac¸ão da Classificac¸ãodeLehane(CL)obtidacomambosos laringos-cópioséapresentadanafigura4,mostraqueoVLKVobteve uma melhoria significativa da visibilizac¸ão da glote em comparac¸ãocomolaringoscópioMacintosh(ICde95%−0,95 a −0,67,p<0,001). ACLnãoapresentou fortecorrelac¸ão com a classificac¸ão modificada de Mallampati em qual-querdoslaringoscópios.Adistânciaesternomentonianafoi aúnicavariávelantropométricaafornecerumacorrelac¸ão significativaentreasclassificac¸õesdeLehaneede Mallam-pati.

Complicac¸õesrelacionadasàlaringoscopia eintubac¸ão

(5)

Tabela2 Desfechosprimáriosesecundários

Laringoscópio Macintosh(n=388)

VLKVversão canalizada (n=388)

p-valor ICde95%paraa diferenc¸aentre médias

Intubac¸ãobem-sucedidanaprimeiratentativa 366(94,3%) 375(96,6%) 0,1195a

Tempodemelhorvisibilizac¸ãodaglote(s) 7,6(2,5) 12,6(8) <0,0001b 0,5---1,4

Tempodeintubac¸ão(s) 7,9(4,7) 23,5(10,8) <0,0001b 3---4,6

Tempodeintubac¸ãoquandotentativas malsucedidasforamexcluídas(s)

7,2(2,2) 8,4(3,8) 0,068b 0,1---2,4

Tempodeventilac¸ão(s) 15,5(5,6) 36,1(13,4) <0,0001b 4,8---7,1 Valoresexpressosemmédias(desvio-padrão)ounúmeros;VLKV:videolaringoscópioKingVision.

a Testedoqui-quadrado.

b TestetdeStudentparaduasamostras.

Tabela 3 Intubac¸ãobem-sucedidae tempode intubac¸ãonospacientesquenão puderam serintubados comqualquerdos laringoscópiosdoestudo

Pacientesquenãopuderamserintubadoscom p-valor

LaringoscópioMacintosh(n=22) VLKVversãocanalizada(n=13)

Classificac¸ãodeMallampati 3(3---4[2---4]) 3(3---4[2---4]) 0,589a

Históriadeapneiaobstrutivadosono 17(77,3%) 13(100%) 0,011b Intubac¸ãobem-sucedidanaprimeiratentativa

LaringoscópioMacintosh 0(0%) 13(100%) NA VLKVversãocanalizada 22(100%) 0(0%) NA VLKVversãonãocanalizada 22(100%) 13(100%) NA

Tempodeintubac¸ão(s)

LaringoscópioMacintosh NA 12,3(7) <0,0001c

VLKVversãocanalizada 35(8,8) NA <0,0001c

VLKVversãonão-canalizada 23,5(5,8) 12,1(6,2) <0,0001c Valoresexpressosemmediana(IQR[intervalo]),média(desvio-padrão)ounúmeros;NA,nãoaplicável;VLKV,videolaringoscópioKing Vision.

a TestedospostossinalizadosdeWilcoxon. b Testdoqui-quadrado.

c TestetdeStudentparaduasamostras.

Discussão

Sabe-se que o grau de visibilizac¸ão em laringoscopia aumentacoma classificac¸ão deMallampati.11 Esteestudo demonstrouqueapesardeestarassociadoaumtempo pro-longado de intubac¸ão, o VLKV melhora significativamente ograudevisibilizac¸ão,comparadoaolaringoscópio Macin-tosh,comumataxasemelhantedeintubac¸ãobem-sucedida naprimeiratentativaeumnívelsimilardedessaturac¸ão.O pontofortedesteestudoéqueeleavaliouodesempenhode ambososlaringoscópiosempacientesreaiscomcondic¸ões variáveisdeintubac¸ãoeforneceuumacomparac¸ãopareada deseusdesempenhos.

Dois estudos anteriores nos quais paramédicos usaram laringoscópios tanto em manequins quanto em cadáveres mostraram melhoria acentuadana taxa desucesso global de intubac¸ão com o VLKV em comparac¸ão com o larin-goscópio Macintosh (100% vs. 69,7% e 91,5% vs. 64,9%, respectivamente).7,12 Em contraste, o presente estudo encontroutaxassemelhantesdesucessodeintubac¸ãoglobal

comolaringoscópioMacintosheoVLKV(94,3%vs.96,6%). Essa diferenc¸a marcante pode ser devida à participac¸ão deparamédicosnosestudosmencionados,enquantonosso estudoteveaparticipac¸ãodelaringoscopistasexperientes. Alvis et al. compararam o VLKV com o videolaringos-cópio McGrath MAC e relataram uma taxa global de 89% para intubac¸ão bem-sucedida usando o VLKV com lâmina canalizada.13Essataxadesucessocomparativamentebaixa ésurpreendente,tendoemvistaquetiveramaparticipac¸ão de pacientes cirúrgicos com intubac¸ão fácil prevista. Em contraste,ospacientesque nãoconseguimosintubarcom a lâmina canalizada doVLKV apresentavam classificac¸ões altasdeMallampatiehistóriadeapneiaobstrutivadosono, ambasassociadasàintubac¸ãodifícil.13

(6)

68 11

50 41 15 7

18

13 Classificação de

Mallampati

Classe I n = 79

Grau I n = 149

Grau II n = 139

Grau III n = 93

Grau IV n = 7 Classe II

n = 113

Classe III n = 107

Classe IV n = 89

Graus de Cormack-Lehane para Macintosh

47 29

40 49

Figura2 Representac¸ãográficadaclassificac¸ãodeMallampatiedosgrausdevisibilizac¸ãoemlaringoscopiadeCormack-Lehane correspondentesobtidoscomoMacintosh.

Classificação de Mallampati

Graus de Cormack-Lehane

para King Vision

Classe I n = 79

Classe II n = 113

Classe III

n = 107 Classe IV n = 89

Grau I n = 357

Grau II n = 31

Grau III n = 0

Grau IV n = 0 79

113

95 12

70 19

Figura 3 Representac¸ão gráfica da classificac¸ão de Mal-lampati e dos graus de visibilizac¸ão em laringoscopia de Cormack-LehaneobtidoscomoKingVision.

Graus de Cormack-Lehane

para Macintosh

Graus de Cormack-Lehane

para King Vision Grau I n = 149

Grau I n = 357

Grau II n = 31

Grau III n = 0

Grau IV n = 0 Grau II

n = 139

Grau III n = 93

Grau IV n = 7

149

139

62 31

7

Figura4 Representac¸ãográficademelhorianavisibilidadeda gloteobtidacomoKingVisionemcomparac¸ãocomoMacintosh.

exposic¸ãoaomanejodasviasaéreas(12±9,9)semelhante àencontradanesteestudo,reforc¸andoqueonívelde expe-riência dolaringoscopistaéfundamental paraotempode intubac¸ão.

Cortellazzi et al. relataram que um anestesiologia estagiárioquefezcercade50laringoscopiasdiretas bem--sucedidas precisaria fazer 76 intubac¸ões com sistema Glidescopeparaatingirumataxadeprobabilidadede90% de intubac¸ão ideal.15 Em comparac¸ão com o estudo de Cortellazzi, este estudo incluiu apenas anestesiologistas experientes;portanto,nãoobservamostalcurvade apren-dizado.

A visibilizac¸ão da glote e a intubac¸ão da maioria dos pacientes deste estudo ocorreram em menor tempo com o laringoscópio Macintosh. A lâmina canalizada do VLKV requerumadistância interincisivosdepelomenos18mm, de modo que os pacientes com uma distância interincisi-vos inferiora20mm foramexcluídosdoestudo.O grande cortetransversaldalâminacanalizadaparecesera princi-paldesvantagemdoVLKV,especialmenteempacientescom capacidadelimitadadeaberturadaboca.16

Como a lâmina canalizada tem um túnel estreito, pré-carregamoso tuboendotraquealcomumestilete pré--moldado,comofeitoanteriormenteemestudossimilares.7 Durante todo oestudo, a maiorparte dotempo foigasta comainserc¸ãodalâminacanalizadadoVLKVnabocaecom o alinhamentodaextremidade dotubo endotraqueal pré--carregadoàtraqueia.Essaobservac¸ãoestádeacordocomo artigodeMicelietal.,noqualavisibilizac¸ãodagloteatravés dosvideolaringoscópiosfoiobtidacomumânguloindireto, requereuqueotuboendotraquealfossepreparadocomum ângulomaisestreitoouapósavisibilizac¸ãodaglote,oque podeprolongarotempodeintubac¸ão.10

(7)

Alvisetal.tambémrelataramqueasmesmas dificulda-desforamobservadasaointroduziralâminacanalizadado VLKVnabocadopacienteepassarotuboatravésdalâmina canalizadadentrodaaberturadaglote.17Os anestesiologis-tasparticipantesdesteestudoerambemmaisexperientes (cadaumdelescomexperiênciademaisde5.000intubac¸ões comolaringoscópioMacintoshemaisde300intubac¸õescom oVLKV),emcomparac¸ãocomoestudoconduzidoporAlvis etal.(residentesemanestesiologiacomexperiênciademais de100intubac¸ões);porém,observamosasmesmas dificul-dades.NossaopiniãoéquealâminacanalizadadoVLKVnão éuminstrumentoútil.

Énotávelocontrasteentreessesdadoseosresultados encontrados por Akihisa et al., que avaliaram intubac¸ões feitas por enfermeiros com o uso do VLKV (com lâminas canalizadas e não canalizadas) e o laringoscópio Macin-tosh em modelos devias aéreas.6 Osautores ministraram umcursolimitadodeintubac¸ãocomlaringoscopiadiretae VLKV a enfermeiros semexperiência préviaem intubac¸ão traquealeobservaramumtemposignificativamentemaior para a intubac¸ão e uma taxa menor de sucesso com a lâmina não canalizada.Esses achados contrastantes enfa-tizam a importância da experiência dolaringoscopista ao avaliar a eficiência de dois dispositivos para o manejo dasviasaéreas.18 Essasdescobertassugeremquealâmina canalizada podeser útil em casos de emergência quando anestesiologistasexperientesnãoestãodisponíveis.

O tamanho de nossa amostra foi calculado de acordo com os dados obtidos dos primeiros 60 participantes, a diferenc¸anataxadesucessodeintubac¸ãofoiaúnica variá-velconsiderada.Issopodeexplicarporqueumadiferenc¸a clinicamente insignificante no tempo de intubac¸ão resul-touemumasignificânciaestatísticatãograndenosoutros desfechosmensurados.

Comoa intubac¸ãodecada paciente foifeita sequenci-almentecomambososlaringoscópios,pode-seargumentar quea primeiralaringoscopia poderiaterdadouma vanta-gemaosegundolaringoscópio.Paraminimizaresseefeito, optamos porrandomizar a ordem dos dispositivos em vez deaplicarcadalaringoscópioaosdiferentespacientes,pois acreditamosqueacomparac¸ãopareadadesses laringoscó-pios em pacientes reais com anatomiasvariáveis das vias aéreaséimportante.

Há duas revisões recentes que compararam videolarin-goscopia e laringoscopia direta em pacientes adultosque precisaramdeintubac¸ãotraquealeletiva.19,20Ambasas revi-sõesconcluíramqueosvideolaringoscópiossãoúteisparaa intubac¸ãodepacientescomviaaéreadifícil.

A primeira revisão incluiu estudos que compararam qualquer tipo de videolaringoscópio com o laringoscó-pio Macintosh.19 Em 64 ensaios clínicos randomizados, as taxasdeintubac¸õesbem-sucedidasdoslaringoscópiosforam semelhantes em comparac¸ão com o Macintosh; porém, o C-MAC apresentou melhor desempenho que o Macintosh. A revisão menciona que a análise foi prejudicada por definic¸ões

heterogêneas sobre a experiência dos laringoscopistas e tempos relatados para a intubac¸ão traqueal. A revisão definiu‘‘operador experiente’’comoa realizac¸ão depelo menos20intubac¸õescomvideolaringoscópio eidentificou 47ensaios clínicosnosquais anestesiologistas experientes fizeram laringoscopias. Porém, não havia dados sobre o

númerodeintubac¸õesfeitaspelosoperadores emmetade desses ensaios clínicos; enquanto a outra metade forne-ceuinformac¸õessimbólicascomo‘‘experiente’’ou‘‘usuário rotineirodevideolaringoscópio’’.Aexperiênciados opera-doresvariouentre10e300e‘‘treinamentocommanequim’’ e ‘‘especialista’’. Além disso, há um ensaio clínico que excluiupacientescomclassificac¸ãodeMallampatisuperior aII21 eoutroqueexcluiupacientescomgraude Cormack--Lehane superior a I.22 Embora os resultados da revisão corroboremnossosachados,essaheterogeneidadeentreos ensaios clínicos mostra que os resultados dependem das condic¸õesdeintubac¸ãoedaexperiênciadolaringoscopista. A segunda revisão selecionou nove ensaios clínicos, inclusive pacientes com suspeita de via aérea difícil e anestesiologistasexperientes.20Emboranenhumdosensaios clínicosincluídostenhacomparadoVLKVeMacintosh,essa revisãoé maiscomparávelaonossoestudo porqueincluiu ensaios clínicos que compararam videolaringoscopia com laringoscopiadiretaparaomesmopaciente.Arevisão corro-boranossaconclusãodequeavisibilizac¸ãodaglotemelhora comosvideolaringoscópios.

Conclusão

Este estudo prospectivo constatou que anestesiologistas experientespodemobtertaxassemelhantesdesucessona primeiratentativadeintubac¸ãoedetraumasdasviasaéreas comoVLKVeolaringoscópioMacintosh.OVLKVéinferiorao laringoscópioMacintoshemtermosdetempoatéamelhor visibilizac¸ãodaglotee tempode intubac¸ão,masisso não causadessaturac¸ãoclinicamentesignificativa.Alâminanão canalizadadoVLKVpodeserútilnoscasosemqueambosos laringoscópiosfalhemnaintubac¸ãodopaciente.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Imagem

Figura 1 Diagrama de fluxo do estudo Consort.
Tabela 1 Características basais e variáveis antropométricas dos pacientes Idade (anos) 48,5 (37---55 [18---60]) Sexo (n) Masculino 230 (59,3%) Feminino 158 (40,7%) Altura (cm) 171 (165---175 [149---185]) Peso (cm) 80 (70---88 [42---108]) IMC (kg.m −2 ) 26,
Tabela 3 Intubac ¸ão bem-sucedida e tempo de intubac ¸ão nos pacientes que não puderam ser intubados com qualquer dos laringoscópios do estudo
Figura 4 Representac ¸ão gráfica de melhoria na visibilidade da glote obtida com o King Vision em comparac ¸ão com o Macintosh.

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